terça-feira, 31 de outubro de 2017

Faces da Verdade

Faces da Verdade (Nothing But the Truth, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Rod Lurie
Elenco – Kate Beckinsale, Matt Dillon, Alan Alda, Vera Farmiga, Angela Bassett, David Schwimmer, Courtney B. Vance, Noah Wyle.

O presidente americano sofre uma tentativa de assassinato e pouco tempo depois o país acusa a Venezuela de estar por trás do atentado. 

Alguns meses depois, a jornalista Rachel Armstrong (Kate Beckinsale) escreve uma reportagem divulgando o nome de uma agente da CIA (Vera Farmiga) que havia viajado para Venezuela e não encontrado prova alguma da participação do país no atentado ao presidente. 

A divulgação da matéria transforma as vidas de Rachel e da agente em um inferno. Um promotor especial do governo (Matt Dillon) pressiona Rachel para divulgar sua fonte, que para o governo seria um traidor. Mesmo ameaçada de ir para cadeia, a jornalista decide enfrentar o promotor. 

Baseado livremente no caso da jornalista Judith Miller, que em 2005 foi pressionada para entregar a fonte que teria informado que a invasão ao Iraque foi apoiada em mentiras sobre a posse de armas químicas, este interessante longa vai além do tema da ética jornalística. 

O complexo roteiro explora também o emaranhado jurídico de casos que podem ser enquadrados como ameaça a soberania nacional baseados em leis que foram criadas após os ataques de 11 de Setembro. Processos especiais que tratam os acusados como culpados antes do julgamento se tornaram armas do governo para pressionar até mesmo inocentes. 

Kate Beckinsale entrega uma boa interpretação como a jornalista motivada e fiel aos seus princípios, enquanto Matt Dillon encarna a pior face do Estado. Ele é um promotor ambicioso, arrogante e cruel. 

O resultado é um longa que faz pensar sobre jornalismo, justiça e poder do Estado.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Se Enlouquecer, Não se Apaixone

Se Enlouquecer, Não se Apaixone (It’s Kind of a Funny Story, EUA, 2010) – Nota 7
Direção – Anna Boden & Ryan Fleck
Elenco – Keir Gilchrist, Zach Galifianakis, Emma Roberts, Viola Davis, Lauren Graham, Jim Gaffigan, Zoe Kravitz, Thomas Mann, Jeremy Davies, Matthew Maher, Adrian Martinez, Bernard White.

O depressivo adolescente Craig (Keir Gilchrist) decide ir voluntariamente para um hospital psiquiátrico após sentir vontade de cometer suicídio. Acreditando que seria receitado algum medicamento, Craig se surpreende ao descobrir que precisará ficar pelo menos cinco dias internado para ser avaliado. 

Seus pais (Lauren Graham e Jim Gaffigan) acreditam que seria o melhor para o rapaz. Durante cinco dias, Craig vai entender como a vida é difícil para as pessoas que sofrem de problemas muito mais sérios. Ele fará amizade com o complicado Bobby (Zach Galifianakis) e com a garota Noelle (Emma Roberts), que também estão internados no local. 

Apesar do filme se passar dentro de um local normalmente pesado como um hospital psiquiátrico, o roteiro escrito pela dupla de diretores aborda de forma bem humorada os problemas enfrentados pelos personagens. 

A proposta do roteiro é mostrar que no maluco mundo atual, muitas pessoas criam dramas para problemas pequenos, esquecendo que viver de forma simples é o melhor caminho. O protagonista vivido por Keir Gilchrist é um exemplo desta geração que prefere problematizar do que viver. Vale destacar ainda um contido Zach Galifianakis e a beleza de Emma Roberts. 

O resultado é um longa inofensivo, desses que passam sua mensagem de forma simples.   

domingo, 29 de outubro de 2017

Um Tira no Jardim da Infância & Operação Babá


Um Tira no Jardim de Infância (Kindergarten Cop, EUA, 1990) – Nota 6
Direção - Ivan Reitman
Elenco - Arnold Schwarzenegger, Penelope Ann Miller, Pamela Reed, Linda Hunt, Richard Tyson, Carroll Baker, Cathy Moriarty, Park Overall, Jayne Brook, Richard Portnow, Miko Hughes.

Os policiais Kimble (Arnold Schwarzenegger) e Phoebe (Pamela Reed) estão na caça de um perigoso traficante (Richard Tyson). Para tentar localizar o sujeito, a dupla de policiais se disfarça de professores em uma escola de jardim de infância numa pequena cidade do Oregon, local onde estuda o filho do bandido e sua ex-mulher (Penelope Ann Miller) que vive com novo nome. 

O diretor Ivan Reitman tentou explorar o mesmo filão do sucesso da comédia “Irmãos Gêmeos” que ele comandou dois anos antes com Schwarzenegger e Danny DeVito. O ponto principal foi colocar o grandalhão Schwarzenegger em meio as crianças, resultando em cenas pastelão e diálogos constrangedores. 

O filme fez razoável sucesso e motivou a dupla a se unir novamente em “Júnior”, outra comédia absurda. O longa ainda ganhou uma sequência recente em 2016 com Dolph Lundgreen no papel principal.

Operação Babá (The Pacifier, Canadá / EUA, 2005) – Nota 5,5
Direção – Adam Shankman
Elenco – Vin Diesel, Lauren Graham, Faith Ford, Brittany Snow, Max Thieriot, Chris Potter, Carol Kane, Brad Garrett, Tate Donovan, Chris Potter.

Após falhar na missão de proteger a vida de um cientista que trabalhava para o governo, o agente Shane Wolfe (Vin Diesel) é designado para fazer a segurança da esposa (Faith Ford) e dos quatro filhos da vítima. Além da proteção, Shane precisa ainda encontrar o local onde o cientista teria escondido as informações de um projeto importante. 

A premissa lembra “Um Tira na Jardim de Infância”, com o roteiro tentando extrair risadas da relação de Vin Diesel com as crianças e explorando algumas cenas de ação. É um filme fraco, que funcionaria melhor nos anos oitenta ou noventa, mas que em 2005 já se mostrava cópia pálida e tardia do longa com Schwarzenegger. 

sábado, 28 de outubro de 2017

Planeta dos Macacos: A Guerra

Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes, EUA / Canadá / Nova Zelândia, 2017) – Nota 7,5
Direção – Matt Reeves
Elenco – Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn, Karin Konoval, Amiah Miller, Terry Notary, Ty Olson, Toby Kebbell, Gabriel Chavarria.

Os macacos liderados por Caesar (Andy Serkis) estão vivendo na floresta com a esperança de que os humanos aceitem deixá-los em paz. Acontece exatamente o contrário. 

Um pelotão de soldados comandados por um coronel (Woody Harrelson) ataca sem piedade o acampamento dos macacos, que em seguida precisam fugir. As várias mortes enfurecem Caesar, que abandona seu lado pacifista e parte para a vingança. 

Este longa fecha a ótima trilha que é um prequel da história do clássico “O Planeta dos Macacos” de 1968. O roteiro amarra várias pontas da história entre os dois filmes separados por quase cinquenta anos. 

Aqui vemos como Caesar se transforma em herói para os macacos, entra em cena a garotinha Nova (Amiah Miller) que se torna personagem importante quando adulta, temos ainda o ícone Cornelius ainda criança, personagem que consagraria o falecido Roddy McDowall, além de uma interessante explicação para os seres humanos regredirem, fato assustador mostrado no clássico original. 

Por outro lado, mesmo sendo um bom filme, este obra é inferior aos dois longas anteriores da franquia. A história é muito mais voltada para o drama do que para a ação. Em alguns momentos as emoções se mostram até um pouco piegas. 

Vale destacar novamente a maquiagem e a forma de andar e correr dos macacos, que são extremamente realistas, assim como a interpretação de Andy Serkis, que consegue passar emoção sem mostrar o verdadeiro rosto. 

Para quem não assistiu ao original de 1968, vale a pena conferir para a história ficar ainda mais clara.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Mean Dreams

Mean Dreams (Mean Dreams, Canadá, 2016) – Nota 6,5
Direção – Nathan Morlando
Elenco – Josh Wiggins, Sophie Nélisse, Bill Paxton, Colm Feore, Joe Cobden, Vickie Papavs.

Jonas (Josh Wiggins) vive em uma decadente fazenda com o pai agricultor e a mãe depressiva. Quando a adolescente Casey (Sophie Nélisse) muda para a casa no terreno ao lado, Jonas rapidamente fica atraído pela garota. 

O problema é que o pai da garota é um policial corrupto e violento (Bill Paxton), que faz de tudo para afastar Jonas da filha. Como é impossível controlar adolescentes apaixonados, a situação levará os jovens a um caminho sem volta. 

É basicamente um filme de baixo orçamento que foca em jovens que sonham com uma vida melhor enquanto enfrentam problemas familiares. O roteiro mistura drama, romance e violência, explorando como cenário uma pequena cidade americana e sua isolada zona rural. 

As interpretações da dupla principal são corretas, enquanto Bill Paxton encarna um personagem terrível, em um dos seus últimos trabalhos. Paxton faleceu em fevereiro passado com apenas sessenta e um anos de idade.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Sublime Devoção

Sublime Devoção (Call Northside 777, EUA, 1948) – Nota 7,5
Direção – Henry Hathaway
Elenco – James Stewart, Richard Conte, Lee J. Cobb, Helen Walker, Betty Garde, John McIntire, E. G. Marshall, Joanne De Bergh, Kasia Orzazewski.

Chicago, 1932. A guerra urbana entre bandidos ligados à venda de bebidas clandestinas e policiais está no auge, resultando num grande número de assassinatos. 

A morte de um policial dentro de um bar clandestino leva dois sujeitos de origem polonesa para cadeia. Um deles é Frank Wiecek (Richard Conte), um pai de família que alega inocência. Os dois sujeitos são condenados a noventa e nove anos de cadeia. 

Onze anos depois, a mãe de Frank (Kasia Orzazewski) coloca um anúncio em um jornal oferecendo cinco mil dólares para quem tiver pistas sobre os verdadeiros assassinos. O repórter P. J. McNeal (James Stewart) é praticamente obrigado por seu editor (Lee J. Cobb) a escrever uma matéria sobre o caso. A princípio não acreditando na história, aos poucos McNeal percebe que o pobre Frank pode ser realmente inocente. 

Baseado numa história real, este competente longa dirigido por Henry Hathaway (“Os Filhos de Katie Elder” e o original “Bravura Indômita”) explora temas que continuam atuais. Um dos temas é a pressão que a polícia enfrenta para dar uma resposta a população em tempos violentos, o que muitas vezes leva a acusar inocentes ou jogar a culpa em algum criminoso qualquer. 

Apesar de muitos jornalistas atuais defenderem ideologias ou escreverem matérias que estejam alinhadas com o veículo em que trabalha, ainda existem profissionais que buscam a verdade. O personagem de James Stewart é cínico e desconfiado, mas por outro lado sua integridade é enorme, mesmo tendo de enfrentar pessoas poderosas. 

O resultado é um interessantíssimo drama sobre caráter e honestidade.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Na Mira do Atirador & Campo Minado


Na Mira do Atirador (The Wall, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Doug Liman
Elenco – Aaron Taylor Johnson, John Cena, Laith Nakli.

Iraque, 2007. Próximo ao final da guerra, dois soldados americanos atiradores (Aaron Taylor Johnson e John Cena) estão escondidos esperando a ação de um possível atirador iraquiano que assassinou uma equipe inteira que estava trabalhando na reconstrução de um duto de gás no meio do deserto. Ao acreditarem que o atirador foi embora, eles se movimentam e terminam encurralados e feridos. Enquanto um deles fica desacordado, o outro se esconde atrás de um muro em pedaços. 

O diretor Doug Liman, especialista em filmes de ação como “A Identidade Bourne” e “No Limite do Amanhã”, comanda aqui um longa que vai além da ação e se torna um verdadeiro embate psicológico. As conversas via rádio entre os atiradores resulta em um debate sobre o absurdo da guerra. Até que ponto a disputa entre aqueles sujeitos no meio da nada pode mudar alguma coisa? O fio de história não deixa a trama se desenvolver além disso, mas mesmo assim a narrativa prende a atenção e ainda entrega uma pequena surpresa no final. 

Como informação, este é o primeiro longa produzido diretamente pela Amazon.

Campo Minado (Mine, EUA / Espanha / Itália, 2016) – Nota 6
Elenco – Fabio Guaglione & Fabio Resinaro
Elenco – Armie Hammer, Annabelle Wallis, Tom Cullen, Clint Dyer, Geoff Bell, Juliet Aubrey.

No deserto do Iraque, os soldados Mike (Armie Hammer) e Tommy (Tom Cullen) falham ao tentar assassinar um terrorista e são obrigados a fugir a pé. Atravessando o deserto a caminho de uma remota vila para serem resgatados, os soldados são surpreendidos em uma região repleta de minas terrestres. Tommy morre ao pisar em uma mina, enquanto Mike fica travado ao sentir que também pisou em outra. Sem ter como tirar o pé do local, Mike precisará ficar horas debaixo do sol e do frio noturno esperando o resgate. 

A parte inicial até o momento em que os soldados chegam no campo minado é interessante, incluindo uma razoável cena de ação. A partir daí, a narrativa se arrasta explorando os pensamentos de Mike através de flashbacks que mostram sua vida pessoal e seus traumas. As cenas em que aparece um nativo (Clint Dyer) rendem alguns diálogos que parecem filosofia de botequim. 

É um filme cansativo, que seria melhor se tivesse pelo menos uns vinte minutos a menos.