sábado, 31 de dezembro de 2016

Sete Homens e um Destino (1960 e 2016)


Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven. EUA, 1960) – Nota 10
Direção – John Sturges
Elenco – Yul Brynner, Steve McQueen, Eli Wallach, Charles Bronson, Robert Vaughn, James Coburn, Brad Dexter, Horst Buccholz.

Um pequeno vilarejo mexicano é atacado por uma quadrilha liderada pelo temível Calvera (Eli Wallach). Sem ter como se defender, os moradores seguem para a fronteira com os Estados Unidos para contratar pistoleiros. Eles encontram Chris Adams (Yul Brynner) e Vin Tanner (Steve McQueen), que aceitam o desafio, mesmo sabendo que os pobres fazendeiros pouco podem oferecer em troca. No caminho até o vilarejo, eles convocam outros cincos pistoleiros (Charles Bronson, Robert Vaughn, James Coburn, Brad Dexter e Horst Buchholz) para o confronto. 

Clássico absoluto do gênero, este longa é uma versão de “Os Sete Samurais”, clássico japonês de Akira Kurosawa. Além da história sobre lealdade e justiça, o filme tem vários destaques como o elenco recheado de astros, a bela fotografia, as cenas de ação e a trilha sonora marcante, que por muitos anos foi tema de uma marca de cigarros e que é reconhecida até hoje. 

Um dos pontos em que este filme se mostra superior a atual refilmagem é o vilão Calvera, interpretado com maestria e cinismo por Eli Wallach.  

Como triste informação, Robert Vaughn era o último ator do elenco principal que estava vivo. Ele faleceu há pouco mais de um mês.   

Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, EUA, 2016) – Nota 8
Direção – Antoine Fuqua
Elenco – Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio, Byung Hun Lee, Manuel Garcia Rulfo, Martin Sensmeier, Haley Bennett, Luke Grimes, Peter Sarsgaard, Matt Bomer, Cam Gigandet.

Bart Bogue (Peter Sarsgaard) é o dono de uma mina de ouro nos arredores da pequena Rose Creek. Para conseguir as terras dos pequenos fazendeiros locais, Bogue e sua quadrilha, ou melhor, quase um exército de mercenários, oferece uma miséria como pagamento. Alguns fazendeiro reagem e terminam assassinados. Para tentar manter sua terras, uma viúva (Haley Bennett) e um jovem (Luke Grimes) seguem para outra cidade em busca de ajuda. 

Eles cruzam o caminho do caçador de recompensas Chisolm (Denzel Washington), que aceita o desafio de defender os fazendeiros. Chisolm busca alguns parceiros para a missão quase impossível. Um vigarista (Chris Pratt), um assassino (Ethan Hawke), um especialista em facas (Byung Hun Lee), um fugitivo mexicano (Manuel Garcia Rulfo), um índio comanche (Martin Sensmeier) e um grandalhão (Vincent D’Onofrio). 

Eu penso que clássicos absolutos jamais deveriam ser refilmados, mas como o que vale é a busca pela bilheteria, com certeza estes remakes continuarão existindo. Neste caso fui surpreendido. O diretor Antoine Fuqua consegue recriar a história de forma divertida, explorando os clichês do gênero com inteligência e entregando ótimas cenas de ação. Até mesmo os diálogos são corretos, sem apelar para as piadinhas que muitos diretores gostam. Os personagens também são bem desenvolvidos, inclusive com as motivações pessoais para a missão. 

Vale destacar que o roteiro é assinado por Nic Pizzolatto, responsável pela sensacional série “True Detective”. 

O original ainda é superior, mas felizmente esta refilmagem também é um ótimo longa.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

JFK - A História Não Contada

JFK – A História Não Contada (Parkland, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Peter Landesman
Elenco – Paul Giamatti, James Badge Dale, Billy Bob Thornton, Ron Livingston, Marcia Gay Harden, Colin Hanks, Zac Efron, David Harbour, Jason Douglas, Tom Welling, Gil Bellows, Mark Duplass, Kat Steffens, Jackie Earle Haley, Glenn Morshower, Jeremy Strong, Rory Cochanre.

O roteiro escrito pelo diretor Peter Landesman é baseado em um livro que descreve as consequências do assassinato de John F. Kennedy para várias pessoas que estavam ao redor do ocorrido, além de situações de “bastidores”. 

Vemos o desespero dos homens do serviço secreto que fazem de tudo para salvar o presidente e o medo de que o crime fosse parte de uma ataque maior, algo que não ocorreu. A câmera segue também a tentativa da equipe médica do hospital Parkland (Colin Hanks, Zach Efron e Marcia Gay Harden) em manter Kennedy vivo. 

É mostrada também a crise que ocorre no escritório do FBI em Dallas, quando descobrem que um agente (Ron Livingston) estava investigando Lee Harvey Oswald, mas não acreditava que o sujeito pudesse ser perigoso. 

O roteiro explora ainda outras duas narrativas. A tristeza do empresário Abraham Zapruder (Paul Giamatti) por ter filmado o assassinato e a frieza de Robert Oswald (James Badge Dale), irmão de Lee Harvey, que tenta lidar com a situação da uma forma digna, mesmo sabendo que sua família seria praticamente amaldiçoada. Por sinal, a cena do funeral de Lee Harvey é de uma tristeza impar. 

A proposta do longa é extremamente interessante, deixando claro que o assassinato mexeu diretamente com a vida de muitas pessoas que foram testemunhas do ocorrido. E como é normal em todos os filmes sobre o tema, sempre fica a dúvida se Lee Harvey agiu sozinho ou ainda se ele foi realmente o assassino. 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Poder Paranormal

Poder Paranormal (Red Lights, Espanha / EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – Rodrigo Cortés
Elenco – Cillian Murphy, Sigourney Weaver, Robert De Niro, Toby Jones, Joely Richardson, Elizabeth Olsen, Craig Roberts, Leonardo Sbaraglia.

Margareth Matheson (Sigourney Weaver) é uma professora universitária especializada em desmascarar falsos paranormais. Seu braço-direito é o físico Tom Buckley (Cillian Murphy). 

Quando o famoso paranormal Simon Silver (Robert De Niro) decide voltar a se apresentar após trinta anos afastado dos holofotes, causando um enorme barulho na mídia, Buckley pressiona Margareth para juntos investigarem o sujeito, que eles acreditam ser um tremendo picareta. Margareth fica apreensiva por ter entrado em conflito com o paranormal no passado. 

Este razoável suspense com pitadas de drama apresenta uma premissa extremamente interessante. A ideia de questionar a veracidade da paranormalidade é por si só material para render um bom filme. Infelizmente o diretor espanhol Rodrigo Cortés se enrola na narrativa e na falta de explicação para algumas situações que são jogadas na tela. A reviravolta final não chega a ser uma grande surpresa, mas também não compromete, o problema está no desenvolvimento da trama. 

O intrigante personagem de Robert De Niro também poderia ser melhor trabalhado. Como comparação, o argentino Leonardo Sbaraglia é mais marcante ao interpretar um estridente e desonesto paranormal em apenas duas sequências. 

O resultado é um filme esquecível, que desperdiça uma ótima premissa.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Punhos de Aço ou Mãos de Pedra: A História Verdadeira de Roberto Durán

Punhos de Aço ou Mãos de Pedra: A História Verdadeira de Roberto Durán (Hands of Stone, Panamá / EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Jonathan Jakubowicz
Elenco – Edgar Ramirez, Robert De Niro,  Usher Raymond, Ruben Blades, Ana de Armas, Pedro Perez, John Turturro, Ellen Barkin, Jurnee Smollett Bell, Drena De Niro, Reg E. Cathey.

Roberto “Mano de Piedra” Durán (Edgar Ramirez) foi um dos maiores lutadores de boxe da história do esporte.

Polêmico, com personalidade forte e vindo de uma infância extremamente pobre, Durán se tornou um verdadeiro herói nacional no Panamá após vencer o então campeão mundial Sugar Ray Leonard (Usher Raymond). 

Este interessante longa mostra a infância do lutador durante a meia-hora inicial, para em seguida detalhar a vida de Durán até o momento da revanche com Sugar Ray. 

O roteiro explora a relação de Durán com o famoso treinador americano Ray Arcel (Robert De Niro), seu casamento com Felicidad (Ana de Armas) e um pouco de suas extravagâncias com dinheiro e bebidas. As cenas de lutas não chegam a empolgar, mas também não atrapalham a narrativa. 

O roteiro passa também rapidamente pela influência da Máfia nas lutas de boxe, fato citado em algumas sequências em que surge o personagem de John Turturro. 

Vale destacar que este período mostrado no longa vai dos anos sessenta até início dos oitenta, sendo que após os confrontos com Sugar Ray, Durán seguiu lutando até meados dos anos noventa, encerrando a carreira quando já tinha mais de quarenta anos de idade. 

É uma história de vida muito rica que necessitaria um filme bem mais longo. O resultado é um longa correto e nada mais.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

13º Distrito

13º Distrito (Brick Mansions, França / Canadá, 2014) – Nota 6
Direção – Camille Delamarre
Elenco – Paul Walker, David Belle, RZA, Gouchy Boy, Catalina Denis, Ayisha Issa, Carlo Rota, Robert Maillet, Bruce Ramsay.

Em 2018, uma região pobre e violenta de Detroit conhecida como Brick Mansions é separada da cidade por um enorme muro. O prefeito deseja demolir o local para lucrar com construções modernas. 

A situação fica complicada quando a gangue liderada por Tremaine (RZA) rouba um artefato nuclear e o ativa por acaso. Para desativar a bomba, é enviado o policial Damien Collier (Paul Walker), que deseja se vingar de Tremaine por causa da morte de seu pai. Damien termina por se unir a Lino (David Belle), que teve a namorada (Catalina Denis) sequestrada pelo traficante. 

Este acelerado e descerebrado longa de ação é uma refilmagem de uma produção francesa de 2004, que por sinal teve uma sequência em 2009. Os dois filmes e esta refilmagem tem roteiro e produção de Luc Besson. 

O ponto principal do filme são as cenas de ação recheadas de lutas e tiros e as sequências em que o ator e dublê francês David Belle mostra sua habilidade no estilo conhecido como Parkour. Ele sobe em muros, escala paredes, pula sobre carros e corre pelos telhados. O falecido Paul Walker até que se sai bem como parceiro do sujeito. 

O ideal é deixar de lado a trama, que plagia em parte a premissa do clássico “Fuga de Nova York” e se divertir com os absurdos.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Cão de Briga, O Beijo do Dragão & O Confronto


Cão de Briga (Danny the Dog, EUA/França/Inglaterra, 2005) – Nota 7
Direção – Louis Leterrier
Elenco – Jet Li, Morgan Freeman, Bob Hoskins, Kerry Condon, Vincent Regan.

Um homem chamado Danny (Jet Li) foi criado desde criança pelo mafioso Bart (Bob Hoskins) como um cão, sendo treinado para atacar toda vez que seu dono tire sua coleira. Num certo dia, após a quadrilha de Bart ser atacada por inimigos, Danny foge e consegue abrigo na casa do afinador de pianos cego Sam (Morgan Freeman), onde pela primeira vez se sentirá parte de uma família e se apaixonará pela música. Lógico que Bart sairá a sua procura e Danny terá de resolver suas contas do passado com o mafioso.

O espectador que gosta de filmes de ação terá de deixar de lado a trama absurda, para se divertir com as ótimas sequências de luta, especialidade tanto do astro Jet Li, como do diretor francês Louis Leterrier. Vale destacar ainda a presença de dois coadjuvantes de primeira, Morgan Freeman e Bob Hoskins.

O Beijo do Dragão (Kiss of the Dragon, França, 2001) – Nota 7
Direção – Chris Nahon
Elenco – Jet Li, Bridget Fonda, Tcheky Karyo, Ric Young, Max Ryan.

O governo chinês envia o agente Liu Jian (Jet Li) para França com o objetivo de prender o chefão do tráfico conhecido como Mister Big (Ric Young). Liu Jian conta com o auxílio da policia francesa, sem imaginar que seu contato, o inspetor Richard (Tcheky Karyo), planeja matar Mister Big para dominar o tráfico e a prostituição na cidade. Liu Jian se torna um entrave para Richard, principalmente após o agente conhecer a jovem prostituta Jessica (Bridget Fonda), que é obrigada a trabalhar por ter sua filha mantida em cativeiro pelo inspetor. 

Produzido e roteirizado por Luc Besson, este agitado longa de ação segue o estilo do francês misturado com a habilidade do astro chinês. Muita correria, cenas de ação e lutas com selo Jet Li de qualidade são os pontos principais. É um filme feito para divertir os fãs do gênero. A trama é apenas um detalhe.             

O Confronto (The One, EUA, 2001) – Nota 6,5
Direção – James Wong
Elenco – Jet Li, Carla Gugino, Jason Statham, Delroy Lindo, Dean Norris, Dylan Bruno.

No futuro é possível viajar por universos paralelos. Neste contexto, o policial Gabriel Yulaw (Jet Li) descobre que matando sua própria versão em outros universos, ele aumentará sua força. Antes de se tornar poderoso demais após matar mais de uma centena de versões, Gabriel é condenado a prisão perpétua. Mesmo assim, ele consegue escapar e sai a procura de sua última versão. Ao mesmo tempo, uma dupla de policiais (Delroy Lindo e Jason Statham) segue seu rastro. 

Esta ficção explora uma trama que mistura elementos de dois longas protagonizados pelo astro Jean Claude Van Damme nos anos noventa. Van Damme era um policial que viajava no tempo em "Timecop" e lutava contra ele mesmo em “Duplo Impacto”. Assim como Van Damme, aqui Jet Li enfrenta a si mesmo no clímax. O filme tem algumas boas cenas de ação, ao mesmo tempo em que o roteiro se mostra cheio de furos nas viagens pelo tempo. É uma razoável diversão passageira.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Românticos Anônimos

Românticos Anônimos (Les Émotifs Anonymes, França / Bélgica, 2010) – Nota 7
Direção – Jean Pierre Améris
Elenco – Benoit Poelvoorde, Isabelle Carré.

Angélique (Isabelle Carré) é uma jovem especialista em criar chocolates que sofre de uma enorme insegurança emocional. Ela participa de um grupo de apoio para tentar enfrentar o problema. 

Ao fazer uma entrevista em uma pequena fábrica de chocolates, a jovem é contratada pelo proprietário Jean Rene (Benoit Poelvoorde). A princípio, o sujeito se mostra sério e centrado, porém esconde também uma grande insegurança para lidar com mulheres. Os problemas emocionais da dupla geram pequenas confusões pessoais e profissionais. 

O roteiro escrito pelo diretor Améris é uma comédia de erros que brinca com a dificuldade de comunicação das pessoas. Mesmo sem se aprofundar no tema, em duas sequências rápidas vemos que parte dos problemas emocionais dos protagonistas são consequências das atitudes de seus pais. 

É um filme simples, que faz rir pelos constrangimentos causados pela insegurança da dupla. Além disso, é extremamente curto, com apenas uma hora e quinze de duração.

sábado, 24 de dezembro de 2016

O Vendedor de Passados

O Vendedor de Passados (Brasil, 2015) – Nota 6,5
Direção – Lula Buarque de Hollanda
Elenco – Lázaro Ramos, Alinne Moraes, Odilon Wagner, Mayana Neiva, Anderson Muller, Marcelo Escorel, Débora Olivieri, Ruth de Souza.

Vicente (Lázaro Ramos) é especialista em criar passados para pessoas que querem mudar as lembranças de sua vida. Utilizando fotos de desconhecidos e um programa de computador, Vicente modifica o passado do cliente de acordo com o desejo da pessoa, criando uma falsa retrospectiva de vida. 

Num certo dia, ele é procurado por uma jovem (Alinne Moraes) que deseja criar um passado totalmente novo, com apenas uma condição: Vicente deverá incluir um crime cometido por ela na história. Intrigado e atraído pela moça, Vicente aceita o trabalho sem imaginar as consequências. 

O roteiro, que é baseado em um livro, apresenta uma premissa extremamente interessante e aberta a diversas possibilidades. Na primeira parte do longa, o espectador fica curioso em saber sobre o passado verdadeiro da desconhecida e do próprio Vicente. Os problemas surgem na segunda metade, quando ocorre uma reviravolta na trama que insere também a questão da ditadura na Argentina. 

Não conheço o livro em que o filme se inspirou para saber se realmente o tema faz parte da história, mas mesmo assim, é incrível como muitos cineastas brasileiros tendem a explorar de uma forma ou de outra a questão da ditadura em seus filmes. Estes diretores parecem seguir uma agenda de esquerda para bater na cabeça do espectador a palavra ditadura, mesmo o Brasil vivendo uma democracia há pelo menos trinta anos. 

O ponto mais importante do filme é mostrar que o passado não é exato em nossas lembranças. Podemos alterar nossas lembranças para diminuir um sofrimento, aumentar uma alegria, falar que vivemos uma época perfeita no passado para confrontar com os problemas do presente, ou seja, a chamada “memória afetiva” muitas vezes é mais forte que a memória verdadeira. 

Vale destacar ainda a pequena participação da atriz Ruth Souza do alto dos seus noventa e quatro anos de idade. 

É uma pena que o longa tenha desperdiçado em parte a ótima premissa. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Aloys

Aloys (Aloys, Suiça / França, 2016) – Nota 6,5
Direção – Tobias Nolle
Elenco – Georg Friedrich, Tilde von Overbeck, Kamil Krejci, Yufei Li.

Aloys Adorn (Georg Friedrich) é um detetive particular especializado em espionar e filmar pessoas. Mesmo sendo um sujeito frio, a morte de seu pai mexe com os sentimentos de Aloys, que começa a beber. 

Após uma bebedeira, ele acorda em um ônibus e descobre que alguém roubou seu equipamento. No dia seguinte, uma voz feminina (Tilde von Overberck) entra em contato pelo telefone avisando que pegou seu material e que assistiu suas gravações. 

A princípio desesperado em recuperar o material e revoltado pelo acontecido, Aloys destrata a mulher pelo telefone, da mesma forma que age com outras pessoas que cruzam sua vida. Aos poucos, as conversas pelo telefone se repetem e resultam em uma estranha relação de cumplicidade e imaginação. 

A solidão é tema comum no cinema, o diferencial neste longa é a forma como o sentimento une duas pessoas complicadas, que por quase todo o filme se relacionam apenas pelo telefone.

As primeiras conversas criam uma certa expectativa, passando em um segundo momento para sequências alegóricas em que a imaginação dos personagens são encenadas. Desta parte em diante, o longa perde fôlego pela lentidão da narrativa e a sensação de que a história parece girar no mesmo lugar. 

O resultado é apenas mediano. A sessão vale para quem curte filmes estranhos.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Stranger Things

Stranger Things (Stranger Things, EUA, 2016)
Criadores - Matt & Ross Duffer (The Duffer Brothers)
Elenco - Winona Ryder, David Harbour, Finn Wolfhard, Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo, Caleb McLoughlin, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Noah Schnapp, Joe Keery, Cara Buono, Matthew Modine.

Hawkins, Indiana, 1983. Quatro amigos no início da adolescência se divertem com bicicletas e jogos de RPG. Numa certa noite, um acontecimento fora do comum termina com o desaparecimento de Will (Noah Schnapp).

No dia seguinte, a cidade inteira está à procura de Will, inclusive seus três amigos (Finn Wolfhard, Gaten Matarazzo e Caleb McLoughlin). Durante a busca, eles encontram uma estranha garotinha que diz se chamar Eleven (Millie Bobby Brown) e que fugiu de uma instalação militar próxima à cidade, local onde ela estava presa e era usada como cobaia em experimentos secretos.

O sucesso desta série é consequência de dois pilares fundamentais: a simpatia e a espontaneidade do elenco infantil, que entrega atuações de dar inveja a atores veteranos e o número enorme de citações aos anos oitenta, que incluem cinema, música e cultura pop.

O roteiro escrito pelos Duffer Brothers explora estas referências de uma forma que se casam perfeitamente com a trama. Elas começam pela música tema e os créditos iniciais, que na hora lembram as trilhas criadas pelo diretor John Carpenter e também pelo grupo alemão Tangerine Dream. As letras grandes e coloridas são típicas dos filmes de ficção dos anos oitenta.

Para quem viveu a época ou conhece o cinema dos anos oitenta, vai lembrar de filmes como "E.T.", "Conta Comigo", "Os Goonies", "Chamas da Vingança" e até mesmo obras como "Rambo" e "O Enigma do Outro Mundo", este último sendo assistido na tv por um personagem e também em um cartaz colado na parede do quarto de outro personagem.

Tudo isso ganha pontos com o bom ritmo da narrativa, a história muito bem amarrada e os bons coadjuvantes, com destaque para Winona Ryder como a mãe do garoto desaparecido. Sua atuação lhe valeu uma indicação ao Globo de Ouro.

Outros personagens importantes são o policial interpretado por David Harbour e o sinistro cientista vivido por Matthew Modine. Vale citar ainda o triângulo amoroso entre uma adolescente (Natalia Dyer), o irmão de Will (Charlie Heaton) e o garoto rico da cidade (Joe Keery).

Como é esperado em séries de sucesso, a segunda temporada já está prevista para ser lançado em meados de 2017.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Dentro do Labirinto Cinzento

Dentro do Labirinto Cinzento (Into the Grizzly Maze, EUA / Canadá, 2015) – Nota 5,5
Direção – David Hackl
Elenco – James Marsden, Thomas Jane, Piper Perabo, Michaela MacManus, Scott Glenn, Billy Bob Thornton, Adam Beach, Kelly Curran.

Após sair da prisão, Rowan (James Marsden) volta para sua terra natal. Em uma pequena cidade do Alasca, ele reencontra seu irmão Beckett  (Thomas Jane), que é policial. 

Ao mesmo tempo, um urso feroz começa a atacar caçadores e visitantes da floresta que fica ao redor da cidade. A notícia se espalha e faz com que os irmãos se unam para procurar a esposa de Beckett (Piper Perabo), que é ativista ecológica e que está trabalhando na floresta. 

É uma pena que as belíssimas locações no Alasca tenham sido desperdiçadas em um roteiro repleto de clichês e cenas de ação com efeitos especiais precários. As sequências de ataque do urso variam de assustadoras a patéticas. A sequência final na beira do lago é outro exemplo da falta de talento do diretor. 

O único destaque do elenco é o estranho caçador vivido por Billy Bob Thornton. O restante vale apenas pelas locações. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Assassinato Sob Duas Bandeiras & Entre o Dever e a Amizade


Assassinato Sob Duas Bandeiras (A Show of Force, EUA, 1990) – Nota 5
Direção – Bruno Barreto
Elenco – Amy Irving, Andy Garcia, Lou Diamond Phillips, Robert Duvall, Kevin Spacey, Erik Estrada, Juan Fernandez, Lupe Ontiveros.

Por muitos anos, Bruno Barreto foi o grande recordista de público da história do cinema brasileiro com “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. O filme o transformou em grande cineasta para crítica e público, porém analisando sua carreira com uma boa vontade, ela pode ser considerada no máximo mediana, nada mais que isso. Isso fica claro nos fracos trabalhos filmados nos Estados Unidos, mercado que ele conseguiu entrar também por se casar com a atriz Amy Irving, que por sinal protagonizou este longa. 

O filme é baseado livremente numa história real e se passa em Porto Rico no ano de 1978. No dia em que o país comemorava o aniversário da constituição, dois ativistas a favor da independência são mortos por policiais como se fossem terroristas. Um terceiro membro do grupo (Lou Diamond Phillips) sobrevive por ser um espião do governo. A história mal contada é investigada pela repórter Kate Melendez (Amy Irving), que aos poucos descobre uma conspiração acobertada pelo governo e com participação do FBI. 

Por mais que a premissa seja promissora, o desenvolvimento é constrangedor. O uso de flashbacks em vários momentos para explicar o que realmente ocorreu durante o crime é quase amador. A interpretação de Amy Irving é muito fraca, em momento algum ela convence como repórter investigativa. Para piorar, bons atores como Andy Garcia, Robert Duvall e Kevin Spacey são muito mal aproveitados. 

Como curiosidade, um dos produtores deste filme é o veterano Raymond Chow, dono da Golden Harvest, empresa de Hong Kong especializada em filmes de Kung Fu e que foi responsável por lançar mundialmente os trabalhos de Bruce Lee e de Jackie Chan no início de carreira.

Entre o Dever e a Amizade (One Tough Cop, EUA, 1998) -  Nota 5,5
Direção – Bruno Barreto
Elenco – Stephen Baldwin, Chris Penn, Gina Gershon, Michael McGlone, Paul Guilfoyle, Paul Calderon, Luis Guzman, Amy Irving, Michael Rispoli.

Bo Dietl (Stephen Baldwin) é um policial que cresceu em meio a bandidos em um bairro pobre de Nova York. Enquanto ele seguiu a carreira de policial, seu melhor amigo Richie (Michael McGlone) se juntou a Máfia. 

Quando uma freira é encontrada estuprada e morta, Bo e seu parceiro Duke (o falecido Chris Penn) ficam encarregados da investigação. Logo, Bo precisará decidir entre manter a lealdade ao amigo mafioso ou seguir a lei. 

Esta foi mais uma tentativa frustrada de Bruno Barreto emplacar um sucesso americano. A interessante trama baseada em um livro autobiográfico do ex-policial Bo Dietl é desperdiçada no uso excessivo de clichês dos filmes policiais e na fracas interpretações do elenco cheio de canastrões. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Sentença de Morte

Sentença de Morte (Death Sentence, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – James Wan
Elenco – Kevin Bacon, Garrett Hedlund, Kelly Preston, Aisha Tyler, John Goodman, Matt O’Leary, Jordan Garrett, Edi Gathegi, Leigh Whannell.

Ao voltar para casa após uma partida de hóquei do filho, Nick Hume (Kevin Bacon) estaciona em um posto de gasolina para abastecer. Enquanto isso, o filho entra na loja de conveniência, que em seguida é atacada por alguns assaltantes que terminam assassinando o garoto. Nick ainda entra em luta com o assassino, que consegue escapar. 

Pouco tempo depois o jovem é preso, mas antes do julgamento é libertado por falta de provas e por Nick não aceitar um acordo oferecido pelo promotor ao assassino. Nick decide fazer justiça com as próprias mãos, dando início a uma guerra contra a quadrilha. 

Este é mais um longa que explora a premissa do clássico “Desejo de Matar”, com um sujeito normal que se transforma em justiceiro. O bom ritmo imposto pelo diretor malaio James Wan é um dos pontos positivos, ao lado das cenas de ação. Duas se destacam, a correria dentro do estacionamento e a sequência final de tiroteio. 

Wan tentou aqui mudar um pouco o foco de sua carreira, deixando de lado os filmes de terror e suspense que são sua especialidade. Infelizmente o longa perde pontos pelos furos no roteiro. Algumas escolhas são absurdas, como a fuga do hospital. 

Kevin Bacon não compromete, por outro lado, os coadjuvantes são fracos, com exceção da pequena participação de John Goodman como um traficante de armas. 

É um violento filme policial que prende a atenção apesar dos defeitos.

domingo, 18 de dezembro de 2016

American Crime 1º e 2º Temporadas


American Crime – 1º Temporada (American Crime, EUA, 2015) – Nota 8
Criador – John Ridley
Elenco – Felicity Huffman, Timothy Hutton, Lili Taylor, Elvis Nolasco, Regina King, Richard Cabral, Benito Martinez, Caitlin Gerard, W. Earl Brown, Penelope Ann Miller, Johnny Ortiz, David Hoflin.

Esta interessante série policial segue o estilo atual de temporadas com poucos episódios (onze na primeira e dez na segunda) e histórias fechadas. O diferencial aqui está em utilizar praticamente o mesmo elenco nas duas temporadas, lógico que sendo histórias sem ligação alguma, cada ator e atriz interpretam personagens diferentes em cada temporada. 

A premissa da primeiro temporada é o violento ataque a um casal aparentemente perfeito dentro de sua residência na cidade de Modesto na Califórnia O homem que acaba assassinado era um ex-militar e sua esposa entra em coma após ser espancada e estuprada. Quatro pessoas são detidas como suspeitos. Um imigrante ilegal mexicano (Richard Cabral), um jovem filho de um mecânico (Johnny Ortiz) e um casal de viciados em drogas (Elvis Nolasco e Caitlin Gerard). 

Enquanto a polícia e a promotoria investigam o caso, os familiares das vítimas sofrem com a situação e com seus próprios conflitos. Barb (Felicity Huffman) é a mãe do rapaz que faleceu e que se mostra rancorosa e frustrada com seu ex-marido Russ (Timothy Hutton), um fracassado que tenta colocar a vida em ordem. Os pais da mulher (W. Earl Brown e Penelope Ann Miller) preferem cuidar da filha do que se envolver no processo. 

A grande sacada do roteiro é jogar pessoas comuns em meio a um crime bárbaro e fazer com que as consequências sejam duras para todos os envolvidos. Durante o processo, segredos vem à tona, ressentimentos são revelados e as pequenas falhas de caráter de cada personagem são potencializadas. 

Outro ponto interessante é mostrar como uma situação extrema é explorada por grupos e pessoas com uma agenda própria. Grupos de defesas raciais, advogados ambiciosos, consequências políticas para as autoridades e até uma antiga vítima (Lili Taylor) em busca de justiça transformam o caso em um verdadeiro circo. 

American Crime – 2º Temporada (American Crime, EUA, 2016) – Nota 8
Criador – John Ridley
Elenco – Felicity Huffman, Timothy Hutton, Lili Taylor, Elvis Nolasco, Regina King, Connor Jessup, Richard Cabral, Andre Benjamin, Hope Davis, Taylor Jackson, Joe Pollari, Angelique Rivera, Benito Martinez.

A segunda temporada tem uma alegação de estupro como ponto de partida. O adolescente Taylor (Connor Jessup) recebe fotos suas em que aparecesse totalmente bêbado e com as calças arriadas durante uma festa do time de basquete de uma escola particular de elite. Confuso, Taylor termina confessando para sua mãe (Lili Taylor), que inicia uma saga em busca de justiça. Assim que as alegações da mãe chegam à polícia, a direção do colégio e as famílias de alguns alunos tentam defender cada um seu lado, sem se importar com as consequências para terceiros. 

Neste turbilhão de acusações, temos a manipuladora diretora da escola (Felicity Huffman), o técnico do time de basquete e sua esposa (Timothy Hutton e Hope Davis), um casal arrogante (Andre Benjamin e Regina King), além de vários garotos que jogam na equipe. Durante a temporada, ainda surgem um hacker metido a justiceiro virtual (Richard Cabral) e um diretor de escola pública (Elvis Nolasco) que será engolido pelo sistema. 

Assim como na primeira temporada, a investigação da polícia e as atitudes dos envolvidos resultam em consequências que fogem do controle. O roteiro toca em temas polêmicos como homossexualismo adolescente, racismo, preconceito, drogas, bullying real e virtual, divórcio e relações complicadas entre pais e filhos, não deixando pedra sobre pedra ao mostrar que basicamente o ser humano é egoísta, ele sempre tentará defender os seus pares e seus interesses acima de tudo.

Agora é esperar a terceira temporada.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Confissão de Assassinato

Confissão de Assassinato (Nae-ga sal-in-beom-i-da ou Confession of Murder, Coreia do Sul, 2012) – Nota 8
Direção – Byeong Gil Jeong
Elenco – Jae Yeong Jeong, Shi Hoo Park, Eun Ji Lo, Yeong Ae Kim.

Inverno de 1990. O detetive Choi (Jae Yeong Jeong) persegue um serial killer responsável pelo assassinato de dez mulheres. Choi é ferido pelo assassino, que usa uma máscara e que poupa sua vida. 

Inverno de 2007. Choi ainda sofre por não ter conseguido prender o criminoso, que desapareceu após o confronto. Para sua surpresa, um sujeito (Shi Hoo Park) lança um livro contando todos os detalhes dos crimes, confessando ser o assassino. Como se passaram dezessete anos, os crimes prescreveram. O livro se torna um sucesso, porém Choi acredita que o homem seja um impostor. Além disso, um grupo de familiares das vítimas planeja vingança. 

Nos últimos quinze anos, o cinema sul-coreano foi o que mais cresceu em qualidade no mundo, especialmente em dramas policiais, filmes de ação e de suspense com toques de terror. 

Este “Confissão de Assassinato” explora uma história absurda através de um roteiro muito bem amarrado e com várias cenas de ação eletrizantes. A sequência inicial de perseguição que começa em um bar e segue por telhados, escadas e becos é sensacional. Outra sequência de perseguição em um autoestrada não fica nada a dever aos blockbusters americanos, com um detalhe, são cenas com dublês sem utilização de CGI. Vale destacar ainda a reviravolta na trama pouco antes do clímax. 

Para quem curte o gênero, este é uma ótima opção.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O Virgem de 40 Anos & Bem-Vindo aos 40


O Virgem de 40 Anos (The 40 Year Old Virgin, EUA, 2005) – Nota 7,5
Direção – Judd Apatow
Elenco – Steve Carell, Catherine Keener, Paul Rudd, Romany Malco, Seth Rogen, Elizabeth Banks, Leslie Mann, Jane Lynch, Jonah Hill.

Andy (Steve Carell) é um solteiro que mora sozinho e que trabalha em uma loja de eletrônicos. Ao ser chamado pelos colegas de trabalho para jogar pôquer, apenas porque faltava uma pessoa, Andy a princípio se diverte, mas se torna motivo de piadas quando é obrigado a confessar que ainda é virgem apesar de ter quarenta anos. 

A partir daí, o trio de colegas (Paul Rudd, Seth Rogen e Romany Malco) tenta ajudar o novo amigo a perder a virgindade, cada um oferecendo conselhos dos mais diversos, que resultam em encontros malucos do protagonista, até que ele se sente atraído pela dona de uma loja vizinha (Catherine Keener). 

Quando este longa foi lançado, o diretor Judd Apatow era conhecido como o produtor da série “Freeks and Geeks”, que teve apenas uma temporada, mas que se tornou cultuada. Esta estreia de Apatow no cinema resultou em um grande sucesso de bilheteria e transformou o quase desconhecido Steve Carell em astro. 

As piadas politicamente incorretas sobre sexo e relacionamentos rendem muitas risadas. Algumas sequências como os encontros expressos no horário do almoço, o acesso de ódio de Catherine Keener ao telefone e o apetite sexual de Elizabeth Banks são exemplos. Tudo isso é valorizado pela interpretação de Steve Carell como o protagonista tímido e quase ingênuo. O sucesso também alavancou a carreira de Apatow, hoje considerado um dos grandes diretores de comédias.  

Bem-Vindo aos 40 (This Is 40, EUA, 2012) – Nota 7
Direção – Judd Apatow
Elenco – Paul Rudd, Leslie Mann, Albert Brooks, Maude Apatow, Iris Apatow, John Lithgow, Jason Segel, Megan Fox, Chris O’Dowd, Annie Mumolo, Robert Smigel, Charlyne Yi, Graham Parker, Lisa Darr, Melissa McCarthy.

O casal Pete (Paul Rudd) e Debbie (Leslie Mann) apareceu pela primeira vez em outro filme de Judd Apatow. No divertido “Ligeiramento Grávidos” eles eram coadjuvantes, porém por serem marcantes, ganharam seu próprio filme. 

A história começa no dia em Debbie completa 40 anos de idade e não aceita a situação. A partir daí, o roteiro explora a vida do casal que está junto há muitos anos e que precisa enfrentar os problemas do dia a dia, como questões financeiras, educação das filhas, pais complicados, entre outras situações. 

Não espere uma comédia bobinha, o estilo de Judd Apatow é o politicamente incorreto total. Prepare-se para palavrões, piadas escatológicas sobre exames médicos, sobre sexo e discussões das mais variadas, além da sensualidade de Megan Fox como a funcionária gostosa da loja de roupas de Debbie. 

Para quem não se importar com isso e estiver na mesma faixa etária dos protagonistas ou em algum relacionamento longo, com certeza vai entender as discussões entre o casal e se divertir com as situações patéticas.

Além dos protagonistas, vale destacar Albert Brooks como o pai que vive às custas de Pete e a pequena e hilária participação de Melissa McCarthy. 

Acredito que muito do roteiro escrito por Apatow seja autobiográfico, pois na vida real ele é casado com a atriz Leslie Mann e pai de Maude e Iris Apatow, que interpretam as filhas do casal principal, de modo convincente por sinal. 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O Contador

O Contador (The Accountant, EUA, 2016) – Nota 8
Direção – Gavin O’Connor
Elenco – Ben Affleck, Anna Kendrick, J. K. Simmons, Jon Bernthal, Jeffrey Tambor, Cynthia Addai Robinson, John Lithgow, Jean Smart.

Christian Wolff (Ben Affleck) é um contador independente especializado em analisar empresas que controlam negócios ilegais. Sua habilidade fora do comum em decorar números e fazer cálculos é consequência de um tipo de autismo que ele sofre desde criança. 

Seu trabalho termina por chamar a atenção de um agente do governo (J. K. Simmons) que deseja descobrir a verdadeira identidade do contador. Ao mesmo tempo, Wolff aceita a proposta para auditar uma empresa aparentemente normal, que o contrata após uma estagiária (Anna Kendrick) descobrir uma enorme diferença de valores na contabilidade. Um detalhe, como fora criado pelo pai que era militar, Wolff aprendeu a se defender através da luta e também se tornou hábil no manuseio de armas. 

É muito legal quando uma premissa absurda se transforma num bom filme. Escalar um protagonista autista em um filme de ação com uma trama complexa seria premissa de comédia, mas surpreendentemente resultou em um longa que pode até se tornar uma franquia. 

O roteiro acerta ao detalhar a vida do protagonista através de flashbacks que se encaixam perfeitamente na trama, amarrando inclusive a surpresa no clímax. Por sinal, as cenas de ação são outro ponto alto. 

Finalizando, por incrível que pareça, até mesmo Ben Affleck tem uma boa atuação. Ele está contido e sua falta de expressão é ideal para o papel do sujeito que não consegue demonstrar emoções e tem dificuldades para se socializar. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O Melhor Lance

O Melhor Lance (La Migliore Oferta, Itália, 2013) – Nota 7,5
Direção – Giuseppe Tornatore
Elenco – Geoffrey Rush, Jim Sturgess, Sylvia Hoeks, Donald Sutherland, Philip Jackson, Dermot Crawley.

Virgil Oldman (Geoffrey Rush) é um leiloeiro especializado em obras de arte e antiguidades. Ao mesmo tempo em que é respeitado pela elite que participa de seus leilões, Oldman esconde um acervo particular adquirido com ajuda de um comprador picareta (Donald Sutherland). 

Solitário e metódico, a vida de Oldman começa a se complicar quando ele é procurado por uma jovem chamada Claire Ibbetson (Sylvia Hoeks), que deseja leiloar os móveis e os quadros que estão abandonados na mansão da família após a morte de seus pais. 

O problema é que Claire diz sofrer de uma doença que a impede de encarar as pessoas. A misteriosa jovem desperta sentimentos em Oldman, que para conquistá-la pede ajuda a um amigo (Jim Sturgess), dono de uma loja onde restaura traquitanas antigas, como relógios por exemplo. 

O diretor Giuseppe Tornatore, de “Cinema Paradiso”, entrega uma belíssimo filme na parte técnica. As obras de arte, a mansão repleta de antiguidades e até mesmo os cenários nas ruas são extremamente detalhistas. 

A interpretação de Geoffrey Rush é outro destaque. Seu interesse pela jovem faz com que ele perca o controle de sua vida, algo inimaginável para o personagem apresentado no início do longa. Por outro lado, o cinéfilo mais atento conseguirá matar a charada da trama lá pela metade do filme. 

É um filme interessante que prende a atenção. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Ricki and the Flash: De Volta Para Casa

Ricki and the Flash: De Volta Para Casa (Ricky and the Flash, EUA, 2015) – Nota 6,5
Direção – Jonathan Demme
Elenco – Meryl Streep, Kevin Kline, Mamie Gummer, Rick Springfield, Sebastian Stan, Nick Westrate, Hailey Gates, Audra McDonald.

Muitos anos após ter abandonado o marido Pete (Kevin Kline) e três filhos pequenos para seguir a carreira de cantora em uma banda de rock, Ricki (Meryl Streep) é obrigada a visitá-los quando a filha Julie (Mamie Gummer) entra em depressão por causa de um divórcio. 

Levando uma vida simples entre o trabalho como caixa de supermercado durante o dia e as apresentações que faz em um pequeno bar noturno, Ricki se surpreende ao encontrar o ex-marido morando em uma mansão. Ela tentará recriar um laço com a filha e com os dois filhos, sendo que um está prestes a se casar. 

Desde “Filadélfia” de 1993 que o diretor Jonathan Demme não entrega um grande filme. Neste vinte anos, ele comandou mais documentários sobre música do que filmes. Talvez o único razoável destaque neste meio tempo seja a refilmagem de “Sob o Domínio do Mal”. 

Por curiosidade, neste “Ricki and the Flash” o grande destaque é a trilha sonora, com várias músicas sendo cantadas por Meryl Streep ao lado de uma banda fictícia, porém formada por músicos profissionais, inclusive com a atriz fazendo par romântico com o roqueiro australiano Rick Springfield. 

O roteiro escrito por Diablo Cody, famosa por “Juno”, é repleto de clichês explorados em filmes familiares. 

Vale citar que a atriz Mamie Gummer é filha de Meryl Streep na vida real. 

O filme é uma simples sessão da tarde, que agrada um pouco mais por causa das músicas. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Bem-Vindo à Casa das Bonecas

Bem-Vindo à Casa das Bonecas (Welcome to the Dollhouse, EUA, 1995) – Nota 7,5
Direção – Todd Solondz
Elenco – Heather Matarazzo, Brendan Sexton Jr., Mathew Faber, Angela Pietropinto, Bill Buell, Daria Kalinina.

Em um subúrbio de New Jersey, Dawn (Heather Matarazzo) é uma garota de treze anos discriminada pelas colegas de escola por fugir dos padrões de beleza. Ela também é perseguida por um garoto rebelde (Brendan Sexton Jr.). 

Sua vida infernal é completada em casa. O irmão nerd (Matthew Faber) é o único que ainda lhe dá atenção, enquanto seus pais a tratam com desprezo. O pai é um bobalhão e a mãe tem olhos apenas para a irmã caçula (Daria Kalinina). Tudo fica ainda mais complicado quando Dawn se apaixona por um garoto mais velho. 

O diretor Todd Solondz chamou a atenção da crítica com este retrato cruel da adolescência. Mesmo sem ser tão contundente como em seus filmes posteriores “Felicidade” e “Histórias Proibidas”, Solondz desmistifica a ideia de que as pessoas são boas. Na cabeça do diretor, a crueldade é algo natural para a maioria das pessoas, mesmo que muitas vezes elas nem percebam as consequências de suas atitudes. 

O roteiro vai além da questão do bullying, explora também a falta de sensibilidade dos adultos dentro da escola e na própria família. As respostas das crianças e dos adolescentes ao bullying podem variar de timidez, perseguição as crianças menores e até atos extremos. 

O força do filme também está na sensível interpretação de Heather Matarazzo, que apresenta uma síntese de todas as reações de uma criança que é maltratada. 

Finalizando, Todd Solondz é natural de New Jersey e com certeza na adolescência sofreu de forma semelhante a personagem principal.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Sem Defesa & O Engano


Sem Defesa (Defenseless, EUA, 1991) – Nota 6
Direção – Martin Campbell
Elenco – Barbara Hershey, Sam Shepard, Mary Beth Hurt, J. T. Walsh, Kelly Overbey, Jay O. Sanders, John Kapelos, Sheree North, Randy Brooks.

Thelma “T. K.” Knudsen (Barbara Hershey) é uma advogada contratada para defender o empresário Steve Seldes (J. T. Walsh) da acusação de produzir filmes pornográficos com menores de idade. Vulnerável por causa de um divórcio recente, T. K. se envolve com o acusado, sem saber que ele é casado com sua antiga amiga Ellie (Mary Beth Hurt). Para complicar ainda mais o caso, Steve é assassinado e Ellie se torna a principal suspeita. T. K. decide então defender a amiga da acusação. 

O roteiro explora o tema clássico da protagonista que se torna um peão em meio a uma trama onde todos escondem segredos. A falta de suspense e a narrativa fria resultam em um filme que parece produção para a tv. 

O Engano (Deceived, EUA, 1991) – Nota 6
Direção – Damian Harris
Elenco – Goldie Hawn, John Heard, Ashley Peldon, Robin Bartlett, Jan Rubes, Tom Irwin, Kate Reid.

A vida da dona de casa Adrienne (Goldie Hawn) vira um inferno após a morte do marido Jack (John Heard) em um acidente de automóvel. Ao tentar seguir em frente ao lado da filha (Ashley Peldon), Adrienne descobre segredos comprometedores do marido e passa a acreditar que sua própria vida e de sua filha possam estar em perigo. 

Na época em foi produzido este suspense totalmente previsível, a atriz Goldie Hawn ainda estava em uma boa fase da carreira, principalmente pelo sucesso de “Alta Tensão” que protagonizou ao lado de Mel Gibson no ano anterior. Infelizmente, apenas isso não foi suficiente para salvar este “O Engano” do fracasso. 

sábado, 10 de dezembro de 2016

Cavaleiro de Copas

Cavaleiro de Copas (Knight of Cups, EUA, 2015) – Nota 5,5
Direção – Terrence Malick
Elenco – Christian Bale, Cate Blanchett, Natalie Portman, Brian Dennehy, Antonio Banderas, Freida Pinto, Wes Bentley, Isabel Lucas, Teresa Palmer, Imogen Poots, Armin Mueller Stahl, Cherry Jones.

Assistir a um filme de Terrence Malick é semelhante a discutir sobre a vida com um sujeito que tomou ayahuasca. É uma verdadeira viagem ao nada. 

Nos anos setenta, o diretor se tornou cult com dois filmes marcantes: “Terra de Ninguém” e “Cinzas no Paraíso”. Após ficar vinte anos afastado do cinema, Malick ressurgiu no cultuado “Além da Linha Vermelha”. 

A partir daí, seus trabalhos se mostraram cada vez mais complexos e simbólicos. São filmes quase sensoriais, em que personagens vagam pela tela e o espectador praticamente sente o sol, o vento, o frio e o cheiro através de belas imagens. Em todos, o espectador precisa ter paciência. 

Neste “Cavaleiro de Copas” minha paciência foi curta. O filme segue a vida de um roteirista de cinema (Christian Bale) que divide seu tempo entre festas, viagens e relacionamentos com belas atrizes de Hollywood, ao mesmo tempo em que se mostra um sujeito apático e vazio. 

Por mais que vários críticos façam análises filosóficas e aparentemente profundas sobre o longa, na verdade a obra se resume a uma coletânea de belas imagens que despertam sono no espectador. 

O citado “Além da Linha Vermelha” e o posterior “Árvore da Vida” eram filmes longos e pretensiosos, mas ao mesmo tempo apresentavam histórias e personagens interessantes, diferente deste cansativo “Cavaleiro de Copas”.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Sem Lei e Sem Alma & Paixão dos Fortes


Sem Lei e Sem Alma (Gunfight at the O.K. Corral, EUA, 1957) – Nota 7,5
Direção – John Sturges
Elenco – Burt Lancaster, Kirk Douglas, Rhonda Fleming, Jo Van Fleet, John Ireland, Earl Holliman, DeForest Kelley, Dennis Hopper, Ted De Corsia, Deforest Kelley, Martin Millner.

Hoje, o grande astro Kirk Douglas completa cem anos de idade. Como uma pequena homenagem, comento este western protagonizado por ele ao lado de outro monstro sagrado do cinema, Burt Lancaster. Eles trabalharam juntos em sete filmes. 

O longa é baseado na famosa história do tiroteio entre as famílias Earp e Clanton no Curral OK na cidade Tombstone. Tudo começa quando o Wyatt Earp (Burt Lancaster), que é xerife de Dodge City, volta para a cidade de Tombstone para ajudar os irmãos que enfrentam a violenta quadrilha dos Clantons. Após dois irmãos de Wyatt serem assassinados, ele se junta ao jogador beberrão Doc Hollyday (Kirk Douglas). São vários pequenos conflitos até o esperado confronto final.

Paixão dos Fortes (My Darling Clementine, EUA, 1946) – Nota 8
Direção – John Ford
Elenco – Henry Fonda, Victor Mature, Walter Brennan, Linda Darnell, Tim Holt, Ward Bond, John Ireland.

Este clássico de John Ford é baseado na mesma história da versão de John Sturgess em 1957, porém com algumas diferenças. Aqui, Wyatt Earp (Henry Fonda) é um fazendeiro que após ter um irmão assassinado pela família Clanton, aceita se tornar xerife de Tombstone para enfrentá-los. Com ajuda do jogador Doc Hollyday (Victor Mature) e de seus outros dois irmãos, Wyatt se prepara para o confronto com os inimigos. 

Vale destacar que é um filme em preto e branco e que imortalizou a famosa canção “My Darling Clementine” que dá título ao longa.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Sully: O Herói do Rio Hudson

Sully: O Herói do Rio Hudson (Sully, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Clint Eastwood
Elenco – Tom Hanks, Aaron Eckhart, Laura Linney, Mike O’Malley, Anna Gunn, Jamey Sheridan, Holt McCallany, Chris Bauer, Ann Cuscak, Molly Hagan, Jane Gabbert.

Em 15 de janeiro de 2009, o comandante Chesley “Sully” Sullenberger (Tom Hanks) realiza um pouso de emergência no Rio Hudson em Nova York poucos minutos após decolar. Todos os passageiros se salvam e Sully se transforma em herói nacional. 

O longa detalha o processo burocrático da análise do acidente e como Sully foi obrigado a se defender para provar que fez a escolha certa em um momento crítico. 

A história é mais interessante do que filme, que se mostra morno, faltando tensão até mesmo na cena do acidente. 

Além da história, outro ponto positivo é a discussão sobre a capacidade do homem em relação a máquina. O roteiro tenta mostrar que por mais avançada que seja a tecnologia, a decisão humana sempre terá um peso enorme. 

O resultado é um drama correto, mas que será logo esquecido. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Depois do Casamento

Depois do Casamento (Efter Brylluppet, Dinamarca / Suécia / Inglaterra / Noruega, 2006) – Nota 8
Direção – Susanne Bier
Elenco – Mads Mikkelsen, Rolf Lassgard, Sidse Babett Knudsen, Stine Fischer Christensen, Christian Tafdrup.

Jacob (Mads Mikkelsen) é um dinamarquês que vive na Índia e administra um projeto social que cuida de órfãos. A falta de dinheiro para manter as crianças com uma vida digna, obriga Jacob a voltar para Dinamarca para encontrar um empresário que deseja conhecê-lo antes de fazer uma doação. 

Ao ser recebido por Jorgen (Rolf Lassgard), ele fica desconfiado pela falta de interesse do homem em conhecer o projeto. Antes de decidir sobre a doação, Jorgen convida Jacob para festa de casamento da filha. Precisando do dinheiro, Jacob aceita o convite sem imaginar que enfrentará uma enorme surpresa que mudará sua vida. 

O roteiro escrito pela diretora Susanne Bier detalha uma inusitada crise familiar através de pequenas surpresas que envolvem a esposa de Jorgen (Sidse Babett Knudsen), a filha do casal (Stine Fischer Christensen) e o genro (Christian Tafdrup). A opulência da festa de casamento e da casa de Jorgen escondem segredos dolorosos. O roteiro foca também nas escolhas pessoais e suas consequências. 

Os destaques do elenco ficam para a dupla principal. Mads Mikkelsen e Rolf Lassgard criam personagens fortes, com o segundo protagonizando pelo menos duas ótimas cenas dramáticas. 

Além do sucesso cult deste filme, Mikkelsen ficaria conhecido mundialmente no mesmo ano por interpretar o vilão de “007 – Cassino Royale”.         

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O Filho de Saul

O Filho de Saul (Saul Fia, Hungria, 2015) – Nota 8
Direção – László Nemes
Elenco – Géza Rohrig, Levente Molnar, Urs Rechn, Todd Charmont.

No campo de concentração de Auschwtiz, Saul Auslander (Géza Rohrig) é um prisioneiro húngaro de origem judaica que faz parte de um grupo chamado Sonderkommando. 

O grupo é formado por prisioneiros que trabalham para os nazistas limpando o crematório e a câmara de gás. É uma espécie de elite de presos que sobrevive graças a este sinistro trabalho. 

Após uma “sessão” de assassinato coletivo na câmara de gás, Saul percebe que um garoto sobreviveu, porém em seguida, o menino é morto por um médico nazista. Criando um laço imaginário, Saul acredita que o jovem é seu filho e por isso inicia uma louca busca por um rabino e por um local para enterrar o garoto. Ao mesmo tempo, seus companheiros do Sonderkommando preparam uma rebelião. 

Indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro, esta produção húngara é um daqueles longas que chamam a atenção por incomodar o espectador mostrando o Holocausto de forma crua. A câmera do diretor acompanha o protagonista em primeiro plano por todo o filme, muitas vezes focando de costas, de lado ou mostrando a sua visão dos acontecimentos, sempre de uma forma fechada, deixando os outros personagens e o espaço do campo de concentração como meros coadjuvantes. 

Em vários momentos o protagonista é praticamente jogado no meio da ação em sequências que são tensas e cruéis, como as cenas dos fuzilamentos nas valetas. A câmera na mão e os enquadramentos fechados criam uma sensação de angústia ainda maior para o espectador, o colocando praticamente como participante do horror naquele local. 

É mais um filme indicado para o cinéfilo que gosta de obras que fogem do lugar comum.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A Qualquer Custo

A Qualquer Custo (Hell or High Water, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – David Mackenzie
Elenco – Jeff Bridges, Chris Pine, Ben Foster, Gil Birmingham.

Os irmãos Tanner (Ben Foster) e Toby (Chris Pine) assaltam duas agências bancárias situadas em pequenas cidades do Texas. Eles precisam conseguir dinheiro para quitar uma dívida bancária e assim não perder a fazenda herdada dos pais. Toby também deseja pagar a pensão dos filhos adolescentes. 

Os assaltos chamam a atenção de um veterano Texas Ranger prestes a se aposentar. Marcus Hamilton (Jeff Bridges) e seu parceiro Alberto (Gil Birmingham) seguem o rastro da dupla entre o Texas e Oklahoma. 

Esqueça os filmes de perseguição policial agitados, a proposta aqui é mostrar um pouco do estilo de vida simples e duro das pessoas pobres que vivem em cidades pequenas do oeste americano, com pitadas de crítica social e personagens que tentam mudar a situação à força. 

O desenrolar da trama explica o porquê da atitude extrema dos irmãos. Pobreza, família desestruturada e a exploração dos bancos são os ingredientes. Duas sequências explicam o ódio da população da região em relação aos bancos, principalmente os pequenos fazendeiros. 

No início, vemos uma pichação em um muro com os dizeres: “fiz três turnos no Iraque e agora o banco se nega a renegociar minha hipoteca”. Mais a frente, após um assalto dos irmãos, uma testemunha dentro de uma lanchonete diz: “vi os ladrões que me roubam há trinta anos serem assaltados hoje”. 

O elenco também é destaque. Ben Foster interpreta novamente um personagem marginal, enquanto Chris Pine é o cérebro por trás dos assaltos. O destaque maior fica para Jeff Briges como o policial texano clássico, daqueles que não tem papas na língua e que dá um bico no politicamente correto a cada diálogo. É mais uma grande atuação do veterano astro.   

domingo, 4 de dezembro de 2016

Passos na Noite

Passos na Noite (Where the Sidewalk Ends, EUA, 1950) – Nota 7,5
Direção – Otto Preminger
Elenco – Dana Andrews, Gene Tierney, Gary Merrill, Bert Freed, Tom Tully, Karl Marlden, Ruth Donnelly, Craig Stevens, Neville Brand.

O detetive Mark Dixon (Dana Andrews) é um sujeito durão mal visto por seu chefe por exagerar na forma como aborda os suspeitos. 

Quando um sujeito é assassinado em uma jogatina clandestina comandada por seu desafeto Tommy Scalise (Gary Merrill), Dixon acredita que enfim poderá prendê-lo. Ao pressionar uma testemunha, ocorre um acidente que muda toda a situação. 

Em paralelo, Dixon se envolve com a bela Morgan (Gene Tierney), que também estava presente no jogo antes de ocorrer o assassinato. 

O diretor Otto Preminger explora uma Nova York noturna, repleta de pessoas e letreiros luminosos, como se fosse uma personagem da complexa trama em que o protagonista imagina estar controlando. O personagem principal apresenta um interessante desenvolvimento, inclusive carregando um passado complicado que explica suas atitudes. 

Ao mesmo tempo, a atuação de Dana Andrews deixa a desejar. Ele demonstra a mesma feição carrancuda durante todo o filme, lembrando as atuações de Charles Bronson. Nem mesmo nos momentos mais emotivos ele muda a expressão do rosto. Isso não chega a atrapalhar o longa, que se mostra um competente noir.

sábado, 3 de dezembro de 2016

O Campeão da Temporada

O Campeão da Temporada (That Championship Season, EUA, 1982) – Nota 6,5
Direção – Jason Miller
Elenco – Bruce Dern, Stacy Keach, Robert Mitchum, Martin Sheen, Paul Sorvino.

Scranton, Pensilvânia, 1977. Quatro ex-jogadores da equipe de basquete do colégio local se reúnem com seu antigo treinador após vinte anos do título estadual para comemorar a data. 

George (Bruce Dern) é o atual prefeito que concorre a reeleição em meio a acusações da oposição. Seu maior apoiador é Phil (Paul Sorvino), empresário que vive na cidade. O terceiro elemento do grupo é James (Stacey Keach), diretor do colégio. O quarto componente é Tom (Martin Sheen), irmão de James, que volta para cidade por causa da comemoração. O treinador é Delaney (Robert Mitchum), uma espécie de paizão do grupo. O que começa como festa, se torna uma lavagem de roupa suja que dura uma interminável noite. 

Este interessante longa é uma adaptação da peça escrita pelo ator Jason Miller. Consta que o filme seria dirigido por William Friedkin, que desistiu do projeto e fez com que o próprio Jason Miller fosse o diretor, sendo seu único trabalho na função. O falecido Miller é muito mais conhecido pelo papel do Padre Karras no clássico “O Exorcista” e também por ser pai do ator Jason Patric. 

A origem teatral da história resulta em um filme um pouco cansativo, com um excesso de diálogos que desnudam as frustrações e fraquezas do sujeitos de meia-idade unidos pelo passado. O elenco é o ponto alto do filme, com cada ator defendendo bem seu personagem. 

A peça rendeu uma segunda versão produzia para TV em 1999 dirigida por Paul Sorvino, que desta vez interpreta o treinador.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Codinome Cassius 7

Codinome Cassius 7 (The Double, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Michael Brandt
Elenco – Richard Gere, Topher Grace, Martin Sheen, Tamer Hassan, Stephen Moyer, Chris Marquette, Odette Annable.

Um senador que estava sob investigação é assassinado. A CIA e o FBI acreditam que o crime foi cometido por um antigo assassino russo conhecido como Cassius. 

Um diretor da CIA (Martin Sheen) pede auxílio ao aposentado agente Paul Shepherdson (Richard Gere), que durante anos perseguiu Cassius sem sucesso. Para trabalhar com Shepherdson é designado o novato agente do FBI Ben Geary (Topher Grace), que estudou a fundo os crimes de Cassius. 

O roteiro deste longa de espionagem trabalha basicamente com duas reviravoltas. A primeira ocorre com menos de meia hora de filme e não chega a ser uma surpresa. A segunda é mais complexa e acontece no clímax, ao mesmo tempo em que se revela um grande furo no roteiro. A premissa nas mãos de um diretor e roteirista melhor teria potencial para um longa interessante. 

O filme perde pontos pelos inexpressivos coadjuvantes, além do jovem Topher Grace passar longe de convencer como agente do FBI. O veterano astro Richard Gere não compromete, mas também pouco pode fazer para melhorar o longa. 

O resultado é um filme totalmente esquecível.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Invasão Zumbi

Invasão Zumbi (Busanhaeng ou Train to Busan, Coreia do Sul, 2016) – Nota 8
Direção – Sang Ho Yeon
Elenco – Yoo Gong, Soo An Kim, Yu Mi Jeong, Dong Seok Ma, Woo Sik Choi, Ahn So Hee, Eui Sung Kim.

Enquanto várias pessoas se preparam para viajar de trem de Seul, capital da Coreia do Sul, com destino a cidade de Busan, explode uma terrível epidemia. Pessoas infectadas atacam desconhecidos de forma selvagem, que ao serem mordidos também se transformam em predadores. 

Uma jovem infectada que consegue entrar no trem pouco tempo antes dele partir, é o ponto zero da epidemia no local, dando início a uma verdadeira viagem ao inferno para os passageiros. 

Este ótimo filme que mistura terror e ação explora a premissa das primeiras temporadas de “The Walking Dead”, quando a grande ameaça as pessoas ainda eram o zumbis, diferentes das disputas quase paramilitares das últimas temporadas. A escolha do diretor em filmar pelo menos oitenta por cento das cenas dentro do trem resultam numa assustadora tensão crescente. 

Os personagens também são bem desenvolvidos. Temos o executivo egoísta que precisa aprender a trabalhar em grupo para salvar sua filha pequena e a si mesmo, o sujeito forte que enfrenta os zumbis na porrada e faz de tudo para ajudar a esposa grávida, o jovem jogador de beisebol que transforma seu taco em arma e por fim, o covarde canalha que não hesita em trair as pessoas para tentar se salvar. 

Apesar de muitas cenas violentas, o filme não chega a ser um gore, acaba assustando muito mais pelo desespero em busca da sobrevivência. 

De forma ousada, a trama ainda apresenta uma sequência final de cortar o coração.  

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A Viagem de Meu Pai

A Viagem de Meu Pai (Floride, França, 2015) – Nota 7,5
Direção – Philippe Le Guay
Elenco – Jean Rochefort, Sandrine Kiberlain, Laurent Lucas, Anamaria Marinca, Clement Metayer.

Claude Lherminier (Jean Rochefort) é um industrial aposentado que vive numa belíssima casa de campo e que sofre com demência em fase inicial. Para mantê-lo em casa, sua filha Carole (Sandrine Kiberlain) está sempre à procura de uma empregada que consiga entender a situação e que não desista do trabalho. Conforme a doença avança, fica mais difícil tomar conta do pai, além da situação interferir diretamente nas relações pessoais de Carole. 

Com o avanço da medicina e a expectativa de vida cada vez mais longa, a quantidade de pessoas idosas também aumenta e por consequência as doenças degenerativas que são incuráveis se tornam mais comuns e visíveis para sociedade. 

Nos últimos anos o cinema vem explorando este tema em vários filmes, algumas vezes focando apenas na parte do sofrimento e em outras criando histórias duras, porém sem apelar para o melodrama. Este sensível “A Viagem do Meu Pai” segue a segunda linha, mostrando as dificuldades enfrentadas pelo protagonista e sua filha de um modo sóbrio. 

A proposta do roteiro é detalhar a fase inicial deste tipo de doença, quando a pessoa começa a confundir nomes, datas e locais, variando de conversas normais para situações em que passa a agir como criança. 

O ponto interessante do filme é intercalar o avanço da doença com a sequência de uma viagem de avião para Miami, local que o protagonista tem obsessão por causa de uma filha que se mudou da França para lá. O problema é que a filha faleceu e o homem não se lembra do ocorrido. 

O destaque do elenco fica para o veteraníssimo Jean Rochefort (“O Marido da Cabeleireira”), que entrega uma sensível e belíssima interpretação do alto dos seus oitenta e cinco anos de idade. 

Para quem conhece ou convive com alguma pessoa que sofre de demência, com certeza vai entender as situações enfrentadas por pai e filha.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Força Chape

A paixão que tenho por cinema é do mesmo tamanho da paixão pelo Palmeiras. Este sentimento pelo clube foi passado pelo meu pai que nos deixou em julho último após sofrer por alguns anos com uma terrível doença.

A tristeza pela passagem do meu pai foi confortada por saber que ele não sofreria mais. Como diz a linguagem popular, ele acabou descansando.

Tenho quarenta e cinco anos de idade e desde os oito frequento estádios e acompanho o Palmeiras. Vou em praticamente todos os jogos em nosso estádio, agora uma belíssima arena.

Domingo passado estive lá e festejei muito o título brasileiro ao lado de amigos que conquistei nestes anos. Por uma coincidência do destino, o adversário era a brava Chapecoense, que hoje infelizmente protagonizou o momento mais triste da história do esporte brasileiro, talvez semelhante a morte de Ayrton Senna. Com certeza, é o momento mais triste do futebol brasileiro, derrota alguma jamais irá doer tanto como esta tragédia.

É difícil imaginar o sofrimento dos familiares dos jogadores, da comissão técnica e dos jornalistas que perderam suas vidas, além é claro da comoção que a cidade de Chapecó enfrenta. Para potencializar ainda mais a tragédia, o clube faria amanhã na Colômbia o jogo mais importante de sua história. Para os envolvidos, seria como uma decisão de mundial. É um destino cruel demais.

E este destino cruel ligou a última partida desta equipe contra o Palmeiras. Nossa torcida com certeza é uma das mais sensibilizadas. As mais de quarenta mil pessoas que assistiram ao jogo na Arena com certeza estão com o coração apertado. É muito difícil lembrar que estivemos perto de várias pessoas que perderiam a vida dois dias depois, mesmo que não existisse outra ligação naquele momento. Além disso, algumas das vítimas trabalharam no Palmeiras. O treinador Caio Júnior, os jogadores Ananias e Josimar, além do comentarista Mário Sérgio que foi jogador nos anos oitenta.

A direção do Palmeiras está tomando a frente para prestar homenagens e ajudar a Chapecoense. É um gesto pequeno que não mudará o sofrimentos dos envolvidos, mas que mostra o mínimo que o ser humano deveria ter: "solidariedade".

Que Deus conforte os familiares.