terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Val Kilmer & Cuba Gooding Jr

Após assistir um filme vagabundo chamado "Invasor de Mentes" estrelado por Cuba Gooding Jr e Val Kilmer, resolvi escrever este post sobre a dupla.

Os dois são talentosos, já provaram isso em vários trabalhos. Cuba Gooding Jr chegou a vencer o Oscar de Ator Coadjuvante por "Jerry Maguire" e teve outro bons papéis em "Os Donos da Rua" e "Melhor é Impossível". Val Kilmer praticamente incorporou Jim Morrison em "The Doors" e o ator pornô John Holmes no pouco visto "Crimes em Wonderland", além de bons papéis em "Ases Indomáveis" e "Fogo Contra Fogo", porém nos últimos anos as escolhas da dupla foram péssimas na maioria da vezes.

Nesta postagem comento quatro filmes que apenas ajudaram a manchar a carreira destes atores.

Invasor de Mentes (Hardwired, EUA / Canadá, 2009) – Nota 5 

Direção – Ernie Barbarash
Elenco – Cuba Gooding Jr, Val Kilmer, Michael Ironside, Tatiana Maslany, Eric Breker, Juan Riedinger.

Num futuro próximo, os governos decretaram falência e as grandes corporações dominaram o mundo (não muito diferente dos dias atuais). Quando Luke Gibson (Cuba Gooding Jr) sofre um acidente de automóvel e sua esposa morre, uma corporação chamada Hope paga as despesas no hospital e utiliza Gibson como cobaia. Eles implantam um chip na cabeça de Gibson que faz com que ele tenha visões de propagandas, que apenas desaparecem se ele comprar os produtos anunciados em sua mente. Junte-se a isso que ele perdeu a memória. Durante suas visões Gibson acaba sendo procurado por um grupo rebelde que luta contra a corporação Hope e que precisa de sua ajuda. 


A ideia das propagandas diretas no cérebro tenta ser uma crítica ao consumismo atual, mostrando até onde poderia chegar a ganância das corporações, porém o resultado se torna absurdo em virtude do péssimo roteiro, que faz desaparecer personagens como a irmã de Gibson e deixa o filme com cara de piloto de seriado vagabundo, inclusive deixando um gancho forte para um continuação, que espero não seja produzida. Para completar, Val Kilmer faz um vilão que lembra um cientista louco, totalmente caricato. É por estas escolhas que a carreira Cuba Gooding Jr não decolou depois dos Oscar de coadjuvante por “Jerry Maguire”.

Acerto de Contas (Wrong Turn at Tahoe, EUA, 2009) – Nota 5,5
Direção – Franck Khalfoun
Elenco – Cuba Gooding Jr, Miguel Ferrer, Harvey Keitel, Mike Starr, Alex Meneses, Leonor Varela, Michael Tighe, Noel Gugliemi, Johnny Messner, Louis Mandylor.

Joshua (Cuba Gooding Jr) é o braço direito do mafioso Vincent (Miguel Ferrer). Quando Joshua e seu parceiro Mickey (Johnny Messner) recebem a informação de que um traficante deseja matar Vincent, a dupla avisa o chefe que resolve pegar o sujeito de supresa, dando início a um espiral de violência e vingança.

O diretor Khalfoun é mais um dos que tentam beber na fonte do estilo Tarantino, misturando um roteiro cheio de violência com personagens que são ao mesmo tempo sérios mas que adoram diálogos engraçadinhos, o que não funciona. A história tem até uma reviravolta curiosa depois da metade, porém os personagens caricaturais, entre eles o mafioso feito por Miguel Ferrer e a falta de carisma e até identidade do personagem de Cuba Gooding, junto com o final que pretende ser sério mas se mostra idiota, tornam o filme um policial fraco. 

O Assassino do Presidente (Blind Horizon, EUA, 2003) – Nota 6
Direção – Michael Haussman
Elenco – Val Kilmer, Neve Campbell, Sam Shepard, Noble Willingham, Amy Smart, Gil Bellows. Giancarlo Esposito, Charles Ortiz, Leo Fitzpatrick, Faye Dunaway.

Um sujeito (Val Kilmer) é encontrado no deserto após ser baleado e sobrevive. No hospital ele acorda com amnésia e não consegue responder as perguntas do xerife Jack Kolb (Sam Shepard). Intrigado, o xerife ao investigar a situação encontra a jovem Chloe (Neve Campbell) que diz ser noiva do desconhecido e que ele se chama Frank. Aos poucos Frank vai tendo flashes do sua vida que indicam que o presidente americano sofrerá um atentado, mas sem provas ninguém acredita sua história. A partir daí figuras estranhas aparecerão na pequena cidade e fica claro que há algo de verdade nas visões de Frank. 

O elenco é o melhor do filme, Val Kilmer não compromete, Sam Shepard também interpreta bem o policial caipira, mas extremamente esperto e a veterana estrela Faye Dunaway faz um pequeno papel. Apesar deste bom elenco, o filme é repleto de clichês e fica fácil para qualquer cinéfilo que goste do gênero, descobrir grande parte do mistério rapidamente.

Dinheiro Sujo (Run for the Money ou Hard Cash, EUA / Aruba, 2002) – Nota 5
Direção – Peter Antoniejevic
Elenco – Christian Slater, Val Kilmer, Sara Downing, Vincent Laresca, Balthazar Getty, Bokeem Woodbine, Daryl Hannah, Rod Rowland, William Forsythe, Verne Troyer, Peter Jason.

Appos fugir da prisão, Taylor (Christian Slater) reune antigos parceiros para roubar o jóquei clube. O roubo acontece, porém o bando descobre que as notas foram marcadas por um agente corrupto do FBI (Val Kilmer), que seqüestra a filha de Taylor, obrigando o grupo a assaltar o um cassino. 

O diretor sérvio Peter (Predrag) Antonijevic tenta misturar violência com algumas cenas engraçadas e erra feio. O roteiro meia-boca abusa dos clichês e as interpretações no piloto automático de Slater e Val Kilmer ajudam a piorar ainda mais o resultado. 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Monty Python ao Vivo no Hollywood Bowl

Monty Python ao Vivo no Hollywood Bowl (Monty Python Live at Hollywood Bowl, EUA, 1982) – Nota 8
Direção – Terry Hughes & Ian MacNaughton
Elenco – John Cleese, Graham Chapman, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin, Terry Gilliam, Neil Innes, Carol Cleveland.

Um anos antes do último filme no cinema, que seria “O Sentido da Vida”, o grupo Monty Python se reuniu para uma histórica apresentação ao vivo no Hollywood Bowl em Los Angeles. 

Neste show o grupo apresenta vários dos seus quadros famosos do programa de tv “Monty Python’s Flying Circus” que foi ao na Inglaterra de 1969 a 1974, quando partiram para o cinema. Os quadros misturam o típico humor inglês com uma grande pitada de anarquia e deboche, com destaque para a canção do lenhador, o programa de perguntas estrelado por comunistas famosos, os juízes gays e a canção do 69 que abre o espetáculo. 

Os quadros ainda são entrecortados por animações e sem a censura da tv, o grupo solta a língua sem pudor. 

Após “O Sentido da Vida” o grupo se separou, com John Cleese, Michael Palin, Eric Idle e Graham Chapman trabalhando como atores em diversos filmes e Terry Jones e Terry Gilliam seguindo a carreira de diretores, com Gilliam sendo o mais bem sucedido. 

Graham Chapman faleceu em 1989 e o restante do grupo ainda continua na ativa.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Amém

Amém (Amen., França / Alemanha / Romênia, 2002) – Nota 8
Direção – Costa Gavras
Elenco – Ulrich Tukur, Mathieu Kassovitz, Ulrich Muhe, Michel Duchaussoy, Ion Caramitru, Sebastian Koch, Marcel Iures, Friedrich Von Thun.

Durante a 2º Guerra Mundial, o químico e oficial da S. S. Kurt Gerstein (Ulrich Tukur) trabalha no departamento de higienização responsável pela purificação da água que os soldados levam para a guerra. Mesmo fazendo parte do exército nazista, Gerstein é um católico praticante que não compactua com a maioria das atitudes do partido. 

Quando ele é “convidado” por um oficial superior (Ulrich Muhe) a conhecer um campo de concentração na Polônia, Gerstein fica chocado ao descobrir que os judeus estão sendo assassinados nas câmaras de gás e para piorar a situação, ele é obrigado a utilizar seus conhecimentos químicos para participar da chamada “Solução Final”. Mesmo sozinho, Gerstein resolve fazer o que for possível para atrapalhar as execuções. 

Ele procura também um representante do Vaticano na Alemanha para contar o que viu, com o intuito da informação chegar ao Papa, mas acaba sendo praticamente expulso pelo Cardeal, porém um jovem padre jesuíta (Mathieu Kassovitz) acredita em sua história e decide tomar partido na luta para mostrar ao mundo o que os nazistas estavam fazendo. 

Este drama de guerra baseado numa história real, é mais um ótimo filme do diretor grego Costa Gavras (“Missing – O Desaparecido”, “Estado de Sítio”), especialista em escancarar a hipocrisia das instituições, dos governos e neste caso da Igreja Católica em relação aos crimes nazistas. 

Aqui sobram críticas para todos os lados, para a burguesia alemã que fechou os olhos para a perseguição contra os judeus, para o governo americano que não teve interesse algum em tentar resolver a situação, já que tinha como prioridade vencer a guerra a qualquer custo e principalmente para a Igreja Católica, que além de se calar, ainda negociou com os nazistas e ajudou seus oficiais a fugirem da Europa após a guerra. 

O filme gerou muita polêmica na época, principalmente na Europa, em razão do tema espinhoso e do cartaz que colocava a palavra amém no centro de uma suástica. 

Como curiosidade, em 2006 os atores Ulrich Tukur, Ulrich Muher e Sebastian Koch protagonizaram o ótimo drama sobre a polícia secreta da Alemanha Oriental chamado “A Vida dos Outros”.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Vício Frenético (1992)

Vício Frenético (Bad Lieutenant, EUA, 1992) – Nota 8
Direção – Abel Ferrara
Elenco – Harvey Keitel, Victor Argo, Paul Calderon, Leonard Thomas.

Um tenente de polícia (Harvey Keitel) tem esposa, filhos pequenos e uma boa carreira, porém é viciado em drogas. Logo nas primeiras cenas vemos ele deixar os filhos no colégio e em seguida cheirar cocaína antes de ir para o trabalho. Além das drogas, ele é viciado em apostas e mesmo devendo um valor alto para um bookmaker, continua apostando, brincando com a própria sorte. Em paralelo, ele tenta capturar os estupradores de um freira. 

O diretor Abel Ferrara é uma espécie de Martin Scorsese independente, que não tem pudor em misturar nos seus filmes sexo, drogas, violência e religião. Neste trabalho específico, ele cria um roteiro (junto com os atores Victor Argo, Paul Calderon e Zoe Lund) que mostra a descida ao inferno de um personagem dominado pelo vício, valorizado pela visceral interpretação de Harvey Keitel, que se entrega totalmente ao personagem. 

Outro ponto interessante é a decisão tomada pelo personagem de Keitel em relação aos criminosos, algo totalmente diferente do que seria o comum neste tipo de filme. 

Como curiosidade, em um Festival de Cannes dos anos noventa, Abel Ferrara deu uma entrevista para Rubens Ewald Filho totalmente drogado. Ele estava descabelado, ria sem parar e não conseguia completar um raciocínio sequer. Os seus próprios demônios talvez possam explicar a temática realista dos seus filmes e os personagens marginais que neles habitam. 

Finalizando, o diretor alemão Werner refilmou o longa em 2009 alegando que não assistiu ao filme de Ferrara e mudou quase toda a trama. Abel Ferrara não gostou de ver seu filme ligado a esta refilmagem e os dois diretores que são polêmicos, trocaram farpas pela imprensa na época.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A Trilogia das Cores de Krzysztof Kieslowski


O diretor polonês Krzysztof Kieslowski ficou famoso com a série "Decálogo" (foram dez filmes de uma hora baseados no Dez Mandamentos) produzida para a tv de seu país, que posteriormente se transformou em dois ótimos longas, "Não Amarás" e "Não Matarás", que já comentei no blog. Quem quiser saber um pouco mais, visite o link abaixo:

http://cinema-filmeseseriados.blogspot.com/2011/10/nao-amaras-nao-mataras.html

Seu trabalho mais famoso internacionalmente foi esta trilogia que faz uma homenagem as cores da bandeira da França, contando três histórias sensíveis protagonizadas por três belas atrizes francesas.

A Liberdade é Azul (Trois Couleurs: Bleu, França / Polônia /Suiça, 1993) – Nota 8
Direção – Krzysztof Kieslowski
Elenco – Juliette Binoche, Benoit Regent, Florence Pernel, Charlotte Very.

Num acidente automobilístico, Julie (Juliette Binoche) perde o marido e a filha. Desiludida com a vida, Julie tenta deixar tudo para trás, a casa, os amigos, mas durante este processo ela encontra fotos do marido com uma mulher e desconfia que ele a estava traindo. 

O marido era um compositor famoso que pouco antes de morrer trabalhava numa peça musical que seria tocada em diversas capitais da Europa, como um hino de unificação, mas pela dor que sente, Julie tenta destruir a obra inacabada, o que não será fácil, assim como a triste e dolorosa liberdade que surge em sua vida. 

O primeiro filme da “Trilogia da Cores” de Kieslowski é um drama de poucos diálogos, com a bela e ótima atriz Juliette Binoche interpretando uma mulher que procura superar a tragédia da perda e ainda uma traição, tentando se distanciar das pessoas, mas percebe que isso é quase impossível.

A Igualdade é Branca (Trois Couleurs: Bialy, França / Polônia / Suiça, 1994) – Nota 8
Direção – Krzysztof Kieslowski
Elenco – Zbigniew Zamachowski, Julie Delpy, Janusz Gajos, Jerzy Stuhr, Juliette Binoche.

A segunda parte da Trilogia das Cores do diretor Kieslowski, conta a história do polonês Karol (Zbigniew Zamachowski) que após conhecer e se casar com a bela francesa Dominique (Julie Delpy) vai morar em Paris e não consegue consumar o casamento. Abandonado pela esposa, ele passa a viver nas ruas da cidade e acaba sendo ajudado por outro polonês, Mikolay (Janusz Gajos), para voltar ao seu país. De volta à Polônia, ele traça um plano meticuloso para se vingar da ex-esposa. 

Kieslowski mostra aqui todo seu talento para contar uma história de amor que se transforma em ódio e volta ser amor, mas sem um final feliz normal. A história é contada de modo peculiar, onde a igualdade de direitos é usada como combustível de vingança pelo personagem de Zamachowski.

A Fraternidade é Vermelha (Trois Couleurs: Rouge, França / Suiça / Polônia, 1994) – Nota 8
Direção – Krzysztof Kieslowski
Elenco – Irene Jacob, Jean Louis Trintignant, Frederique Feder, Jean Pierre Lorit, Samuel Le Bihan, Zbigniew Zamachowski, Julie Delpy, Benoit Regent, Juliette Binoche.

O terceiro episódio da “Trilogia das Cores” de Kieslowski se passa em Paris, tendo como protagonista a jovem modelo suíça Valentine (Irene Jacob), que atropela por acidente o cão de um juiz aposentado (Jean Louis Trintignat). Valentine resolve devolver o cão para o juiz e descobre que o ressentido homem ouve clandestinamente as conversas ao telefone dos vizinhos. A relação que começa confusa, aos poucos se torna amizade e revela que as duas pessoas com vidas e idades tão diferentes, podem ter muita coisa em comum.

Fica difícil escolher qual o melhor filme da trilogia, são ao mesmo tempo muito diferentes nos temas e situações e semelhantes na qualidade da direção, do roteiro de Krzysztof Piesiewicz e na fotografia de Zbigniew Preisner. 

O fechamento da trilogia é também o encerramento da carreira de Kieslowski, que chegou a dizer que abandonaria o cinema e por ironia do destino acabou falecendo em 1996. Uma perda irreparável para o cinema.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Mistério da Rua 7

Mistério da Rua 7 (Vanishing on 7th Street, EUA, 2010) – Nota 5
Direção – Brad Anderson
Elenco – Hayden Christensen, John Leguizamo, Thandie Newton, Jacob Latimore, Taylor Groothuis.

Num cinema de shopping em Detroit, o projecionista Paul (John Leguizamo) exibe um filme quando as luzes se apagam e todas as pessoas desaparecem, ficando apenas suas roupas. Ao mesmo tempo, o repórter Luke (Hayden Christensen) acorda em seu apartamento e não encontra ninguém. Luke sai pela cidade e percebe algo que vem da escuridão e faz as pessoas desaparecem. Estes dois personagens se cruzam num bar, onde está escondido o garoto James (Jacob Latimore) e onde também chegará a desesperada enfermeira Rosemary (Thandie Newton). 

Tentando seguir o gênero de filme apocalíptico, o diretor Brad Anderson (dos interessantes “O Operário” e “Próxima Parada Wonderland”) derrapa feio num péssimo roteiro, que mistura vários clichês do gênero. O elenco também é ruim, com personagens caricatos, principalmente os interpretados por Christensen e Thandie Newton, além do ritmo arrastado e a total falta de explicação da trama, que deixa no ar motivos religiosos e punição. 

Um ponto interessante para quem gosta de história também foi pouco aproveitado. O personagem de John Leguizamo cita por duas vezes a história da colônia perdida de Roanoke, um fato que ocorreu na Carolina do Norte durante a colonização americana, quando um grupo de pessoas de um povoado sumiu sem deixar vestígios, deixando apenas a palavra “croatoan” riscada em uma árvore, situação até hoje sem explicação. 

Infelizmente é um filme para passar longe.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Rio Congelado

Rio Congelado (Frozen River, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Courtney Hunt
Elenco – Melissa Leo, Misty Upham, Charlie McDermott, Michael O’Keefe, Mark Boone Junior.

Na gelada divisa entre Estados Unidos e Canadá, Ray (Melissa Leo) precisa encontrar o marido viciado em jogo que sumiu com o dinheiro reservado para pagar a nova casa pré-montada. Ray encontra o carro do marido em frente a um bingo no território indígena dos Mohawks, porém quem está dirigindo é uma jovem índia (Misty Upham). 

Logo as duas entram em conflito, porém como Ray precisa de dinheiro também para sustentar dois filhos, aceita o convite da jovem para atravessar o rio congelado do título e vender o carro para um receptador no Canadá. Chegando lá, Ray descobre que na verdade o trabalho é transportar imigrantes ilegais em troca de dinheiro, o que ela acaba aceitando, começando uma espécie de parceira com a índia. 

O interessante deste filme lento e gelado como a região onde foi filmado, é o roteiro que mostra a vida de algumas pessoas com total falta de perspectivas, quase desesperadas, que aceitam participar de algo ilegal por acreditarem ser a única saída. 

Outro destaque é a interpretação de Melissa Leo, que concorreu ao Oscar naquele ano. O caso de Melissa Leo é curioso, mas não incomum, aconteceu a mesma situação com Thomas Haden Church em 2004 com “Sideways”. Ele estava quase aposentado após trabalhar na série “Cheers” e acabou indicado ao Oscar por este pequeno filme, renascendo na carreira. 

Já Melissa Leo fez pontas em diversos seriados, até se firmar em “Homicide: Life on the Street” nos anos noventa. Quando a série acabou, Melissa se tornou coadjuvante em filmes sem importância, até conseguir este papel que colocou seu nome em evidência e transformou sua carreira.