quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Um Caminho Para Recomeçar

Um Caminho Para Recomeçar (The Open Road, EUA, 2009) – Nota 7,5
Direção – Michael Meredith
Elenco – Jeff Bridges, Justin Timberlake, Kate Mara, Mary Steenburgen, Harry Dean Stanton, Ted Danson, Lyle Lovett.

O jovem jogador de baseball Carlton Garrett (Justin Timberlake) está desanimado com a carreira e fica ainda mais preocupado quando sua mãe (Mary Steenburgen) precisa fazer um cirurgia no coração. 

Antes de ir para mesa de operação, ela deseja rever seu ex-marido Kyle (Jeff Bridges), um astro aposentado do baseball. O problema é que Carlton não fala com o pai há cinco anos, mas para satisfazer a mãe, ele resolve buscar o pai e leva consigo a ex-namorada Lucy (Kate Mara), que também é sua melhor amiga. 

O reencontro de pai e filho não será fácil, principalmente por um problema que faz com o que trio tenha de atravessar o país de carro. A viagem se torna uma espécie de terapia, onde problemas não solucionados e frustrações vem à tona. 

O filme teve críticas ruins, porém mesmo utilizando clichês do gênero, tem uma história agradável e personagens simpáticos. Até mesmo os dramas são discutidos com um certo bom humor, sem tornar a história pesada. O destaque é o veterano Jeff Bridges, que interpreta um sujeito falastrão que adora ser o centro das atenções.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Morte Passou Por Perto

A Morte Passou Por Perto (Killer’s Kiss, EUA, 1955) – Nota 7
Direção – Stanley Kubrick
Elenco – Frank Silvera, Jamie Smith, Irene Kane, Jerry Jarrett.

O decadente boxeador Vincent Rapallo (Frank Silvera) perde sua última luta e decide voltar para sua cidade. Antes disso, ele vê sua vizinha (Irene Kane) sendo atacada por um sujeito (Jamie Smith) e tenta ajudá-la, começando uma relação com a jovem. O problema é que o homem que a atacou é seu patrão, um gângster obcecado pela garota. 

Este longa é um típico filme de baixo orçamento dos anos cinquenta que aproveitava o estilo noir. Na época foram produzidos vários filmes B neste formato, geralmente com curta duração (este tem pouco menos de 70 minutos) com histórias sobre o submundo e personagens marginais. 

O diferencial deste trabalho é a direção de Stanley Kubrick antes da fama. Apesar deste trabalho ser hoje cultuado, seu primeiro filme com algum destaque foi “O Grande Golpe”,  longa produzido no ano seguinte (1956) tendo como trama um assalto ao jóquei clube.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Meu Primo Vinny - A Zebra no Oscar

Meu Primo Vinny (My Cousin Vinny, EUA, 1992) – Nota 7
Direção – Jonathan Lynn
Elenco – Joe Pesci, Ralph Macchio, Marisa Tomei, Mitchell Whitfield, Lane Smith, Fred Gwynne, Bruce McGill, Maury Chaykin, James Rebhorn.

Ontem tentei assistir ao Oscar e novamente não tive paciência para ver até o final. As sátiras criadas especificamente para a cerimônia e as piadinhas estilo sitcom me cansam, além dos intermináveis intervalos comerciais. Há muitos anos que o Oscar se transformou de uma entrega de prêmios para um programa de tv, que precisa ter audiência para agradar aos anunciantes. Outra situação totalmente sem graça para o meu gosto é o chamado “Tapete Vermelho”, que é recheado de entrevistas fúteis, com sorrisos falsos e comentários de “especialistas” sobre as roupas das estrelas. 

Depois de falar mal do Oscar (rs) e para fugir do senso comum, nesta postagem comento sobre uma das maiores zebras da entrega do prémio, a vitória de Marisa Tomei como Atriz Coadjuvante por “Meu Primo Vinny”. Se na época existia aposta em dinheiro sobre o prêmio, alguém deve ter ficado rico com este resultado. Nada indicava que Marisa Tomei poderia vencer, já que ela disputava com quatro famosas atrizes: A australiana Judy Davis e as britânicas Vanessa Redgrave, Joan Plowright e Miranda Richardson. 

O filme era um comédia competente, porém simples, sobre dois amigos (Ralph Macchio e Mitchell Whitfield) que acabam presos por engano no Alabama e resolvem chamar um primo falastrão (Joe Pesci), que é formado em direito, mas nunca trabalhou como advogado. Marisa Tomei interpretava a namorada de Joe Pesci, uma jovem exagerada que fazia o tipo burra e gostosa. 

O ponto principal do filme era Joe Pesci, que interpretava um malandro que usava a lábia para tentar salvar os garotos da cadeia, já que o eterno “Karatê Kid” Ralph Macchio estava em declínio na carreira, o que se confirmou rapidamente. 

Para completar, até este filme, Marisa Tomei tinha feito apenas pequenas participações no cinema e na tv, sendo seu único papel de algum destaque, a filha de Sylvester Stallone na fracassada comédia “Oscar – Minha Filha Quer Casar”. 

Como curiosidade, existe uma lenda sobre esta premiação, onde alguns acreditam que o grande Jack Palance quando anunciou a vencedora do prêmio, apenas repetiu o nome da última candidata, dando a vitória para Marisa Tomei por engano.    

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Paixões Sem Destino & O Crime que o Mundo Esqueceu


Nesta postagem comento dois filmes em algum produtor ou diretor resolveu transformar Nick Nolte e DebraWinger em par romântico, mesmo que sejam filmes mais voltados para o drama.

Na época, Nick Nolte era um ator em ascensão com o sucesso de "48 Horas" ao lado de Eddie Murphy e Debra Winger além de linda, era uma estrela após sucessos como "A Força do Destino" e "Laços de Ternura", mas nada indicava que os dois poderiam funcionar como par romântico nas telas, o que foi confirmado com estes dois filmes apenas razoáveis.

Paixões Sem Destino (Cannery Row, EUA, 1982) – Nota 6,5
Direção – David S. Ward
Elenco – Nick Nolte, Debra Winger, Audra Lindley, Frank McRae, M. Emmet Walsh.

Durante a Depressão Americana, Doc (Nick Nolte) é um biólogo que vai trabalhar na pequena Cannery Row, uma cidade decadente à beira do mar. Logo ele se envolve com Suzy (Debra Winger), mulher de personalidade forte, que fora prostituta e hoje é dona de um bar. Nasce entre os dois uma complicada paixão em meio a pobreza e falta de perspectivas da época. 

Este interessante drama de época é baseado num livro de John Steinbeck, que dedicou grande parte de sua carreira a escrever sobre as dificuldade de se viver nos anos trinta nos Estados Unidos, quando o país vive uma gigantesca crise econômica.

O Crime que o Mundo Esqueceu (Everybody Wins, EUA, 1990) – Nota 6
Direção – Karel Reisz
Elenco – Nick Nolte, Debra Winger, Will Patton, Judith Ivey, Kathleen Wilhoite, Jack Warden, Frank Converse, Frank Military.

Um detetive (Nick Nolte) é contratado por um prostituta de luxo (Debra Winger) que tem caso com vários homens influentes, para investigar um assassinato que levou um jovem (Frank Military) a cadeia, mas que ela diz ser inocente. O detetive acaba se envolvendo com a prostituta que tem um distúrbio de múltipla personalidade e se meterá numa teia de mentiras. 

Apesar do bom elenco e da história baseada em um conto de Arthur Miller, o falecido diretor theco Karel Reisz não consegue dar vida a trama, que parece nunca engrenar, um dos motivos talvez seja a falta de química entre o casal Nolte/Winger. O resultado final frustra em virtude de ser uma história com potencial para render um filme bem mais interessante.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Fuga de Nova York

Fuga de Nova York (Escape From New York, EUA / Inglaterra, 1981) – Nota 10
Direção – John Carpenter
Elenco – Kurt Russell, Lee Van Cleef, Ernest Borgnine, Donald Pleasence, Isaac Hayes, Harry Dean Stanton, Adrienne Barbeau, Season Hubley, Tom Atkins, Charles Cyphers.

Este é um dos meus filmes favoritos, considero ainda o melhor trabalho da carreira de John Carpenter, que teve seu auge durante dez anos. Entre “Halloween” em 1978 e “Eles Vivem” em 1988, Carpenter fez onze filmes, além dos citados vale lembrar o ótimo “Enigma do Outro Mundo”, “Christine – O Carro Assassino”, “O Príncipe das Sombras” e o criticado porém divertido “Os Aventureiros do Bairro Proibido”. Estes filmes transformaram Carpenter é um diretor cult, já que todos seus trabalhos tinham tramas de filmes B com orçamento baixo e muita criativade, além das sinistras e inconfundíveis trilhas sonoras criadas por ele próprio. 

Em “Fuga de Nova York”, Carpenter consegue reunir todos os detalhes de um filme B e criar um longa que mistura ação e suspense numa história absurda (no melhor sentido da palavra) repleta de personagens carismáticos. A trama se passa em 1997, quando a cidade de Nova York foi transformada em um presídio e isolada completamente pelo rio que cerca a ilha de Manhattan. Todos os bandidos da cidade foram jogados no local numa espécie de prisão perpétua. 

O que parecia ser uma solução contra a criminalidade, se torna um grande problema quando o avião do Presidente Americano (Donald Pleasence) cai na ilha e o chefão do local, Duque (o falecido cantor Isaac Hayes, que fazia também a voz do Chefe em “South Park”) o faz de refém. Para complicar ainda mais a situação, o Presidente carrega uma importane fita que acabaria com um iminente conflito mundial. 

Sem ter como invadir o local para resgatar o Presidente, o chefe de segurança Hauk (Lee Van Cleef) chama um ex-combatente que está preso, Snake Plissken (Kurt Russell) e oferece a liberdade para o sujeito, desde que ele traga o Presidente em menos de 22 horas. O rebelde Snake aceita, mas recebe em seu corpo uma droga para não tentar fugir. Ele terá apenas as 22 horas para voltar com o Presidente e receber o antídoto. Todos estes detalhes surgem em apenas quinze minutos de filme, a partir daí começa a correria de Snake para cumprir a missão. 

Além do grande desempenho de Kurt Russell, outro ponto positivo são os diversos personagens que aparecem na tela. Temos os já citados Lee Van Cleef como o policial durão, o veterano Donald Pleasence como o Presidente e Isaac Hayes como o bandidão Duque. Completando o elenco temos Ernest Borgnine como um taxista no meio de uma Nova York destruída, Harry Dean Stanton como um cientista conhecido como “Cérebro” e sua esposa vivida por Adrienne Barbeau, que na época era casada com o diretor John Carpenter. 

Apesar do baixo orçamento, as cenas de ação são bem legais, como por exemplo o pouso do aeroplano no World Trade Center e a sequência final da perseguição na ponte do Brooklin. 

Um clássico cult absoluto.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fronteira da Violência

Fronteira da Violência (The Border, EUA, 1982) – Nota 6
Direção – Tony Richardson
Elenco – Jack Nicholson, Harvey Keitel, Valerie Perrine, Warren Oates, Elpidia Carrillo, Shannon Wilcox.

Charlie Smith (Jack Nicholson) trabalha como policial da imigração em Los Angeles e recebe um salário baixo. A situação desagrada a fútil esposa Marcy (Valerie Perrine), que acaba quase obrigando o marido a pedir transferência para El Paso, na fronteira com o México, onde uma amiga conseguiu uma bela casa para o casal morar. 

Mesmo sendo bem recebido pelos companheiros em El Paso, Charlie não está feliz. Sua esposa resolve gastar muito sem se preocupar com o que ele recebe e seu novo parceiro, Cat (Harvey Keitel), participa de um esquema onde recebe dinheiro para ajudar um grupo que cobra dos imigrantes ilegais para atravessá-los pela fronteira. Para complicar ainda mais a situação, Charlie resolve ajuda a jovem imigrante Maria (Elpidia Carrillo) que teve o filho seqüestrado. 

Este drama policial produzido há trinta anos toca num tema ainda extremamente atual, a imigração ilegal na fronteira México/Estados Unidos e toda a corrupção e violência que existe na região. Apesar do tema ser rico, a condução da trama é irregular, provavelmente pela direção do falecido inglês Tony Richardson, que não tem ligação alguma com o assunto, tendo como seu principal sucesso a comédia “As Aventuras de Tom Jones”. 

Os personagens tão são mal explorados, com exceção de Nicholson que interpreta bem o policial desanimado com a vida e a carreira, que procura algum sentido ao ajudar a jovem Maria, enquanto o restante do elenco é puro clichê. Harvey Keitel faz o sujeito corrupto, aquele personagem em que o espectador percebe rapidamente que existe algo de errado, Valerie Perrine repete seu irritante papel de mulher chata que lhe deu alguma fama como a amante de Lex Luthor no original “Surperman” e ainda temos o desperdício do bom ator e também falecido Warren Oates, que pouco aparece na história. 

Como curiosidade, a jovem mexicana Elípidia Carrillo trabalhou no primeiro “O Predador”, sendo a única mulher de um elenco recheado de brutamontes naquele filme.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cabana do Inferno

Cabana do Inferno (Cabin Fever, EUA, 2002) – Nota 6,5
Direção – Eli Roth
Elenco – Rider Strong, Jordan Ladd, James De Bello, Cerina Vincent, Joey Kern, Arie Verveen, Giuseppe Andrews.

Um grupo de cinco amigos de faculdade decide passar alguns dias de férias em uma cabana no meio de uma floresta. Enquanto um casal fica na cabana fazendo sexo, os outros três resolvem caçar esquilos e acabam cruzando com um sujeito (Arie Verveen) que está sangrando e com a pele cheia de feridas. O grupo afugenta o homem que morre dentro de um riacho, contaminando a água que transmitirá um estranho vírus para os jovens, transformando as férias em terror. 

Este longa é a estréia de Eli Roth (“O Albergue I e II”) na direção e já mostra o seu gosto por sangue, violência e sexo em altas doses, acima do normal dos típicos filmes de terror atuais. 

Apesar dos personagens caricatos, o filme fez grande sucesso e tem alguns detalhes interessante, como utilizar como vilão uma ameaça mais real que o sobrenatural comum a estas produções e as boas locações na floresta. 

Como curiosidade, James De Bello e Giuseppe Andrews trabalharam juntos três anos antes na simpática comédia “Detroit Rock City”.

O filme teve uma continuação em 2009 sem Eli Roth.