quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Abutres


Abutres (Carancho, Argentina / Chile / França / Coréia do Sul, 2010) – Nota 8
Direção – Pablo Trapero
Elenco – Ricardo Darin, Martin Gusman, Carlos Webber, José Luis Arias, Fabio Ronzano.

Sosa (Ricardo Darin) é um advogado que perdeu sua licença e hoje trabalha como “abutre” (o “carancho” do título original). Sua ocupação é monitorar acidentes com automóveis e convencer as vítimas e suas famílias para autorizar que ele e a empresa onde trabalha (chamada de “Fundação”) entrem com um processo contra as seguradoras. O tipo de abordagem seria no mínimo discutível, como percebemos na violenta cena inicial, porém aos poucos o espectador descobre que isto é apenas a ponta de um esquema que inclui advogados, policiais e paramédicos. 

Quando Sosa se apaixona pela jovem paramédica Lujan (Martina Gusman) e ao mesmo tempo se envolve num golpe que dá errado, percebe que chegou ao seu limite, mas sabe que tomar a atitude correto poderá causar conseqüências trágicas. 

O diretor Pablo Trapero já abordou a corrupção policial no bom “O Outro Lado da Lei” e aqui segue uma linha semelhante, mostrando como funciona na Argentina o chamado “golpe do seguro”, com diversas pessoas envolvidas que além de ganhar das seguradoras, ainda enganam as pobres vítimas. 

O roteiro utiliza dois personagens no limite, o Sosa de Ricardo Darin é um sujeito que tenta acreditar estar ajudando as vítimas, mas seu semblante deixa claro como ele está cansado da situação em que se envolveu. A paramédica Lujan da bonita Martina Gusman é uma jovem que tenta se firmar na profissão, mas acaba vencida pela pressão do trabalho e a dupla jornada (na ambulância e no hospital) a que é submetida, sendo obrigada a usar drogas para se manter acordada. 

É mais um exemplo de como o cinema argentino cresceu na última década e a cada ano produz novos filmes que merecem elogios, com um detalhe, o nome de Ricardo Darin está presente na maioria dos trabalhos desta safra.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Um Sonho Possível


Um Sonho Possível (The Blind Side, EUA, 2009) – Nota 7,5
Direção – John Lee Hancock
Elenco – Sandra Bullock, Tim McGraw, Quinton Aaron, Jae Head, Lily Collins, Kathy Bates, Ray McKinnon, Kim Dickens, Adriane Lenox.

Em Memphis, Tenessee, o jovem Michael Oher, mais conhecido como “Big Mike” (Quinton Aaron) é um adolescente grande no tamanho e na tristeza por viver em lares adotivos durante quase toda a vida, por causa da mãe ser viciada em drogas. 

O atual tutor de Big Mike percebe o talento do garoto para esportes e utiliza o fato para conseguir duas vagas num colégio particular, para Big Mike e também para seu filho legítimo. Após conseguir o desejado, o homem pede para Big Mike sair de sua casa, deixando o jovem sem lugar para morar. 

Por obra do destino, Big Mike cruzará com a família Tuohy, o marido Sean (Tim McGraw), sua esposa Leigh Anne (Sandra Bullock) e o casal de filhos S. J. (Jae Head) e Collins (Lily Collins), o que mudará completamenta a vida de todos. 

Este simpático drama é baseado num livro que conta a história de vida de Michael Oher, hoje um conhecido jogador de futebol americano, que teve um sofrida infância e conseguiu dar a volta por cima de uma forma fora do comum para os dias atuais. 

O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme e Sandra Bullock venceu o de Melhor Atriz. A atuação de Sandra é muito boa como a perua de bom coração e o filme mesmo sendo sensível, sua indicação ao Oscar me pareceu exagerada. 

Pela história que é contada, a quantidade de conflitos acaba sendo muito pequena ao que poderia ser considerado normal, o que passa a impressão de ser mais fábula do que uma história real. 

Vale destacar também a sensível interpretação do desconhecido Quinton Aaron, que trabalhava como segurança quando conseguiu o papel e depois teve algumas participações em seriados. A questão é esperar uma nova chance no cinema para o rapaz confirmar se tem mesmo talento.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Armadilhas do Coração


Armadilhas do Coração (The Importance of Being Earnest, EUA / Inglaterra, 2002) – Nota 7,5
Direção – Oliver Parker
Elenco – Rupert Everett, Colin Firth, Frances O'Connor, Reese Witherspoon, Judi Dench, Tom Wilkinson, Anna Massey, Edward Fox.

Na Inglaterra Vitoriana, Algernon “Algie” Moncrieff (Rupert Everett) é um cavalheiro que vive em meio a festas e mulheres as custas do dinheiro da família. Seu melhor amigo é John “Jack” Worthing (Colin Firth), um sujeito que fez fortuna sozinho e tenta se mostrar um nobre correto. O problema é que Jack criou um irmão falso chamado Earnest, para aproveitar a vida em Londres como se fosse outra pessoa, evitando assim problemas com sua amada (Frances O’Connor). 

Num final de semana, Jack vai para a casa de campo da família com a idéia de “matar” seu falso irmão para seguir a vida, porém Algie descobre a história e resolve se apresentar como sendo Earnest para tentar conquistar uma jovem pupila de Jack (Reese Witherspoon), dando início a uma grande confusão. 

Este longa é uma simpática comédia de erros baseada numa peça teatral de Oscar Wilde, que brinca com a hipocrisia da nobreza da época, que tenta manter uma aparência para a sociedade e vive suas aventuras as escondidas. 

O título original brinca com a palavra Earnest, utilizado como nome do personagem fictício interpretado por Rupert Everett e que em inglês significa "sério ou honesto".

O destaque são os diálogos afiados e o personagem de Rupert Everett, que faz um sujeito amoral e totalmente cara de pau.

domingo, 28 de agosto de 2011

Poseidon (1972, 1979 & 2006)


O Destino do Poseidon (The Poseidon Adventure, EUA, 1972) – Nota 8
Direção – Ronald Neame
Elenco – Gene Hackman, Carol Lynley, Erneste Borgnine, Shelley Winters, Red Buttons, Roddy McDowall, Stella Stevens, Leslie Nielsen, Pamela Sue Martin.

Durante os festejos da Noite de Ano Novo, o transatlântico Poseidon é atingido por uma onda gigantesca e vira de ponta cabeça. A maioria das pessoas estavam no salão de festas e alguns sobreviventes tentam escapar para chegar ao casco do navio escalando uma árvore de natal. O grupo que é liderado pelo Reverendo Scott (Gene Hackman) terá de enfrentar diversas desafios para sobreviver. 

O sucesso de “Aeroporto” em 1970 abriu as portas para o chamado “Cinema Catástrofe” e este “o Destino do Poseidon” é um dos melhores do gênero. O produtor Irwin Allen que era conhecido por séries de sucesso como “Túnel do Tempo”, “Terra de Gigantes” e “Perdidos no Espaço” migrou aqui com sucesso para o cinema, sendo este apenas o primeiro de diversos filmes do gênero que ele comandou. 

As sequências dentro do navio são muito bem filmadas e cheias de tensão, criando um estilo onde um grupo de pessoas tentam sobreviver e poucos conseguem chegar ao final. 

O diretor Ronald Neame que comandou longas como “Meteoro” e “O Dossiê de Odessa” faleceu em 2010 aos noventa e nove anos.

Dramático Reencontro do Poseidon (Beyond the Poseidon Adventura, EUA, 1979) – Nota 7
Direção – Irwin Allen
Elenco – Michael Caine, Sally Field,  Telly Savalas, Karl Marlden, Peter Boyle, Jack Warden, Shirley Knight, Shirley Jones, Slim Pickens, Mark Harmon, Veronica Hamel.

Após o desastre com o transatlântico Poseidon, duas equipes que em tese seriam de resgaste, chegam ao local antes que o navio afunde. Uma das equipes é liderada por Mike Turner (Michael Caine), que pretende resgastar sobreviventes e também lucrar com os objetos de valor que puder levar. A segunda equipe liderada por Stefan Svevo (Telly Savalas) tem a única intenção de fazer riqueza. As equipes entrarão em conflito, encontrarão sobreviventes e terão de escapar dos perigos do navio que está de ponta cabeça. 

Este longa foi dirigido pelo produtor Irwin Allen já num momento em que o “Cinema Catástrofe” está em baixa. A intenção foi conseguir algum sucesso utilizando o interesse que o longa de 1972 despertou no público. Apesar de ser inferior ao original, ainda diverte quem gosta do gênero e como era usual tem um elenco cheio de nomes famosos.

Poseidon (Poseidon, EUA, 2006) – Nota 6
Direção – Wolfgang Petersen
Elenco – Josh Lucas, Kurt Russell, Richard Dreyfuss, Jacinda Barrett, Emmy Rossum, Mike Vogel, Mia Maestro, Kevin Dillon, Freddy Rodriguez, Jimmy Bennett, Stacy Ferguson, Andre Braugher.

Na noite de Ano Novo, um tsunami atinge o luxuoso navio Poseidon e o vira de ponta cabeça. Os sobreviventes presos na salão principal estão desesperados e a maioria prefere esperar pelo resgate. Um grupo liderado pelo jogador de cartas Dylan Johns (Josh Lucas) resolve tentar chegar a superfície por conta própria. Entre os que tentam escapar estão um ex-prefeito de Nova York  (Kurt Russell) e sua filha (Emmy Rossum), um homossexual (Richard Dreyfuss), uma clandestina (Mia Maestro), entre alguns outros personagens. 

Mesmo como os efeitos especiais de primeira, esta refilmagem é bem inferior ao original de 1972, que tinha coadjuvantes melhores e cenas de ação mais próximas da realidade do que esta nova versão. 

Este é provavelmente o pior filme da carreira do bom diretor alemão Wolfgang Petersen, que curiosamente fez um sensacional filme de suspense dentro de um submarino chamado “O Barco – Inferno no Mar” (“Das Boot” no título original), o que em tese seria um belo currículo para um longa em uma navio, porém o resultado fica muito aquém do talento de Petersen.


sábado, 27 de agosto de 2011

A Outra Face da Raiva


A Outra Face da Raiva (The Upsider of Anger, EUA / Alemanha / Inglaterra, 2005) – Nota 7,5
Direção – Mike Binder
Elenco – Joan Allen, Kevin Costner, Evan Rachel Wood, Erika Christensen, Keri Russell, Alicia Witt, Mike Binder, Dane Christensen, Tom Harper.

Terry Ann Wolfmeyer (Joan Allen) descobre que seu marido sumiu e provavelmente fugiu com a secretária para fora do país, a deixando com as quatro filhas. O fato a deixa totalmente amargurada, criando uma tensão diária com as filhas. A situação parece poder melhorar quando o ex-jogador de beisebol e hoje radialista Denny Davies (Kevin Costner) se aproxima da família e mostra interesse na complicada Terry, mas não será fácil. 

O interessante roteiro do diretor e também ator Mike Binder (“Reine Sobre Mim”) mostra como a raiva e o rancor cegam as pessoas e podem se tornar algo contagioso dentro de um ambiente. O rancor de Terry bate diretamente nas filhas, a mais velha Hadley (Alicia Witt) se casa e nas poucas vezes que encontra a mãe sempre entra em conflito, a sensível  Emily (Keri Russell) sofre por dentro, Andy (Erika Christensen) tenta manter uma certa distância, enquanto a adolescente Popeye (Evan Rachel Wood) é a razão e também a narradora da história. 

O resultado é um drama sensível com personagens realistas que valem a sessão e tendo ainda a simpática participação de Kevin Costner, interpretando um personagem que também carrega suas amarguras de uma forma diferente.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Ghost Dog & Os Limites do Controle


Ghost Dog – Matador Implacável (Ghost Dog, França / Alemanha / EUA / Japão, 1999) – Nota 7,5
Direção – Jim Jarmusch
Elenco – Forest Whitaker, John Tormey, Cliff Gorman, Henry Silva, Tricia Vessey, Victor Argo, Isaach de Bankolé, Camille Winbush, Gary Farmer, Richard Portnow, Damon Whitaker.

O assassino professional conhecido apenas como Ghost Dog (Forest Whitaker) é um sujeito calado que vive de acordo com o antigo código dos samurais. Por este motivo ele acredita ter uma dívida eterna com Louie (John Tormey), um homem ligado a máfia que salvou sua vida anos atrás. Sua estranha vida se complica quando durante um assassinato ele é visto por Louise (Tracy Vessey), filha do chefão mafioso Ray Vargo (o veterano Henry Silva) e de assassino se transforma em alvo. 

Este longa é indicado para quem gosta dos trabalhos de Jim Jarmusch, que conta suas histórias sem pressa e com personagens que parecem viver em um mundo particular. Aqui o personagem de Whitaker negocia seus trabalhos através de mensagens por um pombo-correio e vive praticamente sozinho, cumprindo sempre uma rotina, que por sinal gera cenas interessantes nos diálogos com falante dono de um trailer de comida, interpretado pelo marfinense Isaach de Bankolé, figura comum nos filmes de Jarmusch. 

Os Limites do Controle (The Limits of Control, EUA / Japão, 2009) – Nota 6
Direção – Jim Jarmusch
Elenco – Isaach de Bankolé, Alex Descas, Jean Francois Stevenin, Luis Tosar, Paz de La Huerta, Tilda Swinton, Youki Kudoh, John Hurt, Gael Garcia Bernal, Hiam Abbas, Bill Murray.

Um sujeito (Isaach de Bankolé) é contratado por dois homens (Alex Descas e Jean Francois Stevenin) para assassinar alguém na Espanha. O assassino sem nome começa sua jornada em Madrid,  passa por algumas cidades até chegar num pequeno vilarejo para cumprir a missão. 

Este trabalho de Jarmusch é com certeza um dos seus filmes mais lentos e contemplativos, sendo de difícil digestão pelo público comum. O personagem principal tem poucas frases durante o filme, o espectador saberá apenas que ele gosta de beber dois cafés expressos em xícaras separadas e que não fala espanhol. 

Durante seu caminho ele cruza com diversos personagens que passam informações secretas sobre sua jornada e cada um deles disserta sobre temas filosóficos como moléculas, Schubert e o sentido da vida, além da estranha e desinibida personagem de Paz de La Huerta, que fica nua boa parte do filme. 

Acredito que o papel principal seja um presente ao ator marfinense Isaach de Bankolé, coadjuvente habitual nos longas de Jarmusch.   


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Ressaca


A Ressaca (Hot Tube Time Machine, EUA, 2010) – Nota 5
Direção – Steve Pink
Elenco – John Cusack, Craig Robinson, Rob Corddry, Clark Duke, Crispin Glover, Chevy Chase, Lyndsy Fonseca, Sebastian Stan, Charlie McDermott, Lizzy Caplan, Collette Wolfe.

Quando o maluco e irresponsável Lou (Robb Corddry) tenta se matar e acaba no hospital, seu dois amigos do tempo de adolescência, Nick (Craig Robinson) e Adam (John Cusack) resolvem tentar melhorar o astral do sujeito o levando para um hotel numa cidade nas montanhas onde eles passaram as melhores férias da vida vinte anos antes. 

Como os três estão na chamda crise na meia-idade e frustrados com a vida que tem, a viagem pode ser uma chance de se divertir. Eles levam ainda o jovem Jacob (Clark Duke) sobrinho de Adam. No hotel os amigos decidem entrar na mesma hidromossagem que utilizaram há vinte anos e por um defeito na máquina acabam voltando no tempo para 1986, onde terão de enfrentar as mesmas situações malucas que viveram no passado. 

Pegando carona no sucesso de “Se Beber, Não Case!”, este filme tem uma premissa que poderia render um filme extremamente divertido, ao mostrar as coisas engraçadas dos anos oitenta pelos olhos de adultos que voltam a adolescência, porém o roteiro é muito ruim e se prende em piadas de baixo nível. Até mesmo a trilha sonora da época que sempre rende boas sequências, aqui deixam a sensação de que faltou serem melhores exploradas. 

Os poucos momentos de destaque são as engraçadas participações de Crispin Glover (o pai de Michael J.Fox no primeiro “De Volta Para o Futuro”) como o carregador de malas do hotel e a homenagem ao comediante Chevy Chase, famoso nos anos oitenta, que aqui interpreta o sujeito que conserta a hidromassagem. 

Diferente de “Se Beber, Não Case!”, falta carisma aos personagens, salvando-se o engraçado Craig Robinson. Já Rob Corddry faz um personagem irritante e o jovem Clark Duke tem um papel que seria muito mais engraçado com Jonah Hill por exemplo. Até mesmo o bom ator John Cusack parece perdido em meio ao tiroteio de situações idiotas. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Guerra nas Estrelas


Guerra nas Estrelas (Star Wars, EUA, 1977) – Nota 9
Direção – George Lucas
Elenco – Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Alec Guinness, Peter Cushing, Anthony Daniels, Kenny Baker, Peter Mayhew, James Earl Jones.

Por mais que a nova geração chame este clássico de “Episódio IV – Uma Nova Esperança”, prefiro o título original “Guerra nas Estrelas”. 

O longa é um marco não só pela qualidade, mas também por ser o pioneiro em utilizar o sucesso para vender produtos agregados a marca. Todo o tipo de quinquilharia foi vendida, como álbuns de figurinha, bonecos que hoje valem muito para colecionadores e até um robô réplica do personagem R2-D2. Hoje está prática é comum, em muitos casos o marketing é mais bem feito do que o filme, que passa a ser apenas um produto. 

Mais voltando ao filme de George Lucas, na época o objetivo principal era o sucesso de público e após a enorme bilheteria que fez “Tubarão’ de Spielberg, Lucas percebeu que o público esperava filmes mais leves do que a maioria do trabalhos dos anos setenta. Como ele tinha há muito tempo o esboço do roteiro e conseguiu um certo crédito para produzir o filme após ter chamado a atenção com “Loucuras de Verão” (“American Graffiti’), estavam abertas as portas da série mais lucrativa da história do cinema. 

A história começa quando o tio do jovem Luke Skywalker (Mark Hamill) compra dois robôs que seriam sucatas, porém eles trazem uma mensagem a ser entregue para Obi Wan Kenobe (o veterano Alec Guinness). A mensagem foi enviada pela Princesa Leia (Carrie Fisher) que precisa de ajuda para combater o Imperador e seu braço direito Darth Vader (a voz grandiosa de James Earl Jones). O tio conta para Luke parte de sua vida e este resolve encontrar a Princesa para ajudar na luta. No caminho ele se alia ao mercenário Han Solo (Harrison Ford) e a a Chewbacca (Peter Mayhew). 

O restante do filme são ótimas sequências de ação, mesmo que filmadas de modo simples, com técnicas bem diferentes das atuais, uma história que tem como ponto principal a luta do bem contra o mal e um elenco repleto de personagens carismáticos. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Rede Social


A Rede Social (The Social Network, EUA, 2010) – Nota 8
Direção – David Fincher
Elenco – Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Hammer, Rooney Mara, Max Minghella, Jospeh Mazzello, John Getz, David Selby, Wallace Langham.

O ótimo diretor David Fincher usa todo seu talento para contar os bastidores do nascimento do Facebook e as disputas jurídicas que ocorreram após o sucesso do site. Apoiado no roteiro vencedor do Oscar de Aaron Sorkin (criador da série “The West Wing”) que foi baseado no livro de Ben Mezrich, que por sua vez teve a consultoria do brasileiro Eduardo Saverin, um dos envolvidos nos embróglio jurídico, tomamos conhecimento mais a fundo das brigas e traições entre Mark Zuckerberg e seus “amigos”.

O roteiro mostra duas situações: Primeiro o nascimento do Facebook, quando Zuckerberg (Jesse Eisenberg) após tomar uma merecido fora da namorada (Rooney Mara), pede ajuda a seu amigo Eduardo Saverin (Andrew Garfield) para hackear fotos de garotas de Harvard, univesidade onde eles estudam, criando uma espécie de concurso on-line para escolher a mais gostosa. 

O fato ajuda o rapaz ficar conhecido dentro da universidade e receber o convite dos irmãos Winklevoss (Armie Hammer em papel duplo) e de Divya Narendra (Max Minghella) para criação de uma rede social exclusiva para alunos de Harvard. Com seu dissimulado jeito de nerd, Zuckerberg engana o trio e se apodera da idéia, aumentando o raio de alcance e criando o Facebook. 

Em pararelo, vemos as disputas jurídicas em que Zuckerberg é o réu, com os irmãos Winklevoss alegando roubo da idéia e com seu ex-amigo e sócio Eduardo Saverin, que durante o filme veremos que foi passado para trás. 

O roteiro pinta Zuckerberg como um gênio da informática e ao mesmo tempo um sujeito desonesto e inseguro que toma atitudes vingativas extremamente infantis. 

As atuações de Esisenberg (que concorreu ao Oscar) e de Andrew Garfield são perfeitas, assim como a boa participação de Justin Timberlake como Sean Parker, o polêmico criador do Napster. 

A história é um grande exemplo do mundo em que vivemos, onde dinheiro e poder estão acima das amizades para uma geração que pouco se importa com relacionamentos verdadeiros, o que vale são as relações onde possam obter alguma vantagem, satisfazer seus desejos e conseguir sucesso.

domingo, 21 de agosto de 2011

Por um Triz & O Poderoso Quinn


Por um Triz (Out of Time, EUA, 2003) – Nota 7
Direção – Carl Franklin
Elenco – Denzel Washington, Eva Mendes, Sanaa Lathan, Dean Cain, John Billingsley, Alex Carter, Nora Dunn.

O delegado Matt Whitlock (Denzel Washington) é respeitado numa pequena cidade da Flórida, porém tem um caso com Ann Merai (Sanaa Latham) que é casada com o violento Chris (Dean Cain). Matt ainda está se separando de Alex (Eva Mendez), que também é policial e acabou de ser promovida a detetive de homicídios, sendo este um dos motivos da separação. 

Quando Ann Merai conta para Matt que está com câncer e precisa de dinheiro para um tratamento na Europa, sendo esta sua única esperança de vida, os dois fazem um acordo: Enquanto Ann Merai faz uma apólice de seguros no nome de Matt, ele pegará emprestado no cofre da delegacia o valor para custear o tratamento, porém a moça some logo em seguida e aparentemente é encontrada morta em um incêncio criminoso. 

A situação se complica quando Alex, a ex-esposa de Matt é indicada para investigar o caso e todas as pistas levam a Matt, que precisa entender o que realmente aconteceu antes de descobrirem que ele roubou o dinheiro. 

É um filme policial misturado com suspense que utiliza bem os clichês do gênero, tem boas cenas de ação, a competência de sempre de Denzel Washington e a beleza de Eva Mendes.  

O Poderoso Quinn (The Mighty Quinn, EUA, 1989) – Nota 6,5
Direção – Carl Schenkel
Elenco – Denzel Washington, James Fox, Mimi Rogers, Robert Townsend, Sheryl Lee Ralph, M. Emmet Walsh, Esther Rolle, Art Evans, Tyra Ferrell.

Xavier Quinn (Denzel Washington) é um policial respeitado numa ilha do Caribe, circulando com tranquilidade entre a elite branca e os negros trabalhadores. Quando acontece um assassinato e some uma mala cheia de dinheiro, seu amigo de infância Maubee (o comediante Robert Townsend) se torna o principal suspeito. Pressionado para resolver o caso, Quinn não tem certeza se o amigo é culpado e além disso precisa encontrá-lo, já que o sujeito desapareceu após o crime. 

É o típico filme policial que prende a atenção com um roteiro que utiliza os clichês do gênero sem maiores preocupações em inovar, inclusive com Denzel Washington num papel que interpretou outras vezes no cinema, o de herói não tão honesto. O destaque são as belas paisagens da ilha caribenha onde o longa foi filmado.   


sábado, 20 de agosto de 2011

Brincando nos Campos do Senhor


Brincando nos Campos do Senhor (At Play in the Fields of the Lord, EUA / Brasil, 1991) – Nota 7,5
Direção – Hector Babenco
Elenco – Tom Berenger, Aidan Quinn, John Lithgow, Daryl Hannah, Kathy Bates, Tom Waits, Stênio Garcia, Nelson Xavier, José Dumont, Niilo Kivirinta, Ruy Polanah.

Martin Quarrier (Aidan Quinn), sua esposa Hazel (Kathy Bates) e o pequeno filho Billy (Niilo Kivirinta) chegam a uma pequena missão no meio da selva amazônica com o objetivo de catequizar uma tribo indígena hostil. A família é recebida por outro casal de missionários, Leslie Huben (John Lithgow) e sua esposa Andy (Daryl Hannah). Leslie tem um acordo com Gusmão (José Dumont) o chefe de polícia local, prometendo pacificar os índios em um ano, para que as terras destes possam ser exploradas sem violência. 

Ao mesmo que tempo que a família Quarrier chega ao local, um pequeno avião faz um pouso em busca de combustível, tendo como pilotos dois mercenários americanos, Wolf (o cantor Tom Waits) e o descendente de índios Lewis Moon (Tom Berenger). Lewis é um sujeito cético com o ser humano e com sua origem, porém após tomar a droga conhecida como ayahuasca, entra em uma espécie de transe e toma uma decisão que muda completamente sua vida.

Quando “O Beijo da Mulher Aranha” recebeu quatro indicações para o Oscar, as portas de Hollywood se abriram para Hector Babenco que fez em seguida “Ironweed”, um drama que foi sucesso de crítica e fracasso de público. Sua última e grande chance em Hollywood seria esta adaptação do livro de Peter Mathiessen, uma produção bancada por Saul Zaentz que Babenco conseguiu que fosse lançada com mais de três horas de duração. O resultado foi um retumbante fracasso de crítica e público.

O filme é interessante, mas é fácil entender o fracasso de público em virtude da longa duração, que deixa o filme cansativo em algumas passagens, principalmente ao mostrar rituais indígenas em exagero. As filmagens também foram conturbadas por causa da dificuldade em se filmar na região amazônica, onde várias pessas ligadas a produção sofreram com febre atrasando as filmagens, além das desavenças entre atores e produção.

A história toca em vários pontos interessantes como a tentativa de doutrinação religiosa dos índios pelos brancos e suas conseqüências, a corrupção no interesse de exploração de terras ricas, além do bom desenolvimento dos personagens e de mostrar a duríssima vida na região, que pode levar as pessoas a atitudes extremas e algumas a loucura.

O elenco dividido entre americanos e brasileiros (além dos indígenas) tem boa atuação, com o bom apoio de coadjuvantes brasileiros, tendo a curiosidade de ver Stênio Garcia no papel do chefe da tribo indígena.

É um filme pouco visto pelo público em geral em virtude de todos estes problemas, mas que vale uma sessão para um cinéflio curioso. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Desconhecidos


Desconhecidos (Unknow, EUA, 2006) – Nota 7
Direção – Simon Brand
Elenco – Jim Caviezel, Greg Kinnear, Barry Pepper, Bridget Moynahan, Joe Pantoliano, Jeremy Sisto, Peter Stormare, Chris Mulkey, Claine Crawford, Mark Boone Junior, David Selby, Adam Rodriguez, Kevin Chapman, Wilmer Calderon.

Cinco desconhecidos acordam num galpão trancado por um sistema segurança, que tem ainda vidros blindados e grades nas janelas, localizado no meio do deserto. 

Os sujeitos não se lembram como chegaram ali e todos tem algum ferimento. Dois deles (Jim Caviezel e Barry Pepper) tem sinais de que brigaram, um terceiro está com o nariz quebrado (Greg Kinnear), o quarto levou um tiro e está algemado (Jeremy Sisto) e o último está amarrado a uma cadeira (Joe Pantoliano). Em paralelo, um mulher (Bridget Moynahan) com ajuda a polícia carrega uma mala de dinheiro para pagar o resgate do marido, que provavelmente é um dos cinco homens presos no galpão. 

A ótima premissa lembra filmes de ficção como o ótimo “Cubo” e o recente “Predadores”, onde desconhecidos precisam descobrir como foram parar no local e ainda lutar para sobreviver. 

O filme vai direto ao assunto, a curta duração (85 minutos) deixa a história enxuta e cria interessante tensão entre os personagens, principalmente por eles lembrarem as poucos como chegaram aqui, deixando dúvidas de quem são os mocinhos e quem são os bandidos, tanto entre eles como no espectador. 

Mesmo não sendo um grande filme, o resultado é competente e o roteiro ainda apresenta uma pequena reviravolta no final.  

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Escritores da Liberdade & O Preço do Desafio


Escritores da Liberdade (Freedom Writers, EUA, 2007) – Nota 7,5
Direção – Richard LaGravenese
Elenco – Hilary Swank, Patrick Dempsey, Scott Glenn, Imelda Staunton, April Lee Hernandez, Mario, Kristin Herrera, Robert Wisdom.

O longa é baseado na história real da professora Erin Gruwell (Hilary Swank), que começou a lecionar nos anos noventa em uma escola pública em Los Angeles, onde os alunos se dividiam em grupos étnicos e vários deles participavam de gangues. A princípio sendo tratada como uma intrusa, aos poucos a professora Erin consegue quebrar as barreiras raciais e transformar aqueles jovens a margem da sociedade em seres humanos que aprendem a respeitar para serem respeitados. 

O filme é narrado pela personagem Eva (April Lee Hernandez), através de um diário que os alunos foram motivados pela professora a escrever e que anos depois se transformou num livro que serviu de base ao filme. 

Apesar da história mostrar a mudança dos alunos com certa facilidade, vale como exemplo de que não é impossível fazer com que jovens perdidos na vida encontrem seu caminho, lógico que isso depende também da vontade da própria pessoa. 

A cena de maior destaque é a conversa dos jovens com a senhora austríaca que deu abrigo a Anne Frank na Segunda Guerra, filmada de modo simples e ao mesmo tempo extremamente emotiva.

O Preço do Desafio (Stand and Deliver, EUA, 1988) – Nota 7,5
Direção – Ramon Menendez
Elenco – Edward James Olmos, Lou Diamond Phillips, Andy Garcia, Rosana de Soto, Carmem Argenziano, Estelle Harris.

Jaime Escalante (Edward James Olmos) se desliga de seu emprego para lecionar numa escola pública em Los Angeles, onde a maioria dos alunos pertence a famílias problemáticas e convivem diariamente com drogas e violência. Escalante deveria ser o professor de informática, porém descobre que a escola não possui computadores e por este motivo é designado para dar aulas de matemática. 

Logo ele percebe todos os problemas que terá de enfrentar, além dos já citados, também o desinteresse dos alunos no estudo, principalmente por acreditarem que suas vidas não tem futuro. A persistência de Escalante mudará a vida de vários alunos, inclusive levando a própria escola a duvidar dos seus métodos. 

Estes é um dos grandes filmes sobre professores idealistas, tendo como ponto principal a interpretação de Edward James Olmos, que na época era conhecido por papéis de coadjuvante em “Blade Runner” e na série “Miami Vice’ onde por alguns temporadas fez o Tenente Castillo e aqui confirmou ser um ótimo ator, sendo até indicado ao Oscar.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

O Galante Mr. Deeds


O Galante Mr. Deeds (Mr. Deeds Goes to Town, EUA, 1936) – Nota 8
Direção – Frank Capra
Elenco – Gary Cooper, Jean Arthur, George Bancroft, Lionel Stander, Douglass Dumbrille.

Um milionário morre num acidente de carro e deixa sua herança para o distante sobrinho Longfellow Deeds (Gary Cooper), um sujeito simples que vive numa pequena cidade. 

O advogado John Cedar (Douglass Dumbrille) se anima acreditando que poderá enganar o ingênuo rapaz e se tornar o administrador da fortuna, porém se assusta quando percebe que Deeds é extremamente esperto. 

Como Deeds se tornou famoso, várias outras pessoas tentam morder um pedaço da herança do rapaz, sem sucesso, mas uma repórter (Jean Arthur) se faz passar por garota simples para se aproximar de Deeds, que logo se apaixona sem saber a verdade. 

Mesmo sendo inferior ao grande “A Felicidade Não se Compra”, este trabalho de Frank Capra novamente mostra com sensibilidade as virtudes e os defeitos do ser humano. Como Deeds é um sujeito puro e justo que não muda sua atitude após ficar rico, acaba sendo visto como otário por outras pessoa. 

Grande parte dos personagens são egoístas e corruptos, como os advogados que tentam provar que ele é maluco, os parentes do falecido que querem sua parte do dinheiro, uma organização que o pressiona por uma grande doação e os jornais sensacionalistas que desejam vender mais criando polêmica, fato ainda mais comum nos dias de hoje. 

Como em toda obra de Capra, a justiça acaba vencendo, principalmente porque sua carreira chegou ao auge durante a Depressão Americana nos anos trinta, quando a economia do país estava no buraco e seguiu durante a Segunda Guerra, o que fez com Capra fosse uma espécie da agente da esperança dirigindo filmes que faziam bem a alma das pessoas sofridas da época.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

La Linea & Além da Fronteira


La Linea (La Linea, EUA / México, 2009) – Nota 5
Direção – James Cotten
Elenco – Ray Liotta, Andy Garcia, Esai Morales, Armand Assante, Valerie Cruz, Jordi Vilasuso, Kevin Gage, Bruce Davison, Joe Morton, Danny Trejo, Gary Daniels, Michael DeLorenzo.

O assassino Mark Shields (Ray Liotta) é enviado para Tijuana na divisa entre México e Estados Unidos com o objetivo de assassinar Pelon (Esai Morales), o sucessor na liderança de um cartel de drogas que tem como chefão Javier Salazar (Andy Garcia), que está à beira da morte. O cartel passa por uma disputa entre Pelon e Diablo (Jordi Vilasuso), sendo que eles estão sob a mira da CIA em virtude de estarem negociando drogas com um grupo muçulmando ligado ao terrorismo. 

O roteiro do também diretor R. Ellis Frazer (do poserior e semelhante “Além da Fronteira”) tenta misturar temas atuais como terrorismo e narcotráfico na fronteira mexicana, com os clichês dos filmes policiais interpretados por sujeitos com algum trauma do passado que acabam se envolvendo com uma prostituta, além de criar uma reviravolta final completamente absurda. 

Acredito que Frazer tenha bons contatos e amizades para conseguir escalar Andy Garcia como chefão traficante (assim como em “Além da Fronteira”), além de coadjuvantes com certo currículo como Armand Assante, Bruce Davison e Joe Morton. O papel principal para Ray Liotta pode ser considerado normal, já que sua carreira é irregular e nos últimos anos vem errando muito nas escolha dos papéis.

Além da Fronteira (Across the Line: The Exodus of Charlie Wright, EUA, 2010) – Nota 5,5
Direção – R. Ellis Frazier
Elenco – Aidan Quinn, Andy Garcia, Mario Van Peebles, Danny Pino, Claudia Ferri, Luke Goss, Gary Daniels, Gina Gershon, Bokeem Woodbine, Jordan Belfi, Geoffrey Ross, Corbin Bernsen, Raymond J. Barry, Elya Baskin.

O banqueiro Charlie Wright (Aidan Quinn) após dar um golpe financeiro, foge antes de ser preso pelo FBI. Por acaso, Charlie é visto em Tijuana, México e dá início a uma caçada onde algumas pessoas desejam encontrar o sujeito. Por parte do FBI, o agente Hobbs (Mario Van Peebles) que deixou Charlie escapar, a máfia russa que tinha uma bolada aplicada nos negócios do sujeito e dois irmãos (Andy Garcia e Danny Pino) que comandam um cartel em Tijuana, mas estão cheio de dívidas com outro cartel da Cidade do México e consideram o dinheiro do banqueiro a única chance de salvar a família. 

Este longa loi lançado direto em DVD nos Estados Unidos e fica claro o porquê: É uma no história com um péssimo roteiro. A premissa do banqueiro picareta sendo perseguido em virtude do dinheiro que roubou poderia render um bom filme, mas a realização é pífia. São diversas falhas no roteiro, por exemplo a forma pela qual Charlie é encontrado pelos bandidos nunca é explicada, o FBI encontra o sujeito porque um dos seus agentes está de férias na horrível Tijuana, além da absurda sequência final onde quase todos os personagens andam armados por uma feira na cidade como se estivessem no velho oeste e com um final em que praticamente nada acontece. 

Outro desperdício é o elenco encabeçado por um envelhecido Aidan Quinn, com Andy Garcia repetindo o papel de chefão (série “Doze Homens e um Segredo”, “A Última Cartada” e “La Linea’) a qual se acostumou nos últimos anos, além de personagens que pouco dizem a trama, como a sensual Gina Gershon como esposa de Andy Garcia e a dupla de mafiosos russos Raymond J. Barry e Elia Baskyn que aparecem em duas ou três cenas.

domingo, 14 de agosto de 2011

A Supremacia Bourne


A Supremacia Bourne (The Bourne Supremacy, EUA / Alemanha, 2004) – Nota 9
Direção – Paul Greengrass
Elenco – Matt Damon, Franka Potente, Brian Cox, Julia Stiles, Karl Urban, Gabriel Mann, Joan Allen, Marton Csokas, Karel Roden, Tomas Arana, Michelle Monaghan, John Bedford Lloyd.

Após descobrir sobre seu passado e acreditar que poderia começa nova vida com Marie (Franka Potente), Jason Bourne (Matt Damon) é surpreendido pelo ataque de um agente que mata sua companheira. Novamente Bourne escapa e retoma sua investigação para descobrir quem o está perseguindo. Por outro lado, o diretor da CIA Ward Abbott (Brian Cox) deseja a morte da Bourne que pode revelar um segredo que arruinaria sua carreira. Além disso, uma força tarefa liderada por Pamela Landy (Joan Allen) é criada para localizar Bourne e ela escala a agente Nicky Parsons (Julia Stiles) para encontrá-lo na Europa. 

Esta sequência é tão competente e cheia de adrenalina como o longa original, tendo um roteiro extremamente bem escrito e uma história que se encaixa perfeitamente com as cenas de perseguição. Boa parte do elenco original está aqui e temos ainda a entrada da ótima Joan Allen como uma figura importante da CIA. 

Este foi o primeiro filme da dupla Greengrass/Damon, que retornaria na sequência “O Ultimato Bourne” e no drama de guerra “Zona Verde”.

sábado, 13 de agosto de 2011

A Lenda do Tesouro Perdido


A Lenda do Tesouro Perdido (National Treasure, EUA, 2004) – Nota 7,5
Direção – Jon Turteltaub
Elenco – Nicolas Cage, Diane Kruger, Justin Bartha, Sean Bean, Jon Voight, Harvey Keitel, Christopher Plummer, Mark Pellegrino, David Dayan Fischer, Oleg Taktarov, Stewart Finlay McLennan.

Benjamin Franklin Gates (Nicolas Cage) é um caçador de tesouros que segue a tradição de sua família. Seu alvo principal é descobrir o Tesouro dos Templários, que conforme a lenda foi escondido pela Maçonaria durante a Revolução Americana. 

Numa destas caçadas, ele e sua equipe descobrem uma pista que aponta para o tesouro, porém o mapa estaria na Declaração de Independência Americana, documento histórico guardado em um museu. Um dos parceiros de Ben, Ian Howe (Sean Bean) vê a chance de enriquecer e planeja roubar o documento, sem antes tentar matar Ben e seu outro parceiro, Riley Poole (Justin Bartha), que acabam se salvando. 

Os dois amigos resolvem pedir ajuda ao FBI para impedir o roubo, mas são ignorados pela agente Abigail Chase (Diane Kruger), o que deixa como única saída da dupla tentar eles mesmos roubarem o documento.

Esta aventura pega carona no sucesso de “O Códido Da Vinci”, principalmente no livro, cumprindo bem o papel de divertir o espectador com uma boa história e cenas de ação bem filmadas. 

Entre vários filmes irregulares, este é um bom trabalho de Nicolas Cage, que tem a ajuda cômica de Justin Bartha e a beleza de Diane Kruger, além de Sean Bean repetindo pela enésima papel de vilão. 

Como curiosidade, o diretor John Turteltaub é responsável por outros simpáticos filmes, como “Enquanto Você Dormia”, “Operação Dumbo” e “Jamaica Abaixo de Zero”, além da continuação deste “A Lenda do Tesouro Perdido” produzida em 2007.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Western - Cinco Filmes

Django (Django, Itália / Espanha, 1966) – Nota 7
Direção – Sergio Corbucci
Elenco – Franco Nero, Loredana Nusciak, José Bódalo.

Um dos grandes clássicos do chamado “Western Spaghetti”, este filme tem bom o ator Franco Nero no papel título. Django é uma figura estranha que chega a uma pequena cidade na fronteira dos EUA com o México arrastando um caixão. Logo ele entre em conflito com um grupo que domina o local e humilha os mexicanos. O objetivo de Django é vingar a morte da esposa e no caixão ele carrega uma metralhadora para cumprir a missão. O longa transformou Franco Nero em astro e o levou para Hollywood onde trabalhou em filmes como “Comando 10 de Navarone” e “A Bíblia”.

Viva Sabata! (Arriva Sabata! Espanha / Itália, 1970) – Nota 4
Direção – Túlio Demicheli
Elenco – Anthony Steffen, Peter Lee Lawrence, Eduardo Fajardo.

A dupla Sabata (Anthony Steffen) e Mangosta (Eduardo Fajardo) assaltam um banco e fogem tranquilamente. Quando se reúnem para contar o dinheiro, percebem que foram enganados pelo caixa do banco (Peter Lee Lawrence) e resolvem voltar para acertar as contas. Como o caixa também é desonesto, os três se juntam e armam um plano para roubar um carregamento de dinheiro que será transportado pelo oeste. 

O personagem Sabata apareceu no filme de mesmo título estrelado por Lee Van Cleef em 1969 e aqui foi feita uma continuação com o ítalo-brasileiro Anthony Steffen que na verdade se chamava Antônio Luiz de Tefé Von Hoonholtz e era filho de uma embaixador brasileiro na Itália. Ele estrelou diversos westens italianos e alguns outros filmes até o final da década de setenta. Em 1971, Lee Van Cleef voltaria ao papel em “O Retorno de Sabata”.

No Tempo das Diligências (Stagecoach, EUA, 1986) – Nota 6,5
Direção – Ted Post
Elenco – Willie Nelson, Kris Kristofferson, Johnny Cash, Waylon Jennings, Elizabeth Ashley, John Schneider, Tony Franciosa, Mary Crosby, Anthony Newley.

Esta western produzido para a tv é uma refilmagem do clássico de 1939 dirigido por John Ford. A ação se passa numa diligência que atravessa o oeste americano com várias pessoas bem diferentes entre si. Um médico alcoólatra (Willie Nelson), um pistoleiro (Kris Kristofferson), um delegado (Johnny Cash), um jogador (Waylon Jennings), uma prostituta (Elizabeth Ashley), entre outros passageiros, além do condutor (John Schneider). A curiosidade é que os quatro papéis principais são interpretados por astros da música Country. É um filme interesssante, mas muito inferior ao original.

No Rastro da Violência (The Quick an the Dead, EUA, 1987) – Nota 7
Direção – Robert Day
Elenco – Sam Elliott, Kate Capshaw, Tom Conti, Kenny Morrison, Matt Clark, Patrick Kilpatrick.

Durante a colonização do oeste americano, Duncan (Tom Conti), sua esposa Susanna (Kate Capshaw) e o filho Tom (Kenny Morrison) seguem para a região em busca de uma nova vida, porém além de enfrentar o problemas da natureza, precisam se defender dos bandidos. A ajuda que a família necessita vem de onde menos se espera, de um pistoleiro (Sam Elliott). Este competente faroeste produzido para tv é baseado num obra de Louis L’Amour e lembra os longas do gênero em que Clint Eastwood interpretava um herói sem nome e sem passado. 

Álamo: Treze Dias para a Glória (The Alamo: Thirteen Days of Glory, EUA, 1987) – Nota 6
Direção – Burt Kennedy
Elenco – James Arness, Brian Keith, Alec Baldwin, Raul Julia, David Ogden Stiers, Jim Metzler, Lorne Greene.

Esta produção para a tv mostra a histórica batalha do Álamo, quando o general mexicano Lopez de Sant’Ana (Raul Julia) comandou a investida contra o exército americano, que defendeu o local bravamente por treze dias, atrasando os planos do general de invasão e domínio do Texas. 

O trio principal interpreta heróis daquela batalha, o veterano ator de westerns James Arness (que faleceu este ano) faz Jim Bowie, Brian Keith faz Davy Crocket e um jovem Alec Baldwin faz William Barrett Travis. Apesar da produção bem cuidada e das boas cenas de batalha, o filme é lento e cansativo com mais de duas horas na versão original (existe outra versão ainda mais longa).

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

9mm: São Paulo


9mm: São Paulo (Brasil, 2008 a 2009)
Criadores: Roberto D'Ávila, Carlos Amorim e Newton Cannito
Direção: Michael Ruman
Elenco: Norival Rizzo, Luciano Quirino, Clarissa Kiste, Marcos Cesana, Nicolas Trevijano.

Em 2008 o Canal Fox produziu este ótimo seriado policial tendo a cidade de São Paulo com cenário. A princípio foram exibidos quatro episódios que chamaram a atenção do público e fez com a Fox desse sinal verde para a produção de outro nove para completar a primeira temporada. No ano seguinte foram produzidos outros sete episódios para a segunda temporada, que por algum motivo foram ao ar apenas agora em 2011.

A história foca em cinco personagens, sendo o mais forte o veterano detetive Horácio (Norival Rizzo), sujeito rude que trabalhou num grupo de torturadores na época da ditadura e ainda perdeu um filho que era viciado em drogas. Os demais personagens são o delegado Eduardo Vilaverde (Luciano Quirino), que é negro e filho de um policial aposentado com quem não tem boa relação, a investigadora Luisa (Clarisse Kiste) que é divorciada e além de enfrentar o preconceito por ser mulher, tem de cuidar da filha adolescente. Temos ainda o detetive Tavares (Marcos Cesana), sujeito que cresceu num bairro pobre onde vários amigos se tornaram bandidos e precisa e usar seu jogo de cintura para se relacionar com estes dois mundos, o que nem sempre dá certo. O último personagem é o jovem investigador 3P (Nicolas Trevijano), sujeito de pavio curto que precisa lidar com um primo que é policial corrupto.

Os personagens são muito bem explorados pelo roteiro que mostra a vida e os problemas de cada um deles, tantos na questão profissional, quanto no pessoal, principalmente situações do passado que influenciam o dia a dia. A interpretação do quinteto também é de primeira, mostrando personagens muitos próximos da realidade, com erros e acertos, longe dos policiais heroicos que vemos normalmente em filmes e seriados.

O roteiro também é perfeito e muito próximo da realidade ao mostrar a dificuldade da polícia nas investigações, onde faltam estrutura e apoio, além da questão política e da corrupção. Aqui vemos claramente as conturbadas relações entre delegados, promotores, corregedoria e secretaria de segurança, que muitas vezes travam uma batalha política interna, vista como sendo mais importante do que a resolução dos crimes.

Além da questão política, os episódios tocam em diversos temas como assassinatos, sequestros, tráfico de drogas, facções criminosas, corrupção policial e até as torturas da época do ditadura.

O ponto mais fraco são alguns coadjuvantes um pouco exagerados, principalmente nos primeiros episódios. A escolha destes papéis melhora a partir da metade da primeira temporada, mas isso não diminui o impacto e a qualidade da série.

O final da série deixa margem para novos episódios, mesmo acreditando que isso não deva acontecer, tanto pela demora de dois na exibição da segunda temporada na tv, como pela morte do ator Marcos Cesana em 2002. Seu personagem Tavares tinha grande importância na trama e os produtores teriam de inventar algo para continuar a história sem ele.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Rollerball - 1975 & 2002



Rollerball – Os Gladiadores do Futuro (Rolleball, EUA, 1975) – Nota 8
Direção – Norman Jewison
Elenco – James Caan, John Houseman, Maud Adams, John Beck, Moses Gunn, Ralph Richardson.

No futuro o esporte mais popular é o “Rollerball”, um violento jogo criado por uma corporação com o objetivo de alienar a população. Quando Jonathan E. (James Caan) se torna um grande ídolo deste esporte, a corporação o pressiona para se aposentar, pois não deseja que a população tenha alguém como exemplo de sucesso individual. Jonathan não aceita e como retaliação, a cada nova partida os líderes mudam as regras do jogo, deixando cada vez mais violento, até a sanguinária disputa final. 

Esta interessante ficção, utiliza um argumento comum ao gênero, o de mostrar um futuro dominado por corporações, que criam tendências e mudam regras de acordo com seu interesse, o triste é que hoje este fato está perto da realidade, onde algumas corporações tem mais poder do que os governos. 

O “Rollerball” criado para o filme é disputado num ginásio em uma pista oval que lembra um velódromo, mas os jogadores usam patins e até motos com acompanhante, no estilo das motocicletas nazistas da Segunda Guerra. O objetivo é encaixar uma pequena bola de metal num alvo, mas antes disso é necessário escapar da violência dos adversários. 

Um bom filme que merece ser visto, por sinal extremamente melhor que a refilmagem de John McTiernan.    

Rollerball (Rollerball, EUA / Alemanha / Japão, 2002) – Nota 4
Direção – John McTiernan
Elenco – Chris Klein, Jean Reno, LL Cool J, Rebecca Romijn Stamos, Naveen Andrews, Oleg Taktarov, David Hemblen, Andrew Bryniarsky.

Jonathan Cross (Chris Klein) é um dos grandes ídolos do violento esporte chamado “Rollerball” e vive como um super astro, assim como os companheiros de equipe Marcus (LL Cool JJ) e Aurora (Rebecca Romijn Stamos). Quando Alexis Petrovich (Jean Reno) o principal executivo da corporação que administra o esporte percebe que os índices de audiência estão caindo e o público deseja ver mais violência, ele muda as regras do jogo, o que desagrada os astros do esporte e dá início a uma disputa entre jogadores e corporação.

Mesmo o filme original tendo hoje toda a cara dos anos setenta na questão da estética, ele está a milhas de distância em qualidade comparando com esta péssima refilmagem. O roteiro utiliza apenas parte da idéia do original e tenta atualizar a trama, porém a realização é confusa e acelerada, além da péssima escolha de Chris Klein como o protagonista. Por mais que tente um papel mais sério, ele está marcado pelos personagens idiotas que costuma interpretar em comédias. 

É de longe o pior filme da carreira do bom diretor John McTiernan.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Origem


A Origem (Inception, EUA / Inglaterra, 20100 – Nota 9
Direção – Christopher Nolan
Elenco – Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe, Joseph Gordon Levitt, Ellen Page, Tom Hardy, Dileep Rao, Cillian Murphy, Tom Berenger, Marion Cotillard, Michael Caine, Pete Postlethwaite, Lukas Haas.

Cobb (Leonardo DiCaprio) e seu parceiro Arthur (Joseph Gordon Levitt) trabalham para uma organização invadindo os sonhos de pessoas influentes para roubar segredos. Após uma tentativa frustrada de enganar o empresário japonês Saito (Ken Watanabe), a dupla recebe o convite do próprio sujeito para juntos “plantarem” na mente de Robert Fischer (Cillian Murphy) a idéia de que seu moribundo pai (Pete Postlethwaite em seu último papel antes de falecer) deseja vender suas empresas e deixá-lo de lado na herança. O objetivo de Saito é comprar as empresas da família Fischer com facilidade. 

Para cumprir o objetivo, Cobb monta uma equipe com Ariadne (Ellen Page) um arquiteta que montará as estruturas dos sonhos, Eames (Tom Hardy) que consegue imitar a forma de outras pessoas durante os sonhos e Yusuf (Dileep Rap) um químico especialista em criar drogas para sustentar as pessoas em vários níveis de sonhos. 

Novamente Nolan mostra ser um grande realizador e roteirista, acertando em cheio na história que segue a fórmula de filmes sobre golpes em sua premissa, mas que se transforma numa ficção onde se misturam sonho e realidade. 

A idéia de ligar pessoas pelo sonho já foi usada em filmes como “Morte nos Sonhos” de Joseph Ruben e na série “A Hora do Pesadelo”, porém aqui é a primeira vez em que a ação se divide em níveis dentro do sonho, como se os personagens estivessem desbravando uma caverna e ligados por uma corda que não poderia ser cortada, caso isso acontecesse se perderiam eternamente. 

Outro detalhe interessante é o trauma que carrega o personagem de DiCaprio, fator de extrema importância na trama. 

Com certeza é um longa para ser visto mais de uma vez.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Se Beber, Não Case! Parte II


Se Beber, Não Case! Parte II (The Hangover Part II, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Todd Phillips
Elenco – Bradley Cooper, Ed Helms, Zack Galifianakis, Justin Bartha, Ken Jeong, Paul Giamatti, Mike Tyson, Jeffrey Tambor, Mason Lee, Jamie Chung, Sasha Barrese.

Politicamente incorreto até a medula, esta sequência do sucesso de 2009 tem um roteiro que segue a mesma fórmula do original, mudando apenas o local das peripécias do grupo e levando as piadas ao extremo, algumas quase ao nível do mal gosto, mas cumprindo seu papel de fazer o espectador rir. 

Desta vez quem vai se casar é o dentista Stu (Ed Helms) e como sua noiva (Jamie Chung) é tailandesa, a cerimônia será na Tailândia, para onde partem também seu amigos Phil (Bradley Cooper), o maluco Alan (Zack Galifianakis) e Doug (Justin Bartha) que é casado com Tracy (Sasha Barrese) irmã de Alan. Com o grupo segue também o futuro cunhado de Stu, o jovem Teddy (Mason Lee). 

Desta vez não haverá despedida de solteiro, porém na noite antes do casamento os amigos resolvem beber algo rapidamente para comemorar e novamente acordam no dia seguinte dentro de um quarto de hotel destruído sem lembrar de nada. Para completar, o jovem Teddy sumiu e no quarto eles encontram ainda um macaco, um dedo e maluco traficante Mr. Chow (Ken Jeong). 

Durante a jornada por Bangcoc, o grupo cruzará com monges, traficantes e travestis, entre diversas outras situações malucas. Vale destacar ainda as pequenas participações de Paul Giamatti e assim como no original, temos novamente Mike Tyson interpretando ele mesmo. 

Pelo sucesso é provável esperar por uma trilogia. 


domingo, 7 de agosto de 2011

Lutero


Lutero (Luther, Alemanha / EUA, 2003) – Nota 6,5
Direção – Eric Till
Elenco – Joseph Fiennes, Alfred Molina, Jonathan Firth, Peter Ustinov, Bruno Ganz, Claire Cox, Uwe Ochsenknecht, Mathieu Carriere, Benjamin Sadler, Jochen Horst, Marco Hofschneider.

Esta produção em que a história é mais interessante que a razoável realização, foca na vida de Martin Luther ou Martinho Lutero traduzindo para o português (Joseph Fiennes), que após acreditar ter recebido um chamado de Deus, resolve entrar para a Igreja Católica. Depois de algum tempo ele fica confuso em relação as práticas da Igreja e durante uma viagem à Roma percebe como os pobres eram excluídos pela Igreja, principalmente pela venda das chamadas “indulgências”. Tentando modificar o pensamento dos líderes católicos, ele cria e apresenta 95 teses que são vistas como afronta pelo Papa Leo X (Uwe Ochsenknecht), que junto com os líderes passam a perseguir Lutero. 

O destaque é o elenco, com Joseph Fiennes não comprometento e principalmente a atuação de ótimos coadjuvantes como Alfredo Molina, Bruno Ganz e o falecido Peter Ustinov. Não tenho certeza, mas acredito que este seja o único filme de destaque que aborda a vida de Lutero, o homem que bateu de frente com a Igreja Católica, sendo o precursor das Igrejas Protestantes. 

Como escrevi no início, o filme tem um roteiro apenas razoável, que deixa a impressão de que o personagem mereceria um longa melhor. 

sábado, 6 de agosto de 2011

Comboio do Medo

Comboio do Medo (Sorcerer, EUA, 1977) – Nota 7
Direção – William Friedkin
Elenco – Roy Scheider, Bruno Cremer, Francisco Rabal, Amidou, Ramon Bieri, Peter Capell, Karl John, Frederich Ledebur.

Quatro homens foragidos de seus países tem o destino cruzado no interior da Costa Rica. Um assassino profissional (Francisco Rabal), um terrorista árabe (Amidou), um executivo francês corrupto (Bruno Cremer) e um assaltante procurado pela máfia (Roy Scheider) vivem com nomes falsos e precisam de dinheiro para prosseguir a vida em outro lugar. 

A chance aparece quando um poço de petróleo explode e para apagar o fogo a empresa responsável deseja usar dinamite que tem em seu estoque, porém o lote está muito velho podendo explodir durante a entrega. O chefe da obra (Ramon Bieri) contrata os quatro sujeitos que terão de transportar a carga explosiva pelo meio da selva em dois caminhões. 

Após dois grandes sucessos (“Operação França” e “O Exorcista”), o diretor William Friedkin teve carta branca para tocar este projeto baseado no clássico “O Salário do Medo” do francês Henry Georges Clouzot e acabou amargando um grande fracasso de crítica e público. 

Vendo hoje o filme não é ruim, tem uma história interessante, um bom elenco internacional e boas sequências na selva, principalmente a travessia dos caminhões sob uma ponte pênsil no meio da chuva, mas também fica claro o porquê do fracasso, o filme é pretensioso. Friedkin exagera na estranha trilha sonora eletrônica da banda alemã Tangerine Dream e várias cenas lembram filmes europeus da época, o que tornam o ritmo um pouco irregular. 

Apesar dessas falhas, é um filme que vale uma conferida. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Loucademia de Polícia

Nesta semana faleceu o ator Bubba Smith, um ex-jogador de futebol americano que se tornou ator, ficando conhecido pelo trabalho na série de filmes "Loucademia de Polícia".

Nesta postagem escrevo sobre cada filme da série, que mesmo não sendo um grande cinema, divertiu muita gente nos anos oitenta, principalmente nos seus primeiros dois ou três filmes. O restante são apenas caça-niqueis.

Loucademia de Polícia (Police Academy, EUA, 1984) – Nota 7
Direção – Hugh Wilson
Elenco – Steve Guttenberg, Bubba Smith, G. W. Bailey, Michael Winslow, Kim Cattrall, David Graf, Donovan Scott, Leslie Easterbrook, George Gaynes, Bruce Mahler.

Quando a criminalidade aumenta, o prefeito assina uma lei autorizando a polícia a contratar recrutas voluntários, sem grandes exigências. Como conseqüência, todo o tipo de figura estranha procura o emprego, entre eles o grandalhão Hightower (Bubba Smith) e a bonitona Karen Thompson (Kim Cattrall muitos anos antes de “Sex and the City”) entre diversos outros. Um destes recrutas é Carey Mahoney (Steve Guttenberg), um delinqüente que é obrigado a se tornar policial para não ser preso e se torna o grande inimigo do Tenente Harris (G. W. Bailey) que tenta a toda custo fazer os recrutas desistirem. 

O sucesso desta comédia gerou outros seis filmes e ainda uma série de tv. É um humor típico dos anos oitenta, com personagens caricatos em situações de pastelão. O destaque é a inacreditável quantidade de sons produzidos por Michael Winslow, o recruta Larvell Jones. É com certeza o melhor filme da série.

Loucademia de Polícia 2 – Primeria Missão (Police Academy 2: Their First Assignment, EUA, 1985) – Nota 6,5
Direção – Jerry Paris
Elenco – Steve Guttenberg, Bubba Smith, Michael Winslow, David Graf, Art Metrano, George Gaynes, Tim Kazurinsky, Bobcat Goldthwaith, Marion Ramsey, Colleen Camp, Howard Hesseman.

Um bando de desajustados liderados por Zed (Bobcat Goldthwaith) dá início a uma onda de crimes na cidade e para detê-los a polícia entra em ação com os recrutas formados no filme anterior. Novamente temos as armações de Mahoney (Steve Guttenberg), a força de Hightower (Bubba Smith) e os sons de Jones (Michael Winslow), com uma maior participação do policial Tackleberry (David Graf), um fanático por armas, além da primeira participação da atrapalhada Laverne Hooks (Marion Ramsey). 

A novidade fica por conta da participação do estranho comediante Bobcat Goldwaith, que fala gritando com um voz rouca e esquisita, além de um novo vilão, o Comandante Mauser (Art Metrano). Na época ainda foi engraçado, pois era apenas o segundo filme.

Loucademia de Polícia 3 – De Volta ao Treinamento (Police Academy 3: Back in Training, EUA, 1986) – Nota 6
Direção – Jerry Paris
Elenco – Steve Guttenberg, Bubba Smith, Michale Winslow, David Graf, Bobcat Goldwaith, Marion Ramsey, Leslie Easterbook, Art Metrano, Tim Kazurinsky, Bruce Mahler.

Após as confusões do filme anterior, agora a cidade tem duas academias de polícia, uma do Comandante Mauser (Art Metrano) e outra do Comandante Lassard (George Gaynes). A divisão causa uma disputa cheia de trapaças para ver qual academia será mantida pelo prefeito. 

A novidade aqui é a volta da Leslie Easterbrook como a policial gostosona. Este longa produzido quase que simultâneo com o anterior, foi o último dirigido por Jerry Paris, veterano diretor de seriados de tv que morreria no começo de 1986.

Loucademia de Polícia 4 – O Cidadão se Defende  (Police Academy 4: Citizens on Patrol, EUA, 1987) – Nota 5
Direção – Jim Drake
Elenco – Steve Guttenberg, Bubba  Smith, Michael Winslow, G. W. Bailey, David Graf, Sharon Stone, Bobcat Goldwaith, Tim Kazurinsky, Leslie Easterbrook, Marion Ramsey, George Gaynes, Lance Kinsey.

Nesta quarta parte a academia do Comandante Lassard (George Gaynes) abre as portas para os civis, que podem se alistar como policiais voluntários e vários sujeitos estranhos se apresentam. 

Com uma história parecida com o original, inclusive com a volta do Tenente Harris (G. W. Bailey) que fará de tudo para atrapalhar os novos recrutas, a série começa a perder a força em virtude dos filmes feitos em sequência. Até mesmo o ator principal Steve Guttenberg desiste e este é seu último filme da série. 

As curiosidades aqui são ver o bandidão Zed (Bobcat Goldwaith) se tornar policial e o par romântico de Steve Guttenberg ser Sharon Stone, que faz uma das novas recrutas.

Loucademia de Polícia 5 – Missão Miami Beach (Police Academy 5: Assignment: Miami Beach, EUA, 1988) – Nota 4
Direção – Alan Myerson
Elenco – Bubba Smith, David Graf, Michael Winslow, G. W. Bailey, Leslie Easterbrook, Marion Ramsey, Janet Jones, Lance Kinsey, Matt McCoy, George Gaynes, Rene Auberjonois, James Hampton.

Aqui todo o desgaste da série fica evidente, desde a saída de Steve Guttenberg, passando pelo roteiro que muda o local da ação e até as piadas repetidas. A história aqui se passa em Miami Beach, onde o Comandante Lassard (George Gaynes) que está aposentado, irá receber um medalha da polícia, mas por engano ele fica com algumas jóias roubadas e acaba sendo seqüestrado. 

Este é o ponto de partida para os recrutas entrarem em ação para salvar o Comandante. Tentando preencher a lacuna de um galã, os produtores inventaram ainda o personagem do Sargento Nick Lassard, filho do Comandante e interpretado pelo canastrão Matt McCoy. 

Loucademia de Polícia 6 – Cidade em Estado de Sítio (Police Academy 6: City Under Siege, EUA, 1989) – Nota 4
Direção –  Jim Drake
Elenco – Bubba Smith, David Graf, Michael Winslow, G. W. Bailey, Leslie Easterbrook, Marion Ramsey, Lance Kinsey, Matt McCoy, George Gaynes, Bruce Mahler, Kenneth Mars, Gerrit Graham.

Esta sequência lembra um pouco o segundo filme, com novamente a cidade sendo atacada por bandidos, desta vez sendo um grupo criminoso que assalta bancos e joalherias. O Comandante Lassard (George Gaynes) lidera seus recrutas malucos para descobrir quem é o líder destes crimes. 

O filme tinha tudo para ser o final da série, que não apresentava nada de novo e o nível dos longas apenas piorava, mesmo assim ainda foi produzido um sétimo filme cinco anos depois. Neste último trabalho, nem mesmo Bubba Smith participou.

Loucademia de Polícia – Missão em Moscou (Police Academy: Mission To Moscow, EUA, 1994) – Nota 3
Direção – Alan Metter
Elenco – George Gaynes, Michael Winslow, David Graf, Leslie Easterbrook, G. W. Bailey, Christopher Lee, Charlie Schlatter, Ron Pearlman, Claire Forlani.

Com certeza este é o pior e mais absurdo filme da série. A história se passa em Moscou, onde um chefão da máfia (Ron Pearlman) descobriu um meio de acessar todos os computadores do mundo e precisa ser detido. Para isso os russos pedem ajuda a polícia americana que envia o Comandante Lassard (George Gaynes) e seus recrutas para prender o sujeito. 

Não sei se os produtores pensaram em uma homenagem ou em reativar a série, mas não funciona para caso algum. Até mesmo sem Bubba Smith no elenco, foi necessário dar o papel principal ao veterano George Gaynes (na época com 77 anos e ainda vivo hoje aos 93) para tentar segurar o filme com seu atrapalhado personagem. As curiosidades são as participações de Ron Pearlman e de uma jovem Claire Forlani.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sobre Meninos e Lobos


Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, EUA / Austrália, 2003) – Nota 8,5
Direção – Clint Eastwood
Elenco – Sean Penn, Tim Robbins, Kevin Bacon, Laurence Fishburne, Marcia Gay Harden, Laura Linney, Kevin Chapman, Tim Guiry, Emmy Rossum, Spencer Treat Clark, John Doman, Kevin Conway.

Três garotos estão aprontando na rua e são abordados por um policial, que coloca um dos meninos no carro de polícia e o leva. Este fato mudará a vida dos três garotos para sempre. Vinte e cinco anos depois ele seguiram a vida para lados diferentes, até que o assassinato da filha de um deles, Jimmy Markum (Sean Penn) faz com o trio se reencontre. Enquanto Jimmy leva uma vida próxima da marginalidade, Sean Devine (Kevin Bacon) se tornou policial e foi encarregado do caso junto com seu parceiro (Laurence Fishburne), enquanto Dave Boyle (Tim Robbins), o terceiro garoto, torna-se suspeito do assassinato. 

Não vale a pena falar mais sobre a trama, que é baseada num livro de Dennis Lehane (autor de “Ilha do Medo), o que segue é uma história de dor, tanto pelo fato do passado como pela morte da garota no presente, onde cada personagem terá de lutar contra seus demônios. 

A direção de Clint Eastwood valoriza o elenco, que tem ainda as ótimas Marcia Gay Harden como a sofrida mulher de Tim Robbins e Laura Linney como a esposa de Sean Penn que assim como o marido, deseja amenizar seu sofrimento com a vingança. 

Outro ponto positivo é de deixar a dúvida de quem é o assassino até próximo do final, por sinal wxtremamente triste e trágico.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O Segredo - Documentário


O Segredo (The Secret, EUA / Austrália, 2006) – Nota 5
Direção – Drew Heriot
Documentário

Os livros de auto ajuda explodiram em vendas nos últimos vinte anos e o que começou voltado mais para pessoas com problemas sérios, que precisavam de uma palavra amiga, se tornou um nicho milionário para as editoras e os escritores, criando livros deste tipo para os mais diversos públicos. Nos últimos anos descobriram o que eu chamo de “auto ajuda corporativa e financeira”, onde diversos livros "ensinam" como a pessoa se tornar líder, influenciar pessoas e enriquecer. 

Não sou leitor de obras deste tipo e por conseqüência não li a obra da Rhonda Byrne que vendeu e ainda vende milhões de exemplares pelo mundo, mas resolvi assistir ao documentário que foi produzido no auge do sucesso do livro. Fica claro que o documentário visava o lucro, já o segredo tão bem guardado é algo que provavelmente todos nós ouvimos desde criança, se bobear é algo que até nossos bisavós já sabiam. 

O documentário bate na tecla de que somos o que pensamos, ativando a chamada “Lei da Atração”, onde pensamentos bons trazem sucesso, alegria e objetivos conquistados, enquanto pensamento ruins travam a vida da pessoa. Apesar de não ser um grande segredo, passar a idéia de que temos de pensar positivamente e acreditar em nossos sonhos misturados com nossa capacidade é perfeita para termos uma vida melhor e vencermos desafios, porém o documentário desanda quando associa basicamente a felicidade ao dinheiro e aos bens materiais. Estou bem longe de acreditar que a vida possa ser maravilhosa se fizermos voto de pobreza ou se vivermos com um amor e uma cabana, mas por outro lado pensar apenas no dinheiro também não é o ideal. 

Esta idéia da felicidade ligada ao dinheiro é um dos pilares do capitalismo e aqui ela é propagada por diversos depoimentos, onde filósofos, escritores e pesquisadores sorriem e mostram o caminho da riqueza, com exemplos de como a Lei da Atração deu certo, deixando a impressão que você pode ficar rico apenas pensamento positivamente e pedindo ao universo. 

Eu analiso este documentário como uma boa premissa que se torna uma grande jogada de marketing, onde além de promover ainda mais o livro, também alavancou as carreiras destes especialistas, que provavelmente tiveram uma agenda lotada com convites para palestras e novos livros. 

Com certeza o pensamento positivo deu certo para a escritora Rhonda Byrne, mas para nós meros mortais, o que vale além de tentar manter a cabeça pensando em coisas boas, o que não é nada fácil, é por a mão na massa e ir a luta.