segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Heróis da Ressaca

Heróis da Ressaca (World’s End, Inglaterra / EUA / Japão, 2013) – Nota 7,5
Direção – Edgar Wright
Elenco – Simon Pegg, Nick Frost, Paddy Considine, Martin Freeman, Eddie Marsan, Rosamund Pike, Pierce Brosnan, David Bradley, Michael Smiley, Bill Nighy.

Com mais de quarenta anos, Gary King (Simon Pegg) é um sujeito irresponsável que durante uma sessão de terapia para alcoólatras, decide que precisa reviver o dia mais feliz de sua vida. O dia ocorreu em 1990, quando Gary e seus quatro amigos adolescentes tentaram fazer uma espécie de maratona pelos doze pubs da pequena cidade de Newton Haven na Inglaterra, porém não conseguiram chegar ao final. 

O maluco Gary decide reunir novamente os quatro amigos (Nick Frost, Paddy Considine, Martin Freeman e Eddied Marsan), hoje todos homens de meia idade com empregos estáveis, para concluir o tour alcoólico. Mesmo sabendo que e a ideia é maluca, um a um dos amigos aceitam o desafio e voltam para a pequena cidade para realizar o desejo de Gary. O que eles não imaginavam é que o local está bem diferente do que era vinte anos antes, em todos os aspectos por sinal. 

Esta terceira parceria do diretor Edgar Wright com os atores Simon Pegg e Nick Frost resulta num filme que é uma espécie de primo da comédia “É o Fim” que Seth Rogen e seus amigos lançaram também ano passado. As semelhanças são grandes, os dois tiram sarro dos longas de ficção sobre o fim do mundo, temos um grupo de atores que parece se divertir até mais que o público e uma trama absurda com cenas exageradas que o espectador precisa entrar na brincadeira para dar risada. 

Não assisti os filmes anteriores (“Todo Mundo Quase Morto” e “Chumbo Grosso”) para comparar, mas mesmo assim fica claro que o trio principal merece elogios por conseguir fazer rir com um gênero (paródia) extremamente desgastado. 

Infelizmente o título brasileiro não ajuda ao tentar ligar o filme a outras comédias como “Se Beber, Não Case!” e “A Ressaca”.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Sangue no Gelo

Sangue no Gelo (The Frozen Ground, EUA, 2013) – Nota 7
Direção – Scott Walker
Elenco – Nicolas Cage, John Cusack, Vanessa Hudgens, Dean Norris, Radha Mitchell, Kevin Dunn, Ryan O’Nan, Curtis “50 Cent” Jackson, Brad William Henke, Michael McGrady, Katherine LaNasa, Gia Mantegna, Kurt Fuller, Robert Forgit, Matt Gerald, Jodi Lyn O’Keefe.

Em 1983, na cidade de Anchorage no Alasca, a jovem prostituta Cindy (Vanessa Hudgens) é encontrada escondida em um apartamento, algemada e desesperada, alegando ter sido violentada por um sujeito chamado Bob Hansen (John Cusack), que tentou transportá-la em um pequeno avião. Cindy diz que conseguiu fugir antes do avião decolar. 

Como a história era maluca, Cindy uma prostituta e Bob aparentemente um comum pai de família dono de uma padaria, o detetive responsável ignora a acusação, porém o policial de uniforme que a encontrou (Ryan O’Nan) acredita que seja tudo verdade e envia por conta própria documentos do caso para outra departamento, chegando até as mãos do detetive Jack Halcombe (Nicolas Cage), que dias antes foi designado para resolver o caso de um corpo mutilado de mulher encontrando na floresta. Os dois casos parecem estar ligados, principalmente porque outras garotas com o mesmo perfil estão desaparecidas na região. É o início da caçada de Halcombe para provar que Hansen é na verdade um assassino cruel. 

Baseado na história real de um dos maiores serial killers da história do Alasca, este longa tem uma ótima premissa e a escolha correta do novato diretor neozelandês Scott Walker em não esconder a identidade do assassino, deixando a caçada em aberto para o espectador. 

Por outro lado, Walker se perde na condução da narrativa que se mostra irregular e no desperdício de alguns personagens que praticamente somem da trama, como os policiais interpretados por Ryan O’Nan e Dean Norris, que a princípio parecem ter importância maior na história. 

Vale destacar a ex-estrelinha da Disney Vanessa Hudgens tentando fazer a clássica mudança de adolescente certinha para uma atriz de respeito através do papel ousado de uma prostituta, que tem até mesmo uma cena mais forte dançando em uma boate. 

A curiosidade maior é o reencontro de Nicolas Cage e John Cusack dezesseis anos depois do ótimo “Con-Air – A Rota da Fuga”, agora num momento bem diferente da carreira dos dois. Em 1997 eram astros respeitados, hoje sofrem com trabalhos irregulares dos últimos anos.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Fruitvale Station: A Última Parada

Fruitvale Station: A Última Parada (Fruitvale Station, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Ryan Coogler
Elenco – Michael B. Jordan, Melonie Diaz, Octavia Spencer, Kevin Durand, Chad Michael Murray, Ahna O’Reilly, Ariana Neal.

Estação de trem Fruitvale nos arredores de San Francisco, madrugada de 1 de janeiro de 2009, uma confusão entre jovens e policiais na plataforma termina em tragédia, sendo documentada por câmeras e celulares de diversos passageiros. 

A partir daí, a trama volta para o início do dia anterior para seguir os passos do jovem Oscar (Michael B. Jordan), que após passar algum tempo preso por traficar drogas, tenta recomeçar a vida com a namorada Sophina (Melonie Diaz) e a filha pequena Tatiana (Ariana Neal), porém sua vida não está nada fácil. Ele foi dispensado do emprego em um supermercado e sente-se perdido pela falta de perspectiva, sendo tentado a voltar a traficar. 

O roteiro do próprio diretor Ryan Coogler é baseado numa história real que guarda semelhanças com “Jean Charles” e “Última Parada 174”, principalmente nas questões de preconceito e do despreparo da polícia. A diferença principal aqui está na forma como o diretor Coogler tenta transformar o protagonista Oscar num cara legal, exagerando um pouco na dose de boas atitudes do sujeito no fatídico dia. 

As sequências do casal com a mulher grávida e da garota no supermercado servem como um efeito simbólico do bom mocismo do jovem, mas ao mesmo tempo são difíceis de acreditar que realmente aconteceram, principalmente pela enorme e terrível coincidência do reencontro no trem com a garota do supermercado. 

O filme ganha pontos com a narrativa sóbria e no acerto do diretor em não apelar para os flashbacks, criando apenas uma sequência neste estilo extremamente importante para a trama. 

Outro ponto positivo é a sincera interpretação de Michael B. Jordan, ator com quase toda a carreira em séries de tv e que eu conhecia apenas pela participação na primeira temporada de “The Wire”, quando ele interpretava um adolescente envolvido com traficantes que acabava assassinado. 

No geral, é um filme que chama muito mais atenção pela trágica história ser real, do que por ser um grande trabalho cinematográfico.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Náufrago

Náufrago (Cast Away, EUA, 2000) – Nota 8
Direção – Robert Zemeckis
Elenco – Tom Hanks, Helen Hunt, Nick Searcy, Chris Noth.

Chuck Noland (Tom Hanks) é um funcionário da Fedex que durante uma viagem de trabalho, se torna o único sobrevivente de um acidente após seu avião cair no Oceano Pacífico. Chuck sobrevive, mas se vê preso em uma ilha isolada, sem mantimentos ou local para se proteger. A esperança de ser resgatado vai diminuindo com o passar do tempo, fazendo com que Chuck seja obrigado a criar mecanismos para manter sua saúde mental, desenvolver formas de conseguir alimentos e construir uma espécie de abrigo para se proteger do sol e da chuva. 

Este fiapo de história é conduzido de forma competente por Robert Zemeckis, que consegue manter a atenção do espectador nas quase duas horas e meia de projeção, com o personagem de Tom Hanks atuando sozinho praticamente o filme inteiro, ou melhor, tendo a companhia da bola de vôlei Wilson. 

Além da ótima atuação de Hanks e da criatividade de Zemeckis em preencher o tempo com situações interessantes, outro ponto positivo é o roteiro que deixa pequenas lições sobre a vida. Chuck é um sujeito totalmente dedicado ao trabalho, que muitas vezes deixava de lado sua noiva (Helen Hunt) e quando fica isolado na ilha, tem na foto da noiva um dos pilares para manter a esperança de sobreviver. 

O roteiro ainda mostra como um fato pode mudar completamente a vida de uma pessoa, no caso de Chuck, tudo que ele sabia sobre a vida e tinha conquistado acaba perdido quando se vê obrigado a enfrentar uma vida primitiva, onde sobreviver é o ponto básico. Esta mudança de vida e até de perspectiva é simbolizada na sequência final, quando Chuck volta para casa e termina surpreendido com que encontrou.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Invocação do Mal

Invocação do Mal (The Conjuring, EUA, 2013) – Nota 8
Direção – James Wan
Elenco – Patrick Wilson, Vera Farmiga, Lili Taylor, Ron Livingston.

Em 1971, o casal Roger (Ron Livingston) e Carolyn Perron (Lili Taylor) se muda com as cinco filhas para uma enorme casa na zona rural de Rhode Island. O que eles imaginavam ser uma vida tranquila, se transforma em pesadelo quando fatos estranhos começam a ocorrer dentro da casa. Portas abrindo e fechando sozinhas e barulhos estranhos entre as paredes são apenas o início do terror. Quando espíritos começam a atacar a família, Carolyn procura ajuda com um famoso casal de especialistas em fenômenos sobrenaturais. A sensitiva Lorraine Warren (Vera Farmiga) e seu marido Ed (Patrick Wilson) percebem rapidamente que a casa está tomada por espíritos e que a família corre grande perigo. 

O diretor malaio James Wan deu um novo gás ao gênero de terror quando comandou o primeiro “Jogos Mortais”. Com uma trama que chegava a ser doentia e com doses cavalares de suspense, ele criou uma lucrativa franquia, que mesmo decaindo na qualidade nos filmes seguintes, não se pode ignorar que o original é um ótimo longa. Depois de alguns outros trabalhos razoáveis, Wan teve sucesso com “Sobrenatural”, que por sinal eu ainda não assisti e voltou realmente a acertar mão neste ótimo “Invocação do Mal”. 

Partindo de uma história real, Wan utilizou com inteligência os clichês do gênero, criando sequências que assustam muito pelo clima e pela sugestão, chegando até o explosivo clímax do exorcismo. Um diretor que alcança o objetivo de um filme de terror e suspense que é assustar, sem apelar para o sangue fácil, merece todos os elogios. 

Os destaques do elenco são as mulheres, com Vera Farmiga competente como a sensitiva e Lili Taylor interpretando com perfeição a mãe atormentada. 

Para fãs do gênero como eu, é sempre bom ver novos filmes que fogem do lugar comum do sangue pelo sangue.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Philip Seymour Hoffman & Eduardo Coutinho

Neste final de semana o cinema perdeu de forma trágica duas figuras bem diferentes entre si, porém muito talentosas que deixaram belas carreiras.

O ator Philip Seymour Hoffman foi vencido pelo vício nas drogas e aparentemente faleceu com uma overdose de heroína.

O veterano diretor de documentários Eduardo Coutinho foi assassinado pelo próprio filho, que era esquizofrênico e também aparentemente era viciado em drogas.

O terrível ponto em comum entre as duas mortes é presença de drogas, no caso de Hoffman, além dele, as vítimas são também sua esposa e os três filhos que com certeza estão sentindo que a família foi destruída.

A tragédia com Eduardo Coutinho é ainda pior, o filho assassino também atacou a mãe que está em estado grave. O que merece um sujeito que mata o pai e tenta matar a mãe, os dois com mais de oitenta anos?

No mundo de hoje onde a discussão sobre a liberação das drogas divide pessoas comuns, governantes, especialistas no assunto e profissionais da saúde, fica a lição de que alguma atitude deve ser tomada rapidamente, na verdade, um conjunto de atitudes para minimizar o problema e também tentar fazer com que as novas gerações entendam que o uso das drogas apresenta muito mais perigos do que prazer.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Busca Desesperada

Busca Desesperada (Inescapable, Canadá / África do Sul, 2012) – Nota 5,5
Direção – Ruba Nadda
Elenco – Alexander Siddig, Marisa Tomei, Joshua Jackson, Oded Fehr, Saad Siddiqui.

Adib (Alexander Siddig) é um sírio que vive em Toronto no Canadá, tem um bom emprego e está casado tendo ainda duas filhas. Quando Adib é avisado que sua filha mais velha desapareceu em Damasco na Síria, local para onde ela viajou sem avisar a família com o objetivo de descobrir sobre o passado do pai, sua vida vira de ponta cabeça. 

Para procurar a garota, Adib precisa voltar a Síria e desencavar o passado ao pedir ajuda para sua ex-noiva Fatima (Marisa Tomei), a quem ele abandonou vinte anos atrás ao fugir do país. Voltando como clandestino, Adib percebe que sua filha pode ter sido presa em Damasco por causa de seu passado, fato que complica ainda mais a busca. 

Eterno coadjuvante em Hollywood, o sudanês Alexander Siddig (“Syriana”, “Cruzada”, ”Reino de Fogo”) tem aqui um interessante papel de protagonista numa trama que tem como ponto principal fazer uma crítica a ditadura militar na Síria através de uma trama de espionagem. Esta premissa tinha potencial para render um bom filme, mas infelizmente a canadense Ruba Nadda se complica na narrativa e falha principalmente nas péssimas cenas de ação. Algumas sequências de ação surgem do nada, como o rápido tiroteio em frente a embaixada, além das brigas muito mal filmadas. 

Mesmo com as falhas na direção, Alexander Siddig consegue ter um desempenho razoável, enquanto Marisa Tomei e Joshua Jackson tem atuações mecânicas e não ajudam em nada no resultado.