terça-feira, 31 de julho de 2018

Trama Internacional

Trama Internacional (The International, EUA / Alemanha / Inglaterra / França, 2009) – Nota 7
Direção – Tom Tykwer
Elenco – Clive Owen, Naomi Watts, Armin Mueller Stahl, Ulrich Thomsen, Brian F. O’Byrne, Patrick Baladi, Alessandro Fabrizi, Jack McGee, Felix Solis, Luca Barbareschi, Haluk Bilginer, Nilaja Sun.

Em Berlim, um investigador da promotoria de Nova York é assassinado após se encontrar com o diretor de um grande banco que desejava divulgar segredos sobre uma negociação que envolve uma empresa de armamentos. O diretor do banco também morre em seguida em um misterioso acidente. 

O agente da Interpol Louis Salinger (Clive Owen) e a assistente de promotoria americana Eleanor Whitman (Naomi Watts) tentam levar a frente a investigação, porém são pressionados de todas as formas para abandonar o caso. O obcecado Salinger não desiste e termina por se envolver numa complexa trama de corrupção internacional.

A trama de espionagem lembra os filmes de James Bond na questão das várias cidades por onde se desenrola. A jornada começa em Berlim, passa por Lyon na França, Milão, Nova York e Istambul, com o protagonista vivido por Clive Owen tentando desembaraçar uma história envolvendo diversos personagens do alto escalão. 

O longa tem poucas, porém boas cenas de ação, com destaque para a sequência de tiroteio dentro do Museu Guggenheim em Nova York. 

No final, a mensagem que fica é que por mais que se enfrente a corrupção das grandes corporações, ela sempre vai existir, apenas com a mudança de nomes dos envolvidos.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

O Homem dos Olhos Frios

O Homem dos Olhos Frios (The Tin Star, EUA, 1957) – Nota 8
Direção – Anthony Mann
Elenco – Henry Fonda, Anthony Perkins, Betsy Palmer, Michel Ray, Neville Brand, John McIntire, Lee Van Cleef, Peter Baldwin, Mary Webster.

Morgan Hickman (Henry Fonda) é um caçador de recompensas que chega em uma pequena cidade para entregar o corpo de um bandido e assim receber o dinheiro pelo serviço. 

Visto com desprezo pelas pessoas da cidade, Morgan consegue um local para dormir na casa de uma viúva (Betsy Palmer) que tem uma filho mestiço (Michel Ray). 

Enquanto espera o dinheiro, Morgan se torna uma espécie de professor do inexperiente xerife (Anthony Perkins), que não sabe como lidar com um valentão (Neville Brand) que deseja tomar seu cargo. 

O diretor Anthony Mann era um especialista em westerns que comandou vários filmes do gênero tendo o astro James Stewart como protagonista. Aqui o papel principal ficou com outro monstro sagrado do cinema, o grande Henry Fonda interpreta o herói relutante que é praticamente obrigado a ensinar o ofício de xerife para um então novato Anthony Perkins. 

O roteiro explora com competência os temas habituais do gênero O protagonista é o desconhecido rápido no gatilho, temos o vilão que incita a população a fazer justiça com as próprias mãos, o ódio aos mestiços, além das clássicas sequências de cavalgadas e tiroteios. 

É uma ótima opção para quem curte westerns.

domingo, 29 de julho de 2018

À Beira do Abismo

À Beira do Abismo (The Big Sleep, EUA, 1946) – Nota 8
Direção – Howard Hawks
Elenco – Humphrey Bogart, Lauren Bacall, John Ridgely, Martha Vickers, Dorothy Malone, Peggy Knudsen, Charles Waldron, Bob Steele, Elisha Cook Jr.

O detetive particular Philip Marlowe (Humphrey Bogart) é contratado por um milionário (Charles Waldron) que está sendo extorquido por causa de uma dívida de sua filha (Martha Vickers). 

Antes de sair da casa do sujeito, Marlowe é chamado pela outra filha (Lauren Bacall), que deseja que ele procure um amigo do pai que desapareceu. 

É quase impossível explicar um pouco mais desta que é uma das tramas mais complexas da história do cinema. A investigação do protagonista cruzará o caminho de chantagistas, policiais, gângsteres e várias mulheres fatais. 

Adaptado de uma obra de Raymond Chandler, o roteiro do famoso escritor William Faulkner imprime uma incrível velocidade nos diálogos que deixam o espectador perdido em alguns momentos. A rapidez com que o personagem de Marlowe responde os questionamentos e se esquiva das armadilhas criadas pelos oponentes é sensacional. 

É muito difícil captar todos os detalhes em apenas uma sessão. É um filme para ser visto mais de uma vez. 

sábado, 28 de julho de 2018

Atômica

Atômica (Atomic Blondie, Alemanha / Suécia / EUA, 2017) – Nota 7
Direção – David Leitch
Elenco – Charlize Theron, James McAvoy, Eddie Marsan, John Goodman, Toby Jones, James Faulkner, Roland Moller, Sofia Boutella, Bill Skarsgard, Sam Hargrave, Johannes Haukur Johannesson, Til Schweiger, Barbara Sukowa.

Alemanha, 1989. Poucos dias antes da queda do Muro de Berlim, a agente do serviço secreto inglês Lorraine Broughton (Charlize Theron) é enviada para a cidade com a missão de descobrir a identidade do assassino de outro agente. 

Além disso, Lorraine precisa se encontrar com o agente David Percival (James McAvoy), que negocia com um oficial da polícia secreta da Alemanha Oriental (Eddie Marsan) que deseja fugir para o ocidente utilizando como moeda de troca uma lista de espiões que trabalham para o seu governo. 

A história repleta de mentiras e traições se mostra confusa na forma como é contada, ao mesmo tempo que esconde uma simplicidade repleta de clichês. Por ser baseado em uma graphic novel, o visual do filme em alguns momentos lembra uma ficção científica nos exageros das cores e dos cenários. 

Por outro lado, as cenas de ação repletas de porrada são extremamente bem filmadas, com a atriz Charlize Theron mandando ver nas lutas corporais. A trilha sonora com clássicos pop dos anos oitenta é outro ponto alto. 

O resultado é um bom filme de ação indicado para os fãs do gênero. Para quem procura uma história melhor desenvolvida e mais realista, o ideal é passar longe.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Comédias Antigas de Verão


Curso de Verão (Summer School, EUA, 1987) – Nota 7,5
Direção – Carl Reiner
Elenco – Mark Harmon, Kirstie Alley, Courtney Thorne Smith, Dean Cameron, Robin Thomas, Patrick Labyorteaux, Gary Riley, Kelly Jo Minter, Ken Olandt, Shawnee Smith.

No último dia de aula em um colégio, o diretor praticamente obriga o professor de educação física Freddy Shoop (Mark Harmon) a assumir uma classe de alunos problemáticos que precisa ter aulas durante as férias de verão. O professor não tem a mínima ideia do que fazer com os alunos, que logicamente também não queriam estar ali. Aos poucos, Freddy percebe que aqueles jovens precisam de ajuda pessoal muito mais do que aula com papel e caneta. 

Este simpático longa é um cult dos anos oitenta que infelizmente não tem a mesma fama de outros semelhantes. O roteiro explora alguns clichês de forma inteligente, principalmente quanto ao elenco. Temos a aluna bonita, surfista e totalmente dispersa (Courtney Thorne Smith), o jovem que trabalha como stripper e dorme durante a aula (Ken Olandt) e a impagável dupla de alunos fãs do terror “O Massacre da Serra Elétrica” (Dean Cameron e Gary  Riley). O professor que descobre uma motivação que acreditava não ter é com certeza um dos melhores papéis de Mark Harmon, hoje famoso pela série “NCIS”. 

É um filme simples, divertido e até sensível em alguns momentos.

As Grandes Férias (The Great Outdoors, EUA, 1988) – Nota 6
Direção – Howard Deutch
Elenco – Dan Aykroyd, John Candy, Stephanie Faracy, Annette Bening, Robert Prosky.

Chet (John Candy), sua esposa (Stephanie Faracy) e seus dois filhos viajam para aproveitar as férias em um hotel na beira de um lago. O que seria apenas diversão se transforma em conflito quando o cunhado de Chet, o folgado Roman (Dan Aykroyd), decide se hospedar no mesmo hotel com a esposa (Annette Bening) e o casal de filhos. É o início de uma verdadeira disputa entre famílias. 

Mais um típica comédia inofensiva dos anos oitenta, em que dois astros do gênero criam confusões que beiram o humor pastelão. Como curiosidade, este foi o primeiro trabalho da atriz Annette Bening no cinema.

Temporada de Verão (Summer Rental, EUA, 1985) – Nota 5,5
Direção – Carl Reiner
Elenco – John Candy, Karen Austin, Richard Crenna, Kerri Green, Joey Lawrence, Rip Torn, John Larroquette, Richard Herd.

Jack (John Candy) é um controlador de voo que consegue tirar férias e levar a família para se divertir nas praias da Flórida. A esposa (Karen Austin) e o casal de filhos (Kerri Green e Joey Lawrence) querem aproveitar o local, enquanto o atrapalhado pai se envolve em confusões e cria uma conflito com um sujeito arrogante (Richard Crenna). 

É uma típica sessão da tarde que ganha pontos pela simpatia do falecido John Candy e por algumas piadas divertidas.

Sonhos de Verão (California Dreaming, EUA, 1979) – Nota 5,5
Direção – John Hancock
Elenco – Seymour Cassel, Glynnis O’Connor, Dennis Christopher, Dorothy Tristan, Tanya Roberts.

O jovem T. T. (Dennis Christopher) muda de uma pequena cidade do interior dos EUA para a Califórnia querendo curtir a vida com sol, praia e garotas, porém seu jeito tímido e atrapalhado não irá ajudar. Sua vida melhora quando um veterano surfista (Seymour Cassel) o ajuda a conquistar a garota dos sonhos (Glynnis O’Connor).

Com um protagonista fraco e um roteiro previsível, o longa tem como destaque apenas as lindas paisagens das praias da California, além do belo elenco feminino.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

12 Heróis

12 Heróis (12 Strong, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Nicolai Fuglsig
Elenco – Chris Hemsworth, Michael Shannon, Michael Peña, Navid Negahban, Trevante Rhodes, Geoff Stults, Thad Luckinbill, Jack Kesy, Austin Hébert, William Fichtner, Elsa Pataky.

Logo após os ataques de 11 de Setembro, o governo americano envia um tropa com doze soldados de elite para auxiliar o general afegão Dostum (Navid Negahban) a retomar a cidade de Mazar-I-Sharif que está dominada pelo grupo Talibã. 

Liderados pelo capitão Mitch Nelson (Chris Hemsworth), o grupo precisa ganhar a confiança do general e se preparar para um violento conflito no deserto. 

Apesar de baseado em uma história real, o roteiro é extremamente conciso. No início temos uma pequena apresentação dos personagens de Chris Hemsworth, Michael Shannon e Michael Peña para criar uma empatia com o público, para em seguida levar o grupo de soldados até as montanhas do Afeganistão e assim começar a ação. 

O ponto principal sem dúvida são as cenas de ação, com destaque para a longa sequência na parte final. O diretor dinamarquês Nicolai Fuglsig imprime um certo tom patriótico e alguns cortes rápidos que lembram os filmes de Michael Bay, inclusive com um dos produtores sendo Jerry Bruckheimer, parceiro habitual de Bay. 

É basicamente um filme pipoca repleto de ação e violência.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

The Narrows

The Narrows (The Narrows, EUA, 2008) – Nota 7
Direção – François Velle
Elenco – Kevin Zegers, Vincent D’Onofrio, Sophia Bush, Eddie Cahill, Titus Welliver, Monica Keena, Roger Rees, Tony Cucci, Michael Kelly, Anthony Fazio, Louis Mustillo.

Mike Manadoro (Kevin Zegers) é um jovem que vive no Brooklyn dividido entre o curso de fotografia na universidade e os pequenos serviços de motorista que presta para um pequeno mafioso local (Titus Welliver).

Mike utiliza o dinheiro ganho com os serviços para pagar seu curso. Seu pai (Vincent D’Onofrio) também trabalha para o mafioso fazendo cobranças. Ao se envolver com uma jovem estudante (Sophia Bush) e ao mesmo tempo ver um amigo (Eddie Cahill) entrar em conflito com o criminoso, Mike precisa decidir qual caminho seguir na vida. 

O grande acerto deste longa de baixo orçamento é retratar de forma sóbria a vida de um jovem dividido entre as tentações do mundo do crime e o sonho em ter uma carreira normal. 

O formato lembra os filmes de Martin Scorsese no início de carreira como “Caminhos Perigosos”, além também das semelhanças com a vida nas periferias do Brasil. No ambiente em que o protagonista cresceu existe a lei implícita da lealdade distorcida dos marginais e o pensamento de que pequenos crimes são coisas normais. Escapar desta armadilha é o desafio. 

É um filme simples e direto. 

terça-feira, 24 de julho de 2018

Wild Wild Country

Wild Wild Country (Wild Wild Country, EUA, 2018) – Nota 8,5
Direção – Chapman & Maclain Way
Documentário

Produzido pelos irmãos Jay e Mark Duplass, que são atores conhecidos, este documentário detalha a absurda história do guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh, hoje conhecido como Osho e de seus seguidores que praticamente criaram uma pequena cidade no Oregon no início dos anos setenta. 

Nos anos sessenta, a Índia se transformou numa espécie de local místico para o Movimento Hippie por causa dos vários gurus que proliferavam no país. Bhagwan foi um destes gurus que surgiu na região de Pune. 

Com uma legião de seguidores, incluindo europeus e americanos ricos que bancavam a seita, Bhagwan ficou na Índia até 1970, quando problemas com o governo fez com que ele e os líderes de sua seita tivessem a ideia de mudar para os Estados Unidos. 

Nessa época, o braço-direito do guru era sua secretária Ma Anand Sheela, então uma jovem de vinte anos. Sheela e um grupo de seguidores compraram um rancho nos arredores da pequena cidade de Antelope no Oregon. Em pouco tempo uma nova cidade foi construída. 

Quando Bhagwan chegou ao Oregon, o local abrigava centenas de pessoas, além de visitantes. Aos poucos, a presença do grupo causa uma crise com os moradores de Antelope, criando um conflito que resulta em briga política, tentativa de fraudar eleições, de envenenamento em massa e de homicídio. 

O doc tem seis episódios de uma hora cada, tempo suficiente para detalhar esta loucura. Seria difícil para um roteirista criar uma trama de ficção com tantos elementos igual a história real. 

É interessante citar que enquanto Bhagwan era a figura espiritual que aparecia pouco em público, Ma Anand Sheela era uma verdadeira tirana ambiciosa e manipuladora. O depoimento de Sheela nos dias atuais mostra uma senhora sem empatia alguma, que não se arrepende de absolutamente nada. 

Depoimentos de pessoas ligadas a Sheela e ao guru deixam claro como a manipulação de massas transforma as pessoas em verdadeiros fantoches. O desejo de fazer parte de algo e se sentir importante muitas vezes levam as pessoas a abdicar até mesmo de sua liberdade. 

É um doc que pode cansar que não tem interesse no tema. Por outro lado é um verdadeiro estudo de como a psique de muitas pessoas é frágil.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Rudy & Temporada de Furacão


Rudy (Rudy, EUA, 1993) – Nota 7,5
Direção – David Anspaugh
Elenco – Sean Astin, Ned Beatty, Charles S. Dutton, Jon Favreau, Scott Benjaminson, Lili Taylor, Robert Prosky, Jason Miller, John Beasley, Ron Dean, Vince Vaughn.

Final dos anos sessenta. O jovem Rudy Ruettiger (Sean Astin) está no último ano do colégio e sonha em se tornar jogador de futebol da universidade de Notre Dame. Suas notas apenas razoáveis, seu tamanho e a pouca habilidade para o esporte são muros praticamente intransponíveis. Rudy é obrigado a trabalhar em uma usina ao lado do pai (Ned Beatty) e dos irmãos. Quatro anos depois, uma determinada situação faz com que Rudy abandone o emprego e a noiva (Lili Taylor) e decida tentar ser aceito na universidade, mesmo sendo tratado como maluco pela família. 

Este sensível longa é baseado numa história real de superação em busca de um sonho. É interessante citar que a obsessão em realizar um sonho ou chegar a um objetivo pode ocorrer de uma forma diferente do imaginado. O roteiro aqui foca na busca do protagonista pelo objetivo, detalhando as barreiras enfrentadas e sua força de vontade em enfrentar algo que parecia além do seu limite. 

Muito da emoção na narrativa vem da direção de David Anspaugh. Apesar de ser pouco conhecido e ter quase toda a carreira voltada para TV, Anspaugh é o responsável por um dos filmes sobre esporte mais emocionantes da história do cinema. O drama sobre uma equipe de basquete colegial chamado “Momentos Decisivos” é uma verdadeira pérola protagonizada por Gene Hackman. Os dois filmes são belos exemplos de superação no esporte.

Temporada de Furacão (Hurricane Season, EUA, 2009) – Nota 6,5
Direção – Tim Story
Elenco – Forest Whitaker, Taraji P. Henson, Isaiah Washington, Courtney B. Vance, China Anne McClain, Bonnie Hunt, Robbie Jones, Khleo Thomas, Shad Moss, Michael Gaston, J.B. Smoove.

Um ano após o Furacão Katrina destruir New Orleans, o professor de basquete Al Collins (Forest Whitaker) tenta remontar a equipe de seu colégio. Como várias escolas foram destruídas e muitas pessoas fugiram da cidade, Al consegue reunir alguns alunos que eram destaques em outros colégios. Mesmo com uma estrutura mínima e muitos problemas pessoais entre os garotos, o treinador luta para transformar o grupo em um time vencedor. 

Este longa foca em mais uma história real de superação no esporte, tema explorado em diversos filmes. O roteiro segue os clichês das dificuldades pessoais influenciando as relações entre os garotos e treinador, que por sinal é teimoso e obstinado, além de pai de família exemplar. O pano de fundo da cidade devastada tentando se reerguer também é explorado sem muita profundidade. Fica a sensação de que há já vimos este filme. Falta algo até mesmo nas cenas que seriam para emocionar, tanto nos conflitos, como nas sequências dos jogos. O resultado é um drama esportivo genérico.

domingo, 22 de julho de 2018

O Passageiro

O Passageiro (The Commuter, Inglaterra / França / EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Jaume Collet Serra
Elenco – Liam Neeson, Vera Farmiga, Patrick Wilson, Jonathan Banks, Sam Neill, Elizabeth McGovern, Killian Scott, Shazad Latif, Andy Nyman, Roland Moller, Florence Pugh, Colin McFarlane, Adam Nagaitis.

Após dez anos trabalhando em uma grande empresa de seguros, Michael MacCauley (Liam Neeson) é dispensado do emprego. Ao voltar para casa de trem, Michael é abordado por uma estranha (Vera Farmiga), que sabe que ele é ex-policial e por isso oferece cem mil dólares para uma pequena missão. 

Ele precisa encontrar uma pessoa que está dentro do trem e que é testemunha chave em um caso de corrupção e assassinato. Mesmo relutante, Michael se vê obrigado a agir quando recebe uma mensagem de que sua esposa e filho serão assassinados caso ele não cumpra a missão. É início de uma alucinante corrida dentro do trem. 

O diretor catalão Jaume Collet Serra e o astro Liam Neeson repetem pela quarta vez a parceria em um agitado filme de ação. Assim como nos filmes anteriores (“Desconhecido”, “Sem Escalas” e “Noite Sem Fim”), o protagonista vivido por Liam Neeson precisa salvar sua vida, provar sua inocência e desvendar uma complexa trama. 

A forma criativa como ele investiga a identidade da pessoa desconhecida coloca vários coadjuvantes em primeiro plano durante algumas sequências. As cenas de brigas e tiroteios dentro do trem são bem violentas, com o grande deslize sendo a exagerada sequência com o protagonista pendurado no trem. Liam Neeson novamente comprova que nasceu para este tipo de personagem. 

Para quem curte o gênero, este e os outros três filmes citados são diversão garantida.

sábado, 21 de julho de 2018

Desejo de Matar

Desejo de Matar (Death Wish, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Eli Roth
Elenco – Bruce Willis, Vincent D’Onofrio, Elisabeth Shue, Camila Morrone, Dean Norris, Kimberly Elise, Beau Knapp, Len Cariou, Jack Kesy, Ronny Gene Blevins.

O cirurgião Paul Kersey (Bruce Willis) tem uma vida perfeita ao lado da esposa (Elisabeth Shue) e da filha que está prestes a entrar na universidade (Camila Morrone). 

Quando uma quadrilha invade sua casa, mata a esposa e deixa a filha em coma profundo, Paul a princípio tenta acreditar que a polícia resolverá o caso. Ao perceber que os bandidos podem não ser encontrados, Paul decide ir para as ruas armado e assim buscar justiça com as próprias mãos. 

Entre os tantos remakes fracos dos últimos anos, este longa de Eli Roth consegue manter um bom nível em comparação com o original protagonizado por Charles Bronson nos anos setenta. O filme com Bronson ganha na originalidade e também ao mostrar uma Nova York suja e ameaçadora. Nesta nova versão, Roth transforma o protagonista em cirurgião ao invés do arquiteto no original, muda a trama para Chicago e ainda insere um irmão (Vincent D’Onofrio). 

Apesar de previsível, o desenvolvimento da trama é competente, principalmente ao detalhar a mudança de atitude do protagonista. As cenas de violência são criativas e algumas bem violentas, por sinal marca registrada de Eli Roth, especialista em filmes de terror gore. 

Uma sessão dupla para comparar as versões é uma ótima opção.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Dark Crimes

Dark Crimes (Dark Crimes, Inglaterra / Polônia / EUA, 2016) – Nota 4
Elenco – Alexandro Avranas
Elenco – Jim Carrey, Marton Csokas, Charlotte Gainsbourg, Kati Outinen, Vlad Ivanov, Agata Kulesza, Robert Wieckiewicz, Piort Glowacki.

Polônia. Após o fim do regime comunista, o policial Tadek (Jim Carrey) está relegado a serviços burocráticos por ser inimigo do atual chefe de polícia. 

O assassinato de um sujeito ligado a um rede de prostituição faz Tadek voltar ao campo de investigação. As pistas o levam até um escritor (Marton Csokas) que descreve com detalhes o crime em um de seus livros. Aos poucos, Tadek percebe que sua investigação pode levar a algo mais profundo. 

Este longa é baseado numa história real que veio a público através de uma reportagem nos Estados Unidos. É inacreditável como o diretor grego Alexandro Avranas conseguiu estragar esta complexa história repleta de detalhes sinistros. 

O primeiro erro é a narrativa arrastada, com um lentidão irritante, seguido pelas interpretações teatrais. Um dos motivos que me fez ver o filme foi ter Jim Carrey como policial em um papel sério, porém a decepção foi enorme. Totalmente canastrão e balbuciando as palavras, a cada cena fica a impressão de que ele fará alguma careta para rir do espectador. 

O roteiro também explora muito mal a questão do sinistro bordel, que tinha tudo para ser um dos pontos altos da trama. 

O resultado é um filme para passar longe.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Jogos Mortais: Jigsaw

Jogos Mortais: Jigsaw (Jigsaw, EUA / Canadá, 2017) – Nota 5,5
Direção – Michael & Peter Spierig
Elenco – Tobin Bell, Matt Passmore, Callum Keith Rennie, Hannah Emily Anderson, Clé Bennett, Laura Vandervoort.

Cinco estranhos acordam acorrentados em um velho galpão. Uma voz ordena que eles confessem seus pecados para sobreviver. Em paralelo, a polícia encontra corpos com marcas de tortura semelhantes as causadas por Jigsaw (Tobin Bell), que faleceu há dez anos. 

Uma dupla de policiais (Callum Keith Rennie e Clé Bennett) acredita que alguém esteja copiando os crimes de Jigsaw. Eles passam a suspeitar do legista Logan (Matt Passmore) e de sua assistente Eleanor (Hannah Emily Anderson). 

A franquia “Jogos Mortais” começou em 2003 com um sensacional longa que deu novo gás ao cinema de terror e suspense. A criatividade macabra do original foi perdendo a força nos filmes seguintes, chegando até o péssimo “Jogos Mortais: O  Final” em 2010. 

Sete anos depois, os irmãos Spierig ressuscitaram a franquia de forma pouca animadora. O roteiro recicla ideias dos filmes antigos e tenta dar uma explicação razoável para o reaparecimento de Jigsaw. Isso não chega a atrapalhar, o pior fica mesmo para a falta de criatividade dos “jogos” e para o péssimo elenco, com exceção de Tobin Bell, que aparece pouco por sinal. 

Infelizmente é uma série que já se esgotou e este filme nem deveria ter sido produzido. 

Finalizando, os irmãos Spierig tem dois outros filmes de ficção bem melhores. Procurem “O Predestinado” e “2049 –O Ano da Extinção”, ambos protagonizados por Ethan Hawke.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Filmes Dublados Dominaram os Cinemas

Em 2012 fiz um postagem sobre como os filmes dublados estavam crescendo na tv por assinatura e nos cinemas.

O texto é um pouco longo e bem pessoal. Nele eu explico a evolução dos filmes dublados para legendados nos anos noventa através do crescimento da tv por assinatura e o retorno aos dublados nos últimos anos.

Quem tiver interesse em ler clique neste link: Filmes Legendados, Sempre!

Seis anos depois, o que era uma espécie de divisão de mercado, principalmente nas salas de cinemas, hoje se tornou quase opção única.

A maior rede de cinemas do país, que domina a maioria das salas de shopping, chega a lançar apenas filmes dublados em determinados locais. Em outros, apenas as sessões noturnas oferecem a versão legendada com som original.

Aqui em SP apenas os cinemas localizados na região da Paulista e no bairro dos Jardins oferecem um maior número de filmes legendados, no restante da cidade os dublados dominaram completamente as salas.

Como eu citei no texto de 2012, vejo isso como um enorme retrocesso que cada vez mais se torna comum. O gosto pela leitura já é algo raro no país e esta escolha de dublar praticamente todos os filmes ajuda a piorar ainda mais este cenário.

Hoje eu vejo praticamente todos os filmes em casa, vou pouco ao cinema, tanto pela falta de opções legendadas nas salas e também pela facilidade de acesso através de streaming e tv por assinatura, esta última que pelo menos oferece a opção de som original e legendas na maioria dos canais.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Gângster Sem Nome

Gângster Sem Nome (Bumchoiwaui Junjaeng: Nabbeunnomdeul Jeonsungshidae, Coreia do Sul, 2012) – Nota 7
Direção – Jong Bin Yoon
Elenco – Min Sik Choi, Jung Woo Ha, Jin Woong Cho, Dong Seok Ma.

Busan, Coreia do Sul, 1990. Com a eleição de um novo presidente, o governo deflagra uma ofensiva contra o crime organizado no país. O empresário Choi Ik Hyun (Min Sik Choi) é preso suspeito de ser o líder de uma organização em Busan. 

Em seguida, a narrativa volta para 1982 quando Choi era um fiscal alfandegário que recebia pequenos subornos no porto da cidade. Seu parentesco com um mafioso (Jung Woo Ha) e seus contatos dentro dos órgãos públicos abrem o caminho para seu crescimento no mundo do crime, utilizando hotéis para lavagem de dinheiro. 

Este longa sul-coreano bebe na fonte de filmes de Martin Scorsese como “Os Bons Companheiros” e “Cassino” para contar a saga de crescimento de um personagem dentro de uma organização criminosa. As cenas de violência com bastões de beisebol e outras de tortura e humilhações seguem o estilo do cinema daquele país, assim com as interpretações que parecem exageradas para o público ocidental, mas que funcionam muito bem no geral. 

Infelizmente este filme perde pontos pela total falta de empatia do protagonista. Por mais que o personagem tenha importância e seja um parceiro do chefão, o sujeito jamais é respeitado. As várias cenas em que ele é humilhado chegam a irritar. 

Não é um filme ruim, mas está um pouco abaixo da maioria dos longa sul-coreanos dos últimos anos.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Mac

Mac (Mac, EUA, 1992) – Nota 6,5
Direção – John Turturro
Elenco – John Turturro, Michael Badalucco, Carl Capotorto, Katherine Borowitz, Olek Krupa, Ellen Barkin, John Amos, Dennis Farina, Nicholas Turturro, Aida Turturro.

Nova York, anos cinquenta. Após a morte do pai, os irmãos Vitelli montam uma pequena empresa de construção. Eles tentam sobreviver em meio a um concorrente desonesto, além de precisarem lidar com seu próprios problemas de relacionamento. 

O mais velho e líder da empresa é Mac (John Turturro), sujeito de sangue quente igual ao pai imigrante italiano, que muitas vezes se deixa levar pela emoção. Vico (Michael Badalucco) é o irmão um pouco irresponsável, enquanto o caçula Bruno (Carl Capotorto) fica dividido entre a empresa dos irmãos e os estudos. 

Este drama marcou a estreia na direção do ator John Turturro e chegou a ter algum destaque quando foi lançado em Cannes. Visto hoje, a história tem pontos interessante, porém a narrativa é bastante irregular. 

A ideia de mostrar as mudanças que estavam ocorrendo nas relações de trabalho é talvez o maior destaque. A cena final deixa claro que a importância na época das pessoas que faziam o serviço pesado estava sendo deixada de lado em prol dos pensadores e teóricos. O talento do personagem de John Turturro em construir casas era inversamente proporcional a sua dificuldade em interagir com a pessoas. 

Apesar de retratar uma típica família italiana, as crises entre os irmãos são mostradas de modo exagerado, com gritarias e discussões, inclusive com o personagem de mãe jamais aparecendo em cena. Apenas ouvimos a senhora gritando para falar com os filhos. 

Vale citar que Turturro escalou quase toda sua família no longa. Ele é casado com Katherine Borowitz, que interpreta sua esposa, seu filho Amedeo aparece ainda bebê, além do irmão Nicholas e da irmã Aida em papéis menores.

domingo, 15 de julho de 2018

Quero Matar Meu Chefe & Mulher Infernal


Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Seth Gordon
Elenco – Jason Bateman, Charlie Day, Jason Sudeikis, Kevin Spacey, Jennifer Aniston, Colin Farrell, Jamie Foxx, Donald Sutherland, John Francis Daley, P.J. Byrne, Ioan Gruffudd, Julie Bowen, Wendell Pierce, Ron White, Bob Newhart.

Três amigos desesperados que são tratados pessimamente por seus chefes, decidem armar um plano para matá-los. Nick (Jason Bateman) espera há oito anos por uma promoção no emprego, sendo obrigado a aguentar o arrogante executivo Dave (Kevin Spacey). Kurt (Jason Sudeikis) é contador de uma empresa química que precisa enfrentar o drogado Bobby (Colin Farrell), após o pai do sujeito falecer (Donald Sutherland). O terceiro amigo é Dale (Charlie Day), que trabalha como assistente da dentista Julia (Jennifer Aniston), que o trata como um brinquedo sexual e ameaça contar tudo para sua noiva.

A premissa é semelhante a comédia “Como Eliminar Seu Chefe” de 1980, com a diferença de que naquele filme eram três mulheres que planejavam matar o mesmo chefe. Aqui a trama brinca com o clássico “Pacto Sinistro”,  em que dois homens decidiam assassinar a pessoa que atrapalhava a vida da outra.

Infelizmente poucos momentos engraçados se salvam. São muitos diálogos comuns, algumas cenas exageradas e poucas risadas. Os destaques ficam para o agitado Charlie Day, para o assassino picareta vivido por James Foxx e pelas sequências com a voz do GPS do carro.

O filme fez um razoável sucesso e gerou uma sequência, mas que com certeza passarei longe.

Mulher Infernal (Saving Silverman, EUA, 2001) – Nota 5,5
Direção – Dennis Dugan
Elenco – Jason Biggs, Steve Zahn, Jack Black, Amanda Peet, R. Lee Ermey, Amanda Detmer, Neil Diamond.

Wayne (Steve Zahn), J.D. (Jack Black) e Darren Silverman (Jason Biggs) são amigos desde a infância e tocam juntos em uma banda cover do cantor Neil Diamond. Quando Silverman começa a namorar Judith (Amanda Peet), tudo muda. A jovem possessiva e manipuladora domina a vida do pobre Silverman, o afastando dos amigos. 

Desesperados em manter a amizade, Wayne e J.D. armam um plano maluco. Tentam reaproximar Silverman de Sandy (Amanda Detmer), que foi seu amor adolescente e que hoje está prestes a se tornar freira. Em paralelo, eles também pretendem sequestrar e forjar a morte de Judith. 

A premissa absurda é mais engraçada do que a realização. O diretor Dennis Dugan, parceiro habitual de Adam Sandler, explora a comédia pastelão e as piadas politicamente incorretas. Algumas acertam o alvo e outras passam longe de fazer rir. 

O filme fez algum sucesso na época, muito pelo trio principal de comediantes que estavam no auge da carreira. É basicamente uma comédia adolescente. 

sábado, 14 de julho de 2018

O Outro Irmão

O Outro Irmão (El Otro Hermano, Argentina / Uruguai / Espanha / França, 2017) – Nota 7,5
Direção – Israel Adrian Caetano
Elenco – Leonardo Sbaraglia, Daniel Hendler, Angela Molina, Alian Devetac, Pablo Cedron, Alejandra Flechner.

Cetarti (Daniel Hendler) viaja de Buenos Aires para a pequena vila de Lapachito no interior do país para cuidar do funeral da mãe e do irmão que foram assassinados pelo padrasto. 

Ao chegar no local, Cetarti é recebido por Duarte (Leonardo Sbaraglia), que diz ser o responsável por cobrar o seguro que foi deixado pela falecida. O simplório Cetarti aceita a ajuda do esperto Duarte. Enquanto espera receber sua parte do dinheiro, ele fica na antiga casa do irmão e aos poucos se envolve nos negócios escusos de Duarte. 

O decadente e melancólico interior da Argentina é quase um personagem neste drama policial filmado em um ritmo lento e de forma crua. As estradas empoeiradas, casas caindo aos pedaços, ruas vazias e pobreza são os ingredientes desta parte do mundo. O personagem de Leonardo Sbaraglia é o malandro que explora o local isolado para suas contravenções e crimes. 

Por mais que o filme praticamente não tenha cenas de ação, algumas sequências chamam a atenção pela crueldade, incluindo o violento clímax.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Alta Fidelidade

Alta Fidelidade (High Fidelity, Inglaterra / EUA, 2000) – Nota 8
Direção – Stephen Frears
Elenco – John Cusack, Iben Hjejle, Todd Louiso, Jack Black, Lisa Bonet, Joan Cusack, Catherine Zeta Jones, Tim Robbins, Lili Taylor, Natasha Gregson Wagner.

Como homenagem ao Dia do Rock, comento este divertido longa em que a música faz toda a diferença. 

Rob Gordon (John Cusack) é dono de uma loja de vinil em Chicago. Após ser dispensado pela namorada (a dinamarquesa Iben Hjejle), Rob se mostra triste, amargurado e quase depressivo. Conversando direto com a câmera, ele conta os detalhes de seus cinco relacionamentos que terminaram em desilusão. 

Por sinal, Rob é um fanático por música e cultura pop, sempre criando listas dos “cinco melhores” sobre algum tema. Seu conhecimento é dividido com os dois funcionários da loja. O tímido e sensível Dick (Todd Louiso) e o falastrão Barry (Jack Black), este último que praticamente expulsa da loja os clientes que procuram discos que ele odeia. 

O filme é baseado numa obra do inglês Nick Hornby, autor de outros dois livros que resultaram em divertidos longas (“O Grande Garoto” e Febre de Bola”). Os livros de Hornby são baseados na obsessão do escritor por música (rock), cultura pop (cinema, quadrinhos) e pelo futebol (torcedor fanático do Arsenal). O protagonista vivido por John Cusack é uma espécie de alter ego do escritor transportado de Londres para Chicago. 

Um dos grandes acertos do escritor e também do diretor Stephen Frears foi mostrar o protagonista como um sujeito comum, com virtudes e defeitos e que mesmo sofrendo pelos relacionamentos que não deram certo, deixa claro em sua narração que muitas vezes ele também errou. 

Tudo isso é detalhado com muito bom humor, ótimos diálogos sobre relacionamentos e cultura pop, além de uma sensacional trilha sonora com clássicos do rock e do pop, inclusive com a performance maluca de Jack Black em uma sequência. Por sinal, este papel de coadjuvante alavancou a carreira de Black. 

Vale citar que na época as lojas de discos já eram uma raridade, as poucas que ainda existiam sobreviviam pela teimosia de alguns apaixonados pelo vinil, igual ao protagonista. 

Apesar da aparente simplicidade da história, este longa se tornou merecidamente um clássico cult, principalmente para quem gosta de música e foi jovem nos anos oitenta e noventa.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

O Estado das Coisas

O Estado das Coisas (Brad's Status, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Mike White
Elenco – Ben Stiller, Austin Abrams, Jenna Fischer, Michael Sheen, Jemaine Clement, Luke Wilson, Shazi Raja, Luisa Lee, Mike White.

Ao quarenta e sete anos, Brad Sloan (Ben Stiller) passa por uma crise existencial. Ele sente que fracassou na vida, mesmo tendo uma ONG sem fins lucrativos e um bom casamento com Melanie (Jenna Fischer). 

Brad se compara a seus colegas de universidade que ganharam muito dinheiro e conseguiram sucesso em suas carreiras. Ao acompanhar seu filho Troy (Austin Abrams) para conhecer algumas universidades, Brad relembra seu passado e sofre com os problemas que acredita que irá enfrentar no futuro. 

O roteiro escrito pelo ator e diretor Mike White acerta em cheio ao descrever a chamada crise da meia-idade de uma forma sensível e racional, sem apelar para os exageros comuns deste tipo de filme, que geralmente resvala para a comédia rasgada. 

A narração melancólica do personagem de Ben Stiller descreve com perfeição as frustrações do homem comum, que em algum momento da vida passa a questionar o sentido de suas conquistas comparando com os sonhos que tinha na juventude, além é claro de sofrer ao perceber que talvez a melhor parte de sua vida tenha ficado para trás. 

O roteiro também deixa claro que comparar a vida das pessoas é algo sem sentido. Cada um percorre seu caminho e enfrenta seus desafios e problemas, sendo que a imagem pública muitas vezes esconde as frustrações, os erros e o sofrimento.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Trapped

Trapped (Ofaerd, Islândia, 2015) – Nota 8,5
Criação -  Baltasar Kormakur
Elenco – Olafur Darri Olafsson, Ilmur Kristjansdottir, Ingvar Eggert Sigurdsson, Nina Dogg Filippusdottir, Baltasar Breki Samper, Porsteinn Bachmann, Palmi Gestsson, Steinunm Olina Porsteindottir.

Um corpo sem braços, pernas e cabeça é encontrado por pescadores na baía de uma pequena cidade costeira na Islândia. No mesmo dia, um navio de cruzeiro atraca no porto da cidade. O chefe de polícia Andri (Olafur Darri Olafsson) acredita que a vítima tenha sido jogada do navio e que o criminoso ainda esteja no local. 

Uma forte nevasca que cobre a região impede que a polícia da capital Reykjavic viaje para investigar o caso. Com ajuda apenas de dois assistentes, a séria Hinrika (Ilmur Kristjansdottir) e o veterano Asgeir (Ingvar Eggert Sigurdsson), Andri também precisa lidar com novos crimes que ocorrem como consequência de sua investigação, além de enfrentar problemas pessoais com a ex-esposa (Nina Dogg Filippusdottir). 

Esta ótima série é a produção mais cara da história da pequena Islândia, resultando numa complexa trama que envolve traições, segredos, exploração imobiliária e até tráfico humano. O roteiro amarra de forma correta vários crimes que vem à tona com a investigação. Mesmo com algumas cenas violentas, a série é muito mais um drama investigativo. 

O desenvolvimento dos personagens é outro ponto de destaque, principalmente o protagonista vivido pelo grandalhão Olafur Darri Olafsson. Ele interpreta um policial que aparenta tristeza em várias sequências, que carrega um peso de um caso antigo, que por sinal pode ser o plot da segunda temporada que deve ser lançada em breve, sofre pela separação da esposa e ainda precisa resolver os novos crimes com pouca ajuda. Ele está longe de ser o herói comum aos dramas policiais. 

Finalizando, as belíssimas locações em meio a neve são outro destaque e ajudam a elevar o grau de isolamento da região.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Artista do Desastre

Artista do Desastre (The Disaster Artist, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – James Franco
Elenco – James Franco, Dave Franco, Seth Rogen, Ari Graynor, Alison Brie, Jacki Weaver, Paul Scheer, Zac Efron, Josh Hutcherson, June Diane Raphael, Megan Mullally, Sharon Stone, Melanie Griffith, Bob Odenkirk, Randall Park.

San Francisco, 1998. Durante uma aula de teatro amador, o jovem Greg (Dave Franco) fica curioso ao ver uma performance maluca de um sujeito chamado Tommy (James Franco). Os dois iniciam uma amizade e dividem o sonho de fazer sucesso como ator. 

Tommy convida Greg para morar em seu apartamento em Los Angeles, cidade onde seria mais fácil conseguir trabalho. Após perceberem que as chances de serem chamados para algum papel são praticamente zero, Tommy decide produzir seu próprio filme, mesmo sem ter experiência alguma como diretor ou roteirista. 

Baseado na história real que resultou em dos piores filmes de todos os tempos, este longa é com certeza o melhor trabalho de James Franco como diretor e um dos seus melhores também em frente das câmeras. A carreira de James Franco está ficando marcada pela quantidade enorme de trabalhos, resultando numa impressionante irregularidade. 

Neste longa que comento, Franco acertou em cheio ao interpretar o maluco Tommy Wiseau. As cenas após os créditos finais mostrando o verdadeiro Tommy e as sequências do filme original são idênticas a versão de Franco. A interpretação então é sensacional. 

Apesar de algumas piadas bobas, o roteiro é perfeito ao explorar os clichês dos bastidores do mundo do cinema, como na pequena participação de Sharon Stone como uma agente. 

É basicamente um filme indicado para o cinéfilo que curte informações que vão além da sala de cinema. Para o público em geral, provavelmente a história não seja tão interessante.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Aliados

Aliados (Allied, Inglaterra / EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Robert Zemeckis
Elenco – Brad Pitt, Marion Cotillard, Jared Harris, Simon McBurnley, Matthew Goode, August Diehl.

Marrocos, 1942. Em meio a Segunda Guerra Mundial, o espião Max Vatan (Brad Pitt) chega ao país com o objetivo de assassinar um oficial nazista. 

Max se faz passar pelo noivo da bela francesa Marianne Beausejour (Marion Cotillard), que também é uma espiã a serviço dos aliados. Enquanto se preparam para a missão, Max e Marianne se apaixonam e planejam viver juntos após cumprir o trabalho. 

As críticas divididas escondem um competente filme que mistura ação, espionagem e drama ao estilo dos longas antigos do gênero. A meia-hora inicial é um pouco arrastada, deixando a impressão de que a história seguiria o caminho do romance piegas, porém à partir do momento em que o casal de protagonistas inicia a missão do assassinato, tudo muda. 

O longa pode ser dividido em duas partes, com a primeira sendo a que se passa em Marrocos e a hora final levando a trama para Londres, incluindo uma interessante reviravolta. 

Vale citar a coragem do diretor Robert Zemeckis em entregar um final que foge dos padrões hollywoodianos. 

Mesmo um pouco irregular, o filme é uma boa diversão para quem curte obras de espionagem.

domingo, 8 de julho de 2018

Fahrenheit 451

Fahrenheit 451 (Fahrenheit 451, EUA, 2018) – Nota 5
Direção – Ramin Bahrani
Elenco – Michael B. Jordan, Michael Shannon, Sofia Boutella, Martin Donovan, Khandi Alexander, Keir Dullea.

Em um futuro distante, os livros se tornaram ilegais. Os bombeiros são os responsáveis por investigar e queimar todo livro que for encontrado, além de punir as pessoas que estiverem desobedecendo a lei. 

Neste contexto, o veterano bombeiro Beatty (Michael Shannon) e o novato Guy Montag (Michael B. Jordan) são os astros da transmissão ao vivo da queima de livros pela tv, na forma de uma enorme propaganda do governo. 

Quando Guy se envolve com uma informante de Beatty chamada Clarisse (Sofia Boutella), ele passa a questionar o porquê do seu trabalho, além de ser atormentado por sonhos com seu falecido pai. 

Eu não conferi o original de François Truffaut que é baseado em um livro de Ray Bradbury para comparar com esta nova versão. O que posso dizer é que este novo longa é fraco. Os personagens são clichês, fica fácil descobrir o que vai acontecer no final logo na primeira cena entre os dois Michael. 

A história é muito mal desenvolvida, com flashbacks previsíveis nas cenas de sonho e uma narrativa irregular. Falta emoção e ação, pouca coisa funciona. O diretor acreditou que apenas a produção caprichada e a fama do livro seriam suficientes para um grande filme. Ele errou feio. 

Para quem gosta do livro, procure o original de Truffaut.

sábado, 7 de julho de 2018

Terra de Minas & Kajaki


Terra de Minas (Under Sandet, Dinamarca / Alemanha, 2015) – Nota 8
Direção – Martin Zandvliet
Elenco – Roland Moller, Louis Hofmann, Joel Basman, Mikkel Bo Folsgaard, Laura Bro.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, o exército dinamarquês manteve um grande número de soldados alemães como prisioneiros, os obrigando a desarmar as milhares de minas terrestres que os próprios soldados nazistas enterraram em vários locais do país. 

Neste contexto, o sargento Rasmussen (Roland Moller) é o encarregado de liderar um grupo de jovens alemães, vários deles ainda adolescentes, para desarmarem minas enterradas em uma praia. O ódio de Rasmussen contra os alemães é colocado à prova conforme o veterano sargento passa a conhecer os garotos, que desejam apenas voltar para seu país e seguir a vida. 

O roteiro escrito pelo diretor Martin Zandvliet se baseia na história real da retirada das minas, porém utilizando personagens fictícios. É interessante a forma como o diretor explora o ódio criado pela guerra. Alguns soldados dinamarqueses procuram sua vingança humilhando os soldados alemães, que na realidade eram garotos assustados que foram empurrados para a guerra. 

Os cenários sujos que incluem os soldados cavando na areia com as mãos, o decadente galpão onde eles são obrigados a dormir e a fome pela falta de alimentos passam uma sensação de abandono que se mistura ao desespero cada vez que uma mina explode. 

No elenco, além da boa interpretação de Roland Moller, vale destacar o garoto alemão Louis Hofmann como o soldado inteligente e criativo que cria uma vínculo com o protagonista. Hofmann hoje é conhecido por seu papel na ótima série “Dark”.       

Kajaki (Kajaki, Inglaterra, 2014) – Nota 6,5
Direção – Paul Katis
Elenco – David Elliott, Mark Stanley, Scott Kyle, Benjamin O’Mahony, Bryan Parry, Liam Ainsworth.

Afeganistão, 2006. Um grupo de soldados britânicos instalados em uma colina no deserto vigia o movimento dos rebeldes numa estrada próxima ao local. Uma determinada situação faz com que alguns soldados tentem se aproximar dos rebeldes. Um dos soldados pisa em uma mina terrestre ficando extremamente ferido. Os colegas tentam ajudar e percebem que estão numa área repleta de minas, onde qualquer passo pode ser fatal. 

Baseado em uma história real, este longa é ao mesmo tempo cruel e cansativo. Na primeira meia-hora o foco são as piadas entre os soldados que parecem ter pouco o que fazer debaixo do sol escaldante. Quando a primeira mina é detonada, o filme se transforma num angustiante teste de paciência e sofrimento para os personagens. 

É um filme que incomoda ao mostrar como as minas terrestres são uma das mais perversas invenções do ser humano.                       

sexta-feira, 6 de julho de 2018

O Livro de Henry

O Livro de Henry (The Book of Henry, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Colin Trevorrow
Direção – Naomi Watts, Jaeden Lieberher, Jacob Tremblay, Sarah Silverman, Dean Norris, Lee Pace, Madie Ziegler.

A garçonete Susan (Naomi Watts) cria sozinha os filhos Henry (Jaeden Lieberher) e Peter (Jacob Tremblay). Henry tem uma inteligência acima da média. Ele é o “homem da casa” que organiza as finanças da mãe e demonstra uma maturidade de adulto. 

Sua sensibilidade faz com que ele desconfie das atitudes do vizinho Glenn (Dean Norris), que cuida da enteada Christina (Madie Ziegler) após a morte da mãe da garota. Um fato inesperado mudará completamente a vida de Henry e das pessoas ao seu redor. 

Apesar das críticas apenas razoáveis, eu gostei do longa. Ou melhor, são quase dois filmes. A primeira metade segue a cartilha dos dramas atuais, para num determinado momento a história se transformar num suspense. Esta reviravolta inusitada faz o filme ganhar pontos e fugir um pouco do lugar comum. 

Vale destacar as boas atuações dos garotos Jaeden Lieberher e Jacob Tremblay, que a cada novo trabalho demonstram potencial para uma sólida carreira adulta daqui alguns anos.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

15h17: Trem Para Paris

15h17: Trem Para Paris (The 15:17 to Paris, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Clint Eastwood
Elenco – Alek Skarlatos, Spencer Stone, Anthony Sadler, Judy Greer, Jenna Fischer, Tony Hale, Steve Coulter.

Agosto de 2015. Os amigos Alex (Alex Skarlatos), Spencer (Spencer Stone) e Anthony (Anthony Sadler) viajam de trem em direção a Paris quando são surpreendidos por um terrorista. Os dois primeiros são militares e percebem que a única chance de sobreviver é enfrentar o criminoso. 

O diretor Clint Eastwood presta aqui uma homenagem aos três americanos que se tornaram heróis. Os personagens são interpretados por eles mesmos, resultando em atuações amadoras. Foi uma escolha arriscada do diretor, que divide ainda a trama em duas narrativas. 

A primeira mostra a vida dos três personagens desde a adolescência, quando iniciaram a amizade na escola. A segunda narrativa é intercalada com pequenas cenas do ataque no trem, até o explosivo clímax. 

É um filme que vale a sessão pela força da história e a coragem dos protagonistas. Analisando apenas como cinema, a obra deixa a desejar.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Buster's Mal Heart

Buster’s Mal Heart (Buster’s Mal Heart, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Sarah Adina Smith
Elenco – Rami Malek, DJ Qualls, Kate Lyn Sheil, Toby Huss, Lin Shaye.

Um sujeito conhecido como Buster (Rami Malek) é perseguido pela polícia por invadir casas de temporada que estão vazias em uma região montanhosa. Em seguida, o filme se divide em três narrativas. 

A principal detalha a vida pregressa de Buster, quando este trabalhava como gerente de um decadente hotel e sonhava em ter uma vida melhor com a esposa (Kate Lyn Sheil) e a filha pequena, até conhecer um estranho (DJ Qualls) que influenciará seu destino. 

A narrativa seguinte mostra as ações malucas de Buster durante as invasões das casas isoladas e a terceira parece uma espécie de sonho em que o protagonista está em um pequeno barco à deriva no mar. 

O roteiro escrito pela diretora Sarah Adina Smith explora o estilo peculiar de interpretação do ator Rami Malek, que cria um personagem estranho semelhante ao Mr. Robot da série que o transformou em ator conhecido. A fala pausada, o olhar perdido e a personalidade complexa são muito parecidas no filme e na série. 

O resultado passa longe de ser um grande filme, na verdade é um longa que tem a seu favor fazer o espectador quebrar a cabeça, deixando claro que algumas situações não tem respostas perfeitas.

terça-feira, 3 de julho de 2018

71: Esquecido em Belfast

71: Esquecido em Belfast (’71, Inglaterra, 2014) – Nota 7,5
Direção – Yann Demange
Elenco – Jack O’Connell, Sean Harris, Sam Hazeldine, Jack Lowden, Paul Anderson.

Belfast, Irlanda do Norte, 1971. Um grupo de soldados do exército britânico é enviado para prender uma pessoa em sua própria casa em um bairro proletário da cidade, local tomado por separatistas do IRA (Exército Republicano Irlandês). 

Um inevitável conflito se inicia e dois soldados ao perseguirem um garoto são deixados para trás pelo tropa que foge da multidão. Um dos soldados é assassinado e outro chamado Gary (Jack O’Connell) consegue escapar, sendo perseguido pelos separatistas. Enquanto espera que seus companheiros voltem à sua procura, Gary precisa sobreviver em meio a hostilidade dos locais. 

Belfast era uma verdadeira panela de pressão prestes a explodir nos anos setenta e oitenta. O conflito entre separatistas e exército inglês na época é o ponto principal deste violento drama. 

Além da perseguição ao protagonista, que por sinal era irlandês, o roteiro explora também as disputas entre os próprios líderes locais do IRA e o medo das pessoas comuns em se envolver no conflito. 

O longa não chega a ter a qualidade do ótimo “Domingo Sangrento”, mas mesmo assim é uma obra competente e interessante para quem tem curiosidade sobre o tema.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

A Travessia

A Travessia (The Walk, EUA, 2015) – Nota 7,5
Direção – Robert Zemeckis
Elenco – Joseph Gordon Levitt, Charlotte Le Bom, Ben Kingsley, James Badge Dale, Ben Schwartz, César Domboy.

Paris, início dos anos setenta. Philippe Petit (Joseph Gordon Levitt) é um artista de rua que ganha trocados se equilibrando em cordas amarradas entre árvores e postes ou fazendo pequenos truques. 

Num certo dia, ao ler uma reportagem sobre a construção do World Trade Center, que seria inaugurado em 1974, Philippe fica obcecado em atravessar as chamadas Torres Gêmeas. 

Ao lado da namorada (Charlotte Le Bon) e com a ajuda de alguns amigos, ele monta um plano para entrar na torres dias antes da inauguração e atravessá-las por um arame, sem qualquer equipamento de segurança. 

A história real do maluco equilibrista Petit rendeu também um documentário. Esta adaptação da história tem como destaque a agradável narrativa que explora pitadas de comédia, aventura e principalmente suspense nas assustadoras cenas no alto do edifício. 

É interessante também a parte inicial quando Petit aprende técnicas para andar no arame com o veterano e ranzinza equilibrista de circo vivido por Ben Kinglsley. 

Algo que pode incomodar um pouco é o estranho sotaque francês do protagonista. Mesmo com Joseph Gordon Levitt tendo um bom desempenho, um ator francês seria uma escolha mais adequada.

A proeza de Petit é uma verdadeira maluquice que nunca mais foi tentada.

domingo, 1 de julho de 2018

Uma Passagem Para a Vida

Uma Passagem Para a Vida (L’Homme du Train, França / Inglaterra / Alemanha / Japão, 2002) – Nota 7,5
Direção – Patrice Leconte
Elenco – Jean Rochefort, Johnny Hallyday.

Milan (Johnny Hallyday) chega de trem em uma pequena cidade francesa. Ele pretende encontrar antigos comparsas para assaltar o banco local. 

Ao encontrar o hotel da cidade fechado, Milan termina por aceitar o convite para se hospedar na casa de um professor de poesia aposentado, o falante Manesquier (Jean Rochefort). 

Durante alguns dias, os dois sujeitos de passados extremamente diferentes trocam experiências de vida através de diálogos sobre amor, amizade, velhice e frustrações. 

Em um ritmo lento semelhante a vida na tediosa cidade onde se passa a história, este longa de Patrice Leconte (do ótimo “O Marido da Cabeleireira” também com Jean Rochefort) é um sensível retrato sobre a vida na terceira idade. 

Os protagonistas tem em comum o desejo de viver algo diferente, sonhando em ainda ter tempo de experimentar coisas novas. É curioso que o bandido de vida agitada se identifique com a vida calma do novo amigo, enquanto o veterano professor imagina as aventuras que poderia ter vivido quando jovem. 

Uma triste coincidência liga a vida dos dois atores. Eles faleceram com diferença de apenas dois meses no ano passado. Jean Rochefort se foi em outubro de 2017 e Johnny Hallyday em dezembro. Rochefort foi um dos grandes atores do cinema francês, enquanto Hallyday além de ator, foi o maior astro de rock da França. 

Como informação, o longa foi refilmado nos Estados Unidos em 2011 com Donald Sutherland e o músico da banda U2 Larry Mullen Jr nos papéis principais.