sábado, 31 de março de 2018

Sob Custódia

Sob Custódia (Custody, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – James Lapine
Elenco – Viola Davis, Catalina Sandino Moreno, Hayden Panettiere, Tony Shalhoub, Ellen Burstyn, Raúl Esparza, Dan Fogler, Jaden Michael, Bryce Lorenzo.

Sara Diaz (Catalina Sandino Moreno) é uma imigrante que trabalha em uma empresa e que cuida de seu casal de filhos pequenos. Um incidente resulta em um machucado no garoto e por consequência as crianças são levadas por um assistente social. 

Precisando provar em corte que é uma boa mãe, Sara é defendida por uma jovem advogada (Hayden Panettiere), que precisa enfrentar sua inexperiência e seus problemas pessoais. O caso é decidido na corte da juíza Martha (Viola Davis), que também por uma crise familiar. 

Por mais que a narrativa lembre uma epísodio de seriado, o filme cumpre seu papel de manter o interesse do espectador e amarrar a trama de uma forma realista. Uma das sacadas é mostrar que os problemas atingem pessoas em todas as camadas sociais, lógico que com a diferença que os menos favorecidos tenham uma dificuldade bem maior em resolver suas pendências. 

O roteiro também faz uma crítica a burocracia do sistema judiciário americano ao detalhar a saga que a personagem de Catalina Sandino Moreno precisa encarar. Por sinal, a bela e talentosa atriz colombiana que concorreu ao Oscar de forma surpreendente em sua estreia no cinema em “Maria Cheia de Graça”, mostra a cada trabalho que merece um grande papel para alavancar a carreira.           

sexta-feira, 30 de março de 2018

Ensinando a Viver

Ensinando a Viver (Martian Child, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Menno Meyjes
Elenco – John Cusack, Bobby Coleman, Amanda Peet, Sophie Okonedo, Joan Cusack, Oliver Platt, Richard Schiff, Howard Hesseman.

Dois anos após a morte da esposa, o famoso escritor de ficção científica David (John Cusack) é procurado por uma agência de adoção onde ele e a esposa haviam feito uma inscrição. 

A princípio não tendo interesse em seguir com o processo, David fica curioso ao descobrir que o garoto Dennis (Bob Coleman), que seria a criança indicada pela agência, acredita ser um marciano. 

Aos poucos David se aproxima do garoto e decide tentar a adoção. As estranhas atitudes do menino dificultam a relação e mexem com a vida do escritor. 

A grande sacada do roteiro é deixar o espectador em dúvida sobre o garoto. Até perto do final fica a pergunta se estamos assistindo a um drama familiar com pitadas de comédia ou uma ficção científica. A atuação do garoto Bobby Coleman ajuda a manter o mistério e cria uma boa química com John Cusack. 

É basicamente uma história comum sobre dificuldades de relacionamento, perdas e amizade.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Um Jantar Para Idiotas & Os Três Fugitivos


Um Jantar Para Idiotas (Dinner for Schmucks, EUA, 2010) – Nota 5,5
Direção – Jay Roach
Elenco – Steve Carell, Paul Rudd, Zach Galifianakis, Jermaine Clemant, Stephanie Szostak, Lucy Punch, Bruce Greenwood, Ron Livingston, David Walliams.

Tim (Paul Rudd) vê a chance de conseguir uma promoção na empresa onde trabalha ao apresentar uma proposta que pode seduzir um milionário europeu. Seu chefe (Bruce Greenwood) diz que para Tim conseguir o cargo, precisará passar por um teste. Levar um sujeito idiota para um jantar dos diretores da empresa, sendo que cada convidado levaria um idiota para competir. 

Mesmo criticado pela namorada (Stephanie Szostak), Tim decide ir ao jantar após conhecer o estranho Barry (Steve Carell), especialista em criar miniaturas com ratos mortos. Durante dois dias, Tim se envolve em situações constrangedoras causadas por Barry. 

Esta refilmagem da comédia francesa “O Jantar dos Malas” de Francis Veber resulta em poucas risadas. Eu imaginava um filme fraco, mas arrisquei conferir por causa de Steve Carell. Considero um ator talentoso, engraçado e que também sabe atuar em papéis mais sérios. Infelizmente ele sozinho não conseguiu melhorar a qualidade do filme, mesmo sendo o melhor personagem. 

Os coadjuvantes são mais estranhos do que engraçados. Temos a louca perseguidora, o artista excêntrico e a participação de Zach Galifianakis como o sujeito que acredita ter poderes para controlar a mente das pessoas. 

No final fica a sensação de uma grande perda de tempo.

Os Três Fugitivos (Three Fugitives, EUA, 1989) – Nota 6
Direção – Francis Veber
Elenco – Nick Nolte, Martin Short, Sarah Rowland Doroff, James Earl Jones, Alan Ruck, Kenneth McMillan, Bruce McGill, Lee Garlington.

Após cumprir pena, o assaltante Lucas (Nick Nolte) pretende sair do mundo do crime e levar uma vida normal. No primeiro dia em liberdade, Lucas entra em um banco e por azar se torna refém de um assalto. O bandido inexperiente e atrapalhado é Ned (Martin Short), um viúvo desempregado que precisa de dinheiro para cuidar da filha muda (Sarah Rowland Doroff). Sabendo que a polícia jamais vai acreditar na coincidência e na sua inocência, Lucas termina por ajudar Ned a fugir com a filha. 

O próprio diretor Francis Veber dirigiu esta refilmagem de seu longa que fez grande sucesso na França três anos antes, tendo Gerard Depardieu e Pierre Richard como protagonistas. Esta versão segue o estilo das comédias dos anos oitenta, intercalando algumas cenas de ação com piadas bobinhas e pitadas de drama. 

As piadas tentam fazer rir explorando a diferença de tamanho e personalidade entre Nick Nolte e Martin Short, criando inclusive um involuntária relação familiar com a garota filha do personagem de Short.  

Na época o filme foi um razoável sucesso de público. Hoje vale apenas como curiosidade para o cinéfilo que curte comédias. 

quarta-feira, 28 de março de 2018

O Sinal

O Sinal (La Señal, Argentina / Espanha, 2007) – Nota 6,5
Direção – Ricardo Darin & Martin Hodara
Elenco – Ricardo Darin, Diego Peretti, Julieta Diaz, Andrea Pietra, Carlos Bardem.

Buenos Aires, 1952. Corvalan (Ricardo Darin) e Santana (Diego Peretti) são investigadores particulares que trabalham em parceria normalmente em casos de infidelidade conjugal. 

Quando Corvalan é procurado por uma bela e misteriosa mulher (Julieta Diaz) para descobrir o paradeiro de um sujeito, ele fica fascinado pela garota e não imagina que será envolvido em um complexo caso com participação da Máfia. 

Este longa é até agora o único trabalho na direção do astro argentino Ricardo Darin, que divide os créditos com Martin Hodara. A dupla voltaria a a se reunir no recente e superior “Neve Negra”, com Darin apenas atuando. 

Este “O Sinal” explora uma clássica e previsível trama ao estilo noir, levando o protagonista ao submundo da Buenos Aires dos anos cinquenta. Com apenas uma ou duas cenas de violência e uma narrativa até certo ponto arrastada, em momento algum o filme decola. 

O melhor do longa é a recriação de época. Carros e figurinos se casam perfeitamente com as locações em bairros antigos da cidade. Ricardo Darin e Diego Peretti também entregam boas atuações. 

O resultado é um filme no máximo razoável, com qualidade abaixo da maioria das produções argentinas atuais.

terça-feira, 27 de março de 2018

Programado Para Vencer

Programado Para Vencer (The Program, Inglaterra / França, 2015) – Nota 6,5
Direção – Stephen Frears
Elenco – Ben Foster, Chris O’Dowd, Guillaume Canet, Jesse Plemons, Lee Pace, Denis Ménochet, Edward Hogg, Dustin Hoffman, Elaine Cassidy.

No início dos anos noventa, o jovem cliclista americano Lance Armstrong (Ben Foster) era considerado talentoso, porém sem condições físicas de competir com os melhores nas disputas de subidas da famosa “Volta da França”. 

Inconformado com as derrotas, Armstrong procura o polêmico médico italiano Michelle Ferrari (Guillaume Canet), conhecido por utilizar técnicas científicas controversas. A princípio rejeitado pelo médico, Armstrong decide utilizar Testosterona e E.P.O. por conta própria. Os resultados esportivos chegam, porém um câncer também. 

Após sobreviver a doença, ele decide procurar novamente Ferrari, que desta vez se torna seu parceiro no doping. O sucesso e as vitórias seguem até que a verdade vem à tona. 

A vida de Lance Armstrong mereceria um filme um pouco melhor, não por seu caráter é claro, mas pela sequência de mentiras e picaretagens que o levaram ao topo do esporte. O doping hoje é algo comum na maioria dos esportes, sendo muitas vezes indetectável por causa de artimanhas criadas por profissionais que acompanham os atletas. 

O caso de Armstrong é ainda mais sinistro porque o sujeito quase morreu por causa do doping e ao se recuperar voltou a competir utilizando novamente drogas de uma forma ainda mais profissional. 

É uma pena que o roteiro seja extremamente picotado, provavelmente por cobrir mais de quinze anos na vida do atleta. Muitas situações passam rapidamente pela tela, como seu casamento, os filhos que são apenas citados e as relações complicadas com os colegas de equipe. 

O filme vale a sessão para quem quer saber um pouco da história de vida de Armstrong, mas decepciona quem procura algo mais aprofundado.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Roman J. Israel, Esq.

Roman J. Israel, Esq. (Roman J. Israel, Esq., EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Dan Gilroy
Elenco – Denzel Washington, Colin Farrell, Carmen Ejogo, Tony Plana, Amanda Warren, Sam Gilroy, DeRon Horton.

Após trinta e cinco anos trabalhando nos bastidores como parceiro de um advogado criminal, Roman J. Israel (Denzel Washington) não sabe que caminho seguir após o amigo entrar em coma irreversível. 

Extremamente inteligente, Roman é quase um gênio para encontrar brechas nas leis e criar estratégias de defesa para seus clientes. O problema é que ele tem muita dificuldade em lidar com as pessoas. 

Por causa disso, o amigo deixou por escrito que os casos pendentes seriam repassados para um grande escritório comandado por George Pierce (Colin Farrell). Desamparado e sem saber qual caminho seguir, Roman se envolve numa série de situações que o farão mudar a forma de encarar o mundo. 

O roteiro escrito pelo diretor Dan Gilroy (“O Abutre”) explora temas interessantes. O principal é mostrar o sofrimento de uma pessoa que não se encaixa nos padrões exigidos pela sociedade. Quando o protagonista vivido por Denzel Washington é obrigado a enfrentar a vida normal, sem um parceiro para ser o interlocutor de seu trabalho, seus ideais entram em conflito com a “normalidade”. 

Algumas sequências são dolorosas, como no caso da palestra quando sua gentileza é confrontada por uma feminista raivosa ou quando ele tenta procurar emprego em uma ONG e um dos funcionários o trata como um aberração. 

Outro ponto interessante do roteiro é a crítica ao sistema judiciário americano e aos advogados que vendem seus serviços por um alto valor assustando os familiares dos réus, para depois aceitar a primeira proposta que os promotores oferecem para encerrar o caso rapidamente. Uma verdadeira indústria da justiça. 

O filme muda um pouco o foco na segunda metade, mas ainda faz pensar sobre até que ponto vale a pena sofrer para manter seus ideais ou se o melhor seria mesmo abraçar o sistema.

Vale destacar a interpretação de Denzel Washington. Seu personagem parece viver ainda nos anos sessenta.

domingo, 25 de março de 2018

North Face

North Face (Nordwand, Alemanha / Áustria / Suíça, 2008) – Nota 8
Direção – Philipp Stolzl
Elenco – Benno Furmann, Johanna Wokalek, Florian Lukas, Ulrich Tukur, Simon Schwarz, Georg Freidrich, Erwin Steinhauer.

Alemanha, 1936. Após a morte de dois alpinistas que tentavam chegar ao topo do pico Eiger nos Alpes Suíços, um jornal de Berlim procura novos aventureiros para conseguir a façanha a ser utilizada como propaganda nazista. 

A jornalista novata Luise Fellner (Johanna Wokalek) indica uma dupla de amigos alpinistas que vivem no interior do país. Toni Kurz (Benno Furmann) e Andreas Hinterstoisser (Florian Lukas) aceitam o desafio de enfrentar a escalada no local também conhecido como “Parede da Morte”, pois além da dificuldade normal, ainda ocorrem mudanças climáticas drásticas na região. 

Baseado numa história real, este é com certeza um dos longas mais realistas sobre alpinismo. O roteiro explora em parte o crescimento do nazismo pouco antes da anexação da Áustria e a relação dos alpinistas com a jovem jornalista, porém o foco principal é a escalada.

O grande acerto do diretor é não transformar os protagonistas em super heróis, eles são mostrados como aventureiros que se preocupavam com a segurança, mesmo numa época em que os equipamentos para escalada ainda era rudimentares. As sequências de tensão e dramaticidade na montanha são assustadoras e realistas. 

É um daqueles que filmes que retratam pessoas que arriscam a própria a vida para conseguir um objetivo pessoal.    

sexta-feira, 23 de março de 2018

Cavalos Domados & Caminhos Perdidos


Cavalos Domados (Broken Horses, EUA, 2015) – Nota 5,5
Direção – Vidhu Vinod Chopra
Elenco – Anton Yelchin, Vincent D’Onofrio, Chris Marquette, Maria Valverde, Thomas Jane, Harry Shotwell, Nicholas Neve, Sean Patrick Flanery, Jordi Caballero, Johnathon Schaech.

Numa pequena cidade na divisa com o México, um policial (Thomas Jane) é assassinado e deixa dois filhos órfãos. O mais velho é Buddy (Harry Shotwell), que tem um pequeno atraso mental e o pequeno é Jake (Nicholas Neve). Buddy termina sendo “adotado” pelo violento Julius Hench (Vincent D’Onofrio), que o manipula e o transforma em assassino. 

Quinze anos depois, Jake (Anton Yelchin) é um músico clássico que retorna à cidade para levar Buddy (Chris Marquette) ao seu casamento em Nova York. Jake se surpreende ao descobrir que o irmão continua cometendo crimes para Julius, que por seu lado não quer que Buddy deixe a cidade. 

O roteiro lembra um filme policial B. A premissa de transformar um jovem com dificuldades mentais em assassino é um tanto insólita. A forma como o personagem do falecido Anton Yelchin se torna alvo dos criminosos e depois monta um plano tentar salvar o irmão também é exagerada. O destaque fica para a expressiva atuação de Chris Marquette e para as locações. 

O resultado é um filme totalmente esquecível.

Caminhos Perdidos (Lost in the Sun, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Trey Nelson
Elenco – Josh Duhamel, Josh Wiggins, Lynn Collins, Emma Fuhrmann.

Após sair da cadeia, John (Josh Duhamel) aparece no enterro de uma mulher e se apresenta ao filho adolescente dela, Louis (Josh Wiggins). O garoto seguirá para o Novo México para viver com os avós, porém John se oferece para levá-lo de carro até o local. Louis aceita o convite e não imagina que o sujeito além de guardar um segredo, também precisa de dinheiro para pagar uma dívida com bandidos. 

Desde o início fica clara qual a ligação entre John e Louis. Partindo desta premissa, o filme se transforma num road movie em que John tenta criar um laço com o garoto, mas se perde completamente com suas atitudes impensadas. 

É uma história previsível, mas que prende a atenção e entrega uma narrativa fluída e agradável, resultando numa obra mediana.  

quinta-feira, 22 de março de 2018

Um Misterioso Assassinato em Manhattan

Um Misterioso Assassinato em Manhattan (Manhattan Murder Mistery, EUA, 1993) – Nota 7
Direção – Woody Allen
Elenco – Woody Allen, Diane Keaton, Alan Alda, Anjelica Huston, Jerry Adler, Lynn Cohen, Ron Rifkin, Zach Braff.

O casal Larry (Woody Allen) e Carol (Diane Keaton) mora em um belo apartamento em Manhattan. Num certo dia, eles cruzam no elevador com um casal mais velho (Jerry Adler e Lynn Cohen) que os convida para um café no apartamento deles. 

Alguns dias depois, a mulher morre repentinamente de um ataque cardíaco. O que seria uma morte por causas naturais, Carol passa a desconfiar de assassinato ao encontrar o viúvo todo sorridente na porta do edifício. Ela decide seguir o sujeito e descobre que ele tem uma amante. Carol convence o marido e um amigo (Alan Alda) a ajudá-la na investigação. 

O roteiro escrito como sempre por Woody Allen cria uma espécie de paródia e homenagem aos filmes policiais do anos quarenta e cinquenta, inclusive com uma sequência em meio a espelhos dentro de um cinema que lembra “A Dama de Shangai” e uma outra cena em que os personagens assistem a “Pacto de Sangue”. 

A proposta funciona para quem entrar na brincadeira. Como opinião pessoal, a personagem de Diane Keaton me pareceu irritante demais. Assim como Woody Allen que sempre interpreta o sujeito cínico e falador, que solta piadas intelectuais, Diane Keaton geralmente vive personagens teimosas. Por mais que concorde que ela seja uma boa atriz, por outro lado não consigo ter simpatia por seus papéis. 

Como ocorre em praticamente todos os filmes de Woody Allen, esta é uma obra indicada para seus fãs.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Betibú

Betibú (Betibú, Argentina / Espanha, 2014) – Nota 7
Direção – Miguel Cohan
Elenco – Mercedes Moran, Daniel Fanego, Alberto Ammann, José Coronado, Marina Bellati, Norman Briski.

Uma famoso empresário é encontrado morto em sua casa dentro de um condomínio de luxo. 

O editor de um jornal (José Coronado) encarrega o veterano jornalista policial Jaime Brena (Daniel Fanego) e o novato Mariano Saravia (Alberto Ammann) a trabalharem juntos com a escritora Nurit Iscar (Mercedes Moran) que deverá escrever um artigo sobre o caso. 

Conforme a investigação jornalística avança, fica claro que o assassinato do sujeito é algo que vai além de um simples assalto. 

O roteiro escrito pelo diretor Miguel Cohan explora o clássico tema do jornalista investigativo que se envolve numa trama perigosa. O ponto principal é a forma como os dois jornalistas e a escritora tentam amarrar as pontas para solucionar o caso. 

Um personagem interessante que aparece pouco é do ex-jornalista paranoico que acredita em conspirações vivido por Norman Briski. 

Como curiosidade, a Betibú do título é o apelido da protagonista inspirado na famosa personagem do cartoon Betty Boop.

terça-feira, 20 de março de 2018

150 Miligramas

150 Miligramas (La Fille de Brest, França, 2016) – Nota 7
Direção – Emmanuelle Bercot
Elenco – Sidse Babett Knudsen, Benoit Magimel, Charlotte Laemmel, Isabelle de Hertogh, Gustav Kervern, Patrick Ligardes.

Brest, interior da França, 2009. A médica pneumologista Irene Frachon (Sidse Babett Knudsen) se assusta ao perceber que vários dos seus pacientes nos últimos anos desenvolveram uma doença na válvula do coração após o uso contínuo de um medicamento chamado Mediator. 

Precisando de ajuda para provar que o medicamento é maléfico aos pacientes, ela convence o médico Antoine le Bihan (Benoit Magimel) a fazer uma pesquisa para provar sua teoria. É o início de uma guerra entre Frachon e um famoso laboratório. 

Este longa detalha a história real da incessante luta de Irene Frachon para proibir a venda do medicamento e posteriormente para exigir uma indenização às pessoas e famílias que foram afetadas pelo remédio. 

É interessante ver que mesmo em um país de primeiro mundo como a França, onde a corrupção é menor do que no Brasil, a força do lobby das grandes empresas junto as autoridades ainda é enorme. 

A questão de medicamentos que são comercializados por anos e que se descobrem, ou melhor, se revelam os efeitos negativos após milhares de pessoas terem sido expostas já ocorreu diversas vezes e em vários países. 

Não chega a ser um grande filme, mas vale a sessão por focar em um tema polêmico que é consequência da ganância e de uma irresponsabilidade gigante.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Os Safados & Os Picaretas


Os Safados (Dirty Rotten Scoundrels, EUA, 1988) – Nota 7,5
Direção – Frank Oz
Elenco – Steve Martin, Michael Caine, Glenne Headly, Anton Rodgers, Barbara Harris, Ian McDiarmid, Dana Ivey, Frances Conroy.

Na Riviera Francesa, Lawrence Jamieson (Michael Caine) é um vigarista de classe que utiliza seu charme e inteligência para tirar dinheiro de mulheres ricas. Sua vida de esquemas fica ameaçada quando surge um golpista desconhecido batizado como “Chacal”. 

Para deixar a situação mais complicada, um americano chamado Freddy Benson (Steve Martin) chega na região aplicando pequenos golpes. A falta de fineza de Freddy chama a atenção de Lawrence, que acredita que o sujeito seja o tal Chacal. Lawrence se aproxima de Freddy como um mentor, para transformá-lo em um picareta de classe. O primeiro objetivo da dupla é enganar uma jovem herdeira (Glenne Headly). 

Clássico da comédia dos anos oitenta, este longa ganha pontos pela ótima química entre Michael Caine e Steve Martin. O roteiro explora as diferenças dos personagens para fazer rir em sequências criativas, incluindo a cena do jantar no restaurante, que hoje seria considerada politicamente incorreta. Vale destacar ainda a surpresa final. 

Os Picaretas (Bowfinger, EUA, 1999) – Nota 6,5
Direção – Frank Oz
Elenco – Steve Martin, Eddie Murphy, Heather Graham, Christine Baranski, Jamie Kennedy, Barry Newman, Terence Stamp, Robert Downey Jr, Kohl Sudduth.

Bobby Bowfinger (Steve Martin) é o dono de uma produtora falida que ainda não lançou filme algum. O sonho de fazer sucesso surge quando seu contador apresenta um roteiro de uma ficção sobre uma invasão alienígena. 

Para conseguir dinheiro, Bowfinger espalha a mentira de que contratou o astro Kit Ramsey (Eddie Murphy) para ser o protagonista. Quando a produção decola, Bowfinger resolve o problema filmando Kit sem ele saber e por fim contratando o irmão do astro, o bobalhão Jiff (Eddie Murphy novamente) para filmar o restante das cenas. 

O roteiro escrito por Steve Martin é uma paródia sobre a ambição de fazer sucesso em Hollywood a qualquer custo. Os personagens são clichês do mundo do cinema. O produtor que utiliza todo tipo de artifício para arrecadar dinheiro, o astro temperamental, a jovem atriz deslumbrada, ingênua e safadinha (Heather Graham) e a veterana decadente (Christine Baranski). 

Não chega a ser uma grande comédia, mas faz rir em algumas sequências em virtude do talento de Steve Martin e Eddie Murphy.

domingo, 18 de março de 2018

A Festa

A Festa (The Party, Inglaterra, 2017) – Nota 6,5
Direção – Sally Potter
Elenco – Timothy Spall, Kristin Scott Thomas, Patricia Clarkson, Bruno Ganz, Cherry Jones, Emily Mortimer, Cillian Murphy.

Em Londres, Janet (Kristin Scott Thomas) prepara um jantar para um grupo de amigos com o objetivo de comemorar sua indicação para Ministra da Saúde. 

O que seria uma agradável reunião, se transforma em uma grande discussão quando seu marido Bill (Timothy Spall), que está bêbado, revela um segredo. O fato abala os convidados e faz vir à tona conflitos paralelos. 

O roteiro escrito pela diretora Sally Potter é um verdadeiro teatro filmado, que utiliza a casa da protagonista como cenário único. Os diálogos ferinos que abordam traição, preconceitos e feminismo revelam as frustrações de cada personagem. 

O filme lembra um pouco “Deus da Carnificina” de Polanski, porém a narrativa é mais leve, até mesmo com algumas situações que beiram o humor negro. 

Com exceção do exagerado personagem de Cillian Murphy, o restante do elenco dá conta do recado, com grande destaque para Timothy Spall, perfeito como o intelectual frustrado.

Finalizando, a curta duração de apenas uma hora e dez minutos ajuda bastante a não cansar o espectador.

sábado, 17 de março de 2018

Desejo e Reparação

Desejo e Reparação (Atonement, Inglaterra / França / EUA, 2007) – Nota 7,5
Direção – Joe Wright
Elenco – James McAvoy, Keira Knightley, Saoirse Ronan, Romola Garay, Patrick Kennedy, Benedict Cumberbatch, Juno Temple, Brenda Blethyn, Daniel Mays, Nonso Anozie, Alfie Allen, Harriet Walter, Vanessa Redgrave, Anthony Minghella, Jeremie Renier.

Inglaterra, 1935. Numa enorme propriedade na zona rural, a família Tallis desfruta de sua riqueza pouco tempo antes do início da Segunda Guerra. 

Apesar da diferença de idade, as irmãs Cecilia (Keira Knightley) e Briony (Saoirse Ronan) estão apaixonadas pela mesmo homem. O jovem Robbie (James McAvoy) é filho da governanta, mas cresceu e estudou com a ajuda família Tallis. O ciúme da adolescente Briony causa uma situação constrangedora que mudará para sempre as vidas de Cecilia e Robbie. 

Sucesso de crítica, este longa baseado em um famoso livro segue o estilo dos dramas românticos clássicos. O sofrimento por amor, os desencontros e a culpa são alguns dos ingredientes. 

O filme é dividido em duas partes. A primeira se passa no casarão da família e a parte final durante a Segunda Guerra, com cenas em Londres e na praia de Dunquerque. 

As cenas em Dunquerque são poucas e praticamente sem ação, mas mesmo assim extremamente caprichadas na reconstituição de época e na quantidade de figurantes como soldados. 

O trio principal tem ótimas atuações, inclusive uma ainda garotinha Saoirse Ronan. Vale destacar também a sequência final que tem uma pequena e marcante participação de Vanessa Redgrave e do falecido diretor Anthony Minghella. 

É uma triste história em um filme muito bem produzido.   

sexta-feira, 16 de março de 2018

Príncipes da Estrada

Príncipes da Estrada (Prince Avalanche, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – David Gordon Green
Elenco – Paul Rudd, Emile Hirsch, Lance LeGault, Joyce Payne.

Estamos em 1988. Após um incêndio que destruiu uma região florestal, Alvin (Paul Rudd) e seu cunhado Lance (Emily Hirsch) estão no local pintando faixas em uma estrada isolada. 

O trabalho monótono deixa tempo para eles discutirem principalmente sobre mulheres. Alvin namora a irmã de Lance, mas decidiu se isolar no trabalho para pensar sobre a vida. Por outro lado, Lance está entediado e ansioso para voltar a cidade para pegar mulheres. Com o passar dos dias, os problemas sentimentais da dupla aumentam e as discussões também. 

Este longa é uma refilmagem de uma desconhecida produção da Islândia de 2011 chamada "Á Annan Veg". Não é um filme para todo o público. O isolamento dos personagens, os diálogos e o ritmo lento da narrativa resulta em um longa quase experimental. 

O ponto mais comum da história é o sofrimento por causa dos relacionamentos. O personagem de um veterano caminhoneiro beberrão vivido por Lance LeGault é outro que abre seu coração sobre a dor do amor. 

Para quem procura um filme simples e diferente, esta obra é uma curiosa opção.

quinta-feira, 15 de março de 2018

As Torres Gêmeas & O Túnel


As Torres Gêmeas (World Trade Center, EUA, 2006) – Nota 6,5
Direção – Oliver Stone
Elenco – Nicolas Cage, Michael Peña, Maria Bello, Maggie Gyllenhaal, Michael Shannon, Jay Hernandez, Brad William Henke, Jon Bernthal, Stephen Dorff, Frank Whaley, Donna Murphy, Jude Ciccolella, Ned Eisenberg, Nicholas Turturro, Danny Nucci, Wass Stevens, Peter McRobbie, Viola Davis.

O diretor Oliver Stone escolheu uma história de superação para abordar os atentados de 11 de Setembro. O roteiro foca no sofrimento de dois policiais, o sargento John McLoughlin (Nicolas Cage) e o oficial Willie Jimeno (Michael Peña) que ficaram soterrados quando tentavam ajudar as pessoas a saírem do World Trade Center. 

A trama se divide em duas narrativas, sendo uma detalhando as conversas entre os desesperados policiais presos debaixo dos escombros e a segunda focando o sofrimento de suas famílias em busca de notícias sobre eles. 

O objetivo do diretor foi fazer uma uma homenagem a todos que perderam entes queridos na tragédia, representados pelos dois policiais e suas famílias.

Analisando como cinema, o longa é apenas correto. As cenas do desabamento são assustadoras e o sofrimento dos protagonistas extremamente doloroso. Por outro lado, ficaria difícil fugir do melodrama nas cenas com as famílias e nos momentos de resgate dos protagonistas. 

O Túnel (Teo-Nel, Coreia do Sul, 2016) – Nota 7
Direção – Seong Hun Kim
Elenco – Jung Woo Ha, Doona Bae, Dal Suh Oh, Hae Suk Kin, Ji Hyun Nam.

Lee Jung Soo (Jung Woo Ha) é um vendedor de automóveis que ao passar com seu carro por um túnel recém inaugurado, não consegue escapar de uma gigantesco desabamento. Preso dentro do carro, ele consegue contato com o lado de fora pelo celular e avisa também sua esposa (Doona Bae). 

O líder da equipe de resgate (Dal Suh Oh) avisa o pobre Lee que para chegar até o carro eles podem demorar uma semana. Tentando manter a calma, Lee precisa dosar as duas garrafas de água e um bolo de aniversário para durarem os sete dias. É o início de um terrível jogo de paciência. 

Apesar da ótima parte técnica comum aos filmes sul-coreanos, este longa perde alguns pontos por ter um fio de história que funcionaria melhor com uma meia-hora a menos de duração. O filme se divide em duas narrativas. A do protagonista tentando sobreviver preso nos escombros e a do chefe do resgate que fica obcecado em salvar o sujeito. 

O roteiro ainda faz críticas a imprensa sensacionalista, a corrupção nas obras públicas e aos políticos que tentam ganhar popularidade com uma tragédia. 

O resultado é um filme muito bem produzido, porém previsível e um tanto longo. 

quarta-feira, 14 de março de 2018

Temos Vagas

Temos Vagas (Vacancy, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Nimród Antal
Elenco – Kate Beckinsale, Luke Wilson, Frank Whaley, Ethan Embry, Scott Anderson.

O casal David (Luke Wilson) e Amy (Kate Beckinsale) viaja por uma estrada deserta no meio da noite. Os primeiros diálogos deixam claro que o casal passa por uma crise. 

Quando o motor do carro apresenta defeito, o casal é obrigado a passar a noite num horroroso motel de beira de estrada que tem um estranho gerente (Frank Whaley), enquanto esperam que o mecânico (Ethan Embry) retorne pela manhã ao local. Não demora para a estadia se transformar em um inferno. 

É basicamente um filme B de suspense com muito sangue, violência e loucura. A explicação para a violência dos personagens está ligada a um tema sinistro, que poucas vezes foi abordado no cinema. 

O diretor Nimród Antal explora com competência as dependências do motel para criar boas cenas de suspense, mesmo com poucos recursos. 

Vale citar que o melhor filme de Antal é “Predadores”.

terça-feira, 13 de março de 2018

Cardinal

Cardinal (Cardinal, Canadá, 2017 / 2018)
Direção – Daniel Grou & Jeff Renfroe
Elenco – Billy Campbell, Karine Vanasse, Glen Gould, Alanna Bale, Brenda Fletcher, Kristen Thomson, Deborah Hay, Alex Paxton Beesley, Bruce Ramsay.

Na fria cidade de Algonquin Bay no Canadá, o detetive John Cardinal (Billy Campbell) precisa lidar com vários problemas. Sua esposa (Deborah Hay) está internada em um hospital psiquiátrico após tentar o suicídio. 

Sua nova parceira Lise Delorm (Karine Vanasse) foi enviada para descobrir provas do envolvimento de Cardinal na morte de um policial tempos atrás. Para deixar tudo ainda mais complicado, o desaparecimento de alguns jovens leva a crer que um serial killer esteja atuando na região. 

Esta interessante série tem até o momento duas temporadas com seis episódios cada e uma terceira engatilhada para 2019. O roteiro segue o estilo das investigações meticulosas, cheias de detalhes e pequenas pistas que muitas vezes desviam o caminho dos protagonistas. 

Um dos diferenciais da série é a violência. Nas duas temporadas os vilões são psicopatas que não poupam suas vítimas, infringindo torturas e mutilações. Ao mesmo tempo, esta escolha resulta em vilões um pouco exagerados. Isso não chega a atrapalhar a história. 

É uma série indicada para quem gosta de tramas investigativas, valendo ainda citar que a segunda temporada termina de forma traumática.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Capital Humano

Capital Humano (Il Capitale Umano, Itália / França, 2013) – Nota 7,5
Direção – Paolo Virzi
Elenco – Fabrizio Bentivoglio, Valeria Bruni Tedeschi, Valeria Golino, Matilde Gioli, Fabrizio Gifuni, Guglielmo Pinelli, Luigi Lo Cascio, Silvia Cohen.

Numa cidade do interior da Itália, o destino de vários personagens estão ligados por algumas situações, principalmente o atropelamento de um garçom que voltava para casa de bicicleta. 

O corretor de imóveis Dino Ossola (Fabrizio Bentivoglio) se aproxima do operador financeiro Bernaschi (Fabrizio Gifuni) querendo investir no fundo que este administra. A adolescente Serena (Matilde Gioli), que é filha de Dino, namora Massi (Guglielmo Pinelli), que é filho de Bernaschi. 

Em paralelo, a insegura Carla (Valeria Bruni Tedeschi), que é esposa de Bernaschi e que abandonou a carreira de atriz quando jovem, planeja reformar o teatro da cidade com o dinheiro do marido. 

O roteiro escrito pelo diretor Paolo Virzi resulta em um filme daqueles em que perdemos de vez a fé na humanidade. Egoísmo, mentiras, traições, ganância e preconceito são os ingredientes. 

Praticamente todos os personagens agem de acordo com seus próprios interesses, sem se preocupar com as consequências para quem está a seu redor. A sequência final então é um aula de hipocrisia. 

Vale citar que o filme não é linear. A narrativa é dividida em quatro capítulos, com idas e vindas na história para mostrar os vários lados de cada situação. É uma escolha interessante do diretor, que consegue prender a atenção sem deixar o espectador perdido.

domingo, 11 de março de 2018

Até o Fim

Até o Fim (All the Way, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Jay Roach
Elenco – Bryan Cranston, Anthony Mackie, Melissa Leo, Frank Langella, Bradley Whitford, Stephen Root, Todd Weeks, Ray Wise, Ken Jenkins, Joe Morton.

No mesmo dia em que John Kennedy é assassinado, Lyndon Johnson (Bryan Cranston) é nomeado o novo presidente americano. 

Político sulista tradicional e um pouco bruto, Johnson surpreende a todos quando em seu primeiro discurso anuncia que apoiará totalmente a aprovação da Lei dos Direitos Civis. 

O fato faz com que muitos companheiros de partido se afastem dele, criando ainda a primeira desavença com seu padrinho político, o veterano senador Richard Russell (Frank Langella). 

Ao mesmo tempo, o líder dos movimentos negros Martin Luther King (Anthony Mackie) vê a chance de conseguir seus objetivos caso Johnson esteja realmente falando a verdade. 

O roteiro escrito por Robert Schenkkan divide a história em dois pontos principais que detalham os bastidores políticos. A primeira parte explora as negociações para a aprovação da lei e a segunda descreve a campanha de Johnson para a eleição em 1964. 

É interessante a forma como os detalhes dos bastidores são mostrados e como os personagens principais são desenvolvidos. Apesar de rude, Lyndon Johnson era craque no jogo político, discursando e se alinhando com alguém de acordo com seus interesses, enquanto Martin Luther King também é mostrado como um político que sabia jogar com os poderosos e manipular seus aliados. 

A atuação de Bryan Cranston é perfeita, com destaque ainda para a submissa esposa vivida por Melissa Leo. 

Para quem gosta de bastidores políticos, este filme é uma boa opção.

sábado, 10 de março de 2018

Cordeiros e Carrascos

Cordeiros e Carrascos (Shepherds and Butchers, África do Sul / EUA / Alemanha, 2016) – Nota 7
Direção – Oliver Schmitz
Elenco – Steve Coogan, Andrea Riseborough, Garion Dowds, Inge Beckman, Robert Hobbs, Deon Lotz.

África do Sul, anos oitenta. Numa noite chuvosa, após um desentendimento na estrada, o jovem guarda prisional Leon Labuschagne (Garion Dowds) desce de seu carro e mata sete homens de um time de futebol que estavam em uma van. 

Pelos homens serem negros, a promotoria acredita que a causa do crime seja racismo. O defensor público pede ajuda a um famoso advogado ligado aos direitos humanos para defender o jovem, que não quer falar porque cometeu o crime. 

Johan Webber (Steve Coogan) aceita o caso e aos poucos desconfia que o crime pode estar ligado ao trabalho do jovem, que tinha uma relação próxima com os presos condenados a morte e inclusive participava das execuções. 

Baseado numa história real, este longa claramente se coloca contra a pena de morte, mostrando sua execução de forma cruel, quase medieval. Não sei se realmente na África do Sul as execuções aconteciam como é mostrado aqui. Por mais que seja uma discussão complexa, para alguns crimes violentos e cruéis a pena de morte seria uma punição justa. 

Voltando ao filme, o roteiro explora também a questão do trauma psicológico que acometem as pessoas que vivenciaram ou sofreram violência. Neste ponto, a atuação de Garion Dowds como o assassino traumatizado é o destaque. 

Por mais que a história seja interessante, o filme se torna um pouco cansativo por causa das longas sequências do julgamento.   

sexta-feira, 9 de março de 2018

Sem Volta & Trilhos do Destino


Sem Volta (Meadowland, EUA, 2015) – Nota 6,5
Direção – Reed Morano
Elenco – Olivia Wilde, Luke Wilson, Giovanni Ribisi, Elizabeth Moss, Ty Simpkins, John Leguizamo, Kevin Corrigan, Merritt Weaver, Skipp Sudduth, Mark Feuerstein, Juno Temple, Ned Eisenberg.

O casal Phil (Luke Wilson) e Sarah (Olivia Wilde) viajam de carro com um filho pequeno. Ao pararem em uma loja de conveniência na beira da estrada, o garoto desaparece. Um ano depois, o garoto ainda não foi encontrado e o casal vive uma terrível crise. 

Phil é um policial que tenta superar o problema participando de um grupo de apoio. A professora Sarah vive depressiva a base de medicamentos. Seu complicado estado mental a leva a se aproximar de um solitário aluno (Ty Simpkins). 

Filmes sobre perdas são sempre dolorosos. Quando o ente querido desaparecido ou falecido é um filho, o casamento tende a desmoronar. O ponto principal do roteiro é focar neste terrível processo de sofrimento e esfacelamento da família. O filme exagera um pouco na forma como a personagem de Olivia Wilde radicaliza suas atitudes na parte final. 

Está longe de ser uma grande filme. É basicamente um drama independente com resultado mediano.

Trilhos do Destino (Rails & Ties, EUA, 2007) – Nota 6
Direção – Alison Eastwood
Elenco – Kevin Bacon, Marcia Gay Harden, Miles Heizer, Marin Hinkle, Eugene Byrd, Bonnie Root, Steve Eastin, Margo Martindale.

Uma mulher desesperada (Bonnie Root) estaciona o carro com seu filho Davey (Miles Heizer) nos trilhos de uma ferrovia. O garoto não tem forças para tirar a mãe do automóvel que é destruído por um trem. A tragédia afeta também o maquinista Tom (Kevin Bacon), que além de precisar explicar porque não parou o trem, ainda convive com a esposa Megan (Marcia Gay Harden) que sofre com um câncer terminal. As vidas de Davey, Tom e Megan se ligam por causa do acidente. 

Dirigido pela filha de Clint Eastwood, este drama lembra bastante as produções do gênero para a tv. A forma como os personagens se cruzam é um pouco exagerada, sem contar que rapidamente os três se acertam. A paixão por trens é outra coincidência para amarrar a trama. 

Não chega a ser um filme totalmente ruim, mas falta profundidade e realismo nas situações. 

quinta-feira, 8 de março de 2018

Sing Street: Música e Sonho

Sing Street: Música e Sonho (Sing Street, Irlanda / Inglaterra / EUA, 2016) – Nota 8
Direção – John Carney
Elenco – Ferdia Walsh Peelo, Kelly Thornton, Maria Doyle Kennedy, Jack Reynor, Aidan Gillen, Ian Kenny, Mark McKenna.

Dublin, 1985. Conor (Ferdia Walsh Peelo) é um garoto de quinze anos que decide montar uma banda para se aproximar de Ann (Kelly Thornton), uma jovem de dezesseis anos que vive em um orfanato em frente ao colégio católico onde ele estuda e que sonha em se tornar modelo. 

Com incentivo do irmão mais velho (Jack Reynor), Conor consegue montar a banda com alguns amigos, mas precisa enfrentar vários obstáculos. A rigidez com que os padres que dirigem o colégio tratam os garotos que se vestem com roupas ao estilo “new wave” é um deles. Outro problema é a crise no casamento dos pais (Maria Doyle Kennedy e Aidan Gillen), que parecem se odiar. 

O roteiro escrito pelo diretor John Carney faz um belíssimo retrato da juventude dos anos oitenta. Com sensibilidade, ele explora temas universais como primeiro amor, problemas familiares, sonhos e falta de perspectivas na vida. 

O ponto principal é mostrar que a juventude é a época para investir nos sonhos. São poucos anos para tentar alcançar algo e experimentar situações antes de enfrentar a difícil vida adulta. A sequência final é uma alegoria sobre como enfrentar nossos medos em busca de um sonho. 

As simpáticas atuações do protagonista vivido por Ferdia Walsh Peelo, da garota Kelly Thornton e do complicado irmão vivido por Jack Reynor são outro destaque. Não se pode deixar de citar a ótima trilha sonora recheada de canções pop da época e as músicas inéditas cantadas pela banda do protagonista. 

O resultado é uma agradável surpresa para quem gosta de uma história sensível e das músicas das anos oitenta.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Melhores Amigos

Melhores Amigos (Little Men, EUA / Grécia / Brasil, 2016) – Nota 7
Direção – Ira Sachs
Elenco – Greg Kinnear, Jennifer Ehle, Paulina Garcia, Theo Taplitz, Michael Barbieri, Talia Balsam, Alfred Molina.

A morte do avô faz com que o adolescente Jake (Theo Taplitz) seja obrigado a mudar com os pais (Greg Kinnear e Jennifer Ehle) para um antigo apartamento no Brooklyn. 

No andar debaixo do apartamento, a chilena Leonor (Paulina Garcia) tem uma pequena loja de roupas. Ela pagava aluguel ao falecido e agora precisa se acertar com o casal que herdou o imóvel. 

Enquanto o tímido Jake faz amizade com Tony, que é filho de Leonor, os adultos entram em conflito por causa do valor do aluguel. 

Este longa independente tem o Brasil como um dos países que bancaram a produção por causa do roteiro escrito pelo brasileiro Mauricio Zacharias em parceria com o diretor Ira Sachs. O roteiro explora o contraste que existe entre a visão de mundo das crianças e dos adultos. 

A amizade pura que une os dois garotos por causa do gosto pela arte se torna um entrave para os adultos que defendem seus lados por causa de dinheiro. É uma situação bem próxima da realidade. Todos tem um pouco de razão e ao mesmo tempo demonstram intransigência. É o retrato do mundo atual em que a sensibilidade e o bom senso perdem espaço para as leis e as obrigações. 

O resultado é um simpático filme independente.

terça-feira, 6 de março de 2018

A Sacada & Uma História de Vingança


A Sacada (The Trust, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Alex Brewer & Benjamin Brewer
Elenco – Nicolas Cage, Elijah Wood, Sky Ferreira, Jerry Lewis, Ethan Suplee, Steven Williams, Eric Heister.

Stone (Nicolas Cage) e Waters (Elijah Wood) são policiais que trabalham na divisão de perícia. Especialista em vasculhar detalhes nas cenas de crime, Stone fica curioso quando descobre que um traficante de rua foi solto após pagar uma fiança altíssima. Acreditando que o sujeito esteja envolvido com algum esquema que envolve muito dinheiro, Stone convence Waters a seguir o sujeito. Pistas levam a dupla a uma suspeita lavanderia que pode ser o esconderijo de algo valioso. Eles armam um plano para abrir o cofre do local. 

Por mais que as escolhas de Nicolas Cage nos últimos anos sejam bem ruins e os cinéfilos virem a cara para qualquer filme com o ator, este longa até surpreende positivamente. O meticuloso plano armado pelo protagonista prende a atenção do espectador nos detalhes. A relação entre os personagens de Nicolas Cage e Elijah Wood é outro ponto positivo. As diferenças de personalidade se mostram decisivas na parte final do longa, que como é comum atualmente, revela uma pequena surpresa. 

É uma história com cara de filme policial B que cumpre o que promete.

Uma História de Vingança (Vengeance: A Love Story, EUA, 2017) – Nota 5
Direção – Johnny Martin
Elenco – Nicolas Cage, Anna Hutchison, Talitha Bateman, Deborah Kara Unger, Don Johnson, Joshua Mikel.

O detetive John (Nicolas Cage) flerta com a bela Teena (Anna Hutchison) em um bar. A garota deixa seu telefone, mas o solitário policial não entra em contato. Algum tempo depois, no dia da independência americana, Teena e sua filha Bethie (Talitha Bateman) estão voltando para casa quando são atacadas por quatro sujeitos. Teena é violentada e deixada para morrer, enquanto sua filha escapa. John e seu parceiro estão atendendo outro chamado quando encontram a garotinha na estrada. Ele se surpreende ao descobrir que a vítima é sua amiga. É o início de uma batalha jurídica contra os agressores. 

O roteiro tem até uma premissa interessante ao focar na complexidade do sistema penal americano e na justiça pelas próprias mãos, o problema é a forma tosca como estes temas são abordados. As cenas no tribunal são patéticas, com diálogos ruins e situações muito mal conduzidas. O fio de criatividade que surge nas cenas de vingança se perde na facilidade como tudo acontece. 

Este longa é mais um bomba na carreira de Nicolas Cage, que parece não aprender com suas escolhas ruins.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Mark Felt: O Homem que Derrubou a Casa Branca

Mark Felt: O Homem que Derrubou a Casa Branca (Mark Felt: The Man Who Brought Down the White House, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Peter Landesman
Elenco – Liam Neesom, Diane Lane, Marton Csokas, Tony Goldwyn, Josh Lucas, Ike Barinholtz, Brian D’Arcy James, Maika Monroe, Michael C. Hall, Tom Sizemore, Julian Morris, Bruce Greenwood, Noah Wyle, Kate Walsh, Wendi McLendon Covey.

Em 1972, a morte repentina de J. Edgar Hoover deixa uma lacuna no FBI. 

Seu braço-direito era Mark Felt (Liam Neesom), que acreditava ser seu sucessor, porém o caso Watergate faz com que o então presidente Nixon indique um político chamado L. Patrick Gray (Marton Csokas) pensando em encobrir o escândalo. 

Percebendo que existe algo a mais por trás da indicação e que o FBI poderia se tornar um fantoche de Nixon, Felt utiliza seus contatos na imprensa para pressionar o governo. 

O roteiro escrito pelo diretor Peter Landesman é baseado em um livro do verdadeiro Mark Felt, que detalha os bastidores da intriga entre FBI e Nixon durante o caso Watergate. Felt demorou anos para revelar que ele foi o informante da imprensa que ficou conhecido pelo codinome de “Garganta Profunda”. 

O ponto principal do longa é detalhar o lado escondido desta história e mostrar como Nixon era um político da pior espécie cercado por figuras ainda mais perigosas. Por outro lado, a narrativa é fria e didática, faltando aquele algo a mais para mexer com o espectador. 

O destaque do elenco fica para Liam Neesom como o calculista e honesto Mark Felt.

domingo, 4 de março de 2018

Dupla Explosiva

Dupla Explosiva (The Hitman’s Bodyguard, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Patrick Hughes
Elenco – Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson, Elodie Yung, Gary Oldman, Salma Hayek, Joaquim de Almeida, Richard E. Grant, Sam Hazeldine.

Michael Bryce (Ryan Reynolds) é um especialista em seguranças de poderosos que cai em  desgraça quando um cliente é assassinado. 

Algum tempo depois, ele é procurado por sua ex-namorada (Elodie Yung), que precisa de ajuda para manter vivo o assassino profissional Darius Kincaid (Samuel L. Jackson), que é a testemunha principal do julgamento do ditador da Bielorússia (Gary Oldman). 

Mesmo sendo inimigos por causa de algumas missões no passado, Bryce e Kincaid são obrigados a se unir e iniciam uma agitada viagem de Londres até Amsterdam, local do julgamento. 

O diretor australiano Patrick Hughes explora o mesmo estilo de sua estreia em Hollywood em “Os Mercenários 3”. Ritmo alucinante, cenas de ação exageradas e diálogos engraçadinhos sãos os ingredientes principais. 

Pena que os exageros cansam um pouco e também a repetição de papéis. Ryan Reynolds como o herói irônico, Samuel L. Jackson como o assassino que solta palavrões e piadas a cada diálogo e Gary Oldman como o vilão sem piedade repetem pela enésima vez estes tipos de papel. 

O resultado é explosivo, agitado e descartável.

sábado, 3 de março de 2018

Viva: A Vida é uma Festa


Viva: A Vida é uma Festa (Coco, EUA, 2017) – Nota 8
Direção – Lee Unkrich & Adrian Molina
Vozes – Anthony Gonzalez, Gael Garcia Bernal, Benjamin Bratt, Alanna Ubach, Renee Victor, Jaime Camil, Alfonso Arau.

Numa pequena cidade do México, o garoto Miguel (Anthony Gonzalez) sonha em se tornar cantor, porém sofre pelo ódio que sua família sente pela música. Tudo começou quando sua tataravó foi abandonada por um músico e teve de criar sozinha a filha. 

No Dia dos Mortos, Miguel deseja cantar no praça da cidade, principalmente após acreditar que seu tataravô seja o maior cantor do país, o falecido Ernesto de la Cruz (Benjamin Bratt). 

Um determinado fato faz com que Miguel ultrapasse uma espécie de portal e entre no mundo dos mortos, encontrando seus familiares que morreram. Esperto, ele aproveita para procurar o verdadeiro Ernesto de la Cruz e se apresentar como seu parente. É o início de uma agitada e emocionante aventura. 

O roteiro utiliza como premissa a tradicional comemoração mexicana do Dia dos Mortos para criar uma trama sobre realização de sonhos e vida familiar. Por mais que algumas sequências na parte final sejam emotivas, o filme passa longe do piegas, na verdade o espectador se diverte com as ótimas músicas, a correria do protagonista e com o atrapalhado Hector (voz de Gael Garcia Bernal), que aparece como um simples coadjuvante, mas que se torna personagem essencial na trama. 

É uma animação que agrada adultos e crianças. 

sexta-feira, 2 de março de 2018

Silêncio & Kundun


Silêncio (Silence, México / Taiwan / EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Martin Scorsese
Elenco – Andrew Garfield, Adam Driver, Liam Neeson, Yosube Kubozuka, Issei Ogata, Ciaran Hinds.

No século XVII, o Japão proibiu a religião católica. Padres e devotos eram perseguidos, sendo obrigados a renegar sua crença publicamente, caso contrário eram torturados até a morte. Quando o padre Ferreira (Liam Neeson) deixa de enviar cartas para a Igreja em Portugal, seu superior, o padre Valignano (Ciaran Hinds) acredita que o colega tenha sido morto pelos japoneses.

Dois jovens padres que foram pupilos de Ferreira convencem Valignano a autorizar uma viagem ao Japão para eles procurarem Ferreira, mesmo sabendo que colocariam as próprias vidas em perigo. Rodrigues (Andrew Garfield) e Garupe (Adam Driver) viajam para China e posteriormente são levados de barco por um japonês beberrão (Yosube Kubozuka) para seu país, encontrando no local uma miséria gigantesca e também muitos católicos que praticam sua religião escondidos nas matas e nas cavernas.

Claramente um projeto pessoal que passa longe do gosto do público em geral, este longa de Martin Scorsese foca em um tema pouco conhecido no ocidente. A perseguição aos católicos no Japão é mostrada de forma cruel e ao mesmo tempo com os perseguidores acreditando que estariam fazendo o correto, dando chance das pessoas renegarem sua fé para sobreviver.

É uma pena que Scorsese tenha optado pela longa duração. As duas horas e quarenta deixam o filme um pouco cansativo, principalmente porque não existe tanta história para isso no roteiro. O ponto principal foi mostrar até que ponto cada pessoa pode aguentar o sofrimento em nome da fé e se realmente vale a pena sofrer pela religião. Os padres protagonistas enfrentam esse dilema cada um de uma forma diferente.

Além destes personagens, vale destacar o japonês Yosube Kubozuka que interpreta um católico que sempre tenta se adaptar a situação para sobreviver e depois implora para ser perdoado durante a confissão.

É um interessante filme sobre a fé católica, mas que seria mais eficiente com uma duração mais curta.

Kundun (Kundun, EUA / Mônaco, 1997) – Nota 6,5
Direção – Martin Scorsese
Elenco - Tenzin Thuthob Tsarong, Gyurme Tethong, Tulku Jamyang.

A morte do Dalai Lama em 1933 abre a lacuna de um líder espiritual no Tibete. Quando alguns fatos levam a acreditar que uma criança de dois anos possa ser o novo sucessor, ela é levada para o palácio e criada por monges. A completar catorze anos, o novo Dalai Lama precisa enfrentar a Segunda Guerra Mundial e a ameaça do governo chinês que deseja tomar o poder no país. 

A ligação de Scorsese com a religião católica é comum em sua biografia, por este fato muitas pessoas se surpreenderam quando ele decidiu contar vida do atual Dalai Lama. O roteiro escrito por Melissa Mathison e a narrativa imposta por Scorsese deixam claro a simpatia pelo Tibete escondendo os problemas que aquele país enfrentava como a pobreza e a falta de direitos da população, que viviam sob uma pesada monarquia. Os chineses que invadiram o país são mostrados como únicos vilões na situação.

Nos anos noventa muitas personalidade tomaram partido a favor do Tibete e transformaram o Dalai Lama numa espécie de celebridade. Acredito que isso influenciou na escolha de Scorsese. 

Analisando como cinema, se o espectador deixar de lado o viés político e a lentidão da narrativa, pode apreciar os costumes dos monges, a bela fotografia e a história da importância do protagonista em relação a sua religião.

quinta-feira, 1 de março de 2018

McFarland dos EUA

McFarland dos EUA (McFarland, USA, EUA, 2015) – Nota 7,5
Direção – Niki Caro
Elenco – Kevin Costner, Maria Bello, Morgan Saylor, Elsie Fisher, Carlos Pratts, Johnny Ortiz, Ramiro Rodriguez, Rafael Martinez, Hector Duran, Sergio Avelar.

Em 1987, Jim White (Kevin Costner) perde o emprego de treinador da equipe de futebol americano de um colégio após se desentender com um jogador. 

Sem opções, ele aceita o emprego de professor e auxiliar de treinador num colégio na pequena cidade de McFarland na Califórnia, local onde a maioria da população é de origem mexicana. Ao lado da esposa (Maria Bello) e das duas filhas (Morgan Saylor e Elsie Fisher), a princípio Jim fica assustado com a pobreza da região e também é visto com desconfiança por alunos e professores. 

Uma determinada situação leva Jim a acreditar que pode montar uma equipe de cross country, esporte de corrida geralmente praticado por alunos de colégios ricos. A ideia aparentemente maluca se torna o início de uma virada em sua vida e na história da cidade. 

Baseado numa sensível história real, este longa se mostra uma agradável surpresa ao explorar o tema dos feitos esportivos de uma forma em que a situação social da região onde viviam os atletas era um obstáculo quase intransponível. 

O roteiro foca na vida das pessoas simples da região, quase todos imigrantes que sobrevivem através do árduo trabalho de colheita na fazendas. O desafio criado pelo protagonista mostrou aos adolescentes do local que eles poderiam ter uma vida melhor que a de seus pais. 

A escolha do veterano Kevin Costner para o papel do treinador é o grande acerto. O ator trabalhou em vários filmes com temas esportivos, se tornando comum para o público vê-lo como treinador ou atleta. 

É uma verdadeira história de vida que merece ser conhecida.