terça-feira, 31 de outubro de 2017

Faces da Verdade

Faces da Verdade (Nothing But the True, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Rod Lurie
Elenco – Kate Beckinsale, Matt Dillon, Alan Alda, Vera Farmiga, Angela Bassett, David Schwimmer, Courtney B. Vance, Noah Wyle.

O presidente americano sofre uma tentativa de assassinato e pouco tempo depois o país acusa a Venezuela de estar por trás do atentado. 

Alguns meses depois, a jornalista Rachel Armstrong (Kate Beckinsale) escreve uma reportagem divulgando o nome de uma agente da CIA (Vera Farmiga) que havia viajado para Venezuela e não encontrado prova alguma da participação do país no atentado ao presidente. 

A divulgação da matéria transforma as vidas de Rachel e da agente em um inferno. Um promotor especial do governo (Matt Dillon) pressiona Rachel para divulgar sua fonte, que para o governo seria um traidor. Mesmo ameaçada de ir para cadeia, a jornalista decide enfrentar o promotor. 

Baseado livremente no caso da jornalista Judith Miller, que em 2005 foi pressionada para entregar a fonte que teria informado que a invasão ao Iraque foi apoiada em mentiras sobre a posse de armas químicas, este interessante longa vai além do tema da ética jornalística. 

O complexo roteiro explora também o emaranhado jurídico de casos que podem ser enquadrados como ameaça a soberania nacional baseados em leis que foram criadas após os ataques de 11 de Setembro. Processos especiais que tratam os acusados como culpados antes do julgamento se tornaram armas do governo para pressionar até mesmo inocentes. 

Kate Beckinsale entrega uma boa interpretação como a jornalista motivada e fiel aos seus princípios, enquanto Matt Dillon encarna a pior face do Estado. Ele é um promotor ambicioso, arrogante e cruel. 

O resultado é um longa que faz pensar sobre jornalismo, justiça e poder do Estado.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Se Enlouquecer, Não se Apaixone

Se Enlouquecer, Não se Apaixone (It’s Kind of a Funny Story, EUA, 2010) – Nota 7
Direção – Anna Boden & Ryan Fleck
Elenco – Keir Gilchrist, Zach Galifianakis, Emma Roberts, Viola Davis, Lauren Graham, Jim Gaffigan, Zoe Kravitz, Thomas Mann, Jeremy Davies, Matthew Maher, Adrian Martinez, Bernard White.

O depressivo adolescente Craig (Keir Gilchrist) decide ir voluntariamente para um hospital psiquiátrico após sentir vontade de cometer suicídio. Acreditando que seria receitado algum medicamento, Craig se surpreende ao descobrir que precisará ficar pelo menos cinco dias internado para ser avaliado. 

Seus pais (Lauren Graham e Jim Gaffigan) acreditam que seria o melhor para o rapaz. Durante cinco dias, Craig vai entender como a vida é difícil para as pessoas que sofrem de problemas muito mais sérios. Ele fará amizade com o complicado Bobby (Zach Galifianakis) e com a garota Noelle (Emma Roberts), que também estão internados no local. 

Apesar do filme se passar dentro de um local normalmente pesado como um hospital psiquiátrico, o roteiro escrito pela dupla de diretores aborda de forma bem humorada os problemas enfrentados pelos personagens. 

A proposta do roteiro é mostrar que no maluco mundo atual, muitas pessoas criam dramas para problemas pequenos, esquecendo que viver de forma simples é o melhor caminho. O protagonista vivido por Keir Gilchrist é um exemplo desta geração que prefere problematizar do que viver. Vale destacar ainda um contido Zach Galifianakis e a beleza de Emma Roberts. 

O resultado é um longa inofensivo, desses que passam sua mensagem de forma simples.   

domingo, 29 de outubro de 2017

Um Tira no Jardim da Infância & Operação Babá


Um Tira no Jardim de Infância (Kindergarten Cop, EUA, 1990) – Nota 6
Direção - Ivan Reitman
Elenco - Arnold Schwarzenegger, Penelope Ann Miller, Pamela Reed, Linda Hunt, Richard Tyson, Carroll Baker, Cathy Moriarty, Park Overall, Jayne Brook, Richard Portnow, Miko Hughes.

Os policiais Kimble (Arnold Schwarzenegger) e Phoebe (Pamela Reed) estão na caça de um perigoso traficante (Richard Tyson). Para tentar localizar o sujeito, a dupla de policiais se disfarça de professores em uma escola de jardim de infância numa pequena cidade do Oregon, local onde estuda o filho do bandido e sua ex-mulher (Penelope Ann Miller) que vive com novo nome. 

O diretor Ivan Reitman tentou explorar o mesmo filão do sucesso da comédia “Irmãos Gêmeos” que ele comandou dois anos antes com Schwarzenegger e Danny DeVito. O ponto principal foi colocar o grandalhão Schwarzenegger em meio as crianças, resultando em cenas pastelão e diálogos constrangedores. 

O filme fez razoável sucesso e motivou a dupla a se unir novamente em “Júnior”, outra comédia absurda. O longa ainda ganhou uma sequência recente em 2016 com Dolph Lundgreen no papel principal.

Operação Babá (Tha Pacifier, Canadá / EUA, 2005) – Nota 5,5
Direção – Adam Shankman
Elenco – Vin Diesel, Lauren Graham, Faith Ford, Brittany Snow, Max Thieriot, Chris Potter, Carol Kane, Brad Garrett, Tate Donovan, Chris Potter.

Após falhar na missão de proteger a vida de um cientista que trabalhava para o governo, o agente Shane Wolfe (Vin Diesel) é designado para fazer a segurança da esposa (Faith Ford) e dos quatro filhos da vítima. Além da proteção, Shane precisa ainda encontrar o local onde o cientista teria escondido as informações de um projeto importante. 

A premissa lembra “Um Tira na Jardim de Infância”, com o roteiro tentando extrair risadas da relação de Vin Diesel com as crianças e explorando algumas cenas de ação. É um filme fraco, que funcionaria melhor nos anos oitenta ou noventa, mas que em 2005 já se mostrava cópia pálida e tardia do longa com Schwarzenegger. 

sábado, 28 de outubro de 2017

Planeta dos Macacos: A Guerra

Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes, EUA / Canadá / Nova Zelândia, 2017) – Nota 7,5
Direção – Matt Reeves
Elenco – Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn, Karin Konoval, Amiah Miller, Terry Notary, Ty Olson, Toby Kebbell, Gabriel Chavarria.

Os macacos liderados por Caesar (Andy Serkis) estão vivendo na floresta com a esperança de que os humanos aceitem deixá-los em paz. Acontece exatamente o contrário. 

Um pelotão de soldados comandados por um coronel (Woody Harrelson) ataca sem piedade o acampamento dos macacos, que em seguida precisam fugir. As várias mortes enfurecem Caesar, que abandona seu lado pacifista e parte para a vingança. 

Este longa fecha a ótima trilha que é um prequel da história do clássico “O Planeta dos Macacos” de 1968. O roteiro amarra várias pontas da história entre os dois filmes separados por quase cinquenta anos. 

Aqui vemos como Caesar se transforma em herói para os macacos, entra em cena a garotinha Nova (Amiah Miller) que se torna personagem importante quando adulta, temos ainda o ícone Cornelius ainda criança, personagem que consagraria o falecido Roddy McDowall, além de uma interessante explicação para os seres humanos regredirem, fato assustador mostrado no clássico original. 

Por outro lado, mesmo sendo um bom filme, este obra é inferior aos dois longas anteriores da franquia. A história é muito mais voltada para o drama do que para a ação. Em alguns momentos as emoções se mostram até um pouco piegas. 

Vale destacar novamente a maquiagem e a forma de andar e correr dos macacos, que são extremamente realistas, assim como a interpretação de Andy Serkis, que consegue passar emoção sem mostrar o verdadeiro rosto. 

Para quem não assistiu ao original de 1968, vale a pena conferir para a história ficar ainda mais clara.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Mean Dreams

Mean Dreams (Mean Dreams, Canadá, 2016) – Nota 6,5
Direção – Nathan Morlando
Elenco – Josh Wiggins, Sophie Nélisse, Bill Paxton, Colm Feore, Joe Cobden, Vickie Papavs.

Jonas (Josh Wiggins) vive em uma decadente fazenda com o pai agricultor e a mãe depressiva. Quando a adolescente Casey (Sophie Nélisse) muda para a casa no terreno ao lado, Jonas rapidamente fica atraído pela garota. 

O problema é que o pai da garota é um policial corrupto e violento (Bill Paxton), que faz de tudo para afastar Jonas da filha. Como é impossível controlar adolescentes apaixonados, a situação levará os jovens a um caminho sem volta. 

É basicamente um filme de baixo orçamento que foca em jovens que sonham com uma vida melhor enquanto enfrentam problemas familiares. O roteiro mistura drama, romance e violência, explorando como cenário uma pequena cidade americana e sua isolada zona rural. 

As interpretações da dupla principal são corretas, enquanto Bill Paxton encarna um personagem terrível, em um dos seus últimos trabalhos. Paxton faleceu em fevereiro passado com apenas sessenta e um anos de idade.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Sublime Devoção

Sublime Devoção (Call Northside 777, EUA, 1948) – Nota 7,5
Direção – Henry Hathaway
Elenco – James Stewart, Richard Conte, Lee J. Cobb, Helen Walker, Betty Garde, John McIntire, E. G. Marshall, Joanne De Bergh, Kasia Orzazewski.

Chicago, 1932. A guerra urbana entre bandidos ligados à venda de bebidas clandestinas e policiais está no auge, resultando num grande número de assassinatos. 

A morte de um policial dentro de um bar clandestino leva dois sujeitos de origem polonesa para cadeia. Um deles é Frank Wiecek (Richard Conte), um pai de família que alega inocência. Os dois sujeitos são condenados a noventa e nove anos de cadeia. 

Onze anos depois, a mãe de Frank (Kasia Orzazewski) coloca um anúncio em um jornal oferecendo cinco mil dólares para quem tiver pistas sobre os verdadeiros assassinos. O repórter P. J. McNeal (James Stewart) é praticamente obrigado por seu editor (Lee J. Cobb) a escrever uma matéria sobre o caso. A princípio não acreditando na história, aos poucos McNeal percebe que o pobre Frank pode ser realmente inocente. 

Baseado numa história real, este competente longa dirigido por Henry Hathaway (“Os Filhos de Katie Elder” e o original “Bravura Indômita”) explora temas que continuam atuais. Um dos temas é a pressão que a polícia enfrenta para dar uma resposta a população em tempos violentos, o que muitas vezes leva a acusar inocentes ou jogar a culpa em algum criminoso qualquer. 

Apesar de muitos jornalistas atuais defenderem ideologias ou escreverem matérias que estejam alinhadas com o veículo em que trabalha, ainda existem profissionais que buscam a verdade. O personagem de James Stewart é cínico e desconfiado, mas por outro lado sua integridade é enorme, mesmo tendo de enfrentar pessoas poderosas. 

O resultado é um interessantíssimo drama sobre caráter e honestidade.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Na Mira do Atirador & Campo Minado


Na Mira do Atirador (The Wall, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Doug Liman
Elenco – Aaron Taylor Johnson, John Cena, Laith Nakli.

Iraque, 2007. Próximo ao final da guerra, dois soldados americanos atiradores (Aaron Taylor Johnson e John Cena) estão escondidos esperando a ação de um possível atirador iraquiano que assassinou uma equipe inteira que estava trabalhando na reconstrução de um duto de gás no meio do deserto. Ao acreditarem que o atirador foi embora, eles se movimentam e terminam encurralados e feridos. Enquanto um deles fica desacordado, o outro se esconde atrás de um muro em pedaços. 

O diretor Doug Liman, especialista em filmes de ação como “A Identidade Bourne” e “No Limite do Amanhã”, comanda aqui um longa que vai além da ação e se torna um verdadeiro embate psicológico. As conversas via rádio entre os atiradores resulta em um debate sobre o absurdo da guerra. Até que ponto a disputa entre aqueles sujeitos no meio da nada pode mudar alguma coisa? O fio de história não deixa a trama se desenvolver além disso, mas mesmo assim a narrativa prende a atenção e ainda entrega uma pequena surpresa no final. 

Como informação, este é o primeiro longa produzido diretamente pela Amazon.

Campo Minado (Mine, EUA / Espanha / Itália, 2016) – Nota 6
Elenco – Fabio Guaglione & Fabio Resinaro
Elenco – Armie Hammer, Annabelle Wallis, Tom Cullen, Clint Dyer, Geoff Bell, Juliet Aubrey.

No deserto do Iraque, os soldados Mike (Armie Hammer) e Tommy (Tom Cullen) falham ao tentar assassinar um terrorista e são obrigados a fugir a pé. Atravessando o deserto a caminho de uma remota vila para serem resgatados, os soldados são surpreendidos em uma região repleta de minas terrestres. Tommy morre ao pisar em uma mina, enquanto Mike fica travado ao sentir que também pisou em outra. Sem ter como tirar o pé do local, Mike precisará ficar horas debaixo do sol e do frio noturno esperando o resgate. 

A parte inicial até o momento em que os soldados chegam no campo minado é interessante, incluindo uma razoável cena de ação. A partir daí, a narrativa se arrasta explorando os pensamentos de Mike através de flashbacks que mostram sua vida pessoal e seus traumas. As cenas em que aparece um nativo (Clint Dyer) rendem alguns diálogos que parecem filosofia de botequim. 

É um filme cansativo, que seria melhor se tivesse pelo menos uns vinte minutos a menos.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

O Atentado

O Atentado (The Attack, Líbano / França / Catar / Bélgica, 2012) – Nota 7,5
Direção – Ziad Doueiri
Elenco – Ali Suliman, Reymonde Amsalem, Evgenia Dodina, Dvir Benedek, Uri Gavriel, Karim Saleh.

Amin Jaafari (Ali Suliman) é um famoso cirurgião de origem árabe que vive e trabalha em Tel Aviv, capital de Israel. Sua vida aparentemente perfeita vira de ponta de cabeça quando sua esposa Siham (Reymonde Amsalem) comete um atentado suicída em um restaurante repleto de crianças. 

A princípio não acreditando na culpa da esposa, Amin é pressionado pelas autoridades israelenses, inclusive sendo detido. Assim que é liberado pela polícia, ele fica obcecado em descobrir o que realmente aconteceu com sua esposa. 

A interminável guerra entre palestinos e israelenses é o tema principal deste sensível e doloroso longa baseado em um best seller. O roteiro não toma partido de lado algum, pelo contrário, mostra como a intolerância é uma via de mão dupla neste conflito. 

A partir do momento em que ocorre o atentado, o protagonista vivido por Ali Suleiman (do também doloroso “Paradise Now”) se torna um pária para os dois lados. Para os israelenses ele é o árabe ingrato, que ignorou a atitude da esposa e não defendeu o país que o acolheu. Para os árabes, Amin é um traidor que nunca lutou pela causa palestina e que se acomodou com a boa vida ao lado dos israelenses. 

É filme que faz pensar sobre como o ódio se espalha facilmente e no caso específico deste conflito, resulta em um caminho sem volta.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Um Lugar Solitário Para Morrer

Um Lugar Solitário Para Morrer (A Lonely Place To Die, Inglaterra, 2011) – Nota 7
Direção – Julian Gilbey
Elenco – Melissa George, Ed Speleers, Alec Newman, Kate Magowan, Garry Sweeney, Sean Harris, Stephen McCole, Karel Roden, Eammon Walker, Holly Boyd.

Numa região montanhosa da Escócia, um grupo de alpinistas formado por duas mulheres e três homens se prepara para escalar uma montanha. O objetivo é abortado quando eles encontram uma garota (Holly Boyd) presa em um enorme buraco no meio da floresta. 

Sem saber falar inglês e extremamente assustada, a garota não tem como explicar porque está naquele local. O grupo decide se dividir. Um homem e uma mulher tentam voltar para a cidade mais próxima cortando caminho pela montanha, enquanto os outros integrantes e a garota seguem a trilha mais longa. Por terem resgatado a menina, os alpinistas se tornam alvos das pessoas que a esconderam na floresta. 

Esta produção inglesa mistura aventura e suspense de forma competente, explorando muito bem as belas paisagens naturais da região. As cenas de alpinismo e as sequências de perseguição são tensas. A história é simples e até se perde um pouco na parte final, quando chega ao clímax numa pequena vila, mas isso não atrapalha quem procura uma diversão sem compromisso.  

domingo, 22 de outubro de 2017

E o Sangue Semeou a Terra & Shenandoah


E o Sangue Semeou a Terra (Bend of the River, EUA, 1952) – Nota 7,5
Direção – Anthony Mann
Elenco – James Stewart, Arthur Kennedy, Rock Hudson, Jay C. Flippen, Julie Adams, Lori Nelson, Chubby Johnson, Harry Morgan, Royal Dano.

Glyn McLyntock (James Stewart) lidera uma caravana de colonos que segue em direção a Portland para comprar mantimentos, mas que tem como destino final uma isolada região montanhosa. Durante a complicada jornada, o grupo cruza o caminho do ladrão Emerson Cole (Arthur Kennedy), de um jogador de pôquer (Rock Hudson), precisa lidar com ataque de índios, de ladrões e de mineradores em busca de ouro. 

O diretor Anthony Mann e o astro James Stewart tiveram uma parceria que rendeu oito filmes, sendo cinco westerns. Este é um dos melhores trabalhos da dupla. Em apenas uma hora e meia de duração, o diretor Mann consegue explorar várias situações através de boas cenas de ação, interessantes conflitos entre os personagens e até uma reviravolta na trama. É basicamente um western clássico, indicado para os fãs do gênero.

Shenandoah (Shenandoah, EUA, 1965) – Nota 7,5
Direção – Andrew V. McLaglen
Elenco – James Stewart, Doug McClure, Glenn Corbett, Patrick Wayne, Katharine Ross, Rosemary Forsyth, George Kennedy, Denver Pyle.

Durante a Guerra Civil Americana, o fazendeiro Charlie (James Stewart) procura se manter neutro perante o conflito, mesmo sendo contrário a escravidão. A tentativa de seguir com a vida normal é abortada quando seu filho mais jovem é levado preso por soldados do norte que o confundem com um inimigo. Ao sair em busca do filho, Charlie terá de enfrentar a violência da guerra, que trará consequências para toda sua família. 

O diretor Andrew V. McLaglen era filho do astro dos anos trinta Victor McLaglen e foi assistente do grande diretor de westerns John Ford. Seguindo o caminho do mestre, McLaglen entregou aqui um western com todos os elementos clássicos do gênero. O herói relutante que fica dividido entre suas crenças e a vingança, a defesa da família frente a um mundo violento e as cenas de ação habituais. James Stewart como sempre se mostra perfeito no papel do protagonista correto. 

sábado, 21 de outubro de 2017

Pastoral Americana

Pastoral Americana (American Pastoral, Hong Kong / EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Ewan McGregor
Elenco – Ewan McGregor, Jennifer Connelly, Dakota Fanning, Peter Riegert, David Straithairn, Rupert Evans, Uzo Aduba, Molly Parker, Valorie Curry, Julia Silverman, Samantha Mathis, David Whalen.

Na sequência inicial, o escritor Nathan Zuckerman (David Straithairn) chega em seu antigo colégio para a reunião dos alunos que se formaram há mais de quarenta anos. Ao encontrar Jerry Levov (Rupert Evans), que está na cidade para o enterro do irmão Seymour “Sueco” Levov (Ewan McGregor), Nathan se mostra surpreso com o fato e pede para Jerry contar o que aconteceu. A partir daí, vemos em flashback a triste história do Sueco. 

Astro dos esportes no colégio, ele herdou a empresa de fabricação de meias do pai e se casou com a miss da região (Jennifer Connelly), com quem tem teve a filha Merry. Ao chegar na adolescência no final dos anos sessenta, Merry (Dakota Fanning) se revolta com a Guerra do Vietnã e com a vida de classe média. Ao se envolver com grupos de protestos, Merry transforma a vida da família em um inferno. 

Baseado em um famoso livro de Philip Roth, este longa marcou a estreia do ator Ewan McGregor na direção. Mesmo não se aprofundando em alguns temas que provavelmente foram melhor detalhados no livro, o roteiro é competente ao mostrar como as atitudes de uma filha (ou filho) podem destruir uma família. 

Além da questão dos protestos contra a guerra, o roteiro ainda toca em temas como preconceito racial, relação familiar e as mudanças sociais que ocorreram nos anos sessenta. É interessante citar que o filme não defende ideologia alguma, as atitudes da personagem de Dakota Fanning são muito mais consequências de suas frustrações e do seu vazio, do que a defesa de algum ideal. Ela é mostrada como uma jovem que escolhe o protesto como forma de punir seus pais, mesmo sem um motivo real para isso. 

Mesmo resultado em um filme mediano, a complexidade da história faz acreditar que Ewan McGregor possa se tornar um bom cineasta. 

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O Garoto da Bicicleta

O Garoto da Bicicleta (Le Gamin au Vélo, Bélgica / França / Itália, 2011) – Nota 7,5
Direção – Jean Pierre & Luc Dardenne
Elenco – Thomas Doret, Cécile De France, Jeremie Renier, Fabrizio Rongione, Egon Di Mateo, Olivier Gourmet.

Cyril (Thomas Doret) é um garoto de onze anos que foi abandonado pelo pai em um orfanato. Obcecado em reencontrar o pai, que prometeu lhe devolver a bicicleta, ele atormenta os funcionários do orfanato e foge para procurá-lo. 

O destino faz com que Cyril cruze o caminho da cabeleireira Samantha (Cécile De France), que por um motivo desconhecido cria um laço com o garoto. Durante o final de semana, Samantha aceita cuidar de Cyril e o ajuda a procurar o pai. 

O cinema dos irmãos Dardenne é voltado para histórias atuais e críticas sociais, sempre com muitas sequências externas na periferia de alguma cidade da Bélgica ou da França e personagens que passam por momentos de sofrimento. 

O protagonista vivido pelo garoto estreante Thomas Doret é o clássico exemplo de como reage uma criança abandonada ou ignorada pelos pais. O garoto descobre da forma mais difícil que para conseguir o quer, mesmo que seja apenas atenção, precisa lutar enfrentando a tudo e a todos. A sequência final é um exemplo da resiliência do personagem. 

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Deserto & Transpecos


Deserto (Desierto, México /  França, 2015) – Nota 6,5
Direção – Jonás Cuarón
Elenco – Gael Garcia Bernal, Jeffrey Dean Morgan, Alondra Hidalgo, Diego Cataño, Marco Perez.

Um grupo de mexicanos viaja escondido dentro de um velho caminhão em direção a fronteira com os Estados Unidos. Um problema mecânico no meio do caminho faz com que o grupo seja obrigado a atravessar o deserto a pé, liderado por dois coiotes (Diego Cataño e Marco Perez). Um dos mexicanos é Moises (Gael Garcia Bernal), que deseja retornar aos Estados Unidos para reencontrar esposa e filho. A dura caminhada se torna bem mais perigosa quando um caçador (Jeffrey Dean Morgan) decide transformar os imigrantes ilegais em alvo. 

Este longa que mistura imigração ilegal, violência e ação marcou a estreia na direção de Jonás Cuarón, filho do ótimo diretor mexicano Alfonso Cuarón (“Gravidade”, “Filhos da Esperança”). O roteiro escrito pelo próprio Jonás em parceria com Mateo Garcia explora o ódio que alguns demonstram contra os imigrantes para criar um filme de perseguição que lembra um western. O sol castigando os personagens chega a dar sede até no espectador. Na luta de homem contra homem em um local inóspito como o deserto, muitas vezes a natureza é a vencedora.   

Transpecos (Transpecos, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Greg Kwedar
Elenco – Gabriel Luna, Johnny Simmons, Clifton Collins Jr., Julio Oscar Mechoso.

Três policiais americanos trabalham em um posto rodoviário numa estrada isolada no meio do deserto próximo da fronteira com o México. Flores (Gabriel Luna), o veterano Hobbs (Clifton Collins Jr.) e o novato Davis (Johnny Simmons) enfrentam o tédio dos longos dias contando histórias, seguindo rastros de jovens traficantes e tirando sarro dos poucos motoristas que passam pelo local. Quando um destes motoristas tenta fugir com o carro repleto de drogas, a vida dos policiais se transforma num inferno. 

A fronteira entre Estados Unidos e México é um dos locais mais violentos do mundo. Além de ser o caminho de entrada na América para os imigrantes ilegais, a região também é uma famosa rota de tráfico de drogas controlada pelos terríveis cartéis mexicanos. 

Este competente longa policial explora uma trama que mostra como a corrupção e a violência estão enraizadas na região. O medo de se tornar alvo de algum cartel leva as pessoas a atitudes desesperadas. O ponto principal do filme é a corrida dos personagens para salvar a própria vida. Para quem gosta do gênero, o longa é um boa opção.  

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

[Rec]

[Rec] ([Rec], Espanha, 2007) – Nota 7
Direção – Jaume Balagueró & Paco Plaza
Elenco – Manuela Velasco, Ferran Terraza, Jorge Yaman Serrano, Pablo Rosso.

Uma jovem repórter (Manuela Velasco) e um cinegrafista (Pablo Rosso) tem a missão de cobrir um dia de trabalho em uma base do corpo de bombeiros em Barcelona. 

Esperando algum chamado para fazer uma reportagem em busca de audiência, a jornalista fica animada quando os bombeiros seguem para atender uma ocorrência em um prédio residencial. 

Ao chegarem no local, eles encontram uma mulher completamente descontrolada que os ataca. Os demais moradores tentam fugir, porém o prédio é cercado pela polícia. As autoridades acreditam que o prédio seja o foco de uma infecção desconhecida. 

Este competente terror de baixo orçamento fez grande sucesso na época ao explorar o estilo do falso documentário que começou com o superestimado “A Bruxa de Blair”, em que algum personagem participa e filma toda a ação. 

A proposta aqui funciona bem. A narrativa ágil é perfeita para o desespero que toma conta das pessoas presas no edifício. As cenas sangrentas também agradam ao público que gosta do estilo. 

O filme rendeu três continuações e uma refilmagem americana batizada de “Quarentena” que também rendeu uma sequência. Por mais que este original seja interessante, inclusive com uma curiosa explicação para a infecção que surge na parte final, não tive vontade a assistir as sequências ou a versão americana. A meu ver seria mais do mesmo.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Mulheres do Século 20

Mulheres do Século 20 (20th Century Women, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Mike Mills
Elenco – Annette Bening, Lucas Jade Zumann, Elle Fanning, Greta Gerwig, Billy Crudup.

Santa Bárbara, Califórnia, 1979. Em um velho casarão em reforma, a divorciada Dorothe Fields (Annette Bening) vive com o filho de quinze anos Jamie (Lucas Jade Zumann) e aluga os quartos para duas pessoas. 

A jovem fotógrafa Abbie (Greta Gerwig) que terminou o tratamento contra um tumor cervical e o bem humorado William (Billy Crudup). Ainda faz parte do grupo a adolescente Julie (Elle Fanning), que todos os dias sai da casa da mãe para dormir no quarto do amigo Jamie. 

O sensível roteiro escrito pelo diretor Mike Mills vai além do drama sobre família e amizade, focando também nas mudanças de comportamento das mulheres que viviam na época. A protagonista divorciada de meia-idade que criava o filho sozinha era algo novo, assim como as jovens interessadas em explorar sua sexualidade e ter uma vida própria. 

O grande acerto do roteiro é mostrar a importância do feminismo dos anos sessenta e setenta, quando a mulher buscava liberdade e independência, bem diferente do feminismo ideológico, político e raivoso dos dias atuais. 

As ótimas interpretações do elenco são outro ponto positivo, inclusive do garoto praticamente desconhecido Lucas Jade Zumann. 

É um bom filme sobre uma época de mudanças.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

5 Dias de Guerra

5 Dias de Guerra (5 Days of War, Geórgia / EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Renny Harlin
Elenco – Rupert Friend, Emmanuelle Chriqui, Richard Coyle, Val Kilmer, Johnathon Schaech, Andy Garcia, Rade Sherbedgia, Heather Graham, Mikko Nousiainen, Antje Traue, Kenneth Cranham, Dean Cain.

Iraque, 2007. Um carro com quatro jornalistas é atacado por rebeldes, causando a morte de dois deles. 

Um ano depois, os dois sobreviventes do ataque, Thomas Anders (Rupert Friend) e Sebastian Ganz (Richard Coyle), seguem para a Geórgia com o objetivo de cobrir a invasão do exército russo ao país. 

Mesmo sabendo do perigo que enfrentarão, a dupla viaja para o interior do país. Não demora para os jornalistas ficarem sitiados no meio do conflito. 

O ponto forte da carreira do diretor finlandês Renny Harlin sempre foram as cenas de ação. Longas como “Duro de Matar 2” e “Risco de Total” são os grandes exemplos. Por outro lado, história e personagens muitas vezes deixam a desejar. 

Neste até interessante trabalho sobre o conflito real que ocorreu entre Rússia e Geórgia, Harlin novamente acerta nas competentes cenas de ação e falha no desenvolvimento da história. O roteiro não deixa claro os motivos do conflito e nem se aprofunda na terrível questão da chamada “limpeza étnica”. O romance que surge no meio da história e as concessões cinematográficas na parte final também tiram pontos do filme. 

O resultado é um longa que prende a atenção, mas que ao mesmo tempo se mostra uma aventura de guerra genérica

domingo, 15 de outubro de 2017

A Incrível Aventura de Rick Baker

A Incrível Aventura de Rick Baker (Hunt for the Wilderpeople, Nova Zelândia, 2016) – Nota 7,5
Direção – Taika Waititi
Elenco – Sam Neill, Julian Dennison, Rima Te Wiata, Rachel House, Tioreore Ngatai Melbourne.

Na cena inicial, uma arrogante assistente social (Rachel House) entrega para adoção o garoto Rick Baker (Julian Dennison). Ele ficará na responsabilidade de um casal que vive em uma fazenda no interior da Nova Zelândia. 

A assistente social ainda fala que o garoto não presta e que não aceitará devolução. Mesmo assim, o garoto é acolhido pela simpática Bella (Rima Te Wiata) e pelo marido rabugento Hector (Sam Neill). 

Aos poucos, Bella ganha a confiança de Rick, até que uma surpresa muda completamente a situação e faz com que o garoto e Hector sejam obrigados a enfrentar um aventura na mata que cerca a região. 

Este simpático longa neozelandês mistura drama, aventura e pitadas de comédia de forma surpreendente e agradável, com uma história dividida em dez capítulos curtos e o epílogo. As sequências no meio da mata são divertidas e valorizadas pela beleza natural da região. 

O filme fica ainda melhor por causa da química entre o veterano Sam Neill (“Parque dos Dinossauros”) e o garoto gordinho Julian Dennison. Os diálogos entre eles são impagáveis. É interessante também as divertidas citações sobre os costumes neozelandeses. 

É um filme de sessão da tarde com qualidade. 

sábado, 14 de outubro de 2017

Partisan

Partisan (Partisan, Austrália, 2015) – Nota 5
Direção – Ariel Kleiman
Elenco – Vincent Cassel, Jeremy Chabriel,  Florence Mezzara.

Em uma comunidade escondida em uma região pobre, várias mulheres com filhos ainda crianças são lideradas pelo enigmático Gregori (Vincent Cassel). 

Agindo como uma espécie de guru, Gregori comanda tudo no local com mão de ferro, mesmo demonstrando gostar das crianças. 

Em seguida, descobrimos que seu filho de onze anos Alexander (Jeremy Chabriel) foi treinado para ser um assassino. A situação fica caótica quando uma da crianças que aparentemente é autista, começa a questionar as atitudes de Gregori. 

Este é com certeza um dos filmes mais estranhos dos últimos anos. A relação entre Gregori e sua enorme “família” lembra algo primitivo, mesmo com o roteiro não deixando claro se todas as crianças são realmente seus filhos. 

Por sinal, o roteiro oferece poucas respostas. A narrativa também é lenta, mesmo explorando a tensão que cresce aos poucos dentro da família. 

É um filme indicado para quem curte experiências cinematográficas fora do comum, mesmo não sendo sinônimo de qualidade.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Bombas! - Filmes de Ação dos Anos 80

Corrida em Pânico (Running Scared, EUA, 1980) – Nota 5
Direção – Paul Glicker
Elenco – Ken Wahl, Judge Reinhold, Annie McEnroe, Bradford Dillman, John Saxon, Pat Hingle.

Flórida, 1961. Dois soldados americanos (Ken Wahl e Judge Reinhold) fogem do serviço no Panamá e voltam aos Estados Unidos de forma clandestina em um avião militar. Descobertos pelos militares ao chegarem na Flórida e carregando uma máquina utilizada para tirar fotos de uma instalação militar secreta, os amigos se tornam suspeitos de espionagem. 

Este foi um dos primeiros filmes a ser lançado em VHS original no Brasil nos anos oitenta, quando o mercado ainda estava dominado pelas fitas piratas. O longa é fraco, tendo como ponto principal uma sequência de perseguição de barcos a motor pelos pântanos da Flórida. Ken Wahl com a série “O Homem da Máfia” e Judge Reinhold como coadjuvante na franquia “Um Tira da Pesada” tiveram um certo destaque na carreira. 

O Sequestro do Presidente (The Kidnapping of the President, Canadá / EUA, 1980) – Nota 5,5
Direção – George Mendeluk
Elenco – William Shatner, Hal Holbrook, Van Johnson, Ava Gardner, Miguel Fernandes.

Durante uma visita ao Canadá, o presidente americano (Hal Holbrook) é sequestrado e mantido em cativeiro dentro de um caminhão repleto de explosivos. Os sequestradores que pertencem a um grupo revolucionário latino, exigem cem milhões de dólares como resgate. Um agente do serviço secreto (William Shatner) comanda a investigação. Apesar de ter sido lançado nos cinemas, este envelhecido longa tem cara de produção para tv.

Cidade Corrompida (Blue City, EUA, 1986) – Nota 4,5
Direção – Michelle Manning
Elenco – Judd Nelson, Ally Sheedy, David Caruso, Paul Winfield, Scott Wilson, Anita Morris.

Ao voltar para sua cidade natal na Flórida por causa do assassinato de seu pai, o rebelde Billy Turner (Judd Nelson) se une a sua antiga namorada (Ally Sheedy) e ao irmão dela (David Caruso) para descobrir o porque do crime. Logo, ele percebe que a cidade é dominada por um empresário corrupto (Scott Wilson) que comanda inclusive a polícia local. Este fraco drama policial foi uma tentativa de explorar a então popularidade de Judd Nelson e Ally Sheedy, que conseguiram fama no clássico adolescente “Clube do Cinco”. O roteiro ruim e os personagens mal desenvolvidos enterraram o longa.  

Duelo no Asfalto (Rolling Vengeance, Canadá, 1987) – Nota 5
Direção – Steven Hilliard Stern
Elenco – Don Michael Paul, Lawrence Dane, Ned Beatty, Lisa Howard, Michael G. Reynolds.

Joey (Don Michael Paul) e seu pai Big Joe (Lawrence Dane) transportam bebidas para Tiny Doyle (Ned Beatty), o dono do maior bar da região. Uma desavença com Tiny e seus filhos resulta no assassinato da mãe e da irmã de Joey, dando início a uma verdadeira guerra entre as famílias. Outros crimes acontecem até que Joey decide se vingar utilizando seu caminhão como arma. Ums dos filmes B de ação mais bizarros dos anos oitenta, este longa é daqueles para ser assistido sem preocupação com os absurdos. A carreira do protagonista Don Michael Paul não decolou e a partir daí o ator se limitou a pontas em seriados. 

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Sangue Pela Glória & Punhos de Sangue


Sangue Pela Glória (Bleed For This, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Ben Younger
Elenco – Miles Teller, Aaron Eckhart, Ciaran Hinds, Katey Sagal, Ted Levine, Jordan Gelber, Amanda Clayton, Daniel Sauli.

Em 1988, o boxeador Vinny Pazienza (Miles Teller) estava no auge do carreira após vencer uma luta válida pelo título mundial. Um acidente de automóvel muda completamente sua vida. A princípio, médicos e familiares acreditam que sua carreira acabou, porém o decidido pugilista não se entrega e faz de tudo para voltar aos ringues. 

Baseado numa incrível história real, este longa tem como um dos pontos positivos não apelar para o dramalhão. A narrativa sóbria foca na força de vontade do protagonista e também na sua relação com o pai (Ciaran Hinds), com a mãe religiosa (Katey Sagal) e a irmã (Amanda Clayton), além do treinador (Aaron Eckhart). O roteiro também mostra o lendário treinador e empresário Lou Duva (Ted Levine) como um explorador interessado apenas em lucrar com o esporte. Miles Teller dá conta do recado, inclusive nas boas cenas de lutas. 

Punhos de Sangue (The Bleeder, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Phillippe Falardeau
Elenco – Liev Schreiber, Elizabeth Moss, Naomi Watts, Ron Perlman, Michael Rapaport, Jim Gaffigan, Morgan Spector, Pooch Hall.

Bayonne, New Jersey, 1974. Chuck Wepner (Liev Schreiber) é um boxeador mediano que tenta subir no ranking para disputar o título mundial, mesmo sendo mais um sonho do que realidade. A inesperada chance surge quando Don King, empresário do campeão Muhammad Ali, deseja encontrar um adversário branco, criando uma espécie de luta racial para aumentar a publicidade. Após aguentar quinze rounds contra Ali, Wepner se torna famoso em Bayonne, mas por outro lado, se perde totalmente em sua vida pessoal. 

A história real da luta de Wepner contra Ali foi a inspiração para Sylvester Stallone escrever, protagonizar e dirigir o clássico “Rocky – Um Lutador”. Aqui, o roteiro vai além da luta de Wepner, detalhando também sua conturbada vida pessoal, como o casamento com Phyliss (Elizabeth Moss), sua amizade nas farras com John (Jim Gaffigan) e seu problema com as drogas. Liev Schreiber entrega uma competente interpretação do sujeito que enfrentou altos e baixos, se mostrando radiante em alguns momentos e patético em outros. É um bom filme sobre um interessante personagem.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

The Deal

The Deal (Salineuiloe, Coreia do Sul, 2015) – Nota 7
Direção – Yong Ho Son
Elenco – Sang Kyung Kim, Sung Woong Park, Yoon Seung Ah, Jae Yoon Jo, Eui Sung Kim.

Um serial killer (Sun Woong Park) é detido pela polícia e se nega a contar onde estão os corpos de suas vítimas, com exceção de três garotas que foram encontradas enterradas no quintal de sua casa. 

O detetive Tae Soo (Sang Kyung Kim de “Memórias de um Assassino”) se desespera quando descobre que a última vítima do criminoso foi sua irmã. Seu cunhado (Yoon Seung Ah) também vê seu mundo desabar ao receber a notícia da morte da esposa. Para enfrentar o drama, policial e cunhado seguirão caminhos opostos. 

O roteiro segue o estilo comum dos thrillers produzidos na Coreia do Sul, misturando investigação, drama e violência, além de uma pequena surpresa na parte final. Vale destacar o assustador Sun Woong Park como o psicopata sorridente e as cenas de ação, como a briga no chuveiro na penitenciária e a sequência da perseguição pelos becos. 

Não está entre os melhores filmes sul-coreanos, mas mesmo assim é um competente thriller policial.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Atari: Game Over

Atari: Game Over (Atari: Game Over, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Zak Penn
Documentário

Roteirista de várias adaptações de quadrinhos para o cinema, como alguns filmes da franquia “X-Men”, Zak Penn comandou este documentário sobre a história da pioneira empresa de videogames Atari e a lenda de que milhares de cartuchos do jogo “E.T” haviam sido enterrados em um lixão na cidade de Alamogordo no Novo México. 

Penn explora duas narrativas paralelas. A primeira segue o interesse de um funcionário da prefeitura de Alamogordo para conseguir a liberação para escavar o aterro sanitário em busca dos cartuchos. A outra narrativa, mostra depoimentos de pessoas que trabalharam na Atari no desenvolvimento dos jogos nos anos setenta e oitenta. 

O personagem principal é o engenheiro Howard Scott Warshaw, que desenvolveu o jogo “E.T.” e e levou toda a culpa pelo fracasso nas vendas e na quebra da empresa. O doc detalha os bastidores do ocorrido, mostrando que o trabalho de Warshaw foi apenas parte do fracasso, onde a culpa maior foi das pessoas que comandavam a empresa que fazia parte do grupo Warner. 

É um doc indicado para os fãs de games e para quem viveu a época em que o Atari era o grande avanço na diversão tecnológica. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Armadilha & Thomas Crown - A Arte do Crime


Armadilha (Entrapment, EUA / Inglaterra / Alemanha, 1999) – Nota 6
Direção – Jon Amiel
Elenco – Sean Connery, Catherine Zeta Jones, Ving Rhames, Will Patton, Maury Chaykin, Kevin McNally.

Um famoso quadro é roubado e a empresa de seguros acredita que o crime tenha sido cometido por Robert MacDougal (Sean Connery), um ladrão especializado em obras de arte. Para tentar localizar o quadro e prender MacDougal, a seguradora envia a investigadora Virginia Baker (Catherine Zeta Jones), que a princípio utiliza sua beleza e inteligência para se aproximar do ladrão. Os dois se tornam parceiros, mas cada um esconde suas reais intenções.

O roteiro se mostra até aceitável durante dois terços do filme, enquanto a dupla principal planeja o grande golpe. Na parte final, o longa foi por água abaixo. A sequência de ação no alto do edifício na Malásia é absurda, finalizando com um reviravolta prá lá de forçada.

Outro ponto que não funciona é o romance entre Sean Connery e Catherine Zeta Jones. Não existe química alguma, resultando em cenas de romance quase constrangedoras. Este foi um dos últimos trabalhos de Connery no cinema. Ele trabalharia ainda no interessante “Encontrando Forrester” e no fraco “A Liga Extraordinária”, filme que marcou sua despedida das telas.  

Thomas Crown – A Arte do Crime (TheThomas Crown Affair, EUA, 1999) – Nota 7
Direção – John McTiernan
Elenco – Pierce Brosnan, Rene Russo, Denis Leary, Frankie Faison, Ben Gazzara, Fritz Weaver, Charles Keating, Marc Margolis, Faye Dunaway.

Thomas Crown (Pierce Brosnan) é um empresário milionário que tem como hobby roubar valiosas obras de arte. Quando ele rouba um Monet no museu de Nova York, a investigadora de seguros Catherine Banning (Rene Russo) é contratada para recuperar a obra. Aos poucos, a bela Catherine se deixa seduzir pelo charme de Crown, ficando dividida entre o trabalho e uma possível nova vida. Em paralelo, um amargurado policial (Denis Leary) também investiga o caso. 

Este longa é uma refilmagem do clássico dos anos sessenta “Crown – O Magnífico” dirigido por Norman Jewison e protagonizado por Steve McQueen e Faye Dunaway. Com curiosidade, neste remake a atriz Faye Dunaway interpreta a psicóloga que atende o protagonista vivido por Pierce Brosnan. Não assisti ao original para comparar, mas mesmo assim gostei desta versão. O então 007 Pierce Brosnan estava no auge da carreira e se mostrava perfeito no papel do requintado ladrão, enquanto a ex-modelo Rene Russo desfilava sua beleza. 

Finalizando, este foi um trabalho diferente na carreira de John McTiernan, especialista em filmes de ação como “Duro de Matar” e “O Predador”.

domingo, 8 de outubro de 2017

Histórias Cruzadas

Histórias Cruzadas (100 Streets, Inglaterra, 2016) – Nota 6,5
Direção – Jim O’Hanlon
Elenco – Idris Elba, Gemma Arterton, Tom Cullen, Franz Drameh, Ken Stott, Charlie Creed Miles, Kierston Wareing, Lorraine Stanley.

Em Londres, alguns personagens passam por momentos decisivos em suas vidas. 

Max (Idris Elba) é um astro de rugby aposentado, mulherengo e drogado que está separado da esposa Emily (Gemma Arterton) por causa de suas traições. Ele deseja voltar para a esposa, que também está tendo um caso com um fotógrafo (Tom Cullen). 

Kingsley (Franz Drameh) é um jovem que vive em um conjunto habitacional e que deseja abandonar o tráfico de drogas. A terceira trama segue o motorista de táxi George (Charlie Creed Miles), que se envolve em um acidente que mudará para sempre sua vida e da esposa. 

As três histórias que se cruzam focam em dramas pessoais que envolvem até mesmo violência. A trama com o jogador de rugby é a mais forte e também a que termina de forma mais exagerada. 

É um filme pequeno, daqueles que se apoiam nos personagens. 

O resultado é uma obra no máximo mediana.

sábado, 7 de outubro de 2017

Quatro Vidas de um Cachorro

Quatro Vidas de um Cachorro (A Dog’s Purpose. EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Lasse Hallstrom
Elenco – Josh Gad, Dennis Quaid, Peggy Lipton, Bryce Gheisar, K.J. Apa, Britt Robertson, Juliet Rylance, Luke Kirby, Logan Miller, John Ortiz, Kirby Howell Baptiste.

O título nacional está errado. Na verdade são cinco vidas do cachorro, sendo que uma delas é bem curta e provavelmente o sujeito que traduziu o título não percebeu ou ignorou a situação. 

O longa é narrado pelo cachorro (voz de Josh Gad) e segue cinco reencarnações do animal através de sua relações com os humanos ao seu redor. 

Deixando de lado a primeira encarnação que é mostrada rapidamente, os pontos altos do longa estão na segunda e na última história. Não citarei mais detalhes sobres estas duas histórias para não estragar a surpresa. As duas outras histórias que preenchem o longa se mostram um pouco deslocadas, mesmo entendendo que são tramas sensíveis. 

O grande acerto é mostrar a sensacional relação de amizade entre um cão e seu dono. Todas as pessoas que gostam de animais e que tem cães ao seu lado vão se emocionar com o filme. A amizade sincera entre dono e animal, as trapalhadas que os animais aprontam, seus hábitos e o triste momento do envelhecimento são retratados com extrema sensibilidade. 

O diretor sueco Lasse Hallstrom já havia explorado o tema de amizade entre homem e cachorro no também sensível “Sempre ao Seu Lado”.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Em Ritmo de Fuga

Em Ritmo de Fuga (Baby Driver, Inglaterra / EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Edgar Wright
Elenco – Ansel Elgort, Kevin Spacey, Jon Hamm, Jamie Foxx, Lily James, Eiza Gonzalez, Jon Bernthal, CJ Jones, Sky Ferreira, Lance Palmer, Flea, Lanny Joon.

Baby (Ansel Elgort) é o chamado “motorista de fuga”. Ele trabalha há anos para pagar uma dívida ao gângster Doc (Kevin Spacey), sempre dirigindo automóveis para fugir com bandidos após algum assalto. 

Após o que seria seu último trabalho, Baby planeja mudar de vida com a nova namorada, a garçonete Debora (Lily James), mas como sair do mundo do crime é extremamente complicado, logo ele se vê obrigado a participar de mais um assalto. 

Especialista em filmes que misturam violência e comédia com toques de paródia, o diretor inglês Edgar Wright está sendo muito elogiado por este novo trabalho. Como opinião pessoal, considero um filme divertido com algumas boas ideias, mas longe de merecer todos estes elogios. 

A história é totalmente clichê ao explorar o jovem que deseja sair do mundo do crime, que carrega um trauma de infância e que vive um novo amor. Por outro lado, as cenas de ação são muito bem filmadas e embaladas por uma ótima trilha sonora. O detalhe do jovem sofrer com um problema de audição e utilizar um fone ouvindo músicas durante todo o filme é muito bem explorado pelo diretor, inclusive gerando alguns interessantes diálogos. 

O resultado é uma diversão sem compromisso com a realidade. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O Guardião Invisível

O Guardião Invisível (El Guardián Invisible, Espanha / Alemanha, 2016) – Nota 7
Direção – Fernando Gonzalez Molina
Elenco – Marta Etura, Elvira Minguez, Frances Orella, Carlos Librado “Nene”, Itziar Aizpuru, Colin McFarlane, Benn Northover.

O assassinato de uma adolescente leva a inspetora Amaia Salazar (Marta Etura) de volta a sua cidade natal para investigar o crime. 

Na pequena Elizondo no País Basco, Amaya precisará lidar com os traumas de seu passado e sua complicada relação com a família, principalmente com a irmã mais velha (Elvira Minguez). 

A situação fica ainda mais difícil quando ocorre um segundo assassinato de forma semelhante. Amaya acredita ser obra de um serial killer, enquanto a mídia batiza o assassino como “Basajaun”, que seria uma criatura da mitologia Basca que lembra o americano “Pé Grande”. 

O filme é baseado no primeiro livro de uma trilogia policial que explora a mitologia, os costumes e as tradições do País Basco, região espanhola que faz fronteira com a França e que há décadas luta para se tornar um país independente. 

A premissa e o clima de tragédia são os pontos altos do longa. As cenas ao ar livre foram quase todas filmadas em dias nublados ou debaixo de chuva, o que passa uma sensação de tristeza e desamparo. 

Por mais que a investigação prenda a atenção, o filme se tornar irregular por perder tempo nos conflitos familiares da protagonista, inclusive deixando sem explicação sua terrível relação com a mãe que é mostrada em flashbacks. 

Aparentemente, as pontas soltas e a falta de explicação para esta situação podem ser ganchos para uma sequência. 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Shimmer Lake

Shimmer Lake (Shimmer Lake, EUA / Canadá, 2017) – Nota 7
Direção – Oren Uziel
Elenco – Benjamin Walker, Rainn Wilson, Stephanie Sigman, Ron Livingston, Rob Corddry, John Michael Higgins, Adam Pally, Wyatt Russell, Matt Landry.

Na cena inicial, um sujeito (Rainn Wilson) acorda no chão do porão de uma casa, com marcas de sangue na camisa ao lado de um mochila de dinheiro. A tela escurece e mostra que estamos em uma sexta-feira. 

A partir daí, a trama segue o dia inteiro, envolvendo outros personagens e citando que ocorreu um assalto no banco da pequena cidade. Ao final do dia, ao invés da história seguir em frente, voltamos para a manhã de quinta-feira e assim a trama volta no tempo até o dia do assalto, que foi na terça-feira anterior. 

Explorando a mesma ideia do ótimo “Amnésia” de Christopher Nolan, o roteiro escrito pelo diretor estreante Orem Uziel brinca com o espectador, fazendo com que ele tenha que prestar bastante atenção para amarrar a pontas da história ao contrário. É interessante que ao final fica claro que se a montagem fosse linear, o filme perderia pontos, pois a história é simples. 

Também não deixa de ser curiosa a escolha do elenco. Rainn Wilson que interpreta um dos ladrões, John Michael Higgins que vive o juiz e a dupla Ron Livingston e Rob Corddry que dão vida aos incompetentes agentes do FBI, são atores com carreiras quase todas voltadas para comédia. Estes personagens patéticos se casam perfeitamente com o humor negro da narrativa, que por sinal não exagera no tom. 

O resultado é um filme simples e divertido, indicado para quem gosta do estilo.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O Amigo Oculto & O Sono da Morte


O Amigo Oculto (Hide and Seek, EUA/ Alemanha, 2005) – Nota 6,5
Direção – John Polson
Elenco – Robert De Niro, Dakota Fanning, Famke Janssen, Elisabeth Shue, Amy Irving, Dylan Baker, Melissa Leo, Robert John Burke.

No primeiro dia do ano, Alison (Amy Irving) comete suicídio deixando o esposo David (Robert De Niro) sozinho para cuidar da filha pré-adolescente Emily (Dakota Fanning). Para tentar superar a tragédia, pai e filha trocam Nova York por uma bela casa na zona rural. Inconformada com a morte da mãe e culpando o pai pelo ocorrido, Emily se mostra cada vez mais estranha ao afirmar que tem uma amigo imaginário chamado Charlie. Quando David se aproxima da bela Elizabeth (Elisabeth Shue), a situação fica ainda mais complicada.

Apesar de ter fracassado nas bilheterias e recebido críticas ruins, este longa ganha pontos pela surpreendente reviravolta na parte final, mesmo entendendo que o roteiro apresenta alguns furos. O clima de suspense que permeia o filme é competente, ajudando a superar as falhas e mantendo o interesse do espectador até o violento final. Vale destacar a boa interpretação da então garotinha Dakota Fanning.

O Sono da Morte (Before I Wake, EUA, 2016) – Nota 5,5
Direção – Mike Flanagan
Elenco – Kate Bosworth, Thomas Jane, Jacob Tremblay, Annabeth Gish, Dash Mihok, Jay Karnes.

Na sequência inicial, um sujeito assustado (Dash Mihok) ameaça atirar em uma criança chamada Cody (Jacob Tremblay), mas termina alvejando algo não identificado. A trama segue e mostra o casal Jessie (Kate Bosworth) e Mark (Thomas Jane) em processo de adoção de uma criança. Eles perderam o filho em um acidente doméstico e para tentar refazer a vida, decidem adotar o pequeno Cody, sem saber do passado da criança. Logo, eles descobrem que os sonhos e pesadelos de Cody se transformam em realidade.O que a princípio parece um dom, não demora para se transformar em algo perigoso.

O melhor deste fraco longa de suspense é a sensível atuação do garoto Jacob Tremblay, que ficou conhecido pelo ótimo “O Quarto do Jack”. A interessante premissa que tenta explorar o suspense através dos sonhos do garoto é fato habitual no gênero e as vezes funciona, como em alguns filmes da franquia “A Hora do Pesadelo”. O problema aqui está narrativa irregular e no roteiro cheio de furos, daqueles que resolvem as situações de forma absurda. O restante do elenco também não ajuda. Em alguns momentos o longa lembra uma produção para tv. 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Alien: Covenant

Alien: Covenant (Alien: Covenant, EUA / Inglaterrra / Austrália / Nova Zelândia / Canadá, 2017) – Nota 7
Direção – Ridley Scott
Elenco – Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup, Danny McBride, Demian Bichir, Carmen Ejogo, Jussie Smollett, Callie Hernandez, Amy Seimtez, Guy Pearce, James Franco.

Dez anos após a nave Prometheus desaparecer no espaço, uma nova expedição colonizadora é enviada para um planeta distante. A nave batizada de Covenant carrega uma tripulação e mais duas mil pessoas que estão hibernando, além do androide Walter (Michael Fassbender) que supervisiona a viagem que tem previsão de mais de sete anos. 

Um problema elétrico desperta os tripulantes, mata um deles e danifica a nave. Enquanto tentam reparar a nave, eles descobrem um planeta que está bem próximo e que aparentemente tem todas as condições de ser a nova colônia para os humanos. Mesmo sem saber o que podem enfrentar, eles decidem enviar uma expedição para reconhecimento do planeta. 

Sem contar os dois filmes “Alien vs Predador”, este é o sexto longa da franquia iniciada pelo mesmo Ridley Scott em 1979 e na minha opinião o mais fraco. Não chega a ser um filme ruim. A parte técnica é caprichada e as cenas de ação são competentes, porém a história é totalmente previsível, além de copiar diversas situações que vimos em outros filmes da franquia. Outro ponto fraco são os personagens. Com exceção do sempre competente Michael Fassbender, falta carisma ao restante do elenco. 

O final deixa em aberto a possibilidade de mais uma sequência. Por mais que eu goste da franquia, se realmente uma nova sequência for produzida, chegou a hora dos roteiristas utilizarem a criatividade para criar algo realmente novo.  

domingo, 1 de outubro de 2017

Monument Ave.

Monument Ave. ou Snitch (Monument Ave., EUA / Canadá, 1998) – Nota 7
Direção – Ted Demme
Elenco – Denis Leary, Ian Hart, Jason Barry, Famke Janssen, John Diehl, Colm Meaney, Noah Emmerich, Billy Crudup, Martin Sheen, Melissa Fitzgerald, Lenny Clarke, Greg Dulli, Brian Goodman, Jeanne Tripplehorn.

Em Boston, Bobby O’Grady (Denis Leary) e um grupo de amigos descendentes de irlandeses convivem e fazem pequenos serviços para o chefão do bairro, o arrogante Jackie O’Hara (Colm Meaney). 

Mesmo acostumados com a violência na região, os amigos ficam inconformados quando Teddy (Billy Crudup) sai da prisão e termina assassinado a sangue frio pelos capangas de O’Hara. Para deixar a situação ainda mais confusa, Bobby tem um caso com a jovem Katy (Famke Janssen), que é amante de O’Hara. 

Este interessante drama policial dirigido por Ted Demme, que era sobrinho de Jonathan Demme e que faleceu precocemente, foca na vida de pequenos marginais na periferia de Boston. 

Mesmo sem ter o mesmo talento ou a dinâmica na narrativa, o estilo lembra os filmes de Scorsese sobre o submundo de Nova York, em que amizade, violência e lealdade traçam o destino das pessoas envolvidas neste mundo. 

O diretor Ted Demme deixou outros bons filmes como “Brincando de Seduzir” e “Profissão de Risco”.