domingo, 6 de março de 2011

Conduta Ilegal


Conduta Ilegal (ZigZag, EUA, 2002) – Nota 6
Direção – David S. Goyer
Elenco – John Leguizamo, Sam Jones III, Wesley Snipes, Oliver Platt, Natasha Lyonne, Luke Goss, Sherman Augustus, Abraham Benrubi.

O jovem ZigZag (Sam Jones III) tem quinze anos e um desenvolvimento mental comprometido, porém tem grande facilidade com números. Ele vive num bairro pobre com o violento pai (Wesley Snipes) e trabalha na lanchonete do mal humorado Toad (Oliver Platt), sendo mal tratado nos dois locais. 

Seu único amigo é Singer (John Leguizamo), que trata o jovem como irmão e tenta protegê-lo das coisas ruins do bairro, porém a ingenuidade do garoto faz com que ele participe de um roubo do cofre de Toad, utilizando sua facilidade em decorar números. Quando Singer descobre, tenta ajudar o garoto a devolver o dinheiro para que ele não seja preso e não fique marcado para morrer pelos outros que participaram do roubo, o que não será fácil.

O longa é um drama mediano com toques de policial, que mostra como ponto principal uma família desestruturada vivendo num bairro violento, onde as más companhias estão sempre por perto e as conseqüências disso na vida de um garoto que necessita de atenção especial.

sábado, 5 de março de 2011

O Estado das Coisas


O Estado das Coisas (Der Stand der Dinge, Alemanha Ocidental / Portugal / EUA, 1982) – Nota 6
Direção – Wim Wenders
Elenco – Patrick Bauchau, Isabelle Weingarten, Samuel Fuller, Allen Garfield, Roger Corman.

O diretor alemão Friedrich Munro (Patrick Bauchau) está filmando um longa numa cidade litorânea de Portugal, quando descobre que os rolos de filme acabaram e o produtor desapareceu. Durante alguns dias, ele e equipe de filmagem, além dos atores, ficam à espera da volta do produtor, o que não acontece. O primeiro a deixar o local é o câmera Joe (o também diretor Samuel Fuller), que tem certeza que o filme ficará inacabado e precisa voltas aos EUA para cuidar da esposa que está doente. Em seguida, o diretor resolve viajar para Los Angeles em busca do produtor e descobrir o porquê do seu desaparecimento. 

O filme é uma crítica ao funcionamento do cinema americano, com o diretor alemão Wim Wenders criando um personagem que pode ser considerado seu alter ego e que também homenageia o diretor alemão do cinema mudo F. W. Murnau, que fez o clássico “Nosferatu” nos ano trinta. 

A idéia é interessante, porém hoje a história parece envelhecida, com um primeira parte lenta onde praticamente nada acontece e um sequência final em Los Angeles que tenta ser crítica, mas acaba se tornado decepcionante. O destaque desta parte final é a participação de Allen Garfield interpretando o produtor falastrão.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O Preço da Paixão & Mrs. Soffel


Nesta postagem escrevo sobre dois dramas estrelados por Diane Keaton nos anos oitenta. Ela ficou conhecida nos anos setenta por papéis nos dois "O Poderoso Chefão", trabalhou também em diversos filmes de Woody Allen, com quem teve um relacionamento na época e direcionou quase toda sua carreira para apenas dois gêneros: Drama e comédia.

O Preço da Paixão (The Good Mother, EUA, 1988) – Nota 7
Direção – Leonard Nimoy
Elenco – Diane Keaton, Liam Neeson, Jason Robards, Ralph Bellamy, James Naughton, Teresa Wright, Joe Morton, Katey Sagal, Asia Vieira.

Anna Dunlop (Diane Keaton) após sete anos de casamento com Brian (James Naughton), decide se separar e viver apenas com a filha pequena Molly (Asia Vieira). Anna teve uma criação moralista e por isso nunca criou uma relação forte com o marido. Após a separação, ela se envolve com o escultor irlandês Leo (Liam Neeson), com quem descobre o prazer que não conhecia. A situação se complica quando o ex-marido entra na justiça para ter a guarda da filha, alegando que Leo abusou da menina. 

Este drama dirigido pelo “Dr. Spock” Leonard Nimoy, toca em uma tema polêmico, mostrando até que ponto a liberdade sexual de um casal pode ser considerada irresponsável quando uma criança é testemunha. Este tema, mais o da descoberta do prazer por parte de um mulher com mais de quarenta anos, as rusgas ao fim de uma relação e as consequências familiares são discutidas sem se aprofundar, com um pouco de distância. Vale pela sóbria interpretação de Diane Keaton. 

Mrs. Soffel (Mrs. Soffel, EUA, 1984) – Nota 6
Direção – Gillian Armstrong
Elenco – Diane Keaton, Mel Gibson, Matthew Modine, Edward Herrmann, Trini Alvarado, Harley Cross, Terry O’Quinn, Maury Chaykin, Dana Wheeler Nicholson.

No início do século XX, Kate Soffel (Diane Keaton) é a esposa de Warden Peter (Edward Herrmann), diretor de uma penitenciária de segurança máxima. Kate tem o hábito de andar pelo local e ler trechos da bíblia para os detentos. Numa dessas leituras, ela se aproxima dos irmãos Biddle, o charmoso Ed (Mel Gibson) e o caçula Jack (Matthew Modine), que alegam terem sido condenados injustamente à morte por roubo e assassinato. Aos poucos Kate se apaixona por Ed e acaba ajudando na fuga dos irmãos. 

Este drama de época tem como pontos fortes as interpretações de Diane Keaton como a esposa insatisfeita e Mel Gibson como o sujeito que usa o charme para tentar escapar da morte. É um longo um pouco frio, que vale apenas como curiosidade.                                                  


quinta-feira, 3 de março de 2011

Conspiração do Silêncio


Conspiração do Silêncio (Bad Day at Black Rock, EUA, 1955) – Nota 8
Direção – John Sturges
Elenco – Spencer Tracey, Robert Ryan, Anne Francis, Dean Jagger, Walter Brennan, Lee Marvin, Ernest Borgnine, John Ericson, Russell Collins, Walter Sande.

Em 1945, dois meses após o final da Segunda Guerra, John J. Macreedy (Spencer Tracy), um sujeito de apenas um braço, desce do trem na estação da minúscula Black Rock. Como o trem não parava naquela estação há quatro anos, os moradores ficam surpresos e curiosos. Quando Macreedy diz que está procurando o japonês Komoko, algumas pessoas ficam assustadas e chamam Reno Smith (Robert Ryan), espécie de chefão da cidade, que guarda um segredo sobre o desaparecimento de Komoko. Sentindo que o forasteiro possa descobrir o que houve, Reno tenta intimidar o homem utilizando dois capangas (Ernest Borgnine e Lee Marvin), o que levará a um final trágico. 

Este pouco conhecido filme de John Sturges ("Sete Homens e um Destino") é competente ao dosar drama, policial e suspense, numa história que prende a atenção e um elenco de primeira. A curta duração (menos de uma hora e meia) casa perfeitamente com o tamanho da cidade, deixando concisa a história que se passa num único dia. 

Como curiosidade, o diretor cria um sequência de luta onde provavelmente pela primeira vez o kung fu tenha sido usado num filme americano com grandes atores.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Xeque-Mate


Xeque-Mate (Lucky Number Slevin, EUA / Alemanha, 2006) – Nota 7,5
Direção – Paul McGuigan
Elenco – Josh Hartnett, Bruce Willis, Lucy Liu, Morgan Freeman, Ben Kingsley, Stanley Tucci, Peter Outerbridge, Mikelti Williamson, Dorian Missick, Danny Aiello, Sam Jaeger.

As coisas andam ruins para Slevin Kelevra (Josh Hartnett). Após ter sua carteira roubada e seu edifício estar condenado, ele ainda encontra a namorada na cama com outro sujeito. Totalmente perdido, ele se hospeda no apartamento de um amigo, Nick Fisher (Sam Jaeger), mas o que era complicado piora quando o assassino profissional Goodkat (Bruce Willis) confunde Slevin com seu amigo Nick, que deve muito dinheiro de apostas ao Chefe (Morgan Freeman). A idéia do Chefe é fazer com que o devedor Nick mate seu rival nos negócios, conhecido como Rabino (Ben Kingsley) para vingar a morte de seu filho. Além de pegar o sujeito errado, acontecerão várias outras reviravoltas e traições na história, até um desfecho surpreendente. 

No início temos a impressão de ser uma filme cheio de rostos famosos, mas com uma história que não irá a lugar algum, porém o desenrolar da trama prende a atenção e o filme se revela com um roteiro bem bolado. 

O elenco dá conta do recado, com Morgan Freeman e Ben Kingsley perfeitos como os mafiosos rivais, Bruce Willis num bom papel como o assassinato frio e até Josh Hartnett está bem como o protagonista. 

Como curiosidade, o diretor McGuigan havia dirigido dois anos antes o interessante drama romântico “Amor à Flor da Pele”, também com Josh Hartnett no papel principal.

terça-feira, 1 de março de 2011

Blade Runner - O Caçador de Andróides


Blade Runner – O Caçador de Andróides (Blade Runner, EUA, 1982) – Nota 8,5
Direção – Ridley Scott
Elenco – Harrison Ford, Sean Young, Rutger Hauer, Edward James Olmos, M. Emmet Walsh, Joanna Cassidy, Daryl Hannah, Brion James, William Sanderson, James Hong, Joe Turkell.

Num futuro próximo, uma grande corporação cria robôs semelhantes aos humanos, conhecidos como replicantes. Este robôs tem força e agilidade superiores aos humanos e são usados como mão de obra escrava em planetas colonizados, porém a presença deles na Terra é proibida, sendo criado uma equipe de policiais para removê-los (matá-los), os Blade Runners. Quando um grupo de replicantes se rebela e foge para Terra, o ex-Blade Runner Rick Deckard (Harrison Ford) é chamado de volta à ativa para resolver a situação. O problema é que além da dificuldade em enfrentá-los, Deckard sente-se atraído por Rachael (Sean Young), uma replicante que acredita ser humana, o que faz com que ele comece a ver os robôs com outra perspectiva, o que ficará claro na clássica cena final entre Deckard e o replicante Roy Batty (Rutger Hauer). 

Este grande filme é baseado num livro de Philip K. Dick (autor também de “O Vingador do Futuro”) e traz interessantes questões filosóficas sobre humanidade e tecnologia. Estas entrelinhas até certo ponto complexas, ajudaram o longa a fracassar no cinema na época do lançamento, sendo descoberto a fundo poucos anos depois com a explosão do VHS e com uma releitura por parte da crítica, o que alçou o longa a um clássico cult e indispensável. 

O filme tem outros destaques, como a direção de Ridley Scott, o belo desenho de produção e a marcante trilha sonora do grego Vangelis. O elenco também é perfeito, com Harrison Ford criando um ex-policial frio que aos poucos descobre sua humanidade, a bela Sean Young em seu melhor papel da carreira, além do temível vilão interpretado pelo holandês Rutger Hauer e o sinistro policial de Edward James Olmos.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Crimes em Wonderland

Crimes em Wonderland (Wonderland, EUA / Canadá, 2003) – Nota 7
Direção – James Cox
Elenco – Val Kilmer, Kate Bosworth, Dylan McDermott, Josh Lucas, Ted Levine, Carrie Fisher, Tim Blake Nelson, Janeane Garofalo, Franky G, Christina Applegate, Eric Bogosian, Natasha Gregson Wagner, Lisa Kudrow, M. C. Gainey.

Em 1981, o astro pornô John Holmes (Val Holmes) está afundado nas drogas e acaba se envolvendo no assassinato de quatro pessoas dentro de uma casa na Avenida Wonderland em Los Angeles. O mandante do crime foi o palestino Eddie Nash (Eric Bogosian), dono de diversas boates na cidade e que teve sua casa assaltada pelo grupo.

Holmes fica no meio da história, sendo suspeito de ter facilitado a entrada dos bandidos na casa de Nash, local que ele era freqüentador, além de também conviver na casa das pessoas assassinadas, que era um grupo de traficantes e viciados liderados pelo maluco Ron Launius (Josh Lucas). 

O longa é baseado numa história real que nunca foi totalmente esclarecida, sabe-se que John Holmes tinha acesso aos dois locais, mas como vivia drogado quase todo o tempo e Nash era um sujeito que a polícia estava de olho, ele acabou sendo usado pela polícia para tentar incriminar o empresário. 

Para quem não sabe, John Holmes foi o maior astro pornô dos anos setenta e dizia ter dormido com mais de quinze mil mulheres, tendo sido a inspiração do diretor Paul Thomas Anderson para o personagem Dirk Diggler que Mark Wahlberg interpretou em “Boogie Nights”, mas aqui é mostrada sua vida quando ele estava em decadência, o que culminaria em sua morte pela AIDS em 1988. 

O filme fica um pouco a desejar em relação a interessante história, deixando claro que um diretor mais talentoso poderia criar um longa melhor, mas mesmo assim vale a sessão pela grande atuação de Val Kilmer. Como em “The Doors” e alguns outros papéis, aqui Kilmer mostra que é um grande ator e poderia ter tido uma carreira de mais sucesso se não fosse a escolha de papéis ruins em muitos filmes. 

Outro destaque do longa é o elenco cheio de caras conhecidas, como a bela Kate Bosworth que faz a namorada de Holmes na época, uma adolescente ingênua que não entendia o que acontecia a sua volta, Lisa Kudrow no papel da ex-esposa do protagonista, e Dylan McDermott como um motoqueiro que testemunha o crime.