sábado, 20 de agosto de 2011

Brincando nos Campos do Senhor


Brincando nos Campos do Senhor (At Play in the Fields of the Lord, EUA / Brasil, 1991) – Nota 7,5
Direção – Hector Babenco
Elenco – Tom Berenger, Aidan Quinn, John Lithgow, Daryl Hannah, Kathy Bates, Tom Waits, Stênio Garcia, Nelson Xavier, José Dumont, Niilo Kivirinta, Ruy Polanah.

Martin Quarrier (Aidan Quinn), sua esposa Hazel (Kathy Bates) e o pequeno filho Billy (Niilo Kivirinta) chegam a uma pequena missão no meio da selva amazônica com o objetivo de catequizar uma tribo indígena hostil. A família é recebida por outro casal de missionários, Leslie Huben (John Lithgow) e sua esposa Andy (Daryl Hannah). Leslie tem um acordo com Gusmão (José Dumont) o chefe de polícia local, prometendo pacificar os índios em um ano, para que as terras destes possam ser exploradas sem violência. 

Ao mesmo que tempo que a família Quarrier chega ao local, um pequeno avião faz um pouso em busca de combustível, tendo como pilotos dois mercenários americanos, Wolf (o cantor Tom Waits) e o descendente de índios Lewis Moon (Tom Berenger). Lewis é um sujeito cético com o ser humano e com sua origem, porém após tomar a droga conhecida como ayahuasca, entra em uma espécie de transe e toma uma decisão que muda completamente sua vida.

Quando “O Beijo da Mulher Aranha” recebeu quatro indicações para o Oscar, as portas de Hollywood se abriram para Hector Babenco que fez em seguida “Ironweed”, um drama que foi sucesso de crítica e fracasso de público. Sua última e grande chance em Hollywood seria esta adaptação do livro de Peter Mathiessen, uma produção bancada por Saul Zaentz que Babenco conseguiu que fosse lançada com mais de três horas de duração. O resultado foi um retumbante fracasso de crítica e público.

O filme é interessante, mas é fácil entender o fracasso de público em virtude da longa duração, que deixa o filme cansativo em algumas passagens, principalmente ao mostrar rituais indígenas em exagero. As filmagens também foram conturbadas por causa da dificuldade em se filmar na região amazônica, onde várias pessas ligadas a produção sofreram com febre atrasando as filmagens, além das desavenças entre atores e produção.

A história toca em vários pontos interessantes como a tentativa de doutrinação religiosa dos índios pelos brancos e suas conseqüências, a corrupção no interesse de exploração de terras ricas, além do bom desenolvimento dos personagens e de mostrar a duríssima vida na região, que pode levar as pessoas a atitudes extremas e algumas a loucura.

O elenco dividido entre americanos e brasileiros (além dos indígenas) tem boa atuação, com o bom apoio de coadjuvantes brasileiros, tendo a curiosidade de ver Stênio Garcia no papel do chefe da tribo indígena.

É um filme pouco visto pelo público em geral em virtude de todos estes problemas, mas que vale uma sessão para um cinéflio curioso. 

5 comentários:

Celo Silva disse...

Gosto desse Babenco! É um filme construido com detalhes, a longa duração não me incomodou. Abs!

alan raspante disse...

O filme era totalmente desconhecido pra mim, nem sabia de sua existência. Fiquei curioso, principalmente por conta do elenco envolvido. Bacana a dica!

Abs ;)

Hugo disse...

Celo - A longa duração tb não me incomodou tanto, mas com certeza foi uma das causas do fracasso de público.

Alan - A história também vale a sessão.

Abraço

Chagasland disse...

Filme maravilhoso. Revi recentemente e não acho cansativo nem que tenha cenas excessivas sobre rituais indígenas. O filme é perfeito, nada parece artificial e mostra uma realidade que ainda é muito atual. Vide a construção da Usina de Belo Monte que irá causar com povos indígenas da Amazônia. A direção é perfeita, os atores estão ótimos, americanos e brasileiros, a música, a fotografia e a pesquisa são muitíssimo boas. Vinte anos depois permanece uma obra-prima.

Hugo disse...

Chagas - Acredito que a longa duração atrapalhou o sucesso comercial do filme, mas concordo que é um belo trabalho de Babenco.

Abraço