quinta-feira, 7 de março de 2019

Um Segredo Entre Nós

Um Segredo Entre Nós (Fireflies in the Garden, EUA, 2008) – Nota 6,5
Direção – Dennis Lee
Elenco – Ryan Reynolds, Willem Dafoe, Emily Watson, Carrie Anne Moss, Julia Roberts, Ioan Gruffud, Hayden Panettiere, Shannon Lucio, Cayden Boyd, George Newbern.

Um acidente de automóvel termina com a morte de uma pessoa de uma família que estava prestes a se reunir. A tragédia faz segredos e frustrações virem à tona.

Michael (Ryan Reynolds) é o filho mais velho que escreveu um livro sobre a família e que pretende lançá-lo. Aparentemente ele conta segredos da tensa convivência com o pai (Willem Dafoe) quando era criança, das falhas da mãe em protegê-lo (Julia Roberts) e da relação com a tia (Emily Watson). Os fatos da infância de Michael (quando criança vivido por Cayden Boyd) são detalhados em flashbacks. 

A premissa de focar em famílias problemáticas é comum no cinema, muitas vezes rendendo filmes dolorosos ou de redenção. O roteiro do diretor Dennis Lee explora estas situações, porém deixando algumas perguntas sem resposta e criando uma espécie de perdão forçado no final. 

O desenvolvimento da trama é triste, principalmente nas cenas em flashback mostrando como um adulto pode ser cruel com uma criança ao tentar descontar suas frustrações. 

O ótimo elenco tem boas atuações e ajuda a apagar um pouco as falhas do roteiro. O resultado é no máximo mediano.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Filmes Brasileiros - Resenhas Rápidas

O Invasor (Brasil, 2002) – Nota 8 
Direção– Beto Brant 
Elenco – Marco Ricca, Alexandre Borges, Paulo Miklos, Mariana Ximenes, Malu Mader, Chris Couto, George Freire, Sabotage.

Dois engenheiros (Alexandre Borges e Marco Ricca) armam um plano para assassinar o terceiro sócio (George Freire), mas não imaginam que após cometer o crime, o matador profissional (Paulo Miklos) decide se tornar sócio da empresa, transformando a vida da dupla em um pesadelo. Bom filme que mistura drama, suspense e policial com personagens desonestos e ambiciosos. Destaque também para a beleza de Malu Mader interpretando uma garota de programa

O Xangô de Baker Street (Brasil, 2001) – Nota 7
Direção – Miguel Faria Jr
Elenco – Joaquim de Almeida, Marco Nanini, Maria de Medeiros, Anthony O’Donnell, Claudia Abreu, Claudio Marzo, Thalma de Freitas, Caco Ciocler, Marcello Antony, Leticia Sabatella, Emiliano Queiroz, Antonio Pompeo, Jô Soares.

Divertido longa de ficção baseado no livro de Jô Soares que explora uma viagem de Sherlock Holmes (Joaquim de Almeida) ao Rio de Janeiro no século XIX. Os pontos altos são a ótima reconstituição de época e os diálogos que brincam com a diferença de costumes entre Holmes e os brasileiros.  Destaque para a sequência no terreiro de candomblé. O caso policial investigado pelo protagonista é previsível.

Boca de Ouro (Brasil, 1963) – Nota 7,5
Direção – Nelson Pereira dos Santos
Elenco – Jece Valadão, Odete Lara, Daniel Filho, Ivan Cândido, Mauricio do Valle.

Após a morte do excêntrico bicheiro Boca de Ouro (Jece Valadão), um jornalista (Ivan Cândido) tenta fazer uma reportagem sobre sujeito através de uma entrevista com a amante do falecido (Odete Lara). Baseado numa obra de Nelson Rodrigues, o filme detalha a vida bandido Boca de Ouro no submundo do Rio de Janeiro dos anos cinquenta.

O Que é Isso Companheiro? (Brasil, 1997) – Nota 6
Direção – Bruno Barreto
Elenco – Alan Arkin, Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Luis Fernando Guimarães, Nelson Dantas, Matheus Nachtergaele, Caroline Kava, Fisher Stevens, Claudia Abreu, Selton Mello, Fernanda Montenegro, Milton Gonçalves, Caio Junqueira, Eduardo Moscovis.

Em 1969, um grupo revolucionário sequestrou o embaixador americano (Alan Arkin) exigindo a libertação de companheiros que estavam presos por crimes contra o governo. Baseado em um livro do jornalista e político Fernando Gabeira, que participou do sequestro, este longa foi uma tentativa de alçar um produção brasileira ao nível internacional, porém resultou em uma obra comercial no máximo mediana. As poucas cenas de tensão não convencem.

Guerra de Canudos (Brasil, 1997) – Nota 6,5
Direção – Sergio Rezende
Elenco – José Wilker, Paulo Betti, Marieta Severo, Claudia Abreu, Selton Mello, Roberto Bontempo, José de Abreu, Tuca Andrada, Tonico Pereira.

Esta superprodução brasileira resultou em uma obra irregular baseada na história de Antonio Conselheiro (José Wilker) que liderou uma revolução no interior da Bahia no final século XIX e que terminou em tragédia. As quase três de duração são cansativas, assim como as interpretações e a narrativa que não conseguem fugir do estilo das obras para tv. 

Quem Matou Pixote? (Brasil, 1996) – Nota 6
Direção – José Joffily
Elenco – Cassiano Carneiro, Luciana Rigueira, Joana Fomm, Tuca Andrada, Roberto Bomtempo, Maria Luisa Mendonça, Anselmo Vasconcelos.<

O sucesso do filme “Pixote” em 1981 deu chance ao protagonista Fernando Ramos da Silva (Cassiano Carneiro) trabalhar como ator, porém a falta de estudo, de uma família estruturada e seus próprios erros o levaram de volta ao ostracismo, em seguida ao crime e a sua morte aos dezenove anos. O filme tenta romantizar a história real, colocando o jovem como uma vítima do sistema em relação ao fracasso na carreira. Vale citar que do elenco de garotos desconhecidos em “Pixote”, Fernando foi o único que teve chance de fazer uma carreira como ator.

A Maldição do Sanpaku (Brasil, 1991) – Nota 6
Direção – José Joffily
Elenco – Patricia Pillar, Felipe Camargo, Roberto Bomtempo, Sergio Britto, Anselmo Vasconcelos, Rogéria, Jonas Bloch, Nelson Dantas.

Um ladrão pé-de-chinelo (Roberto Bomtempo) rouba uma pedra preciosa e por isso se torna alvo de uma quadrilha. Para tentar se safar, o sujeito envolve no crime seu melhor amigo (Felipe Camargo) e a namorada deste (Patricia Pillar). O longa tenta copiar o estilo noir misturado com a malandragem do brasileiro sem muito sucesso. A narrativa arrastada e a falta de ação também não ajudam. 

Baile Perfumado (Brasil, 1997) – Nota 6
Direção – Paulo Caldas & Lírio Ferreira
Elenco – Duda Mamberti, Luís Carlos Vasconcelos, Aramis Trindade, Chico Diaz, Claudio Mamberti, Giovanna Gold, Jofre Soares.

Década de trinta, nordeste brasileiro. Um vendedor libanês (Duda Mamberti) decide arriscar a vida para filmar o dia a dia do bando de Lampião (Luís Carlos Vasconcelos). O sujeito acredita que o filme o deixará rico assim que Lampião for assassinado. O filme explora a folclórica e violenta história do cangaceiro Lampião através de uma narrativa que insere pitadas de humor. O filme fez sucesso com a crítica, mas está longe de ser uma obra que agrade ao público em geral.

A Terceira Morte de Joaquim Bolivar (Brasil, 2000) – Nota 5
Direção – Flávio Cândido
Elenco – Sérgio Siviero, Othon Bastos, Jonas Bloch, Antonio Pitanga, Maria Lúcia Dahl, Jorge Cherques.

A trama dividida em três épocas (1964, 1979 e 2000) foca na briga entre um barbeiro comunista Joaquim Bolivar (Sergio Siviero) e o Coronel Gaudêncio (Othon Bastos), o homem mais rico de uma cidade fictícia no interior do Rio de Janeiro. O roteiro tenta explorar a questão a corrupção política no país nas épocas citadas em uma trama que em momento algum empolga. É um drama com cara de teatro filmado.

O Quatrilho (Brasil, 1995) – Nota 6
Direção – Fábio Barreto
Elenco – Glória Pires, Patricia Pillar, Alexandre Paternost, Bruno Campos, Gianfrancesco Guarnieri, Claudio Mamberti, José Lewgoy, Cecil Thiré.

Interior do Rio Grande do Sul, 1910. A falta de dinheiro faz com que dois casais decidam morar na mesma casa. Em meio a pobreza, o marido de uma se apaixona pela esposa do outro e o novo casal foge. Os parceiros abandonados precisam enfrentar a situação juntos. A indicação deste drama triste e ao mesmo tempo previsível ao Oscar de Filme Estrangeiro foi um exagero que elevou o patamar do longa para mais alto do que realmente merece. As interpretações novelescas e o ritmo lento atrapalham bastante.

terça-feira, 5 de março de 2019

Risco Duplo & Evidências de um Crime


Risco Duplo (Double Jeopardy, EUA / Alemanha / Canadá, 1999) – Nota 7
Direção – Bruce Beresford
Elenco – Tommy Lee Jones, Ashley Judd, Bruce Greenwood, Annabeth Gish, Roma Maffia, Michael Gaston.

Libby (Ashley Judd) e seu marido Nick (Bruce Greenwood) estão velejando e curtindo o mar. Após uma noite de sono, Libby acorda ensanguentada e com uma faca na mão. Seu marido também desapareceu. Sem saber o que realmente ocorreu, Libby terminada condenada pelo assassinato do marido. Sua melhor amiga (Annabeth Gish) se torna tutora de sua filha pequena. Tempos depois, dentro da cadeia, Libby desconfia que o marido está vivo, mas terá que esperar terminar a pena para descobrir o que realmente ocorreu.

Este misto de policial, drama e suspense explora dois temas principais. A questão da aplicação da lei em relação aos crimes e também a vingança pelas próprias mãos, tema comum no cinema.

O roteiro não apresenta grandes surpresas, inclusive o “Double Jeopardy” do título original se refere a impossibilidade da mesma pessoa ser condenada duas vezes pelo mesmo crime, o que antecipa o final do longa.

Por outro lado, a narrativa ágil e tensa prende a atenção do espectador até a agitada meia-hora final. Além da bela Ashley Judd no auge da carreira, vale destacar Tommy Lee Jones como o agente da condicional. 

É um longa com a cara dos anos noventa.

Evidências de um Crime (Cleaner, EUA, 2007) – Nota 6
Direção – Renny Harlin
Elenco – Samuel L. Jackson, Ed Harris, Eva Mendes, Luis Guzman, Keke Palmer, Maggie Lawson, Jose Pablo Cantillo, Robert Forster.

Tom Cutler (Samuel L. Jackson) é um ex-policial que se tornou dono de uma empresa especializada em limpar cenas de crimes. Ele recebe um pedido para limpar uma casa num bairro de luxo. Um sofá sujo de sangue, assim como o chão da sala e a parede mostram que houve um assassinato. Tom faz o serviço e por acaso leva consigo a chave da casa. No dia seguinte ele volta para devolvê-la e encontra a dona da casa (Eva Mendes) que não sabe o que aconteceu e que diz que seu marido está viajando. É o início de um perigosa história para Tom. 

Este é mais um filme com uma premissa interessante e um pouco diferente ao focar em um “limpador” como protagonista. Infelizmente o que aparentemente seria uma trama complexa se revela em algo previsível e repleto de clichês. Fica fácil descobrir quem está por trás da armação, a única dívida é a questão da motivação. 

O roteiro ainda tenta inserir questões como corrupção no alto escalão da polícia e um segredo que o personagem de Samuel L. Jackson carrega, porém as duas subtramas são mal desenvolvidas. 

Os pontos positivos são as criativas cenas em que o diretor Renny Harlin coloca a câmera em ângulos inusitados e a sempre forte presença de Samuel L. Jackson. No restante é um filme que deixa a desejar.

segunda-feira, 4 de março de 2019

Música e Rebeldia

Música e Rebeldia (Not Fade Away, EUA, 2012) – Nota 7
Direção – David Chase
Elenco – John Magaro, Bella Heathcote, Jack Huston, Will Brill, Brahm Vacarella, Gregory Perry, James Gandolfini, Molly Price, Meg Guzulescu, Christopher McDonald, Brad Garrett, Isiah Whitlock Jr.

Anos sessenta, subúrbio de Nova Jersey.

Doug (John Magaro) abandona a universidade para tentar a sorte com um grupo de rock formado com alguns amigos.

Sua atitude desagrada muito seus pais (James Gandolfini e Molly Price).Doug também se envolve com a bela Grace (Bella Heathcote). 

O roteiro escrito pelo diretor David Chase, um dos responsáveis pela série “The Sopranos”, foca nas mudanças de comportamento dos jovens dos anos sessenta e o conflito de gerações com os pais conservadores. 

O personagem de John Magaro não tem medo de buscar seus sonhos, porém pelo caminho surgem obstáculos comuns da vida adulta. As divergências com os amigos da banda, a questão do comportamento sexual da namorada que era avançada para a época e a difícil relação com os pais que tinham um modo completamente diferente de encarar a vida. 

O roteiro foca também nas frustrações do casamento, que na época para muitas pessoas era algo indissolúvel.

As boas sequências musicais com a banda do protagonista é outro destaque.

É um filme bem interessante sobre um período de transição nos costumes, em que a vida era bem diferente dos dias atuais.

domingo, 3 de março de 2019

Robin Williams: Come Inside My Mind

Robin Williams: Come Inside My Mind (Robin Williams: Come Inside My Mind, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Marina Zenovich
Documentário

O suicídio de Robin Williams em 2014 deixou o mundo do cinema chocado. Este documentário detalha sem grandes surpresas a vida e a carreira do comediante e ator. 

Com depoimentos de amigos como o ator Billy Crystal, os diretores Mark Romanek e Bobcat Goldthwait, a atriz Pam Dawber que foi sua parceira na sitcom “Mork & Mindy” e que fala do amigo de forma emocionada, além de sua primeira esposa Valerie Velardie, descobrimos que Robin era um sujeito preocupado em fazer todas as pessoas ao seu redor darem risadas. Esta obsessão pela comédia também era um aparente motivo de angústia do ator. 

O doc recupera diversas cenas de shows de stand up em que um agitado Robin parecia uma metralhadora de piadas. A descoberta de uma doença degenerativa e de uma possível segunda moléstia que jamais foi confirmada, levaram o ator a depressão e por fim ao suicídio. 

O doc vale como registro de vida e carreira de um dos maiores comediantes da história do cinema, que por sinal também era um ótimo ator para papéis dramáticos.

sábado, 2 de março de 2019

Parallels

Parallels (Parallels, EUA, 2015) – Nota 6
Direção – Christopher Leone
Elenco – Mark Hapka, Jessica Rothe, Eric Jungmann, Constance Wu, Yorgo Constantine, Davi Jay, Michael Monks.

Ronan (Mark Hapka) e sua irmã Beatrix (Jessica Rothe) estão afastados há algum tempo. Os dois se reencontram na casa do pai, que deixou um estranho recado no celular pedindo para eles o encontrarem em um edifício no centro da cidade. 

Sem saber o que o pai deseja, os irmãos e o vizinho Harold (Eric Jungmann) seguem para o endereço indicado, que está abandonado. 

Pouco tempo após entrarem no local, um aviso sonoro e um tremor faz eles saírem correndo do edifício. Para surpresa geral, eles descobrem que estão numa cidade destruída, possivelmente uma versão paralela da Terra. 

Esta ficção de baixo orçamento apresenta uma premissa interessantíssima ao transformar um edifício em uma espécie de portal entre mundos. A primeira parte em que os personagens são jogados neste mundo paralelo é recheado de suspense, porém ao mesmo tempo surgem algumas escolhas bobas do roteiro. 

Conforme a trama avança, as falhas ficam mais claras e também a curiosidade do espectador aumenta. Infelizmente a história termina sem uma solução. 

Informações da época do lançamento citam que o filme poderia ser o piloto de uma série. Muito provavelmente o diretor e o produtor esperavam chamar a atenção de algum canal de tv para comprar a história e bancar uma série, o que acabou não acontecendo. 

Fica a decepção de uma premissa com grande potencial que foi desperdiçada.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Perversa Paixão

Perversa Paixão (Play Misty for Me, EUA, 1971) – Nota 7
Direção – Clint Eastwood
Elenco – Clint Eastwood, Jessica Walter, Donna Mills, John Larch, Clarice Taylor, Don Siegel.

Dave Garver (Clint Eastwood) é um famoso DJ de uma rádio na cidade de Carmel na Califórnia. Comandando um programa noturno com músicas românticas, rock e poesia, Dave recebe diariamente a ligação de uma mulher pedindo a música “Misty”. 

Um certo dia, Dave é abordado em um bar por Evelyn (Jessica Walter), que diz ser a garota dos telefonemas. Após uma noite juntos, Evelyn acredita que encontrou o amor de sua vida e passa a perseguir Dave. 

Este drama com pitadas de suspense e violência com certeza serviu de inspiração para “Atração Fatal” de Adrian Lyne e provavelmente foi o primeiro longa a colocar uma mulher como “stalker” de um homem. 

O filme marcou também a estreia de Clint Eastwood na direção, tem inclusive uma pequena participação do diretor Don Siegel como ator. Siegel foi amigo e incentivador de Clint na carreira de diretor. 

Clint acerta a mão na tensão crescente e na falta de ação que toma conta de seu personagem, que se sente acuado pela jovem obcecada. O ritmo cai um pouco na desnecessária sequência do show ao ar livre, que se mostra datada com a cara dos anos sessenta. 

Vale destacar a atuação assustadora da atriz Jessica Walter.