sábado, 30 de abril de 2016

Ladrões

Ladrões (Takers, EUA, 2010) – Nota 6,5
Direção – John Luessenhop
Elenco – Matt Dillon, Idris Elba, Paul Walker, Hayden Christensen, Jay Hernandez, Michael Ealy, Chris Brown, Tip T.I. Harris, Steve Harris, Johnathon Schaech, Marianne Jean Baptiste, Glynn Turman, Nicholas Turturro, Zoe Saldana.

Após cometer uma grande assalto a banco, a quadrilha de ladrões liderada por Gordon (Idris Elba) e composta por John (Paul Walker), A.J. (Hayden Christensen) e os irmãos Jesse e Jake (Chris Brown e Michael Ealy) se prepara para aproveitar o dinheiro. 

O grupo tem como regra cometer um grande assalto por ano e depois se afastar do crime, deixando as pistas esfriarem, porém quando o ex-companheiro T.I. (Tip T.I. Harris) sai da cadeia e reaparece com uma proposta para um roubo milionário, a ganância fala mais alto. Em paralelo, uma dupla de policiais (Matt Dillon e Jay Hernandez) investigam o assalto ao banco. 

Típico filme policial hollywoodiano, com uma trama razoavelmente bem amarrada, uma narrativa agitada e boas cenas de ação, inclusive com uma ótima perseguição ao estilo parkour com o ator Chris Brown pulando muros, grades e janelas. 

O filme perde pontos pelo furos no roteiro, com muitas situações sendo mascaradas pela ritmo acelerado. Espere também as cenas de tiroteio em câmera lenta, algumas sequências emotivas fajutas e o excesso de cortes lembrando o estilo de Michael Bay. 

É uma diversão passageira, daquelas em que o espectador não precisa pensar.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Clip

Clip (Klip, Sérvia, 2012) – Nota 7
Direção – Maja Milos
Elenco – Isidora Simijonovic, Vukasin Jasnic, Sanja Mikitisin, Jovo Maksic.

Em uma cidade do interior da Sérvia, Jasna (Isidora Simijonovic) é uma adolescente rebelde que odeia a mãe, ignora o pai doente e a irmã pequena. Sua vida se resume a festas, bebidas, drogas e sexo. Apaixonada por um violento jovem (Vukasin Jasnic), Jasna se entrega a relação como se fosse um brinquedo sexual. 

A Sérvia é um país marcado por muitos como o grande vilão da sangrenta Guerra dos Balcãs que esfacelou a antiga Iugoslávia no início dos anos noventa. De lá saíram as milícias que atacavam principalmente bósnios e croatas. 

Esta marca de país violento se reflete no seu cinema, mesmo deixando de lado o exagerado e sanguinário “A Serbian Film”. Outros longas como “Skinning” e “Parada” focam no ódio racial e no preconceito que se disseminou no país durante a guerra. Neste “Clip”, o foco é a juventude atual, que em parte carrega os traços da violência pós-guerra, misturados com as loucuras dos adolescentes. 

A personagem principal é o exagero em pessoa. Seu ódio pela família é demonstrado através da violência nas palavras que dirige para mãe, ao mesmo tempo em que aceita ser “vítima” dos jogos sexuais do garoto, inclusive filmando os atos, sendo alguns de sexo oral explícito. 

A escolha ousada da diretora Maja Milos lembra os filmes do americano Larry Clark (“Kids”, Bully” e “Ken Park”), com o detalhe de que as cenas de sexo se casam perfeitamente com a vida louca da protagonista. 

É um filme forte, que não tem medo de mostrar o lado B da vida adolescente. 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Atraídos Pelo Crime

Atraídos Pelo Crime (Brooklyn’s Finest, EUA, 2009) – Nota 7,5
Direção – Antoine Fuqua
Elenco – Richard Gere, Don Cheadle, Ethan Hawke, Wesley Snipes, Will Patton, Michael Kenneth Williams, Bryan F. O’Byrne, Lili Taylor, Shannon Kane, Ellen Barkin, Logan Marshall Green, Vincent D’Onofrio.

Três policiais que trabalham na violenta periferia do Brooklyn em Nova York enfrentam sérios problemas relacionados a profissão. 

Eddie (Richard Gere) é um policial de uniforme que está prestes a se aposentar. Desiludido com o trabalho e com a vida pessoal, Eddie conta as horas para encerrar a carreira. 

Tango (Don Cheadle) está infiltrado na gangue de traficantes comandada por Caz (Wesley Snipes), mas deseja voltar à vida normal sem prejudicar o sujeito que se tornou seu amigo. 

O terceiro policial é o detetive Sal (Ethan Hawke), que está desesperado para conseguir dinheiro para comprar uma nova casa e assim melhorar a vida da esposa (Lili Taylor) que está grávida de gêmeos e de seus outros cinco filhos. 

A vida de policiais em Nova York beirando a marginalidade é um verdadeiro clichê cinematográfico, porém quando bem explorado pode resultar em um bom filme, como neste caso. 

O diretor Antoine Fuqua (do ótimo “Dia de Treinamento”) consegue acertar o tom nas três narrativas, incluindo em algumas sequências importantes intercalando três ações paralelas, até chegar ao clímax cruzando a vida dos personagens. 

O roteiro de Michael C. Martin aborda situações que aumentam a pressão nas vidas dos policiais e que em algum momento faz com que eles sejam obrigados a tomar decisões extremas. 

O elenco recheado de astros segura muito bem seus papéis. 

O resultado é um competente filme policial.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Sem Ar

Sem Ar (Air, EUA, 2015) – Nota 6
Direção – Christian Cantamessa
Elenco – Norman Reedus, Djimon Hounsou, Sandrine Holt.

Após o holocausto nuclear, restaram alguns abrigos subterrâneos onde pessoas com conhecimentos específicos foram mantidas vivas numa espécie de hibernação, com o objetivo reerguer a civilização na Terra assim que o ar voltar a se tornar respirável. 

Para manter um destes abrigos funcionando, dois técnicos, Bauer (Norman Reedus) e Cartwright (Djimon Hounsou) acordam a cada seis meses para fazer a manutenção dos equipamentos. Após o trabalho, eles voltam a hibernar. Em uma destas manutenções, ocorre um problema com o equipamento. Ao tentar resolver a situação, eles descobrem que a realidade é ainda mais complicada do que parece. 

Bancado por Robert Kirkman e David Alpert, produtores de “The Walking Dead” e protagonizado por Norman Reedus, o “Daryl” do mesmo seriado, este longa de ficção tem um premissa interessante, mesmo não apresentando novidades. 

O roteiro foca basicamente na relação entre os dois protagonistas e na busca pela sobrevivência em um mundo que aparentemente não tem futuro. 

Os computadores e o maquinário do abrigo lembram aparelhos dos anos setenta e oitenta, deixando indefinido qual seria a época em que ocorreu a catástrofe. 

É um filme simples, que prende a atenção de quem gosta do tema e nada mais.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Locke

Locke (Locke, Inglaterra / EUA, 2013) – Nota 7
Direção – Steven Knight
Elenco – Tom Hardy, Olivia Colman, Ruth Wilson, Andrew Scott, Ben Daniels.

Após um dia normal de trabalho, o engenheiro de obras Ivan Locke (Tom Hardy) toma uma decisão radical. Ele resolve viajar de carro de sua cidade Birmingham até Londres. Durante a viagem, Locke conversará pelo telefone do carro com sua esposa, os filhos, com seu braço-direito no trabalho, com o diretor da empresa e com uma personagem que o espera em Londres. 

O diretor Steven Knight (do razoável “Redenção” com Jason Statham) consegue prender a atenção do espectador durante quase uma hora e meia tendo apenas o ator Tom Hardy em cena dirigindo seu carro na estrada. Os demais personagens conversam com o protagonista apenas por telefone, todos sofrendo consequências pela atitude do sujeito. 

O interessante é que o dilema enfrentado pelo protagonista é consequência de um erro, aparentemente o único passo em falso que cometeu na vida, porém a forma que ele encontra para resolver a situação é discutível, deixando a questão: É melhor mentir para manter a vida perfeita ou contar a verdade para ter a consciência limpa tendo de arcar com as consequências? 

É um longa que faz pensar, indicado para o cinéfilo que gosta de tramas com enfoque original. 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Sr. Holmes

Sr. Holmes (Mr. Holmes, Inglaterra / EUA / Japão, 2015) – Nota 7,5
Direção – Bill Condon
Elenco – Ian McKellen, Laura Linney, Milo Parker, Hiroyuki Sanada, Hattie Morahan, Patrick Kennedy, Roger Allam.

Com mais de noventa anos de idade, o aposentado detetive Sherlock Holmes (Ian McKellen) vive em uma casa numa vila do litoral inglês, tendo apenas a companhia de uma governanta (Laura Linney) que tem uma filho pré-adolescente chamado Roger (Milo Parker). 

Sofrendo com os problemas da idade, principalmente com falhas na memória, Holmes tenta relembrar os detalhes de seu último caso, para entender porque abandonou a carreira. 

O diretor Bill Condon e o astro Ian McKellen repetem aqui a parceria do ótimo “Deuses e Monstros” que eles fizeram em 1998. Os dois longas tem algumas semelhanças, principalmente ao mostrar o final da vida de personagens que foram famosos, além do relacionamento do protagonista com a governanta e o flerte com a juventude perdida. 

Neste longa, a narrativa se divide em três pontos. A primeira segue a velhice de Holmes (no caso, meados dos anos setenta) e sua luta contra as dificuldades da perda de memória. A segunda narrativa volta alguns meses e descreve a viagem que Holmes fez ao Japão à procura de uma erva que ajudaria no seu problema de memória. A terceira trama se passa em 1947 e em flashbacks desvenda o fatídico caso que marcou a vida do detetive, envolvendo um casal em crise. 

Depois de encher o bolso dirigindo dois filmes da saga ”Crespúsculo”, Bill Condon decidiu investir em um tema muito mais interessante, entregando uma sensível obra valorizada pela marcante interpretação de Ian McKellen e pela ótima reconstituição de época, inclusive nas cenas no Japão.  

domingo, 24 de abril de 2016

Trocando os Pés

Trocando os Pés (The Cobbler, EUA, 2014) – Nota 5,5
Direção – Tom McCarthy
Elenco – Adam Sandler, Cliff “Method Man” Smith, Steve Buscemi, Melonie Diaz, Dustin Hoffman, Ellen Barkin, Lynn Cohen, Yul Vazquez, Fritz Weaver.

Max Simkin (Adam Sandler) é o dono de uma antiga sapataria em Nova York. O estabelecimento pertence a família de Max há quatro gerações. Mesmo assim, Max é um sujeito solitário e desiludido com a vida, que cuida da velha mãe (Lynn Cohen). 

Quando um bandido (Cliff “Method Man” Smith) deixa os sapatos em sua loja para trocar o solado, Max precisa utilizar uma velha máquina que está no subsolo. Após recuperar o calçado, Max decide experimentá-lo e para sua surpresa, descobre que a máquina transformou os sapatos em algo especial, que pode mudar sua vida. 

É difícil acreditar que Tom McCarthy, o mesmo diretor e roteirista do vencedor dos Oscar “Spotlight”,  seja o responsável por este filme maluco com uma história absurda e um final totalmente bobo. 

Antes de assistir, eu imaginava um drama com pitadas de comédia baseadas em uma família judia, mas para minha surpresa, logo surgiu a história dos “sapatos mágicos”. 

A primeira parte quando o personagem de Sandler tenta usufruir das vantagens do poder da máquina e consequentemente dos sapatos é até interessante, porém tudo desaba quando o roteiro insere a questão da especulação imobiliária e uma trama policial sem pé nem cabeça. 

As comédias idiotas com Sandler eu já desisti há bastante tempo, mas aqui esperava algo mais. Considero Adam Sandler até um ator razoável, porém suas escolhas de papéis são quase sempre ruins.