segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Um Rosto na Multidão

Um Rosto na Multidão (A Face in the Crowd, EUA, 1957) – Nota 8,5
Direção – Elia Kazan
Elenco – Andy Griffith, Patricia Neal, Anthony Franciosa, Walter Matthau, Lee Remick.

Poucas vezes o cinema foi tão profético quanto neste drama dirigido por Elia Kazan. Em 1957, quando o longa foi produzido, a tv americana estava em fase de crescimento e popularização, o que com certeza serviu de inspiração para o roteirista Budd Schullberg escrever a história de ascensão e queda do polêmico Larry “Solitário” Rhodes (Andy Griffith no melhor papel da carreira). 

A trama começa em uma pequena cidade do Arkansas, onde a jovem Marcia (Patricia Neal) decide fazer um programa de rádio dentro da cadeia municipal. No local, ela tenta entrevistar alguns detentos, até ser apresentada ao andarilho Rhodes, que decide cantar e contar histórias, transformando o programa em um sucesso. 

Rhodes é contratado pela rádio e se torna o grande astro da cidade, até ser convidado para apresentar um programa de tv em Nova York. Ele leva Marcia para ser sua produtora e logo se transforma em celebridade nacional, sendo assediado por empresários e políticos que desejam associar seus nomes e marcas ao ídolo. 

Hoje, quase sessenta anos depois, a trama ainda se mostra extremamente atual. O protagonista interpretado por Andy Griffith pode ser comparado a várias celebridades atuais de tv, que utilizam seu carisma e espaço na mídia para vender todo tipo de produto, apoiar políticos e manipular massas, sem qualquer preocupação com as consequências, tendo como objetivos o lucro e o poder, além de manter inflado o gigantesco ego. 

No ótimo elenco, vale destacar ainda Anthony Franciosa como o agente picareta, uma adolescente Lee Remick como a deslumbrada jovem que se entrega ao ídolo e Walter Matthau como o produtor de tv que é a única voz sensata em meio a um mundo de mentiras.

domingo, 6 de setembro de 2015

Intrusos & A Casa dos Mortos


Intrusos (Intruders, EUA / Inglaterra / Espanha, 2011) – Nota 6
Direção – Juan Carlos Fresnadillo
Elenco – Clive Owen, Carice van Houten, Daniel Bruhl, Pilar López de Ayala, Ella Purnell, Izán Corchero, Kerry Fox, Hector Alterio.

Em Madrid, o garoto Juan (Izán Corchero) sofre com pesadelos recorrentes em que um homem sem rosto tenta sequestrá-lo. Sua mãe (Pilar López de Ayala) a cada dia fica mais desesperada, até resolver pedir ajuda a um jovem padre (Daniel Bruhl). Em Londres, após completar doze anos e encontrar uma caixinha dentro de uma árvore com uma história sobre o “homem sem rosto”, a garota Mia (Ella Purnell) passa a sofrer pesadelos semelhantes aos de Juan. Seu pai (Clive Owen) e sua mãe (Carice van Houten) a princípio não acreditam que a ameaça possa realmente existir. 

O diretor espanhol Juan Carlos Fresnadillo me surpreendeu de forma positiva com o competente “Extermínio 2”, longa que tinha tudo para ser uma bomba. O aparente potencial do diretor não se confirmou neste trabalho seguinte, que resulta em um suspense totalmente previsível. Algumas sequências despertam tensão, como as duas cenas de brigas, uma na escadaria de incêndio e outra no quarto da menina. O problema maior está no roteiro que tenta esconder a verdadeira ligação entre as duas crianças, mas que falha, pois o espectador mais atento descobrirá o segredo antes da metade do filme. 

É um suspense descartável, daqueles que o espectador esquecerá rapidamente.

A Casa dos Mortos (Demonic, EUA / Inglaterra, 2015) – Nota 6
Direção – Will Canon
Elenco – Frank Grillo, Maria Bello, Dustin Milligan, Cody Horn, Megan Park, Scott Mechlowicz, Aaron Yoo, Ashton Leigh.

Nos anos oitenta, em uma pequena cidade da Louisiana, uma mulher assassinou vários jovens durante uma sessão para invocação de espíritos. Quase trinta anos depois, o policial Mark Lewis (Frank Grillo) é chamado para atender uma ocorrência na mesma casa. Ele encontra vários jovens mortos e apenas um ainda com vida, John (Dustin Milligan). Alegando que não se lembra dos fatos com clareza, John se torna o principal suspeito, principalmente após descobrirem que ele é filho da única sobrevivente do massacre anterior. Com ajuda de uma psicóloga (Maria Bello) e com várias câmeras que foram encontradas na casa, aos poucos o policial descobre o que realmente ocorreu. 

A premissa é interessante, mesmo não sendo original e o clima de tensão é competente, assim como as idas e vindas da história entre o interrogatório/investigação e as cenas em flashback que mostram os acontecimentos até o momento da tragédia. 

Infelizmente o roteiro tem furos, inclusive com uma reviravolta final um pouco forçada.

sábado, 5 de setembro de 2015

Angie

Angie (Open Road, Brasil / EUA, 2013) – Nota 4
Direção – Marcio Garcia
Elenco – Camilla Belle, Andy Garcia, Colin Egglesfield, Juliette Lewis, Christiane Torloni, Carol Castro, John Savage.

Angie (Camilla Belle) é uma jovem brasileira que está morando dentro de um carro nos Estados Unidos, trabalhando como garçonete e à procura de alguém importante em sua vida. Durante sua busca por esta pessoa, Angie faz amizade com um morador de rua (Andy Garcia) e se envolve com um policial (Colin Egglesfield) de uma pequena cidade. 

O ator, apresentador e celebridade Marcio Garcia se aventurou como diretor no açucarado e fracassado “Amor Por Acaso”, que tinha Juliana Paes e o canastrão Dean Cain como par romântico. Mesmo após a péssima estreia como diretor, Marcio Garcia conseguiu nova chance nesta co-produção, inclusive com a participação de nomes importantes como Andy Garcia e Juliette Lewis, porém a falta de talento continua a mesma. 

Para piorar, o roteiro é péssimo. Tudo parece falso, as interpretações são ruins, com exceção de Andy Garcia, os dramas da protagonista são ao estilo das novelas e a reviravolta final vergonhosa. Não se pode esquecer da protagonista Camilla Belle sendo dublada em português nas cenas em que conversa com a irmã (Carol Castro) e a mãe (Christiane Torloni). Por sinal, até o bordão “Meu Bebê” é proferido por Torloni. 

É um filme para passar longe.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Testemunha Muda

Testemunha Muda (Mute Witness, Rússia / Inglaterra / Alemanha, 1995) – Nota 7
Direção – Anthony Waller
Elenco – Marina Sudina, Fay Ripley, Evan Richards, Oleg Jankowskij, Alec Guinness.

A jovem Billy Hughes (Marina Sudina) é uma maquiadora muda que está em Moscou trabalhando em um filme de horror vagabundo produzido por sua irmã Karen (Fay Ripley) e dirigido por seu cunhado Andy (Evan Richards). 

Após um dia de filmagens, já na madrugada, Billy está andando pelos estúdios vazios quando encontra um local onde está sendo filmado aparentemente um longa pornô. Curiosa, Billy fica espiando a cena em que um sujeito mascarado está prestes a transar com uma jovem, porém para sua surpresa, o homem tira uma faca e mata a parceira. Assustada, Billy descobre que aquilo é um snuff movie. Ao perceber que foi vista, ela foge desesperada, sendo perseguida pelos produtores do filme que são ligados a Máfia Russa. 

Hoje praticamente esquecido, este agitado thriller mistura o submundo dos snuffs movies com uma conspiração que inclui ainda a KGB. A narrativa acelerada pela cidade de Moscou, valorizada pelo bom roteiro cheio de reviravoltas assinado pelo próprio diretor Anthony Waller, resulta em um interessante suspense. 

O diretor Anthony Waller ainda convenceu o veterano Alec Guinness a fazer uma pequena participação. Guinness estava praticamente aposentado do cinema. 

Infelizmente, o talento promissor de Waller se perdeu em trabalhos posteriores. Os fracos “Um Lobisomem Americano em Paris” e “O Culpado” abortaram sua carreira. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Mad Max: Estrada da Fúria

Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, Austrália / EUA, 2015) – Nota 9
Direção – George Miller
Elenco – Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays Byrne, Josh Helman, Nathan Jones, Zoe Kravitz, Rosie Huntington Whiteley.

Primitivo, violento e alucinante. Após trinta e seis anos de carreira e há trinta sem fazer um filme de ação, o diretor australiano George Miller comanda aqui sua obra prima. Miller unificou as tramas da trilogia original e escreveu um novo roteiro priorizando as cenas de ação. O longa é basicamente uma violenta perseguição de duas horas pelo deserto australiano, recheadas de cenas sensacionais. 

Diferente do original em que vemos Mad Max Rockatansky (Tom Hardy) ainda como policial, aqui a história mostra o protagonista já vivendo em um mundo apocalíptico e sofrendo com alucinações por não ter conseguido salvar a família. Logo no início, Max é capturado por um grupo de selvagens carecas e totalmente pálidos, que o levam para um local conhecido como “Cidadela”. Max é utilizado como uma “bolsa de sangue” por um dos selvagens que está doente, Nux (Nicholas Holt). 

Quando Furiosa (Charlize Theron) foge em um carro tanque levando as cinco esposas de Immortan Joe (Hugh Keays Byrne), o líder da Cidadela, um grupo de selvagens é enviado para resgatar as mulheres. No grupo está Nux, que amarra Max na frente de seu carro como se fosse um troféu. Este é o início da alucinante perseguição. 

Minha impressão é que desta vez o diretor George Miller conseguiu reunir orçamento e autonomia para fazer o filme que sempre sonhou. O primeiro “Mad Max” era um filme de baixo orçamento que fez sucesso na raça. O segundo teve um maior investimento e resultou em um ótimo longa, porém longe dos recursos desta nova versão. O terceiro filme da série foi o mais fraco, com a mão pesada de um grande estúdio por trás e uma trama com pouca ação que decepcionou os fãs. 

O merecido sucesso já rende boatos de uma nova sequência.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A Epidemia

A Epidemia (The Crazies, EUA / Emirados Árabes Unidos, 2010) – Nota 6,5
Direção – Breck Eisner
Elenco – Timothy Olyphant, Radha Mitchell, Joe Anderson, Danielle Panabaker, John Aylward, Glenn Morshower.

Na pequena cidade de Ogden Marsh em Iowa, um sujeito invade um jogo de beisebol com uma espingarda em punho e termina morto pelo xerife David (Timothy Olyphant). Na noite seguinte, outro homem coloca fogo na própria casa após trancar filho e esposa no quarto. Não demora para o exército invadir a cidade e levar os habitantes para uma espécie de quarentena em um local ao lado escola. O xerife, sua esposa (Radha Mitchell) e seu assistente (Joe Anderson), tentam fugir do cerco através das plantações da região, tendo de enfrentar ainda pessoas que ficaram loucas da noite para o dia. 

Esta refilmagem de “O Exército do Extermínio” de George A. Romero é um razoável longa que utiliza vários elementos da história original, mas infelizmente não tem o mesmo clima de paranoia e desespero. A trama aqui é mais voltada para a ação, com os personagens tentando fugir da cidade, diferente do original em que um dos pontos do roteiro era a discussão sobre o que fazer para resolver a situação. Aqui tudo é resolvido da forma mais fácil, sem qualquer tipo de debate com o exército. Fica como ponto positivo, o final pessimista ao estilo de todos os filmes do grande Romero.  

terça-feira, 1 de setembro de 2015

C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor

C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor (C.R.A.Z.Y., Canadá, 2005) – Nota 8
Direção – Jean Marc Vallée
Elenco – Michel Côte, Marc André Grondin, Danielle Proulx. Émile Vallée, Pierre Luc Brillant, Maxime Tremblay, Alex Gravel, Natasha Thompson.

O diretor canadense Jean Marc Vallée (“Clube de Compras Dallas” e “Livre”) entregou aqui um belíssimo filme sobre a vida da família Beaulieu no período entre 1960 e o início dos anos oitenta. 

O personagem principal é Zac (Émile Vallée aos seis anos de idade e Marc André Grondin na adolescência e fase adulta), que narra sua história desde seu nascimento em um Dia de Natal, passando por sua infância quando uma determinada marca fez com que sua mãe (Danielle Proulx) acreditasse que ele tivesse o poder de curar as pessoas, pela difícil fase da adolescência com a dúvida sobre sua sexualidade, até a idade adulta. 

O ponto principal da história é o difícil relacionamento familiar, principalmente entre Zac e seu pai Gervais (Michel Côte), um machão de bom coração, que teme que seu filho seja homossexual. O roteiro foca também no relacionamento de Zac com seus quatro irmãos, todos com aptidões e estilos de vidas diferentes entre si e o conflito com seu irmão mais velho, o rebelde Raymond (Pierre Luc Brillante). 

Além da ótima direção de atores, vale destacar a competente reconstituição de época através de roupas, carros, utensílios domésticos e principalmente pela trilha sonora recheada de músicas famosas. 

Este belo filme foi o primeiro trabalho do diretor Vallée que chamou atenção da crítica internacional.