sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Cubo 2: Hipercubo & Cubo Zero


Estes dois filmes são sequências da interessante ficção "Cubo", um longa canadense de baixo orçamento que é obrigatório para os fãs do gênero. Escrevi sobre este filme há algum tempo, quem quiser saber um pouco mais, clique no link Cubo.

Cubo 2: Hipercubo (Cube 2: Hypercube, Canadá, 2002) – Nota 7
Direção – Andrzej Sekula
Elenco – Karin Matchett, Geraint Wyn Davies, Grace Lynn Kung, Matthew Ferguson, Neil Crone, Barbara Gordon, Lindsey Connell.

O sucesso nos circuitos alternativos do longa canadense “Cubo” de 1997 gerou esta sequência inferior, mas ainda interessante. Como o original, várias pessoas sem ligação entre si, acordam dentro de um estranho quarto com janelas que lembram escotilhas fechadas. Quando tentam sair do local, descobrem estar dentro de um cubo gigante, onde existem diversas armadilhas nestes compartimentos. O heterogêneo grupo terá de lidar com suas diferenças e ainda descobrir uma forma de fugir do local. 

Esta sequência produzida com maior orçamento, trocou o estilo industrial do cubo anterior por compartimentos futuristas com armadilhas tecnológicas. Novamente o elenco é composto de atores canadenses desconhecidos do grande público, o que não influencia na trama, que se baseia principalmente na claustrofobia e nas reações humanas em situações extremas. 

Cubo Zero (Cube Zero, Canadá, 2004) – Nota 6
Direção – Ernie Barbarash
Elenco – Zachary Bennett, Stephanie Moore, David Huband, Michael Riley, Martin Roach, Richard McMillan, Mike Nug Nahrgang.

Este terceiro filme da série é um prequel que tenta explicar o porquê da existência do cubo e como as pessoas são escolhidas para a experiência. A trama basicamente é a mesma, um grupo de pessoas acorda dentro do cubo, sem saber porque estão ali e precisam encontrar a saída, tendo ainda de escapar das armadilhas. 

As diferenças são a participação de dois sujeitos que ficam numa estação de monitoramento, além de sequências fora do cubo mostrando um pouco a vida de cada um dos escolhidos. As explicações não são exatamente o que todos gostariam de saber, além da trama que não foge do lugar comum em relação aos outros filmes, o que acaba resultando num longa inferior, mas mesmo assim ainda cria boas sequências de suspense.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Exterminador do Futuro III - A Rebelião das Máquinas

O Exterminador do Futuro III – A Rebelião das Máquinas (Terminator 3: Rise of the Machines, EUA / Alemanha / Inglaterra, 2003) – Nota 7,5
Direção – Jonathan Mostow
Elenco – Arnold Schwarzenegger, Nick Stahl, Claire Danes, David Andrews, Kristanna Loken, Earl Boen.

Após conseguir evitar, ou pelo menos adiar a Guerra entre máquinas e humanos, John Connor (Nick Stahl) vive como um nômade, sem qualquer documento que o faça ser rastreado. 

Em paralelo, o governo americano continuou seus experimentos e criou o Skynet, um supercomputador que com sua inteligência começa a manipular os sistemas e faz com que um novo exterminador,  modelo T-X (Kristanna Lone) viaje no tempo para matar John Connor. Ao mesmo tempo um antigo modelo T-800 (Arnold Schwarzenegger) é enviado para proteger Connor, que durante a fuga se envolve com a bela Kate Brewster (Claire Danes). 

Após o sucesso da parte II, todos esperavam que James Cameron um dia resolvesse voltar a franquia, o que não ocorreu. O projeto foi desengavetado e caiu no colo de Jonathan Mostow (“U-571 – A Batalha do Atlântico”) e um novo roteiro foi escrito seguindo a história, porém com várias adaptações. 

As mudanças começaram no elenco, com Linda Hamilton não aceitando voltar ao papel, fazendo com que sua personagem morresse e Edward Furlong que fora descartado pelo seu envolvimento com drogas. A escolha de Nick Stahl para o papel deu certo, tendo boa química dom Claire Danes e com Schwarzenegger que volta a seu papel mais famoso no cinema. 

Provavelmente pela comparação com os filmes anteriories e por ser uma continuação tardia, o longa não fez sucesso, mas gostei das cenas de ação que são eletrizantes e o roteiro que mantém o interesse na história, inclusive com um gancho para o quarto filme que foi produzido em 2009. 

Como curiosidade, este foi o último trabalho de Schwarzenegger como protagonista antes de se afastar do cinema para assumir o governo da Califórnia.


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Caminho da Liberdade

Caminho da Liberdade (The Way Back, EUA / Emirados Árabes, 2010) – Nota 8
Direção – Peter Weir
Elenco – Jim Sturgess, Ed Harris, Colin Farrell, Saiorse Ronan, Dragos Bucur, Alexandru Potocean, Gustaf Skarsgard, Mark Strong.

Em 1940 após a invasão da Polônia pelos alemães e os russos, o jovem soldado polonês Janusz (Jim Sturgess) é acusado de espionagem e enviado a um gulag na Sibéria. Lá se envolverá com outros prisioneiros de diversas nacionalidades para arquitetar um fuga. 

A fuga acontece durante uma grande nevasca e junto com ele outros seis homens fogem, entre eles o americano Sr. Smith (Ed Harris) e o violento criminoso russo Valka (Colin Farrell). O plano do grupo é chegar até a Mongólia, onde acreditam estarem salvos dos russos. Pelo caminho eles cruzam com outra fugitiva, a jovem Irena (Saiorse Ronan), que se junta ao grupo que segue uma jornada heróica para tentar sobreviver. 

O diretor australiano Peter Weir, de ótimos filmes como “A Sociedade dos Poetas Mortos”, “A Testemunha” e “O Show de Truman”, escreveu o roteiro baseado no livro do polonês Slavomir Rawicz, que conta ter percorrido mais de 6.500 km entre a Sibéria e a Índia junto com outros fugitivos, porém alguns jornalistas alegam que a história foi inventada. Além disso, existem pelo menos duas outras versões da mesma história com outras pessoas, mas isso não diminui o mérito deste belo trabalho. 

O filme de Weir é uma ode a superação, o grupo de fugitivos enfrenta as florestas geladas da Sibéria, a falta de comida e água numa sequência angustiante no deserto da Mongólia, até a travessia da Cordilheira do Himalaia. 

Outros pontos altos são a belíssima fotografia, a ótima trilha sonora e o elenco que se entrega a personagens que participam de uma jornada de limite físico e psicológico. 

Grande filme que infelizmente passou quase despercebido nos cinemas e que agora merece ser descoberto em dvd.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Zodíaco

Zodíaco (Zodiac, EUA, 2007) – Nota 8,5
Direção – David Fincher
Elenco – Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo, Robert Downey Jr, Anthony Edwards, Brian Cox, John Carroll Lynch, Chloe Sevigny, John Getz, John Terry, Candy Clark, Elias Koteas, Donal Logue, Dermot Mulroney, Philip Baker Hall, Tom Verica, Zach Grenier, Adam Goldberg, James Le Gros, Charles Fleischer, Cléa Duvall, Paul Schulze.

No feriado de 4 de Julho de 1969, um casal é atacado no condado de Vallejo na Califórnia. A mulher morre, mas o homem sobrevive. Pouco tempo depois, três jornais da região recebem cartas onde um desconhecido alega ser o responsável pelo ataque ao casal, além de outro caso anterior de assassinato. O sujeito exige que as cartas sejam publicadas, senão ele continuará a matar. Em um destes jornais, o repórter Paul Avery (Robert Downey Jr) fica responsável pela matéria e não leva a sério a teoria do cartunista Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal) que acredita haver uma mensagem escondida nas três cartas. 

Enquanto isso, um novo crime faz a dupla de policiais Davis Toschi (Mark Ruffalo) e William Armstrong (Anthony Edwards) acreditar ser mais um obra do agora conhecido como “Assassino do Zodíaco”, dando início a uma investigação que seguirá por mais de uma década e envolverá policiais de outros condados, além da dupla de jornalistas Avery e Graysmith, fato que mexerá com a vida de todos os envolvidos. 

O ótimo diretor David Fincher consegue o feito de envolver o espectador por mais de duas horas e meia numa história real, onde todos conheciam o final, sem grandes cenas de ação ou efeitos especiais, além de comandar com talento um grande elenco que se espalha em diversas investigações paralelas num caso que se transformou numa enorme teia de aranha. 

Esta descentralização da investigação e a falta de velocidade na troca de informações foram fundamentais para nunca se chegar efetivamente ao assassino, além de não existir certeza se todos estes crimes atribuídos aos Zodíaco tenham sido cometidos por apenas único sujeito. 

Filme imperdível para quem gosta de histórias investigativas, com muitos personagens e informações.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Rafinha Bastos, Bancos, Correios.

Desta vez vou mudar o foco do blog e comentar três notícias atuais. Duas que interessam a população e uma terceira totalmente fútil, porém as três estão ligadas pelo modo como parte da imprensa divulga, sempre tentando manipular a cabeça das pessoas.

Começando pela notícia sem importância, o caso do afastamento de Rafinha Bastos do CQC é um grande ato de hipocrisia. Sua piada sobre a cantora que se julgou ofendida é ridícula e devia ser ignorada, assim como outras que ele fez e incomodou algumas pessoas. O ponto principal não é a piada, mas sim que foi o alvo dela. Se ele tivesse feito o comentário sobre uma pessoa comum, não haveria repercussão alguma, mas como o alvo foi uma pessoa famosa, com família e amigos influentes, boa parte da mídia caiu matando em cima do sujeito como se ele tivesse cometido um assassinato.

O programa CQC tem defeitos e virtudes, mas como incomoda muito a elite brasileira e os políticos, estes esperavam uma chance para devolver a pancada. Se considerarmos que o integrantes do CQC passam dos limites, o que pensar então de programas como Pânico onde o chamado "Impostor" invadiu os velórios de Amy Winehouse e Michael Jackson, do integrante do Legendários que pendurou uma bandeira do Brasil no Obelisco em Buenos Aires ou até mesmo do Datena no próprio canal do CQC que faz sensacionalismo com o sofrimento de vítimas da violência? A diferença é que estes programas não pressionam políticos cara a cara e fazem perguntas que mostram o verdadeiro caráter destes sujeitos para o espectador.

As outras duas notícias estão ligadas pela palavra "greve" e mesmo que a mídia tente colocar os funcionários grevistas como vilões, o problema é bem mais profundo. A greve dos Correios é justa em relação aos baixos salários, porém o que rola nos bastidores é que ela pode ter sido arquitetada com o intuito de colocar a população contra a empresa e os grevistas, abrindo com isso caminho para uma futura privatização ou pelo menos terceirização de parte dos serviços. Fica claro que algo de estranho ocorre, o governo oferece um abono que seria algo comum e um aumento de R$ 50,00 a partir de Janeiro/2012, traduzindo, um grande piada ou jogada para manter a greve por mais tempo.

Para quem usa pouco os Correios, saiba que esta é uma das empresas estatais que tem a melhor qualidade de serviços e preços acessíveis. A terceirização diminuiria esta qualidade, principalmente as entregas e privatização seria uma grande perda para a população, pois com certeza os preços dobrariam de valor, assim como funcionam os serviços de entregas privados, que são voltados para grandes empresas e pessoas da elite.

A greve dos bancários é outra situação em que os grevistas tem razão. Em sua maioria são funcionários abaixo do cargo de gerência, que tem um salário baixo em relação a pressão que sofrem por resultados, traduzindo, são obrigados a vender produtos para os clientes, mesmo que os compradores tenham um grande prejuízo com este tipo de negócio.

Esta greve também é colocada na mídia de uma forma que o povo fique contra os funcionários, você não vê reportagens sobre os recordes de lucros que bancos batem a cada seis meses ou as absurdas taxas e tarifas que são cobradas dos clientes. Sobre estas taxas abusivas eu poderia escrever um texto gigante, mas vou ficar por aqui.

Um detalhe que nem todos sabem, grande parte dos serviços bancários que não atendem diretamente o cliente na agência, como compensação bancária, cadastro de clientes e call center, são terceirizados para empresas que pagam uma miséria para os funcionários, ou seja, o número de bancários efetivos caiu muito, o que faz com que a classe perca parte da força.

Para finalizar, darei uma dica para quem usa pouco o banco não pagar tarifas. Já está em vigor uma lei que criou as Contas de Serviços Essenciais. É um pacote que os bancos escondem dos clientes, mas que se você exigir eles são obrigados a alterar sua conta. Este pacote inclui serviços básicos e com certeza é ideal para muita gente. Quem tiver interesse em conhecer e utilizar o pacote, visite o site abaixo e depois procure seu banco.

http://www.idec.org.br/bancos/novas_regras_sobre_tarifas/servicos_essenciais.html


domingo, 2 de outubro de 2011

Superman - O Retorno

Superman – O Retorno (Superman Returns, EUA, 2006) – Nota 6
Direção – Bryan Singer
Elenco – Brandon Routh, Kate Bosworth, Kevin Spacey, James Marsden, Parker Posey, Frank Langella, Sam Huntington, Eva Marie Saint, Marlon Brando, Kal Penn, Tristan Lake Leabu.

Após descobrir que ainda poderia existir vida em Kripton, Superman (Brandon Routh) volta ao seu planeta se ausentando da Terra por cinco anos. Ao retornar, ele descobre que sua amada Lois Lane (Kate Bosworth) tem um filho e está noiva de Richard White (James Marsden), filho de Perry White (Frank Langella) editor do Planeta Diário, onde ele trabalhava utilizando o disfarce de Clark Kent. Para complicar ainda mais a situação, o vilão Lex Luthor (Kevin Spacey) saiu da cadeia e planeja vingança. 

Sou contra a refilmagem de clássicos e exemplos como esta nova versão de “Superman” confirma meu pensamento. Mesmo modificando o roteiro do original que foi dirigido por Richard Donner para tentar dar uma cara nova, o filme decepciona. 

Apesar de bem produzidas, as cenas de ação não chegam perto do charme do original e a escolha do novato Brandon Routh se mostrou um grande erro. A escolha de um ator desconhecido foi feita tentando copiar o original, já que na época Christopher Reeve era novato e se tornou astro com o sucesso do filme, mas infelizmente Routh é muito fraco, o que se confirmou em trabalhos seguintes, como o ridículo papel em “Pagando Bem, Que Mal Tem?”. 

O projeto da refilmagem de “Superman” rodou durante anos por Hollywood e passou na mãos de vários diretores e produtores, quase chegando a ser produzido nos anos noventa com um roteiro de Kevin Smith e direção de Tim Burton, o que provavelmente renderia um filme melhor. 

O filme acabou se tornando o trabalho mais fraco de Bryan Singer e ainda o afastou da terceira parte de “X-Men”, que por conseqüência também foi o mais fraco da série.



sábado, 1 de outubro de 2011

À Procura de Eric

À Procura de Eric (Looking for Eric, Inglaterra / França / Itália / Bélgica / Espanha, 2009) – Nota 8
Direção – Ken Loach
Elenco – Steve Evets, Eric Cantona, Stephanie Bishop, Gerard Kearns, Stefan Gumbs, Lucy-Jo Hudson.

O carteiro Eric Bishop (Steve Evets) vive deprimido e não consegue se relacionar com os dois enteados que foram abandonados pela mãe, que fora sua segunda esposa. Seus amigos de trabalho tentam animá-lo de todas as formas, inclusive numa improvisada sessão de terapia em grupo, mas a única alegria de Eric é relembrar os grandes momentos de seu time, o Manchester United, principalmente as jogadas de Eric Cantona, o maior ídolo da equipe dos últimos trinta anos e também o mais polêmico. 

Para amenizar sua dor, Eric rouba um pouco de maconha de um dos enteados e ao fumar a droga o próprio Cantona aparece para lhe dar conselhos e passar confiança, quase sempre utilizando engraçados provérbios, o que ajudará inclusive ele a se reaproximar de sua primeira esposa, a doce Lily (Stephanie Bishop), a quem ele abandonou com uma filha pouco tempo depois de casar. 

O diretor Ken Loach e o roteirista Paul Laverty acertam ao criar uma história que mistura drama e comédia de modo sensível, utilizando a figura emblemática de Eric Cantona como uma espécie de consciência adormecida do protagonista vivido pelo quase desconhecido Steve Evets, que tem uma bela interpretação como o sujeito sofrido que carrega um grande peso pelos erros do passado. 

Os diálogos entre Evets e Cantona são engraçados em algumas passagens e ao mesmo tempo são uma homenagem ao ex-jogador e aos torcedores do Manchester, que poderão rever jogadas inesquecíveis de sua carreira. 

O roteiro também não esquece de criticar as mudanças no futebol, principalmente em alguns diálogos entre os amigos de Eric que discutem sobre as camisas que ficaram desfiguradas quando começaram a estampar as marcas de diversos patrocinadores e os preços dos ingressos na Inglaterra, que aumentaram muito e afastam cada vez mais a classe trabalhadora dos estádios. 

O resultado é um bom filme que utiliza com inteligência a paixão pelo futebol para contar uma sincera história familiar.