segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Entre Quatro Paredes

Entre Quatro Paredes (In the Bedroom, EUA, 2001) – Nota 7,5
Direção – Todd Field
Elenco – Sissy Spacek, Tom Wilkinson, Nick Stahl, Marisa Tomei, William Mapother, William Wise, Celia Weston, Karen Allen.

Na cidade de Camden, no Maine, a família Fowler leva uma vida tranquila. Matt (Tom Wilkinson) é médico e sua esposa Ruth (Sissy Spacek) é a professora de música do coral da cidade.

Quando o filho Frank (Nick Stahl) se envolve com Natalie (Marisa Tomei), uma mulher mais velha, separada e com dois filhos pequenos, os problemas começam a surgir. 

Frank fica em dúvida entre ir para a universidade ou ficar na pequena cidade para não se afastar da namorada e as crianças, ao mesmo tempo em que o ex-marido de Natalie, o violento Richard (William Mapother) deseja reatar a relação. 

Todd Field era um ator coadjuvante sem destaque que havia dirigido apenas alguns curtas quando enfrentou o desafio de estrear na direção de um longa com este doloroso drama. A história pesada, que poderia cair no melodrama, resulta num filme extremamente sensível sobre as dores e as consequências de uma perda. 

Com um ritmo lento, quase contemplativo em algumas passagens e ótimas atuações que renderam merecidas indicações aos Oscar para Tom Wilkinson, Sissy Spacek e Marisa Tomei, além de indicações para Melhor Filme e Roteiro Adaptado, o filme foi uma grata surpresa, assim como o trabalho de Field. 

Ele voltaria a direção com “Pecados Íntimos” em 2006, outro competente drama sobre temas pesados como traição e pedofilia. 

Infelizmente são os dois únicos trabalhos de Todd Field na direção até o momento.

domingo, 9 de agosto de 2015

Os Olhos da Cidade São Meus

Os Olhos da Cidade São Meus (Angustia, Espanha, 1987) – Nota 6,5
Direção – Bigas Luna
Elenco – Zelda Rubinstein, Michael Lerner, Talia Paul, Ángel Jové, Clara Pastor.

O cineasta catalão Bigas Luna, falecido em 2013, ficou marcado por filmes com teor erótico como “As Idades de Lulu” e “Ovos de Ouro”, porém deixou uma estranha e assustadora contribuição para o gênero terror com este “Os Olhos da Cidade São Meus”. 

A trama tem como protagonista o auxiliar de optometrista John (Michael Lerner), um sujeito tímido e passivo que perde o emprego após a reclamação de uma paciente. Vivendo sob a sombra da mãe (Zelda Rubinstein, a anã sensitiva de “Poltergeist”), John é dominado pela terrível senhora que utiliza a hipnose para fazer o filho sair pela cidade e matar pessoas para arrancar os olhos e trazê-los para uma sinistra coleção. 

Até este ponto, o filme seria apenas um terror com uma trama doentia, porém na metade da história, o roteiro escrito pelo diretor apresenta uma surpresa que mistura ficção e realidade, deixando o longa ainda mais assustador. 

O clima estranho, as cenas de violência e o estilo da narrativa imposta por Bigas Luna, não são do tipo que agrada ao público comum. O filme foi premiado em algumas festivais, se tornou cult e é indicado apenas para o cinéfilo que gosta de experiências estranhas. 

sábado, 8 de agosto de 2015

Questão de Tempo

Questão de Tempo (About Time, Inglaterra, 2013) – Nota 7,5
Direção – Richard Curtis
Elenco – Domhanll Gleeson, Rachel McAdams, Bill Nighy, Lydia Wilson, Lindsay Duncan, Richard Cordery, Joshua McGuire, Tom Hollander, Margot Robbie, Will Merrick, Vanessa Kirby.

Na véspera de ir para a universidade em Londres, Tim (Domhnall Gleeson) se assusta com uma revelação feita pelo pai (Bill Nighy). Tim descobre que todos os homens da família tem o poder de viajar para o passado. Pessoa alguma sabe do segredo, nem mesmo sua mãe (Lindsay Duncan). 

A partir daquele dia, sempre que faz alguma coisa que dá errado, Tim começa a utilizar o poder para voltar no tempo e corrigir o erro. Quando Tim conhece a bela Mary (Rachel McAdams), tem certeza que é a mulher de sua vida. Ele decide se aproveitar do dom para fazer o relacionamento dar certo. 

O diretor e roteirista Richard Curtis utiliza como premissa a viagem no tempo, para criar uma história de amor universal, tanto o amor entre em casal, como o fraternal e entre pai e filho. 

Esqueça os filmes em que o protagonista volta ao passado para ganhar dinheiro, matar um inimigo ou salvar a vida de alguém, aqui o foco é corrigir pequenos erros. A única sequência em que o protagonista tenta mudar algo mais complexo, o resultado é assustador. 

A simpatia do casal principal, com a simplicidade de Domhnall Gleeson e a beleza de Rachel McAdams, junto com a sensível interpretação do veterano Bill Nighy, são outros pontos altos deste competente filme sobre o amor. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Quatro Filmes Antigos Desconhecidos

Nesta postagem, comento quatro filmes bem diferentes entre si e que são praticamente desconhecidos pelo público atual.

Não são grandes filmes, podem ser considerados apenas curiosidades cinematográficas.

Tilt (Tilt, EUA, 1979) – Nota 5,5
Direção – Rudy Durand
Elenco – Brooke Shields, Ken Marshall, Charles Durning, Geoffey Lewis, John Crawford, Don Stark, Lorenzo Lamas.

A adolescente Tilt (Brooke Shields) é craque em máquinas de pinball (fliperama no Brasil). Ao conhecer o músico Neil (Ken Marshall), que sonha em ter uma carreira de cantor, os dois decidem viajar pelo país quebrando recordes nas máquinas de fliperama e ganhando dinheiro com apostas. A chance de ganhar ainda mais, surge quando o casal encontra o veterano jogador conhecido como “A Baleia” (Charles Durning), antigo inimigo de Neil. 

No final dos anos setenta e início dos oitenta, as máquinas de fliperama eram os games do momento. Os adolescentes gastavam fortunas em fichas para tentar bater os recordes das máquinas. 

Este envelhecido longa aproveitava do sucesso destas máquinas e da beleza de uma jovem Brooke Shields, que havia despontado em “Pretty Baby – Menina Bonita” no ano anterior, para tentar lucrar. O máximo que o filme conseguiu foi se tornar uma espécie de cult durante o auge do vhs e nada mais. 

Como informação, Ken Marshall era uma aposta que protagonizou a ficção “Krull” e a minissérie “Marco Polo – Viagens e Descobertas”, mas não conseguiu se firmar na carreira.

Nacionalidade Americana ou Férias Para a Morte (Born American, EUA / Finlândia, 1986) ­– Nota 5
Direção – Renny Harlin
Elenco – Mike Norris, Steve Durhan, David Coburn, Thalmus Rasulala, Albert Salmi.

Três estudantes americanos (Mike Norris, Steve Durhan e David Coburn) estão passando férias na Finlândia, quando por brincadeira, decidem atravessar a fronteira com a União Soviética. Recebidos à bala pelos soldados soviéticos, os três garotos são presos e torturados, restando como única salvação a tentativa de uma fuga. 

Este drama misturado com ação é uma produção B que marcou a estreia na direção do finlandês Renny Harlin (“Duro de Matar 2”, “Risco Total”), que seria notado apenas no trabalho seguinte, o terror “Duro de Prender”, que lhe abriu as portas de Hollywood. 

Apesar de ser ruim, o filme tem outras curiosidades. O elenco é composto por filhos de famosos. Mike Norris é filho do astro Chuck Norris e David Coburn filho do falecido James Coburn. O filme também foi proibido na União Soviética por mostrar a truculência da polícia local e por se considerado uma propaganda americana contra o comunismo. 

Johnny Destino (Destiny Turns on the Radio, EUA, 1995) – Nota 5
Direção – Jack Baran
Elenco – Dylan McDermott, Nancy Travis, James LeGros, Quentin Tarantino, James Belushi, Tracey Walter, Janet Carroll, David Cross, Richard Edson, Bobcat Goldthwaith, Lisa Jane Persky, Sarah Trigger.

Após sair da cadeia, Julian Goddard (Dylan McDermott) segue pela estrada a caminho de Las Vegas. Pedindo carona, ele é acolhido por Johnny Destiny (Quentin Tarantino), sujeito estranho e falador. Julian pretende reconquistar a namorada (Nancy Travis) e o dinheiro fruto de um assalto que o levou para a prisão. Em sua busca, Julian cruzará com figuras esquisitas, típicas de Las Vegas. 

Produzido com intenção de ser cult, com uma narrativa lenta e um roteiro confuso que inclui até mesmo toques de fantasia, este longa chamou atenção na época do lançamento pela presença de Quentin Tarantino como ator. Ele, que havia se tornado astro com “Pupl Fiction”, pouco ajudou na qualidade deste equivocado longa. 

Urbania – A Vida na Cidade (Urbania, EUA, 2000) – Nota 6
Direção – John Shear
Elenco – Dan Futterman, Matt Keeslar, Josh Hamilton, Paige Turco, Gabriel Olds, Alan Cumming, Lothaire Bluteau, Barbara Sukowa, Bill Sage, Megan Dodds.

Durante um final de semana em Nova York, o melancólico Charlie (Dan Futterman) vaga pela cidade cruzando com diversos personagens estranhos. Um desabrigado que dorme no seu edifício, um amigo que está muito doente, o casal de vizinhos que transa aos berros e um jovem que ele leva para casa para um noite de sexo sem compromisso são alguns deles. 

O roteiro também foca na violência das grandes cidades e nas chamadas lendas urbanas. Surge o sujeito que teve o rim roubado após um encontro, o rato dentro do cachorro quente, o bebê esquecido em cima do automóvel, entre outras situações bizarras. 

O resultado é uma jornada do protagonista em busca de algo que nem ele mesmo sabe o que é.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Separados Pelo Sangue

Separados Pelo Sangue (Shotgun Stories, EUA, 2007) – Nota 7,5
Direção – Jeff Nichols
Elenco – Michael Shannon, Douglas Ligon, Barlow Jacobs, Michael Abbot Jr,  Travis Smith, Lynnsee Provence, David Rhodes, Glenda Pannell.

Numa decadente cidade do Arkansas, os irmãos Son (Michael Shannon), Kid (Barlow Jacobs) e Boy (Douglas Ligon), levam uma vida simples, sem grandes perspectivas. Os dois primeiros trabalham com pesca em um rio da região, enquanto o terceiro é professor de basquete no colégio da cidade. 

Quando são avisados pela rancorosa mãe, que o pai deles faleceu, Son decide ir ao funeral e fazer um pequeno discurso mostrando toda mágoa que os irmãos sentem do sujeito, por terem sido abandonados por ele ainda crianças. Os quatro filhos da família atual do pai ficam revoltados com as palavras de Son, dando início a um trágico conflito entre os meio-irmãos. 

O diretor e roteirista Jeff Nichols, que é natural do Arkansas, estreou no cinema com este competente drama. A narrativa com estilo cru, o ritmo pausado, a utilização de músicas de forma incidental, aqui através de um rádio de carro com defeito e diversas sequências ao ar livre, são detalhes que ele repetiria nos trabalhos seguintes. 

O soturno drama “O Abrigo”. que se passa em Ohio, também protagonizado por Michael Shannon e o ótimo “Amor Bandido” com Matthew McConaughey, que novamente tem o Arkansas como cenário, mostram que o diretor que tem talento para o gênero, além de um estilo original. 

Este “Separados Pelo Sangue” é um filme sobre mágoas, ódio, orgulho, violência e também sobre a vida, mostrada pela perspectiva de personagens simples.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A Vida Secreta de Walter Mitty

A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty, EUA, 2013) – Nota 7
Direção – Ben Stiller
Elenco – Ben Stiller, Kristen Wiig, Shirley McLaine, Sean Penn, Adam Scott, Adrian Martinez, Kathryn Hahn, Olafur Darri Olafsson, Patton Oswalt.

Walter Mitty (Ben Stiller) é o responsável pelos negativos das fotografias publicadas na revista Life. Quando a revista é vendida e um diretor de transição (Adam Scott) inicia o processo de demissões e de transformar a revista impressa em publicação digital, Walter se torna alvo do arrogante sujeito. 

Tímido e sonhador, Walter imagina grandes aventuras, porém leva uma vida simples, sem emoção, até mesmo com dificuldades para se aproximar de Cheryl (Kristen Wiig), uma colega de trabalho por quem sente atração. 

Quando o negativo de uma foto que estamparia a capa da última edição desaparece, Walter se vê obrigado a procurar o fotógrafo aventureiro Sean O’Connell (Sean Penn), responsável pela tal foto. A necessidade faz com que Walter decida enfrentar aventuras de verdade. 

A carreira de Ben Stiller como diretor não é das melhores. Seu melhor trabalho é o divertido “Trovão Tropical”, uma espécie de paródia e homenagem aos filmes de ação de Hollywood. Aqui, neste último longa, a premissa é ainda melhor, os problemas estão em algumas escolhas de Stiller. 

O terço inicial do filme é bem interessante ao enfocar principalmente os sonhos do personagem principal, que sempre imagina ser um grande aventureiro. A segunda parte peca pelo exagero, quando joga o tímido Walter em meio a aventuras pesadas, transformando o sujeito quase em um super herói. A parte final volta para mais próximo da realidade e principalmente da sensibilidade inicial. Esta irregularidade faz o filme perder pontos. 

Vale destacar as simpáticas interpretações do protagonista, de Kristen Wiig, além das boas participações de alguns coadjuvantes. Patton Oswalt como o atendente de telemarketing, o grandalhão Olafur Darri Olafsson como o piloto bêbado e um filosófico Sean Penn como o fotógrafo, são pontos altos do filme. 

O resultado é um filme simpático sobre como enfrentar a vida e suas mudanças, mesmo ficando a sensação de que poderia ser melhor.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Lucy

Lucy (Lucy, França, 2014) – Nota 6,5
Direção – Luc Besson
Elenco – Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min Sik Choi, Amr Waked, Julian Rhind Tutt, Pilou Asbaek, Analeigh Tipton.

Em Taiwan, Lucy (Scarlett Johansson) é praticamente jogada no meio de uma negociação de drogas pelo namorado picareta. Sequestrada por uma organização de coreanos liderada por Mr. Jang (Min Sik Choi, do original “Old Boy”), Lucy tem um pacote de uma nova droga inserido em seu corpo para ser transportado para Europa. 

Antes de viajar, ela sofre uma agressão de um dos traficantes, o que faz com que o pacote estoure dentro dela e a droga se misture com seu organismo. A consequência é a mais maluca possível, a droga ativa o cérebro de Lucy, que passa a trabalhar cada vez com maior potencial, até chegar a um inacreditável cem por cento. 

Esqueça qualquer lógica e tente se divertir com uma das tramas mais absurdas dos últimos anos. O roteiro do próprio Luc Besson brinca com vários gêneros. Gângster policial, ficção, suspense e aventura se juntam na mesma panela recheada de correrias, tiroteios e muito sangue, além de uma cena com vários bandidos de terno preto ao estilo Agente Smith de “Matrix”. 

Algumas ideias são interessantes, como o pensamento de fazer com que todo conhecimento seja passado adiante e a questão sobre a importância do tempo, que pelo roteiro, seria apenas uma ilusão de ótica. 

Vale destacar também a participação de Morgan Freeman como o cientista que tem uma ousada teoria sobre a capacidade de utilização do cérebro. 

Nas mãos de outro diretor como Christopher Nolan por exemplo, a trama poderia render um grande filme. 

Como o foco de Besson é a diversão sem compromisso ou profundidade, este “Lucy” resulta apenas num filme agitado e esquecível.