terça-feira, 14 de agosto de 2018

O Grupo Baader Meinhoff

O Grupo Baader Meinhoff (Der Baader Meinhof Komplex, Alemanha / França / República Tcheca, 2008) – Nota 8
Direção – Uli Edel
Elenco – Martina Gedeck, Moritz Bleibtreu, Johanna Wokalek, Nadja Uhl, Bruno Ganz, Stipe Erceg, Niels Bruno Schimdt, Heino Ferch, Alexandra Maria Lara.

No final dos anos sessenta, jovens estudantes em vários países protestavam nas ruas contra a Guerra do Vietnã e contra o capitalismo. Na Alemanha Ocidental, a jornalista Ulrike Meinhof (Martina Gedeck) acompanhava os protestos e escrevia matérias criticando o governo alemão. 

Neste contexto, ela se aproxima de Andreas Baader (Moritz Bleitbreu) e de sua namorada Gudrun Ensslin (Johanna Wokalek) que lideravam um grupo denominado RAF (Fração do Exército Vermelho). 

Após ajudar Baader a fugir da polícia, Ulrike entra de vez para a clandestinidade e passa a participar das violentas ações do grupo, incluindo roubos a bancos, sequestros, assassinatos e ataques com bombas. 

Este ótimo longa foca numa história real semelhante ao que ocorreu em vários países nos anos sessenta e setenta em que jovens revoltados acreditavam de forma ingênua que poderiam derrubar seus governos, assim como Fidel Castro e Che Guevara fizeram em Cuba. A ideologia logo se transformava em violência e por consequência o governo revidava na mesma moeda. 

O grande acerto deste longa é não glamourizar as ações do grupo. O roteiro deixa claro que eram jovens com ódio que não mediam as consequências dos ataques e nem se preocupavam se atingiriam inocentes. 

O ponto em comum entre os personagens é que para eles o grupo e a ideologia eram mais importantes do que tudo, inclusive a família. Filhos, pais e companheiros eram abandonados em nome da luta. 

O resultado é um filme didático para entender como funciona o pensamento daqueles que defendem o comunismo em nome de uma falsa democracia, onde o que importa na verdade é ter poder.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Preto e Branco

Preto e Branco (Black or White, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Mike Binder
Elenco – Kevin Costner, Octavia Spencer, Jillian Estell, Bill Burr, Anthony Mackie, Mpho Koaho, André Holland, Gillian Jacobs, Jennifer Ehle, Paula Newsome.

A morte da esposa em um acidente faz com que o advogado Elliott Anderson (Kevin Costner) fique sozinho com a neta Eloise (Jillian Estell). Como sua filha faleceu no parto e o genro (André Holland) é um viciado em drogas, a garota foi criado pelos avós. 

Com a morte da mulher, a avó paterna Rowena (Octavia Spencer) decide entrar na justiça para pedir a custódia da menina, dando início a uma disputa com Elliott. 

O filme cita no início ser inspirado em fatos reais, porém a forma como a situação é resolvida está mais para o politicamente correto de uma produção para a tv, do que para a vida real. Mas o filme não chega a ser ruim, alguns pontos são bem interessantes. 

O roteiro tenta explorar os conflitos raciais e sociais entre o rico personagem de Kevin Costner, com a família negra que vive num bairro pobre liderada por Octavia Spencer. Não temos heróis ou vilões, o roteiro procura ser imparcial nas virtudes e defeitos dos dois lados, porém sem se aprofundar no tema, assim fugindo de qualquer polêmica. 

O diretor, ator e roteirista Mike Binder comandou dramas melhores como “Reine Sobre Mim” com Adam Sandler e “A Outra Face da Raiva” que também tinha Kevin Costner como protagonista.  

domingo, 12 de agosto de 2018

O Caçador

O Caçador (Chugyeogja, Coreia do Sul, 2008) – Nota 8
Direção – Hong Jin Na
Elenco – Yoon Seok Kim, Jung Woo Ha, Yeong Hie Seo, Yoo Jeong Kim, In Gi Jeong.

Joong (Yoon Seok Kim) é um ex-policial que agora trabalha como agenciador de garotas de programa. Numa determinada noite, ele envia uma de suas garotas (Yeong Hie Seo) para um cliente (Jung Woo Ha) que sempre utiliza o mesmo celular para contato.

Pouco minutos depois, ele descobre que outras garotas desapareceram após fazer um programa com o sujeito. A princípio Joong procura uma amigo na polícia, para em seguida investigar por conta própria. É o início de uma violenta noite de loucuras em busca da garota e do possível psicopata. 

Elogiar o cinema sul-coreano se tornou hábito. Os filmes policiais e de suspense produzidos naquele país mesclam boas histórias, ótimas sequências de ação e muita violência, inclusive por parte da polícia nos interrogatórios.

A crueldade dos vilões também é outro ponto alto. Aqui o vilão é um jovem psicopata extremamente cruel.

A saga do protagonista em busca da garota desaparecida é repleta de perseguições e brigas.

O roteiro é bem amarrado, criando pistas para o protagonista seguir e inserindo ainda uma trama paralela com a filha da prostituta desaparecida. 

Para quem curte filmes policiais e também o cinema sul-coreano, este é mais uma ótima opção.

sábado, 11 de agosto de 2018

O Resgate de um Campeão

O Resgate de um Campeão (Resurrecting the Champ, EUA, 2007) – Nota 7
Direção – Rod Lurie
Elenco – Josh Hartnett, Samuel L. Jackson, Kathryn Morris, Dakota Goyo, Alan Alda, Rachel Nichols, Teri Hatcher, David Paymer, Harry Lennix, Peter Coyote, Kristen Shaw.

Eric Kernan Jr (Josh Hartnett) é um jornalista especializado em esportes que está em busca de uma história marcante para subir na carreira. 

O destino faz Eric cruzar o caminho de um morador de rua (Samuel L. Jackson) que estava lutando boxe e apanhando de três jovens em um beco. Eric ajuda o desconhecido que diz se chamar Bob Satterfield e que afirma ter sido um famoso boxeador nos anos cinquenta. 

Instigado com a história, ele encontra poucas informações sobre o lutador, mas mesmo assim decide escrever uma matéria sobre o sujeito, além de criar um laço de amizade com o falante Bob. 

O filme foi vendido como inspirado em uma história real, assim como o lutador Bob Satterfield realmente existiu, mas na verdade o que ocorreu é bem diferente do que é detalhado aqui. 

Mesmo assim, o filme ganha pontos pela química entre a dupla de protagonistas, principalmente pela caracterização de Samuel L. Jackson. Seu personagem é uma figura extremamente carismática. 

O roteiro é previsível, não é difícil descobrir o que vai ocorrer, mas isso não chega a atrapalhar. É basicamente um simpático filme sobre solidão, ambição e frustrações.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Fúria & O Homem que Quis Matar Hitler


Fúria (Fury, EUA, 1936) – Nota 7,5
Direção – Fritz Lang
Elenco – Spencer Tracy, Sylvia Sidney, Walter Abel, Bruce Cabot, Edward Ellis, Walter Brennan, Frank Albertson, George Walcott.

Joe Wilson (Spencer Tracy) precisa de dinheiro para casar com a jovem Katherine (Sylvia Sidney). Enquanto ela volta para sua cidade natal, Joe fica em Chicago e ao lado dos irmãos compra um pequeno posto de gasolina. Um anos depois, Joe consegue comprar um carro e viaja para encontrar Katherine. Ao chegar em uma cidade próxima da casa da namorada, ele é abordado por policiais e detido como suspeito de ter cometido um sequestro. Mesmo antes da polícia terminar a investigação, a notícia de sua prisão vaza e a população local se une para fazer “justiça” com as próprias mãos.

O polêmico tema do linchamento foi abordado várias vezes no cinema, geralmente em westerns como o clássico “Consciências Mortas”. Aqui o roteiro divide a história em duas partes. A primeira foca na prisão do inocente e na ação da população raivosa. Uma reviravolta transforma a parte final em um drama de tribunal, com a história perdendo um pouco da força.

Por ser uma produção extremamente antiga, algumas coisas incomodam um pouco, como as atuações teatrais. Por outro lado, as sequências da população tentando invadir a delegacia são assustadoras por causa do ódio. Eu tive aula com um professor que dizia que “a massa é canalha”, ou seja, quando várias pessoas se unem para lutar por algo, elas geralmente deixam de lado a razão e acreditam não serem culpadas pelas consequências de forma individual.

O Homem Que Quis Matar Hitler (Man Hunt, EUA, 1941) – Nota 6
Direção – Fritz Lang
Elenco – Walter Pidgeon, Joan Bennett, George Sanders, John Carradine, Roddy McDowall.

Meados de 1939, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. O caçador inglês Alan Thorndike (Walter Pidgeon), que também é capitão do exército, termina preso pelos nazistas por portar um rifle próximo a residência de Hitler. Mesmo torturado pelos nazistas, Thorndike se recusa a assinar um documento afirmando que tentaria matar Hitler a pedido do governo britânico. Ele consegue fugir, mas ao voltar para Londres é perseguido por agentes alemães.

Apesar da direção do grande Fritz Lang e da informação de que o longa foi baseado em uma reportagem da época, esta obra me decepcionou. Eu imaginava algo como um plano para assassinar Hitler, quando na verdade a trama é basicamente uma propaganda americana no estilo “esforço de guerra” para mostrar como os nazistas eram malvados. Fica difícil acreditar na motivação do protagonista que alegava não ter intenção de matar o Fuhrer.

As poucas cenas de perseguição nas ruas são fracas, assim como romance com a bela Joan Bennett não convence. A curiosidade é a participação de Roddy McDowall interpretando um esperto garoto alemão que ajuda o protagonista.

É um filme que envelheceu mal. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Sabor da Vida

Sabor da Vida (An, Japão / França / Alemanha, 2017) – Nota 8
Direção – Naomi Kawase
Elenco – Kirin Kiki, Masatoshi Nagase, Kyara Uchida.

Sentaro (Masatoshi Nagase) toma conta de uma pequena loja especializada em vender um doce chamado Dorayaki. O doce é uma pequena panqueca recheada com um creme de feijão vermelho. 

Num determinado dia, uma senhora chamada Tokue (Kirin Kiki) aparece na loja pedindo emprego. Educadamente Sentaro dispensa a mulher por causa da idade. 

No dia seguinte ela volta e entrega um pote com o recheio do creme de feijão. Sentaro experimenta o creme e decide contratar a mulher. Não demora para a novidade fazer sucesso, porém os problemas do passado de Tokue e do próprio Sentaro mudam o rumo das coisas. 

Com extrema sensibilidade, a diretora Naomi Kawase entrega uma história sobre dois personagens que enxergam a vida de modo completamente oposto. Enquanto a veterana Tokue encara o mundo com felicidade e alegria, deixando para trás os sofrimentos da juventude, Sentaro não consegue superar um trauma. 

No meio da relação que nasce entre os dois surge uma terceira personagem. A solitária adolescente Wakana (Kyara Uchida) também cria um laço com Tokue. 

É um filme que faz pensar sobre como devemos ser mais humanos e encarar a vida com felicidade.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Roger, o Conquistador

Roger, o Conquistador (Roger Dodger, EUA, 2002) – Nota 7,5
Direção – Dylan Kidd
Elenco – Campbell Scott, Jesse Eisenberg, Isabella Rossellini, Elizabeth Berkley, Jennifer Beals, Mina Badie, Ben Schenkman, Chris Stack, Morena Bacarin.

Em Manhattan, Roger (Campbell Scott) é um publicitário mulherengo e canalha que tem um caso com sua chefe (Isabella Rossellini). 

No dia em que sua amante decide acabar com o affair, Roger recebe a inesperada visita de seu sobrinho Nick (Jesse Eisenberg), que veio conhecer a Universidade de Columbia. 

Assim que começam a conversar, Nick diz que precisa de ajuda para conquistar garotas e perder a virgindade. Roger decide levar Nick para uma jornada noite adentro em busca de mulheres. 

Esqueça os filmes românticos, a proposta aqui é mostrar como funciona o mundo do sexo casual através da “aula” ministrada de tio para sobrinho. 

São vários pontos interessantes no longa. O contraponto entre o tio canalha que vê as mulheres como objeto e o sobrinho que deseja algo mais do que sexo resulta em ótimos diálogos, situações realistas e alguma melancolia. 

A conversa dos protagonistas com as personagens liberais vividas por Elizabeth Berkley e Jennifer Beals detalham como pensam as pessoas que curtem o sexo casual, mas que ao mesmo tempo sonham com uma relação estável. 

Com apenas um olhar de um personagem, a cena final deixa claro como a vida pode ser vazia.