quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Bingo - O Rei das Manhãs

Bingo – O Rei das Manhãs (Brasil, 2017) – Nota 8
Direção – Daniel Rezende
Elenco – Vladimir Brichta, Leandra Leal, Augusto Madeira, Ana Lúcia Torre, Tainá Muller, Cauã Martins, Pedro Bial, Emanuelle Araújo.

No início dos anos oitenta, o ator Augusto Mendes (Vladimir Brichta) sofre com a falta de oportunidades na tv. Famoso como ator de pornochanchadas nos anos setenta, o gênero havia chegado ao fim. 

O destino faz com que ele tenha chance de disputar o papel do palhaço Bingo, que seria o apresentador de um programa infantil. Ele consegue o papel e dá início a uma carreira curta e marcante, que inclui brigas de bastidores, drogas, sexo e várias loucuras. 

Inspirado na vida do ator Arlindo Barreto, que por alguns anos interpretou o palhaço Bozo na tv e que após um turbulento período de vida conseguiu se reerguer, este longa é além da biografia, também um retrato das bastidores da tv brasileira nos anos oitenta. 

Arlindo leva a público sua história há mais de vinte e cinco anos, quando se converteu evangélico e passou a fazer shows em igrejas, sempre vestido de palhaço. 

Esta adaptação para o cinema ganha muitos pontos pela interpretação de Vladimir Brichta, que dá um verdadeiro show tanto vestido de palhaço, como nas sequências à paisana ao mostrar arrogância, confiança em si mesmo e amor pela mãe (Ana Lúcia Torre). 

Vale destacar ainda Augusto Madeira como o câmera parceiro do protagonista nas loucuras e Emanuelle Araújo totalmente à vontade no papel da cantora Gretchen. 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Detour

Detour (Detour, EUA / África do Sul, 2016) – Nota 7
Direção – Christopher Smith
Elenco – Tye Sheridan, Emory Cohen, Bel Powley, John Lynch, Stephen Moyer, Gbenga Akinnagbe.

Harper (Tye Sheridan) é um estudante de direito que acredita que o padrasto seja o culpado pelo acidente de automóvel que deixou sua mãe em coma irreversível. 

Em um bar, ele cruza o caminho de um pequeno bandido chamado Johnny Ray (Emory Cohen) e conta sua história. Os dois terminam por montar um plano para assassinar o padrasto de Harper.

Juntos com a stripper Cherry (Bel Powley), eles seguem de Los Angeles até Las Vegas prontos para eliminar o sujeito que estará na cidade aparentemente para encontrar a amante. 

O roteiro escrito pelo diretor Christopher Smith é valorizado pela ótima montagem que divide o longa em duas narrativas paralelas em tempos diferentes. As pontas do quebra-cabeças vão se fechando aos poucos, incluindo uma surpreendente revelação final. Personagens decadentes, violência e drogas também estão no cardápio. 

É basicamente é um eficiente filme B.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

A Múmia

A Múmia (The Mummy, EUA, 2017) – Nota 5,5
Direção – Alex Kurtzman
Elenco – Tom Cruise, Russell Crowe, Annabelle Wallis, Sofia Boutella, Jake Johnson, Courtney B. Vance, Marwan Kenzari.

No Egito Antigo, a irmã do faraó (Sofia Boutella) tem a ambição de sucedê-lo no futuro, porém seus planos são abortados quando nasce o primeiro filho do irmão. Ela faz uma espécie de pacto com as forças ocultas e mata a família. Mesmo assim, ela é capturada, mumificada viva e presa em um sarcófago. 

Iraque, dias atuais. Os soldados Nick (Tom Cruise) e Chris (Jake Johnson) procuram tesouros durante a ocupação do país e por acaso encontram o sarcófago. Junto com uma arqueóloga (Annabelle Wallis), eles terminam por libertar o espírito da assassina. 

Esta nova versão da história clássica da Múmia é uma grande bola fora na carreira do astro Tom Cruise. Logo nas primeiras cenas entre Cruise e Jake Johnson, fica clara a intenção do roteiro em criar uma aventura de ação com pitadas de comédia, escolha que se mostra um terrível erro. 

Diferente da divertida versão de 1999 em que as trapalhadas do protagonista vivido por Brendan Fraser se casavam perfeitamente com as boas cenas de ação ao estilo “Indiana Jones”, aqui os diálogos engraçadinhos são patéticos. 

Para piorar, a história é um verdadeira salada russa. O sarcófago egípcio aparecendo no Iraque é um absurdo, mesmo com uma explicação que surge durante a história. As tumbas encontradas no subterrâneo de Londres são outro erro. Além disso, todas as cenas de ação apresentam efeitos especiais exagerados.

É o típico blockbuster vazio.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Castelo de Areia

Castelo de Areia (Sand Castle, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Fernando Coimbra
Elenco – Nicholas Hoult, Logan Marshall Green, Henry Cavill, Tommy Flanagan, Neil Brown Jr., Glen Powell, Beau Knapp, Sam Spruell.

Guerra do Iraque, 2003. O soldado Matt Ocre (Nicholas Hoult) se alistou dois anos antes pensando em conseguir dinheiro para pagar a universidade depois de cumprir o tempo no exército. Ele não imaginava que o país entraria em guerra. 

No Iraque, ele deseja voltar para casa, mas antes, seu grupo é enviado para uma pequena cidade no interior do país com a missão de ajudar a reconstruir um duto de água para abastecer o local. 

O diretor brasileiro Fernando Coimbra, do ótimo “O Lobo Atrás da Porta”, estreia no mercado americano com este interessante longa produzido pela Netflix. O roteiro foca em uma história simples, mas que ao mesmo tempo mostra as consequências absurdas da guerra. 

Os soldados são enviados para reconstruir algo que o seu próprio exército destruiu, sendo obrigados ainda a pedir ajuda dos moradores locais que se dividem entre aqueles que odeiam os americanos e os que desejam apenas o final da guerra para tentar ter uma vida normal, se é que isso é possível no meio do deserto. 

A produção caprichada e as boas cenas de ação são outros pontos positivos. 

O resultado é um filme eficiente em sua proposta.

domingo, 3 de setembro de 2017

Agonia e Glória, Quando os Bravos se Calam e Fuga de Sobibor


Agonia e Glória (The Big Red One, EUA, 1980) – Nota 7,5
Direção – Samuel Fuller
Elenco – Lee Marvin, Mark Hamill, Robert Carradine, Bobby DiCicco, Kelly Ward, Stephane Audran, Siegfried Rauch.

Durante a Segunda Guerra, um grupo de jovens soldados liderados por um sargento durão (Lee Marvin), inicia sua jornada no norte da África e atravessa a Europa enfrentando soldados nazistas. Este longa é baseado nas memórias do diretor Samuel Fuller, que serviu na Companhia conhecida como “The Big Red One” e levou às telas versões de fatos que ele vivenciou durante sua jornada na guerra. 

O roteiro é uma colagem de episódios que incluem batalhas, as relações com civis durante o caminho, além dos medos e sonhos dos personagens. Os soldados são mostrados como jovens comuns que foram jogados no meio do inferno. Suas atitudes e reações são bem diferentes dos heróis de filmes de guerra. 

É interessante citar que a premissa de seguir um grupo de soldados com cenas de violência realista se tornou estilo comum aos longas de guerra após esta produção. A partir daqui, muitos filmes passaram a retratar o soldado como uma pessoa comum, cheia de falhas e virtudes.

Quando os Bravos se Calam (When Trumpets Fade, EUA, 1998) – Nota 7,5
Direção – John Irvin
Elenco – Ron Eldard, Frank Whaley, Zak Orth, Dylan Bruno, Martin Donovan, Timothy Olyphant, Dan Futterman, Dwight Yoakam, Devon Gummersall., Jeffrey Donovan, Bobby Cannavale.

Durante uma batalha na Segunda Guerra, o soldado Manning (Ron Eldard) se torna o único sobrevivente de seu pelotão. Mesmo traumatizado e solicitando dispensa, Manning é promovido a sargento e recebe a missão de comandar um pelotão formado por soldados inexperientes que terão como objetivo destruir tanques alemães que estão em movimento. 

Este competente longa mistura o drama dos jovens enfrentando a violência da guerra com ótima cenas de ação. Mesmo sem ser tão grandioso quanto, a história tem semelhanças com a ótima série "Band of Brothers".

Fuga de Sobibor (Escape From Sobibor, Inglaterra / Iugoslávia, 1987) – Nota 7,5
Direção – Jack Gold
Elenco – Alan Arkin, Joanna Pacula, Rutger Hauer, Jack Shepherd, Hartmut Becker, Emil Wolk.

Polônia, 1943. Os judeus presos no campo de concentração de Sobibor sabem que cedo ou tarde serão executados. Enquanto trabalham para sobreviver, um grupo de presos planeja uma fuga. O problema é que se alguns fugirem, os oficiais nazistas executarão o dobro de prisioneiros como vingança. Liderados por Sasha Pechersky (Rutger Hauer), os judeus tentarão fugir todos ao mesmo tempo. 

Baseado numa história real, esta competente produção para tv detalha os planos de fuga e mostra o sofrimento dos que estavam presos no local. Os créditos finais informam o destino de vários personagens na vida real.

sábado, 2 de setembro de 2017

Depois da Tempestade

Depois da Tempestade (Umi Yori Mo Mada Fukaku, Japão, 2016) – Nota 8
Direção – Hirokazu Koreeda
Elenco – Hiroshi Abe, Kirin Kiki, Yoko Maki, Taiyô Yoshizawa, Satomi Kobayashi.

Ryota (Hiroshi Abe) é um escritor que foi premiado ainda jovem com seu primeiro livro, mas que se perdeu nos anos seguintes. Sem conseguir um novo sucesso e viciado em apostas, Ryota sobrevive trabalhando numa agência de detetives particulares. 

Ele também foi abandonado pela esposa (Yoko Maki) e sofre por ver o filho (Taiyô Yoshizawa) apenas uma vez por mês. Sem dinheiro, ele visita o pequeno apartamento da velha mãe (Kirin Kiki) para tentar pegar alguma coisa de valor que o pai que faleceu recentemente possa ter deixado. 

Este sensível e realista drama japonês explora as frustrações da vida adulta. Os personagens principais sofrem por terem uma vida bem diferente do que sonharam. Ryota era considerado um prodígio e queria ser diferente do pai, mas nem mesmo conseguiu manter a família. 

Sua mãe demonstra indiferença pela morte do marido, soltando frases irônicas sobre o relacionamento, mostrando tristeza por não ter conseguido mudar para uma casa melhor e também por ver o filho com o casamento destruído. 

Não esperem grandes conflitos ou personagens com sangue quente, aqui os sentimentos são retratados de forma sutil e até como melancolia em alguns momentos. 

É um belo drama sobre os percalços da vida. 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Cuidado com o Slenderman

Cuidado com o Slenderman (Beware the Slenderman, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Irene Taylor Brodsky
Documentário

Em 2012, na cidade de Wakeusha no Wisconsin, duas garotas de doze anos esfaquearam outra menina da mesma idade diversas vezes e a deixaram para morrer em um parque isolado. Tão absurdo quanto o  crime foi sua motivação. 

Ao serem interrogadas pela polícia, as garotas alegaram que foram obrigadas a tentar matar a amiga com medo de serem perseguidas por um ser conhecido como Slenderman. 

O Slenderman é um personagem fictício de terror criado por um designer para um concurso de fotos, que por ser extremamente assustador se transformou em uma lenda urbana espalhada pela internet para assustar crianças e adolescentes. 

Este documentário produzido pela HBO detalha o caso através de imagens reais dos interrogatórios, das entrevistas com os pais das crianças agressoras, de depoimentos de especialistas e no embate jurídico para decidir se as meninas seriam julgadas na corte juvenil ou como adultas, podendo pegar uma pesada pena. 

A história é dolorosa em alguns momentos, principalmente nos depoimentos dos pais das crianças que seriam julgadas. São pessoas aparentemente corretas que ficaram surpresas e devastadas com o ocorrido. 

Um ponto negativo é que o doc tenta ser vendido como algo que mostraria os perigos da internet, quando na realidade a atitude das crianças está mais ligada ao comportamento pessoal e a problemas psicológicos. 

É um documentário correto sobre uma triste e bizarra história real.