quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Lobo Atrás da Porta

O Lobo Atrás da Porta (Brasil, 2013) – Nota 8
Direção – Fernando Coimbra
Elenco – Leandra Leal, Milhem Cortaz, Fabiula Nascimento, Juliano Cazarré, Paulo Tiefenthaler, Thalita Carauta, Tamara Taxman, Emiliano Queiroz, Isabelle Ribas.

No subúrbio carioca, ao buscar a filha na escola, Sylvia (Fabiula Nascimento) descobre que a menina foi levada por outra pessoa que se apresentou como sua amiga. Ao procurar a polícia, Sylvia é questionada pelo delegado (Juliano Cazarré) sobre detalhes de sua vida e casamento, para logo em seguida chegar o marido Bernardo (Milhem Cortaz) acusando sua amante Rosa (Leandra Leal) de ter sequestrado a criança para se vingar dele. Rosa é levada à delegacia para responder a acusação e a princípio nega o envolvimento no desaparecimento da criança. A partir daí, o espectador verá em flashbacks as versões dos três personagens sobre acontecimentos relativos ao triângulo amoroso que podem ter causado o sequestro. 

Este drama policial é baseado livremente numa história real ocorrida nos anos sessenta, que não vale a pena contar mais detalhes para não estragar as surpresas, principalmente a assustadora cena final. 

O filme marca a promissora estréia do diretor Fernando Coimbra em um longa, que além de amarrar muito bem o roteiro, acerta também ao explorar o subúrbio do Rio de Janeiro como cenário, sem apelar para o clichê da violência ou das favelas. A lente do diretor se vira para os bairros com casas simples, as pessoas comuns e o trem como símbolo principal da região. 

O elenco também merece destaque, tendo bons desempenhos de Milhem Cortaz e Fabiula Nascimento como o casal em crise, de Juliano Cazarré como o delegado e principalmente de Leandra Leal, que cria uma personagem cheia de nuances, que em boa parte do filme deixa o espectador na dúvida sobre seu caráter. 

É muito bom quando algum diretor brasileiro foge do lugar comum das comédias rasteiras e se arrisca em uma trama mais complexa.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Caçada Mortal

Caçada Mortal (A Walk Among the Tombstones, EUA, 2014) – Nota 7,5
Direção – Scott Frank
Elenco – Liam Neeson, Dan Stevens, Brian “Astro” Bradley, David Harbour, Adam David Thompson, Eric Nelsen, Olafur Darri Olafsson.

Matt Scudder (Liam Neeson) é um policial aposentado que agora trabalha como investigador particular. Em uma noite, ele é procurado por um sujeito (Eric Nelsen) que o conheceu na reunião do AA. O rapaz o leva para encontrar seu irmão (Dan Stevens), um traficante que teve a esposa sequestrada e morta, com o detalhe macabro de que os bandidos receberam o dinheiro do resgate e mesmo assim mataram a mulher. A princípio Matt não quer aceitar o caso, mas acaba sendo convencido pelo traficante e assim dá início a uma investigação que o levará a outros sequestros que terminaram da mesma forma. 

Diferente dos últimos trabalhos de Liam Neeson voltados mais para ação, este longa foca na trama investigativa prendendo a atenção do espectador. O ritmo da narrativa é cadenciado e a história vai sendo amarrada as poucos, através de um roteiro que não apela para os exageros. 

O filme é baseado em um livro e se passa em 1999, quando a internet ainda estava se popularizando e muito se falava no “Bug do Milênio” ou “Y2K”, fato que não se concretizou e que é citado durante o desenrolar da trama. 

Além de Neeson novamente interpretando o sujeito durão e solitário, vale destacar a presença do garoto Brian “Astro” Bradley que se torna seu parceiro por acaso. 

É um bom filme indicado para que gosta de tramas de investigação.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Zumbilândia

Zumbilândia (Zombieland, EUA, 2009) – Nota 7,5
Direção – Ruben Fleischer
Elenco – Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone, Abigail Breslin, Amber Heard, Bill Murray.

Um hambúrguer contaminado dá início a um apocalipse zumbi. Em pouco tempo, quase toda a população é dizimada. O jovem estudante Columbus (Jesse Eisenberg) sobreviveu graças a sua covardia e uma lista de regras criadas por ele mesmo para escapar dos ataques dos zumbis. 

Tentando voltar para casa, Columbus cruza o caminho de Tallahasse (Woody Harrelson), um verdadeiro exterminador de zumbis, de quem se torna parceiro de viagem. No caminho, eles encontram duas irmãs (Emma Stone e Abigail Breslin), que pretendem chegar até um parque de diversões em Los Angeles. 

O sucesso de bilheteria desta comédia que tira um sarro dos filmes de zumbis se deve a alguns fatores, como a química entre o nerd vivido por Jesse Eisenberg e o falastrão de Woody Harrelson, as divertidas cenas de ação, com destaque para a sequência final no parque de diversões, a hilária participação de Bill Murray e a narração de Eisenberg. 

Vale destacar também o roteiro que não apela para piadas idiotas, preferindo inserir situações e diálogos que brincam com o próprio cinema. São bem legais as citações a filmes, atores e lugares em Hollywood. 

Circula pela internet a notícia de que uma sequência com o mesmo elenco será produzida. 

domingo, 5 de outubro de 2014

O Tiro

O Tiro (A Single Shot, Inglaterra / EUA / Canadá, 2013) – Nota 6,5
Direção – David M. Rosenthal
Elenco – Sam Rockwell, Jeffrey Wright, Kelly Reilly, William H. Macy, Jason Isaacs, Joe Anderson, Ted Levine, Ophelia Lovibond, Amy Sloan, W. Earl Brown.

John Moon (Sam Rockwell) vive em uma casa simples na área rural de uma pequena cidade. Numa certa manhã, ele acorda e sai para caçar, porém acaba alvejando uma jovem por acidente. Ele decide esconder o corpo e ao procurar um local encontra uma caixa cheia de dinheiro. John vê no dinheiro a chance de reconquistar a esposa (Kelly Reilly), que levou se filho pequeno e está pedindo divórcio. O que John não contava é que seria perseguido por desconhecidos que desejam reaver a fortuna. 

O início do filme é instigante, são pouco de mais de treze minutos desde o personagem de Sam Rockwell acordando, passando pela morte da garota, a localização do dinheiro e o corpo sendo escondido, até o momento em que ele recebe uma ligação e o espectador começa a conhecer a vida do sujeito. 

Não chega a ser um filme ruim, porém o restante do longa decepciona em parte, não pela trama, mas muito pelo diretor que aparentemente quis impor um estilo que resultou numa narrativa irregular, arrastada em alguns momentos. Por exemplo, a sequência final que seria como uma confissão de remorso, se torna exagerada. 

Vale destacar a boa interpretação de Sam Rockwell como o sujeito perdido na vida e o sempre competente William H. Macy como um impagável advogado corrupto. 

sábado, 4 de outubro de 2014

Meu Cachorro Skip & Resgate Abaixo de Zero


Meu Cachorro Skip (My Dog Skip, EUA, 2000) – Nota 8
Direção – Jay Russell
Elenco – Frankie Muniz, Kevin Bacon, Diane Lane, Luke Wilson, Caitlin Wachs.

Em 1942, numa pequena cidade do Mississipi, Willie Morris (Frank Muniz) é um garoto solitário que tem como único amigo o vizinho Dink (Luke Wilson), um atleta famoso no colégio que está prestes a ir para a guerra. Seu pai Jack (Kevin Bacon) é um sujeito durão, veterano da guerra, enquanto sua mãe é a dona de casa Ellen (Diane Lane), que percebendo a solidão do filho, resolve dar de presente um cãozinho, o pequeno Skip. Logo, garoto e cão criam uma forte ligação que marcará para sempre a vida de Willie. 

Baseado em um livro autobiográfico de Willie Morris, este longa é um sensível drama que faz até o sujeito de coração mais duro chorar. É impossível não se emocionar com a história e com a interpretação do garoto Frankie Muniz.

No mesmo ano, Franklie Muniz seria escolhido para ser o protagonista da divertida série “Malcom in the Middle”, uma espécie de “Os Simpsons” de carne e osso, que como curiosidade, tinha Bryan Cranston de “Breaking Bad” como o confuso e engraçado pai de Malcolm.

Resgate Abaixo de Zero (Eight Below, EUA, 2006) – Nota 7,5
Direção – Frank Marshall
Elenco – Paul Walker, Bruce Greenwood, Moon Bloodgood, Jason Biggs, Wendy Crewson, Gerard Plunkett, August Schellenberg.

Jerry Shepard (Paul Walker) trabalha como guia de exploradores em uma estação de pesquisa na Antártida, tendo como parceiros oito cães que ele considera como sua família. Quando o cientista Davis McClaren (Bruce Greenwood) chega ao local para procurar um meteorito que caiu em uma perigosa região, Jerry e seus cães são designados para guiar o sujeito. Após enfrentarem uma forte nevasca, Jerry, Davis e todos trabalhadores da estação são obrigados a abandonar o local rapidamente, deixando os cães para trás. Jerry não se conforma com a situação e fará de tudo para voltar e resgatar os animais. 

Está produção típica dos estúdios Disney é baseada num fato real e destinada principalmente as pessoas que gostam de animais, especificamente cães. 

As cenas de ação são bem filmadas, algumas até violentas, como a sequência com o leopardo-foca, o visual gelado é muito bem captado e as “interpretações” dos cães são ótimas. 

É um filme divertido, inclusive para os adultos, com ação e emoção na medida certa ao estilo sessão da tarde.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Amargo Pesadelo

Amargo Pesadelo (Deliverance, EUA, 1972) - Nota 9
Direção – John Boorman
Elenco – Burt Reynolds, Jon Voight, Ronny Cox, Ned Beatty, James Dickey, Bill McKinney.

Quatro amigos executivos (Burt Reynolds, Jon Voight, Ronny Cox e Ned Beatty) decidem descer as corredeiras de um rio na região da Georgia antes que ele seja inundado por uma represa. A aventura cheia de adrenalina na descida do perigoso rio se transforma em pesadelo quando surge um bando de caipiras da montanha, que subjugam os amigos com violência e humilhação. 

Este clássico absoluto dos anos setenta ficou marcado pela forma cru e violenta com que o diretor inglês John Boorman conduziu a trama. 

O roteiro baseado em um livro de James Dickey, que inclusive tem um pequeno papel no longa, foca no confronto entre civilização e barbárie, jogando quatro sujeitos comuns em meio ao violento mundo dos homens das montanhas, que se vingam de forma cruel da “invasão” dos homens da cidade. 

Pelo menos três sequências estão entre as melhores da história do cinema. A sequência da descida do rio, o sensacional duelo de banjos entre o personagem de Roony Cox e um garoto com deficiência mental e a angustiante cena do estupro. 

Os quatro atores que interpretam os executivos tem ótimos desempenhos, sendo que para muitos críticos, a interpretação do astro Burt Reynolds é a melhor de sua carreira. Para Ned Beatty sobrou uma das cenas mais cruéis da história do cinema. 

Com mais de oitenta anos e ainda na ativa, John Boorman fez outros ótimos filmes como “Esperança e Glória”, “Excalibur”, “Inferno no Pacífico” e “À Queima Roupa”.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A Outra Vida de Richard Kemp

A Outra Vida de Richard Kemp (L'autre Vie de Richard Kemp, França, 2013) – Nota 7,5
Direção – Germinal Alvarez
Elenco – Jean Hugues Anglade, Mélanie Thierry, Philippe Berodot, Jean Henri Compere.

Durante sua corrida matinal, Helene (Mélanie Thierry) encontra o corpo de uma jovem na margem de um rio ao lado de uma ponte. A polícia é chamada e o comissário Richard Kemp (Jean Hugues Anglade) se assusta ao perceber sinais no corpo da jovem assassinada que lembram crimes que ele investigou vinte anos antes. Ao mesmo tempo, Richard se aproxima de Helene, por quem sente atração. 

Na mesma noite, ao voltar para casa, Richard passa pela ponte e vê um furgão parado. Ele desce para verificar e acaba sendo jogado no rio por alguém que surge de repente. Richard sobrevive, porém ao voltar para ponte percebe que seu carro desapareceu. Logo, ele descobre que de alguma forma voltou para 1989, na época em que ocorreram os crimes que o atormentam. Mesmo sem poder procurar ajuda dos amigos, que na realidade o conhecem vinte anos mais jovem, Richard acredita ter a chance de salvar as vítimas e prender o criminoso que nunca foi encontrado. 

Todos os filmes que enfocam viagens no tempo apresentam algumas falhas no roteiro, sendo quase impossível amarrar todas as pontas. O diferencial neste tipo de longa está na forma como o tema é inserido na trama. Por este motivo, este longa francês se torna interessante pela narrativa, que mistura a viagem no tempo com uma investigação policial, sem apelar para cenas explosivas ou efeitos especiais, prendendo a atenção do espectador na busca de respostas. 

A proposta do diretor também é não explicar tudo, ele prefere deixar pistas para o espectador analisar e tirar suas próprias conclusões. 

O destaque do elenco é o veterano Jean Hugues Anglade, famoso por filmes como “Subway”, “Nikita” e “A Rainha Margot”, que aqui interpreta o policial experiente que tem uma segunda chance de corrigir erros do passado.