segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Um Lugar Solitário Para Morrer

Um Lugar Solitário Para Morrer (A Lonely Place To Die, Inglaterra, 2011) – Nota 7
Direção – Julian Gilbey
Elenco – Melissa George, Ed Speleers, Alec Newman, Kate Magowan, Garry Sweeney, Sean Harris, Stephen McCole, Karel Roden, Eammon Walker, Holly Boyd.

Numa região montanhosa da Escócia, um grupo de alpinistas formado por duas mulheres e três homens se prepara para escalar uma montanha. O objetivo é abortado quando eles encontram uma garota (Holly Boyd) presa em um enorme buraco no meio da floresta. 

Sem saber falar inglês e extremamente assustada, a garota não tem como explicar porque está naquele local. O grupo decide se dividir. Um homem e uma mulher tentam voltar para a cidade mais próxima cortando caminho pela montanha, enquanto os outros integrantes e a garota seguem a trilha mais longa. Por terem resgatado a menina, os alpinistas se tornam alvos das pessoas que a esconderam na floresta. 

Esta produção inglesa mistura aventura e suspense de forma competente, explorando muito bem as belas paisagens naturais da região. As cenas de alpinismo e as sequências de perseguição são tensas. A história é simples e até se perde um pouco na parte final, quando chega ao clímax numa pequena vila, mas isso não atrapalha quem procura uma diversão sem compromisso.  

domingo, 22 de outubro de 2017

E o Sangue Semeou a Terra & Shenandoah


E o Sangue Semeou a Terra (Bend of the River, EUA, 1952) – Nota 7,5
Direção – Anthony Mann
Elenco – James Stewart, Arthur Kennedy, Rock Hudson, Jay C. Flippen, Julie Adams, Lori Nelson, Chubby Johnson, Harry Morgan, Royal Dano.

Glyn McLyntock (James Stewart) lidera uma caravana de colonos que segue em direção a Portland para comprar mantimentos, mas que tem como destino final uma isolada região montanhosa. Durante a complicada jornada, o grupo cruza o caminho do ladrão Emerson Cole (Arthur Kennedy), de um jogador de pôquer (Rock Hudson), precisa lidar com ataque de índios, de ladrões e de mineradores em busca de ouro. 

O diretor Anthony Mann e o astro James Stewart tiveram uma parceria que rendeu oito filmes, sendo cinco westerns. Este é um dos melhores trabalhos da dupla. Em apenas uma hora e meia de duração, o diretor Mann consegue explorar várias situações através de boas cenas de ação, interessantes conflitos entre os personagens e até uma reviravolta na trama. É basicamente um western clássico, indicado para os fãs do gênero.

Shenandoah (Shenandoah, EUA, 1965) – Nota 7,5
Direção – Andrew V. McLaglen
Elenco – James Stewart, Doug McClure, Glenn Corbett, Patrick Wayne, Katharine Ross, Rosemary Forsyth, George Kennedy, Denver Pyle.

Durante a Guerra Civil Americana, o fazendeiro Charlie (James Stewart) procura se manter neutro perante o conflito, mesmo sendo contrário a escravidão. A tentativa de seguir com a vida normal é abortada quando seu filho mais jovem é levado preso por soldados do norte que o confundem com um inimigo. Ao sair em busca do filho, Charlie terá de enfrentar a violência da guerra, que trará consequências para toda sua família. 

O diretor Andrew V. McLaglen era filho do astro dos anos trinta Victor McLaglen e foi assistente do grande diretor de westerns John Ford. Seguindo o caminho do mestre, McLaglen entregou aqui um western com todos os elementos clássicos do gênero. O herói relutante que fica dividido entre suas crenças e a vingança, a defesa da família frente a um mundo violento e as cenas de ação habituais. James Stewart como sempre se mostra perfeito no papel do protagonista correto. 

sábado, 21 de outubro de 2017

Pastoral Americana

Pastoral Americana (American Pastoral, Hong Kong / EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Ewan McGregor
Elenco – Ewan McGregor, Jennifer Connelly, Dakota Fanning, Peter Riegert, David Straithairn, Rupert Evans, Uzo Aduba, Molly Parker, Valorie Curry, Julia Silverman, Samantha Mathis, David Whalen.

Na sequência inicial, o escritor Nathan Zuckerman (David Straithairn) chega em seu antigo colégio para a reunião dos alunos que se formaram há mais de quarenta anos. Ao encontrar Jerry Levov (Rupert Evans), que está na cidade para o enterro do irmão Seymour “Sueco” Levov (Ewan McGregor), Nathan se mostra surpreso com o fato e pede para Jerry contar o que aconteceu. A partir daí, vemos em flashback a triste história do Sueco. 

Astro dos esportes no colégio, ele herdou a empresa de fabricação de meias do pai e se casou com a miss da região (Jennifer Connelly), com quem tem teve a filha Merry. Ao chegar na adolescência no final dos anos sessenta, Merry (Dakota Fanning) se revolta com a Guerra do Vietnã e com a vida de classe média. Ao se envolver com grupos de protestos, Merry transforma a vida da família em um inferno. 

Baseado em um famoso livro de Philip Roth, este longa marcou a estreia do ator Ewan McGregor na direção. Mesmo não se aprofundando em alguns temas que provavelmente foram melhor detalhados no livro, o roteiro é competente ao mostrar como as atitudes de uma filha (ou filho) podem destruir uma família. 

Além da questão dos protestos contra a guerra, o roteiro ainda toca em temas como preconceito racial, relação familiar e as mudanças sociais que ocorreram nos anos sessenta. É interessante citar que o filme não defende ideologia alguma, as atitudes da personagem de Dakota Fanning são muito mais consequências de suas frustrações e do seu vazio, do que a defesa de algum ideal. Ela é mostrada como uma jovem que escolhe o protesto como forma de punir seus pais, mesmo sem um motivo real para isso. 

Mesmo resultado em um filme mediano, a complexidade da história faz acreditar que Ewan McGregor possa se tornar um bom cineasta. 

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O Garoto da Bicicleta

O Garoto da Bicicleta (Le Gamin au Vélo, Bélgica / França / Itália, 2011) – Nota 7,5
Direção – Jean Pierre & Luc Dardenne
Elenco – Thomas Doret, Cécile De France, Jeremie Renier, Fabrizio Rongione, Egon Di Mateo, Olivier Gourmet.

Cyril (Thomas Doret) é um garoto de onze anos que foi abandonado pelo pai em um orfanato. Obcecado em reencontrar o pai, que prometeu lhe devolver a bicicleta, ele atormenta os funcionários do orfanato e foge para procurá-lo. 

O destino faz com que Cyril cruze o caminho da cabeleireira Samantha (Cécile De France), que por um motivo desconhecido cria um laço com o garoto. Durante o final de semana, Samantha aceita cuidar de Cyril e o ajuda a procurar o pai. 

O cinema dos irmãos Dardenne é voltado para histórias atuais e críticas sociais, sempre com muitas sequências externas na periferia de alguma cidade da Bélgica ou da França e personagens que passam por momentos de sofrimento. 

O protagonista vivido pelo garoto estreante Thomas Doret é o clássico exemplo de como reage uma criança abandonada ou ignorada pelos pais. O garoto descobre da forma mais difícil que para conseguir o quer, mesmo que seja apenas atenção, precisa lutar enfrentando a tudo e a todos. A sequência final é um exemplo da resiliência do personagem. 

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Desierto & Transpecos


Desierto (Desierto, México /  França, 2015) – Nota 6,5
Direção – Jonás Cuarón
Elenco – Gael Garcia Bernal, Jeffrey Dean Morgan, Alondra Hidalgo, Diego Cataño, Marco Perez.

Um grupo de mexicanos viaja escondido dentro de um velho caminhão em direção a fronteira com os Estados Unidos. Um problema mecânico no meio do caminho faz com que o grupo seja obrigado a atravessar o deserto a pé, liderado por dois coiotes (Diego Cataño e Marco Perez). Um dos mexicanos é Moises (Gael Garcia Bernal), que deseja retornar aos Estados Unidos para reencontrar esposa e filho. A dura caminhada se torna bem mais perigosa quando um caçador (Jeffrey Dean Morgan) decide transformar os imigrantes ilegais em alvo. 

Este longa que mistura imigração ilegal, violência e ação marcou a estreia na direção de Jonás Cuarón, filho do ótimo diretor mexicano Alfonso Cuarón (“Gravidade”, “Filhos da Esperança”). O roteiro escrito pelo próprio Jonás em parceria com Mateo Garcia explora o ódio que alguns demonstram contra os imigrantes para criar um filme de perseguição que lembra um western. O sol castigando os personagens chega a dar sede até no espectador. Na luta de homem contra homem em um local inóspito como o deserto, muitas vezes a natureza é a vencedora.   

Transpecos (Transpecos, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Greg Kwedar
Elenco – Gabriel Luna, Johnny Simmons, Clifton Collins Jr., Julio Oscar Mechoso.

Três policiais americanos trabalham em um posto rodoviário numa estrada isolada no meio do deserto próximo da fronteira com o México. Flores (Gabriel Luna), o veterano Hobbs (Clifton Collins Jr.) e o novato Davis (Johnny Simmons) enfrentam o tédio dos longos dias contando histórias, seguindo rastros de jovens traficantes e tirando sarro dos poucos motoristas que passam pelo local. Quando um destes motoristas tenta fugir com o carro repleto de drogas, a vida dos policiais se transforma num inferno. 

A fronteira entre Estados Unidos e México é um dos locais mais violentos do mundo. Além de ser o caminho de entrada na América para os imigrantes ilegais, a região também é uma famosa rota de tráfico de drogas controlada pelos terríveis cartéis mexicanos. 

Este competente longa policial explora uma trama que mostra como a corrupção e a violência estão enraizadas na região. O medo de se tornar alvo de algum cartel leva as pessoas a atitudes desesperadas. O ponto principal do filme é a corrida dos personagens para salvar a própria vida. Para quem gosta do gênero, o longa é um boa opção.  

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

[Rec]

[Rec] ([Rec], Espanha, 2007) – Nota 7
Direção – Jaume Balagueró & Paco Plaza
Elenco – Manuela Velasco, Ferran Terraza, Jorge Yaman Serrano, Pablo Rosso.

Uma jovem repórter (Manuela Velasco) e um cinegrafista (Pablo Rosso) tem a missão de cobrir um dia de trabalho em uma base do corpo de bombeiros em Barcelona. 

Esperando algum chamado para fazer uma reportagem em busca de audiência, a jornalista fica animada quando os bombeiros seguem para atender uma ocorrência em um prédio residencial. 

Ao chegarem no local, eles encontram uma mulher completamente descontrolada que os ataca. Os demais moradores tentam fugir, porém o prédio é cercado pela polícia. As autoridades acreditam que o prédio seja o foco de uma infecção desconhecida. 

Este competente terror de baixo orçamento fez grande sucesso na época ao explorar o estilo do falso documentário que começou com o superestimado “A Bruxa de Blair”, em que algum personagem participa e filma toda a ação. 

A proposta aqui funciona bem. A narrativa ágil é perfeita para o desespero que toma conta das pessoas presas no edifício. As cenas sangrentas também agradam ao público que gosta do estilo. 

O filme rendeu três continuações e uma refilmagem americana batizada de “Quarentena” que também rendeu uma sequência. Por mais que este original seja interessante, inclusive com uma curiosa explicação para a infecção que surge na parte final, não tive vontade a assistir as sequências ou a versão americana. A meu ver seria mais do mesmo.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Mulheres do Século 20

Mulheres do Século 20 (20th Century Women, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Mike Mills
Elenco – Annette Bening, Lucas Jade Zumann, Elle Fanning, Greta Gerwig, Billy Crudup.

Santa Bárbara, Califórnia, 1979. Em um velho casarão em reforma, a divorciada Dorothe Fields (Annette Bening) vive com o filho de quinze anos Jamie (Lucas Jade Zumann) e aluga os quartos para duas pessoas. 

A jovem fotógrafa Abbie (Greta Gerwig) que terminou o tratamento contra um tumor cervical e o bem humorado William (Billy Crudup). Ainda faz parte do grupo a adolescente Julie (Elle Fanning), que todos os dias sai da casa da mãe para dormir no quarto do amigo Jamie. 

O sensível roteiro escrito pelo diretor Mike Mills vai além do drama sobre família e amizade, focando também nas mudanças de comportamento das mulheres que viviam na época. A protagonista divorciada de meia-idade que criava o filho sozinha era algo novo, assim como as jovens interessadas em explorar sua sexualidade e ter uma vida própria. 

O grande acerto do roteiro é mostrar a importância do feminismo dos anos sessenta e setenta, quando a mulher buscava liberdade e independência, bem diferente do feminismo ideológico, político e raivoso dos dias atuais. 

As ótimas interpretações do elenco são outro ponto positivo, inclusive do garoto praticamente desconhecido Lucas Jade Zumann. 

É um bom filme sobre uma época de mudanças.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

5 Dias de Guerra

5 Dias de Guerra (5 Days of War, Geórgia / EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Renny Harlin
Elenco – Rupert Friend, Emmanuelle Chriqui, Richard Coyle, Val Kilmer, Johnathon Schaech, Andy Garcia, Rade Sherbedgia, Heather Graham, Mikko Nousiainen, Antje Traue, Kenneth Cranham, Dean Cain.

Iraque, 2007. Um carro com quatro jornalistas é atacado por rebeldes, causando a morte de dois deles. 

Um ano depois, os dois sobreviventes do ataque, Thomas Anders (Rupert Friend) e Sebastian Ganz (Richard Coyle), seguem para a Geórgia com o objetivo de cobrir a invasão do exército russo ao país. 

Mesmo sabendo do perigo que enfrentarão, a dupla viaja para o interior do país. Não demora para os jornalistas ficarem sitiados no meio do conflito. 

O ponto forte da carreira do diretor finlandês Renny Harlin sempre foram as cenas de ação. Longas como “Duro de Matar 2” e “Risco de Total” são os grandes exemplos. Por outro lado, história e personagens muitas vezes deixam a desejar. 

Neste até interessante trabalho sobre o conflito real que ocorreu entre Rússia e Geórgia, Harlin novamente acerta nas competentes cenas de ação e falha no desenvolvimento da história. O roteiro não deixa claro os motivos do conflito e nem se aprofunda na terrível questão da chamada “limpeza étnica”. O romance que surge no meio da história e as concessões cinematográficas na parte final também tiram pontos do filme. 

O resultado é um longa que prende a atenção, mas que ao mesmo tempo se mostra uma aventura de guerra genérica

domingo, 15 de outubro de 2017

A Incrível Aventura de Rick Baker

A Incrível Aventura de Rick Baker (Hunt for the Wilderpeople, Nova Zelândia, 2016) – Nota 7,5
Direção – Taika Waititi
Elenco – Sam Neill, Julian Dennison, Rima Te Wiata, Rachel House, Tioreore Ngatai Melbourne.

Na cena inicial, uma arrogante assistente social (Rachel House) entrega para adoção o garoto Rick Baker (Julian Dennison). Ele ficará na responsabilidade de um casal que vive em uma fazenda no interior da Nova Zelândia. 

A assistente social ainda fala que o garoto não presta e que não aceitará devolução. Mesmo assim, o garoto é acolhido pela simpática Bella (Rima Te Wiata) e pelo marido rabugento Hector (Sam Neill). 

Aos poucos, Bella ganha a confiança de Rick, até que uma surpresa muda completamente a situação e faz com que o garoto e Hector sejam obrigados a enfrentar um aventura na mata que cerca a região. 

Este simpático longa neozelandês mistura drama, aventura e pitadas de comédia de forma surpreendente e agradável, com uma história dividida em dez capítulos curtos e o epílogo. As sequências no meio da mata são divertidas e valorizadas pela beleza natural da região. 

O filme fica ainda melhor por causa da química entre o veterano Sam Neill (“Parque dos Dinossauros”) e o garoto gordinho Julian Dennison. Os diálogos entre eles são impagáveis. É interessante também as divertidas citações sobre os costumes neozelandeses. 

É um filme de sessão da tarde com qualidade. 

sábado, 14 de outubro de 2017

Partisan

Partisan (Partisan, Austrália, 2015) – Nota 5
Direção – Ariel Kleiman
Elenco – Vincent Cassel, Jeremy Chabriel,  Florence Mezzara.

Em uma comunidade escondida em uma região pobre, várias mulheres com filhos ainda crianças são lideradas pelo enigmático Gregori (Vincent Cassel). 

Agindo como uma espécie de guru, Gregori comanda tudo no local com mão de ferro, mesmo demonstrando gostar das crianças. 

Em seguida, descobrimos que seu filho de onze anos Alexander (Jeremy Chabriel) foi treinado para ser um assassino. A situação fica caótica quando uma da crianças que aparentemente é autista, começa a questionar as atitudes de Gregori. 

Este é com certeza um dos filmes mais estranhos dos últimos anos. A relação entre Gregori e sua enorme “família” lembra algo primitivo, mesmo com o roteiro não deixando claro se todas as crianças são realmente seus filhos. 

Por sinal, o roteiro oferece poucas respostas. A narrativa também é lenta, mesmo explorando a tensão que cresce aos poucos dentro da família. 

É um filme indicado para quem curte experiências cinematográficas fora do comum, mesmo não sendo sinônimo de qualidade.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Bombas! - Filmes de Ação dos Anos 80

Corrida em Pânico (Running Scared, EUA, 1980) – Nota 5
Direção – Paul Glicker
Elenco – Ken Wahl, Judge Reinhold, Annie McEnroe, Bradford Dillman, John Saxon, Pat Hingle.

Flórida, 1961. Dois soldados americanos (Ken Wahl e Judge Reinhold) fogem do serviço no Panamá e voltam aos Estados Unidos de forma clandestina em um avião militar. Descobertos pelos militares ao chegarem na Flórida e carregando uma máquina utilizada para tirar fotos de uma instalação militar secreta, os amigos se tornam suspeitos de espionagem. 

Este foi um dos primeiros filmes a ser lançado em VHS original no Brasil nos anos oitenta, quando o mercado ainda estava dominado pelas fitas piratas. O longa é fraco, tendo como ponto principal uma sequência de perseguição de barcos a motor pelos pântanos da Flórida. Ken Wahl com a série “O Homem da Máfia” e Judge Reinhold como coadjuvante na franquia “Um Tira da Pesada” tiveram um certo destaque na carreira. 

O Sequestro do Presidente (The Kidnapping of the President, Canadá / EUA, 1980) – Nota 5,5
Direção – George Mendeluk
Elenco – William Shatner, Hal Holbrook, Van Johnson, Ava Gardner, Miguel Fernandes.

Durante uma visita ao Canadá, o presidente americano (Hal Holbrook) é sequestrado e mantido em cativeiro dentro de um caminhão repleto de explosivos. Os sequestradores que pertencem a um grupo revolucionário latino, exigem cem milhões de dólares como resgate. Um agente do serviço secreto (William Shatner) comanda a investigação. Apesar de ter sido lançado nos cinemas, este envelhecido longa tem cara de produção para tv.

Cidade Corrompida (Blue City, EUA, 1986) – Nota 4,5
Direção – Michelle Manning
Elenco – Judd Nelson, Ally Sheedy, David Caruso, Paul Winfield, Scott Wilson, Anita Morris.

Ao voltar para sua cidade natal na Flórida por causa do assassinato de seu pai, o rebelde Billy Turner (Judd Nelson) se une a sua antiga namorada (Ally Sheedy) e ao irmão dela (David Caruso) para descobrir o porque do crime. Logo, ele percebe que a cidade é dominada por um empresário corrupto (Scott Wilson) que comanda inclusive a polícia local. Este fraco drama policial foi uma tentativa de explorar a então popularidade de Judd Nelson e Ally Sheedy, que conseguiram fama no clássico adolescente “Clube do Cinco”. O roteiro ruim e os personagens mal desenvolvidos enterraram o longa.  

Duelo no Asfalto (Rolling Vengeance, Canadá, 1987) – Nota 5
Direção – Steven Hilliard Stern
Elenco – Don Michael Paul, Lawrence Dane, Ned Beatty, Lisa Howard, Michael G. Reynolds.

Joey (Don Michael Paul) e seu pai Big Joe (Lawrence Dane) transportam bebidas para Tiny Doyle (Ned Beatty), o dono do maior bar da região. Uma desavença com Tiny e seus filhos resulta no assassinato da mãe e da irmã de Joey, dando início a uma verdadeira guerra entre as famílias. Outros crimes acontecem até que Joey decide se vingar utilizando seu caminhão como arma. Ums dos filmes B de ação mais bizarros dos anos oitenta, este longa é daqueles para ser assistido sem preocupação com os absurdos. A carreira do protagonista Don Michael Paul não decolou e a partir daí o ator se limitou a pontas em seriados. 

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Sangue Pela Glória & Punhos de Sangue


Sangue Pela Glória (Bleed For This, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Ben Younger
Elenco – Miles Teller, Aaron Eckhart, Ciaran Hinds, Katey Sagal, Ted Levine, Jordan Gelber, Amanda Clayton, Daniel Sauli.

Em 1988, o boxeador Vinny Pazienza (Miles Teller) estava no auge do carreira após vencer uma luta válida pelo título mundial. Um acidente de automóvel muda completamente sua vida. A princípio, médicos e familiares acreditam que sua carreira acabou, porém o decidido pugilista não se entrega e faz de tudo para voltar aos ringues. 

Baseado numa incrível história real, este longa tem como um dos pontos positivos não apelar para o dramalhão. A narrativa sóbria foca na força de vontade do protagonista e também na sua relação com o pai (Ciaran Hinds), com a mãe religiosa (Katey Sagal) e a irmã (Amanda Clayton), além do treinador (Aaron Eckhart). O roteiro também mostra o lendário treinador e empresário Lou Duva (Ted Levine) como um explorador interessado apenas em lucrar com o esporte. Miles Teller dá conta do recado, inclusive nas boas cenas de lutas. 

Punhos de Sangue (The Bleeder, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Phillippe Falardeau
Elenco – Liev Schreiber, Elizabeth Moss, Naomi Watts, Ron Perlman, Michael Rapaport, Jim Gaffigan, Morgan Spector, Pooch Hall.

Bayonne, New Jersey, 1974. Chuck Wepner (Liev Schreiber) é um boxeador mediano que tenta subir no ranking para disputar o título mundial, mesmo sendo mais um sonho do que realidade. A inesperada chance surge quando Don King, empresário do campeão Muhammad Ali, deseja encontrar um adversário branco, criando uma espécie de luta racial para aumentar a publicidade. Após aguentar quinze rounds contra Ali, Wepner se torna famoso em Bayonne, mas por outro lado, se perde totalmente em sua vida pessoal. 

A história real da luta de Wepner contra Ali foi a inspiração para Sylvester Stallone escrever, protagonizar e dirigir o clássico “Rocky – Um Lutador”. Aqui, o roteiro vai além da luta de Wepner, detalhando também sua conturbada vida pessoal, como o casamento com Phyliss (Elizabeth Moss), sua amizade nas farras com John (Jim Gaffigan) e seu problema com as drogas. Liev Schreiber entrega uma competente interpretação do sujeito que enfrentou altos e baixos, se mostrando radiante em alguns momentos e patético em outros. É um bom filme sobre um interessante personagem.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

The Deal

The Deal (Salineuiloe, Coreia do Sul, 2015) – Nota 7
Direção – Yong Ho Son
Elenco – Sang Kyung Kim, Sung Woong Park, Yoon Seung Ah, Jae Yoon Jo, Eui Sung Kim.

Um serial killer (Sun Woong Park) é detido pela polícia e se nega a contar onde estão os corpos de suas vítimas, com exceção de três garotas que foram encontradas enterradas no quintal de sua casa. 

O detetive Tae Soo (Sang Kyung Kim de “Memórias de um Assassino”) se desespera quando descobre que a última vítima do criminoso foi sua irmã. Seu cunhado (Yoon Seung Ah) também vê seu mundo desabar ao receber a notícia da morte da esposa. Para enfrentar o drama, policial e cunhado seguirão caminhos opostos. 

O roteiro segue o estilo comum dos thrillers produzidos na Coreia do Sul, misturando investigação, drama e violência, além de uma pequena surpresa na parte final. Vale destacar o assustador Sun Woong Park como o psicopata sorridente e as cenas de ação, como a briga no chuveiro na penitenciária e a sequência da perseguição pelos becos. 

Não está entre os melhores filmes sul-coreanos, mas mesmo assim é um competente thriller policial.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Atari: Game Over

Atari: Game Over (Atari: Game Over, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Zak Penn
Documentário

Roteirista de várias adaptações de quadrinhos para o cinema, como alguns filmes da franquia “X-Men”, Zak Penn comandou este documentário sobre a história da pioneira empresa de videogames Atari e a lenda de que milhares de cartuchos do jogo “E.T” haviam sido enterrados em um lixão na cidade de Alamogordo no Novo México. 

Penn explora duas narrativas paralelas. A primeira segue o interesse de um funcionário da prefeitura de Alamogordo para conseguir a liberação para escavar o aterro sanitário em busca dos cartuchos. A outra narrativa, mostra depoimentos de pessoas que trabalharam na Atari no desenvolvimento dos jogos nos anos setenta e oitenta. 

O personagem principal é o engenheiro Howard Scott Warshaw, que desenvolveu o jogo “E.T.” e e levou toda a culpa pelo fracasso nas vendas e na quebra da empresa. O doc detalha os bastidores do ocorrido, mostrando que o trabalho de Warshaw foi apenas parte do fracasso, onde a culpa maior foi das pessoas que comandavam a empresa que fazia parte do grupo Warner. 

É um doc indicado para os fãs de games e para quem viveu a época em que o Atari era o grande avanço na diversão tecnológica. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Armadilha & Thomas Crown - A Arte do Crime


Armadilha (Entrapment, EUA / Inglaterra / Alemanha, 1999) – Nota 6
Direção – Jon Amiel
Elenco – Sean Connery, Catherine Zeta Jones, Ving Rhames, Will Patton, Maury Chaykin, Kevin McNally.

Um famoso quadro é roubado e a empresa de seguros acredita que o crime tenha sido cometido por Robert MacDougal (Sean Connery), um ladrão especializado em obras de arte. Para tentar localizar o quadro e prender MacDougal, a seguradora envia a investigadora Virginia Baker (Catherine Zeta Jones), que a princípio utiliza sua beleza e inteligência para se aproximar do ladrão. Os dois se tornam parceiros, mas cada um esconde suas reais intenções.

O roteiro se mostra até aceitável durante dois terços do filme, enquanto a dupla principal planeja o grande golpe. Na parte final, o longa foi por água abaixo. A sequência de ação no alto do edifício na Malásia é absurda, finalizando com um reviravolta prá lá de forçada.

Outro ponto que não funciona é o romance entre Sean Connery e Catherine Zeta Jones. Não existe química alguma, resultando em cenas de romance quase constrangedoras. Este foi um dos últimos trabalhos de Connery no cinema. Ele trabalharia ainda no interessante “Encontrando Forrester” e no fraco “A Liga Extraordinária”, filme que marcou sua despedida das telas.  

Thomas Crown – A Arte do Crime (TheThomas Crown Affair, EUA, 1999) – Nota 7
Direção – John McTiernan
Elenco – Pierce Brosnan, Rene Russo, Denis Leary, Frankie Faison, Ben Gazzara, Fritz Weaver, Charles Keating, Marc Margolis, Faye Dunaway.

Thomas Crown (Pierce Brosnan) é um empresário milionário que tem como hobby roubar valiosas obras de arte. Quando ele rouba um Monet no museu de Nova York, a investigadora de seguros Catherine Banning (Rene Russo) é contratada para recuperar a obra. Aos poucos, a bela Catherine se deixa seduzir pelo charme de Crown, ficando dividida entre o trabalho e uma possível nova vida. Em paralelo, um amargurado policial (Denis Leary) também investiga o caso. 

Este longa é uma refilmagem do clássico dos anos sessenta “Crown – O Magnífico” dirigido por Norman Jewison e protagonizado por Steve McQueen e Faye Dunaway. Com curiosidade, neste remake a atriz Faye Dunaway interpreta a psicóloga que atende o protagonista vivido por Pierce Brosnan. Não assisti ao original para comparar, mas mesmo assim gostei desta versão. O então 007 Pierce Brosnan estava no auge da carreira e se mostrava perfeito no papel do requintado ladrão, enquanto a ex-modelo Rene Russo desfilava sua beleza. 

Finalizando, este foi um trabalho diferente na carreira de John McTiernan, especialista em filmes de ação como “Duro de Matar” e “O Predador”.

domingo, 8 de outubro de 2017

Histórias Cruzadas

Histórias Cruzadas (100 Streets, Inglaterra, 2016) – Nota 6,5
Direção – Jim O’Hanlon
Elenco – Idris Elba, Gemma Arterton, Tom Cullen, Franz Drameh, Ken Stott, Charlie Creed Miles, Kierston Wareing, Lorraine Stanley.

Em Londres, alguns personagens passam por momentos decisivos em suas vidas. 

Max (Idris Elba) é um astro de rugby aposentado, mulherengo e drogado que está separado da esposa Emily (Gemma Arterton) por causa de suas traições. Ele deseja voltar para a esposa, que também está tendo um caso com um fotógrafo (Tom Cullen). 

Kingsley (Franz Drameh) é um jovem que vive em um conjunto habitacional e que deseja abandonar o tráfico de drogas. A terceira trama segue o motorista de táxi George (Charlie Creed Miles), que se envolve em um acidente que mudará para sempre sua vida e da esposa. 

As três histórias que se cruzam focam em dramas pessoais que envolvem até mesmo violência. A trama com o jogador de rugby é a mais forte e também a que termina de forma mais exagerada. 

É um filme pequeno, daqueles que se apoiam nos personagens. 

O resultado é uma obra no máximo mediana.

sábado, 7 de outubro de 2017

Quatro Vidas de um Cachorro

Quatro Vidas de um Cachorro (A Dog’s Purpose. EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Lasse Hallstrom
Elenco – Josh Gad, Dennis Quaid, Peggy Lipton, Bryce Gheisar, K.J. Apa, Britt Robertson, Juliet Rylance, Luke Kirby, Logan Miller, John Ortiz, Kirby Howell Baptiste.

O título nacional está errado. Na verdade são cinco vidas do cachorro, sendo que uma delas é bem curta e provavelmente o sujeito que traduziu o título não percebeu ou ignorou a situação. 

O longa é narrado pelo cachorro (voz de Josh Gad) e segue cinco reencarnações do animal através de sua relações com os humanos ao seu redor. 

Deixando de lado a primeira encarnação que é mostrada rapidamente, os pontos altos do longa estão na segunda e na última história. Não citarei mais detalhes sobres estas duas histórias para não estragar a surpresa. As duas outras histórias que preenchem o longa se mostram um pouco deslocadas, mesmo entendendo que são tramas sensíveis. 

O grande acerto é mostrar a sensacional relação de amizade entre um cão e seu dono. Todas as pessoas que gostam de animais e que tem cães ao seu lado vão se emocionar com o filme. A amizade sincera entre dono e animal, as trapalhadas que os animais aprontam, seus hábitos e o triste momento do envelhecimento são retratados com extrema sensibilidade. 

O diretor sueco Lasse Hallstrom já havia explorado o tema de amizade entre homem e cachorro no também sensível “Sempre ao Seu Lado”.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Em Ritmo de Fuga

Em Ritmo de Fuga (Baby Driver, Inglaterra / EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Edgar Wright
Elenco – Ansel Elgort, Kevin Spacey, Jon Hamm, Jamie Foxx, Lily James, Eiza Gonzalez, Jon Bernthal, CJ Jones, Sky Ferreira, Lance Palmer, Flea, Lanny Joon.

Baby (Ansel Elgort) é o chamado “motorista de fuga”. Ele trabalha há anos para pagar uma dívida ao gângster Doc (Kevin Spacey), sempre dirigindo automóveis para fugir com bandidos após algum assalto. 

Após o que seria seu último trabalho, Baby planeja mudar de vida com a nova namorada, a garçonete Debora (Lily James), mas como sair do mundo do crime é extremamente complicado, logo ele se vê obrigado a participar de mais um assalto. 

Especialista em filmes que misturam violência e comédia com toques de paródia, o diretor inglês Edgar Wright está sendo muito elogiado por este novo trabalho. Como opinião pessoal, considero um filme divertido com algumas boas ideias, mas longe de merecer todos estes elogios. 

A história é totalmente clichê ao explorar o jovem que deseja sair do mundo do crime, que carrega um trauma de infância e que vive um novo amor. Por outro lado, as cenas de ação são muito bem filmadas e embaladas por uma ótima trilha sonora. O detalhe do jovem sofrer com um problema de audição e utilizar um fone ouvindo músicas durante todo o filme é muito bem explorado pelo diretor, inclusive gerando alguns interessantes diálogos. 

O resultado é uma diversão sem compromisso com a realidade. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O Guardião Invisível

O Guardião Invisível (El Guardián Invisible, Espanha / Alemanha, 2016) – Nota 7
Direção – Fernando Gonzalez Molina
Elenco – Marta Etura, Elvira Minguez, Frances Orella, Carlos Librado “Nene”, Itziar Aizpuru, Colin McFarlane, Benn Northover.

O assassinato de uma adolescente leva a inspetora Amaia Salazar (Marta Etura) de volta a sua cidade natal para investigar o crime. 

Na pequena Elizondo no País Basco, Amaya precisará lidar com os traumas de seu passado e sua complicada relação com a família, principalmente com a irmã mais velha (Elvira Minguez). 

A situação fica ainda mais difícil quando ocorre um segundo assassinato de forma semelhante. Amaya acredita ser obra de um serial killer, enquanto a mídia batiza o assassino como “Basajaun”, que seria uma criatura da mitologia Basca que lembra o americano “Pé Grande”. 

O filme é baseado no primeiro livro de uma trilogia policial que explora a mitologia, os costumes e as tradições do País Basco, região espanhola que faz fronteira com a França e que há décadas luta para se tornar um país independente. 

A premissa e o clima de tragédia são os pontos altos do longa. As cenas ao ar livre foram quase todas filmadas em dias nublados ou debaixo de chuva, o que passa uma sensação de tristeza e desamparo. 

Por mais que a investigação prenda a atenção, o filme se tornar irregular por perder tempo nos conflitos familiares da protagonista, inclusive deixando sem explicação sua terrível relação com a mãe que é mostrada em flashbacks. 

Aparentemente, as pontas soltas e a falta de explicação para esta situação podem ser ganchos para uma sequência. 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Shimmer Lake

Shimmer Lake (Shimmer Lake, EUA / Canadá, 2017) – Nota 7
Direção – Oren Uziel
Elenco – Benjamin Walker, Rainn Wilson, Stephanie Sigman, Ron Livingston, Rob Corddry, John Michael Higgins, Adam Pally, Wyatt Russell, Matt Landry.

Na cena inicial, um sujeito (Rainn Wilson) acorda no chão do porão de uma casa, com marcas de sangue na camisa ao lado de um mochila de dinheiro. A tela escurece e mostra que estamos em uma sexta-feira. 

A partir daí, a trama segue o dia inteiro, envolvendo outros personagens e citando que ocorreu um assalto no banco da pequena cidade. Ao final do dia, ao invés da história seguir em frente, voltamos para a manhã de quinta-feira e assim a trama volta no tempo até o dia do assalto, que foi na terça-feira anterior. 

Explorando a mesma ideia do ótimo “Amnésia” de Christopher Nolan, o roteiro escrito pelo diretor estreante Orem Uziel brinca com o espectador, fazendo com que ele tenha que prestar bastante atenção para amarrar a pontas da história ao contrário. É interessante que ao final fica claro que se a montagem fosse linear, o filme perderia pontos, pois a história é simples. 

Também não deixa de ser curiosa a escolha do elenco. Rainn Wilson que interpreta um dos ladrões, John Michael Higgins que vive o juiz e a dupla Ron Livingston e Rob Corddry que dão vida aos incompetentes agentes do FBI, são atores com carreiras quase todas voltadas para comédia. Estes personagens patéticos se casam perfeitamente com o humor negro da narrativa, que por sinal não exagera no tom. 

O resultado é um filme simples e divertido, indicado para quem gosta do estilo.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O Amigo Oculto & O Sono da Morte


O Amigo Oculto (Hide and Seek, EUA/ Alemanha, 2005) – Nota 6,5
Direção – John Polson
Elenco – Robert De Niro, Dakota Fanning, Famke Janssen, Elisabeth Shue, Amy Irving, Dylan Baker, Melissa Leo, Robert John Burke.

No primeiro dia do ano, Alison (Amy Irving) comete suicídio deixando o esposo David (Robert De Niro) sozinho para cuidar da filha pré-adolescente Emily (Dakota Fanning). Para tentar superar a tragédia, pai e filha trocam Nova York por uma bela casa na zona rural. Inconformada com a morte da mãe e culpando o pai pelo ocorrido, Emily se mostra cada vez mais estranha ao afirmar que tem uma amigo imaginário chamado Charlie. Quando David se aproxima da bela Elizabeth (Elisabeth Shue), a situação fica ainda mais complicada.

Apesar de ter fracassado nas bilheterias e recebido críticas ruins, este longa ganha pontos pela surpreendente reviravolta na parte final, mesmo entendendo que o roteiro apresenta alguns furos. O clima de suspense que permeia o filme é competente, ajudando a superar as falhas e mantendo o interesse do espectador até o violento final. Vale destacar a boa interpretação da então garotinha Dakota Fanning.

O Sono da Morte (Before I Wake, EUA, 2016) – Nota 5,5
Direção – Mike Flanagan
Elenco – Kate Bosworth, Thomas Jane, Jacob Tremblay, Annabeth Gish, Dash Mihok, Jay Karnes.

Na sequência inicial, um sujeito assustado (Dash Mihok) ameaça atirar em uma criança chamada Cody (Jacob Tremblay), mas termina alvejando algo não identificado. A trama segue e mostra o casal Jessie (Kate Bosworth) e Mark (Thomas Jane) em processo de adoção de uma criança. Eles perderam o filho em um acidente doméstico e para tentar refazer a vida, decidem adotar o pequeno Cody, sem saber do passado da criança. Logo, eles descobrem que os sonhos e pesadelos de Cody se transformam em realidade.O que a princípio parece um dom, não demora para se transformar em algo perigoso.

O melhor deste fraco longa de suspense é a sensível atuação do garoto Jacob Tremblay, que ficou conhecido pelo ótimo “O Quarto do Jack”. A interessante premissa que tenta explorar o suspense através dos sonhos do garoto é fato habitual no gênero e as vezes funciona, como em alguns filmes da franquia “A Hora do Pesadelo”. O problema aqui está narrativa irregular e no roteiro cheio de furos, daqueles que resolvem as situações de forma absurda. O restante do elenco também não ajuda. Em alguns momentos o longa lembra uma produção para tv. 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Alien: Covenant

Alien: Covenant (Alien: Covenant, EUA / Inglaterrra / Austrália / Nova Zelândia / Canadá, 2017) – Nota 7
Direção – Ridley Scott
Elenco – Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup, Danny McBride, Demian Bichir, Carmen Ejogo, Jussie Smollett, Callie Hernandez, Amy Seimtez, Guy Pearce, James Franco.

Dez anos após a nave Prometheus desaparecer no espaço, uma nova expedição colonizadora é enviada para um planeta distante. A nave batizada de Covenant carrega uma tripulação e mais duas mil pessoas que estão hibernando, além do androide Walter (Michael Fassbender) que supervisiona a viagem que tem previsão de mais de sete anos. 

Um problema elétrico desperta os tripulantes, mata um deles e danifica a nave. Enquanto tentam reparar a nave, eles descobrem um planeta que está bem próximo e que aparentemente tem todas as condições de ser a nova colônia para os humanos. Mesmo sem saber o que podem enfrentar, eles decidem enviar uma expedição para reconhecimento do planeta. 

Sem contar os dois filmes “Alien vs Predador”, este é o sexto longa da franquia iniciada pelo mesmo Ridley Scott em 1979 e na minha opinião o mais fraco. Não chega a ser um filme ruim. A parte técnica é caprichada e as cenas de ação são competentes, porém a história é totalmente previsível, além de copiar diversas situações que vimos em outros filmes da franquia. Outro ponto fraco são os personagens. Com exceção do sempre competente Michael Fassbender, falta carisma ao restante do elenco. 

O final deixa em aberto a possibilidade de mais uma sequência. Por mais que eu goste da franquia, se realmente uma nova sequência for produzida, chegou a hora dos roteiristas utilizarem a criatividade para criar algo realmente novo.  

domingo, 1 de outubro de 2017

Monument Ave.

Monument Ave. ou Snitch (Monument Ave., EUA / Canadá, 1998) – Nota 7
Direção – Ted Demme
Elenco – Denis Leary, Ian Hart, Jason Barry, Famke Janssen, John Diehl, Colm Meaney, Noah Emmerich, Billy Crudup, Martin Sheen, Melissa Fitzgerald, Lenny Clarke, Greg Dulli, Brian Goodman, Jeanne Tripplehorn.

Em Boston, Bobby O’Grady (Denis Leary) e um grupo de amigos descendentes de irlandeses convivem e fazem pequenos serviços para o chefão do bairro, o arrogante Jackie O’Hara (Colm Meaney). 

Mesmo acostumados com a violência na região, os amigos ficam inconformados quando Teddy (Billy Crudup) sai da prisão e termina assassinado a sangue frio pelos capangas de O’Hara. Para deixar a situação ainda mais confusa, Bobby tem um caso com a jovem Katy (Famke Janssen), que é amante de O’Hara. 

Este interessante drama policial dirigido por Ted Demme, que era sobrinho de Jonathan Demme e que faleceu precocemente, foca na vida de pequenos marginais na periferia de Boston. 

Mesmo sem ter o mesmo talento ou a dinâmica na narrativa, o estilo lembra os filmes de Scorsese sobre o submundo de Nova York, em que amizade, violência e lealdade traçam o destino das pessoas envolvidas neste mundo. 

O diretor Ted Demme deixou outros bons filmes como “Brincando de Seduzir” e “Profissão de Risco”. 

sábado, 30 de setembro de 2017

Carrie Pilby

Carrie Pilby (Carrie Pilby, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Susan Johnson
Elenco – Bel Powley, Nathan Lane, Gabriel Byrne, William Moseley, Vanessa Bayer, Colin O’Donoghue, Jason Ritter, Desmin Borges, Poorna Jagannathan.

Em Nova York, Carrie Pilby (Bel Powley) é uma jovem com QI elevado que pulou etapas e foi para universidade ainda adolescente. Formada aos dezoito anos, Carrie ainda se mostra confusa pela ausência da mãe que faleceu há alguns anos e a distância do pai (Gabriel Byrne) que vive na Inglaterra. 

Solitária e desconfiada de todos, ela tenta superar seus traumas em consultas com um terapeuta (Nathan Lane). Ao mesmo tempo em que Carrie inicia novas amizades, vemos em flashbacks o trauma causado por sua relação com um professor mais velho (Colin O’Donoghue). 

Esta simpático drama independente foca nas dificuldades de relacionamento das pessoas que não se encaixam no esteriótipos da idade. Por ser diferente nos pensamentos, nas ideias e no QI, Carrie sofre para compreender os outros e também para ser compreendida. 

É interessante também a ideia do roteiro em mostrar que uma inteligência acima da média não é garantia de uma carreira de sucesso ou muito dinheiro. As vezes a pessoa coloca a felicidade simples em primeiro lugar. 

Finalizando, vale destacar a simpática interpretação da inglesa Bel Powley.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O Fio da Inocência & Violento e Profano


O Fio da Inocência (Felicia’s Journey, Canadá / Inglaterra, 1999) – Nota 6,5
Direção – Atom Egoyan
Elenco – Bob Hoskins, Elaine Cassidy, Arsinée Khanjian, Peter McDonald, Gerald McSorley.

No interior da Irlanda, ao avisar o namorado que está grávida, a garota Felicia (Elaine Cassidy) descobre que o jovem está indo para Londres em busca de emprego. Ele não deixa o novo endereço e diz que entrará em contato logo. Humilhada pelo pai que não aceita a gravidez, Felicia decide seguir para Londres em busca do namorado. Na cidade grande, ela cruza o caminho de Joe Hilditch (Bob Hoskins), um chef administrador de uma empresa de cozinha industrial. A aparente bondade do sujeito esconde um perigoso segredo.

Este filme dirigido pelo egípcio Atom Egoyan começa como uma drama e na metade final se transforma num suspense no mínimo estranho. A ingênua personagem de Elaine Cassidy é manipulada pelo esquisito Bob Hoskins, que vê na garota uma semelhança com sua mãe (Arsinée Khanjian), que era uma famosa chef de cozinha na tv. As cenas em que o personagem de Hoskins assiste as fitas da mãe e vê a si próprio como criança são de uma tristeza enorme, sequências patéticas para um adulto. No meio de toda esta mistura, ainda surge a questão religiosa na parte final através de uma missionária maluca.

A carreira de Egoyan é irregular, considero como seu melhor filme o recente “MemóriasSecretas”, ótimo longa protagonizado pelos veteranos Christopher Plummer, Martin Landau e Bruno Ganz. Este "O Fio da Inocência" é estranho e no máximo razoável.

Violento e Profano (Nil by Mouth, Inglaterra / França, 1997) – Nota 6,5
Direção – Gary Oldman
Elenco – Ray Winstone, Kathy Burke, Charlie Creed Miles, Laila Morse, Jamie Foreman.

Único filme dirigido pelo ator Gary Oldman, este longa foca na vida de uma família de classe baixa que vive em Londres em meio as drogas, a bebida e a violência. Oldman se baseou na sua própria experiência de vida para contar esta trágica história. 

O protagonista é o violento Raymond (Ray Winstone), que vive com a esposa grávida (Kathy Burke), o cunhado drogado (Charlie Creed Miles) e sua sogra (Laila Morse). Não existe espaço para amor, afeto ou amizade, as relações são cruas. 

O roteiro escrito por Oldman retrata um mundo sem perspectivas, onde a bebida e as drogas são os escapes para as frustrações, chegando até o momento em que a violência explode em algumas cenas cruéis. Até mesmo a forma de falar é peculiar. Ouvimos um inglês repleto de palavrões e gírias, parecendo uma língua diferente. 

É um filme triste sobre uma realidade cruel. 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Lilyhammer

Lilyhammer (Lilyhammer, Noruega / EUA, 2012 a 2014)
Criadores - Eilif Skodvin & Anne Bjornstad
Elenco - Steven Van Zandt, Trond Fausa, Steinar Sagen, Marian Saastad Ottesen, Fridtjov Saheim, Tommy Karlsen.

Em Nova York, após a morte de um chefão da Máfia, o sucessor decide eliminar um desafeto. Frank Tagliano (Steven Van Zandt) escapa da tentativa de assassinato e decide entregar seus antigo parceiros para o FBI. Em troca, ele exige uma nova vida em outro país.

O acordo é cumprido e Frank se muda para a pequena e gelada Lilyhammer na Noruega. Ele recebe uma nova identidade e passa a se chamar Giovanni Henriksen. Ao invés de tentar reconstruir sua vida de forma honesta, Frank utiliza os mesmos métodos da Máfia para ganhar dinheiro na pequena cidade.

A sensacional premissa é inspirada na famosa série "The Sopranos", em que Steven Van Zandt interpretava um mafioso coadjuvante dono de uma boate. Aqui, ele praticamente repete o papel. A série está repleta de citações a "The Sopranos", inclusive com pequenas participações de atores daquela série e um episódio em Nova York que pode ser considerado uma homenagem. Para quem não sabe, Steven Van Zandt na verdade é um músico que faz parte da banda que acompanha o cantor Bruce Springsteen há décadas.

A grande sacada da série é criar situações absurdas explorando o contraste entre o estilo de vida do mafioso, com os costumes e a cultura dos noruegueses. O roteiro deixa claro que existem picaretas e bandidos no mundo inteiro, basta procurar para encontrar estas figuras. Sobram piadas sobre imigrantes, empresários corruptos e policiais incompetentes.

O protagonista não demora para montar sua gangue. Por sinal, alguns coadjuvantes são engraçadíssimos e patéticos. Os parceiros de Frank são o confuso Torgeir (Trond Fausa), seu irmão gordinho Roar (Stainer Saigen) e um grupo de motoqueiros, sem contar o impagável assistente social Jan (Fridtjov Saheim). Frank ainda consegue uma namorada (Marian Saastad Ottesen), que a princípio não conhece o passado do novo amor.

A série tem três temporadas de oito episódios cada. A primeira e a segunda temporadas são extremamente divertidas. As histórias são criativas e bem amarradas. A série poderia ter parado por aí. Na última temporada o nível cai bastante. Fica a impressão de que os roteiristas não tinha mais ideias e acabaram criando histórias recortadas, inclusive com algumas sequências filmadas no Brasil.

Como curiosidade, esta foi a primeira série produzida pela Netflix.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Johnny & June

Johnny & June (Walk the Line, EUA / Alemanha, 2005) – Nota 8
Direção – James Mangold
Elenco – Joaquin Phoenix, Reese Witherspoon, Ginnifer Goodwin, Robert Patrick, Dallas Roberts, Dan John Miller, Larry Bagby.

Ainda criança, o futuro astro da música Johnny Cash (Joaquin Phoenix) enfrentou a trágica morte do irmão, uma vida dura numa fazenda de plantação de algodão e o desprezo do pai (Robert Patrick). 

Na juventude ele se alista no exército e serve na Alemanha durante a Guerra da Coreia, sem jamais entrar em combate. Na volta, apaixonado pela música, Cash tenta a sorte em Memphis, dando início a uma grande carreira. 

O roteiro baseado no livro autobiográfico do cantor, foca em sua vida até seu casamento com June Carter (Reese Witherspoon) no final dos anos sessenta. Antes disso, o roteiro segue o início da carreira de Cash quando ele gravou e fez shows com lendas como Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Roy Orbison, detalha seu casamento conturbado com Vivian (Ginnifer Goodwin) e seu vício em remédios. 

É uma biografia clássica que mostra os altos e baixos das vidas pessoal e profissional. Além da história, os destaques ficam para as ótimas interpretações de Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon, inclusive nas várias cenas de shows em que eles cantam. 

É um ótimo filme indicado para quem gosta de biografias e também para quem curte as músicas de Johnny Cash.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Free Fire

Free Fire (Free Fire, Inglaterra / França, 2016) – Nota 6,5
Direção – Ben Wheatley
Elenco – Cillian Murphy, Brie Larson, Sharlto Copley, Armie Hammer, Sam Riley, Michael Smiley, Enzo Cilenti, Babou Ceesay, Noah Taylor, Jack Reynor, Patrick Bergin.

Boston, 1978. Uma jovem (Brie Larson) e um intermediário (Armie Hammer) negociam um acordo de venda de armas clandestinas em um galpão abandonado. 

De um lado dois irlandeses ligados ao IRA (Cillian Murphy e Michael Smiley), do outro dois sul-africanos traficantes de armas (Sharlto Copley e Babou Ceesay). Os dois grupos levam ainda alguns ajudantes que acabam se desentendendo, dando início a uma verdadeira guerra dentro do local. 

O diretor inglês Ben Wheatley tem um certo cartaz com a crítica por causa dos estranhos e violentos “Kill List” e “Turistas”. Assisti e não gostei destes filmes. O que me fez conferir este novo trabalho foi o interessante elenco e a trama que busca inspiração nas obras de Tarantino, principalmente “Cães de Aluguel”. 

Para meu gosto, este filme é um pouco melhor que os trabalhos anteriores, principalmente pela curiosa premissa e pelos personagens excêntricos, mas infelizmente o roteiro bate em uma nota só, transformando o longa em um interminável tiroteio que cansa o espectador. 

Para quem gosta do estilo, o filme vai divertir principalmente na primeira metade.  

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O Silêncio de Melinda

O Silêncio de Melinda (Speak, EUA, 2004) – Nota 7,5
Direção – Jessica Sharzer
Elenco – Kristen Stewart, Michael Angarano, Steve Zahn, Elizabeth Perkins, D. B. Sweeney, Robert John Burke, Allison Siko, Hallee Hirsh, Eric Lively.

Após ser violentada em uma festa, em seguida chamar a polícia, mas mesmo assim fugir com medo de denunciar o agressor, Melinda (Kristen Stewart) volta para o colégio alguns dias depois tendo de enfrentar o desprezo das amigas que não sabem da violência ocorrida. 

Solitária, Melinda se torna uma garota fechada, mal humorada e de poucas palavras. O trauma afeta também sua vida em família e seu desempenho escolar. Sua única motivação surge nas aulas de arte ministradas por um excêntrico professor (Steve Zahn). 

Baseado em um livro de sucesso, este longa tem como um dos pontos altos a forma sóbria como a triste história é contada. Esta escolha da diretora se casa perfeitamente com a interpretação contida de Kristen Stewart, que passa toda a sua frustração e tristeza através de olhares e poucas palavras. 

Os momentos de maior tensão surgem naturalmente, sem exageros. Além da questão da violência, o roteiro foca também no difícil relacionamento de amizade entre adolescentes, que muitas vezes gera desentendimentos e conflitos. 

É uma opção para quem gosta deste estilo de drama.   

domingo, 24 de setembro de 2017

Novo Mundo

Novo Mundo (Sinsegye, Coreia do Sul, 2013) – Nota 7,5
Direção – Hoon Jung Park
Elenco – Jung Jae Lee, Min Sik Choi, Jung Min Hwang, Sung Woong Park, Ji Hyo Song.

O chefão de uma quadrilha morre em um suspeito acidente de automóvel, abrindo espaço para uma disputa interna entre dois grupos. Um dos postulantes ao cargo é o agitado Jung Chung (Jung Min Hwang) que tem como braço-direito Lee Ja Sung (Jung Jae Lee). 

Considerado um sujeito racional dentro da organização, Lee esconde sua verdadeira identidade. Ele é um policial infiltrado que tem como único contato o Capitão Kang (Min Sik Choi de “Oldboy”). Querendo abandonar o trabalho, Lee é pressionado pelo Capitão a ajudá-lo a colocar Jung no comando da organização, para facilitar a ação da polícia. 

Como é comum aos filmes do gênero, algumas reviravoltas mudam completamente a situação. O ponto principal do longa é o roteiro que explora as brigas, mortes e traições entre os bandidos que disputam o posto mais alto da organização. 

As reviravoltas citadas são interessantes, porém o filme perde alguns pontos pela narrativa irregular. Algumas passagens também são lentas. No geral, é mais um bom filme policial sul-coreano. 

sábado, 23 de setembro de 2017

Uma Secretária de Futuro

Uma Secretária de Futuro (Working Girl, EUA, 1988) – Nota 6,5
Direção – Mike Nichols
Elenco – Harrison Ford, Melanie Griffith, Sigourney Weaver, Alec Baldwin, Joan Cusack, Philip Bosco, Nora Dunn, Oliver Platt, Kevin Spacey, Olympia Dukakis, Amy Aquino.

Tess (Melanie Griffith) trabalha como assistente em uma corretora de ações. Por se sentir desprezada, ela abandona o emprego e consegue uma recolocação como secretária em uma grande empresa. 

Sua nova chefe (Sigourney Weaver) a princípio se mostra interessada em Tess, como se fosse sua mentora. Uma ideia proposta por Tess muda completamente a relação. Percebendo o que está ocorrendo, a jovem tenta vender sua ideia diretamente para outro executivo (Harrison Ford), dando início a uma inusitada situação. 

Sucesso quando foi lançado, este longa que mistura comédia e drama envelheceu mal. Os percalços enfrentados pela protagonista são cada vez mais comuns no mercado de trabalho, seja com homens ou mulheres. 

Na época, a proposta era interessante por mostrar como as relações de trabalho estavam se modificando. Hoje, a história se mostra até mesmo ingênua. A “armação” montada pela protagonista e as cenas engraçadinhas deixam o longa com cara de comédia descartável. 

Mesmo com a presença de nomes como Harrison Ford e Sigourney Weaver, o destaque fica para Melanie Griffith, que estava no auge da carreira. 

É um filme mediano, nada mais que isso.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Pássaro Branco na Nevasca

Pássaro Branco na Nevasca (White Bird in a Blizzard, França / EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Gregg Araki
Elenco – Shailene Woodley, Eva Green, Christopher Meloni, Shiloh Fernandez, Thomas Jane, Angela Bassett, Gabourey Sidibe, Mark Indelicato, Dale Dickey, Sheryl Lee.

Meses finais de 1988. A jovem Kat (Shailene Woodley) precisa lidar com o desaparecimento da mãe (Eva Green). 

Aos dezessete anos, namorando um jovem vizinho (Shiloh Fernandez) e as vésperas de ir para universidade, Kat relembra momentos em que sua mãe mostrou frustração como marido (Christopher Meloni) e inveja da própria filha. Antes de mudar de cidade, Kat também se envolve sexualmente com um veterano policial (Thomas Jane). 

O diretor Gregg Araki é especialista em filmes que abordam o lado obscuro da juventude. Descobertas sexuais, drogas e conflitos de relacionamento são os temas explorados. Neste filme, mesmo tocando nos mesmos temas, Araki pega mais leve na trama, com exceção da descoberta na sequência final. 

O destaque do elenco fica para a desenvoltura da jovem Shailene Woodley, inclusive nas cenas de nudez. 

Resumindo, é um filme que mostra as frustrações nos relacionamentos, aquilo que se esconde nas aparentes famílias perfeitas.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Polícia Federal: A Lei é Para Todos

Polícia Federal: A Lei é Para Todos (Brasil, 2017) – Nota 7,5
Direção – Marcelo Antunez
Elenco – Antonio Calloni, Marcelo Serrado, Flávia Alessandra, Bruce Gomlevsy, Ary Fontura, João Baldasserini, Rainer Cadete, Roberto Berindelli, Roney Facchini, Leonardo Medeiros.

A enorme teia de corrupção que tomou conta do nosso país veio à tona graças a Operação Lava Jato. 

A investigação que prendeu um doleiro especializado em “lavar” dinheiro abriu o caminho para se chegar em políticos e empresários que utilizavam suas posições para conseguir vantagens lesando os cofres públicos. 

Para os brasileiros que desejam viver em um país com menos corrupção e um pouco mais de justiça, este filme vai além do cinema, resultando num verdadeiro registro histórico de uma operação que tem tudo para mudar os rumos do Brasil . 

A grande quantidade de fatos e personagens é resumida através de um roteiro que aborda os principais acontecimentos da operação, desde seu início até a chamada “condução coercitiva” que obrigou o ex-presidente a depor. 

A operação segue forte e deverá continuar ainda por um bom tempo, com fatos para render pelo menos uma sequência. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Uma Viagem Extraordinária

Uma Viagem Extraordinária (The Young and Prodigious T.S. Spivet, França / Austrália / Canadá, 2013) – Nota 7,5
Direção – Jean Pierre Jeunet
Elenco – Kyle Catlett, Helena Bonham Carter, Callum Keith Rennie, Judy Davis, Niamh Wilson, Jakob Davies, Dominique Pinon, Julian Richings.

T.S. Spivet (Kyle Catlett) é um garoto de dez anos que vive com a família em um rancho em Montana. A mãe (Helena Bonham Carter) é uma pesquisadora de insetos e o pai (Callum Keith Rennie) um fazendeiro nato, assim como Layton (Jakob Davies), o irmão gêmeo de T.S. A família ainda tem uma filha (Niamh Wilson) que sonha em se tornar atriz. 

A aparente fragilidade de T.S. esconde um garoto prodígio que é ignorado pela família e por seus professores. Sua genialidade o leva a enviar um projeto para um famoso prêmio científico. Ele vence o prêmio sem que os organizadores saibam que o projeto foi feito por uma criança. Para receber o prêmio, T.S. inicia uma jornada de trem entre Montana e Nova York. 

O ótimo diretor francês Jean Pierre Jeunet novamente entrega um longa com uma belíssima fotografia e uma história sensível narrada pelo protagonista que mistura drama familiar, aventura e comédia, como se fosse uma fábula moderna. 

O ponto alto do longa é a viagem do protagonista, incluindo a pequena participação do ator francês Dominique Pinon, parceiro habitual do diretor Jeunet. Vale destacar a ainda atuação do garoto Kyle Catlett e a ótima Helena Bonham Carter, especialista em papéis extravagantes. 

Para quem gosta do estilo de Jeunet, este longa é mais uma ótima opção. 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

A Ameaça

A Ameaça (The Harvest, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – John McNaughton
Elenco – Samantha Morton, Michael Shannon, Natasha Calis, Charlie Tahan, Peter Fonda, Leslie Lyles, Meadow Williams.

A médica Katherine (Samantha Morton) e seu marido Richard (Michael Shannon) passam por uma crise no casamento por conta da doença do filho Andy (Charlie Tahan). 

Obcecada em cuidar da saúde do filho e mantê-lo longe de qualquer perigo, Katherine trata o marido com desprezo por conta da diferença de profissões. Richard abandonou o emprego de enfermeiro para cuidar de Andy. 

Katherine se mostra ainda mais radical quando a garota Maryann (Natasha Calis), que mora na vizinhança, se aproxima de Andy querendo fazer amizade. 

A primeira metade do longa é aparentemente um drama sobre doença, daqueles em que adolescentes sofridos criam um laço de amizade. Na metade final o roteiro apresenta uma sinistra surpresa e transforma o filme em um suspense absurdo, lembrando uma produção para tv dos anos oitenta e noventa.

 O ótimo Michael Shannon não tem muito espaço para se destacar, enquanto Samantha Morton chama a atenção pelo exagero. 

O diretor John McNaughton foi elogiado pela crítica pelo violento “Henry – Retrato de um Assassino” de 1986, porém nos trabalhos posteriores jamais conseguiu comprovar seu potencial.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A Onda

A Onda (Bolgen, Noruega, 2015) – Nota 7
Direção – Roar Uthaug
Elenco – Kristoffer Joner, Ane Dahl Torp, Jonas Hoff Oftebro, Edith Haagerund Sande, Fridtov Saheim.

Kristian (Kristoffer Jones) é um geólogo que está em seu último dia de trabalho em uma estação de observação numa pequena cidade da Noruega. 

Ele mudará com a esposa (Ane Dahl Torp) e o casal de filhos (Jonas Hoff Oftebro e Edith Haagerund Sande) para uma cidade maior onde trabalhará na indústria de petróleo. 

No fatídico dia, os sensores que monitaram a montanha que beira a cidade detecta estranhas movimentações. Considerado um sujeito que se preocupa demais com o trabalho, Kristian tenta convencer os colegas de que pode ocorrer um deslizamento e que se nada for feito rapidamente uma tragédia será inevitável. 

Esta competente longa norueguês segue a cartilha dos filmes-catástrofe. Temos um protagonista obcecado, as pistas de que a catástrofe está prestes a ocorrer e finalmente as criativas cenas de destruição. 

A trama é totalmente previsível, porém o longa ganha pontos pelas cenas citadas e pelo suspense criado nestas sequências. A onda criada pelo tsunami é assustadora e as sequências dos personagens submersos são angustiantes. 

Vale destacar ainda a belíssima fotografia que explora os cenários naturais da região.