quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Contos do Dia das Bruxas

Contos do Dia das Bruxas (Trick 'r Treat, EUA, 2007) – Nota 7
Direção – Michael Dougherty
Elenco – Dylan Baker, Anna Paquin, Brian Cox, Leslie Bibb, Jean Luc Bilodeau.

Na noite de Halloween, vários personagens se cruzam em pequenas histórias repletas de violência. 

Um casal é atacado ao voltar para casa. Um grupo de garotos segue para uma pedreira isolada onde ocorreu a morte de crianças em um acidente. O diretor da escola (Dylan Baker) revela sua verdadeira face. Uma jovem virgem (Anna Paquin) é encorajada pelas amigas para encontrar alguém. E por fim um sujeito solitário (Brian Cox) recebe uma surpreendente visita. 

Os destaques deste longa são a montagem criativa e a forma como o roteiro liga as histórias através de um inusitado personagem. As cenas de violência beiram o humor negro, assim como alguns diálogos bizarros. 

É um pequeno filme de terror que consegue explorar o batido tema do Halloween de forma criativa.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

6 Dias

6 Dias (6 Days, Inglaterra / Nova Zelândia, 2017) – Nota 6,5
Direção – Toa Fraser
Elenco – Jamie Bell, Mark Strong, Abbie Cornish, Martin Shaw.

Londres, abril de 1980. Um grupo de iranianos fortemente armados invade a embaixada do seu país tomando funcionários e visitantes como reféns. Eles exigem a liberação de companheiros presos no Irã por conta de serem opositores do regime do Aiatolá Khomeini. 

Durante seis dias, o negociador inglês Max Vernon (Mark Strong) tenta resolver a situação na base da conversa, enquanto um grupo de soldados de elite espera a ordem das autoridades para invadir o local. 

Baseado numa história real, este longa apresenta erros e acertos. O roteiro falha ao condensar os seis dias de tensão em apenas uma hora e meia, desenvolvendo mal os personagens dos terroristas e dando muita ênfase ao treinamento dos soldados ansiosos por entrar em ação. 

Por outro lado, as cenas de ação do clímax são bem filmadas e a escolha de intercalar cenas reais do ocorrido em 1980 com as sequências do filme também funcionam.

O sempre competente Mark Strong segura bem o papel do negociador, enquanto Jamie Bell se mostra canastrão como o jovem soldado que ganha a chance de liderar o grupo de elite na ação. A bela Abbie Cornish tem um pequeno destaque como a repórter que vê a chance de crescer na carreira através da tragédia. 

A história é mais interessante do que o filme, que resulta numa obra apenas razoável.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha

Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha (Victoria & Abdul, Inglaterra / EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Stephen Frears
Elenco – Judi Dench, Ali Fazal, Tim Pigott Smith, Eddie Izzard, Adeel Akhtar, Michael Gambon, Paul Higgins, Olivia Williams, Fenella Woolgar, Julian Wadham, Simon Callow.

Inglaterra, 1887. Ao comemorar os cinquenta anos de reinado, a rainha Victória (Judi Dench) recebe um presente da Índia, que era colônia inglesa na época. Por um determinado motivo, ela decide que os dois serviçais indianos que trouxeram o presente fiquem trabalhando para a corte. 

Enquanto Mohammed (Adeel Akhtar) deseja voltar para a Índia, o falante Abdul Karim (Ali Faizal) ganha a confiança da rainha através de histórias sobre seu país. Mesmo visto como desprezo pelos demais integrantes da corte, Abdul se torna um espécie de mentor da rainha. 

Apenas em 2010 foram descobertos os diários deixados pelo indiano Abdul Karim contando sua relação de amizade com a rainha Victória, fato que foi praticamente apagado pela família real inglesa após a morte da majestade. O filme é inspirado nesta história real. 

O ponto interessante do roteiro é mostrar a angústia da rainha vivida pela ótima Judi Dench, que mesmo rodeada de serviçais se sentia solitária e totalmente frustrada por ser obrigada a participar de cerimônias tediosas. 

O personagem de Ali Fazal termina por preencher este vazio na vida da rainha, falando sobre assuntos que despertam nela a curiosidade de aprender algo novo. Mesmo criando um laço de amizade verdadeiro, o indiano vê na situação a chance de ter uma boa vida e até mesmo conseguir um título real. 

Apesar de não ter surpresas, o filme prende a atenção através de uma agradável narrativa e das atuações de Judi Dench e do desconhecido Ali Fazal.

domingo, 28 de outubro de 2018

11 Minutos

11 Minutos (11 Minut, Polônia / Irlanda, 2015) – Nota 7
Direção – Jerzy Skolimowski
Elenco – Richard Dormer, Paulina Chapko, Wojciech Mecwaldowski, Andrzej Chyra, Dawid Ogrodnik.

Em Varsóvia na Polônia, várias pessoas que não se conhecem tem seus destinos cruzados. Um diretor de cinema, uma aspirante a atriz, seu marido ciumento, um vendedor de hot dog, um entregador drogado, um limpador de janelas, sua amante, uma jovem rebelde e um grupo de freiras enfrentarão o inesperado. 

O veterano ator, diretor e roteirista polonês Jerzy Skolimowski entrega um curioso longa que bebe na fonte de obras como “Magnólia” e “Crash”. O roteiro escrito por ele mesmo foca em apenas 11 minutos na vida dos personagens. 

A trama ocorre entre as 17:00 hs e as 17:11 hs, intercalando as várias pequenas histórias até o criativo e ao mesmo tempo bizarro clímax. A irregularidade da narrativa acaba compensada pela ótima sequência final e pela curta duração (em torno de uma hora e vinte minutos). 

É um filme que vale a sessão para quem tiver curiosidade por obras estranhas.

sábado, 27 de outubro de 2018

O Matador

O Matador (The Gunfighter, EUA, 1950) – Nota 7,5
Direção – Henry King
Elenco – Gregory Peck, Helen Westcott, Millard Mitchell, Jean Parker, Karl Marlden, Skip Homeier, Richard Jaeckel.

Jimmy Ringo (Gregory Peck) é considerado o gatilho mais rápido do oeste e por este motivo se tornou alvo de pistoleiros que desejam matá-lo para ficarem famosos. 

Desiludido com a fama, Ringo chega a uma pequena cidade com o objetivo de reencontrar a esposa (Helen Westcott) e o filho que ainda não conhece. 

Visto com medo por parte da população e como celebridade pelas crianças, Ringo precisa resolver rapidamente o assunto com a esposa, antes que três pistoleiros que o estão seguindo cheguem a cidade. 

Este western clássico resvala para o drama e ainda insere uma pitada de melancolia, mas sem deixar de lado os inevitáveis tiroteios. Mesmo sendo um fora da lei, o protagonista vivido por Gregory Peck é semelhante as pessoas que lutam para se tornarem celebridades e que depois sofrem por causa do assédio. 

O resultado é um western um pouco diferente que merece ser conhecido pelos fãs do gênero.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Bem-Vindo à Vida

Bem-Vindo à Vida (People Like Us, EUA, 2012) – Nota 7
Direção – Alex Kurtzman
Elenco – Chris Pine, Elizabeth Banks, Michael Hall D’Addario, Michelle Pfeiffer, Olivia Wilde, Mark Duplass, Philip Baker Hall.

Após o funeral do pai, com quem tinha uma relação um pouco distante, Sam (Chris Pine) recebe de um advogado uma pequena bolsa deixada pelo falecido. 

Dentro da  bolsa Sam encontra cento e cinquenta mil dólares e um bilhete do pai pedindo para entregar o dinheiro em um determinado endereço. Passando por um crise profissional e precisando de dinheiro, Sam fica dividido entre procurar a pessoa ou ficar com a grana. 

Curioso, ele descobre que o pai abandonou uma filha (Elizabeth Banks), que hoje é mãe de um garoto (Michael Hall D’Addario). Antes de dar o dinheiro, Sam decide se aproximar dos dois para tentar entender porque seu pai escondeu sua irmã, além de não ter coragem de contar a história para sua mãe (Michelle Pfeiffer). 

Este sensível drama foca em uma história não tão incomum, sobre o sujeito que tem duas famílias e esconde uma delas da “família oficial”. O roteiro foca nas consequências das atitudes do pai que afetaram diretamente os dois filhos que não se conheciam e também a esposa. 

O filme ganha pontos pela química entre elenco e as interpretações do quarteto principal.

O resultado é um drama sóbrio sobre segredos e mentiras.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

A Era da Escuridão

A Era da Escuridão (Mil-Jeong, Coreia do Sul, 2016) – Nota 7
Direção – Jee Woon Kim
Elenco – Kang Ho Song, Yoo Gong, Byung Hun Lee, Ji Min Han, Tae Goo Eom.

Coreia, 1920. Com o país sob o domínio do Japão, os coreanos criam grupos de resistência contra a ocupação. Neste contexto, Lee Jung Chool (Kang Ho Song) é um ex-revolucionário que se tornou policial e que trabalha para os japoneses. 

Ele recebe a missão de investigar um grupo que pretende utilizar explosivos em um atentado. Dividido entre o dever de policial e a simpatia pelos rebeldes, Lee se torna um agente duplo que tenta agradar aos dois lados. Conforme o cerco aos rebeldes se fecha, vai chegando o momento em que Lee precisará decidir para qual lado lutar. 

O ponto alto deste longa sul-coreano é a ótima reconstituição de época, incluindo figurinos e cenários. A história explora os conflitos que foram consequência da ocupação japonesa na Coreia de 1910 a 1945. Apesar de interessante, o filme é um pouco irregular, principalmente por causa da longa duração (duas horas e vinte minutos). Diferente de outros longas sul-coreanos, aqui não são muitas as sequências de ação, tendo maior destaque as cenas de suspense dentro do trem. 

Não é um filme ruim, mas fica a sensação de que a história poderia render algo melhor.