quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Leviatã

Leviatã (Leviafan, Rússia, 2014) – Nota 7,5
Direção – Andrey Zvyagintsev
Elenco – Aleksey Serebryakov, Elena Lyadova, Vladimir Vdovichenkov, Roman Madyanov, Aleksey Rozin, Sergey Pokhodaev.

Numa decadente cidade litorânea da Rússia, Nikolay (Aleksey Serebryakov) luta contra o prefeito corrupto (Roman Madyanov) para impedir que sua casa seja desapropriada.

Ele recebe ajuda de um amigo advogado (Vladimir Vdovichenkov) que vive em Moscou e que tenta reverter a decisão da prefeitura na justiça local. 

A dificuldade em enfrentar a burocracia da justiça, seu casamento desgastado com Lilya (Elena Lyadova) e a relação complicada com o filho adolescente (Sergey Pokhodaev) levam Nikolay a um caminho sem saída. 

Este doloroso drama sobre a destruição de uma família desnuda o lado obscuro da sociedade russa. A corrupção entranhada no serviço público, a violência dos corruptos, a falta de perspectivas de vida em uma cidade menor e a bebida como válvula de escape são os ingredientes principais desse triste mundo. 

A história pesada pode não agradar a muitos, assim como a duração um pouco longa (duas horas e vinte minutos) e a narrativa em ritmo lento. 

É um filme indicado para quem gosta de dramas fortes que misturam crise familiar e crítica social. 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O Homem nas Trevas

O Homem nas Trevas (Don’t Breathe, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Fede Alvarez
Elenco – Stephen Lang, Jane Levy, Dylan Minnette, Daniel Zovatto.

Os jovens Rocky (Jane Levy), Alex (Dylan Minnette) e Money (Daniel Zovatto) são ladrões que invadem casas de luxo enquanto os proprietários estão fora. 

A chance de roubar uma alta quantia surge quando Money descobre que um veterano de guerra (Stephen Lang) recebeu uma indenização pela morte da filha em um acidente automobilístico. 

O homem mora em um decadente bairro em que as casas ao redor estão vazias. Ao perceberem que o sujeito é cego, os jovens acreditam que será fácil entrar e sair do local. Eles não imaginam o inferno que enfrentarão. 

O diretor uruguaio Fede Alvarez estreou no cinema americano com a sangrenta e desnecessária refilmagem de “A Morte do Demônio” de Sam Raimi. Neste novo trabalho, Alvarez acerta mão no suspense, na violência e até na trama. Muito do acerto deve ser creditado ao diretor Sam Raimi, que aqui é o produtor. 

A ideia de transformar a casa em uma armadilha, explorando todos os cômodos para criar as cenas de suspense lembram bastante o original “A Morte do Demônio” e sua sequência “Uma Noite Alucinante”, com a diferença que naqueles filmes o “mal” era fruto de uma entidade, enquanto aqui a violência é totalmente humana. 

É um filme com uma violência que incomodará o espectador comum e que ao mesmo tempo agradará os fãs do gênero.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Rememory

Rememory (Rememory, Canadá / EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Mark Palansky
Elenco – Peter Dinklage, Julia Ormond, Martin Donovan, Anton Yelchin, Matt Ellis, Evelyne Brochu, Henry Ian Cusick, Chad Krowchuk.

Em um acidente de automóvel, o modelista Sam Bloom (Peter Dinklage) perde seu irmão (Matt Ellis). Algum tempo depois, Sam assiste uma palestra do psiquiatra Gordon Dunn (Martin Donovan), que criou um aparelho que consegue mapear e gravar as memórias das pessoas. 

Antes do revolucionário aparelho ser lançado, Gordon morre de forma suspeita. Uma determinada situação faz com que Sam roube o aparelho e decida investigar o que realmente aconteceu com Gordon. Ele sai a procura das pessoas que participaram dos testes do psiquiatra, além de se envolver com a mulher do falecido (Julia Ormond). 

Além da trama de suspense e os toques de ficção, a proposta do roteiro é colocar em discussão até que ponto nossas memórias são verdadeiras e como elas afetam nossa vida atual. Teóricamente o aparelho criado pelo personagem seria uma ferramenta para ajudar as pessoas a superarem seus traumas, porém ele não imaginava os efeitos colaterais de reviver essas memórias. 

Vale destacar a boa atuação de Peter Dinklage e a participação de Anton Yelchin em um dos seus últimos trabalhos. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

As Horas Finais & Os Últimos na Terra


As Horas Finais (These Final Hours, Austrália, 2013) – Nota 7
Direção – Zak Hilditch
Elenco – Nathan Phillips, Angourie Rice, Jessica De Gow, Kathryn Beck, Daniel Henshall.

O sol se aproximou da Terra e destruiu parte do planeta. Faltando doze horas para a destruição chegar na região de Perth na Austrália, James (Nathan Phillips) abandona a namorada para aproveitar a última noite de vida em uma festa regada a sexo, bebidas e drogas. 

Ao atravessar a cidade, James testemunha eventos violentos e absurdos, até que cruza o caminho da garotinha Rose (Angourie Rice), que foi sequestrada por dois malucos. Ele resgata a menina, que deseja encontrar o pai antes do mundo acabar. É a chance de James fazer algo positivo no final da vida. 

O clima apocalíptico é potencializado pelo sinistra trilha sonora que acompanha a jornada do relutante protagonista em busca de uma espécie de redenção. Os absurdos cometidos pelos vários personagens que cruzam a tela são um exemplo do que as pessoas desesperadas fariam caso o mundo estivesse realmente para acabar. 

É basicamente um filme B que mistura drama e violência, além de explorar o exagero comum das produções australianas. Uma interessante opção para quem curte o gênero.

Os Últimos na Terra (Z For Zachariah, Islândia / Suiça / EUA, 2015) – Nota 6
Direção – Craig Zobel
Elenco – Chiwetel Ejiofor, Margot Robbie, Chris Pine.

Após uma tragédia nuclear, o planeta entra em colapso. Sem explicação, Ann (Margot Robbie) sobreviveu sem que a radiação chegasse a um vale onde fica a casa de sua família, um pequeno mercado e uma capela. Sua solidão termina quando chega a região o cientista John (Chiwetel Ejiofor), que utilizou uma traje parecido com de um astronauta para se proteger da radiação. 

As enormes diferenciais entre os dois não atrapalham a vontade de tentar a seguir a vida. A situação fica estranha quando surge um terceiro sobrevivente. Caleb (Chris Pine) chega para modificar o pequeno mundo criado por Ann e John. 

A premissa de explorar a vida de poucos sobreviventes após uma catástrofe mundial já foi explorada diversas vezes pelo cinema, mas não deixa de ser algo intrigante. Infelizmente este ponto de partida não se desenvolve da melhor forma neste longa.

O roteiro não se preocupa em dar detalhes sobre o ocorrido, seu foco está na relação entre os três personagens, criando uma trama previsível voltada para o drama. O filme ganha alguns pontos pelas belíssimas locações, principalmente pelas cenas na pequena cachoeira. 

Finalizando, o “Z de Zacaria” do título original faz referência a um livro chamado “A de Adão” de uma coleção do alfabeto da bíblia que a personagem de Margot Robbie tem entre seus livros religiosos. 

domingo, 10 de dezembro de 2017

Marcas do Passado

Marcas do Passado (Aloft, Espanha / Canadá / França, 2014) – Nota 6
Direção – Claudia Llosa
Elenco – Jennifer Connelly, Cilian Murphy, Mélanie Laurent, Peter McRobbie, William Shimell.

Na sequência inicial, Nana (Jennifer Connelly) segue com seus dois filhos pequenos para uma região gelada e isolada no norte do Canadá. Um dos filhos de Nana está doente. O objetivo é encontrar um sujeito conhecido como o Arquiteto (William Shimell), que aparentemente tem poderes de cura. 

Vinte anos depois, Ivan (Cillian Murphy), que é um dos filhos de Nana, recebe a visita da jornalista Jannia (Mélanie Laurent) que deseja informações sobre a mulher. Afastado há anos da mãe, Ivan aceita acompanhar Jannia na busca por Nana. 

O roteiro intercala as duas narrativas como se fosse um quebra-cabeças que explica o porquê do afastamento entre mãe e filho. Ele explora ainda a questão da fé em momentos de desespero e como as pessoas se apegam ao curandeirismo em busca de um milagre. 

Apesar da premissa interessante e das belas locações na região gelada do Canadá, o longa perde pontos por causa da narrativa lenta e não se aprofunda no drama familiar. O final sem respostas tenta dar um ar de cult ao filme, mas não convence.

sábado, 9 de dezembro de 2017

A Informante

A Informante (The Whistleblower, Canadá / Alemanha, 2010) – Nota 7,5
Direção – Larysa Kondracki
Elenco – Rachel Weisz, Vanessa Redgrave, David Straithairn, Monica Bellucci, Nikolaj Lie Kaas, Roxana Condurache, Benedict Cumberbatch, David Hewlett, William Hope.

Lincoln, Nebraska, 1999. A policial Kathryn Bolkovac (Rachel Weisz) tenta sem sucesso conseguir uma transferência para a cidade onde seus filhos foram morar com o ex-marido. 

Precisando de dinheiro, ela se inscreve em um programa para trabalhar como agente das Nações Unidas na Bósnia, país que ainda tentava se recuperar após a Guerra dos Balcãs que destruiu a região nos anos noventa. 

Com a missão de auxiliar a polícia local, rapidamente Kathryn percebe que muitos policiais bósnios são corruptos. Quando ela decide ajudar duas garotas russas que fugiram de uma casa de prostituição que escravizava imigrantes, descobre estar diante de uma complexa rede de tráfico humano. 

Baseado em uma história real, este longa foca no tema tabu do tráfico de garotas, que infelizmente deve ser muito maior do que imaginamos. Assim como o tráfico de drogas e o contrabando, esse “ramo” do crime envolve pessoas poderosas e muito dinheiro. 

A investigação da protagonista é sabotada de todas as formas possíveis, o que transforma o longa em um suspense com bastante tensão, além de incluir cenas fortes de violência. 

Vale destacar ainda o roteiro muito bem amarrado, que não apela para heroísmos e que cria situações possíveis. 

É um bom filme sobre uma situação de absurda crueldade.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Duelo em Diablo Canyon, A Última Carroça & A Hora da Pistola


Duelo em Diablo Canyon (Duel at Diablo, EUA, 1956) – Nota 7
Direção – Ralph Nelson
Elenco – James Garner, Sidney Poitier, Bibi Andersson, Dennis Weaver, Bill Travers, William Redfield, Ralph Nelson, John Hoyt.

Em território apache, Jess Remsberg (James Garner) consegue salvar a jovem Ellen Grange (Bibi Andersson) que estava sendo perseguida pelos índios e a leva para uma cidade próxima. O objetivo de Jess é encontrar o assassino de sua esposa que era uma índia comanche. Antes de chegar ao assassino, Jess é contratado pelo tenente McAllister (Bill Travers) para escoltar um batalhão de soldados em busca do chefe apache Chata. Com ajuda do domador de cavalos Toller (Sidney Poitier), o grupo segue na caça aos índios. 

Com uma trama clássica do gênero que explora vingança, ódio, preconceito entre brancos e índios, além de ótimas sequências de ação, este competente western prende a atenção do início ao fim. Além dos ótimos James Garner e Sidney Poitier, vale destacar a curiosa presença da sueca Bibi Andersson, famosa por seus trabalhos com Ingmar Bergman. 

A Última Carroça (The Last Wagon, EUA, 1956) – Nota 7
Direção – Delmer Daves
Elenco – Richard Widmark, Felicia Farr, Tommy Rettig, Susan Kohner, George Matthews, Douglas Kennedy, James Drury.

Comanche Todd (Richard Widmark) é um homem branco que foi criado pelos comanches e que está sendo acusado de assassinar três sujeitos. Capturado pelo xerife (George Matthews) e sendo levado de trem para ser enforcado, o destino termina por salvar Comanche Todd. Um ataque dos apaches mata várias pessoas no local, mas Todd sobrevive. Mesmo sendo considerado um assassino, sua experiência se torna a única chance de sobrevivência para um grupo de colonos. 

O roteiro mescla com competência as ótimas cenas de ação com uma história sobre ódio e preconceito. O protagonista é odiado pelos brancos, culpado por ter vivido como comanche, porém ao longo da história os demais personagens descobrem o verdadeiro caráter do sujeito. A trama é valorizada pela interpretação do sempre sisudo Richard Widmark, um dos grandes atores dos anos cinquenta e sessenta. 

A Hora da Pistola (Hour of the Gun, EUA, 1967) – Nota 7
Direção – John Sturges
Elenco – James Garner, Jason Robards, Robert Ryan, Albert Salmi, Jon Voight.

Este curioso western tem como cena inicial o famoso tiroteio no OK Curral em que Doc Holliday (Jason Robards), Wyatt Earp (James Garner) e seus irmãos enfrentam a família Clanton liderada pelo patriarca Ike (Robert Ryan). Esta clássica sequência foi o clímax dos filmes “Paixão dos Fortes” e “Sem Lei e Sem Alma”. Aqui o tiroteio é a premissa, a proposta do roteiro é mostrar os fatos seguintes ao conflito. A vingança dos Clantons que sobreviveram é um destes fatos. É um western competente que utiliza todos os elementos do gênero.