quinta-feira, 7 de abril de 2016

O Resgate

O Resgate (L’Assaut, França, 2010) – Nota 7
Direção – Julien Leclercq
Elenco – Vincent Elbaz, Gregori Derangere, Melaine Bernier, Aymen Saidi, Chems Damani, Mohid Abid, Djanis Bouzyani.

Argélia, 1994. Um avião da Air France está prestes a decolar no aeroporto de Argel quando quatro terroristas argelinos disfarçados de policiais dominam a tripulação e os passageiros. 

Exigindo a libertação de dois outros terroristas que estão presos e a autorização para decolagem com destino a Paris, os sequestradores são ignorados pelas autoridades argelinas, até o assassinato de um cidadão francês. O fato faz com que o governo francês se envolva na situação e prepare uma equipe de resgate. 

Baseado numa história real, esta produção francesa utiliza inclusive cenas reais do sequestro para aumentar o clima de tensão. As sequências dentro do avião são angustiantes, seja na pressão psicológica sobre os reféns, nas assustadoras cenas de oração dos terroristas, até o sangrento confronto final. 

O diretor Julien Leclerq (do interessante “Gibraltar”) divide a trama em três narrativas. A ação dos terroristas dentro do avião, as decisões dos políticos franceses, algumas equivocadas por sinal e a espera do líder do grupo antiterrorismo (Vincent Elbaz) em iniciar o plano de resgate. 

Vale destacar ainda a fotografia que varia entre um colorido opaco com cenas em preto e branco, causando ainda mais a sensação de uma provável tragédia. 

É um bom filme que dosa com qualidade suspense, ação e política, com estilo diferente das produções americanas aceleradas.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Dália Negra

Dália Negra (The Black Dahlia, Alemanha / EUA / França, 2006) – Nota 6
Direção – Brian De Palma
Elenco – Josh Hartnett, Scarlett Johansson, Aaron Eckhart, Hilary Swank, Mia Kirshner, Mike Starr, Fiona Shaw, Patrick Fishler, Troy Evans, John Kavanagh.

Los Angeles, 1946. Dwight “Bucky” Bleichert (Josh Hartnett) e Lee Blanchard (Aaron Eckhart) são policiais e também lutadores de boxe. Para promover o departamento de polícia, o comissário arma uma luta entre os dois, que mesmo após trocarem socos, se tornam amigos. Bucky passa a ser figura constante na casa de Lee, que namora a bela Kay (Scarlett Johansson). 

A vida de policiais famosos que eles levam se complica quando é encontrado o corpo mutilado de uma jovem aspirante a atriz (Mia Kirshner), fato que esconde uma intrincada rede de segredos. 

O famoso autor de livros policiais James Elroy, se aproveitou de um caso real de assassinato ocorrido em Hollywood nos anos quarenta para escrever esta obra noir de ficção. 

O diretor Brian De Palma usou também como inspiração a estética dos filmes noir dos anos quarenta para contar a história, porém falhou no ritmo que se mostra irregular e principalmente na confusa narrativa. As situações parecem soltas e não convencem mesmo quando as pontas são amarradas no final. 

O destaque do elenco fica para Scarlett Johansson, perfeita como a ex-prostituta sensual. A narração de Josh Hartnett e a interpretação de Aaron Eckhart são até interessantes em meio a trama confusa. Já Hilary Swank está deslocada como mulher fatal. 

O diretor Brian De Palma é o responsável por meu filme preferido, o sensacional “Os Intocáveis”, que inclusive é lembrado aqui em duas cenas em câmera lenta. O tiroteio que começa dentro do carro e a cena de suspense na escadaria, mas reconheço que De Palma é um diretor irregular, que não entrega um grande filme desde o ótimo “O Pagamento Final” de 1993.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Como Não Perder Essa Mulher

Como Não Perder Essa Mulher (Don Jon, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Joseph Gordon Levitt
Elenco – Joseph Gordon Levitt, Scarlett Johansson, Julianne Moore, Tony Danza, Glenne Headly, Brie Larson, Rob Brown, Jeremy Luke, Paul Ben Victor.

Jon (Joseph Gordon Levitt) é o típico jovem de New Jersey. Filho de uma família italiana, divide a noite entre o trabalho de barman e a caça às garotas baladeiras. Durante o dia, Jon divide seu tempo entre limpar a casa, se exercitar na academia e assistir pornografia na internet. 

Numa balada, Jon se aproxima de Barbara (Scarlett Johansson), que para ele e seus amigos, a garota merece uma nota dez. A sedutora garota faz Jon se apaixonar e aparentemente mudar de atitude em relação as mulheres. 

Eu imaginava ser mais uma comédia romântica bobinha, porém fui surpreendido por um interessante filme, com cenas ousadas de sedução e sexo, além de uma história que foge do lugar comum. A estreia do ator Joseph Gordon Levitt em um longa não chega a ser um grande filme, mas mostra que o ator tem talento e ousadia para tentar algo diferente. 

O roteiro, que também foi escrito pelo ator, explora o tema atual da febre em pornografia pela internet e questiona até que ponto o prazer em assistir este tipo de vídeo influencia na vida sexual real das pessoas. 

Outro acerto é o desenrolar do relacionamento do casal principal, que segue para um lado muito mais da realidade do que para os romances água com açúcar comuns as produções de Hollywood. 

O elenco tem bom desempenho, com Levitt criando um jovem que precisa amadurecer, com a beleza sedutora de Scarlett Johansson e a pequena mas importante participação de Julianne Moore, além do veterano astro de tv Tony Danza repetindo seu habitual papel de italiano falastrão e de Brie Larson que tem falas apenas em uma sequência crucial do filme. 

É interessante, vale a sessão para que quer assistir algo diferente e com um pouco de ousadia. 

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Mais de Mil Palavras

Mais de Mil Palavras (Louder Than Words, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – Anthony Fabian
Elenco – David Duchovny, Hope Davis, Timothy Hutton, Olivia Steele Falconer, Xander Berkeley, Craig Bierko, Scott Cohen, Adelaide Kane, Morgan Griffin, Ben Rosenfield, Victoria Tennant.

John Fareri (David Duchovny) e sua esposa Brenda (Hope Davis) vivem em um belo casarão numa comunidade de classe alta com quatro filhos. Os adolescentes são trigêmeos (duas moças e uma rapaz) frutos do primeiro casamento de Brenda. A filha caçula é Maria (Olivia Steele Falconer), uma garota inteligente, falante e que escreve um diário sobre a vida familiar. Tudo vira de ponta cabeça quando uma tragédia ocorre na família. O fato faz com que cada integrante repense sua própria vida. 

Baseado em um fato real, este drama familiar não consegue envolver o espectador, em parte pela frieza da narrativa e também pelo elenco inexpressivo, com exceção da espontaneidade da menina Olivia Steele Falconer e do talento de Hope Davis, a única que consegue aprofundar os sentimentos da personagem. David Duchovny será sempre lembrado pelo Fox Mulder de “Arquivo X’, mas no cinema jamais demonstrou talento para segurar um grande filme, seus personagens são sempre iguais. 

O melhor do filme está na primeira parte, quase toda narrada pela personagem da garota Maria. A reviravolta na segunda parte da trama lembra as produções para a tv, mesmo sendo uma história real com razoável potencial. 

Como curiosidade, fiquei surpreso ao ver que uma coadjuvante idosa é vivida pela atriz inglesa Victoria Tennant. Ela é que é neta de Laurence Olivier e foi casada com Steve Martin com quem protagonizou o simpático “L. A. Story”, era uma bela mulher que envelheceu muito nestes últimos anos. 

domingo, 3 de abril de 2016

A Embriaguez do Sucesso

A Embriaguez do Sucesso (Sweet Smell of Success, EUA, 1957) – Nota 8
Direção – Alexandre Mackendrick
Elenco – Burt Lancaster, Tony Curtis, Susan Harrison, Martin Milner, Jeff Donell, Sam Levene.

Sidney Falco (Tony Curtis) é um ambicioso e inescrupuloso assessor de imprensa que caça notícias para serem divulgadas na coluna do arrogante J.J. Hunsecker (Burt Lancaster). 

Falco é uma espécie de empregado do colunista, que recebe a missão de acabar com o namoro de Susan (Susan Harrison) com o músico Dallas (Martin Milner). Susan é a jovem irmã de Hunsecker, que tem prazer de dominar a vida da garota. Ao mesmo tempo, Falco é primo de Dallas, mas não se importa em atrapalhar a vida do rapaz para ganhar a confiança de Hunsecker. 

O diretor e roteirista Alexander Mackendrick fez poucos trabalhos, mas deixou duas grandes obras. A comédia de humor negro “Quinteto da Morte” e este drama sobre ambição e arrogância recheado de diálogos ferinos e personagens canalhas. 

A história se passa na alta roda de Nova York, um mundo fechado em que os poderosos pisam em quem está por baixo e os que estão fora se humilham para participar da festa. 

Alguns diálogos são tão fortes como um soco no estômago, com pitadas de preconceito, soberba e arrogância. 

O destaque do elenco fica para a dupla de astros Tony Curtis e Burt Lancaster, que interpretam personagens inteligentes, mas totalmente desprezíveis.  

sábado, 2 de abril de 2016

O Manifesto da Demagogia

Eu não tinha mais a intenção de escrever sobre o cenário político, porém o manifesto assinado por atores, atrizes e diretores do cinema brasileiro me fez mudar de ideia.

A tentativa de transformar a investigação seríssima do maior escândalo de corrupção da história do Brasil em golpe é de uma cara de pau imensa, assim como é inaceitável um país que precisa investir em saúde, educação, moradia, ou seja, oferecer o básico para toda a população, sem contar a economia falida, o desemprego e as empresas quebrando, gaste fortunas através da Lei Rouanet para bancar produção de filmes, peças teatros e shows, o verdadeiro motivo pelo qual estes artistas estão preocupados com a provável queda do governo. A corrupção que domina as entranhas do governo é ignorada por estas pessoas. É uma situação que desperta até mesmo a vontade de ignorar os filmes com a participação destes artistas.

Para aqueles que dizem que o dinheiro da Lei Rouanet financia arte popular, digo apenas que para assistir qualquer filme, espetáculo de teatro ou show, o espectador paga um valor alto que a maioria da população não tem condições de pagar. Além disso, todos estes eventos são privados, não caberia financiamento público num país ideal, ou seja, deveriam ser financiados por empresas privadas que lucrassem ou que arcassem com prejuízo de acordo com o resultado do evento, assim como funciona com qualquer empresa.

Uma pitada de história. O cinema brasileiro sempre se aproveitou do financiamento estatal, a única exceção foram os filmes produzidos na chamada Boca do Lixo em SP durante os anos setenta. Produtores como David Cardoso, Antonio Polo Galante, Claudio Cunha, Anibal Massaini Neto e José Mojica Marins, entre outros, criaram uma indústria que provou que o cinema poderia existir sem dinheiro público. Estes produtores deram trabalho a centenas de atores, atrizes, diretores, roteiristas e técnicos bancando filmes com seu próprio dinheiro e reinvestindo os lucros em novos filmes. É um exemplo que deveria ser seguido.

Chegamos em um ponto em que o impeachment da presidente e o fortalecimento da Lava-Jato são fundamentais para o início de um novo país. Não sou ingênuo em acreditar que será o fim da corrupção, mas é obrigação que ela seja combatida. Palmas para Sergio Moro e sua esquipe.

Deixo dois links sobre temas diferentes, mas que estão ligados ao que eu comentei aqui.

O crítico de cinema e música André Barcinski escreveu um ótimo texto sobre como os artistas, no caso específico Wagner Moura, tenta criar uma história fictícia para defender o indefensável. Clique aqui para ler:

Neste outro link  a amiga Liliane, que é médica em Recife, cita uma situação que mostra o total descaso do governo em relação aos pacientes que são obrigados a encarar o péssimo SUS.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Porque Parar Agora?

Porque Parar Agora? (Why Stop Now?, EUA, 2012) – Nota 5,5
Direção – Phil Dorling & Ron Nyswaner
Elenco – Jesse Eisenberg, Melissa Leo, Tracy Morgan, Emma Rayne Lyle, Sarah Ramos, Isiah Whitlock Jr, Stephanie March, Paul Calderon.

No mesmo dia em que fará um teste de piano para entrar em uma famosa escola de música, Eli Bloom (Jesse Eisenberg) precisa convencer sua mãe Penny (Melissa Leo) a se internar em um centro de reabilitação para drogados. 

Mesmo relutante, Penny aceita se internar, porém um problema burocrático faz com que ela seja obrigada a ingerir drogas para ser aceita. A bizarra situação faz com que mãe e filho saiam pela cidade em busca da droga e se envolvam com o traficante Sprinkles (Tracy Morgan) e seu parceiro Black (Isiah Whitlock Jr) numa confusa negociação entre traficantes. 

Mesmo gostando de filmes pequenos e independentes, fica difícil elogiar este longa que tenta ser engraçado mas não arranca risos do espectador e que também não funciona como drama, pois os conflitos não convencem. 

O bom elenco acaba desperdiçado. Jesse Eisenberg repete o papel de nerd engraçadinho, enquanto Melissa Leo interpreta a mãe irresponsável. A curiosidade mórbida fica para o ator Tracy Morgan, que interpreta um traficante utilizando uma bengala e que dois anos depois sofreu um terrível acidente que quase lhe custou a vida.