quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

A Visita

A Visita (The Visit, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – M. Night Shyamalan
Elenco – Olivia DeJonge, Ed Oxenbould, Deanna Dunagan, Peter McRobbie, Kathryn Hahn.

Na sequência inicial, uma mulher (Kathryn Hahn) conta parte de sua vida para uma câmera. Ela explica que saiu de casa ainda adolescente para viver com um homem mais velho e que depois disso não mais viu seus pais. 

Agora, quase vinte anos depois e divorciada, seus pais a encontraram pela internet e pediram para conhecer o casal de netos. Em seguida, o espectador descobre que a garota Becca (Olivia DeJonge) é quem está filmando, com o objetivo de fazer um documentário sobre a vida da mãe e de seus avós que ela irá conhecer. 

Junto com o irmão mais novo Tyler (Ed Oxenbould), Becca segue para a casa dos avós, que vivem em uma propriedade rural isolada. Ao encontrar os avós (Deanna Dunagan e Peter McRobbie), as crianças percebem que existe algo de errado. A princípio eles acreditam que seja um problema da velhice, mas não demora para descobrirem algo bem mais sinistro. 

Depois de vários fracassos de bilheteria, mesmo que “O Último Mestre do Ar” tenha sido um bom filme, o diretor M. Night Shyamalan tenta recolocar a carreira nos trilhos com este interessante suspense. Como é comum em sua filmografia, ele também assina o roteiro. 

Desta vez Shyamalan segue a moda dos filmes de suspense em que a câmera do diretor faz parte da história, estando sempre a mão de um personagem, porém com uma firmeza incomum aos longas do gênero. Praticamente não vemos a câmera balançar. 

Como também é costume nos filmes do diretor, temos uma surpresa próxima do final, que quando se revela ficam claras as pistas que o roteiro deu durante o desenvolvimento da trama. 

É bom quando um diretor talentoso como Shyamalan volta ao seu estilo e utiliza a simplicidade para agradar ao público. 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Perdido em Marte

Perdido em Marte (The Martian, EUA / Inglaterra, 2015) – Nota 8
Direção – Ridley Scott
Elenco – Matt Damon, Jessica Chastain, Chiwetel Ejiofor, Jeff Daniels, Kristen Wiig, Michael Peña, Sean Bean, Kate Mara, Sebastian Stan, Aksel Hennie, Benedict Wong, Mackenzie Davis, Donald Glover.

Durante uma missão em Marte, um grupo de astronautas está explorando o planeta quando são surpreendidos por uma violenta tempestade. Um deles é Mark Watney (Matt Damon), que após ser atingido por uma antena desaparece em meio à poeira. 

Os demais integrantes conseguem voltar para o foguete e acreditam que o amigo morreu. Eles decolam em direção a Terra e avisam do acidente. O que ninguém imagina é que Mark sobreviveu. Ele consegue voltar para a estação, mas sabe que dificilmente sobreviverá, pois tem pouca comida e água. Ao invés de desistir, Mark se esforça para criar soluções e também para tentar avisar a Nasa de que ele está vivo. 

Está ótima ficção é claramente um filhote do sucesso de “Interestelar”. Ainda considero o filme de Nolan superior, mas este trabalho de Ridley Scott é extremamente competente ao misturar drama, ação, suspense e até discussões políticas. 

O roteiro explora a inteligência do personagem principal, uma espécie de “MacGyver espacial”, que utiliza seus conhecimentos para criar soluções malucas que o ajudam a sobreviver no inóspito planeta. 

A princípio, eu esperava algo parecido com “Náufrago”, porém diferente do personagem de Tom Hanks que beirava a loucura, o astronauta de Matt Damon é totalmente focado em seus objetivos. Seus sentimentos afloram apenas em algumas sequências cruciais. 

Além de Damon, vários coadjuvantes tem papéis importantes na trama, inclusive alguns que aparecem pouco, como o maluco especialista em astrodinâmica interpretado por Donald Glover. 

É um ótimo filme, em que o espectador nem percebe as quase duas horas e meia de duração.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Sob o Mesmo Céu

Sob o Mesmo Céu (Aloha, EUA, 2015) – Nota 6
Direção – Cameron Crowe
Elenco – Bradley Cooper, Emma Stone, Rachel McAdams, Bill Murray, John Krasinski, Danny McBride, Alex Baldwin, Bill Camp, Jaeden Lieberher, Danielle Rose Russell, Elizabeth Marvel, Ivana Milicevic.

Brian Gilcrest (Bradley Cooper) é um ex-militar marcado pelo fracasso em uma missão no Afeganistão que o deixou ferido. Hoje ele trabalha como consultor para um bilionário (Bill Murray) que pretende lançar um satélite utilizando como base uma montanha considerada sagrada pelos nativos do Havaí. 

O papel de Brian é intermediar um acordo com os nativos, com apoio do exército americano que envia a oficial Allison Ng (Emma Stone) para acompanhar a negociação. Resignado e frustrado com o trabalho, Brian ainda sofre ao reencontrar a ex-namorada Tracy (Rachel McAdams), que está casada com seu antigo amigo Woody (John Krasinski). 

Desde o ótimo “Quase Famosos” de 2000 e o maluco “Vanilla Sky” de 2001, o diretor e roteirista Cameron Crowe patina em trabalhos bonitinhos e totalmente vazios. Este “Sob o Mesmo Céu” tem personagens simpáticos que até seguram o roteiro ruim, que mistura lendas havaianas, megalomania capitalista e militar, além de uma história de amor e frustrações bem fraquinha. 

O roteiro é esquemático, apresentando os personagens, criando um conflito e chegando até o final onde tudo se acerta. Por sinal, o clímax do lançamento do foguete é de uma ingenuidade impar. 

Como citei, a simpatia dos personagens mantém o espectador curioso durante dois os primeiros terços do filme, mesmo que os diálogos também sejam no mínimo estranhos. 

É um filme que tem uma “casca” interessante e o conteúdo vazio.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Sicario: Terra de Ninguém

Sicario: Terra de Ninguém (Sicario, EUA, 2015) – Nota 8
Direção – Denis Villeneuve
Elenco – Emily Blunt, Benicio Del Toro, Josh Brolin, Victor Garber, Jon Bernthal, Daniel Kaluuya, Jeffrey Donovan, Raoul Trujillo, Julio Cesar Cedillo.

Após uma ação em que dois agentes do FBI morrem em uma explosão, a agente Kate (Emily Blunt) é convidada por seus superiores para participar de uma força tarefa comandada por Matt Graver (Josh Brolin), que tem como objetivo desbaratar um cartel de drogas que atua na fronteira entre EUA e México. 

Mesmo desconfiada com os segredos de Matt e a atitude de seu parceiro, o enigmático Alejandro (Benicio Del Toro), Kate aceita seguir na investigação, sem imaginar a sujeira e a violência sem lei que dominam o confronto entre agentes e traficantes. 

Depois do estranho “O Homem Duplicado”, o diretor canadense Denis Villeneuve volta a entregar um grande filme. Este “Sicario” lembra no estilo o ótimo “Traffic” que Steven Soderbergh dirigiu em 2000 e que tinha o mesmo Benicio Del Toro entre os personagens principais. 

Mas diferente de “Traffic”, que seguia vários personagens em diversas ações ligadas as drogas, o longa de Villeneuve foca em apenas uma história e no trio principal de personagens, sendo que cada um deles tem um objetivo diferente em relação a missão. 

Os pontos altos são a ótima narrativa, extremamente sóbria e até seca em alguns momentos, o roteiro que desmistifica a chamada “guerra contra as drogas”, mostrando a sujeira dos dois lados da moeda e por fim as ótimas interpretações do trio principal. 

É um grande filme que retrata de modo realista a crueldade dos cartéis de drogas e a forma suja de investigação por parte das autoridades americanas.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Horas de Desespero

Horas de Desespero (No Escape, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – John Erick Dowdle
Elenco – Owen Wilson, Lake Bell, Pierce Brosnan, Sterling Jerins, Claire Geare, Sahajak Boonthanakit.

Em um país do oeste asiático (aparentemente a Tailândia), o primeiro ministro é assassinado após assinar um acordo com uma corporação para construção de uma rede de distribuição de água no país. 

Em paralelo, o engenheiro Jack Dwyer (Owen Wilson) está chegando ao país com a esposa Annie (Lake Bell) e as duas filhas pequenas (Sterling Jerins e Claire Geare) para trabalhar no projeto.

Pouco tempo depois de chegarem ao hotel, os rebeldes que estão tentando tomar o país, cercam o local com o objetivo de assassinar os funcionários e os estrangeiros que estão hospedados. É o início de uma fuga desesperada de Jack e sua família em busca da sobrevivência. 

Com uma narrativa ágil repleta de cenas de ação, inclusive algumas assustadoras com as crianças e muita violência, este longa é um divertido passatempo sem compromisso, do tipo em que o espectador deve deixar a verossimilhança de lado e curtir a correria desenfreada. 

A trama politica é clichê, lembrando muito os filmes de ação dos anos oitenta, assim como os personagens são rasos. Vale destacar a participação de Pierce Brosnan como um personagem que espectador descobrirá quem é logo na primeira aparição. Brosnan parece se divertir em meio a correria. 

Um detalhe, o filme não tem ligação alguma com o clássico homônimo (no título nacional) de 1955 com Humphrey Bogart e a refilmagem de 1990 com Mickey Rourke. 

Divertido e descartável, com certeza agradará aos fãs do gênero. 

sábado, 26 de dezembro de 2015

Assassino Invisível

Assassino Invisivel (The Town That Dreaded Sundown, EUA, 2014) – Nota 6
Direção – Alfonso Gomez Rejon
Elenco – Addison Timlin, Veronica Cartwright, Anthony Anderson, Travis Hope, Gary Cole, Ed Lauter, Joshua Leonard, Edward Herrmann, Denis O’Hare, Spencer Treat Clark.

No início do longa, uma narração over explica que a cidade de Texarkana, na divisa do Texas com Arkansas, sofreu com um serial killer conhecido como “Fantasma” que agiu em 1946 e que jamais foi preso. Em 1976, um filme sobre os assassinatos foi produzido e considerado maldito pela população. 

A trama pula para 2013, quando um casal de namorados (Addison Timlin e Spencer Treat Clark) é atacado após assistirem o filme em um drive-in e o rapaz acaba morto. O assassino deixa a garota viva e diz que o crime é por causa de “Mary”. Quando ocorre um segundo crime com as mesmas características, a polícia acredita que um novo Fantasma seja o assassino. 

Este longa é ao mesmo tempo uma refilmagem e uma sequência da obra de mesmo título produzida em 1976, o que por si só é uma bela premissa, principalmente porque o criminoso original jamais foi preso, o que abriria várias possibilidades para o roteiro. 

Infelizmente o desenvolvimento da trama se perde em meio a clichês, principalmente no péssimo final, no mau aproveitamento de personagens coadjuvantes interessantes como o Ranger de Anthony Anderson e o sinistro cineasta interpretado por Denis O’Hare, além da inexpressiva atriz principal. 

O diretor pelo menos consegue criar um clima de suspense e alguns sustos. 

Não assisti ao filme de 1976 para comparar, mas fica claro que o material tinha tudo para render um suspense bem melhor.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível

Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível (Tomorrowland, EUA / Espanha, 2015) – Nota 7,5
Direção – Brad Bird
Elenco – George Clooney, Britt Robertson, Raffey Cassidy, Hugh Laurie, Tim McGraw, Kathryn Hahn, Keegan Michael Kee, Chris Bauer, Pierce Gagnon.

Em 1964, durante a Feira Mundial em Nova York, o garoto Frank Walker (Pierce Gagnon) tenta apresentar uma mochila que acoplada ao corpo faz a pessoa voar. Como a invenção nem sempre funciona, ela é descartada pelo organizador (Hugh Laurie). Para sua surpresa, uma garotinha (Raffey Cassidy) lhe entrega um broche, que ao ser acionado o transporta para um maravilhoso mundo futurista. 

A trama pula para 2009, quando a jovem Casey (Britt Robertson) tenta sabotar algumas torres da Nasa no deserto para manter o emprego do pai, que será dispensado pois o trabalho no local terminou. Casey acaba presa e ao ser liberada encontra entre seus pertences o mesmo broche de 1964. Ao tocar no broche, Casey acessa uma realidade virtual onde consegue passear pelo mesmo mundo futurista mostrado décadas atrás. Com a curiosidade aguçada, a garota decide encontrar o verdadeiro local. 

O roteiro escrito pelo diretor Brad Bird em parceria com Damon Lindelof explora o lado bom e também o lado ruim do ser humano. A proposta é mostrar que a mesma capacidade que o ser humano tem em construir coisas fantásticas, também é utilizada para destruir o planeta. Mesmo com algumas cenas de ação violentas, a mensagem do filme é pacifista e também incentiva as pessoas a acreditarem em seus sonhos. 

A narrativa ágil e os efeitos especiais de primeira, principalmente nas sequências no mundo futurista são os pontos altos, assim como a química entre trio principal. O astro George Clooney, a jovem Britt Robertson e a garotinha Raffey Cassidy interpretam personagens que criam empatia com o público, com ajuda dos divertidos diálogos e dos já citados efeitos especiais. 

Não será um clássico, mas é um filme extremamente competente na proposta de entregar uma ficção divertida.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Um Homem de Família

Um Homem de Família (The Family Man, EUA, 2000) – Nota 7
Direção – Brett Ratner
Elenco – Nicolas Cage, Téa Leone, Don Cheadle, Jeremy Piven, Saul Rubinek, Josef Sommer, Mary Beth Hurt, Makenzie Vega.

Jack Campbell (Nicolas Cage) é um rico investidor de Wall Street que leva uma ótima vida de solteiro. Na véspera de Natal, sua secretária avisa que uma mulher chamada Kate (Téa Leoni) entrou contato por telefone querendo falar com ele. Kate é uma ex-namorada que Jack abandonou na juventude. 

Em dúvida sobre retornar a ligação, Jack segue para casa e no meio do caminho entra em uma loja de conveniências, onde é obrigado a acalmar um sujeito (Don Cheadle) irritado por um problema com bilhete de loteria. Ao acordar na manhã seguinte, sem explicação alguma, Jack se assusta ao perceber que está ao lado de Kate na cama, em um pequeno apartamento em Nova Jersey e com duas crianças, que aparentemente são seus filhos. 

Esta simpática fábula natalina tem como ponto principal as escolhas que temos na vida. O personagem Jack escolheu trabalhar para tentar enriquecer, deixando sua vida afetiva de lado. A inusitada mudança obriga o personagem a reavaliar sua vida e descobrir os pequenos prazeres de um casamento e da convivência com crianças, além dos problemas relacionados a nova situação. 

É um filme inofensivo, mas que faz o espectador pensar em suas próprias escolhas e como seria sua vida se tivesse seguido um caminho diferente. 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Conquistas Perigosas

Conquistas Perigosas (The Necessary Death of Charlie Countryman, Romênia / EUA, 2013) – Nota 5
Direção – Fredrik Bond
Elenco – Shia LaBeouf, Evan Rachel Wood, Mads Mikkelsen, Til Schweiger, Rupert Grint, James Buckley, Ion Caramitru, Vincent D’Onofrio, Melissa Leo, Aubrey Plaza.

Após o pai (Vincent D’Onofrio) autorizar o hospital a desligar os aparelhos que mantém viva a esposa (Melissa Leo), o jovem Charlie Countryman (Shia LaBeouf) desaba. Ainda no hospital, Charlie imagina conversar com o espírito da mãe, que sem motivo algum, diz para o jovem viajar a Bucareste para se animar. 

Charlie segue o estranho pedido e no avião faz amizade com um passageiro romeno (Ion Caramitru), que surpreendentemente morre durante o voo. Na chegada em Bucareste, Charlie se aproxima da filha do sujeito, a bela Gabi (Evan Rachel Wood), sem saber que a jovem está envolvida com um violento mafioso (Madds Mikkelsen). 

O filme é uma verdadeira salada romena, que mistura policial, drama, história de amor, drogas e até espiritualidade de forma desconexa, sem contar o péssimo final. 

O diretor estreante Fredrik Bond provavelmente tinha objetivo de fazer uma obra cult, se apoiando em personagens excêntricos e numa trama complexa, mas errou feio. 

É uma pena, os interessantes cenários naturais de Bucareste poderiam ser melhor explorados, assim como o talento de bons coadjuvantes como Mads Mikkelsen e Melissa Leo. 

Para piorar, o título nacional passa a impressão de ser um thriller erótico. 

O resultado é uma verdadeira perda de tempo para o espectador.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Broderskab

Broderskab (Broderskab, Dinamarca / Suécia, 2010) – Nota 7
Direção – Nicolo Donato
Elenco – Thure Lindhardt, David Dencik, Nicolas Bro, Morten Holst.

Após se preterido em uma promoção para capitão, Lars (Thure Lindhart) abandona o exército, para desgosto dos pais ligados a política. Sem saber qual caminho seguir, Lars é convidado por Tykke (Nicolas Bro) para conhecer o Movimento Nacional Socialista da qual ele faz parte, traduzindo, um grupo neonazista. 

Mesmo indignado com o convite a princípio, a curiosidade faz com que Lars resolva conhecer o grupo. Ele se deixar levar pelos elogios de Tykke e para complicar ainda mais, sente-se atraído pelo violento Jimmy (David Dencik). 

Todos os países da Europa sofrem com grupos neonazistas que perseguem estrangeiros, principalmente árabes e muçulmanos, além de homossexuais. O roteiro escrito pelo próprio diretor Nicolo Donato coloca fogo no tema polêmico ao inserir um relacionamento homossexual entre integrantes do grupo, que tentam esconder a situação com medo da inevitável retaliação dos companheiros. 

Um filme simples, que vai direto ao ponto, criticando o ódio pregado por estes grupos e a hipocrisia dos jovens participantes, que temem o diferente e que defendem o mito da raça pura.           

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Empire State

Empire State (Empire State, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – Dito Montiel
Elenco – Liam Hemsworth. Dwayne Johnson, Michael Angarano, Paul Ben Victor, Jerry Ferrara, Emma Roberts, Greg Vrotsos, Michael Rispoli, Nikki Reed, Chris Diamantopoulos, James Ranson, Roger Guenveur Smith.

Brooklyn, 1982. Chris Potamitis (Liam Hemsworth) é um jovem que deseja entrar para polícia, mas tem seu sonho desfeito por ter sido preso uma vez junto com o amigo Eddie (Michael Angarano) que estava drogado.

Precisando de dinheiro, pois seu pai (Paul Ben Victor) foi demitido de um clube obra trabalhava para mafiosos gregos, Chris consegue um emprego em uma empresa de segurança. 

Pouco tempo depois, ele percebe que a segurança da sede da empresa é falha, local onde estão guardados milhões de dólares. Atraído pela aparente facilidade e pressionado por Eddie, Chris decide roubar a empresa. 

Baseado numa maluca e ao mesmo tempo interessante história real, este longa é mais uma bola fora na carreira do diretor Dito Montiel. Em 2006, sem ter experiência alguma com cinema, Montiel conseguiu levar às telas a adaptação de seu livro autobiográfico chamado “Santos e Demônios”, resultando num bom filme, muito pelo talento de Robert Downey Jr que interpretava o próprio Montiel. 

Infelizmente, seus trabalhos posteriores (“Anti-Heróis” e “Veia de Lutador”) fracassaram, assim como este Empire State. Fica claro o carinho de Montiel por Nova York, principalmente a cidade nos anos oitenta e a vida dos imigrantes e seus filhos em meio a bandidos e policiais, porém aparentemente falta talento para uma melhor narrativa, roteiro e também na direção de atores. 

O roteiro aqui é confuso, a personagem de Emma Roberts, que surge como segundo nome nos créditos iniciais, está totalmente perdida na trama, a interpretação de Liam Hemsworth é inexpressiva e a de Michael Angarano exagerada. 

Como ponto positivo, temos a reconstituição dos anos oitenta e o carisma de Dwayne Johnson. 

É mais um filme em que uma boa premissa é desperdiçada.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Entre Irmãos

Entre Irmãos (Brothers, EUA, 2009) – Nota 7
Direção – Jim Sheridan
Elenco – Tobey Maguire, Jake Gyllenhaal, Natalie Portman, Sam Shepard, Mare Winnigham, Bailee Madison, Taylor Geare, Patrick John Flueger, Clifton Collins Jr, Carey Mulligan.

Sam Cahill (Tobey Maguire) é um jovem capitão dos fuzileiros que está prestes a voltar para o Iraque. Seu irmão Tommy (Jake Gyllenhaal) acabou de sair da prisão e continua demostrando que não amadureceu. Sam é o preferido do pai (Sam Shepard), que também foi soldado e que não aceita a irresponsabilidade de Tommy. 

Assim que volta ao Iraque, o helicóptero de Sam é abatido e o exército o considera morto, porém na verdade ele e outro soldado sobreviveram e foram capturados por rebeldes. Enquanto isso, sua esposa Grace (Natalie Portman) precisa cuidar das duas filhas pequenas e surpreendentemente recebe a ajuda de Tommy, que parece querer mudar de vida. 

Esta refilmagem de um longa dinamarquês de Susanne Bier tem uma boa premissa, um desenvolvimento correto e algumas situações previsíveis. O filme fica longe da força de outros trabalhos do diretor irlandês Jim Sheridan, como “Meu Pé Esquerdo” e “Em Nome do Pai”. 

O longa perde pontos na interpretação de Tobey Maguire, que em momento algum convence como marine. Com seu corpo mirrado e voz fina fica difícil aceitar ele no papel. 

É um filme que fica aquém do potencial da premissa. 

Um detalhe, não assisti ao original para comparar.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Mãos Sujas Sobre a Cidade

Mãos Sujas Sobre a Cidade (Busting, EUA, 1974) – Nota 7
Direção – Peter Hyams
Elenco – Elliott Gould, Robert Blake, Allen Garfield, Antonio Fargas, Michael Lerner, Sid Haig.

Keenely (Elliott Gould) e Farrel (Robet Blake) são detetives do departamento de vícios que investigam casos de prostituição e drogas. Em uma batida, eles prendem uma prostituta de luxo e encontram um caderno de anotações com nomes de poderosos. A jovem é solta na primeira audiência, o caderno desaparece da sala de provas e o capitão de polícia pede para a dupla se afastar do caso. 

Ao mesmo tempo em que são obrigados a investigar outros casos, como de um pervertido que ataca em um banheiro público e o tráfico de drogas em uma boate gay, eles decidem se aprofundar na história da prostituição de luxo, chegando próximo de um chefão do submundo (Allen Garfield). 

Este interessante longa marcou a estreia no cinema do diretor Peter Hyams (“Outland – Comando Titânio” e “Fim dos Dias”), que se aproveita dos cenários de uma Los Angeles suja e decadente para desenvolver uma trama que é uma crítica ao sistema de justiça. 

O trabalho dos policiais é mostrado como algo muitas vezes inútil. Eles se arriscam para prender criminosos, que acabam soltos por falhas na lei ou pela intervenção de autoridades corruptas. 

Vale destacar a dupla principal, que tem Elliott Gould como o policial inconformado com a falta de resultados do seu trabalho e Robert Blake como o cínico parceiro. Os dois atores tiveram o auge da carreira nos anos setenta, com Elliott Gould trabalhando em vários filmes policiais e Robert Blake ficando famoso com a série “Baretta”. 

Infelizmente, a carreira de Blake afundou nos anos oitenta e foi encerrada definitivamente quando ele foi acusado de ter assassinado a esposa em 2001. O processou durou quatro anos e Blake acabou inocentado.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Citizenfour

Citizenfour (Citizenfour, EUA / Alemanha / Inglaterra, 2014) – Nota 8
Direção – Laura Poitras
Documentário – Edward Snowden, Glenn Greenwald, William Binney, Jacob Appelbaum.

Em 2013, a documentarista Laura Poitras foi procurada na internet por um desconhecido que dizia ter provas de que o governo americano estava espionando os cidadãos americanos e de outros países de forma clandestina. Após muitas trocas de mensagens, o sujeito aceitou encontrar Laura em Hong Kong e solicitou a presença do jornalista Glenn Greenwald, para registrar seu depoimento. 

Logo, ele se revelou. Era o analista da CIA Edward Snowden, um jovem de vinte e nove anos que decidiu arriscar a própria vida para tornar público o verdadeiro “Big Brother” criado pelo governo americano, apoiado por outros governos como o britânico e por grandes empresas de tecnologia. 

Este doc vencedor do Oscar registra o depoimento de Snowden em detalhes, durante uma semana em que ele ficou em um hotel em Hong Kong ao lado de Laura e Glenn. 

O escândalo atingiu em cheio o governo americano, que sempre negou a existência deste tipo de espionagem, até o momento em que as provas de Snowden desmascararam a mentira. 

É interessante analisar que desde o inicio Snowden dizia que não se esconderia, deixando claro que gostaria de ser creditado como a pessoa que revelou os segredos, para evitar problemas para sua família e amigos. 

Snowden também não ganhou nada com isso, pelo contrário, se voltar para os Estados Unidos enfrentará um processo que poderá render a prisão perpétua. 

Hoje ele vive exilado na Rússia e jamais voltará a ter uma vida normal.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Jeff e as Armações do Destino

Jeff e as Armações do Destino (Jeff, Who Lives at Home, EUA, 2011) – Nota 7
Direção – Jay e Mark Duplass
Elenco – Jason Segel, Ed Helms, Susan Sarandon, Judy Greer, Rae Dawn Chong, Steve Zissis, Evan Ross.

Jeff (Jason Segel) é um desempregado de trinta anos que vive no porão da casa da mãe (Susan Sarandon). Totalmente perdido, Jeff espera um “sinal divino” que possa mostrar o caminho para ele mudar de vida. 

Numa manhã qualquer, ele atende o telefone e do outro lado um sujeito procura um certo “Kevin”. A ligação por engano faz Jeff acreditar que o nome Kevin seja o aviso que ele esperava. Jeff sai pela cidade em busca da resposta. No caminho, ele cruza com seu irmão Pat (Ed Helms), um sujeito mentiroso e desagradável que está em crise no casamento com Linda (Judy Greer). Os dois complicados irmãos, que não se dão bem, acabam seguindo uma maluca jornada pela cidade que mudará suas vidas completamente. 

Em paralelo, a mãe dos sujeitos está curiosa para descobrir quem é o admirador secreto que lhe envia mensagens pelo computador da empresa onde ela trabalha. 

Os irmãos Duplass são roteiristas, diretores e atores que geralmente trabalham em projetos independentes, com tramas que fogem do lugar comum. Este longa segue este estilo misturando comédia com drama, mesmo que no fundo seja uma básica história sobre frustrações e traumas familiares. 

Além do trio principal e da simpática Judy Greer, vale destacar a presença da sumida Rae Dawn Chong, atriz que teve algum sucesso nos anos oitenta e início dos noventa e que é filha do comediante Tommy Chong, da dupla “Cheech & Chong”.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O Agente da U.N.C.L.E.

O Agente da U.N.C.L.E. (The Man From U.N.C.L.E., EUA / Inglaterra, 2015) – Nota 6,5
Direção – Guy Ritchie
Elenco – Henry Cavill, Armie Hammer, Alicia Vikander. Elizabeth Debicki, Hugh Grant, Luca Cavani, Jared Harris, Sylvester Groth, Christian Berkel, Misha Kuznetsov.

Nos anos sessenta, em meio a Guerra Fria, o agente da CIA Napoleon Solo (Henry Cavill) tem a missão de transportar a jovem Gaby (Alicia Vikander) de Berlin Oriental para o lado Ocidental. Durante a fuga, eles são perseguidos por um implacável agente da KGB chamado Illya Kuryakin (Armie Harmer). 

No dia seguinte, para surpresa de Solo, seu chefe o apresenta a Kuryakin e determina que eles deverão trabalhar juntos em uma missão. O objetivo é utilizar Gaby para chegar até o pai dela, que é um cientista alemão que está trabalhando na construção de uma bomba atômica para um grupo terrorista que está agindo na Itália. 

Pela febre de adaptações de seriados para o cinema, podemos dizer que demorou bastante para algum produtor levar às telas o clássico “Os Agentes da U.N.C.L.E.”, série que fez sucesso entre 1964 e 1968 aproveitando a onda dos filmes sobre agentes secretos que estavam no auge naquela época. Os atores Robert Vaughn e David McCallum, que ainda estão vivos e na ativa, ficaram marcados pelos papéis dos agentes por toda a carreira. 

Esta versão de Guy Ritchie começa muito bem, com uma eletrizante perseguição pelas ruas de Berlin Oriental, que na minha opinião é a melhor parte do filme. A trama é até interessante, lembra muito os filmes de 007, inclusive com o ator Henry Cavill utilizando maneirismos do clássico personagem de Ian Fleming. 

O problema é que o ritmo é irregular e as cenas de ação são poucas em relação a expectativa criada na sequência inicial. Outra coisa que não gostei foram os diálogos engraçadinhos entre os protagonistas, que destoam da proposta de um filme de espionagem. 

Vale destacar a ótima produção, principalmente a recriação de Berlin e a pequena participação do carismático Hugh Grant, que provavelmente será mais bem aproveitado na sequência, já que o final deixa um gancho enorme para uma continuação.  

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O Homem de Alcatraz

O Homem de Alcatraz (The Birdman of Alcatraz, EUA, 1962) – Nota 7,5
Direção – John Frankenheimer
Elenco – Burt Lancaster, Karl Marlden, Thelma Ritter, Neville Brand, Betty Field, Telly Savalas, Edmond O’Brien, Hugh Marlowe.

Em 1918, Robert Stroud (Burt Lancaster) é um jovem condenado a nove anos de cadeia por ter assassinado um sujeito durante uma briga. Revoltado com a forma como é tratado na prisão e com a própria vida, Stroud termina por entrar em outra briga e desta vez a vítima é um dos guardas. 

De volta ao tribunal, a princípio Stroud é condenado à morte, porém com a luta de sua mãe (Thelma Ritter), a pena é revertida para prisão perpétua, mas com o castigo de ser obrigado a cumpri-la em uma cela solitária, sem contato com outros presos. Durante o pouco tempo que tem de liberdade no pátio, Stroud recolhe um filhote de pardal, que se torna seu companheiro e dá início ao interesse em entender os pássaros, fato que mudará completamente sua vida. 

Baseado na vida real de Robert Stroud, retratada em livro pelo jornalista Tom Gaddis (Edmond O’Brien), este longa é ao mesmo tempo uma história sobre como um criminoso pode se regenerar e também uma crítica ao sistema prisional. Lógico que o filme ameniza o caráter do protagonista, que é mostrado como um gênio com Q. I. elevado, porém o roteiro altera sua personalidade, que muitos dizem seria de um psicopata, que jamais se arrependeu dos crimes que cometeu. 

É um bom filme, porém um pouco superestimado. A história é interessante, as atuações de Burt Lancaster e de Neville Brand como o guarda que se torna seu amigo são os destaques, porém as duas horas e meia de duração são exageradas. 

Vale citar que na verdade o protagonista passa boa parte da vida em Leavenworth e pouco tempo em Alcatraz, que provavelmente foi utilizada no título para dar um maior destaque a história. 

Outra dúvida surge em alguns sites como o IMDB, que coloca como diretor não creditado o inglês Charles Crichton, que ficaria famoso apenas em 1988 com “Um Peixe Chamado Wanda”, sendo seu último trabalho no cinema. Pesquisei e não encontrei informação alguma sobre qual foi a participação de Crichton neste longa. 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

À Procura do Amor

À Procura do Amor (Enough Said, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Nicole Holofcener
Elenco – Julia Louis Dreyfus, James Gandolfini, Catherine Keener, Toni Collette, Ben Falcone, Tracey Fairaway, Travi Gevinson, Ivy Strohmaier.

Eva (Julia Louis Dreyfus) é uma massagista divorciada de meia-idade, que está prestes a ficar sozinha, pois sua filha em breve irá para a universidade. Em uma festa, Eva é apresentada para Albert (James Gandolfini), que está na mesma situação. Sua filha, que fica pouco tempo em casa, também está indo para universidade e o deixará sozinho em definitivo. Os dois solitários iniciam um romance, até que uma estranha coincidência se torna um problema para relação. 

Esta sensível comédia romântica escrita e dirigida pela quase desconhecida Nicole Holofcener, acerta em cheio ao mostrar como funciona o romance entre pessoas experientes, que já vivenciaram e sofreram com outros relacionamentos, mas que ainda desejam se apaixonar. 

Apesar da coincidência citada que é utilizada como um artifício para dar um toque de drama, o restante da história é muito próximo da vida real. Os personagens discutem sobre os problemas de um relacionamento, como as manias do parceiro, as dificuldades com o sexo, a relação com as filhas e com os amigos. 

Tudo isso é valorizado pela química entre os extremamente diferentes James Gandolfini e Julia Louis Dreyfus, que com simpatia e simplicidade, fazem o espectador acreditar na história de amor protagonizada por pessoas comuns. 

Como informação, o filme foi lançado após a morte de James Gandolfini, para quem o longa é dedicado.  

domingo, 13 de dezembro de 2015

Agente do Futuro

Agente do Futuro (Autómata, Bulgária / EUA / Espanha / Canadá, 2014) – Nota 6
Direção – Gabe Ibañez
Elenco – Antonio Banderas, Dylan McDermott, Melanie Griffith, Birgitte Hjort Sorensen, Robert Forster, Tim McInnerny, Javier Bardem.

Em um futuro próximo, a Terra foi quase toda devastada por tempestades solares e os poucos sobreviventes foram separados em duas classes. Um grupo vive dentro de uma cidade cercada por um enorme muro protegido por guardas armados, enquanto os pobres foram expulsos para o lado de fora do muro, vivendo na miséria e enfrentando a chuva radiotiva. 

Antes do caos, uma corporação criou robôs chamados de “Pilgrim” para tentar ajudar o planeta, porém eles se transformaram apenas em fonte de lucro, sem resolver a situação. Os robôs foram programados com duas regras. Jamais ferir um se humano e jamais se auto-reparar. Neste contexto, o agente de seguros Jacq (Antonio Banderas) é testemunha de um robô que matou um cão e de outro que cometeu “suicídio” ateando fogo em si próprio. Estes fatos despertam em Jacq a curiosidade em descobrir o que está acontecendo com os robôs. 

Esta estranha ficção tem uma premissa interessante, que copia várias ideias do clássico “Blade Runner”, assim como uma boa fotografia “suja” e efeitos especiais que não comprometem, porém perde muitos pontos na narrativa irregular e no roteiro ruim. 

Alguns personagens parecem perdidos na trama, como a espécie de “mecânica” interpretada por uma deformada Melanie Griffith, que depois de várias cirurgias plásticas está irreconhecível. 

O resultado é uma ficção vazia e totalmente esquecível.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Álbum de Família

Álbum de Família (August: Osage County, EUA, 2013) – Nota 7
Direção – John Wells
Elenco – Meryl Streep, Julia Roberts, Chris Cooper, Ewan McGregor, Margo Martindale, Sam Shepard, Dermot Mulroney, Juliette Lewis, Julianne Nicholson, Abigail Breslin, Benedict Cumberbatch, Misty Upham.

Beverly (Sam Shepard) e Violet (Meryl Streep) estão casados há décadas e vivem em uma bela casa numa área rural de Oklahoma, porém o relacionamento é péssimo. Beverly é um professor aposentado e escritor que passa os dias bebendo, enquanto Violet é uma mulher amargurada, viciada em pílulas e que sofre com câncer na língua. Quando Beverly desaparece sem deixar pistas, as três filhas do casal vão ao encontro da mãe, dando inicio a uma sucessão de conflitos que trazem á tona as frustrações e os traumas familiares. 

Dramas familiares é tema comum ao cinema, mas poucas vezes foram expostos em diálogos tão cruéis e cheios de mágoas entre parentes como neste longa. A matriarca vivida por Meryl Streep é um poço de mágoas, que destila suas frustrações no marido e nas filhas sem pudor. Sua filha mais velha vivida por Julia Roberts também tem uma personalidade forte e aos poucos percebe como está ficando parecida com a mãe, fato que detona seu casamento com o personagem de Ewan McGregor e o relacionamento com a filha adolescente Abigail Breslin. 

A irmã do meio vivida por Julianne Nicholson é tímida, solteira e não tem coragem de enfrentar a mãe. A mais nova interpretada por Juliette Lewis é sonhadora e ingênua. Temos ainda o casal de tios (Chris Cooper e Margo Martindale) e o filho inseguro (Benedict Cumberbatch). 

Não é um grande filme, mas incomoda por retratar uma família onde as frustrações são mais fortes do que o parentesco e ainda deixa claro que os sentimentos dos pais em relação ao casamento geram nos filhos consequências que eles carregarão a vida inteira.   

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Sete Vidas

Sete Vidas (Seven Pounds, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Gabriele Muccino
Elenco – Will Smith, Rosario Dawson, Woody Harrelson, Michael Ealy, Barry Pepper, Elpidia Carrillo, Robinne Lee, Bill Smitrovich.

Na cena inicial, Ben (Will Smith) telefona para a emergência avisando do próprio suicídio. Em seguida, a trama volta para um passado recente, mostrando que Ben é um fiscal da receita federal americana e que estranhamente está acompanhando a vida de algumas pessoas que estão passando por dificuldades. Entre estas pessoas estão um deficiente visual (Woody Harrelson), um treinador (Bill Smitrovich) e principalmente a doce Emily (Rosario Dawson), que está na fila de espera para um transplante de coração. 

A parceria entre o astro Will Smith e o diretor italiano Gabriele Muccino rendeu o ótimo “À Procura da Felicidade” em 2006. Este segundo encontro entre os dois resultou em outro bom filme, que tem como ponto principal a busca de redenção do personagem principal e deixa um questionamento polêmico: “Até que ponto uma pessoa com dificuldades merece receber ajuda, levando em conta suas atitudes com o próximo?”. 

Até a sequência final que se mostra radical, o desenvolvimento da trama acerta no tom do drama, resultando em uma história sensível. É um bom drama, daqueles que emocionam em alguns momentos.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Arizona Dream: Um Sonho Americano

Arizona Dream: Um Sonho Americano (Arizona Dream, EUA / França, 1992) – Nota 6
Direção – Emir Kusturica
Elenco – Johnny Depp, Jerry Lewis, Faye Dunaway, Lili Taylor, Vincent Gallo, Paulina Porizkova, Michael J. Pollard.

Axel (Johnny Depp) é um jovem que trabalha com pesca e que sonha viver no Alasca. Num certo dia, ele é procurado por seu amigo Paul (Vincent Gallo), que o convence a voltar para o Arizona por causa do casamento do tio Leo (Jerry Lewis) com uma jovem (Paulina Porizkova) que tem um terço de sua idade. 

O que Axel não imagina é que o tio deseja que ele assuma sua loja de venda de automóveis, como uma espécie de compensação por um trágico acidente do passado. Enquanto espera a cerimônia, Axel se envolve com mãe (Faye Dunaway) e filha (Lili Taylor), duas mulheres complicadas. 

O diretor sérvio Emir Kusturica chamou a atenção da crítica nos anos oitenta com dois filmes: “Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios” e “Vida Cigana”. O sucesso cult destas obras abriu as portas de Hollywood para Kusturica, que se aventurou neste estranho longa que mistura drama e comédia sem se decidir qual caminho seguir. Todos os personagens principais tem sonhos fora do comum, o que deixa o filme ainda mais esquisito e até chato em vários momentos. 

O diretor é elogiado por filmes posteriores como “Underground” e “Zavet”, porém ainda não tive chance de conferir. Este “Arizona Dream” é uma bela derrapada na carreira de Kusturica, que consta ter tido muitos problemas com os produtores na questão da montagem do filme, que por ele teria uma duração maior que os 142 minutos. 

O destaque fica para a participação do grande Jerry Lewis, em um dos seus poucos trabalhos nos últimos trinta anos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Os Puxa-Sacos

Os Puxa-Sacos (Greedy, EUA, 1993) – Nota 6
Direção – Jonathan Lynn
Elenco – Michael J. Fox, Kirk Douglas, Nancy Travis, Olivia D'Abo, Phil Hartman, Ed Begley Jr, Bob Balaban, Colleen Camp, Jonathan Lynn, Jere Burns, Joyce Hyser, Kevin McCarthy, Khandi Alexander.

Hoje, o eterno astro Kirk Douglas completa 99 anos. Dos grandes atores da Era de Ouro de Hollywood, Douglas é um dos poucos ainda vivos e o mais próximo de chegar ao centenário. Ernest Borgnine falecido em 2012 e Eli Wallace que se foi este ano, eram até então os mais próximos de chegar ao cem anos. Espero que ano que vem ele complete o centenário, com certeza será motivo de muitas homenagens.

Nesta postagem, comento a última grande produção em que Kirk Douglas participou, uma simpática comédia que tentava aproveitar a fama de Michael J. Fox na época. O longa fracassou nas bilheterias, sendo apenas uma diversão passageira.

O veteraníssimo Tio Joe (Kirk Douglas) é o milionário patriarca da familia McTeague. Sem filhos e aparentemente próximo da morte, Joe é paparicado por uma legião de parentes no seu aniversário, todos com a esperança de herdarem parte da fortuna, mesmo com o velho os tratando com desprezo. 

Para surpresa geral, Joe anuncia que vai se casar com sua jovem enfermeira (Olivia D’Abo), causando uma sucessão de conflitos entre os gananciosos parentes, incluindo o sobrinho (Michael J. Fox) e sua parceira (Nancy Travis). 

Está longe de ser um grande filme, é basicamente uma sessão da tarde que faz piada com a ganância e a falta de consideração entre os seres humanos. 

O destaque é Kirk Douglas se divertindo como o velho ranzinza e manipulador, com direito a uma engraçada surpresa na cena final.   

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Barco Sem Rumo & O Velho e o Mar


Barco Sem Rumo (Seven Waves Away, EUA, 1957) – Nota 8
Direção – Richard Sale
Elenco – Tyrone Power, Mai Zetterling, Lloyd Nolan, Stephen Boyd.

Um luxuoso transatlântico naufraga e apenas vinte e sete pessoas entre passageiros e tripulantes conseguem escapar em um bote salva-vidas, com um detalhe, o bote tem capacidade apenas para nove pessoas. Alguns sobreviventes estão feridos, entre eles o capitão do navio, que passa o comando do bote para seu auxiliar Alec (Tyrone Power), que deve racionar comida e água, além de manter a ordem no pequeno barco. 

Quando um dos sobreviventes (Lloyd Nolan) percebe que uma tempestade está se aproximando, ele diz para Alec que o barco não suportará a tormenta com aquela quantidade de pessoas. A partir daí, Alec é obrigado a decidir quem deverá ser jogado ao mar para salvar a vida dos outros. 

Este ótimo misto de drama com suspense lembra o clássico “Um Barco e Nove Destinos” dirigido por Alfred Hitchcock em 1944. Assim como naquele filme, aqui a trama explora as fraquezas do ser humano no momento em que este se sente pressionado. As discussões para decidir quem vive e quem morre são tensas, a princípio atingindo os feridos e os doentes, mas com o passar do tempo os conflitos aumentam por causa da escassez de água e comida, fazendo valer a lei do mais forte. 

É interessante também a discussão sobre quem merece viver de acordo com a importância da pessoa em relação ao seu trabalho. No barco estão pessoas famosas como um físico e uma cantora de ópera, mas também um vigarista e os tripulantes. 

É um ótimo filme que prende a atenção pelo suspense e tensão e também pela análise do comportamento humano.

O Velho e o Mar (The Old Man and the Sea, EUA, 1958) – Nota 6,5
Direção – John Sturges
Elenco – Spencer Tracy, Felipe Pazos.

Um velho pescador cubano (Spencer Tracy), sofre há alguns meses pela dificuldade em pescar grandes peixes. Tratado como piada por outros pescadores, o velho vê sua chance de mudar a história quando consegue fisgar um enorme peixe. Este é o início da luta do velho para vencer a força do peixe, como uma espécie de metáfora de vida, onde ele precisa vencer também as dificuldades da idade e da solidão. Enquanto luta para trazer o peixe para ilha, ele relembra e narra em off sua história de vida. 

Baseado num famoso livro de Ernest Hemingway, este longa tem uma bela fotografia e uma ótima interpretação de Spencer Tracy, porém a narrativa é um pouco cansativa. 

Existe outra versão da história filmada para tv em 1990 com Anthony Quinn no papel principal.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Evereste

Evereste (Everest, Inglaterra / EUA / Islândia, 2015) – Nota 7,5
Direção – Baltasar Kormakur
Elenco – Jason Clarke, Josh Brolin, Jake Gyllenhaal, John Hawkes, Sam Worthington, Michael Kelly, Robin Wright, Emily Watson, Keira Knightley, Martin Henderson, Ingvar Eggert Sigurdsson, Naoko Mori.

Em 1996, o alpinista neozelandês Rob Hall (Jason Clark) organizava uma expedição para chegar ao cume do Evereste. Os poucos participantes pagavam pequenas fortunas para realizar o sonho. Durante um mês, Hall, sua equipe e os participantes treinavam a escalada, subindo um pouco mais a cada dia, para fazer com o que corpo se adaptasse a falta de ar e ao gelo. No dia da escalada final, mesmo com toda a preparação e os cuidados necessários, uma inesperada tempestade se forma quando o grupo está perto do topo, causando uma tragédia. 

O homem contra a natureza é a frase perfeita para definir este eficiente longa baseado numa história real. 

Na primeira hora, somos apresentados aos personagens, um pouco de suas motivações e toda a preparação para o grande dia. A segunda parte foca na luta pela vida de alguns personagens, misturando drama, ação e suspense, sem apelar para cenas exageradas de ação, mantendo a tensão através de uma narrativa sóbria. 

O elenco recheado de rostos conhecidos é destaque, também por colocar astros como Jake Gyllenhaal e Keira Knightley em pequenos papéis, porém extremamente importantes para trama. 

Um dos participantes da escalada foi o jornalista Jon Krakauer, interpretado por Michael Kelly, que anos depois escreveria o livro “Na Natureza Selvagem”, que se transformaria em belíssimo filme nas mãos de Sean Penn.

Eu esperava menos e por isso tive uma surpresa agradável com este filme.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Segredos e Mentiras

Segredos e Mentiras (Secrets & Lies, Inglaterra / França, 1996) – Nota 8
Direção – Mike Leigh
Elenco – Timothy Spall, Brenda Blethyn, Marianne Jean Baptiste, Phyllis Logan, Claire Rushbrook, Elizabeth Berrington, Lee Ross.

Cynthia (Brenda Blethyn) é uma mulher de meia-idade frustrada com a vida. Ela trabalha em uma fábrica e mora em uma casa humilde com a filha (Claire Rushbrook), com quem tem uma relação conflituosa. 

Cynthia também tem um relacionamento complicado com a cunhada Monica (Phyllis Logan), o que faz com que ela sofra por ter pouco contato com seu irmão Maurice (Timothy Spall). Maurice é um fotógrafo que passa por uma crise no casamento com Monica. 

Esta família disfuncional não está preparada para conhecer Hortense (Marianne Jean Baptiste), uma jovem optometrista, que após a morte dos pais adotivos decide procurar sua mãe biológica, que é a depressiva Cynthia. 

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes e premiado em vários outros festivais, com destaque para a interpretação de Brenda Blethyn, este elogiado drama é um belíssimo filme sobre relações familiares, segredos e frustrações. 

Além de Blethyn, todo o elenco tem ótimas atuações, como a então jovem Marianne Jean Baptiste e o gordinho Timothy Spall, figura presente em vários filmes de destaque (a série “Harry Potter”) e colaborador habitual do diretor Mike Leigh. 

Apesar de ter comandado outros bons filmes (“Sr. Turner” e “O Segredo de Vera Drake”), este ainda é o melhor trabalho da carreira do diretor Mike Leigh.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Deep Web

Deep Web (Deep Web, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Alex Winter
Narração – Keanu Reeves
Documentário

Em maio de 2015, o texano Ross Ulbricht foi condenado a prisão perpétua acusado de vários crimes, sendo o principal deles ser o proprietário do site Silk Road, que estava hospedado na Deep Web e servia como ponto de venda de drogas online. 

Este documentário se aprofunda no caso, detalhando situações, provas, colhendo diversos depoimentos e colocando em dúvida a lisura do julgamento, além de propor uma discussão sobre liberdade na internet e legalização das drogas. 

Para quem não sabe, a Deep Web, também conhecida como Darknet, é uma espécie de porão da internet, uma terra sem lei onde é feito todo tipo de transação, desde pesquisas jornalísticas, passando por venda de drogas, armas e até mesmo anúncios de assassinos de aluguel.

Ao mesmo tempo, muitos defendem a Deep Web como um local de liberdade, onde as pessoas podem navegar e negociar de forma anônima, sem interferência do governo, pois os sites são criptografados de uma forma que torna quase impossível serem rastreados. 

Basicamente, o doc mostra que o Silk Road e Ross Ulbricht foram utilizados pela justiça como exemplo de luta contra as drogas, porém dezenas de outros sites semelhantes se espalham pela Deep Web. 

O doc discute ainda a questão de que a venda de drogas pela internet diminuiria a violência entre traficantes e usuários, pois não existiria o contato físico e as drogas seriam entregues como uma correspondência comum. É uma posição polêmica, mas que tem uma certa lógica, pois o uso de drogas jamais irá acabar. Minimizar a violência já seria um avanço. 

Como informação, o diretor Alex Winter também é ator e foi muito conhecido nos anos noventa por ser o parceiro de Keanu Reeves nas comédias “Bill e Ted”. Por sinal, provavelmente a amizade entre os dois fez com que Reeves aceitasse ser o narrador deste doc.  

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A Maldição da Montanha & Rochedos da Morte


A Maldição da Montanha (The Mountain, EUA, 1956) – Nota 7
Direção – Edward Dmytryk
Elenco – Spencer Tracy, Robert Wagner, Claire Trevor, William Demarest, E. G. Marshall.

Um avião que decolou na Índia sofre um terrível acidente nos Alpes Franceses. Mesmo com outro avião fotografando o local e não localizando sobreviventes, uma equipe de resgate tenta escalar a montanha a partir de um povoado sem sucesso. Na pequena vila mora o veterano alpinista Zachary Teller (Spencer Tracy), que desistiu da profissão após uma tragédia em uma escalada. Mesmo a contragosto, Zachary é obrigado a voltar para montanha quando seu ganancioso irmão (Robert Wagner) decide chegar a qualquer custo até o avião para saquear os pertences das vítimas. 

Este inusitado longa mistura aventura com drama para explorar o alpinismo numa época em que filmes sobre o tema eram raros. Mesmo com as cenas de escalada filmadas em estúdio e sendo até um pouco ingênuas ao colocar o veterano Spencer Tracy pendurado em cordas, o longa cria um certo suspense nestas sequências e um inevitável conflito entre os irmãos. Vale destacar ainda a bela fotografia e a sequência inicial do acidente de avião.

Rochedos da Morte (Beneath the 12 Mile Reef, EUA, 1953) – Nota 6,5
Direção – Robert Webb
Elenco – Robert Wagner, Terry Moore, Gilbert Roland, Peter Graves, J. Carroll Nash, Richard Boone.

Mike (Gilbert Roland) e Tony Petrakis (Robert Wagner) são pai e filho que vivem da pesca de esponjas na costa da Flórida. Eles sofrem com a concorrência dos ingleses que também exploram a região. Quando Mike morre em um acidente durante o trabalho, o jovem Tony se vê obrigado a continuar sozinho o trabalho do pai. Para complicar ainda mais, Tony se envolve com Gwyneth (Terry Moore), filha de seu concorrente inglês Thomas (Richard Boone). 

A trama é previsível ao explorar o clichê da paixão proibida entre jovens de famílias inimigas e ao mesmo tempo interessante nas cenas de mergulho e nos perigos enfrentados pelos pescadores no mar.

É um filme que prende a atenção, no estilo da sessão da tarde dos anos oitenta.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Tracers

Tracers (Tracers, EUA, 2015) – Nota 6
Direção – Daniel Benmayor
Elenco – Taylor Lautner, Marie Avgeropoulos, Adam Rayner, Rafi Gavron, Johnny M. Wu.

Cam (Taylor Lautner) trabalha com sua bicicleta fazendo entregas por Manhattan e sofre para conseguir dinheiro para quitar uma dívida com um gângster chinês. Num certo dia, Cam é atropelado por uma garota (Marie Avgeropoulos) que corre, salta e sobe pelas paredes como uma gata. 

No dia seguinte, a garota deixa uma bicicleta nova no trabalho de Cam, que atraído, decide procurá-la pela cidade. Ao encontrá-la, o jovem descobre que a garota faz parte de um grupo que pratica o Parkour, uma espécie de corrida acrobática em que os obstáculos são carros, cercas, muros e até mesmo fendas entre edifícios. Logo, Cam percebe que o grupo utiliza este talento para fins lucrativos em atividades fora da lei. 

Acelerado e vazio. Estas duas palavras definem este longa que mais parece uma propaganda sobre o tal de Parkour. As acrobacias são de tirar o fôlego, com algumas sequências sendo filmadas com o próprio Lautner e outras mais ousadas com dublês. 

O problema é que a trama é confusa e totalmente clichê, com direito a traumas do passado, disputa por amor, dívida com mafiosos e vilões caricaturais, sem contar o inexpressivo elenco, começando pelo protagonista. 

Se você não se preocupar com todas estas falhas e quiser apreciar as malucas perseguições pelos telhados e ruas de Manhattan, o filme se tornará um divertimento passageiro. 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Cartas na Mesa & Quebrando a Banca


Cartas na Mesa (Rounders, EUA, 1998) – Nota 7,5
Direção – John Dahl
Elenco – Matt Damon, Edward Norton, John Malkovich, Gretchen Mol, John Turturro, Famke Janssen, Michael Rispoli, Martin Landau, Josh Mostel, Lenny Clarke, Lenny Venito.

Mike McDermott (Matt Damon) é um grande jogador de poker que perdeu suas economias para um gângster russo chamado Teddy KGB (John Malkovich). Pressionado pela namorada (Gretchen Mol), Mike arruma um emprego e planeja voltar para universidade de direito, além de prometer se afastar das mesas de jogos. Quando seu velho amigo Worm (Edward Norton) sai da prisão e o procura alegando que deve uma fortuna para Teddy. Mesmo a contragosto, Mike aceita voltar a jogar para ajudar o amigo a pagar a dívida. 

Considerado um dos melhores filmes já produzidos sobre poker, este “Cartas na Mesa” aborda a obsessão dos jogadores, a desonestidade, o submundo dos cassinos clandestinos e a tensão de cada jogada que envolve muito dinheiro. O poker é mostrado como um jogo de inteligência acima da sorte, em que os jogadores utilizam todas as táticas possíveis para desestabilizar os adversários e vencer. 

O ótimo elenco ajuda a elevar a qualidade do longa. Matt Damon está competente como o jovem dividido entre a paixão pela adrenalina nas mesas de poker e a vida comum ao lado da namorada. No pouco tempo em que aparece na tela, John  Malkovich rouba a cena como o mafioso russo, mas quem brilha mais forte é Edward Norton como o picareta que sabe manipular o amigo e que não mede suas atitudes desonestas.

É um filme que agradará mesmo aqueles que não gostam ou não sabem nada sobre poker. 

Como informação, o diretor John Dahl entregou bons filmes nos anos oitenta e noventa como “Mate-me Outra Vez” e “O Poder da Sedução”, porém na última década se dedicou apenas a séries de tv.

Quebrando a Banca (21, EUA, 2008) – Nota 7
Direção – Robert Luketic
Elenco – Jim Sturgess, Kevin Spacey, Kate Bosworth, Laurence Fishburne, Jack McGee, Aaron Yo, Liza Lapira, Jacob Pitts, Josh Gad, Sam Golzari, Jack Gilpin.

Ben (Jim Sturgess) é um estudante do MIT que conseguiu ser aceito em Harvard para estudar medicina, porém não tem dinheiro para pagar o curso e concorre a uma bolsa de estudos entre dezenas de candidatos. Sempre tendo um desempenho acima da média, Ben é procurado pelo professor Micky Rosa (Kevin Spacey), que o apresenta a um grupo de jovens que estuda formas de enriquecer com o jogo de 21. A princípio, Ben não aceita a proposta, mas acaba voltando atrás e se junta ao grupo que pretende utilizar a tática nos cassinos de Las Vegas. 

Baseado em um livro que diz contar uma história real sobre estudantes do MIT que enriqueceram jogando 21 em cassinos, este drama com pitadas de ação tem um bom desenvolvimento durante os dois primeiros terços da trama, mas se torna previsível no terço final que apela para a reviravolta comum aos longas de golpes. 

A premissa é interessante e se realmente a história for verdadeira, os estudantes merecem uma nota dez pela criatividade e zero pela ganância. 

O destaque do elenco fica para Kevin Spacey como o professor manipulador. 

Mesmo prendendo a atenção, fica o sentimento de que premissa tinha tudo para render um filme melhor.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Entre Abelhas

Entre Abelhas (Brasil, 2015) – Nota 7
Direção – Ian SBF
Elenco – Fábio Porchat, Irene Ravache, Marcos Veras, Luis Lobianco, Giovanna Lancellotti, Marcelo Valle.

Para “comemorar” o fim do casamento com Regina (Giovanna Lancellotti), Bruno (Fábio Porchat) curte uma noitada em uma boate com os amigos. A partir da manhã seguinte, Bruno percebe que não consegue ver algumas pessoas. Ele tromba com pessoas na rua que parecem invisíveis, rostos desaparecem de fotos e de filmagens, causando situações constrangedoras que resultam num grande transtorno em sua vida. 

Com ajuda da mãe superprotetora (Irene Ravache), Bruno tenta encontrar uma solução do seu problema procurando médico, psiquiatra, fazendo testes malucos e criando uma espécie de organograma com os nomes das pessoas que conhece para tentar descobrir um padrão no sumiço de várias delas.

O roteiro escrito pelo comediante Fábio Porchat e o diretor Ian SBF lembra de longe a comédia “Dirigindo no Escuro”, longa em que Woody Allen era um diretor de cinema que desenvolvia uma cegueira psicologica, sem explicação alguma. Aqui, o personagem de Porchat vê todos os objetos, exceto as pessoas que vão desaparecendo aos poucos. 

Ao final da sessão, o espectador não terá uma explicação racional, a proposta é fazer pensar, o que resulta em várias teorias dependendo da visão de cada pessoa. 

Não é um grande filme, mas ganha pontos por investir em um tema diferente do que o cinema brasileiro está acostumado, por fazer o espectador refletir e por utilizar o humor em pequenas gotas de forma inteligente. Por sinal, parte do elenco e o diretor (Porchat, Ian, Luis Lobianco) são integrantes do grupo Porta dos Fundos.    

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Próxima Parada: Bairro Boêmio

Próxima Parada: Bairro Boêmio (Next Stop, Greenwich Village. EUA, 1976) – Nota 7
Direção – Paul Mazursky
Elenco – Lenny Baker, Shelley Winters, Ellen Greene, Christopher Walken, Lois Smith, Dori Brenner, Antonio Fargas, Lou Jacobi, Mike Kellin, Jeff Goldblum.

Em meados dos anos cinquenta, o jovem Larry Lapinsky (Lenny Baker) se muda da casa dos pais no Brooklyn para o Greenwich Village, bairro famoso por abrigar artistas e intelectuais. Lenny deseja se tornar ator, para desespero de sua mãe superprotetora (Shelley Winters). 

Ao lado da namorada (Ellen Greene) e de um grupo de amigos, Lenny aproveita a vida e sobrevive trabalhando em uma mercearia, enquanto não consegue uma chance no cinema. 

O diretor, ator e roteirista Paul Mazursky utilizou lembranças autobiográficas para desenvolver este simpático filme sobre juventude, amizade, sonhos e frustrações. 

A recriação do Greenwich Village e do Brooklyn dos anos cinquenta e a exploração dos costumes da época como as festas, as frases, as roupas e a forma de encarar o sexo, são os pontos principais deste simpático longa. 

Os destaques do elenco ficam para Shelley Winters como a mãe judia que adora dramatizar as situações, um novato Christopher Walken como um arrogante conquistador e a pequena participação de Jeff Goldblum como um temperamental aspirante a ator. O protagonista interpretado por Lenny Baker é um pouco exagerado, mas não compromete o filme. 

Como informação, este foi o único papel principal de Lenny Baker, ator que fez carreira na tv e que faleceu cedo em 1982.  

domingo, 29 de novembro de 2015

Jogada de Mestre

Jogada de Mestre (Kidnapping Mr. Heineken, Bélgica / Holanda / EUA / Inglaterra, 2015) – Nota 6,5
Direção – Daniel Alfredson
Elenco – Jim Sturgess, Sam Worthington, Ryan Kwanten, Anthony Hopkins, Mark van Eeuwen, Thomas Cocquerel, Jemima West, David Dencik.

Amsterdã, Holanda, 1982. Após sofrerem com a falência de sua pequena empresa de construções, serem ignorados pelos bancos ao solicitarem empréstimos e terem seu imóvel invadido por punks que estavam protegidos pela lei, cinco amigos decidem arriscar tudo em um complicado sequestro. 

Liderados por Cor (Jim Sturgess) e Willem (Sam Worthington), o grupo sequestra o milionário Alfred Heineken (Anthony Hopkins), dono da famosa cervejaria, junto com seu chofer. Acreditando que poderiam enganar as autoridades fazendo-os acreditar que a ação fora organizada por algum grupo terrorista, os amigos esperam receber rapidamente o resgate. Como não existe crime perfeito, com o passar do tempo sem resposta da polícia ou da família do empresário, a situação fica a cada dia mais tensa. 

Baseado numa história real, este longa trabalha a clássica premissa dos grandes crimes, que se mostram infalíveis no papel, mas que resultam em situações inesperadas para todos os envolvidos. 

Os personagens são mostrados como sujeitos normais que decidem fazer uma loucura para mudar de vida, mesmo que os letreiros no final do longa passem uma impressão diferente em relação ao destino de alguns deles. 

A narrativa prende a atenção e se desenvolve de maneira correta, explorando os conflitos entre os criminosos e um pouco da relação com o excêntrico Heineken interpretado por Anthony Hopkins, mas está longe de ser um grande filme. 

Como informação, o diretor sueco Daniel Alfredson dirigiu as partes II e III da ótima trilogia Millenium.

sábado, 28 de novembro de 2015

Maze Runner: Prova de Fogo

Maze Runner: Prova de Fogo (Maze Runner: The Scorch Trails, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Wes Ball
Elenco – Dylan O’Brien, Ki Hong Lee, Kaya Scodelario, Thomas Brodie Sangster, Jacob Lofland, Aidan Gillen, Patricia Clarkson, Giancarlo Sposito, Rosa Salazar, Dexter Darden, Lili Taylor, Barry Pepper, Alan Tudyk.

Após conseguirem escapar do labirinto e serem resgatados por soldados desconhecidos, o grupo de jovens liderados por Thomas (Dylan O’Brien) é levado para uma espécie de base militar, onde são recebidos por Janson (Aidan Gillen), que diz para os jovens ficarem tranquilos, que no local vivem outros garotos que fugiram do labirinto e que em breve todos serão transportados para outro lugar ainda mais seguro. 

A desconfiança de Thomas quanto as palavras de Janson chama a atenção de outro garoto, Aris (Jacob Lofland), que vive isolado. Rapidamente, Aris mostra para Thomas o que realmente está ocorrendo na base e que a única chance de sobreviver será fugindo. 

O longa original foi uma agradável surpresa ao apresentar uma história interessante com cenas de ação e suspense em alta voltagem dentro do sinistro labirinto. Esta sequência ainda tem boas cenas de ação e um ritmo ágil, mas perde pontos pela falta de originalidade da história, que costura ideias de filmes de zumbis, tramas de apocalipse nuclear e até situações que lembram o clássico “O Império Contra Ataca”. O labirinto era um dos grandes trunfos do primeiro filme, além do suspense em relação ao porque dos jovens estarem presos ali. 

Esta sequência  não chega a ser ruim, a questão é que a expectativa era maior em relação ao bom filme anterior. Agora é esperar o fechamento da trilogia. 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Blindspot

Blindspot (EUA, 2015)
Criador - Martin Gero
Elenco - Sullivan Stapleton, Jaimie Alexander, Rob Brown, Audrey Sparza, Ashley Johnson, Marianne Jean Baptiste, Ukweli Roach.

Uma mulher nua (Jamie Alexander) com o corpo repleto de tatuagens é encontrada viva em uma mala em pleno Times Square. Entre as tatuagens está o nome do agente do FBI Kurt Weller (Sullivan Stapleton).

A jovem é levada para o FBI, ficando aos cuidados do grupo de investigação liderado por Weller e aos poucos, descobre-se que cada tatuagem representa uma ação criminosa que está prestes a acontecer.

A situação é mais complicada porque a jovem não lembra coisa algum de seu passado, o porque das tatuagens e nem mesmo seu nome. Por ser uma total desconhecida, ela recebe o nome de Jane Doe e se transforma em uma espécie de consultora nas investigações de suas tatuagens.

A premissa é instigante e aberta a muitas possibilidades de desenvolvimento da história, ao mesmo tempo em que é necessário criatividade para apresentar explicações verossímeis para cada tatuagem e para o passado da desconhecida.

Os primeiros dez episódios da temporada são competentes, mesclando cenas de ação, investigação, conspiração e segredos revelados a cada novo episódio. Estão previstos ainda mais treze episódios para fechar a temporada a partir de fevereiro do ano que vem,

Não sei se é um ponto positivo ou negativo, acredito que depende do gosto de cada espectador, mas a série tem um visual "clean", ao estilo de produções semelhantes como "Hawai 5.0." e outras mais antigas como "Cold Case" e "Without a Trace".

O elenco pode ser considerado politicamente correto. O protagonista é o galã durão, a jovem desconhecida é linda e entre os coadjuvantes temos o agente negro, a agente latina e a nerd especialista em tecnologia.

Eu gostei da série, cumpre o papel de divertir e prender a atenção, mas me parece outra história que a princípio terá fôlego apenas para uma temporada.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Zipper

Zipper (Zipper, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Mora Stephens
Elenco – Patrick Wilson, Lena Headey. Ray Winstone, Richard Dreyfuss, John Cho, Dianna Agron, Christopher McDonald, Alexandra Beckenridge, Penelope Mitchell.

O procurador de justiça Sam Ellis (Patrick Wilson) está com a carreira em ascensão e com a pretensão de entrar para a política, sempre com o apoio da esposa (Lena Headey), que inclusive conseguiu que um amigo jornalista (Ray Winstone) faça uma reportagem sobre o marido. 

Após atuar em um caso onde uma jovem celebridade tenta esconder seu passado de garota de programa, o sucesso profissional de Sam acaba entrando em conflito com a tentação. Habitual visitante de sites de pornografia, Sam passa a visitar também sites de acompanhantes, até que o desejo se torna mais forte do que a razão. 

Apesar de não ter recebido boas críticas, este “Zipper” é um interessante drama sobre sexo, poder e desejo. O personagem interpretado por Patrick Wilson é o protótipo de um sem número de homens, que casados há muito tempo, sentem que a idade está chegando e que este é o momento de aproveitar as delícias do sexo fácil, mesmo arriscando casamento e carreira. 

O roteiro também faz uma comparação entre prostituição e política, mostrando com sutileza as semelhanças das duas profissões que se baseiam na mentira, na troca de favores e nas aparências. A cena do envelope de dinheiro no final do longa é perfeita. 

Vale destacar ainda as quentes de cenas de sexo, muito bem filmadas por sinal. 

É um filme que vale a sessão para quem gosta do tema.