segunda-feira, 30 de abril de 2018

Deixe Ir

Deixe Ir (Lasciate Andare, Itália, 2017) – Nota 6
Direção – Francisco Amato
Elenco – Toni Servillo, Verónica Echegui, Carla Signoris, Luca Marinelli, Pietro Sermonti.

Elia (Toni Servillo) é um psicanalista egoísta que ao ser pressionado por seu médico a fazer exercícios físicos após alguns exames com resultados alterados, se vê obrigado a mudar seus hábitos. 

Sedentário e extremamente crítico em relação a academias, Elia termina contratando a personal trainer Claudia (Verónica Echegui), uma espanhola que se veste como perua e que fala demais. 

Ao mesmo tempo em que cria uma estranha amizade com Claudia, ele também tenta se reaproximar da ex-esposa (Carla Signoris) que mora no apartamento ao lado do seu e que está saindo com um novo namorado. 

Esta comédia começa até de forma interessante, explorando as diferenças entre o contido psicanalista e a expansiva personal trainer. O filme vai bem até pouco depois da metade, quando muda o foco de uma comédia de costumes para um besteirol que envolve um roubo de joias e dois ladrões idiotas. 

Ao ler a sinopse fiquei com um pé atrás, mas mantive a curiosidade pela presença do ótimo Toni Servillo, ator que ficou famoso fora da Itália por causa da parceria com o diretor Paolo Sorrentino em filmes como “Il Divo” e “A Grande Beleza”. 

Resumindo, esta comédia vale apenas pelas atuações de Servillo e da espanhola Verónica Echegui.

domingo, 29 de abril de 2018

Jones, o Faixa Preta

Jones, o Faixa Preta (Black Belt Jones, EUA, 1974) – Nota 6,5
Direção – Robert Clouse
Elenco – Jim Kelly, Gloria Hendry, Scatman Crothers, Eric Laneuville, Alan Weeks, Malik Carter.

No Harlem, a Máfia tem interesse em adquirir um imóvel onde funciona a escola de karatê para negros de Pop Byrd (Scatman Crothers) e para isso utiliza a gangue de Pinky (Malik Carter) para forçar o sujeito a entregar o local. Eles terminam assassinando Pop. 

A filha de Pop, Sydney (Gloria Hendry), se une a Black Belt Jones (Jim Kelly), ex-aluno da escola e que também auxilia a polícia na investigação contra os mafiosos. Jones e Sydney são especialistas em karatê e buscarão vingança. 

Este longa pertence ao gênero conhecido como “Blackexploitation”, uma espécie de movimento nos anos setenta onde atores e diretores negros produziam longas policiais e de ação estrelados por eles mesmos, gerando obras interessantes como o clássico “Shaft” e o próprio “Jones, o Faixa Preta”. 

A ideia do longa provavelmente nasceu um ano antes, quando o diretor Robert Clouse ficou famoso com o sucesso de “Operação Dragão” estrelado por Bruce Lee e que tinha Jim Kelly como coadjuvante. Como Jim Kelly também era lutador, surgiu a oportunidade de explorar o gênero policial com lutas de karatê e ainda pitadas de comédia para lucrar com o público de “Operação Dragão”, além de inserir a bela Gloria Hendry como interesse romântico e parceira nas cenas de luta. 

O curioso é ver até o veterano ator negro Scatman Crothers tentando dar golpes de karatê numa das primeiras cenas do longa.

sábado, 28 de abril de 2018

Sunshine - Alerta Solar

Sunshine – Alerta Solar (Sunshine, Inglaterra / EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Danny Boyle
Elenco – Cillian Murphy, Chris Evans, Rose Byrne, Cliff Curtis, Michelle Yeoh, Hiroyuki Sanada, Benedict Wong, Troy Garity, Mark Strong.

Em 2057, o sol está morrendo e a Terra cada vez mais gelada. Uma missão foi enviada anteriormente e a nave desapareceu no espaço.

Uma segunda missão denominada “Icarus II” carrega uma bomba potente a ser despejada no sol, sendo a última chance de salvar o planeta. Com uma tripulação internacional de oito especialistas, a nave se aproxima de seu destino aparentemente de forma perfeita.

Quando uma surpreendente mensagem da Icarus I é recebida, fica a dúvida entre manter a rota ou desviar o caminho para tentar descobrir o que ocorreu com a missão anterior. 

O diretor inglês Danny Boyle consegue manter a atenção do espectador durante dois terços da história, que se não apresentam surpresas, pelo menos criam um certo suspense em relação ao encontro com a nave perdida. No terço final o roteiro desanda ao colocar em cena um novo personagem e transformar o filme numa espécie de terror B. 

O roteiro tenta explorar a questão filosófica do fascínio do ser humano pelo “Deus Sol”, mas erra feio na forma como o tema é abordado na narrativa. 

A escolha de utilizar a imagem desfocada nas sequências perto do final é de um virtuosismo desnecessário. 

Gosto dos filmes de Danny Boyle, mas infelizmente este deixa a desejar.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Matador em Conflito, O Anjo Assassino & Um Matador em Apuros



Matador em Conflito (Grosse Pointe Blank, EUA, 1997) – Nota 7,5
Direção – George Armitage
Elenco – John Cusack, Minnie Driver, Alan Arkin, Dan Aykroyd, Joan Cusack, Hank Azaria, K. Todd Freeman, Jeremy Piven, Mitchell Ryan, Barbara Harris, Michael Cudlitz.

Martin Blank (John Cusack) é um ex-agente da CIA que se tornou matador profissional. Para lidar com o stress do trabalho, Martin tem sessões com um psiquiatra (Alan Arkin) que o atende com medo de ser assassinado. Quando recebe a proposta para assassinar um sujeito em sua cidade natal chamada Grosse Pointe em Detroit, Martin aproveita para reencontrar a ex-namorada (Minnie Driver) numa reunião de ex-alunos que se formaram há dez anos. Além do serviço, ele terá ainda de enfrentar outro matador (Dan Aykroyd) que deseja fundar um sindicato de assassinos, além de uma dupla de agentes do FBI.

Esta divertida comédia acerta em cheio na dose do humor negro. Os absurdos do roteiro (assassino em crise, sindicato de matadores e muita violência) são retratados de forma engraçada, muito por causa dos ótimos diálogos e do carisma de John Cusack no papel principal. O título original também faz piada. É um trocadilho que misturando o nome da cidade e do protagonista se transforma em “Point Blank”, ou seja, em “À Queima Roupa”. 

É quase um clássico cult dos anos noventa.

O Anjo Assassino (Miami Blues, EUA, 1990) – Nota 6,5
Direção – George Armitage
Elenco – Fred Ward, Alec Baldwin, Jennifer Jason Leigh, Nora Dunn, Charles Napier, Obba Babatunde, Paul Gleason.

Fred (Alec Baldwin) é um ladrão e assassino que ao sair da prisão segue para Miami com o objetivo de continuar sua vida de crimes. Ele rouba o distintivo de um detetive (Fred Ward) que o persegue e utiliza o objeto para se passar por policial, enquanto procura sua ex-namorada que era prostituta (Jennifer Jason Leigh). 

Com cenas violentas e recheado de humor negro, este longa de baixo orçamento se tornou uma espécie de cult no início dos anos noventa. As interpretações bizarras de Alec Baldwin como o assassino psicopata e de Fred Ward como o policial se casam perfeitamente com as cenas de violência. O personagem de Alec Baldwin chega a perder um dedo e roubar a dentadura do policial de Fred Ward. 

É um filme indicado para quem curte obras que beiram o exagero.

Um Matador em Apuros (You Kill Me, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – John Dahl
Elenco – Ben Kingsley, Téa Leoni, Luke Wilson, Dennis Farina, Philip Baker Hall, Bill Pullman, Marcus Thomas.

Frank (Ben Kingsley) é um assassino alcoólatra que trabalha para mafiosos poloneses na cidade de Buffalo. Seu problema com a bebida está atrapalhando sua vida profissional, por isso seu chefe (Philip Baker Hall) o obriga a morar em San Francisco, arrumar um emprego e participar de reuniões do AA. Frank começa a trabalhar em uma funerária e logo se envolve com a bela Laurel (Téa Leoni), que aos poucos se torna a motivação dele mudar de vida. Ao mesmo tempo, seu chefe enfrenta uma guerra contra uma gangue de irlandeses. 

Temos aqui um boa premissa que não foi explorada em todo seu potencial. A história do matador em crise rende algumas boas sequências por causa da interpretação de Ben Kingsley, principalmente sua sinceridade nas reuniões do AA. Por outro lado, personagens como o do padrinho no AA vivido por Luke Wilson e do corretor mafioso de Bill Pullman são pouco explorados. 

É um daqueles filmes que você ri um pouco, mas esquece rapidamente.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

A Melhor Escolha

A Melhor Escolha (Last Flag Flying, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Richard Linklater
Elenco – Steve Carell, Bryan Cranston, Laurence Fishburne, Yul Vazquez, J. Quinton Johnson, Deanna Reed Foster, Cicely Tyson.

Estamos em 2003. Trinta anos após lutar na Guerra do Vietnã, Larry “Doc” Shepherd (Steve Carell) procura e encontra dois ex-companheiros de exército. O debochado Sal Nealon (Bryan Cranston) é dono de um bar. Richard Mueller (Laurence Fishburne) se tornou padre. 

Logo, Doc abre o jogo sobre o motivo de procurar os amigos tantos anos depois. Seu filho morreu na Guerra do Iraque e ele deseja que Sal e Mueller o acompanhem ao enterro do jovem. É o início de uma viagem ao passado. 

Richard Linklater tem um talento nato para escrever diálogos sobre os fatos da vida de uma forma simples e realista. Vários de seus filmes são verdadeiras sessões de terapia. Neste trabalho, Linklater consegue colocar em discussão vários temas sem tomar partido por lado algum, ou melhor, apenas a atitude dos governos em relação a guerra é criticada fortemente. 

Os personagens discutem sobre religião, sexo, relacionamentos, patriotismo e envelhecimento de uma forma que o espectador se identifique com muito do que é falado. Tudo isso ganha pontos pelo ótimo trio principal. 

Steve Carell é o contido protagonista, Bryan Cranston dá um show como o exagerado veterano que sonha em reviver a juventude e Laurence Fishburne encarna o sujeito que encontrou a paz na religião. 

Vale citar a emocionante sequência com a veteraníssima Cicely Tyson, ainda na ativa aos noventa e três anos de idade. 

É um filme sobre as emoções da vida indicado para quem gosta de diálogos bem escritos.    

quarta-feira, 25 de abril de 2018

The Field of Blood

The Field of Blood (The Field of Blood, Inglaterra, 2011 & 2013) – Nota 7,5
Direção – David Kane
Elenco – Jayd Johnson, David Morrissey, Jonas Armstrong, Peter Capaldi, Ford Kiernan, Bronagh Gallagher, Matt Costello.

Glasgow, Escócia, 1982. Paddy Meehan (Jayd Johnson) é uma jovem que trabalha na redação de um jornal local, porém é tratada pelos jornalistas como uma espécie de empregada. 

Sonhando em seguir a carreira de jornalista, Paddy entra em uma encruzilhada quando um garoto de dez anos que é filho de seu primo, termina preso acusado de assassinar outra criança. Paddy acredita que o garoto seja inocente e com a ajuda de outro jornalista (Jonas Armstrong), decide investigar o caso. 

Dois anos depois, em 1994, Paddy conseguiu se tornar jornalista, mas precisa enfrentar uma crise familiar com o desemprego de seu pai e o péssimo relacionamento com a mãe. Para piorar, o jornal em que ela trabalha foi vendido e uma nova diretora ameaça os jornalistas com demissões e os pressiona a escreverem matérias sensacionalistas. 

Esta série dividida em quatro episódios é baseado em livros de Denise Mina, roteirista e escritora de tramas policiais. O ponto principal é focar em como na época era extremamente difícil para uma mulher conseguir se impor em um ambiente hostil como o jornalismo, além de mostrar os profissionais da área como idealistas que se tornam cínicos após acompanharem tragédias e corrupção por anos a fio. 

O roteiro tenta detalhar as complexas relações entre jornalistas, policiais e pessoas que se tornavam alvos de reportagens, além de passar por outros temas como greves, desemprego e relações familiares.

 Os dois episódios da primeira temporada são melhores, com uma trama trágica, porém mais simples. A trama da segunda temporada é mais complicada e ainda entrega um final que deixa alguns ganchos, talvez pensando numa possível terceira temporada que não saiu do papel. 

É uma série para quem tem interesse em saber como funcionava os bastidores de um jornal impresso nos anos oitenta.

terça-feira, 24 de abril de 2018

O Mecanismo

O Mecanismo (Brasil, 2018)
Criador – José Padilha
Elenco – Selton Mello, Caroline Abras, Enrique Diaz, Jonathan Haagensen, Otto Jr, Lee Taylor, Antonio Saboia, Leonardo Medeiros, Giulio Lopes, Sura Berditchevsky, Arhur Kohl.

A Operação Lava Jato escancarou a verdadeira face do Brasil. O maior escândalo de corrupção da história deste país é detalhado com maestria nesta série criada por José Padilha. 

Com os nomes dos personagens alterados, mas facilmente identificados com as pessoas reais, o roteiro de Padilha mostra ponto a ponto como a operação desmantelou (e ainda está desmantelando) um esquema de corrupção bilionário que levou o país a uma crise econômica e criou um verdadeiro clima de guerra entre a população. 

Um dos grandes acertos de Padilha foi imprimir uma narrativa típica de filme policial, explorando a chamada “liberdade artística” para colocar como “heróis” dois policiais obcecados vividos pelo ótimo Selton Mello e pela surpreendente Caroline Abras. 

O personagem de Selton Mello é a alma da série. Sua narração em off descreve a desesperança de um policial que deseja combater a corrupção, mas que precisa enfrentar obstáculos até mesmo entre seus superiores. Sua descrição da corrupção no país como sendo um câncer é perfeita. Os braços da corrupção se estendem do mais alto posto do país, chegando até o funcionário da prefeitura que precisa tapar um buraco na rua. 

É uma série que chegou para registrar este momento histórico, que pode ser o início de um país melhor, mesmo que isso ainda demore muitos anos ou talvez algumas gerações. 

Agora é esperar pela segunda temporada.