quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Eu, Tonya

Eu, Tonya (I, Tonya, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Craig Gillespie
Elenco – Margot Robbie, Sebastian Stan, Allison Janney, Julianne Nicholson, Paul Walter Hauser, Bobby Cannavale, Bojana Novakovic, Caitlin Carver.

No início de 1994, pouco antes da Olimpíada de Inverno em Lillehammer na Noruega, um crime bizarro envolveu as duas atletas americanas mais famosas da patinação artística. Este longa dirigido por Craig Gillespie detalha o episódio absurdo. 

Na época surgiram várias versões do caso. O roteiro é na verdade uma biografia da “vilã” Tonya Harding (Margot Robbie). Ao mesmo tempo em que ela desde criança apresentava um talento nato para o esporte, a jovem sofria pelo complicado relacionamento que tinha com a mãe (Allison Janney), uma mulher que não demonstrava um pingo de carinho pela filha. 

Tonya continuou a ter uma vida atormentada e inclusive sofrer com a violência do marido após se casar com Jeff Gillooly (Sebastian Stan). A falta de dinheiro e até de educação para disputar um esporte com atletas de classe média alta foi outro obstáculo que a jovem enfrentou. 

A grande sacada do filme é mostrar a protagonista como uma pessoa com talento, poucas virtudes e muitos defeitos que foram potencializados pelos relacionamentos abusivos com a mãe e o marido. 

A escolha de colher depoimentos fictícios do trio principal anos depois do acontecimento foi outra decisão acertada, assim como a narrativa que beira o humor negro em alguma sequências. 

As ótimas atuações de Margot Robbie e Allison Janney foram merecidamente indicadas ao Oscar. A mãe interpretada por Allison Janney é algo inacreditável. Sua falta de empatia é semelhante a de um psicopata. 

A história absurda envolvendo esporte e os personagens bizarros lembram um pouco “Foxcatcher” de 2014. 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Lady Bird: A Hora de Voar

Lady Bird: A Hora de Voar (Lady Bird, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Greta Gerwig
Elenco – Saoirse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Lucas Hedges, Timothée Chalamet, Beanie Feldstein, Lois Smith, Stephen Henderson, Odeya Rush, Jordan Rodrigues, Marielle Scott.

Sacramento, Califórnia, 2002. Aos dezessete anos, Christine (Saoirse Ronan), que prefere ser chamada de Lady Bird, está no último ano do colégio e sofre porque deseja sair da cidade para cursar a universidade em Nova York. 

Com um relacionamento complicado com a mãe (Laurie Metcalf) e com o irmão de criação (Jordan Rodrigues), além do desemprego do pai (Tracy Letts), Lady Bird não se conforma com a família ter pouco dinheiro, morar em uma casa simples e sua chance de ir para Nova York ser pequena. Durante um ano, sua vida se transforma numa montanha-russa de emoções. 

Este longa é uma versão da própria vida da atriz e aqui diretora Greta Gerwig na adolescência. O filme segue o padrão deste tipo de história, explorando as crises familiares, afetivas e de amizade comuns na vida de uma adolescente. 

Os personagens coadjuvantes também seguem os clichês. Temos a amiga gordinha, o gay enrustido, o garoto sem caráter e os ricos preconceituosos. 

É um bom filme, mas considero um exagero sua indicação para o Oscar. Como opinião pessoal, o semelhante “Quase 18” produzido em 2016 é um filme ainda melhor que este. 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Os Últimos Cavaleiros

Os Últimos Cavaleiros (Inglaterra / Coreia do Sul, 2015) – Nota 5,5
Direção – Kazuaki Kiriya
Elenco – Clive Owen, Morgan Freeman, Cliff Curtis, Aksel Hennie, Tsuyoshi Ihara, Sung Ki Ahn, Payman Maadi, Si Yeon Park.

Lorde Bartok (Morgan Freeman) é o justo líder de uma pequena vila e de um castelo. Com um grupo de soldados leais, tendo como seu braço-direito Raiden (Clive Owen), Bartok se nega a pagar suborno para o novo conselheiro do rei, o ambicioso e covarde Gezza Mott (Aksel Hennie). 

A desobediência faz com que Bartok seja executado e suas terras tomadas pelo rei (Payman Maadi). Os soldados e suas famílias são expulsos do local. Alguns deles preparam uma vingança, enquanto Raiden aparentemente se entrega a bebida. 

O diretor japonês Kazuaki Kiriya tenta explorar o estilo oriental de filmar, mas falha no excesso de cenas em câmera lenta, no ritmo arrastado e até na falta de ação. Uma cena aleatória de luta no inicio e as sequências no climax são até bem filmadas, mas é pouco. Infelizmente o restante do filme é extremamente cansativo e as cenas com Clive Owen bêbado beiram o dramalhão. 

A quantidade de personagens orientais é explicada pela co-produção sul-coreana e pela premissa que claramente é baseada nas histórias de samurais, aqui substituídos por cavaleiros da Idade Média. 

O único ponto realmente positivo é a interessante reviravolta que é revelada na meia-hora final.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Terra Violenta & A Salvação


Terra Violenta (In the Valley of Violence, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Ti West
Elenco – Ethan Hawke, John Travolta, James Ransone, Taissa Farmiga, Karen Gillan, Toby Huss, Burn Gorman.

Paul (Ethan Hawke) é um assassino solitário que viaja pelo deserto com destino ao México. Precisando de água e comida para seguir viagem, ele decide parar em uma pequena cidade escondida em um vale. Não demora para o filho do xerife (James Ransone) provocar o sujeito e iniciar um conflito, que tenta ser apaziguado por seu pai (John Travolta).

Com uma trama simples e previsível que bebe na fonte dos antigos westerns spaghetti, este longa é um daqueles que prende a atenção, mas que é esquecido rapidamente após o final. Alguns diálogos engraçadinhos que brincam com a questão da covardia não chegam a irritar.

É curiosa e também importante a participação do cachorro que acompanha o protagonista. Ethan Hawk dá conta do recado como o pistoleiro e John Travolta parece se divertir interpretando o xerife veterano de guerra que usa uma perna de pau. No elenco, vale destacar ainda o padre picareta e beberrão vivido por Burn Gorman.

É um filme mediano indicado para quem gosta de western.

A Salvação (The Salvation, Dinamarca / Inglaterra / África do Sul / Suécia / Bélgica, 2014) – Nota 7
Direção – Kristian Levring
Elenco – Mads Mikkelsen, Eva Green, Jeffrey Dean Morgan, Eric Cantona, Mikael Persbrandt, Douglas Henshall, Jonathan Pryce, Michael Raymond James.

Na década de 1870, os irmãos dinamarqueses Jon (Mads Mikkelsen) e Peter Jensen (Mikael Persbrandt) vivem há alguns anos numa pequena cidade do oeste americano. No mesmo dia em que a esposa de Jon e seu filho pré-adolescente chegam ao país, dois bandidos jogam Jon para fora de uma diligência e matam sua família. Obstinado, ele segue o rastro e mata os dois sujeitos para se vingar, sem saber que um deles é irmão de Henry Delarue (Jeffrey Dean Morgan), um violento fazendeiro que comanda a região. 

O ponto principal deste curioso western produzido na Europa é explorar o clássico tema da vingança. O “olho por olho, dente por dente” em defesa da família é o que move os personagens. Apesar de previsível, a trama é muito bem conduzida pelo diretor dinamarquês Kristian Levrig, que cria interessantes sequências de tiroteio e violência. 

O ótimo Mads Mikkelsen encarna com perfeição o sujeito de poucas palavras, a bela Eva Green vive uma mulher muda e o sinistro Jeffrey Dean Morgan cria aqui uma prévia do Negan que interpretaria pouco tempo depois na série “The Walking Dead”. 

Para quem curte western, este filme é uma interessante opção. 

sábado, 24 de fevereiro de 2018

O Destino de uma Nação

O Destino de uma Nação (Darkest Hour, EUA / Inglaterra, 2017) – Nota 8
Direção – Joe Wright
Elenco – Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Ben Mendelsohn, Lily James, Stephen Dillane, Ronald Pickup, Samuel West.

Segunda Guerra Mundial, 1940. As tropas alemães avançam por dentro da França empurrando o exército local e os ingleses para a praia de Dunquerque. 

Prestes a perder seu exército, os políticos ingleses pressionam pela renúncia do primeiro-ministro Neville Chamberlain (Ronald Pickup). O nome de consenso entre situação e oposição é de Winston Churchill (Gary Oldman), que é visto com desconfiança por muitos, inclusive pelo Rei George (Ben Mendelsohn). 

O passado de erros políticos, o hábito de falar o que pensa e o gosto pela bebida são pontos que assustam os opositores. Ao assumir o cargo, Churchill é pressionado pelo Visconde Halifax (Stephen Dillane) para negociar com Hitler, enquanto procura uma forma de resgatar seu exército. 

O objetivo do longa é mostrar os bastidores dos dias que poderiam ter mudado o rumo da guerra caso Churchill tivesse cedido as pressões. O roteiro é extremamente feliz ao retratar Churchill como um sujeito complicado, que batia de frente com os opositores, mas que ao mesmo tempo tinha seus medos e inseguranças. 

A vida dele com a esposa (Kristin Scott Thomas) e as relações que cria com a secretária (Lily James) e surpreendentemente com o Rei George são outros pontos interessantes do longa. 

O grande destaque fica sem dúvida para a atuação de Gary Oldman, quase irreconhecível debaixo de uma maquiagem pesada. Seu modo de falar balbuciando palavras, o jeito de andar e outros maneirismos tem tudo para levar o ator a ganhar o Oscar. Ele é sem dúvida o grande favorito.  

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

A Forma da Água

A Forma da Água (The Shape of Water, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Guillermo del Toro
Elenco – Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Octavia Spencer, Michael Stuhlbarg, Doug Jones, David Hewlett, Nick Searcy.

Anos sessenta. Em um complexo militar de segurança, a chegada de um homem-anfíbio (Doug Jones) capturado na Amazônia pelo agente do governo Richard Strickland (Michael Shannon) desperta a curiosidade na faxineira muda Elisa (Sally Hawkins). 

Enquanto os militares o tratam como uma ameaça, Elisa aos poucos se aproxima do tanque com água e desenvolve um laço de afeto com a criatura. A estranha relação chama a atenção de um cientista (Michael Stuhlbarg), que na verdade é um espião russo disfarçado. 

O roteiro escrito por Guillermo del Toro cria uma bizarra história de amor numa atmosfera que lembra os longas de ficção dos anos oitenta. Este é o estilo habitual de del Toro, que adora inserir criaturas em seus filmes, vide “Cronos”,  “O Labirinto do Fauno” e a recente série “The Strain”. 

Por mais que a parte técnica seja muito bem feita, a trama é totalmente previsível e os personagens são clichês, com exceção da ótima atuação de Sally Hawkins. Michael Shannon é um terrível vilão no trabalho e um pai de família normal em casa, enquanto o amigo gay vivido por Richard Jenkins e a faxineira negra e gordinha de Octavia Spencer são personagens inseridos na trama para aumentar o sentimento de preconceito e exclusão que permeia o filme. 

Eu considero um bom filme, com algumas ideias interessantes, mas que passa longe da obra prima citada por alguns críticos.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

The Post: A Guerra Secreta

The Post: A Guerra Secreta (The Post, Inglaterra / EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Steven Spielberg
Elenco – Meryl Streep, Tom Hanks, Sarah Paulson, Bob Odenkirk, Tracy Letts, Bradley Whitford, Bruce Greenwood, Matthew Rhys, Alison Brie, Carrie Coon, Jesse Plemons, David Cross.

Washington, 1971. Um jornalista consegue fazer cópias de documentos secretos do governo americano que abrangem segredos envolvendo guerras e manipulação de massas durante quarenta anos. 

O jornal The New York Times publica uma pequena reportagem do caso, resultando num processo federal proibindo a veiculação de mais notícias sobre o assunto. 

O então jornal local The Washington Post, que passava por uma crise após o suicídio de seu proprietário, consegue os documentos em sua totalidade, porém surge o dilema entre divulgar todo o conteúdo e enfrentar o governo, ou jogar para debaixo do tapete as revelações com medo de represálias. 

Baseado na história real do escândalo conhecido como “Pentagon Papers”, que resultou no primeiro abalo do controverso governo de Richard Nixon, este longa dirigido por Spielberg em momento algum empolga. 

A narrativa é correta e os fatos são contados em detalhes, mas diferente por exemplo do ótimo “Spotlight” que foca a história no jornalismo investigativo, aqui a discussão entre publicar ou não resulta numa discussão enfadonha sobre política editorial e dinheiro. 

O personagem mais interessante é do jornalista vivido por Bob Odenkirk, responsável por localizar a “fonte” que conseguiu os documentos. Tom Hanks exagera um pouco como o editor e Meryl Streep interpreta com eficiência a viúva insegura que herdou o jornal e que precisa tomar decisões complicadas. 

É um filme que vale como curiosidade para conhecer detalhes da história, mas que passa longe de ser marcante.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Cães de Guerra

Cães de Guerra (War Dogs, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Todd Phillips
Elenco – Miles Teller, Jonah Hill, Bradley Cooper, Ana de Armas, Kevin Pollak, Patrick St. Spirit, Shaun Toub.

Em 2008, o jovem David Packouz (Miles Teller) havia abandonado a universidade e estava trabalhando como massagista de ricos em Miami. Sua esposa Iz (Ana de Armas) estava grávida e o dinheiro era curto. Quando seu amigo de infância Efraim Diveroli (Jonah Hill) retorna à cidade e o convida para trabalhar com ele, a vida de David dá uma grande reviravolta. 

Efraim trabalha como intermediário na venda de armas para o governo, que na época tinha tropas espalhadas pelo Iraque. Ele mapeava licitações pelo site do governo e enviava propostas para aquelas de pequena quantidade que as grandes empresas não tinham interesse. A dupla de amigos rapidamente enriquece com as vendas e passa a mirar contratos maiores, o que os leva a se envolver com figuras pouco confiáveis. 

O filme é baseado numa história real que beira o absurdo, mas que até certo ponto também é um exemplo de como fazer um empreendimento crescer, deixando de lado a falta de moral e as ilegalidades que os protagonistas cometem. 

A forma como o diretor Todd Phillips desenvolve a narrativa é perfeita. Ele mistura sem exageros drama, comédia e até suspense, com as devidas proporções lembrando a forma como Martin Scorsese filmou “O Lobo de Wall Street”

Vale destacar as sequências no deserto do Iraque e na decadente Albânia, além da química entre Miles Teller e Jonah Hill, com o segundo tendo uma ótima atuação como uma picareta que é capaz de vender areia no deserto. 

É uma história interessante contada de forma divertida.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Rogue One: Uma História Star Wars

Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Gareth Edwards
Elenco – Felicity Jones, Diego Luna, Alan Tudik, Donnie Yen, Wen Jiang, Ben Mendelsohn, Forest Whitaker, Riz Ahmed, Mads Mikkelsen, Jimmy Smits, Alistair Petrie.

O Império envia Krennic (Ben Mendelsohn) a um planeta isolado para capturar o engenheiro Galen Erso (Mads Mikkelsen), figura-chave para finalizar a construção da temida Estrela da Morte. A esposa de Galen é assassinada e sua filha pré-adolescente Jyn consegue se esconder. A garota é criada pelo rebelde Saw Gerrera (Forest Whitaker). 

Anos depois, a adulta Jyn (Felicity Jones) é resgatada de uma prisão pela Aliança Rebelde para ser utilizada como isca para chegarem até Galen Erso, que aparentemente enviou uma mensagem querendo ajudá-los. Ao lado de Cassian Endor (Diego Luna) e de um grupo de rebeldes, Jyn participa da missão que tem o objetivo de destruir a Estrela da Morte. 

Desde que George Lucas retomou o projeto de Star Wars em 2015, ficou claro que um dos objetivos era criar histórias paralelas ligadas a trama central. Este “Rogue One” é a primeira produção do projeto, focando em uma trama que se passa antes da história de “Guerra nas Estrelas”. 

O roteiro não apresenta surpresas, tudo se encaixa de acordo com o esperado. Isso não chega a atrapalhar a diversão, que tem como ponto principal as cenas de ação e a parte técnica, com destaque para os coadjuvantes alienígenas e a recriação digital dos personagens de Peter Cushing e Carrie Fisher. 

Por outro lado, o elenco deixa a desejar. Felicity Jones não convence como heroína rebelde e Diego Luna está inexpressivo. O androide com a voz de Alan Tudik e o lutador sem visão de Donnie Yen acabam sendo os melhores personagens. 

O resultado é um divertido longa de ficção.  

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Lucky

Lucky (Lucky, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – John Carroll Lynch
Elenco – Harry Dean Stanton, David Lynch, Ron Livingston, Ed Begley Jr, James Darren, Beth Grant, Tom Skerritt, Barry Shabaka Henley, Yvonne Huff, Bertila Damas.

Lucky (Harry Dean Stanton) leva uma vida simples e rotineira numa pequena cidade do Texas. Café da manhã na lanchonete, compras na mercearia, volta para casa para assistir a programas de perguntas e a noite uma passada pelo bar. 

Um certo dia Lucky sofre um mal súbito que não tem explicação, porém se recupera rapidamente. O fato faz com que ele comece a questionar a própria vida, ou pior, o final da vida que está chegando por causa da idade avançada. 

O papel principal neste longa foi uma belíssima homenagem do cinema e do ator John Carroll Lynch, que aqui estreou na direção, para o eterno coadjuvante Harry Dean Stanton. Mesmo sendo mais velho, Stanton apareceu para o cinema junto com uma ótima geração de atores no final dos anos sessenta, como seu grande amigo Jack Nicholson, Harvey Keitel, Al Pacino e Robert De Niro. Ele jamais chegou a condição de astro, seu maior papel foi no triste “Paris, Texas” de Wim Wenders. 

Aqui, Stanton interpreta basicamente ele mesmo. Um sujeito que tenta encarar a reta da final da vida da melhor forma possível. Os diálogos simples e melancólicos, alguns com pitadas de ironia, os coadjuvantes típicos de uma cidade do interior e a sequência em que o ator canta junto com uma banda de Mariachis são os pontos altos do longa. 

Vale destacar no elenco o diretor David Lynch como o melhor amigo do protagonista e o esquecido James Darren, astro da série clássica “Túnel do Tempo”, que volta ao cinema após décadas longe da telona. 

Assim como pressentia seu personagem, Harry Dean Stanton faleceu ano passado de causas naturais aos noventa e um anos.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

O Túnel

O Túnel (Der Tunnel, Alemanha, 2001) – Nota 8
Direção – Roland Suso Richter
Elenco – Heino Ferch, Nicolette Krebitz, Sebastian Koch, Alexandra Maria Lara, Claudia Michelsen, Felix Eitner, Mehmet Kurtulus, Henrich Schmeider, Karin Baal.

Berlim, 1961. A então Alemanha Oriental decide construir um muro para separar o país da Alemanha Ocidental. Desta forma o opressivo regime comunista do lado oriental proibiu que seus cidadãos fossem viver no lado ocidental capitalista. Muitas famílias foram divididas e as tentativas de fuga começaram a ocorrer das mais variadas formas. 

Em 1963, o ex-campeão de natação Harry Melchior (Heino Ferch), que fugiu para o ocidente após ser perseguido no país, planeja em parceria com o engenheiro Matthis Hiller (Sebastian Koch) construir um túnel para atravessar o muro pelo subsolo e assim resgatar sua irmã (Alexandra Maria Lara) e sua sobrinha. 

Matthis também sonha em trazer sua esposa (Claudia Michelsen) que foi capturada durante uma tentativa de fuga. A dupla de amigos consegue ajuda para construir o túnel contatando outros homens que desejam trazer familiares para o ocidente. 

Este interessante longa detalha uma incrível e dramática história real da fuga de um grupo de pessoas que sonhavam em reencontrar seus familiares. O roteiro explora o suspense em ótimas sequências, como o clímax da fuga, a cena do sujeito assassinado na beira do muro e as tensas travessias de personagens pelo posto de imigração. 

A crítica contra o abominável regime comunista também é outro ponto alto. Vemos a forma cruel como os oficiais coagiam pessoas comuns a se tornarem informantes, criando um terrível medo na população, pois qualquer um poderia ser um agente ou informante do Estado. 

Apesar das mais de duas horas e meia de duração, o filme consegue prender a atenção do espectador, principalmente daquele que gosta de história e política, além das pitadas de ação.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

A Difícil Arte de Amar

A Difícil Arte de Amar (Heartburn, EUA, 1986) – Nota 6,5
Direção – Mike Nichols
Elenco – Meryl Streep, Jack Nicholson, Jeff Daniels, Maureen Stapleton, Stockard Channing, Steven Hill, Milos Forman, Mercedes Ruehl, Milos Forman, Mamie Gummer.

Em um casamento em Nova York, a jornalista especializada em culinária Rachel (Meryl Streep) conhece e se envolve com o jornalista de política Mark (Jack Nicholson). 

Os dois que eram solteirões, logo resolvem se casar e vão morar em Washington. Rachel abandona o emprego, engravida e se torna dona de casa. Com o passar do tempo o relacionamento se desgasta e Rachel sofre por ter abdicado de seu trabalho. 

O roteiro escrito por Nora Ephron foca em uma situação que era comum até os anos noventa. Hoje, poucas mulheres abandonam emprego e carreira para ter filhos ou acompanhar marido. Esta mudança de costumes faz com que parte do drama do filme perca força nos dias atuais. 

Por outro lado, o desgaste do relacionamento segue o padrão universal dos casais em crise, transformando atração e amor em conflitos e desprezo. 

Apesar da boa atuação de Jack Nicholson, vale citar que o roteiro tem o foco principal na personagem de Meryl Streep e na visão da mulher em relação ao casamento. 

Eu considero um filme apenas mediano. 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Passageiros

Passageiros (Passengers, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Morten Tyldum
Elenco – Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Michael Sheen, Laurence Fishburne, Andy Garcia.

Uma gigantesca nave levando cinco mil pessoas em hibernação segue viagem em direção a um distante planeta que foi colonizado. Um enorme meteoro atinge a nave e uma cápsula de hibernação falha acordando Jim Preston (Chris Pratt). 

A animação por acreditar que estava chegando ao final da viagem se torna desespero quando ele descobre que foi acordado por causa de uma falha e que ainda faltam noventa anos para chegar ao destino. Sozinho e sem ter como voltar a hibernar, Jim tem como único amigo um robô bartender (Michael Sheen). 

Com o passar do tempo a solidão aumenta e Jim começa a pensar seriamente em acordar a bela Aurora Lane (Jennifer Lawrence) para ser sua companhia, o que também resultaria no fim do sonho da jovem em chegar a colônia. 

A primeira parte do longa explora uma premissa que lembra os clássicos de ficção “A Última Esperança da Terra” e “Eu Sou a Lenda”, com a diferença de que nos dois citados o protagonista estava sozinho em meio a um mundo devastado e aqui o personagem de Chris Pratt viaja em uma nave interplanetária. 

O desespero de se ver sozinho é logo modificado pela diversão de aproveitar o que quiser, como se tivesse um parque de diversões ao seu dispor. Mas quando a solidão e o tédio voltam, tudo muda. A forma como a trama se desenvolve é previsível, inclusive com um clímax exagerado e tipicamente hollywoodiano. 

O filme ganha pontos pela ótima produção, o bom humor do robô interpretado por Michael Sheen e a química da dupla principal. 

Fica a sensação de que poderia ser melhor, inclusive por causa do diretor norueguês Morten Tyldum, responsável pelos ótimos “O Jogo da Imitação” e “Headhunters”.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O Experimento Belko

O Experimento Belko (The Belko Experiment, EUA / Colômbia, 2016) – Nota 7
Direção – Greg McLean
Elenco – John Gallagher Jr, Tony Goldwyn, Adria Arjona, John C. McGinley, Melonie Diaz, Owain Yeoman, Sean Gunn, Brent Sexton, Josh Brener, Gregg Henry, Michael Rooker, Rusty Schwimmer.

Bogotá, Colômbia. Tudo parece normal na filial da empresa americana Belko, até que uma voz assustadora manda um aviso aos funcionários por um alto-falante. Entre as oitenta pessoas que estão no local, trinta terão de morrer em até duas horas. 

O que parece uma piada de mal gosto, se transforma em desespero quando as entradas e as janelas do edifício que fica num local isolado são vedadas com placas de metal. Quando ocorrem as primeiras mortes, o instinto de sobrevivência de cada um vem à tona. 

O roteiro escrito por James Gunn, diretor dos dois “Guardiões da Galáxia”, vai direto ao ponto. A proposta é mostrar como as relações corporativas são falsas e o que aconteceria se não existissem regras para sobrevivência, no sentido literal de vida ou morte. 

Isto é muito bem explorado pelo diretor australiano Greg McLean, do assustador e violento “Wolf Creek”. As tentativas de alguns personagens em tentar encontrar uma solução pacífica para a situação são rapidamente atropeladas pelo instinto de sobrevivência dos mais fortes. 

Os personagens são clichês (o chefe que é respeitado pela frente, o líder informal, o mal caráter, o covarde, a gostosa, entre outros), mas se casam perfeitamente com a proposta. Junte a isso muito violência e uma pequena surpresa na cena final. 

É basicamente um filme B com falhas, mas que diverte o espectador que gosta do estilo. 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Man Down

Man Down (Man Down, EUA, 2015) – Nota 6
Direção – Dito Montiel
Elenco – Shia LaBeouf, Jai Courtney, Gary Oldman, Kate Mara, Tory Kittles, Clifton Collins Jr, Charlie Shotwell, Jose Pablo Cantillo.

Três narrativas intercaladas em tempos diferentes amarram a história deste longa que tem uma premissa interessante, mas que deixa a desejar no final da sessão. 

A narrativa principal segue a vida de Gabriel Drummer (Shia LaBeouf) e seu inseparável amigo Devin Roberts (Jai Courtney). Eles se alistaram juntos no exército e estão prestes a serem enviados ao Afeganistão. A situação desagrada Natalie (Kate Mara), que é esposa de Gabriel e seu filho pequeno John (Charlie Shotwell). 

A segunda narrativa tem Gabriel em uma sessão de terapia dentro do exército com um oficial (Gary Oldman), onde discutem algo terrível que o soldado enfrentou. A terceira parte da trama se passa aparentemente num futuro próximo e apocalíptico, em que Gabriel e Devin tentam encontrar Natalie e John em meio a uma cidade destruída. 

Com exceção de sua estreia no competente “Santos e Demônios”, o diretor Dito Montiel é especialista em desperdiçar boas ideias. O roteiro assinado por ele em parceria com Adam G. Simon tem a seu favor a tentativa de esconder um segredo do espectador até a parte final. A famosa reviravolta tão comum aos filmes atuais. As cenas de ação no Afeganistão também são bem filmadas. 

Por outro lado, as três narrativas deixam o filme picotado. São muitas idas e vindas na história e bastante enrolação até o final exagerado. Os personagens também são mal desenvolvidos, inclusive a grande mudança de comportamento que ocorre com o protagonista. 

É um filme que fica muito abaixo do esperado. 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Uma Mente Brilhante & O Homem Que Viu o Infinito



Uma Mente Brilhante (A Beatiful Mind, EUA, 2001) – Nota 8
Direção – Ron Howard
Elenco – Russell Crowe, Ed Harris, Jennifer Connelly, Christopher Plummer, Paul Bettany, Adam Goldberg, Josh Lucas, Anthony Rapp, Judd Hirsch, Austin Pendleton.

Nos anos cinquenta, aos vinte e um anos de idade, o matemático John Nash (Russell Crowe) é considerado um gênio pelos colegas após publicar um trabalho revolucionário sobre um teorema. Sendo professor em uma universidade e posteriormente atuando em um avançado trabalho de criptografia para o governo, aos poucos Nash começa a demonstrar sinais de esquizofrenia, inclusive criando um amigo imaginário chamado Charles (Paul Bettany). Após se casar com Alicia (Jennifer Connelly), a doença de Nash se agrava, afetando sua vida pessoal e seu trabalho. 

O roteiro de Akiva Goldsman e a forma como Ron Howard desenvolve a narrativa e os personagens resulta em um filme extremamente humano. O foco principal foi mostrar a luta do protagonista contra sua doença. Sua genialidade faz parte do pacote, assim como a dificuldade em se relacionar com as pessoas. A sensível atuação de Russell Crowe é outro ponto alto. 

O verdadeiro Nash teve uma final de vida trágico. Ele faleceu em 2016 aos oitenta e seis anos em um acidente de automóvel.

O Homem Que Viu o Infinito (The Man Who Knew Infinity, Inglaterra / EUA, 2015) – Nota 7,5
Direção – Matthew Brown
Elenco – Dev Patel, Jeremy Irons, Toby Jones, Devika Bishe, Jeremy Northam, Stephen Fry.

Madras, Índia, 1914. O jovem Srinavasa Ramanujan (Dev Patel) é um incompreendido gênio da matemática autodidata. Ao conseguir um simples trabalho burocrático, seu chefe percebe o talento de Ramanujan e o incentiva a enviar uma carta para o famoso matemático G. H. Hardy (Jeremy Irons), que é professor em Cambridge. 

Ao receber a carta, Hardy acredita ser um pegadinha de seu colega Littlewood (Toby Jones), até entender que a correspondência é verdadeira. Ele oferece uma bolsa de estudos para Ramanujan, que na verdade deseja publicar suas descobertas. Ao chegar na Inglaterra, o jovem indiano terá de enfrentar a desconfiança e também o preconceito de alguns professores. 

O longa é baseado na história real de um personagem com um talento natural fantástico surgido em um meio que seria quase impossível ele se destacar. A vida de  Ramanujan é uma história de luta pelo reconhecimento de seu trabalho.

Dev Patel entrega uma boa atuação como o jovem obstinado, enquanto Jeremy Irons interpreta o típico tutor aparentemente durão, mas com um coração mole escondido. 

O filme não chega a ser marcante, mas vale como registro de vida de uma pessoa com um talento acima do normal.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A Dama Dourada

A Dama Dourada (Woman in Gold, Inglaterra, 2015) – Nota 7
Direção – Simon Curtis
Elenco – Helen Mirren, Ryan Reynolds, Daniel Bruhl, Kate Holmes, Tatiana Maslany, Max Irons, Antje Traue, Elizabeth McGovern, Jonathan Pryce, Frances Fisher, Moritz Bleitbreu, Tom Schilling, Allan Corduner. Henry Goodman.

Los Angeles, 1998. A austríaca Maria Altmann (Helen Mirren) descobre que seu país natal está tentando restituir as famílias que tiveram suas obras de arte roubadas pelos nazistas durante a Segunda Guerra. 

Ela explica a situação para o advogado Randy Schoenberg (Ryan Reynolds), que é filho de uma amiga e neto de um famoso compositor austríaco. Ao descobrir que os quadros que pertenciam a família de Maria valem milhões de dólares, Randy decide ajudá-la. 

O quadro mais importante da coleção é conhecido como “A Dama de Ouro”, sendo um retrato da tia de Maria. Este quadro se torna o pivô de uma guerra jurídica entre Randy e Maria contra o governo da Áustria. 

Baseado numa história real, este longa detalha a luta da velha senhora em conseguir de volta um bem que para ela tinha um valor sentimental muito maior do que o dinheiro. Este sentimento é deixado claro nos flashbacks que mostram a relação de Maria (Tatiana Maslany na casa dos vinte anos de idade) com sua família e o sofrimento causado pela perseguição dos nazistas. 

O filme mantém o interesse do espectador pela história em si e pela ótima atuação de Helen Mirren. Os flashbacks são outro ponto positivo, incluindo a fuga da protagonista. Por outro lado, a narrativa jurídica é um pouco picotada, apenas com detalhes básicos. A interpretação de Ryan Reynolds também deixa a desejar. Em  momento algum ele faz o público crer que é um advogado, ficando sempre a impressão de que ele vai soltar alguma piada. 

Deixando esses detalhes de lado, a sessão vale a pena para quem gosta de dramas sobre a Segunda Guerra e suas consequências.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Chocolate (2000 & 2016)


A única ligação entre estes dois filmes é o título.

Chocolate (Chocolat, França, 2016) – Nota 7,5
Direção – Roschdy Zem
Elenco – Omar Sy, James Thierrée, Clotilde Hesme, Olivier Gourmetm, Frederic Pierrot, Noemie Lvovsky, Alice de Lencquesaing.

Interior da França, final do século XIX. O palhaço George “Footit” (James Thierrée) está quase perdendo o emprego em um decadente circo quando percebe o talento de um jovem negro que interpreta um selvagem canibal para assustar a plateia. O jovem é Rafael Padilha (Omar Sy), que se junta ao novo amigo que o ensina como ser um palhaço. Rafael é batizado como Chocolate e logo a dupla faz sucesso chamando a atenção do dono de uma famoso circo de Paris (Olivier Goumert). A dupla se torna a atração principal, porém Rafael não sabe lidar com o sucesso e com o dinheiro.

Baseado na quase desconhecida história real da dupla de palhaços que revolucionou a forma de fazer o público rir, este interessante longa explora o clássico roteiro de anonimato, sucesso e decadência comum na vida de muitos artistas. A química no palco entre Omar Sy e o pouco conhecido James Thierrée é sensacional. Os números criados pela dupla se tornaram exemplo de comédia física, muito semelhante ao que “O Gordo e o Magro” e “Os Três Patetas” eternizaram anos depois. Além das atuações da dupla principal, vale destacar também a ótima reconstituição de época.

No final, vemos um rápido filme da verdadeira dupla em ação, provavelmente o único registro de imagem deles.

Chocolate (Chocolat, Inglaterra / EUA, 2000) – Nota 7
Direção – Lasse Hallstrom
Elenco – Juliette Binoche, Judi Dench, Alfred Molina, Lena Olin, Johnny Depp, John Wood, Carrie Anne Moss, Leslie Caron, Hugh O’Conor, Peter Stormare, Hugh O’Connor, Victoire Thivisol.

Final dos anos cinquenta. Vianne Rocher (Juliette Binoche) é uma mãe solteira que se muda com a filha pequena (Victoire Thivisol) para uma cidade do interior da França. Ele abre uma pequena loja de chocolates e acaba entrando em conflito com o Conde de Reynaud (Alfredo Molina), que é o líder religioso do local e que vê as pessoas mudarem suas atitudes ao consumir a nova guloseima. A presença de um sujeito que não segue as regras da cidade (Johnny Depp) também incomoda.

O diretor sueco Lasse Hallstrom é especialista em filmes que mexem com a emoção do espectador, mesmo que algumas vezes explorando clichês para alcançar seu objetivo. Este longa fica no meio termo. A belíssima produção é um destaque, assim como as sensíveis atuações de Juliette Binoche e Judi Dench. Por outro lado, o longa não se decide entre fábula e realidade. Os efeitos do chocolate produzido pela protagonista beiram a magia, assim como o misterioso personagem de Johnny Depp. 

É um filme que agrada quem procura uma história simples com toques de emoção, mas que fica longe de ser algo inesquecível.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

A Lenda de Tarzan

A Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan, Inglaterra / Canadá / EUA, 2017) – Nota 6
Direção – David Yates
Elenco – Alexander Skarsgard, Samuel L. Jackson, Margot Robbie, Christoph Waltz, Djimon Hounsou, Jim Broadbent.

Final do Século XIX, Congo. Leon Rom (Christoph Waltz) é o representante do rei da Bélgica que deseja dominar completamente o país. 

Para pagar um exército de mercenários, o rei precisa dos diamantes que estão em poder de um chefe tribal (Djimon Hounsou). Este chefe faz um acordo com Rom. Ele entregará os diamantes em troca de Tarzan, que hoje vive na Inglaterra. 

Tarzan e sua esposa Jane (Margot Robbie) são convidados a voltar para o Congo junto com um político americano (Samuel L. Jackson) sem saber que estão prestes a cair em uma armadilha. 

A premissa de criar uma trama que seria uma sequência da vida de Tarzan na selva foi um sacada inteligente para fugir do lugar comum das adaptações do personagem ao cinema, porém as falhas surgem no desenvolvimento da história. 

A forma como Tarzan comanda os animais beira o sobrenatural, assim como as sequências em que ele praticamente voa pelos cipós são de um absurdo constrangedor. A atuação inexpressiva de Alexander Skarsgard é outro ponto negativo. Nem mesmo o canastrão Ron Ely que viveu o personagem na clássica série de tv dos anos sessenta era tão ruim. 

Os pontos positivos ficam para os gorilas que realmente parecem verdadeiros e para algumas cenas de ação, com a ressalva de que as sequências em que o diretor insiste na câmera lenta se mostram outro equívoco. 

É mais uma história clássica que se perde em meio aos efeitos especiais e a um roteiro ruim. 

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

10 Anos de Blog

Hoje o blog comemora dez anos.

Muita coisa mudou nestes anos na internet. Em 2008 quando comecei a escrever por aqui, os blogs estavam decolando. Durante estes dez anos vi muitos blogs surgirem e desaparecerem. Outros cresceram e se transformaram em sites.

Os vídeos postados no Youtube e a lives comentando sobre grandes lançamentos, notícias e premiações são a tendência do momento, mas mesmo assim ainda existem um número enorme de pessoas que gostam de ler sobre o cinema.

A proposta aqui sempre foi dividir meus conhecimentos sobre cinema com outras pessoas, não como um profissional da área, mas apenas como um cinéfilo. O prazer em assistir a um filme ou um seriado é como uma terapia diária. São momentos em que deixo de lado as obrigações e os problemas do dia a dia para relaxar. Escrever sobre estes filmes e seriados faz parte do processo.

Agradeço a todos que visitam meu blog e com certeza continuarei escrevendo aqui por muito tempo.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Uma Jornada Para Toda Vida

Uma Jornada Para Toda Vida (Tracks, Austrália, 2013) – Nota 6,5
Direção – John Curran
Elenco – Mia Wasikowska, Adam Driver.

Austrália, 1975. A jovem Robyn Davidson (Mia Wasikowska) desembarca de um trem no interior do país levando uma mochila e um cachorro. Seu objetivo é conseguir camelos para atravessar o deserto australiano até o Oceano Índico. 

Durante dois anos ela trabalha em fazendas aprendendo a domar camelos, até que uma amiga leva o fotógrafo da revista National Geographic Rick Smolan (Adam Driver) para conhecê-la. 

Rick consegue que a revista financie a viagem de Robyn, com a condição de que ele registre em fotos o acontecimento. Mesmo a contragosto, Robyn aceita a proposta de Rick, que a encontra em locais específicos do deserto durante a longa viagem. 

Baseado no livro escrito pela verdadeira Robyn Davidson, que conta detalhes de sua maluca viagem de quase seis meses sozinha pelo deserto, ou melhor, acompanhada de quatro camelos e um cachorro, este longa é interessante pela história e irregular em sua narrativa. 

Os pontos altos são os encontros da viajante com aborígenes nômades e outros moradores de locais isolados, sua relação com os animais e a obsessão em terminar o percurso. A fotografia também explora com competência os cenários naturais. É um daqueles filmes que parece que sentimos calor apenas de olhar para o deserto. 

Por outro lado, os flashbacks que tentam explicar o porquê da viagem da protagonista quebram um pouco o ritmo, que é normalmente lento. Algumas passagens no deserto também poderiam ser encurtadas, deixando o filme mais enxuto. 

Para quem gosta de histórias sobre viagens longas feitas a pé, eu indicaria dois filmes melhores: “Livre” com Reese Witherspoon e “The Way – O Caminho de Santiago” com Martin Sheen.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Extraordinário

Extraordinário (Wonder, EUA / Hong Kong, 2017) – Nota 7,5
Direção – Stephen Chbosky
Elenco – Julia Roberts, Owen Wilson, Jacob Tremblay, Isabela Vidovic, Mandy Patinkin, Noah Jupe, Bryce Gheisar, Elle McKinnon, Daveed Diggs.

Problemas durante o parto resultaram em sequelas no rosto de Auggie (Jacob Tremblay). Usando um capacete de astronauta sempre que vai para rua, Auggie precisará abandonar o objeto e enfrentar seu medo quando sua mãe Isabel (Julia Roberts) e seu pai Nate (Owen Wilson) decidem matriculá-lo na escola, após anos estudando somente em casa. 

Baseado num best seller, este longa é um daqueles filmes feitos com o objetivo principal de emocionar. O filme cumpre o que promete, mas na minha opinião passa um pouco do ponto. A cada dez minutos surge uma cena para emocionar, além da história amarrar perfeitamente todas as pontas, porém longe do que realmente ocorre na vida real. 

O roteiro divide a narrativa em capítulos sobre os personagens, explorando cenas dramáticas com todo o elenco. Temos os dilemas enfrentados pela irmã de Auggie (Izabela Vidovic), pelo melhor amigo (Noah Jupe) e até uma sequência dedicada a cadelinha Dayse. 

Tudo isso se torna uma receita de sucesso garantido também pela simpática interpretação do garoto Jacob Tremblay, que havia mostrado talento no ótimo “O Quarto do Jack” e que tem tudo para fazer uma grande carreira. 

Se você quer se emocionar sem se preocupar com a realidade, este longa é uma belíssima opção.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O Espião Que Saiu do Frio & A Morte Não Manda Aviso


O Espião que Saiu do Frio (The Spy Who Came in from the Cold, Inglaterra, 1965) – Nota 6,5
Direção – Martin Ritt
Elenco – Richard Burton, Claire Bloom, Oskar Werner, Sam Wanamaker, George Voskovec, Rupert Davies, Cyril Cusack, Michael Hordern.

Alec Leamas (Richard Burton) é um espião inglês que atuou por muitos anos na Alemanha Ocidental, criando laços com desertores da Alemanha Oriental. Ao voltar para Inglaterra, ele recebe uma complicada missão. Leamas precisará se passar por desertor e fazer contato com agentes da Alemanha Oriental com o objetivo de comprometer um agente duplo. 

Fiquei surpreso ao ler muitas críticas positivas sobre este arrastado e confuso longa baseado em um livro de John Le Carré. A trama era atual na época ao explorar a espionagem durante a Guerra Fria, porém a história é extremamente complicada para se chegar num objetivo até certo ponto simples. O julgamento clandestino na parte final é no mínimo estranho. 

O ponto mais interessante são as discussões sobre comunismo. A ingenuidade da namorada do protagonista vivida por Claire Bloom, que acredita no comunismo como libertação das pessoas é o exemplo de como muitos jovens são influenciados por essa horrorosa ideologia. A fotografia em preto e branco é outro destaque. 

Infelizmente é um filme que envelheceu mal, mesmo tendo um diretor competente como Martin Ritt, que fez bons filmes como “Norma Rae” e “Conrack”.

A Morte Não Manda Aviso (The Quiller Memorandum, Inglaterra / EUA, 1966) – Nota 6
Direção – Michael Anderson
Elenco – George Segal, Alec Guinness, Max Von Sydow, Senta Berger, George Sanders, Roberto Flemyng.

Berlim Ocidental, anos sessenta. O agente secreto Quiller (George Segal) é encarregado por seu superior (Alex Guinness) para descobrir a sede de um grupo de neonazistas que tentam manter vivas as ideias de Hitler. Quiller consegue pistas através de uma professora de universidade (Senta Berger), mas termina sequestrado pelos inimigos, que também desejam saber o local utilizado como esconderijo pelo serviço secreto inglês. 

Este é mais um entre os diversos longos de espionagem produzidos nos anos sessenta. E como acontece com vários deles, hoje se mostram envelhecidos. O filme praticamente não tem ação, a narrativa é arrastada e até mesmo as atitudes dos personagens são ingênuas, inclusive do protagonista. Um dos poucos destaques fica para a sequência em que o protagonista tenta fugir dos perseguidores, terminando com a explosão de um automóvel. 

A trama sobre um renascimento nazista tinha potencial para um filme melhor.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Três Anúncios Para um Crime

Três Anúncios Para um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, EUA, 2017) – Nota 8,5
Direção – Martin McDonagh
Elenco – Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell, Peter Dinklage, Abbie Cornish, Lucas Hedges, John Hawkes, Caleb Landry Jones, Zeljko Ivanek, Clarke Peters, Samara Weaving, Brendan Sexton III.

Ebbing, Missouri. Sete meses após sua filha ser brutalmente assassinada e a polícia não ter pista alguma sobre quem cometeu o crime, Mildred (Frances McDormand) aluga três enormes outdoors na estrada cobrando o delegado Willoughby (Woody Harrelson). 

A cobrança causa revolta em várias pessoas porque Willoughby está sofrendo com um câncer terminal. O barulho causado pela atitude de Mildred dá início a uma série de problemas na cidade. 

O roteiro escrito pelo diretor inglês Martin McDonagh (“Na Mira do Chefe” e “SetePsicopatas e um Shih Tzu”) explora basicamente uma história de ódio e vingança focada em três personagens. A protagonista vivida por Frances McDormand carrega a vingança no sangue enfrentando a tudo e a todos com o objetivo de fazer justiça pela morte da filha. 

O policial violento e racista interpretado por Sam Rockwell é o ódio em pessoa. O elo entres os dois é o chefe de polícia de Woody Harrelson, que pressionado de todos os lados, se sente impotente para resolver o crime e tenta a todo custo amenizar a loucura de Sam Rockwell. 

Um dos acertos do roteiro é deixar a investigação do caso de lado. A pressão feita pela personagem de Frances McDormand cria novos problemas que acabam se sobrepondo ao crime. 

Ao mesmo tempo que não é filme agradável para o público em geral, por outro lado é um belo exemplo de como construir um drama de qualidade com cara de Oscar. As sete indicações do filme, incluindo as interpretações de McDormand, Rockwell e Harrelson são totalmente merecidas. 

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Samba

Samba (Samba, França, 2014) – Nota 7,5
Direção – Olivier Nakache & Eric Toledano
Elenco – Omar Sy, Charlotte Gainsbourg, Tahar Rahim, Izia Higelin, Issaka Sawadogo, Youngar Fall.

Samba Cissé (Omar Sy) é um imigrante do Senegal que vive clandestinamente em Paris. Ele mora com o tio (Youngar Fall) e trabalha como lavador de pratos em um restaurante. 

Ao receber uma carta do governo, ele acredita que conseguirá permissão para ficar no país, mas ao procurar a imigração termina preso. Duas funcionárias de uma ONG que dá apoio aos imigrantes, Manu (Izia Higelin) e Alice (Charlotte Gainsbourg), tentam ajudá-lo na questão jurídica. 

Mesmo sendo contra as regras da ONG, Alice cria um laço de amizade com Samba, que consegue sair da prisão, mas fica na espera da decisão do juiz sobre ficar ou sair do país. 

Sem o apelo emocional do anterior e superior “Intocáveis”, que também tinha Omar Sy como um dos protagonistas, a dupla de diretores Olivier Nakache e Eric Toledano entrega um eficiente longa sobre a vida dos imigrantes clandestinos na França. O medo de ser deportado e a dificuldade em conseguir trabalho são os grandes obstáculos enfrentados pelo protagonista. 

A personagem de Charlotte Gainsbourg é outro destaque. Ela interpreta uma mulher insegura que carrega um trauma relacionado ao trabalho. Seria o outro lado da moeda na trama ao mostrar que a dificuldade para se manter em um emprego existe em todos os níveis. 

Vale destacar também o personagem “brasileiro” vivido por Tahar Rahim, que vive outro imigrante clandestino. 

É um bom filme, que com uma narrativa sóbria e uma história atual.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Um Senhor Estagiário

Um Senhor Estagiário (The Intern, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Nancy Meyers
Elenco – Robert De Niro, Anne Hathaway, Rene Russo, Anders Holm, Adam Devine, Andrew Rannells, Zack Pearlman.

Com setenta anos e viúvo, Ben (Robert De Niro) decide voltar ao mercado de trabalho se candidatando a uma vaga de estagiário em uma moderna empresa que vende roupas pela internet. 

Ele consegue o emprego e é indicado para trabalhar como assistente da dona da empresa, a jovem Jules (Anne Hathaway), que a princípio diz não precisar de sua ajuda. Inteligente e carismático, aos poucos Ben ganha a confiança de Jules, que por seu lado enfrenta um dilema profissional que também afeta sua vida pessoal. 

Este simpático longa é muito mais um pequenino drama do que uma comédia, mesmo com algumas sequências bobinhas como a do arrombamento da casa. O roteiro escrito pela diretora Nancy Meyers joga no mesmo balaio a encruzilhada que muitas mulheres enfrentam entre priorizar o trabalho ou a família, além da questão da pessoa se sentir útil e ter uma vida completa na terceira idade. São temas atuais abordados de forma leve, mesmo com a personagem de Anne Hathaway enfrentando uma situação um pouco mais pesada no terço final do filme. 

No geral, o roteiro é bem certinho e mesmo com a narrativa agradável fica a sensação de que as coisas se encaixaram fácil demais. 

Finalizando, sei que cada um pensa de uma forma, mas não vejo vantagem alguma em uma pessoa aos setenta anos voltar ao mercado de trabalho ao invés de aproveitar o restante da vida com liberdade.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Borg vs McEnroe

Borg vs McEnroe (Borg McEnroe, Suécia / Dinamarca / Finlândia, 2017) – Nota 7
Direção – Janus Metz
Elenco – Sverrir Gudnason, Shia LaBeouf, Stellan Skarsgard, Tuva Novotny, Scott Arthur, Ian Blackman, Robert Emms.

Torneio de tênis de Wimbledon, 1980. O fãs do esporte esperavam ansiosamente a quase certa final do torneio entre o sueco Bjorn Borg (Sverrir Gudnason), que era tetracampeão e o então novato americano John McEnroe (Shia LaBeouf). 

O roteiro foca nos problemas que os dois tenistas enfrentavam na vida pessoal enquanto venciam seus rivais subindo na tabela até o esperado confronto final. 

Para detalhar melhor as atitudes de cada tenista, a narrativa também explora flashbacks de como eles começaram a carreira.

Bjorn Borg era um adolescente rebelde que foi praticamente domado por seu treinador (o ótimo Stellan Skarsgard) para se tornar um tenista gelado. Este frieza represou seus sentimentos e atrapalhou sua vida pessoal. 

Do outro lado, McEnroe sempre foi explosivo, demonstrando nas derrotas sua fúria contra árbitros, rivais e torcedores, além de sofrer pela forma fria como seu pai (Ian Blackman) o tratava. 

Por mais que a longa sequência final da partida entre os dois tenistas seja bem filmada, o filme sofre por uma certa frieza neste momento.

A forma romanceada como os letreiros finais citam a vida posterior dos dois tenistas também ignora os terríveis problemas que Borg enfrentou. Três casamentos desfeitos, perda de dinheiro e tentativas de suicídio estão no currículo do sueco pós-carreira. 

É um filme que agradará principalmente aos fãs do tênis, mas que fica devendo em relação a história dos protagonistas. 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Ladrões de Bicicleta

Ladrões de Bicicleta (Ladri di Biciclette, Itália, 1948) – Nota 10
Direção – Vittorio De Sica
Elenco – Lamberto Maggiorani, Enzo Staiola, Lianella Carell.

Em Roma, Antonio (Lamberto Maggiorani) é um desempregado que consegue a chance de voltar a trabalhar. Ele é contratado para colar cartazes de propaganda pela cidade, mas precisa de uma bicicleta para fazer o serviço. A esposa Maria (Lianella Carell) leva o enxoval para ser penhorado e assim retirar do mesmo local a bicicleta que Antonio penhorou meses antes. 

A felicidade pela chance de recomeçar a vida se transforma em desespero quando sua bicicleta é roubada no primeiro dia de trabalho. Ao lado do filho Bruno (Enzo Staiola), Antonio inicia uma verdadeira saga por Roma em busca do ladrão e da bicicleta. 

Filmado em preto e branco e com a maioria das cenas nas ruas de Roma, o roteiro explora o desemprego e a crise financeira e social que a Itália enfrentava no pós-guerra. Durante a busca pela preciosa bicicleta, o protagonista e seu filho enfrentam situações típicas de uma país que sofre com a pobreza. 

Eles passam por uma feira de produtos roubados, seguem a pista do ladrão por uma igreja que obriga os miseráveis a rezarem antes de tomar sopa, entram em um bordel e até enfrentam a fúria de pessoas comuns que mentem para defender seus amigos. Com as devidas diferenças, as situações lembram muito o que ocorre em nosso país nos dias atuais. 

O diretor Vittorio De Sica entregou aqui um dos filmes mais dolorosos e realistas da história do cinema.