sábado, 7 de abril de 2012

Contágio

Contágio (Contagion, EUA / Emirados Árabes Unidos, 2011) – Nota 7,5
Direção – Steven Soderbergh
Elenco – Matt Damon, Laurence Fishburne, Jude Law, Marion Cotillard, Gwyneth Paltrow, Kate Winslet, Jennifer Ehle, Elliott Gould, Bryan Cranston, Enrico Colantoni, John Hawkes, Monique Gabriela Curnen, Larry Clarke, Anna Jacoby Heron, Chin Han, Sanaa Latham.

Algumas mortes causadas por algo desconhecido acontecem em Hong Kong e nos EUA, dando início a uma corrida contra o tempo dos governos e das autoridades de saúde para tentar descobrir a cura e deter o que pode se transformar numa epidemia. 

Com este ponto de partida, o diretor Steven Soderbergh escolheu criar um filme muito mais próximo da realidade em detrimento de um longa de ação, o que seria comum para a maioria dos diretores. Esta escolha de Soderbergh é favorecida pelo roteiro de Scott Z. Burns, que mistura várias ações simultâneas como consequência da situação. 

Temos a questão familiar na ação dos personagens de Matt Damon e John Hawkes, os cientistas interpretados por Laurence Fishburne, Jennifer Ehle e Elliott Gould, a ação do governo no papel burocrata de Enrico Colantoni e do oficial de Bryan Cranston, a tentativa de descobrir o paciente zero pela representante da OMS interpretada por Marion Cotillard e por final o jornalista de Jude Law, um blogueiro de caráter duvidoso. 

A ação destes personagens cria um panorama geral do que poderia acontecer numa situação real semelhante ao roteiro do filme, já que vemos a manipulação comandada pelo governo, a crítica as indústrias farmacêuticas, o desespero da população numa situação extrema e até aqueles que pensam em lucrar com a tragédia. O lado irônico e crítico ao sistema em que vivemos fica claro na rápida sequência final, que mostra como a epidemia começou.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O Corpo

O Corpo (The Body, EUA / Israel / Alemanha, 2001) – Nota 6
Direção – Jonas McCord
Elenco – Antonio Banderas, Olivia Williams, John Shrapnel, Derek Jacobi, Jason Flemyng, John Wood, Makram J. Khoury, Vernon Dobtcheff, Ian McNeice, Mohammed Bakri.

Em Jerusalém, a arqueóloga israelense Sharon Golban (Olivia Williams) é chamada para escavar um túnel encontrado atrás de um loja e localiza um corpo que pode ser de Jesus Cristo. 

A descoberta abala a fé do padre Lavelle (Derek Jacobi) e assusta o Papa (John Wood), que envia o padre Matt Gutierrez (Antonio Banderas) para investigar o caso, ou melhor, fazer tudo para provar que a história é uma mentira. 

A princípio Sharon e o padre Gutierrez se desentendem por terem opiniões diferentes, mas aos poucos percebem que precisam se unir quando diversos grupos religiosos e políticos tentam usar a descoberta em favor próprio. 

A ótima premissa se perde no roteiro que mistura religião e política de forma confusa, jogando no mesmo caldeirão a luta entre israelenses e palestinos, os dogmas arcaicos da Igreja Católica, a manipulação dos fiéis e a eterna disputa entre ciência e religião. 

O elenco faz o que pode, mas no final o espectador fica frustrado com o desperdício de um tema que poderia render um grande filme.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes & Team America: Detonando o Mundo


South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes (South Park: Bigger Longer & Uncut, EUA, 1999) – Nota 7,5
Direção – Trey Parker
Vozes – Trey Parker, Matt Stone, Mary Kay Bergman, Isaac Hayes.

Com o sucesso da série na tv, os criadores Matt Stone e Trey Parker levaram seus personagens para o cinema nesta sátira corrosiva sobre a conservadora sociedade americana. 

No longa, as quatro crianças que são os personagens principais (Kyle, Stan, Kenny e Cartman) resolvem assistir a um violento filme proibido para menores e após a sessão eles aumentam muito a quantidade de palavrões que falam no dia a dia, deixando seus pais em polvorosa. Como o filme era uma produção canadense, os pais resolvem declarar guerra ao país vizinho. 

O filme apenas aumenta a quantidade de piadas e sátiras que os criadores utilizam na tv, detonando todo tipo de instituição como Governo, Igreja e famosos como o na época presidente Bill Clinton, um dos alvos preferidos da dupla. É uma animação indicada para quem gosta de humor sem censura. Finalizando, a série lançada em 1997 ainda está no ar.

Team America: Detonando o Mundo (Team America: World Police, EUA, 2004) – Nota 5
Direção – Trey Parker
Vozes – Trey Parker e Matt Stone.

Após os atentados de 11 de setembro, os EUA resolveram invadir o Afeganistão e depois o Iraque como uma espécie de vingança que visava também lucro com petróeo e outras vantagens financeiras, disfarçando estas ações como uma luta contra o terrorismo. Esta situação é o ponto de partida desta sátira dos criadores de “South Park”, porém sem a mesma qualidade do longa sobre a série. Parker e Stone decidiram utilizar bonecos manipulados ao estilo da antiga série “Thunderbirds”, que fez sucesso nos anos sessenta e setenta e que aqui tinha potencial para dar certo, mas acabou não ocorrendo. 

O roteiro mostra uma equipe de polícia, o Team America do título, que tem o objetivo de enfrentar ameaças terroristas pelo mundo, tendo como líder um policial que vive disfarçado de astro da Broadway. O público que curte “South Park” gostou deste filme, mas eu vi pouca coisa de engraçada. A sequência inicial em que o grupo praticamente destrói Paris é legal, mas o desenrolar das piadas é sem graça, mesmo com a dupla satirizando os filmes de ação sem conteúdo, com direito até a uma cena de sexo entre os bonecos. Infelizmente não consegui entrar no clima da brincadeira.  

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Código de Honra

Código de Honra (School Ties, EUA, 1992) – Nota 7,5
Direção – Robert Mandel
Elenco – Brendan Fraser, Chris O’Donnell, Matt Damon, Randall Batinkoff, Andrew Lowery, Cole Hauser, Ben Affleck, Anthony Rapp, Amy Locane, Peter Donat, Zeljko Ivanek, Kevin Tighe, Michael Higgins, Ed Lauter.

Nos anos cinqüenta, David Greene (Brendan Fraser) ganha uma bolsa de estudos para cursar o último ano de colégio em uma escola de elite em virtude de ter se destacado como quarterback no time de futebol americano do colégio público onde estudava. O talento de David para o esporte e seu jeito espontâneo o ajudam a se enturmar rapidamente com os colegas, porém a diferença de classe social faz David esconder sua origem judaica, o que pode ser tornar uma grande problema se a informação vier à tona.

O filme toca no forte preconceito que parte da elite americana tinha com os judeus na época e como isso se refletia nos filhos desta classe alta, situação que fica bem clara na discussão de um grupo alunos quase ao final do longa. 

O elenco é recheado de jovens que fizeram carreira, com Brendan Fraser em seu primeiro papel de destaque, além de Chris O’Donnell, Cole Hauser e a dupla Matt Damon e Ben Affleck antes da fama por “Gênio Indomável”. 

No geral é um interessante longa que vale a sessão. 

terça-feira, 3 de abril de 2012

Os Imorais

Os Imorais (Brasil, 1979) – Nota 7
Direção – Geraldo Vietri
Elenco – Paulo Castelli, João Francisco Garcia, Sandra Bréa, Aldine Muller, Dênis Derkian, Elizabeth Hartman.

Este interessante longa é um dos poucos trabalhos no cinema de Geraldo Vietri, diretor bem mais conhecido por seu trabalho em novelas na antiga TV Tupi. Aqui ele utiliza personagens marginais para contar uma história de amor homossexual que vai além das pornochanchadas produzidas na época. 

O protagonista é o cabeleireiro homossexual Gustavo (Paulo Castelli), que é apaixonado por Mário (João Francisco Garcia), um machão que não corresponde as investidas do jovem. Para tentar seduzir Mário, Gustavo planeja fazer com que ele acredite que uma cliente de seu salão, a ricaça Glória (Sandra Bréa), tem interesse nele e como Mário é ambicioso, verá a chance de dar o famoso golpe do baú. 

O longa poderia descambar para um golpe ou ainda até para a comédia, mas o interessante roteiro conduz o filme a uma reviravolta que hoje pode parecer algo comum, mas na época deve ter chocado muita gente. É um filme polêmico, com uma temática forte para época, totalmente voltado para o drama. 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Brigada 49

Brigada 49 (Ladder 49, EUA, 2004) – Nota 7
Direção – Jay Russell
Elenco – Joaquin Phoenix, John Travolta, Jacinda Barrett, Robert Patrick, Morris Chestnut, Billy Burke, Balthazar Getty, Tim Guinee, Kevin Chapman, Jay Hernandez, Kevin Daniels.

O filme é um retrato romanceado da vida profissional e particular dos homens de uma unidade do Corpo de Bombeiros de Baltimore. 

O roteiro foca na vida de Jack Morrison (Joaquin Phoenix), sendo contada paralelamente nos dias atuais quando ele sofre um acidente durante um incêndio e fica aguardando resgate e no passado, a partir do dia em que ele ingressou na unidade e foi recepcionado pelo Capitão Mike Kennedy (John Travolta) e por seus companheiros, seguindo todo sua carreira, mostrando salvamentos, tragédias, seu casamento e a constituição de uma família com Linda (Jacinda Barrett). 

É um filme extremamente correto, sem grandes supresas, porém competente no que se dispõe a mostrar, dando muita ênfase ao lado humano, contando as alegrias e tristezas desta profissão, além da agonia dos familiares que sabem o perigo que seus entes queridos tem de enfrentar dia após dia.

domingo, 1 de abril de 2012

Winchester 73

Winchester 73 (Winchester’73, EUA, 1950) – Nota 8
Direção – Anthony Mann
Elenco – James Stewart, Shelley Winters, Dan Duryea, Stephen McNally, Millard Mitchell, Charles Drake, John McIntire, Will Geer, Jay C. Flippen, Rock Hudson, Tony Curtis.

Logo após o final da Guerra da Secessão, dois ex-soldados, Lin McAdam (James Stewart) e “High Spade” Frank Wilson (Millard Mitchell) perseguem o assassino Dutch Henry Brown (Stephen McNally) e seu bando para se vingar de algo que o espectador saberá por partes durante o desenrolar do filme. 

Eles acabam se encontrando em Dodge City para uma torneio de tiros, onde o vencedor receberá uma arma Winchester 73, modelo raro e cobiçado por muitos. Os inimigos são obrigados a aguardar para acertarem as contas, pois o xerife do local é o lendário Wyatt Earp (Will Geer) que não aceita tiroteios dentro da cidade.

Este é apenas o início de uma história de vingança, onde a Winchester será roubada e passará por diversas mãos, de bandidos, de um fornecedor de armas para os índios, um chefe indígena vivido por Rock Hudson e  o pistoleiro Waco Johnnie Dean (Dan Duryea). 

O longa é o primeiro da parceria entre o astro James Stewart e o diretor Anthony Mann, que rendeu oito filmes até 1955, sendo cinco westerns. 

O resultado é um filme violento, com um belo roteiro e ótimos personagens, que além do elenco principal tem ainda Tony Curtis num pequeno papel como soldado.