segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Megera Domada

A Megera Domada (The Taming of the Shrew, EUA / Itália, 1967) – Nota 7
Direção – Franco Zeffirelli
Elenco – Elizabeth Taylor, Richard Burton, Vernon Dobtcheff, Michael Hordern, Cyril Cusack, Michael York, Natasha Pyne.

Petruchio (Richard Burton) é um nobre que perdeu sua fortuna e deseja se casar com uma jovem rica, a bela Katharina (Elizabeth Taylor), porém a garota tem idéias bem avançadas e não cederá facilmente.

Baseada numa comédia de Shakespeare, o diretor italiano Franco Zefirelli escalou o casal na vida real à época, Richard Burton e Elizabeth Taylor para interpretar os personagens que se amam e se odeiam ao mesmo tempo, assim como era relação dos dois na vida real.

A história é basicamente uma disputa entre os sexos, escrita séculos antes do feminismo e diverte nos diálogos afiados e com as brigas entre o casal.

domingo, 6 de junho de 2010

A Onda (1981)

A Onda (The Wave, EUA, 1981) – Nota 6
Direção – Alex Grasshoff
Elenco – Bruce Davison, Lori Lethin, John Putch, Jonny Doran, Pasha Gray.

Um professor de história (Bruce Davison) durante um debate sobre nazismo em sala de aula, é questionado porque o povo alemão não se rebelou contra os nazistas. Curioso, ele inicia no dia seguinte uma experiência, onde cria algumas regras de convivência e rapidamente começa a domesticar os alunos, fazendo-os acreditar que estão participando de algo importante. O que começa como uma experiência, toma uma grande proporção quando os que pertencem ao movimento, batizado pelo professor de “A Onda”, passam a discriminar quem não participa e começam a acreditar que fazem parte de uma elite.

O interessante tema é explorado rapidamente neste curtíssimo filme (44 minutos) feito para tv, mas perde o impacto para quem assistiu a refilmagem alemã, este sim um longa completo que explora várias situações e detalhes que no original estão extremamente resumidos. Além disso, apesar do protagonista Bruce Davison ser um bom ator, o restante do elenco é fraco e fica bem abaixo do elenco alemão da nova versão.

Eu indicaria que assistissem primeiro a refilmagem e se possível depois o original, pois a história é a mesma, apenas com um pequena mudança no final. Acredito que a versão americana mostra o final verdadeiro da história, em virtude destes filmes serem baseados numa história real ocorrida num colégio americano nos anos sessenta.

sábado, 5 de junho de 2010

Bombas - Filmes de Ação de Baixo Orçamento

Nos anos oitenta o cinema de ação ganhou força com o sucesso dos filmes Stallone, Schwarzenegger e Van Damme, o que resultou em diversos longas de baixo orçamento que tentavam copiar a fórmula para ganhar alguns trocados.

Filmes de guerra, suspense e policial foram lançados as dúzias e nesta postagem cito dez destes que assisti e não recomendo.

Missão Cobra (Cobra Mission, Itália, 1986) – Nota 4
Direção – Larry Ludman
Elenco – Oliver Tobias, Christopher Connelly, Donald Pleasence, John Steiner, Manfred Lehman, Ethan Wyane, Gordon Mitchell, Enzo Castellari.

Quatro amigos veteranos do Vietnã resolvem se reunir e voltar ao país para resgatar prisioneiros americanos após verem uma reportagem na TV sobre soldados que ficaram presos após o final da guerra. É o começo de uma história que copia filmes como “Rambo II – A Missão” e “Bradock” e brinda o espectador com os maiores clichês do gênero. Tiros disparados aos montes, helicópteros explodindo atrás de colinas e um número de inacreditável de mortos. A produção é italiana e o diretor é na realidade Fabrizio de Angelis, que fez também a trilogia “Thunder – Um Homem Chamado Trovão”, com Mark Gregory (Marco de Gregório). A curiosade está no elenco, com os canastrões Oliver Tobias e Christopher Connelly, além da participação de Donald Pleasence, que mesmo sendo bom ator, aceitava todo tipo de papel.

Pelotão de Guerra (Behind Enemy Lines ou P.O.W. The Escape, EUA, 1986) – Nota 4
Direção – Gideon Amir
Elenco – David Carradine, Charles R. Floyd, Steve James, Phil Brock, Mako.

Neste outro longa que copia “Rambo II” e “Bradock”, David Carradine lidera um pelotão na selva vietnamita e acaba sendo capturado pelo inimigo. Levado a um campo de concentração, ele é torturado por um oficial sádico (Mako), mas no final consegue fugir com os prisioneiros americanos e destruir o local. Na época David Carradine estava em baixa, trabalhando em filmes deste tipo e aqui protagoniza um longa produzido pela Cannon, empresa que bancou uma centena de filmes picaretas nos anos oitenta.

Soldados de Brinquedo (Toy Soldiers, EUA, 1984) – Nota 4,5
Direção – David Fisher
Elenco – Jason Miller, Cleavon Little, Rodolfo de Anda, Terri Garber, Douglas Warhit, Tim Robbins, Mary Beth Evans, Tracy Scoggins, Larry Poindexter.

Um grupo de estudantes vai passar as férias num país da América Central e acabam sendo sequestrados por guerrilheiros no meio da selva. O longa tem um roteiro fraquinho e cenas de ação fracas, mas com algumas curiosidades no elenco. Os dois atores principais que ajudam os jovens a fugirem dos vilões é vivido por dois bons atores, Jason Miller (pai de Jason Patric) que fez o clássico “O Exorcista” e o negro Cleavon Little que fez bons papéis em “Corrida Contra o Destino” e “Banzé no Oeste”, além de Tim Robbins como um dos jovens sequestrados.

O Assassino do Presidente (Hour of the Assassin, EUA, 1987) – Nota 4,5
Direção – Luis Llosa
Elenco – Erik Estrada, Robert Vaughn, Alfredo Calderon.

Um mercenário (Erik Estrada) é contratado para matar o presidente de um país na América do Sul, porém o governo americano envia outro asssassino (o veterano Robert Vaughn) para impedir o mercenário de cumprir a missão. O galã da série “Chips” Erik Estrada já estava em decadência quando estrelou este longa onde praticamente nada acontece. Dirigido pelo peruano Luis Llosa, que posteriormente faria “O Especialista” e “Anaconda”, este longa tenta usar as ditaduras latino americanas como tema, não se aprofunda como drama político, nem como filme de ação.

O Emissário (The Emissary, África do Sul, 1989) – Nota 2
Direção – Jan Scholtz
Elenco – Ted LePlat, Terry Norton, Robert Vaughn, Andre Jacobs, Ken Gampu.

Este longa produzido na África do Sul gira em torno de uma conspiração liderada pelo embaixador americano (o veterano canastrão Robert Vaughn), que é descoberta por um agente (Ted LePlat) e este tenta desmacarar o sujeito e ainda proteger a esposa (Terry Norton). Produção paupérrima que utiliza uma intriga internacional como tema, mas o fraco roteiro, as péssimas cenas de ação e o canastrão Ted LePlat não ajudam.

O Líder (The Alternate, EUA, 2000) – Nota 1
Direção – Sam Firstenberg
Elenco – Eric Roberts, Bryan Genesse, Ice T, John Beck, Michael Madsen, Brooke Theiss Genesse, Larry Manetti.

O Presidente dos EUA (John Beck) está em baixa e para aumentar sua popularidade arma o próprio seqüestro com seus agentes, porém um deles (Eric Roberts) é um terrorista que pretende assassiná-lo. O diretor Firstenberg é o sujeito que dirigiu a série “Guerreiro Americano” nos anos oitenta, entre outros filmes Z de ação. Este filme chega a ser rudimentar nas cenas de ação, está recheado de atores conhecidos que na época estavam decadência (Eric Roberts, Ice T e Michael Madsen) e tem ainda o inacreditavelmente péssimo Bryan Genesse, que produziu o filme e ainda colocou a esposa Brook Theiss no elenco. Um dos piores filmes de ação da história.

T.N.T (T.N.T, EUA, 1997) – Nota 4
Direção – Robert Radler
Elenco – Olivier Gruner, Randy Travis, Eric Roberts, Rebecca Staab, Judson Mills, Cyril O’Reilly, Sam Jones, Ken Olandt, Simon Rhee.

O mercenário Alex (Olivier Gruner) tem uma crise de consciência e decide abandonar o trabalho, o que não é bem aceito pelo seu chefe (Eric Roberts). Isto faz com seu chefe se torne seu inimigo e sequestre sua namorada (Rebecca Staab). O fato faz Alex volta a ativa para resgatar a namorada. O francês Olivier Gruner apareceu para o cinema no início dos anos noventa tentando ser um novo Van Damme ou algo assim, porém sua carreira nunca passou dos filmes B de ação e até hoje ainda continua na ativa. A curiosidade deste filme são os coadjuvantes interpretados por canastrões conhecidos como Eric Roberts, o cantor country Randy Travis e o “Flash Gordon” Sam Jones.

Confidências de uma Prisioneira Americana (The Concrete Jungle, EUA, 1982) – Nota 3
Direção – Tom DeSimone
Elenco – Jill St. John, Tracy Bregman, Barbara Luna, Peter Brown.

Uma jovem (Jill St. John) é usada sem saber pelo namorado para transportar drogas e acaba sendo presa. Este é o início do inferno que ela viverá numa prisão feminina, onde a diretora é corrupta, os guardas sádicos e as detentas perigosas. Violência, corrupção e sadismo são os ingrediente principais deste drama que copia a fórmula dos filmes de prisão masculinos e que passou muitas vezes nas sessões da madrugada na tv aberta nos anos oitenta.

Promessa de Sangue (Blood Vows: The Story of a Mafia Wife, EUA, 1987) – Nota 5
Direção – Paul Wendkos
Elenco – Melissa Gilbert, Joe Penny, Eileen Brennan. Anthony Franciosa, Talia Shire, Carmine Caride, Ron Karabatsos.

A jovem orfã Marian (Melissa Gilbert) conhece, se apaixona e casa com Edward (Joe Penny), porém somente após o casamento descobre que o marido faz parte da Máfia e ela como esposa deverá seguir as regras da organização, o que aos poucos a jovem não aceita e causará conflitos com o chefão (Anthony Franciosa). O diretor Wendkos fez diversos filmes para tv e alguns episódios de seriados, sendo que aqui utiliza um elenco oriundo quase todo da telinha, sem muito sucesso. Melissa Gilbert era estrela em “Os Pioneiros”, Anthony Franciosa e Joe Penny também eram atores de tv. Este filme passou algumas vezes nos canais abertos, também usando outro título, “A Princesa da Máfia”.

Alugado Para Matar (Slayground, Inglaterra, 1983) – Nota 2
Direção – Terry Bedford
Elenco – Peter Coyote, Mel Smith, Billie Whitelaw, Philip Seyar.

Um assassino profissional (Peter Coyote) é contratado por um milionário para matar três sujeitos que foram responsáveis pela morte da filha. Esta vingança é uma das piores da história do cinema, praticamente nada acontece durante o longa e até mesmo as cenas que seriam de ação, são fraquíssimas. Fica impressão de que Peter Coyote aceitou o papel porque precisava de dinheiro, não existe outra justificativa para um bom ator trabalhar num filme tão ruim.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Antonia

Antonia (Brasil, 2006) – Nota 7
Direção – Tata Amaral
Elenco – Negra Li, Cindy Mendes, Leilah Moreno, Quelinah, Thaíde, Sandra de Sá, Thobias da Vai-Vai, Giulio Lopes, Chico Andrade.

Quatro jovens negras que moram na Brasilândia, um bairro pobre da zona norte de São Paulo, são amigas desde criança e cantam como backing vocals para um grupo de rap. Num determinado show elas são descobertas por um empresário sonhador (o rapper Thaíde) que abre algumas portas para a carreira das garotas, porém os problemas diários de cada uma acabam atrapalhando o sonho.

O filme é um drama realista que mostra as dificuldades das quatro personagens, que precisam lidar com a maternidade, companheiros despreparados, preconceito e violência, entre outros problemas.

As filmagens foram no próprio bairro da Brasilândia e o sucesso do filme gerou uma série em seis episódios exibidos na TV aberta.

Como curiosidade, no elenco além do rapper Thaíde que tem um papel importante, temos a pequena participação da cantora Sandra de Sá, como a mãe religioso da personagem Preta, vivida por Negra Li. Por sinal, a cantora Negra Li é oriunda do bairro onde foi filmado o longa.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Em Defesa da Honra

Em Defesa da Honra – (Deacons for Defense, EUA, 2003) – Nota 6
Direção – Bill Duke
Elenco – Forest Whitaker, Jonathan Silverman, Ossie Davis, Gene Mack, Paul Benjamin, Beau Starr, Adam Weiner, Christopher Britton, Tyrone Benskin.

Nos anos sessenta em Bogalusa, Estado da Lousiana, os direitos dos negros são ignorados pelos poderosos, muitos deles ligados a Ku Klux Klan. Nesse período o veterano de guerra Marcus Clay (Forest Whitaker) trabalha numa fábrica onde recebe um salário baixo, sendo ainda mal tratado pelos superiores, mas sempre abaixando a cabeça e acatando as ordens.

Quando aparece na cidade o jovem Michael Dean (Jonathan Silverman), um branco que luta pelos direitos dos negros, Marcus acredita que ele apenas trará problemas e não aceita a opinião do sujeito. A situação muda quando num incidente com sua filha, Marcus é espancado por policiais racistas. Este é o estopim para ele mudar de posição e criar “Os Deacons of Defense”, um grupo de negros que se armam e começam a patrulhar seus bairros, uma espécie de milícia contra os abusos da polícia e da Ku Klux Klan.

Baseado numa história real, o longa conta uma das batalhas dos negros do sul dos Estados Unidos na luta pelos seus direitos, numa situação tensa e violenta. O filme em si não se aprofunda no tema, mas tem como destaque atuação de Whitaker, que mostra em seu personagem como o preconceito e a humilhação podem transformar uma pessoa calma em alguém que irá até o fim pelos seus direitos.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A Professora de Piano

A Professora de Piano (La Pianiste, Áustria / França, 2001) – Nota 7,5
Direção – Michael Haneke
Elenco – Isabelle Huppert, Annie Girardot, Benoit Magimel, Susanne Lothar, Udo Samel, Anna Sigalevitch.

Erika (Isabelle Huppert) é uma professora de piano solteirona que mora com a mãe dominadora (Annie Girardot) com quem trava brigas diárias e depois desconta suas frustrações nos alunos. Nas horas vagas ela visita lojas especializadas em pornografia para se excitar. Em certo momento um aluno arrogante, Walter (Benoit Magimel), se aproxima de Erika e tenta conquistá-la, porém se assusta quando descobre o outro lado da professora, que inicia um jogo sexual perigoso com o jovem.

O diretor austríaco Haneke é um dos mais provocativos do cinema atual, veja “Caché” por exemplo e “Violência Gratuita” que ainda preciso conferir. Aqui com ajuda da ótima interpretação de Isabelle Huppert, constrói um longa que mistura jogos sexuais, inclusive com algumas cenas degradantes com uma belíssima trilha sonora de música clássica, em diversas cenas de personagens ao piano. O ritmo lento e os poucos movimentos de câmera podem não agradar ao público acostumado com as produções de Hollywood, mas vale como um retrato diferente e sem pudor de uma mulher reprimida e com a mente distorcida.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Alice no País das Maravilhas

Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, EUA, 2010) – Nota 7,5
Direção – Tim Burton
Elenco – Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Crispin Glover, Matt Lucas, Marton Csokas, Tim Pigott Smith e vozes de Stephen Fry, Michael Sheen, Alan Rickman, Barbara Windsor, Paul Whitehouse, Timothy Spall.

O diretor Tim Burton apresenta uma releitura desta famosa história em uma adaptação que tem a sua cara. Personagens bizarros, animais falantes e um desenho de produção colorido e extremamente bem cuidado são os ingredientes deste agradável longa.

A história mostra uma Alice (Mia Wasikowska, atriz muito parecida com Gwyneth Paltrow) prestes a ser pedida em casamento pelo afetado filho de um lorde, apenas por conveniência, mas ela reluta em aceitar o pedido durante sua festa de noivado. A jovem é atraída pelo coelho falante e acaba caindo num buraco e levada para o País das Maravilhas, onde precisará ajudar a Rainha Branca (Anne Hathaway) a retomar o poder usurpado pela Rainha Vermelha (Helen Bonham Carter). Alice terá a ajuda de alguns personagens estranhos, alguns animais e do Chapeleiro Maluco (Johnny Depp).

As críticas não foram das melhores, mas eu gostei da adaptação. Sou fã da obra de Tim Burton e mesmo este longa sendo inferior a outros trabalhos do diretor, agrada e prende a atenção. As cenas de ação são bem feitas e as criaturas ganham charme nas vozes de vários atores ingleses de talento, como Stephen Fry, Alan Rickman e Michael Sheen, entre outros. Uma boa diversão, principalmente para quem gosta do estilo do diretor.