quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Uma Viagem Extraordinária

Uma Viagem Extraordinária (The Young and Prodigious T.S. Spivet, França / Austrália / Canadá, 2013) – Nota 7,5
Direção – Jean Pierre Jeunet
Elenco – Kyle Catlett, Helena Bonham Carter, Callum Keith Rennie, Judy Davis, Niamh Wilson, Jakob Davies, Dominique Pinon, Julian Richings.

T.S. Spivet (Kyle Catlett) é um garoto de dez anos que vive com a família em um rancho em Montana. A mãe (Helena Bonham Carter) é uma pesquisadora de insetos e o pai (Callum Keith Rennie) um fazendeiro nato, assim como Layton (Jakob Davies), o irmão gêmeo de T.S. A família ainda tem uma filha (Niamh Wilson) que sonha em se tornar atriz. 

A aparente fragilidade de T.S. esconde um garoto prodígio que é ignorado pela família e por seus professores. Sua genialidade o leva a enviar um projeto para um famoso prêmio científico. Ele vence o prêmio sem que os organizadores saibam que o projeto foi feito por uma criança. Para receber o prêmio, T.S. inicia uma jornada de trem entre Montana e Nova York. 

O ótimo diretor francês Jean Pierre Jeunet novamente entrega um longa com uma belíssima fotografia e uma história sensível narrada pelo protagonista que mistura drama familiar, aventura e comédia, como se fosse uma fábula moderna. 

O ponto alto do longa é a viagem do protagonista, incluindo a pequena participação do ator francês Dominique Pinon, parceiro habitual do diretor Jeunet. Vale destacar a ainda atuação do garoto Kyle Catlett e a ótima Helena Bonham Carter, especialista em papéis extravagantes. 

Para quem gosta do estilo de Jeunet, este longa é mais uma ótima opção. 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

A Ameaça

A Ameaça (The Harvest, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – John McNaughton
Elenco – Samantha Morton, Michael Shannon, Natasha Calis, Charlie Tahan, Peter Fonda, Leslie Lyles, Meadow Williams.

A médica Katherine (Samantha Morton) e seu marido Richard (Michael Shannon) passam por uma crise no casamento por conta da doença do filho Andy (Charlie Tahan). 

Obcecada em cuidar da saúde do filho e mantê-lo longe de qualquer perigo, Katherine trata o marido com desprezo por conta da diferença de profissões. Richard abandonou o emprego de enfermeiro para cuidar de Andy. 

Katherine se mostra ainda mais radical quando a garota Maryann (Natasha Calis), que mora na vizinhança, se aproxima de Andy querendo fazer amizade. 

A primeira metade do longa é aparentemente um drama sobre doença, daqueles em que adolescentes sofridos criam um laço de amizade. Na metade final o roteiro apresenta uma sinistra surpresa e transforma o filme em um suspense absurdo, lembrando uma produção para tv dos anos oitenta e noventa.

 O ótimo Michael Shannon não tem muito espaço para se destacar, enquanto Samantha Morton chama a atenção pelo exagero. 

O diretor John McNaughton foi elogiado pela crítica pelo violento “Henry – Retrato de um Assassino” de 1986, porém nos trabalhos posteriores jamais conseguiu comprovar seu potencial.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A Onda

A Onda (Bolgen, Noruega, 2015) – Nota 7
Direção – Roar Uthaug
Elenco – Kristoffer Joner, Ane Dahl Torp, Jonas Hoff Oftebro, Edith Haagerund Sande, Fridtov Saheim.

Kristian (Kristoffer Jones) é um geólogo que está em seu último dia de trabalho em uma estação de observação numa pequena cidade da Noruega. 

Ele mudará com a esposa (Ane Dahl Torp) e o casal de filhos (Jonas Hoff Oftebro e Edith Haagerund Sande) para uma cidade maior onde trabalhará na indústria de petróleo. 

No fatídico dia, os sensores que monitaram a montanha que beira a cidade detecta estranhas movimentações. Considerado um sujeito que se preocupa demais com o trabalho, Kristian tenta convencer os colegas de que pode ocorrer um deslizamento e que se nada for feito rapidamente uma tragédia será inevitável. 

Esta competente longa norueguês segue a cartilha dos filmes-catástrofe. Temos um protagonista obcecado, as pistas de que a catástrofe está prestes a ocorrer e finalmente as criativas cenas de destruição. 

A trama é totalmente previsível, porém o longa ganha pontos pelas cenas citadas e pelo suspense criado nestas sequências. A onda criada pelo tsunami é assustadora e as sequências dos personagens submersos são angustiantes. 

Vale destacar ainda a belíssima fotografia que explora os cenários naturais da região. 

domingo, 17 de setembro de 2017

Cardboard Boxer

Cardboard Boxer (Cardboard Boxer, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Knate Lee
Elenco – Thomas Haden Church, Terrence Howard,  Boyd Holbrook, Rhys Wakefield, Marlo Thomas, David Henrie, Macy Gray.

Willie (Thomas Haden Church) é um solitário morador de rua que sobrevive procurando sobras no lixo. Numa destas procuras, ele encontra um diário que está queimado em parte. Ao começar a ler diário, Willie descobre ser de uma criança que perdeu a mãe. 

Ao mesmo tempo, Willie faz amizade com um veterano soldado que perdeu as pernas (Boyd Holbrook) e se envolve com alguns jovens ricos e mimados que oferecem trocados para ele brigar contra outros moradores de rua. 

O roteiro escrito pelo diretor estreante Knate Lee foca na triste vida dos moradores de rua, que além da violência, da fome e do desprezo das pessoas, muitos ainda precisam enfrentar seus próprios demônios. O protagonista vivido por Thomas Haden Church busca basicamente a amizade, alguém para conversar, ou seja, sonha como uma simples vida normal. 

Mesmo não sendo um astro, a carreira de Thomas Haden Church é extremamente curiosa. Somente com quase trinta anos de idade, o ator conseguiu seus primeiros papéis de coadjuvante na tv. Sua grande chance chegou com a série “Ned and Stacey” ao lado da atriz Debra Messing. A série foi cancelada após duas temporadas e Haden Church voltou aos pequenos papéis, até que em 2004 o diretor Alexander Payne o escalou para o ótimo e surpreendente “Sideways” que fez sucesso, lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Ator Coadjuvante e assim colocou sua carreira de volta nos trilhos.

sábado, 16 de setembro de 2017

Cosmópolis

Cosmópolis (Cosmopolis, Canadá / França / Portugal / Itália, 2012) – Nota 5
Direção – David Cronenberg
Elenco – Robert Pattinson, Sarah Gadon, Juliette Binoche, Paul Giamatti, Kevin Durand, Samantha Morton, Emily Hampshire, Jay Baruchel, Mathieu Amalric, Patricia McKenzie, Abdul Ayoola.

Em Nova York, o empresário bilionário Eric Packer (Robert Pattinson) ignora as sugestões de seu chefe de segurança (Kevin Durand) e decide atravessar a cidade em uma limousine somente para cortar o cabelo com seu barbeiro. 

A passagem do presidente americano pela região e os protestos de pessoas contra a crise financeira que assola o país, transformam a cidade em um caos e colocam em risco sua própria vida. 

Durante sua saga pela cidade, Packer recebe na limousine jovens especialistas em tecnologia digital, faz sexo com mulheres, conversa sobre economia e filosofia, além de tentar convencer sua esposa (Sarah Gadon) a transar com ele. 

O roteiro escrito por David Cronenberg tenta fazer uma crítica a especulação financeira capitalista e ao avanço da tecnologia, porém a verborragia exagerada com diálogos filosóficos tornam o longa extremamente cansativo.

Por mais que a ideia de dividir o mundo entre a segurança dentro da limousine e o caos da ruas seja interessante, tudo se perde nos diálogos. 

As interpretações também são estranhas, os personagens parecem recitar diálogos de um teatro do apocalipse.

Mesmo com o capricho na parte técnica, na minha opinião é o pior trabalho de Cronenberg.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Tráfico de Órgãos & A Fraude


Tráfico de Órgãos (Inhale, EUA, 2010) – Nota 7,5
Direção – Baltasar Kormakur
Elenco – Dermot Mulroney, Diane Kruger, Sam Shepard, Vincent Perez, Jordi Molla, Rosanna Arquette, Cesar Ramos, Kristyan Ferrer, David Selby, Mia Stallard.

Paul Stanton (Dermot Mulroney) é um promotor enfrentando um dilema pessoal e outro profissional. No âmbito profissional, ele precisa decidir se processa ou entra em acordo com um pai de família que atirou em um pedófilo que teria abusado de seu filho. Na vida pessoal, Paul e sua esposa Diane (Diane Kruger) sofrem com a doença da filha (Mia Stallard) que precisa urgentemente de um transplante de pulmão. 

Desesperado por saber que a chance da filha ser salva é pequena, ao descobrir que um amigo que é político (Sam Shepard) pagou por um transplante clandestino de coração, Paul decide seguir o mesmo caminho. Uma pequena pista o leva até a violenta cidade de Juarez na fronteira do México com os Estados Unidos. É o início de uma descida ao inferno em busca da salvação da filha. 

Por mais que sejam tratados como lenda urbana, o tráfico de órgãos e os transplantes clandestinos são realidades que de tempos em tempos são investigados por algum jornalista corajoso, mas que logo se tornam temas esquecidos. 

Este bom filme dirigido pelo islandês Baltasar Kormakur explora o tema como um thriller. O protagonista vivido por Dermot Mulroney se infiltra no submundo violento da cidade fronteiriça de Juarez, batendo de frente com membros de gangue, garotos de rua e a corrupção de agentes oficiais. 

O roteiro deixa claro a ineficiência do sistema oficial para quem está na fila esperando a doação de um órgão. E sempre que um determinado nicho oficial não consegue suprir a procura, surge o mercado paralelo, mesmo sendo uma questão de saúde. 

É um filme que prende a atenção, cumpre o papel de deixar o espectador tenso e ainda faz uma crítica social.

A Fraude (A Little Trip To Heaven, Islândia / EUA, 2005) – Nota 6
Direção – Baltasar Kormakur
Elenco – Forest Whitaker, Julia Stiles, Jeremy Renner, Peter Coyote.

Na cena inicial, uma viúva é enganada por dois funcionários de uma empresa de seguros. O investigador Abe (Forest Whitaker) e o supervisor Frank (Peter Coyote) manipulam a pobre mulher para favorecer a seguradora. 

Em seguida, a trama pula para um bar de beira de estrada, onde um sujeito (Jeremy Renner) forja um acidente de carro fatal que deixa uma vítima irreconhecível. Seu objetivo é fazer sua irmã (Julia Stiles) receber um milhão de dólares do seguro. Abe segue para a pequena cidade em busca de evidências de que o acidente tenha sido uma fraude. 

A instigante premissa que mistura investigação e fraude de seguros se perde em um roteiro previsível e uma narrativa irregular. O roteiro não consegue criar suspense ou reviravoltas, pois as cartas são colocadas na mesa rapidamente. O que resta de qualidade é a investigação feita pelo meticuloso personagem de Forest Whitaker. 

O diretor islandês Baltasar Kormakur faria filmes melhores em Hollywood como “Evereste”, “Contrabando” e o comentado anteriormente “Tráfico de Órgãos”.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Ao Cair da Noite

Ao Cair da Noite (It Comes at Night, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Trey Edward Shults
Elenco – Joel Edgerton, Christopher Abbott, Carmen Ejogo, Riley Keough, Kelvin Harrison Jr., Griffin Robert Faulkner, David Pendleton.

Um idoso muito doente é “sacrificado” por três pessoas utilizando máscaras contra gás. Logo, descobrimos que a vítima estava infectada por algo desconhecido. 

Seu genro Paul (Joel Edgerton), sua filha Sarah (Carmen Ejogo) e o neto Travis (Kelvin Harrison Jr.) tentam se manter isolados da praga ficando em casa no meio de um bosque. 

Quando um estranho (Christopher Abbott) chega ao local procurando comida e água para sua esposa (Riley Keough) e o filho pequeno, tudo muda. As duas famílias aparentemente se unem para defender a casa, mas no fundo o que cresce é um clima de desconfiança entre eles. 

O melhor deste longa de suspense é o clima de apocalipse que permeia toda a narrativa. O problema é que o roteiro não desenvolve o potencial da trama, deixando um monte de perguntas no ar e entregando uma história previsível. 

Não existe explicação para a infecção ou qualquer coisa que dê uma pista. Os sonhos do personagem vivido por Kelvin Harrison Jr praticamente entregam o que aconteceria no final. Além disso, as várias cenas noturnas no escuro são mais cansativas do que assustadoras. 

Mesmo com a curta duração, a impressão é que faltou história.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Suburra

Suburra (Suburra, Itália / França, 2015) – Nota 8,5
Direção – Stefano Sollima
Elenco – Pierfrancesco Favino, Claudio Amendola, Elio Germano, Alessandro Borghi, Greta Scarano, Giulia Gorietti, Jean Hugues Anglade, Adamo Dionisi.

Em Roma, após uma noite de sexo e drogas, o deputado Malgradi (Pierfrancesco Favino) e a prostituta Sabrina (Giulia Gorietti) se desesperam quando outra prostituta que é menor de idade passa mal e morre no quarto do hotel. 

Sabrina chama um amigo para se livrar do corpo, enquanto Malgradi volta para casa acreditando que o problema está encerrado. A morte da jovem é o fato que desencadeia uma complexa trama que envolve vários personagens, um rastro de corrupção para aprovação de uma lei e uma guerra entre duas quadrilhas. 

O diretor Stefano Sollima entrega um ótimo filme de gângster que explora traição, vingança, sexo, drogas, prostituição, violência e corrupção. Todos estes itens clássicos do gênero estão inseridos no roteiro que amarra pelo menos três histórias paralelas que convergem para o Dia do Apocalipse. No início do filme, é citada uma contagem de dias para a chegada do apocalipse. 

O único ponto que poderia ter sido melhor explorado é a questão da participação religiosa na corrupção. O cardeal corrupto vivido por Jean Hugues Anglade e a decisão do Papa são situações que ficam à margem da trama, sem uma grande explicação. 

Mesmo assim, o resultado é sensacional longa que lembra os trabalhos de Martin Scorsese. 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

A Estranha Vida de Timothy Green

A Estranha Vida de Timothy Green (The Odd Life of Timothy Green, EUA, 2012) – Nota 6
Direção – Peter Hedges
Elenco – Jennifer Garner, Joel Edgerton, CJ Adams, Odeya Rush, Shohreh Aghdashloo, Rosemarie DeWitt, David Morse, M. Emmet Walsh, Lois Smith, Lin Manuel Miranda, Dianne Wiest, Ron Livingston, James Rebhorn, Common.

Após anos tentando engravidar sem sucesso, Cindy (Jennifer Garner) e Jim Green (Joel Edgerton) são obrigados a enfrentar a notícia de que somente uma milagre faria eles terem um filho. 

O sonho despedaçado renasce em uma noite de tempestade quando um garoto chamado Timothy (CJ Adams) aparece na porta da casa dos Green. Sem falar de onde veio e tendo algumas estranhas folhas presas na perna, Timothy assume o papel de filho, para alegria de Cindy e Jim, que terão de aprender a lidar com a paternidade. 

O roteiro escrito pelo diretor Peter Hedges mistura drama, comédia e fantasia para contar uma história sensível em alguns momentos, porém previsível e até bobinha em várias sequências, principalmente na forma como os pais participam da vida do novo filho, tentando protegê-lo de sua ingenuidade. 

As histórias paralelas dos empregos de Jim na fábrica de lápis e de Cindy no museu são clichês, assim como o relacionamento complicado do primeiro com o pai durão (David Morse). 

É um filme no máximo razoável, em que a aparência bonitinha engana. 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Terra D'Água

Terra D’Água (Waterland, Inglaterra, 1992) – Nota 7,5
Direção – Stephen Gyllenhaal
Elenco – Jeremy Irons, Ethan Hawke, Sinéad Cusack, Grant Warnock, Lena Headey, David Morrissey, Pete Postlethwaite, John Heard, Maggie Gyllenhaal.

Pittsburgh, 1974. Tom Crick (Jeremy Irons) é um professor de história que passa por uma terrível crise no casamento com Mary (Sinéad Cusack), que por não poder ter filhos, se mostra totalmente abalada. 

Durante suas aulas, Tom passa a relembrar sua adolescência na Inglaterra durante a Segunda Guerra (papel de Grant Warnock) e decide contar para seus alunos sua história de vida. 

Seu início de relacionamento com Mary (Lena Headey), a vida com o pai (Pete Postlethwaite) e com irmão (David Morrissey) que tinha um pequeno atraso mental, além dos fatos que causaram frustrações que ele e a esposa carregam. 

O roteiro que é baseado em um livro explora algumas ideias interessantes. A questão das reminiscências pessoais que geralmente explicam muito da vida atual do protagonista é o ponto principal.

A encruzilhada pessoal e profissional em que o personagem se encontra, o faz pensar no passado e colocar na balança os erros e acertos, utilizando seus alunos como testemunhas do relato, principalmente o jovem vivido por Ethan Hawke. 

A decisão do diretor em colocar os alunos no meio da narrativa do passado é uma tentativa de transformar a contação de histórias em algo real, levar o ouvinte a se sentir parte do que está sendo narrado. 

O resultado é um interessante drama que mistura romance e história. 

Como informação, o diretor Stephen Gyllenhaal é pai do astro Jake e da atriz Maggie, que aqui faz uma ponta.  

domingo, 10 de setembro de 2017

A Cidade Perdida

A Cidade Perdida (The Lost City, EUA, 2005) – Nota 7
Direção – Andy Garcia
Elenco – Andy Garcia, Bill Murray, Tomas Milian, Inés Sastre, Enrique Murciano, Millie Perkins, Richard Bradford, Dustin Hoffman, Nestor Carbonell, Danny Pino, Julio Oscar Mechoso, Victor Rivers, Steven Bauer, Dominik Garcia Lorido, Tony Plana, Juan Fernandez, Jsu Garcia.

Havana, 1958. A família Fellove tenta se manter unida em meio a revolução cubana que está prestes a acontecer e que visa derrubar o ditador Fulgencio Batista (Juan Fernandez). 

O patriarca Federico (Tomas Milian) é um professor universitário que sonha em viver num país democrático ao lado da esposa (Millie Perkins) e dos três filhos. O mais velho é Fico (Andy Garcia), proprietário de uma famosa casa noturna que tenta seguir a vida sem se envolver com a política. 

Enquanto isso, seus dois irmãos se alinham a grupos revolucionários. Luís (Nestor Carbonell) se une a um grupo na cidade que pretende assassinar Batista, enquanto Ricardo (Enrique Murciano) segue para o interior do país com o objetivo de lutar ao lado de Fidel Castro e Che Guevara. 

O roteiro assinado pelo escritor cubano Guillermo Cabrera Infante detalha os dias que antecederam a revolução cubana, que derrubou uma ditadura capitalista para impor uma ditadura comunista ainda mais violenta e opressora. 

A família Fellove é uma espécie de exemplo do que ocorreu com a elite cubana e também com a classe média. Famílias foram esfaceladas e os opositores ao regime foram assassinados, presos ou fugiram do país, sem antes terem seus imóveis, terras e dinheiro tomados pelo terrível governo de Fidel Castro. 

O filme tem falhas. A narrativa irregular, a passagem do tempo um pouco confusa e a fraca cena de ação da invasão ao palácio do governo tiram pontos do longa, mas por outro lado, a história é forte, dolorosa e realista. 

Um diálogo entre o personagem de Andy Garcia e sua amada vivida por Inés Sastre explica bem o que ocorreu. Ele cita que Fidel é apenas o novo líder da mesma ditadura, enquanto ela responde dizendo que a democracia viria depois. Se passaram quase sessenta anos e os cubanos continuam esperando a democracia. 

sábado, 9 de setembro de 2017

Zanahoria

Zanahoria (Zanahoria, Uruguai / Argentina, 2014) – Nota 7
Direção – Enrique Buchichio
Elenco – César Troncoso, Abel Tripaldi, Martin Rodriguez, Néstor Guzzini, Victoria Césperes.

Duas semanas antes das eleições para presidente do Uruguai em 2004, o jornalista Alfredo (Abel Tripaldi) recebe um telefonema de um sujeito que diz ser ex-militar e que gostaria de encontrá-lo para entregar alguns documentos. 

Cauteloso em encontrar o desconhecido em um bairro da periferia de Montevidéu, Alfredo pede para o jovem jornalista de cultura Jorge (Martin Rodriguez) acompanhá-lo na missão. 

Em um local ermo, eles encontram Walter (César Troncoso). O homem alega ter documentos que comprovam a participação de dezenas de militares em crimes durante a ditadura uruguaia, além de citar os locais onde muitos presos políticos estariam enterrados. 

Desconfiados por não terem certeza se o homem fala a verdade, mas ao mesmo tempo acreditando que podem ter o furo da década em mãos, Alfredo e Jorge iniciam uma intrincada negociação para conseguir os documentos. 

Este interessantíssimo longa uruguaio que mexe no vespeiro que foi a ditadura no país nos anos setenta e oitenta é baseado em fatos reais. 

Além da história que é marcante por si só, o filme prende a atenção do espectador através da crescente tensão da narrativa, da paranoia que envolve os três personagens principais e da dúvida sobre as intenções do delator que segue até a parte final. 

É um filme indicado para o cinéfilo interessado em tramas políticas investigativas.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Departamento Q (3 Filmes)

Departamento Q: O Guardião das Causas Perdidas (Kvinden I Buret, Dinamarca / Alemanha / Suécia / Noruega, 2013) – Nota 7,5
Direção – Mikkel Norgaard
Elenco – Nikolaj Lie Kaas, Fares Fares, Sonja Richter, Mike Boe Folsgaard, Soren Pilmark, Troels Lyby.

Uma ação malsucedida da polícia resulta na morte de um informante e dois detetives baleados. Carl Morck (Nikolaj Lie Kass) sobrevive sem sequelas, enquanto seu parceiro (Troels Lyby) termina tetraplégico. Meses depois, ao retornar para o trabalho, Carl é designado para o Departamento Q que fica em uma sala no porão da delegacia. Seu trabalho será analisar e encerrar casos antigos que não foram solucionados.

Para ajudá-lo, é enviado o detetive de origem libanesa Assad (Fares Fares). Os dois renegados cruzam com o caso de uma assessora política (Sonja Richter) que foi dada como morta, mas que jamais foi encontrado o corpo. Eles encontram várias falhas na investigação e reabrem o caso contra a vontade do próprio chefe (Soren Pilmark). 

Este competente longa policial foi o primeiro de três filmes baseados em uma série de livros dinamarqueses que focam no trabalho da dupla de detetives. O longa lembra a antiga série “Cold Case”, porém com maior realismo e melhor desenvolvimento de personagens. Assim como na série americana, a investigação atual é entrecortada por flashbacks contando aos poucos o que realmente ocorreu no caso que ficou sem solução. A trama é complexa e prende a atenção do início ao fim. 

Os personagens são muito bem desenvolvidos. O protagonista vivido por Nikolaj Lie Kaas é o solitário com dificuldade de interagir com as pessoas, que sofre pela recente separação da esposa, pelo parceiro que foi ferido e por isso se enfia de cabeça na nova investigação. 

Não espere cenas de ação, o ritmo da narrativa é cadenciado e a tensão cresce nos momentos cruciais da história. 

Departamento Q: O Ausente (Fasandraeberne, Dinamarca / Alemanha / Suécia, 2014) – Nota 7,5
Direção – Mikkel Norgaard
Elenco – Nikolaj Lie Kaas, Fares Fares, Pilou Asbaek, David Dencik, Danica Curcic, Soren Pilmark, Sarah Sofie Boussnina, Marco Ilso, Johanne Louise Schmidt, Beate Bille.

Desta vez os detetives Carl (Nikolaj Lie Kaas) e Assad (Fares Fares) reabrem o caso do duplo assassinato de um casal de irmãos gêmeos filhos de um policial aposentado. Os jovens eram alunos de um internato e o caso foi fechado com a condenação de um vagabundo que vendia drogas, mesmo com as pistas indicando que havia mais de uma pessoa envolvida no crime. 

Novamente o roteiro é complexo e até mais detalhado que no filme anterior. As cenas em flashbacks que mostram os acontecimentos que levaram ao crime são repletas de violência, sexo e crueldade. A investigação nos dias atuais foca em um famoso empresário (Pilou Asbaek) e seu melhor amigo (David Dencik), além da busca por uma testemunha (Danica Curcic) que desapareceu logo depois do crime. 

A dupla de protagonistas passa por dificuldades no trabalho, precisando provar que realmente tem condições de resolver casos antigos. Além disso, o detetive Carl se mostra cada vez mais atormentado pelos crimes que investiga e pela falta de confiança nas pessoas. 

O resultado é uma ótima opção para quem curte tramas de investigação. 

Departamento Q: Uma Conspiração de Fé (Flaskepost Fra P, Dinamarca / Alemanha / Suécia / Noruega, 2016) – Nota 7,5
Direção – Hans Petter Moland
Elenco – Nikolaj Lie Kaas, Fares Fares, Pal Sverre Hagen, Signe Anastassia Mannov, Jakob Ulrich Lohmann, Amanda Collin, Johanne Louise Schmidt, Soren Pilmark, Jakob Oftebro.

Este terceiro longa começa com uma enigmática mensagem de ajuda encontrada dentro de uma garrafa na praia. Os detetives Carl Morck (Nikolaj Lie Kass) e Assad (Fares Fares) tentam decifrar a mensagem, acreditando que tenha sido escrita por uma criança. Em paralelo, um casal de crianças de uma família religiosa é sequestrado por um maluco que se passa por missionário (Pal Sverre Hagen), que pode ser o responsável por outros sequestros. 

Dirigido pelo norueguês Hans Petter Moland, do ótimo “O Cidadão do Ano”, este longa é um pouco diferente dos anteriores. O sequestro antigo citado na garrafa é uma parte pequena da história, apenas um gancho utilizado como pista para encontrar o criminoso. As cenas de ação aqui também são em maior número, incluindo uma tensa sequência dentro de um trem. 

O desenvolvimento dos personagens também não é deixado de lado. O protagonista Carl está deprimido, sendo muito afetado pelo caso envolvendo crianças. 

Não sei se a série de filmes vai continuar. Se parar aqui, os três filmes deixarão um ótimo divertimento para quem curte o gênero. 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Bingo - O Rei das Manhãs

Bingo – O Rei das Manhãs (Brasil, 2017) – Nota 8
Direção – Daniel Rezende
Elenco – Vladimir Brichta, Leandra Leal, Augusto Madeira, Ana Lúcia Torre, Tainá Muller, Cauã Martins, Pedro Bial, Emanuelle Araújo.

No início dos anos oitenta, o ator Augusto Mendes (Vladimir Brichta) sofre com a falta de oportunidades na tv. Famoso como ator de pornochanchadas nos anos setenta, o gênero havia chegado ao fim. 

O destino faz com que ele tenha chance de disputar o papel do palhaço Bingo, que seria o apresentador de um programa infantil. Ele consegue o papel e dá início a uma carreira curta e marcante, que inclui brigas de bastidores, drogas, sexo e várias loucuras. 

Inspirado na vida do ator Arlindo Barreto, que por alguns anos interpretou o palhaço Bozo na tv e que após um turbulento período de vida conseguiu se reerguer, este longa é além da biografia, também um retrato das bastidores da tv brasileira nos anos oitenta. 

Arlindo leva a público sua história há mais de vinte e cinco anos, quando se converteu evangélico e passou a fazer shows em igrejas, sempre vestido de palhaço. 

Esta adaptação para o cinema ganha muitos pontos pela interpretação de Vladimir Brichta, que dá um verdadeiro show tanto vestido de palhaço, como nas sequências à paisana ao mostrar arrogância, confiança em si mesmo e amor pela mãe (Ana Lúcia Torre). 

Vale destacar ainda Augusto Madeira como o câmera parceiro do protagonista nas loucuras e Emanuelle Araújo totalmente à vontade no papel da cantora Gretchen. 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Detour

Detour (Detour, EUA / África do Sul, 2016) – Nota 7
Direção – Christopher Smith
Elenco – Tye Sheridan, Emory Cohen, Bel Powley, John Lynch, Stephen Moyer, Gbenga Akinnagbe.

Harper (Tye Sheridan) é um estudante de direito que acredita que o padrasto seja o culpado pelo acidente de automóvel que deixou sua mãe em coma irreversível. 

Em um bar, ele cruza o caminho de um pequeno bandido chamado Johnny Ray (Emory Cohen) e conta sua história. Os dois terminam por montar um plano para assassinar o padrasto de Harper.

Juntos com a stripper Cherry (Bel Powley), eles seguem de Los Angeles até Las Vegas prontos para eliminar o sujeito que estará na cidade aparentemente para encontrar a amante. 

O roteiro escrito pelo diretor Christopher Smith é valorizado pela ótima montagem que divide o longa em duas narrativas paralelas em tempos diferentes. As pontas do quebra-cabeças vão se fechando aos poucos, incluindo uma surpreendente revelação final. Personagens decadentes, violência e drogas também estão no cardápio. 

É basicamente é um eficiente filme B.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

A Múmia

A Múmia (The Mummy, EUA, 2017) – Nota 5,5
Direção – Alex Kurtzman
Elenco – Tom Cruise, Russell Crowe, Annabelle Wallis, Sofia Boutella, Jake Johnson, Courtney B. Vance, Marwan Kenzari.

No Egito Antigo, a irmã do faraó (Sofia Boutella) tem a ambição de sucedê-lo no futuro, porém seus planos são abortados quando nasce o primeiro filho do irmão. Ela faz uma espécie de pacto com as forças ocultas e mata a família. Mesmo assim, ela é capturada, mumificada viva e presa em um sarcófago. 

Iraque, dias atuais. Os soldados Nick (Tom Cruise) e Chris (Jake Johnson) procuram tesouros durante a ocupação do país e por acaso encontram o sarcófago. Junto com uma arqueóloga (Annabelle Wallis), eles terminam por libertar o espírito da assassina. 

Esta nova versão da história clássica da Múmia é uma grande bola fora na carreira do astro Tom Cruise. Logo nas primeiras cenas entre Cruise e Jake Johnson, fica clara a intenção do roteiro em criar uma aventura de ação com pitadas de comédia, escolha que se mostra um terrível erro. 

Diferente da divertida versão de 1999 em que as trapalhadas do protagonista vivido por Brendan Fraser se casavam perfeitamente com as boas cenas de ação ao estilo “Indiana Jones”, aqui os diálogos engraçadinhos são patéticos. 

Para piorar, a história é um verdadeira salada russa. O sarcófago egípcio aparecendo no Iraque é um absurdo, mesmo com uma explicação que surge durante a história. As tumbas encontradas no subterrâneo de Londres são outro erro. Além disso, todas as cenas de ação apresentam efeitos especiais exagerados.

É o típico blockbuster vazio.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Castelo de Areia

Castelo de Areia (Sand Castle, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Fernando Coimbra
Elenco – Nicholas Hoult, Logan Marshall Green, Henry Cavill, Tommy Flanagan, Neil Brown Jr., Glen Powell, Beau Knapp, Sam Spruell.

Guerra do Iraque, 2003. O soldado Matt Ocre (Nicholas Hoult) se alistou dois anos antes pensando em conseguir dinheiro para pagar a universidade depois de cumprir o tempo no exército. Ele não imaginava que o país entraria em guerra. 

No Iraque, ele deseja voltar para casa, mas antes, seu grupo é enviado para uma pequena cidade no interior do país com a missão de ajudar a reconstruir um duto de água para abastecer o local. 

O diretor brasileiro Fernando Coimbra, do ótimo “O Lobo Atrás da Porta”, estreia no mercado americano com este interessante longa produzido pela Netflix. O roteiro foca em uma história simples, mas que ao mesmo tempo mostra as consequências absurdas da guerra. 

Os soldados são enviados para reconstruir algo que o seu próprio exército destruiu, sendo obrigados ainda a pedir ajuda dos moradores locais que se dividem entre aqueles que odeiam os americanos e os que desejam apenas o final da guerra para tentar ter uma vida normal, se é que isso é possível no meio do deserto. 

A produção caprichada e as boas cenas de ação são outros pontos positivos. 

O resultado é um filme eficiente em sua proposta.

domingo, 3 de setembro de 2017

Agonia e Glória, Quando os Bravos se Calam e Fuga de Sobibor


Agonia e Glória (The Big Red One, EUA, 1980) – Nota 7,5
Direção – Samuel Fuller
Elenco – Lee Marvin, Mark Hamill, Robert Carradine, Bobby DiCicco, Kelly Ward, Stephane Audran, Siegfried Rauch.

Durante a Segunda Guerra, um grupo de jovens soldados liderados por um sargento durão (Lee Marvin), inicia sua jornada no norte da África e atravessa a Europa enfrentando soldados nazistas. Este longa é baseado nas memórias do diretor Samuel Fuller, que serviu na Companhia conhecida como “The Big Red One” e levou às telas versões de fatos que ele vivenciou durante sua jornada na guerra. 

O roteiro é uma colagem de episódios que incluem batalhas, as relações com civis durante o caminho, além dos medos e sonhos dos personagens. Os soldados são mostrados como jovens comuns que foram jogados no meio do inferno. Suas atitudes e reações são bem diferentes dos heróis de filmes de guerra. 

É interessante citar que a premissa de seguir um grupo de soldados com cenas de violência realista se tornou estilo comum aos longas de guerra após esta produção. A partir daqui, muitos filmes passaram a retratar o soldado como uma pessoa comum, cheia de falhas e virtudes.

Quando os Bravos se Calam (When Trumpets Fade, EUA, 1998) – Nota 7,5
Direção – John Irvin
Elenco – Ron Eldard, Frank Whaley, Zak Orth, Dylan Bruno, Martin Donovan, Timothy Olyphant, Dan Futterman, Dwight Yoakam, Devon Gummersall., Jeffrey Donovan, Bobby Cannavale.

Durante uma batalha na Segunda Guerra, o soldado Manning (Ron Eldard) se torna o único sobrevivente de seu pelotão. Mesmo traumatizado e solicitando dispensa, Manning é promovido a sargento e recebe a missão de comandar um pelotão formado por soldados inexperientes que terão como objetivo destruir tanques alemães que estão em movimento. 

Este competente longa mistura o drama dos jovens enfrentando a violência da guerra com ótima cenas de ação. Mesmo sem ser tão grandioso quanto, a história tem semelhanças com a ótima série "Band of Brothers".

Fuga de Sobibor (Escape From Sobibor, Inglaterra / Iugoslávia, 1987) – Nota 7,5
Direção – Jack Gold
Elenco – Alan Arkin, Joanna Pacula, Rutger Hauer, Jack Shepherd, Hartmut Becker, Emil Wolk.

Polônia, 1943. Os judeus presos no campo de concentração de Sobibor sabem que cedo ou tarde serão executados. Enquanto trabalham para sobreviver, um grupo de presos planeja uma fuga. O problema é que se alguns fugirem, os oficiais nazistas executarão o dobro de prisioneiros como vingança. Liderados por Sasha Pechersky (Rutger Hauer), os judeus tentarão fugir todos ao mesmo tempo. 

Baseado numa história real, esta competente produção para tv detalha os planos de fuga e mostra o sofrimento dos que estavam presos no local. Os créditos finais informam o destino de vários personagens na vida real.

sábado, 2 de setembro de 2017

Depois da Tempestade

Depois da Tempestade (Umi Yori Mo Mada Fukaku, Japão, 2016) – Nota 8
Direção – Hirokazu Koreeda
Elenco – Hiroshi Abe, Kirin Kiki, Yoko Maki, Taiyô Yoshizawa, Satomi Kobayashi.

Ryota (Hiroshi Abe) é um escritor que foi premiado ainda jovem com seu primeiro livro, mas que se perdeu nos anos seguintes. Sem conseguir um novo sucesso e viciado em apostas, Ryota sobrevive trabalhando numa agência de detetives particulares. 

Ele também foi abandonado pela esposa (Yoko Maki) e sofre por ver o filho (Taiyô Yoshizawa) apenas uma vez por mês. Sem dinheiro, ele visita o pequeno apartamento da velha mãe (Kirin Kiki) para tentar pegar alguma coisa de valor que o pai que faleceu recentemente possa ter deixado. 

Este sensível e realista drama japonês explora as frustrações da vida adulta. Os personagens principais sofrem por terem uma vida bem diferente do que sonharam. Ryota era considerado um prodígio e queria ser diferente do pai, mas nem mesmo conseguiu manter a família. 

Sua mãe demonstra indiferença pela morte do marido, soltando frases irônicas sobre o relacionamento, mostrando tristeza por não ter conseguido mudar para uma casa melhor e também por ver o filho com o casamento destruído. 

Não esperem grandes conflitos ou personagens com sangue quente, aqui os sentimentos são retratados de forma sutil e até como melancolia em alguns momentos. 

É um belo drama sobre os percalços da vida. 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Cuidado com o Slenderman

Cuidado com o Slenderman (Beware the Slenderman, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Irene Taylor Brodsky
Documentário

Em 2012, na cidade de Wakeusha no Wisconsin, duas garotas de doze anos esfaquearam outra menina da mesma idade diversas vezes e a deixaram para morrer em um parque isolado. Tão absurdo quanto o  crime foi sua motivação. 

Ao serem interrogadas pela polícia, as garotas alegaram que foram obrigadas a tentar matar a amiga com medo de serem perseguidas por um ser conhecido como Slenderman. 

O Slenderman é um personagem fictício de terror criado por um designer para um concurso de fotos, que por ser extremamente assustador se transformou em uma lenda urbana espalhada pela internet para assustar crianças e adolescentes. 

Este documentário produzido pela HBO detalha o caso através de imagens reais dos interrogatórios, das entrevistas com os pais das crianças agressoras, de depoimentos de especialistas e no embate jurídico para decidir se as meninas seriam julgadas na corte juvenil ou como adultas, podendo pegar uma pesada pena. 

A história é dolorosa em alguns momentos, principalmente nos depoimentos dos pais das crianças que seriam julgadas. São pessoas aparentemente corretas que ficaram surpresas e devastadas com o ocorrido. 

Um ponto negativo é que o doc tenta ser vendido como algo que mostraria os perigos da internet, quando na realidade a atitude das crianças está mais ligada ao comportamento pessoal e a problemas psicológicos. 

É um documentário correto sobre uma triste e bizarra história real.