segunda-feira, 24 de abril de 2017

Abril Despedaçado & Árido Movie




Abril Despedaçado (Brasil, 2001) – Nota 7 
Direção – Walter Salles
Elenco – José Dumont, Rodrigo Santoro, Ravi Ramos Lacerda, Rita Assemany, Flávia Marco Antonio, Luiz Carlos Vasconcelos, Othon Bastos. 

Sertão nordestino, 1910. Um jovem é assassinado. Seu pai (José Dumont) exige que seu filho mais velho Tonho (Rodrigo Santoro) vingue a família matando o assassino. Tonho fica dividido entre o “dever” de manter a honra da família conforme a primitiva tradição da região e assim decretar também sua morte ou enfrentar seu pai para quebrar o círculo de violência. Seu irmão mais novo Pacu (Ravi Ramos Lacerda) tenta apoiar o irmão contra o próprio pai.& 

Adaptado de um livro do escritor albanês Ismail Kadaré e roteirizado pelo cineasta Karim Ainouz, este longa foca em uma época e um local onde a lei formal praticamente não existia, o que valia era o chamado “olho por olho, dente por dente”. 

Junte-se a isso a pobreza, a ignorância e a falta de perspectivas de uma vida melhor, restando apenas a honra na base da violência do mais forte. 

Apesar de ser muito elogiado pela crítica, o filme é lento, contemplativo e cansativo. A grande força está na história crua e nas interpretações, inclusive do garoto Ravi Ramos Lacerda, que faria poucos trabalhos antes de abandonar a carreira.  

Árido Movie (Brasil, 2005) – Nota 6,5  
Direção – Lírio Ferreira 
Elenco – Guilherme Weber, Giulia Gam, Selton Melo, José Dumont, Gustavo Falcão, Mariana Lima, Luiz Carlos Vasconcelos, Aramis Trindade, Matheus Nachtergaele, Suyane Moreira, Renata Sorrah, Paulo César Peréio. 

Jonas (Guilherme Weber) é um jornalista que apresenta a previsão do tempo em um canal de tv do sudeste. Quando seu pai (Paulo César Peréio) é assassinado no interior do Pernambuco, Jonas decide ir ao enterro, mesmo praticamente não tendo conhecido o homem. Ao chegar na pequena cidade e conhecer uma parte de sua família que ele nunca tinha visto, Jonas se assusta ao ser pressionado para vingar a morte do pai. 

Explorando o tema da vingança antigamente comum ao sertão nordestino e inserindo no roteiro diversas situações também tipicamente nordestinas, o diretor Lírio Ferreira intercala drama, crítica social e até comédia. Esta mistura resulta num longa irregular, incluindo os vários coadjuvantes que passam pelo tela, vários deles esteriótipos. 

É outro filme que grande parte da crítica elogiou, mas que se mostra no máximo uma obra razoável.

domingo, 23 de abril de 2017

O Presente

O Presente (The Gift, EUA / Austrália / China, 2016) – Nota 7,5
Direção – Joel Edgerton
Elenco – Jason Bateman, Rebecca Hall, Joel Edgerton, Allisomn Tolman, Tim Griffin, Busy Phillips, Adam Lazzarre White, Beau Knapp, Wendell Pierce.

Simon (Jason Bateman) e Robyn (Rebecca Hall) formam um casal que volta para a cidade natal do marido, local onde ele conseguiu um novo emprego como executivo. 

Ao visitar uma loja, Simon é abordado por um antigo colega de colégio, Gordon (Joel Edgerton). Simon apresenta sua esposa e após alguns minutos de conversa básica, os antigos colegas ficam de voltar a se falar para marcar algo. 

Para Simon seria apenas um contato que ficaria por ali mesmo, porém ele se surpreende e sente-se incomodado quando alguns dias depois, Gordon aparece na porta de sua casa tentando reativar a antiga relação. 

Este longa dirigido e escrito pelo ator australiano Joel Edgerton tem como ponto principal o roteiro que esconde segredos e que apresenta pelo menos duas reviravoltas em relação a amizade e ao caráter dos personagens principais. 

Outros pequenos detalhes que vão surgindo no desenrolar da trama ajudam a manter o clima de constrangimento que atinge principalmente a vulnerável esposa vivida por Rebecca Hall. 

É um daqueles das filmes que a princípio parece ser um suspense corriqueiro, mas que aos poucos revela uma trama mais profunda. 

Não espere sustos ou violência, a proposta é manter o interesse do espectador através das surpresas.

sábado, 22 de abril de 2017

O Homem que Burlou a Máfia

O Homem que Burlou a Máfia (Charley Varrick, EUA, 1973) – Nota 7,5
Direção – Don Siegel
Elenco – Walter Matthau, Joe Don Baker, Felicia Farr, Andrew Robinson, Sheree North, Normal Fell, Benson Fong.

Uma quadrilha assalta um banco em uma pequena cidade, porém algo dá errado e um assaltante termina morto. Charley (Walter Matthau) e Harman (Andrew Robinson) escapam junto com Jewell (Sheree North), que ferida também morre. 

Os dois sujeitos se assustam ao encontrar 750 mil dólares no malote roubado, valor muito acima da capacidade do banco. Logo, eles entendem que o dinheiro era da Máfia, que envia um assassino (Joe Don Baker) para recuperar a grana e matar os assaltantes. 

Este competente longa policial dirigido pelo especialista Don Siegel se apoia numa história bem amarrada conduzida pelo protagonista vivido por Walter Matthau, que mesmo com toques de ironia, interpreta aqui um personagem diferente dos papéis em comédia que estava acostumado. 

Destaque também para o gélido assassino vivido por Joe Don Baker e para a sequência final com uma perseguição entre um carro e um pequeno avião. 

É um típico filme policial dos anos setenta. 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O Lar

O Lar (Home, França, 2008) – Nota 6
Direção – Ursula Meier
Elenco – Isabelle Huppert, Olivier Gourmet, Adelaide Leroux, Madeleine Budd, Kacey Mottet Klein.

O casal Marthe  (Isabelle Huppert) e Michel (Olivier Gourmet) moram com os filhos em um casa na beira de uma rodovia que há anos está inacabada. 

A filha mais velha (Adelaide Leroux) passa o verão de biquini tomando sol em uma cadeira no quintal. A irmã do meio (Madeleine Budd) é tímida e morre de medo de germes e sujeira. O irmão mais novo (Kacey Mottet Klein) é o explorador da região com sua bicicleta. 

A vida isolada da família sofre uma revés quando finalmente a rodovia é inaugurada e aos poucos os carros tomam conta da região. 

Este estranho longa francês brinca com o tema do “paraíso perdido”, que de uma hora para outra se transforma em um inferno barulhento. Aos poucos, o espectador descobre porque a família vive naquele local isolado e também como a grande mudança influenciará na vida de cada personagem. 

Algumas situações são simbólicas a respeito da perda da privacidade e das consequências nem sempre agradáveis que surgem junto com as mudanças. Por mais que a proposta inicial seja curiosa, as excentricidades da família aumentam em uma escala que resulta em uma parte final absurda, que beira a loucura. 

É um filme tão estranho quanto seus personagens.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Armas na Mesa

Armas na Mesa (Miss Sloane, França / EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – John Madden
Elenco – Jessica Chastain, Mark Strong, Gugu Mbatha Raw, Sam Waterston, Alison Pill, John Lithgow, Michael Stuhlbarg, Jake Lacy, Dylan Baker.

Elizabeth Sloane (Jessica Chastain) é uma lobista especializada em influenciar políticos em Washington. 

Considerada implacável em seu trabalho, Sloane compra uma enorme briga com seu empregador (Sam Waterston) ao se negar a auxiliar um senador em busca de apoio para aprovação de uma lei que facilitaria a venda de armas. 

O foco do senador seria conseguir apoio das mulheres. Sloane abandona a empresa e se une a Rodolfo Schmidt (Mark Strong), lobista que luta contra o desejo do senador. 

No mundo inteiro, o lobista é visto como uma pessoa amoral, que tem o único objetivo de fazer valer a vontade do seu cliente, mesmo que as consequências sejam péssimas para um grande número de pessoas. 

O complexo roteiro explora os bastidores sujos deste tipo de política, incluindo dossiês, corrupção, chantagens e a exploração de inocentes úteis. 

As várias pequenas reviravoltas da trama prendem a atenção, até a grande surpresa na sequência final. 

É basicamente um filme para quem gosta de tramas políticas. 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Fragmentado

Fragmentado (Split, EUA, 2016) – Nota 8
Direção – M. Night Shyamalan
Elenco – James McAvoy, Anya Taylor Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, Jessica Sula, Izzi Coffey, Brad William Henke, Sebastian Arcelus.

Um sujeito (James McAvoy) sequestra três garotas que acordam em um quarto de subsolo em um local desconhecido. Para deixar a situação ainda mais sinistra, cada vez que o homem entra no quarto para falar com as garotas, ele demonstra uma personalidade completamente diferente da outra. 

Duas garotas (Haley Lu Richardson e Jessica Sula) ficam desesperadas, enquanto a terceira chamada Casey (Anya Taylor Joy) tenta se manter fria e analisar a situação para tentar se salvar. 

O roteiro explora duas outras narrativas. Logo, descobrimos que o homem trata do seu distúrbio de múltiplas personalidades com uma veterana psiquiatra (Betty Buckley). A terceira narrativa são flashbacks que mostram a adolescente Casey ainda criança (Izzi Coffey), enfrentando um sério problema familiar. 

Depois de alguns trabalhos que dividiram público e crítico, o diretor M. Night Shyamalan voltou a velha forma com este instigante suspense. O roteiro vai além das tramas sobre psicopatas ao explorar como um trauma pode mudar completamente a forma de uma pessoa encarar a vida ou até mesmo resultar em um distúrbio como o do protagonista. 

As atitudes do personagem de James McAvoy variam do assustador ao caricato, de acordo com a proposta do roteiro, dando uma ótima oportunidade para o ator demonstrar seu talento. 

Quem curte os trabalhos de Shyamalan ainda terá uma bela surpresa na cena final.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Oslo, 31 de Agosto

Oslo, 31 de Agosto (Oslo, 31, August, Noruega, 2011) – Nota 8
Direção – Joachim Trier
Elenco – Anders Danielsen Lie, Hans Olav Brenner, Petter Width Kristiansen, Kjaersti Odden Mostraum.

Após meses internado em uma clínica para reabilitação de drogados nos arredores de Oslo, Anders (Anders Danielsen Lie) recebe autorização para visitar a cidade e participar de um entrevista de emprego. 

Durante um dia inteiro, Anders reencontrará amigos, ex-namoradas e familiares, numa dolorosa jornada em busca de curar feridas do passado para tentar seguir em frente. 

O ponto principal do roteiro escrito pelo diretor Joachim Trier é retratar de forma humana a dificuldade que um viciado em recuperação tem em restabelecer laços com amigos, familiares e voltar a vida profissional. 

Suas mentiras e atitudes movidas pelo vício deixaram marcas em todos que com ele conviveram e que em sua maioria não demonstram vontade em voltar a ter alguma relação. Por mais que o viciado seja o grande culpado por sua vida derrotada, a forma como ele é visto e tratado é um verdadeiro empurrão para o fundo do poço. 

Vale destacar também as várias sequências na rua, que exploram com competência a nublada e cinzenta cidade de Oslo, além da melancólica interpretação de Anders Danielsen Lie, que passa toda a angústia do personagem na luta contra o vício e também na frustração por ter desperdiçado a vida.   

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Brutalidade & Rebelião no Presídio


Brutalidade (Brute Force, EUA, 1947) – Nota 7,5
Direção – Jules Dassin
Elenco – Burt Lancaster, Hume Cronyn. Charles Bickford, Sam Levene, Jeff Corey, John Hoyt, Roman Bohnen.

Na penitenciária de Westgate, localizada em uma ilha, os detentos sofrem violência física e psicológica comandada pelo capitão Munsey (Hume Cronyn), que se aproveita da passividade do diretor (Roman Bohnen). Revoltado com os maus tratos, Joe Collins (Burt Lancaster) lidera um grupo de detentos que planeja fugir do local.

Este é mais um dos vários bons filmes dirigidos por Jules Dassin. O roteiro escrito pelo também diretor Richard Brooks, além do plano de fuga, explora outras situações paralelas, como o jogo político de Munsey para puxar o tapete do diretor.

Outro ponto interessante são as cenas em flahsbacks que mostram a vida de alguns detentos antes de serem presos e o sofrimento por estarem longe de suas mulheres.

Vale destacar também a violenta e criativa sequência final da tentativa de fuga.

Rebelião no Presídio (Riot in Cell Block 11, EUA, 1954) – Nota 7,5
Direção – Don Siegel
Elenco – Neville Brand, Emile Meyer, Frank Faylen, Leo Gordon, Robert Osterloh.

Revoltado com as péssimas condições do presídio onde está detido, James V. Dunn (Neville Brand) comanda uma rebelião tomando vários guardas como reféns. Ele consegue chamar a atenção da imprensa e assim pressiona o comissário (Frank Faylen) a negociar. A situação piora quando os outros pavilhões da prisão também iniciam rebeliões. 

Este filme B é uma pequena pérola dirigida por Don Siegel (“Alcatraz – Fuga Impossível” e “Perseguidor Implacável”) que foca no eterno problema das rebeliões em prisão. Foi com certeza um dos primeiros filmes a tratar do tema de forma realista, mostrando todo o ódio que os detentos colocam para fora quando tem chances de dominar o local e os guardas. A destruição de camas, colchões e mesas, a disputa pelo comando da rebelião e por fim a violência entre eles mesmos são retratados duramente. 

A questão política também é ponto importante no roteiro. A negociação entre detentos e autoridades sofre mudanças de acordo com a pressão da imprensa. 

Para quem gosta de filmes B dos anos cinquenta e do tema prisão, esta obra é uma interessante e curiosa opção.

domingo, 16 de abril de 2017

O Segundo Rosto

O Segundo Rosto (Seconds, EUA, 1966) – Nota 7
Direção – John Frankenheimer
Elenco – Rock Hudson, John Randolph, Richard Stanley, Murray Hamilton, Jeff Corey, Will Geer, Salome Jens.

Arthur Hamilton (John Randolph) é um banqueiro de meia-idade, frustrado com a vida monótona do subúrbio e com um casamento sem paixão. Ao receber um telefonema de um amigo que ele acreditava estar morto e um convite para conhecer um local secreto, Arthur descobre uma empresa especializada em criar novas identidades. 

A empresa tem uma extensa rede de colaboradores para forjar a morte de uma pessoa e fazê-la renascer com outro rosto após uma cirurgia plástica. Após o procedimento, Arthur se transforma no pintor de sucesso Tony Wilson (Rock Hudson) e inicia uma vida totalmente nova, porém não demora para suas angústias existenciais voltarem à tona. 

Este interessante drama pode ser considerado o fechamento de um trilogia sobre a paranoia dirigida pelo grande John Frankenheimer. Os ótimos “Sob o Domínio do Mal” de 1962 e “Sete Dias em Maio” de 1964 exploravam a paranoia política, com o medo de uma terceira guerra mundial. Neste terceiro longa, o roteiro do também diretor Lewis John Carlino foca no medo e na contradição do ser humano em relação as mudanças. 

Ao mesmo tempo em que sofre quando percebe que está acomodada na vida, a pessoa também morre de medo das mudanças e muitas vezes após o primeiro obstáculo, faz de tudo para voltar a sua zona de conforto. O filme mostra esta contradição de forma extrema e explorando a ficção, lembrando em parte obras posteriores como “O Show do Truman”. 

Vale destacar o então astro Rock Hudson também deixando de lado sua zona de conforto nas comédias para enfrentar um papel que exigia muito mais. 

Apesar de muitos críticos elogiarem o longa, o estilo cansa um pouco. Alguns diálogos são quase filosóficos, ao estilo dos anos sessenta, assim como a fotografia em preto e branco e os inusitados ângulos de câmera. 

É um filme diferente, daqueles que deixam o espectador pensando após a sessão.

sábado, 15 de abril de 2017

A Lei da Noite

A Lei da Noite (Live by Night, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Ben Affleck
Elenco – Ben Aflleck, Zoe Saldana, Elle Fanning, Chris Messina, Chris Cooper, Brendan Gleeson, Remo Girone, Robert Glenister, Sienna Miller, Miguel J. Pimentel, Max Casella, Titus Welliver, Christian Clemenson, J. D. Evermore.

Boston, anos vinte. Joe Coughlin (Ben Affleck) é um veterano da Primeira Guerra Mundial que se torna ladrão de bancos. Seu talento para o crime o coloca no meio de uma disputa por território entre as máfias italiana e irlandesa. 

Para complicar ainda mais a situação, Joe tem um caso com Emma (Sienna Miller), que também é amante do chefão da máfia irlandesa. Esta situação é apenas o ponto de partida de um roteiro que segue a ascensão de Joe Coughlin dentro do mundo do crime. 

A história é baseada em livro de Dennis Lehane, autor de “Sobre Meninos e Lobos”, “Medo da Verdade” e “Ilha do Medo”. Apesar de não ter a mesma força da história dos filmes citados e tendo sido destruído pela crítica, esta adaptação comandada por Ben Aflleck resulta num interessante drama policial sobre o mundo do crime em meio a Lei Seca. 

A história é quase uma saga. O protagonista enfrenta vários desafios no submundo, desde conflitos com pai (Brendan Gleeson), disputas com bandidos concorrentes, questões políticas e até mesmo a ação da Ku Klux Klan. A reconstituição de época é outro ponto alto. Figurinos, carros, móveis e armas estão perfeitos. 

O longa perde pontos pela narrativa irregular. As várias histórias intercalam alguns momentos mortos. Outro ponto negativo é a apática atuação de Ben Affleck. Para quem tem um pouco mais de idade, com certeza imaginou como resultaria este longa nas mãos de Martin Scorsese e de Robert De Niro ou Al Pacino no auge da carreira.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Família Hollar

Família Hollar (The Hollars, EUA, 2016) – Nota 6
Direção – John Krasinski
Elenco – John Krasinski, Richard Jenkins, Sharlto Copley, Margo Martindale, Anna Kendrick, Randall Park, Ashley Dyke, Josh Groban, Charlie Day, Mary Kay Place, Mary Elizabeth Winstead.

Em Nova York, John Hollar (John Krasinski) passa por uma crise pessoal e profissional. Desmotivado com o trabalho e enfrentando a gravidez da namorada (Anna Kendrick), John vê sua vida ficar mais confusa quando recebe a notícia de que sua mãe (Margo Martindale) precisará passar por uma cirurgia no cérebro. Ele retorna para sua cidade natal onde reencontra o pai (Richard Jenkins) à beira da falência e o irmão (Sharlto Copley) arrependido por ter se divorciado da esposa. 

Por mais que os personagens sejam simpáticos, o roteiro é um amontoado de clichês sobre família e relacionamentos, com algumas piadas bobinhas no meio. Mesmo com um fato dramático ocorrendo no meio do trama, o filme peca pelas situações rasas que são resolvidas de forma fácil.

Os dois personagens mais interessantes são o médico descendente de chineses vivido por Randall Park e o enfermeiro falador interpretado por Charlie Day. 

É um filme inofensivo, que não emociona nem faz rir e que será esquecido rapidamente. 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Jack Reacher: Sem Retorno

Jack Reacher: Sem Retorno (Jack Reacher: Never Go Back, China / EUA, 2016) – Nota 6
Direção – Edward Zwick
Elenco – Tom Cruise, Cobie Smulders, Aldis Hodge, Danika Yarosh, Patrick Heusinger, Holt McCallany, Robert Knepper.

Após ajudar as forças armadas a desmontar uma rede de tráfico de pessoas, o ex-Major Jack Reacher (Tom Cruise) cria um laço de amizade pelo telefone com a Major Turner (Cobie Smulders). 

Ele decide ir até Washington para encontrar a nova amiga, mas se surpreende ao descobrir que Turner está presa acusada de traição. Quando o advogado de Turner é assassinado, Reacher se torna suspeito. Para complicar ainda mais a situação, ele descobre que pode ser pai de uma adolescente que vive na rua (Danika Yarosh). 

O longa original tinha um roteiro com algumas falhas que eram compensadas pelas boas cenas de ação e por ótimos coadjuvantes como Robert Duvall e o diretor alemão Werner Herzog.

Esta sequência apresenta um roteiro ainda mais absurdo, com soluções exageradas e repleto de clichês. Algumas sequências de ação, como o final em New Orleans, acabam salvando o filme do desastre, resultando em uma obra no máximo razoável. 

Desta vez, nem mesmo o carisma de Tom Cruise pode ser destacado, o astro parece atuar no piloto automático. É um filme descartável, uma sequência que não deveria ter saído do papel.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Tigre Branco

Tigre Branco (Belyy Tigr, Rússia, 2012) – Nota 7
Direção – Karen Shakhnazarov
Elenco – Aleksey Vertkov, Vitaliy Kishchenko, Valeriy Grishko, Gerasim Arkhipov.

Rússia, 1943. Durante a Segunda Guerra Mundial, o motorista de tanque Naydenov (Aleksey Vertkov) tem o corpo queimado por inteiro após seu veículo ser atingido. Por um milagre, Naydenov se recupera totalmente e volta ao campo de batalha com o objetivo de encontrar e destruir o tanque que o atacou. 

Este tanque alemão é considerado um fantasma pelo russos. Ele tem uma cor mais clara que os tanques normais e desaparece rapidamente após as batalhas. Apenas um oficial russo (Vitaliy Kishchenko) acredita que Naydenov possa derrotar o temido tanque. 

Esta curiosa produção russa lembra o posterior “Corações de Ferro” misturado com misticismo. As batalhas entre os tanques no front russo é extremamente realista e violenta, ao mesmo tempo em que apresenta uma narrativa com ritmo pausado. 

Na parte final, o filme muda um pouco foco ao mostrar a rendição dos alemães e uma interessante cena em que Hitler fala sobre a Europa e a Guerra. 

É um filme diferente sobre a guerra, indicado para quem gosta do tema explorado de forma incomum.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Visões do Passado

Visões do Passado (Backtrack, Austrália / Inglaterra / Emirados Árabes Unidos, 2015) – Nota 6
Direção – Michael Petroni
Elenco – Adrien Brody, Sam Neill, Robin McLeavy, George Shevtsov, Chloe Bayliss.

Em Sidney, na Austrália, o psiquiatra Peter Bowen (Adrien Brody) passa por uma crise no casamento após a morte da filha pré-adolescente. Ele volta a trabalhar atendendo pacientes em seu consultório para tentar seguir a vida. 

Numa certa noite, o espírito de uma garotinha (Chloe Bayliss) aparece no local e faz Peter reabrir outra ferida consequência de um trauma da adolescência. Desta vez, Peter viaja para sua cidade natal em busca de respostas para a estranha aparição. 

O ponto mais interessante deste razoável longa é o clima de suspense pontuado por uma trilha sonora marcante. O roteiro pode ser dividido em duas partes. A inicial que é mais voltada para a questão sobrenatural e para a angústia que carrega o personagem de Adrien Brody. 

A sequência final que se passa na pequena cidade do interior e coloca em cena o pai do protagonista (George Shevtsov) e a jovem chefe de polícia (Robin McLeavy), acaba transformando o longa numa história policial, com direito a um segredo que cria uma pequena reviravolta na trama. 

O que faz o filme perder pontos é o próprio roteiro que apresenta algumas situações forçadas. A narrativa também explora mal alguns personagens, como o de Sam Neill que é praticamente esquecido no meio da trama. 

É um filme que poderia ser melhor.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Montagem

Montagem (Mong-ta-joo, Coreia do Sul, 2013) – Nota 8
Direção – Geun Seop Jeong
Elenco – Sang Kyung Kim, Jeong Hwa Eon, Young Chang Song, Hie Bong Jo, Hae Kyun Jung.

Em 1997, o rapto de uma garota termina em morte e o assassino consegue escapar sem que o policial Chung (Sang Kyung Kim) consiga descobrir sua identidade. 

Quinze anos depois, faltando cinco dias para o crime prescrever, Sang ainda tenta encontrar o assassino para diminuir a dor da mãe da menina (Jeong Hwa Eon). 

Para deixar a situação ainda mais confusa, ocorre um novo sequestro semelhante ao antigo crime. O desafio de Chung passa a ser descobrir a ligação entre os dois crimes. 

Nos últimos quinze anos, o cinema coreano se tornou especialista em thrillers de dar inveja ao cinema americano. Este “Montagem” é mais um ótimo exemplar do gênero. 

Por sinal, o título faz alusão ao complexo roteiro cheio de reviravoltas e também a ótima montagem que intercala cenas fora da ordem cronológica, deixando o espectador em dúvida até a revelação principal perto do final. 

O protagonista Sang Kyun Kim trabalhou em outro thriller coreano ainda melhor, o sensacional “Memórias de um Assassino”.   

domingo, 9 de abril de 2017

Cuidado com Meu Guarda-Costas & Te Pego Lá Fora


Cuidado Com Meu Guarda-Costas (My Bodyguard, EUA, 1980) – Nota 7
Direção – Tony Bill
Elenco – Chris Makepeace, Adam Baldwin, Matt Dillon, Martin Mull, Joan Cusack, Ruth Gordon.

Ao chegar em uma nova escola, o adolescente Clifford (Chris Makepeace) é perseguido pelo valentão Moody (Matt Dillon) e seu grupo. Sem ter como se defender, Clifford toma uma atitude radical. Ele se aproxima do estranho Linderman (Adam Baldwin), um sujeito mais velho e solitário que muitos acreditam ter assassinado o próprio irmão. Por dinheiro, Linderman se torna guarda-costas de Clifford. Com o passar do tempo, a relação “comercial” se transforma numa inusitada amizade. 

Este foi um dos primeiros filmes adolescentes a tratar o bullying com um pouco mais de profundidade, mesmo em se tratando de uma comédia e de não explorar a violência. O foco é na relação de amizade entre dois personagens que fogem do estereótipo do jovem perfeito. Vale destacar as interpretações sensíveis do hoje aposentado Chris Makepeace e do grandalhão Adam Baldwin, ator especialista em personagens durões e vilões. 

Como informação, este longa foi a estreia na direção do então ator Tony Bill, que na sequência da carreira comandaria trabalhos interessantes como “Vingança Tardia” e “Caminho de Pedras”.

Te Pego Lá Fora (Three O’Clock High, EUA, 1987) – Nota 7
Direção – Phil Joanou
Elenco – Casey Siemaszko, Annie Ryan, Richard Tyson, Stacey Glick, Jonathan Wise, John P. Ryan, Philip Baker Hall, Jeffrey Tambor, Mitch Pileggi.

Com os pais viajando, o adolescente Jerry (Casey Siemaszko) fica encarregado de levar a irmã (Stacey Glick) e a amiga Franny (Annie Ryan) para o colégio. Após alguns percalços com o carro e chegar atrasado ao colégio, Jerry e seu amigo Vincent (Jonatha Wise) tem a ideia de entrevistar para o jornal da escola um aluno recém chegado (Richard Tyson). 

Após interpelar o novo aluno no banheiro, Jerry descobre que o rapaz mal encarado é avesso as amizades. Ele ameaça Jerry, marcando uma briga para as três da tarde, horário da saída dos alunos. Desesperado, Jerry passa as seis horas seguintes tentando encontrar uma forma de fazer o novo aluno desistir do confronto. 

Este divertido longa se tornou um dos grandes campeões de locação da época, mesmo não tendo feito sucesso nos cinemas. A história é praticamente uma versão adolescente do clássico do western “Matar ou Morrer”, em que o astro Gary Cooper tinha poucas horas para se preparar para um confronto com bandidos que chegariam ao meio-dia. 

Assim como no clássico, o protagonista aqui vivido por Casey Siemaszko corre contra o tempo e sofre para conseguir ajuda, pois todas as pessoas ao seu redor morrem de medo do grandalhão que prometeu dar uma surra nele. A cada tentativa de resolver o problema, o protagonista acaba piorando a situação e aumentando seu desespero. 

Este terminou por ser o melhor papel da carreira de Casey Siemaszko, que hoje continua na ativa fazendo em participações em seriados. Vale citar que este também foi o primeiro longa do então promissor diretor Phil Joanou, que comandaria bons filmes como “Um Tiro de Misericórdia” e “Desejos”.

sábado, 8 de abril de 2017

O Último Sacramento

O Último Sacramento (The Sacrament, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Ti West
Elenco – Joe Swanberg, AJ Bowen, Kentucker Audley, Gene Jones, Amy Seimetz.

Patrick (Kentucker Audley) recebe uma carta de sua irmã (Amy Seimetz) o convidando a visitar uma comunidade isolada onde ela vive após abandonar Nova York. 

Como Patrick trabalha em uma empresa especializada em reportagens que fogem do lugar comum, ele aceita o convite e viaja para o local ao lado dois amigos de trabalho. O repórter Sam (AJ Bowen) e o cinegrafista Jake (Joe Swanberg) completam a equipe. 

Chegando ao local, eles encontram uma pequena cidade no meio da floresta onde as pessoas aparentam estar felizes. A comunidade é comandada por uma figura carismática conhecida como Pai (Gene Jones). Não demora para os jornalistas perceberem que existe algo de errado naquele local. 

Explorando o estilo dos falsos documentários, com grande parte das cenas sendo filmadas com câmeras manuais, este longa é uma versão de “O Massacre do Jonestown”, tragédia ocorrida numa comunidada liderada pelo maluco Jim Jones na Guiana em 1978. 

Provavelmente por eu ter assistido ao documentário sobre o massacre original, este longa me passou a impressão de uma cópia pálida da história. A trama foi adaptada para os dias atuais, porém várias situações mostradas aqui são semelhantes ao que ocorreu na história real. 

Para quem não viu o documentário ou não conhece a história, com certeza irá se assustar com a tragédia da parte final, situação quase inacreditável de tão absurda.  

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Férias Frustradas de Verão

Férias Frustradas de Verão (Adventureland, EUA, 2009) – Nota 7
Direção – Greg Mottola
Elenco – Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Martin Starr, Ryan Reynolds, Bill Hader, Kristen Wiig, Jack Gilpin, Wendy Malick, Margarita Levieva, Josh Pais, Mary Birdsong, Matt Bush.

No verão de 1987, James Brennan (Jesse Eisenberg) se prepara para passar as férias como mochileiro na Europa antes de entrar para universidade. Seus planos são abortados quando seu pai é rebaixado na empresa e perde parte do salário. 

Para conseguir algum dinheiro, James aceita um emprego em um parque de diversões chamado “Adventureland”. Logo, ele se apaixona por Emily (Kristen Stewart), sem saber que a garota tem um affair com Connell (Ryan Reynolds), sujeito mais velho que também é casado. 

O título nacional tenta levar o público a acreditar que se trata de uma comédia rasgada, também por ter na direção Greg Mottola, que dois anos antes ficou famoso pelo divertido e politicamente incorreto “Superbad – É Hoje”. 

Na verdade, o longa é mais um drama romântico com pitadas de comédia e piadas até certo ponto suaves. A trama acaba sendo previsível. 

Vale destacar alguns personagens estranhos como o casal vivido por Bill Hader e Kristen Wiig e a ótima trilha sonora recheada de músicas pop dos anos oitenta. 

É basicamente uma sessão da tarde. 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Não Olhe Para Trás

Não Olhe Para Trás (Danny Collins, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Dan Fogelman
Elenco – Al Pacino, Annnette Bening, Jennifer Garner, Bobby Cannavale, Christopher Plummer, Katarina Cas, Giselle Eisenberg, Melissa Benoist, Josh Peck.

Danny Collins (Al Pacino) é um veterano cantor de estilo pop que há décadas não lança uma música nova. 

Quando seu empresário (Christopher Plummer) o presenteia com uma carta escrita por John Lennon em 1971 em que ele elogiava o então cantor novato, Danny decide mudar o rumo de sua vida. 

Ele se anima em criar novas músicas e também procurar o filho que não conhece (Bobby Cannavale), fruto de uma relação de uma noite com uma fã. 

Ao mesmo tempo em que o roteiro é esquemático, explorando clichês comuns aos dramas familiares com toques de comédia, o filme ganha pontos pela simpáticas interpretações de Al Pacino e Annette Bening. 

Em meio a vários filmes e papéis ruins nos últimos anos, aqui Pacino consegue divertir o público e também se divertir como o astro pop irreverente e decadente que sobrevive cantando as mesmas músicas durante a vida inteira. 

Annette Bening também entrega uma boa interpretação como a gerente do hotel em que o personagem de Pacino se hospeda. As cenas com Pacino cantando também são destaque. 

O filme é uma diversão simples que não ofende a inteligência do espectador. 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Paterson

Paterson (Paterson, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Jim Jarmusch
Elenco – Adam Driver, Golshifteh Farahani, Barry Shabaka Henley, William Jackson Harper, Rizwan Manji, Chaster Harmon, Cliff Smith “Method Man”, Kara Hayward, Jared Gilman, Masatoshi Nagase.

Paterson (Adam Driver) trabalha como motorista de ônibus na cidade de Paterson em New Jersey. Ele vive uma rotina aparentemente monótona. Acorda ao lado da esposa Laura (Golshifteh Farahani), segue para o trabalho, volta no final da tarde para jantar com a esposa e por fim passeia com o cachorro e dá uma parada no bar de um amigo. Nos intervalos do dia, Paterson escreve poesias em um pequeno caderno. 

O cinema do diretor Jim Jarmusch não pretende atingir grandes bilheterias ou sucesso, seus filmes retratam a vida com simplicidade, sempre através de personagens que fogem do lugar comum. Em um filme “normal”, o protagonista vivido por Adam Driver com certeza destilaria melancolia e carregaria traumas, porém na visão de Jarmusch, a rotina e a vida simples podem ser uma escolha e não uma consequência. 

O roteiro também foca no amor entre o protagonista e a esposa. Paterson é um sujeito tranquilo, que mesmo quando percebe que a impulsiva esposa tomou uma atitude estranha como pintar as paredes, comprar um violão ou fazer uma torta maluca, aceita a situação e a trata com um nível de compreensão incomum. 

Um dos objetivos do roteiro de Jarmusch é mostrar que ao entendermos as atitudes de quem está ao nosso lado, fazemos com que nossa vida seja mais simples e com menos conflitos. 

Vale destacar também alguns pequenos detalhes. Vemos uma foto do protagonista com uniforme militar, mas em momento algum é citado o fato. A participação do cachorro Marvin, que na verdade era uma fêmea chamada Nellie, é outro ponto importante da trama. 

Entre os coadjuvantes que passam pela tela, vale citar os adolescentes Kara Hayward e Jared Gilman, que ainda crianças foram protagonistas do ótimo “Moonrise Kingdom" e que aqui tem um divertido diálogo sobre anarquismo durante uma viagem de ônibus.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Straight Outta Compton

Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (Straight Outta Compton, EUA, 2015) – Nota 8
Direção – F. Gary Gray
Elenco – O’Shea Jackson Jr, Corey Hawkins, Jason Mitchell, Paul Giamatti, Neil Brown Jr, Aldis Hodge, Carra Patterson, Alexandra Shipp.

Em 1986, no violento bairro de Compton em Los Angeles, o jovem Dr Dre (Corey Hawkins) sonha em fazer carreira como DJ. Sem dinheiro, ele decide propor ao traficante Eazy-E (Jason Mitchell) para financiar um selo musical voltado para o Rap. Mesmo sem experiência, Eazy-E gosta de ideia, que o tiraria também da carreira de traficante. 

Os dois se unem a Ice Cube (O’Shea Jackson Jr), que fica responsável pelas letras das músicas ao lado de MC Ren (Aldis Hodge). O quinto elemento do grupo é o DJ Yella (Neill Brown Jr). O grupo fica famoso em Compton por causa das letras cheias de palavrões que falam sobre drogas, sexo, violência e polícia. Vendo a chance de lucrar, o empresário Jerry Heller (Paul Giamatti) se torna responsável pelo grupo, que se transforma em sucesso no país inteiro. 

Com mais de duras horas e meia de duração, o diretor F. Gary Gray detalha a carreira da banda N.W.A. e a vida de seus integrantes por quase uma década. Hoje, o chamado “Gangsta Rap” é comum, porém lá nos anos oitenta as músicas eram consideradas ofensivas e a banda chegou a ser perseguida pela polícia e até pelo FBI. Por outro lado, mesmo que as letras falassem verdades sobre o dia a dia na periferia de Los Angeles, os integrantes da banda também beiravam a marginalidade. 

O roteiro mostra a ascensão da banda através de várias cenas de shows e gravações, das festas exageradas regadas a bebidas, drogas e mulheres, além das complicadas relações entre eles mesmos e com seu empresário vivido por Paul Giamatti. 

O elenco recheado de jovens desconhecidos dá conta do recado, inclusive nas apresentações e nas músicas. Vale citar que o jovem O’Shea Jackson interpreta seu pai Ice Cube, que hoje é ator famoso, cantor e produtor musical. A semelhança entre pai e filho é enorme. 

É um filme que agradará mais quem gosta de Rap ou tem curiosidade em saber mais sobre um grupo que marcou época e abriu caminho para um sem números de cantores como Tupac, 50 Cent e Snoopy Dogg.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Ônibus Espacial Challenger

Ônibus Espacial Challenger (The Challenger, EUA, 2013) – Nota 7
Direção – James Hawes
Elenco – Wiliam Hurt, Bruce Greenwood, Joanne Whalley, Kevin McNally, Brian Dennehy.

Em 28 de Janeiro de 1986, o ônibus espacial Challenger foi lançado com sete tripulantes e explodiu ao vivo pela televisão após pouco menos de um minuto e meio no ar. 

Para investigar as causas do acidente, o governo americano montou uma comissão comandada por um político (Brian Dennehy). Todos os participantes da comissão estavam ligados de alguma forma ao governo, com exceção do físico Richard Feynman (William Hurt). 

Feynman era uma vencedor do Prêmio Nobel e conhecido também por ter participado do Projeto Manhattan que desenvolveu a bomba atômica. Sujeito contestador, Feynman percebe rapidamente que poucos desejavam descobrir a verdade, fato que poderia ser fatal para a Nasa e o projeto americano de conquista do espaço. 

O ponto principal deste filme produzido para tv é mostrar como a questão econômica influenciou na tragédia da Challenger. É curioso notar que a relação entre governo através da Nasa e a empresa que produzia as peças é semelhante ao caso das empresas petrolíferas e de armamentos que se alinharam ao governo americano nas invasões ao Iraque e ao Afeganistão. Em todas estas situações o lucro era o grande objetivo, o fator humano se tornava apenas um detalhe em meio a ganância. 

O filme é apenas correto, com uma narrativa didática e sem grandes surpresas. O destaque fica para a boa interpretação de William Hurt e a curiosidade de conhecer uma figura extremamente complexa como o falecido físico Richard Feynman.   

domingo, 2 de abril de 2017

Cidade Nua & Império do Crime


Cidade Nua (Naked City, EUA, 1948) – Nota 7,5
Direção – Jules Dassin
Elenco – Barry Fitzgerald, Howard Duff, Dorothy Hart, Don Taylor, Frank Conroy, Ted de Corsia.

Em Nova York, dois sujeitos assassinam uma jovem modelo dentro do seu apartamento. Na mesma madrugada, um dos assassinos mata seu comparsa e joga o corpo no rio. O tenente Muldoon (Barry Fitzgerald) e o detetive Halloran (Don Taylor) são encarregados das investigações. Ele chegam até um sujeito chamado Frank Niles (Howard Duff), que tem ligação com a jovem vítima e que tenta esconder algo através de algumas mentiras. É o início de uma intrincada trama. 

Por mais que o filme tenha envelhecido em alguns aspectos, como as interpretações de alguns personagens, ainda hoje o complexo roteiro, a narrativa e a forma como o diretor Jules Dassin explora a cidade de Nova York são pontos positivos. 

Utilizando um narrador que transforma a cidade quase como em um personagem e com muitas sequências nas ruas, o longa lembra o cinema verdade, como se fosse um embrião dos filmes policiais dos anos setenta. 

Vale citar que dois anos depois, Dassin faria outra grande filme policial rodado em Londres, o clássico “Sombras do Mal” com Richard Widmark.

Império do Crime (The Big Combo, EUA, 1955) – Nota 7
Direção – Joseph H. Lewis
Elenco – Cornel Wilde, Richard Conte, Brian Donlevy, Jean Wallace, Robert Middleton, Lee Van Cleef, Earl Holliman, Helen Walker.

O policial Diamond (Cornel Wilde) é pressionado por seu superior (Robert Middleton) para abandonar a investigação contra o chefão do crime Mr. Brown (Richard Conte) por ter gasto muito dinheiro e não ter conseguido prova alguma contra o criminoso. Obcecado e interessado na bela Susan (Jean Wallace), que é namorada de Mr. Brown, Diamond transforma a caçada em um caso pessoal. 

Muitos críticos consideram este noir uma obra-prima. Confesso que fiquei um pouco decepcionado ao assistir. Por mais que o roteiro seja bem elaborado, até com uma surpresa na parte final, o resultado é basicamente um drama policial B, que explora com competência as cenas noturnas e personagens marginais. 

O protagonista Cornel Wilde teve algum destaque nos anos cinquenta, mas sempre foi visto como um canastrão. O melhor do elenco é o vilão interpretado pelo esquecido Richard Conte, personagem arrogante que se considera intocável. Vale citar ainda as participações de Lee Van Cleef e Earl Holliman, atores que ficariam famosos anos depois e que aqui interpretam capangas do vilão.

sábado, 1 de abril de 2017

Pompeia

Pompeia (Pompeii, Canadá / Alemanha / EUA, 2014) – Nota 5,5
Direção – Paul W. S. Anderson
Elenco – Kit Harington, Emily Browning, Kiefer Sutherland, Adewale Akinnuoye Agbaje, Carrie Anne Moss, Jared Harris, Jessica Lucas, Joe Pingue, Currie Graham.

Poucos dias antes do vulcão Vesúvio entrar em erupção e destruir a cidade de Pompeia, o escravo Milo (Kit Harington) é levado pelos romanos da antiga Londres para o local.

Ele será utilizado como adversário do escravo que é campeão nos duelos na arena da cidade. Atticus (Adewale Akinnuoye Agbaje) sonha em vencer esta que seria sua última luta antes de ganhar a liberdade. 

Neste meio tempo, Milo cruza o caminho da bela Cassia (Emily Browning), que é filha do administrador da cidade e que é desejada por um violento senador romano (Kiefer Sutherland). 

Um festival de clichês e uma explosão de efeitos especiais ao estilo game. Essa pode ser a definição para este filme totalmente descartável. As cenas de lutas bem produzidas são uma das poucas coisas que se salvam ao lado da reconstituição da cidade na primeira parte do filme. 

O protagonista Kit Harington, apesar de ser famoso pela série “Game of Thrones”, aqui se mostra totalmente inexpressivo, assim como a mocinha Emily Browning. Kiefer Sutherland repete pela enésima vez o vilão. 

É um filme para o espectador passar longe.