Escrever sobre os grandes estúdios e os produtores famosos não é meu foco, porém eu considero interessante a história da Cannon Group, que pode ser comparada com as aventuras picaretas que ela mesma produziu durante os anos oitenta.
Os cinéfilos que viveram na época com certeza se lembram da América Vídeo, empresa distribuidora dos filmes da Cannon no Brasil. Em cada fita VHS antes de começar o filme, o cinéfilo era "presenteado" com a famosa propaganda da Pousada do Sandi de Parati, que deveria ter alguma ligação extremamente próxima com os donos da distribuidora e principalmente pelos intermináveis trailers dos "sucessos" da Cannon. No final de um clip com diversas cenas de ação destes filmes, o narrador soltava a frase "nossos filmes explodem como dinamite", o que era quase uma piada, pois a maioria dos longas eram verdadeiras bombas.
Tudo começou nos anos sessenta em Israel, quando os primos Menahem Golan e Yoram Globus produziram filmes que fizeram algum sucesso no país. Em meados dos anos setenta, o objetivo da dupla era alcançar o mercado internacional. Para atingir o objetivo, o primeiro passo foi produzir um longa protagonizado por atores americanos conhecidos. Eles conseguiram contratar Robert Shaw, Richard Roundtree, Barbara Hershey e Shelley Wintes para um filme sobre um assalto chamado "Diamantes". Os quatro eram famosos na época, mas mesmo assim o filme não chamou a atenção.
O sucesso acabou chegando de forma inesperada com "Operação Thunderbolt" de 1977, longa que tinha como rostos conhecidos apenas o veterano problemático Klaus Kinski e a estrela de filmes B Sybil Danning. A trama sobre a história real do sequestro de um avião que saiu de Israel e foi levado para Uganda fez a dupla de produtores ficar conhecida fora de Israel.
No ano seguinte conseguiram novo sucesso. A comédia adolescente "Lemon Popsicle" foi um estouro de bilheteria em Israel, enchendo o bolso da dupla que viu assim a chance de chegar a Hollywood.
Em 1979 eles criaram a Cannon e começaram a produzir filmes de baixo orçamento direto em solo americano, com destaque para "Ninja - A Máquina Assassina", que tinha o italiano Franco Nero e o japonês Sho Kosugi lutando Kung Fu e que fez algum sucesso, mesmo sendo um longa rudimentar.
A chance de crescimento surgiu quando o produtor italiano Dino de Laurentiis desistiu da sequência de "Desejo de Matar" e vendeu os direitos para a Cannon. O próprio Menahem Golan queria dirigir, mas o astro Charles Bronson disse que somente faria o filme se a direção ficasse com seu amigo Michael Winner, que comandou o original. Bronson conseguiu seu objetivo e o filme fez sucesso.
No mesmo ano (1982), a Cannon teve outro sucesso com a refilmagem de "Lemon Popsicle", que foi rebatizado como "O Último Americano Virgem". O título sacana e as cenas de nudez fizeram o filme ser lançado por aqui apenas em 1984 com censura para dezoito anos.
A partir daí a produtora passou a investir basicamente em três tipos de filmes que resultaram em poucos sucessos e diversos fracassos. O filmes de ação eram o foco principal, quase todos com baixo orçamento e encabeçados por um astro. Charles Bronson (outras três sequências de "Desejo de Matar" e vários longas policiais), Chuck Norris ("Invasão aos EUA", "Bradock I, II e III" e "Aventureiros do Fogo"), Michael Dudikoff (a série "Guerreiro Americano - American Ninja") e Richard Chamberlaind ("As Minas do Rei Salomão" e "Allan Quatermain e a Cidade do Ouro Perdido"), sem contar diversos outros filmes ainda mais fracos.
O segundo tipo eram filmes que se seriam considerados de arte, como "Camorra" de Lina Wertmuller, o drama erótico "Berlin Affair" de Liliana Cavani, "Os Amantes de Maria" e "O Expresso para o Inferno" de Andrey Konchalovsky, "Louco de Amor" de Robert Altman e "Barfly" de Barbet Schroeder que são os exemplos principais. São longas interessantes, porém todos deram prejuízo.
O terceiro estilo foi aquele que levou a produtora a falência nos anos noventa. Os filmes de ação que citei davam um razoável retorno nas bilheterias e um grande lucro no mercado de vídeo que estava em expansão na época. Provavelmente a ganância em aumentar o lucro e o ego da dupla de donos para transformar a produtora numa gigante, fizeram com que a Cannon começasse a investir em grandes produções e quebrasse a cara.
Os primeiros grandes fracassos da produtora ocorreram em 1984, quando o drama político "O Embaixador" (último trabalho de Rock Hudson no cinema) e a horrorosa aventura "Bolero" dirigida por John Derek e estrelada por sua esposa, a "mulher nota mil" Bo Derek, naufragaram nas bilheterias.
No ano seguinte a ficção "Força Sinistra" até fez sucesso nos cinemas, porém o enorme orçamento que estourou várias vezes, principalmente pelos problemas com o diretor enganador Tobe Hooper resultou em um grande prejuízo. A produtora gastou muito dinheiro contratando profissionais do primeiro escalão de Hollywood para a parte técnica e para os efeitos especiais, que realmente se mostraram ótimos para época, porém a narrativa confusa deixou o filme aquém do potencial.
Em 1986 a situação melhorou para Cannon com dois sucessos de bilheteria. Golan conseguiu contratar Sylvester Stallone para a filmagem de "Cobra", que não é um grande filme, mas que fez sucesso. O outro acerto foi a aventura "Comando Delta", que era uma refilmagem turbinada de "Operação Thunderbolt" do mesmo Golan e que trazia um grande elenco encabeçado por Chuck Norris e pelo veterano Lee Marvin. Analisando friamente como cinema o filme tem muitas falhas, mas como diversão ele é ótimo. Como informação, esta mesma trama tem uma outra versão de 1976 chamada "Resgate Fantástico" que foi dirigida pelo também israelense Irvin Kershner.
Em contrapartida, outros três filmes caros da produtora fracassaram no mesmo ano. O policial "Nenhum Passo em Falso" de John Frankenheimer e outros dois trabalhos de Tobe Hooper, a ficção "Invasores de Marte" e a continuação de "O Massacre da Serra Elétrica". Estes péssimos trabalhos afundaram a carreira de Hooper e empurraram um pouco mais a Cannon para o buraco.
O ano de 1987 seria decisivo para a produtora, que arriscou muito dinheiro em várias produções ao mesmo tempo e fracassou miseravelmente. Seis filmes definem o que ocorreu com a Cannon. O drama sobre o Vietnã "Hanoi Hilton" e os filmes policiais "Armação Perigosa" e "A Marca do Passado" eram as apostas como filmes sérios, sendo que o último tinha roteiro do famoso dramaturgo Norman Mailler e foi levado a disputar o Festival de Cannes onde fracassou completamente.
Os outros três filmes foram aqueles que afundaram financeiramente a Cannon. A adaptação do desenho He-Man para o cinema chamada "Mestres do Universo" foi detonada pela crítica, assim como o equivocado "Superman IV - Em Busca da Paz" e para finalizar, Golan pagou uma fortuna para Stallone protagonizar "Falcão - O Campeão dos Campeões", com a certeza de que apenas a presença do astro já renderia uma grande bilheteria, o que se mostrou um enorme erro estratégico.
Este foi o último ano relevante da produtora, que ainda produziu "O Último Dragão Branco" e "Cyborg - O Dragão do Futuro", os dois primeiros filmes de Van Damme que fizeram sucesso, principalmente em vídeo.
Em 1989 a Cannon fechou as portas, terminando a parceria de vinte e cinco anos entre Menahem Golan e Yoram Globus. Golan criaria uma nova produtora no ano seguinte, a 21st Century Film Corporation que funcionou durante alguns anos sem produzir nada relevante.
Como curiosidade, no auge da Cannon a dupla de produtores chegou a ter em mãos os direitos de adaptação para o cinema de O Homem-Aranha, mas ainda bem que o projeto não saiu do papel, mesmo lembrando que em 1990, um ano após a falência da Cannon, Golan chegou a produzir e lançar em vídeo um longa de baixo orçamento sobre "O Capitão América".
sábado, 15 de março de 2014
sexta-feira, 14 de março de 2014
O Lobo de Wall Street
O Lobo de
Wall Street (The Wolf of Wall Street, EUA, 2013) – Nota 8,5
Direção – Martin Scorsese
Elenco – Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie,
Matthew McConaughey, Kyle Chandler, Rob Reiner, Jon Bernthal, Jon Favreau, Jean
Dujardin, Joanna Lumley, Cristin Milioti, Christine Ebersole, Shea Whigham, P.
J. Byrne, Kenneth Choi, Ethan Suplee.
Em 1987, Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) é um jovem
casado que consegue emprego como corretor numa grande empresa de Wall Street. O
sonho de enriquecer dura pouco, um mês depois estoura uma crise financeira e a
empresa vai a falência.
Desempregado, Jordan pensa em desistir da carreira, até
que sua esposa (Cristin Milioti) lhe mostra o anúncio de uma empresa em Nova
Jersey em busca de corretores. Chegando no local, Jordan descobre que a pequena
empresa trabalha com ações de valores baixos, conhecida como “Bolsa dos Centavos”.
O que para qualquer corretor seria uma perda de tempo, Jordan vê uma oportunidade
de ganhar dinheiro, pois o percentual das comissões são de 50% para os corretores,
ao invés do 1% pago pelas grandes empresas.
Não demora para Jordan começar a
lucrar, até que decide montar a própria empresa, onde leva como braço-direito o
amigo Donnie Azoff (Jonah Hill). A dupla transforma o pequeno negócio numa
grande companhia, ao mesmo tempo em que aproveitam loucamente o dinheiro ganho,
em festas enormes, bebidas, mulheres, sexo e drogas, até que o estilo de vida e
de negócios de Jordan chama atenção de um agente do governo (Kyle Chandler).
Baseado
no livro escrito pelo próprio Jordan Belfort, que conta sua vida cheia de
extravagâncias, este é mais um ótimo trabalho de Martin Scorsese, que
acertadamente escolheu mostrar as atitudes de Jordan e seus amigos de uma forma
exagerada, acentuando as loucuras do mundo dos yuppies nos anos oitenta.
Este
exagero faz rir em algumas passagens, como na sequência da viagem de avião para
Suiça, nas festas dentro do escritório e principalmente pela narrativa cínica do
personagem principal interpretado por Leonardo DiCaprio, que com certeza segue
o estilo do livro de Jordan Belfort.
Além do grande desempenho de DiCaprio, vale
destacar ainda o gordinho e desbocado Jonah Hill utilizando dentes postiços e
falando de forma estranha, além da pequena participação de Matthew McConaughey
no início do longa, como um personagem que é uma espécie de guru que explica
detalhadamente como funciona o mundo louco de Wall Street.
quinta-feira, 13 de março de 2014
Encontro às Escuras
Encontro às Escuras (Blind Date, EUA, 1987) – Nota 6,5
Direção –
Blake Edwards
Elenco –
Bruce Willis, Kim Basinger, John Larroquette, William Daniels, George Coe, Mark
Blum, Phil Hartman, Stephanie Faracy.
Walter Davis (Bruce Willis) é um executivo que vive apenas
para o trabalho, deixando sua vida pessoal de lado. Quando sua empresa está
prestes a fechar um negócio com uma companhia japonesa, Walter é pressionado a
levar uma garota no jantar que selaria a negociação, desta forma para mostrar
ser um sujeito responsável e confiável.
Sem saber quem convidar, Walter acaba
aceitando a sugestão de seu irmão Ted (o falecido comediante Phil Hartman), que
indica a prima de sua esposa, dizendo que a jovem é bela e tímida. Quando
Walter encontra a garota, fica de boca aberta com a beleza de Nadia (Kim Basinger),
que surge toda de vermelha. A bela e educada garota parecia ser a companhia
ideal, porém Walter não contava que após o primeiro gole de bebida, a timidez
desse lugar a uma mulher direta e desbocada.
Mesmo não tendo a quantidade de piadas
engraçadas da série “A Pantera Cor-de-Rosa”, de “Victor ou Victória” ou do
clássico “ Um Convidado Bem Trapalhão”, o diretor Blake Edwards entregou uma
divertida comédia com a cara dos anos oitenta, tirando um sarro da seriedade do
mundo dos negócios e do yuppie almofadinha interpretado por Bruce Willis.
A
primeira parte é a melhor, tendo a sequência do restaurante como a mais
engraçada, porém na segunda metade o filme se torna irregular, quando entra em
cena o ex-namorado de Nadia interpretado por John Larroquette.
Na época, Kim
Basinger estava no auge da carreira após o sucesso de “Nove e Meia Semanas de Amor”,
enquanto Bruce Willis era famoso na tv pela série “A Gata e o Rato” e tentava a
sorte no cinema. Como todos sabem, a carreira de Willis explodiu no ano seguinte com o sucesso do sensacional “Duro de Matar”.
terça-feira, 11 de março de 2014
As Aventuras de Pi
As Aventuras de Pi (Life of Pi, EUA / Taiwan / Inglaterra,
2012) – Nota 8
Direção – Ang Lee
Elenco –
Suraj Sharma, Irrfan Kahn, Rafe Spall, Ayush Tandon, Gautam Belur, Adil
Hussain, Tabu, Gerard Depardieu.
Pi Patel (Irrfan Kahn) é um indiano que vive em Montreal e recebe
a visita de um escritor (Rafe Spall), que o procurou após uma viagem a Índia onde
um senhor, o tio de Pi, disse que o sobrinho havia passado por uma história
fantástica que com certeza resultaria num ótimo livro.
Pi aceita contar sua
história para o escritor, relembrando desde sua infância na Índia quando morava em um
zoológico administrado por seu pai, a convivência com a mãe e o irmão mais velho,
até chegar na viagem de navio que levaria sua família para viver no Canadá e
que terminou de forma trágica.
Os filmes do diretor chinês Ang Lee são sempre
perfeitos na parte técnica, seja nos enquadramentos de câmera como nos efeitos
visuais, tendo “O Tigre e o Dragão” como grande exemplo até este ótimo “As
Aventuras de Pi”, que na minha opinião chega ao mesmo patamar de qualidade.
O
longa pode ser dividido em duas partes, com a primeira mostrando a infância e adolescência
de Pi, suas descobertas e questionamentos, inclusive a curiosa religiosidade do
personagem. A segunda parte se transforma numa aventura contada como se fosse
uma fábula, valorizada por efeitos visuais fantásticos e uma explicação final
que fecha com perfeição a bela história de superação.
O novato Suraj Sharma dá
conta do recado, carregando sozinho quase metade do filme em meio a sequências de
ação extremamente criativas.
O resultado é um belíssimo filme, com uma trama
original que prende a atenção do início ao fim.
segunda-feira, 10 de março de 2014
Mother - A Busca Pela Verdade
Mother – A Busca Pela Verdade (Madeo, Coréia do Sul, 2009) –
Nota 8
Direção – Joon Ho Bong
Elenco – Hye
Ja Kim, Bin Won, Ku Jin, Je Mun Yun.
Numa cidade do interior da Coréia do Sul, Yoon Do Joon (Bin
Won) é um jovem com atraso mental que tem como único amigo o malandro Jin Tae
(Ku Jin). A amizade é mal vista pela mãe de Yoon (Hye Ja Kim), que tenta
proteger o filho sem muito sucesso. Quando uma adolescente é encontrada morta
em uma casa abandonada, Yoon se torna o principal suspeito do crime, por ter
sido visto andando pela cidade bêbado atrás da garota.
Por causa do atraso
intelectual e por estar bêbado, Yoon não consegue lembrar o que ocorreu e acaba
preso. Sua mãe não se conforma com a acusação, com a falta de vontade da
polícia em se aprofundar no caso e com seu próprio advogado que não tem interesse
algum em defender o rapaz, situação que faz com que ela decida investigar o
crime por conta própria, até descobrir a verdade.
O diretor
coreano Joon Ho Bong, que comandou agora em Hollywood “O Expresso do Amanhã”,
longa muito aguardado que ainda não estreou por aqui, fez três grandes
trabalhos em seu país natal. O ótimo “Memórias de um Assassino” eu considero
seu melhor filme, um pouco superior aos também ótimos “O Hospedeiro” e este “Mother
– A Busca Pela Verdade”, que a princípio pode causar estranheza no público
desacostumado com longas orientais, principalmente pela cena da briga no campo
de golfe que parece engraçada, mas logo que ocorre o crime a narrativa muda
o foco para a luta da velha senhora em inocentar o filho.
Assim como em “Memórias
de um Assassino”, onde policiais incompetentes caçavam um serial killer, aqui
novamente a polícia coreana é mostrada como desleixada e adepta da tortura, as
cenas do interrogatório e da reconstituição do crime são exemplos. Além disso,
os detalhes são importantes na trama, com situações aparentemente sem sentido
que no final se encaixam perfeitamente, sem contar os objetos como o taco de
golfe, o pedregulho e a caixa de agulhas.
Joon Ho Bong já mostrou ser um grande diretor,
com estilo original e ótimo domínio de câmera, inclusive para filmar sequências
que parecem confusas, com vários personagens se movendo ao mesmo tempo, como a
cena da briga que citei no início e a discussão entre as mulheres no funeral.
São
três filmes imperdíveis, agora é esperar para conferir sua estreia em
Hollywood.
domingo, 9 de março de 2014
Bombas - Filmes de Ficção B - Parte IV
Projeto
Filadélfia (The Philadelphia Experiment, EUA, 1984) – Nota 5
Direção –
Stewart Raffill
Elenco –
Michael Paré, Nancy Allen, Eric Christmas, Bobby Di Cicco, Stephen Tobolowsky.
Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, o governo americano
testa um nova tecnologia com o objetivo de fazer um enorme navio de guerra
desaparecer dos radares. O experimento vai além do objetivo, ele cria uma espécie
de buraco negro que faz o navio e os tripulantes desaparecem por alguns
instantes. Quando reaparecem, o navio está destruído e os tripulantes mortos,
com exceção de dois marinheiros (Michael Paré e Bobby Di Cicco) que pularam da embarcação enquanto ela era sugada pela fenda no tempo. Os dois acordam no deserto
de Nevada e descobrem que estão em 1984. Eles tentam conseguir ajuda com uma
jovem (Nancy Allen), ao mesmo tempo em que passam a ser perseguidos por agentes
do governo.
Este longa produzido pelo ótimo John Carpenter peca pelo roteiro
ruim e fraca direção de Stewart Rafill. O material que tem como premissa a
lenda do “Experimento Filadélfia”, que teria ocorrido de forma semelhante ao
início do filme, com o navio sumindo e reaparecendo com todos os tripulantes mortos, era extremamente interessante e nas mãos do próprio Carpenter com
certeza renderia uma marcante ficção B. O desperdício é ainda maior por ter o
canastrão Michael Paré no papel principal, ator que tinha alguma fama na época
após os sucessos de “Eddie – O Ídolo Pop” e “Ruas de Fogo”, mas que não vingou
como astro. Como informação, o governo americano nega que o experimento tenha
ocorrido, ao mesmo tempo em que na internet existem vários versões sobre a
lenda.
Space Camp – Aventuras no
Espaço (SpaceCamp, EUA, 1986) – Nota 5,5
Direção – Harry Winer
Elenco – Kate Capshaw, Lea Thompson, Kelly Preston, Larry B. Scott, Joaquin
Phoenix, Tom Skerritt, Tate Donovan, Terry O’Quinn, Barry Primus, Scott Coffey.
Alguns filmes tem o azar de serem produzidos ao mesmo tempo em que ocorre alguma tragédia semelhante a trama. Este “SpaceCamp” foi produzido com o objetivo de
ser uma propaganda de um projeto da Nasa para lançamento de Space Camps
verdadeiros, que seriam uma espécie de acampamento de férias que ao invés de
levar crianças e adolescentes para o campo, teria como local um laboratório
onde eles aprenderiam sobre o programa espacial americano. Quando o filme
estava para ser lançado, ocorreu a explosão do ônibus espacial Challenger, que
inclusive levava um professora como convidada. A tragédia mostrada ao vivo na
tv comoveu o público e o filme foi engavetado por meses até ser lançado e
fracassar nas bilheterias.
A história é simples, a Nasa convida um grupo de
garotos para conhecer um ônibus espacial e participar de treinamentos
comandados por dois astronautas (Kate Capshaw e Tate Donovan), porém por um
erro o foguete é lançado ao espaço dando início a uma aventura de verdade.O
filme em si é uma sessão da tarde básica, tendo como curiosidade a participação
de futuros rostos conhecidos ainda bem garotos. Kelly Preston, esposa de John
Travolta, era adolescente, assim como Lea Thompson de “De Volta para o Futuro”
e o hoje astro Joaquin Phoenix era uma garotinho que ainda assinava com o nome
de Leaf Phoenix.
Blindado Mortal (Warlords of the 21st Century ou Battletruck,
EUA, 1982) – Nota 4
Direção – Harley Cockeliss
Elenco – Michael Beck, Annie McEnroe, James Wainwright, Bruno Lawrence,
John Ratzenberger.
Após uma guerra mundial que destruiu as nações causada pelo escassez de petróleo, o mundo ficou a mercê
de saqueadores e assassinos que tentam sobreviver a qualquer custo. Neste
cenário apocalíptico, um sujeito chamado Straker (James Wainwright) comanda um
grupo de bandidos e utiliza um veículo blindado para saquear as cidades que restaram e aniquilar
quem surgir no seu caminho. Quando sua filha Corlie (Annie McEnroe) foge após
se negar a participar dos crimes com o pai, ela cruza com o Hunter (Michael
Beck), que a ajuda a encontrar uma comunidade que ainda tenta resistir aos
saqueadores. Quando Straker descobre onde a filha está, decide atacar o local, mas
terá de enfrentar Hunter que utiliza uma potente motocicleta.
Filmado na Nova
Zelândia com um baixo orçamento, este longa reciclava as ideias de “Mad Max” e
tentava transformar em astro o canastrão Michael Beck, porém sem sucesso. A carreira de Beck
começou por cima, ele foi o protagonista do clássico “Warriors – Os Selvagens
da Noite” e ainda trabalhou em filmes interessantes como “Xanadu” e “A História
de Alcatraz”, mas não demorou para sua falta de talento o relegar a papéis em
filmes B e posteriormente em séries de tv, até praticamente encerrar a carreira
em 2004.
Caçador do Espaço: Aventuras na Zona Proibida (Spacehunter: Adventures in the Forbidden Zone, EUA / Canadá,
1983) – Nota 5
Direção – Lamont Johnson
Elenco – Peter Strauss, Molly Ringwald, Ernie Hudson, Andrea Marcovich,
Michael Ironside.
Uma nave com três mulheres
emite um sinal de socorro antes de cair num planeta dominado pelo ditador Overdog
(Michael Ironside), um misto de humano e máquina. O caçador solitário Wolff
(Peter Strauss) recebe o sinal e decide tentar o resgate das mulheres, com
ajuda de sua androide (Andrea Marcovich) e depois de Niki (Molly Ringwald), uma jovem que cruza seu caminho.
Este longa de baixo orçamento foi uma das várias
produções que tentaram lucrar seguindo o estilo de “Guerra nas Estrelas”, tendo aqui Ivan Reitman (antes de "Os Caça-Fantamas") como produtor. Apesar da precariedade, o filme tem algumas boas
sequências de ação e a curiosidade de apresentar Molly Ringwald antes de ficar
famosa pelos filmes com John Hughes.
O Menino e Seu Cachorro (A Boy and His Dog, EUA, 1975) –
Nota 3
Direção – L. Q. Jones
Elenco –
Don Johnson, Susanne Benton, Jason Robards, Tim McIntire, Charles McGraw.
No futuro, após uma nova guerra mundial, os sobreviventes
lutam para conseguir água e comida. Neste contexto, o jovem Vic (Don Johnson)
vive em busca de alimentos e sexo, contando com a ajuda de um cão com quem ele
se comunica de forma telepática. Quando Vic encontra a bela Quilla (Susanne
Benton), esta o leva para conhecer uma civilização que vive nos subterrâneos,
porém o objetivo principal é utilizar o jovem como um reprodutor, já que os
sobreviventes que vivem no local não conseguem engravidar as mulheres.
Este pode ser
considerado um dos filmes mais estranhos de todos os tempos e por isso se
transformou em cult para alguns críticos, mesmo sendo péssimo. Mesmo com a
trama sendo baseada em um livro, pouca coisa se salva no longa, talvez apenas
os diálogos irônicos entre o cão e o personagem de Don Johnson, que ainda era
bem jovem e desconhecido. Os sobreviventes que vivem no abrigo usam uma
ridícula maquiagem e seguem alguns preceitos religiosos malucos misturados com
ciência, uma verdadeira salada. A participação de Jason Robards deve ser
explicada apenas pela amizade com o ator L. Q. Jones, figura conhecida em
westerns que se arriscou na direção desta ficção maluca, que por sinal foi seu
único trabalho no cinema atrás das câmeras.
sábado, 8 de março de 2014
O Soldado do Futuro
O Soldado do Futuro (Soldier, Inglaterra / EUA, 1998) – Nota
7
Direção –
Paul W. S. Anderson
Elenco –
Kurt Russell, Jason Scott Lee, Connie Nielsen, Sean Pertwee, Jason Isaacs, Gary
Busey, Michael Chiklis.
Em 2036, após lutar em várias guerras, o veterano soldado Todd
(Kurt Russell) falha ao participar de testes preparados especialmente para uma
nova geração de recrutas, que além do treinamento físico, também passaram por um
processo de alteração genética. Descartado pelo exército, Todd é enviado para
um planeta isolado que fora colonizado anos antes e após um acidente se tornou
uma espécie de depósito de lixo do governo. No local, Todd encontra
sobreviventes da colonização e se torna a única esperança eles se
defenderem dos violentos soldados.
O diretor inglês Paul W. S. Anderson surgiu
para o cinema com o drama sobre jovens delinquentes chamado “Shopping”, que fez
algum sucesso no circuito independente e abriu as portas de Hollywood. Já no
seu trabalho seguinte, o divertido “Mortal Kombat”, Anderson mostrou que seu
gosto na verdade era para ficção, sempre misturando efeitos especiais atuais
com uma trama de filme B. Esta escolha resultou em filmes detonados pela
crítica, mas que agradaram ao público que procura diversão sem
compromisso.
Este “O Soldado do Futuro” recicla várias ideias do gênero numa
trama simples recheada com boas cenas de ação e uma competente atuação de Kurt
Russell como o soldado frio que descobre seu lado humano que estava esquecido e
assim decide ajudar os sobreviventes.
Para quem gosta do gênero, o longa é uma
boa pedida.
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