terça-feira, 14 de agosto de 2018

O Grupo Baader Meinhoff

O Grupo Baader Meinhoff (Der Baader Meinhof Komplex, Alemanha / França / República Tcheca, 2008) – Nota 8
Direção – Uli Edel
Elenco – Martina Gedeck, Moritz Bleibtreu, Johanna Wokalek, Nadja Uhl, Bruno Ganz, Stipe Erceg, Niels Bruno Schimdt, Heino Ferch, Alexandra Maria Lara.

No final dos anos sessenta, jovens estudantes em vários países protestavam nas ruas contra a Guerra do Vietnã e contra o capitalismo. Na Alemanha Ocidental, a jornalista Ulrike Meinhof (Martina Gedeck) acompanhava os protestos e escrevia matérias criticando o governo alemão. 

Neste contexto, ela se aproxima de Andreas Baader (Moritz Bleitbreu) e de sua namorada Gudrun Ensslin (Johanna Wokalek) que lideravam um grupo denominado RAF (Fração do Exército Vermelho). 

Após ajudar Baader a fugir da polícia, Ulrike entra de vez para a clandestinidade e passa a participar das violentas ações do grupo, incluindo roubos a bancos, sequestros, assassinatos e ataques com bombas. 

Este ótimo longa foca numa história real semelhante ao que ocorreu em vários países nos anos sessenta e setenta em que jovens revoltados acreditavam de forma ingênua que poderiam derrubar seus governos, assim como Fidel Castro e Che Guevara fizeram em Cuba. A ideologia logo se transformava em violência e por consequência o governo revidava na mesma moeda. 

O grande acerto deste longa é não glamourizar as ações do grupo. O roteiro deixa claro que eram jovens com ódio que não mediam as consequências dos ataques e nem se preocupavam se atingiriam inocentes. 

O ponto em comum entre os personagens é que para eles o grupo e a ideologia eram mais importantes do que tudo, inclusive a família. Filhos, pais e companheiros eram abandonados em nome da luta. 

O resultado é um filme didático para entender como funciona o pensamento daqueles que defendem o comunismo em nome de uma falsa democracia, onde o que importa na verdade é ter poder.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Preto e Branco

Preto e Branco (Black or White, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Mike Binder
Elenco – Kevin Costner, Octavia Spencer, Jillian Estell, Bill Burr, Anthony Mackie, Mpho Koaho, André Holland, Gillian Jacobs, Jennifer Ehle, Paula Newsome.

A morte da esposa em um acidente faz com que o advogado Elliott Anderson (Kevin Costner) fique sozinho com a neta Eloise (Jillian Estell). Como sua filha faleceu no parto e o genro (André Holland) é um viciado em drogas, a garota foi criado pelos avós. 

Com a morte da mulher, a avó paterna Rowena (Octavia Spencer) decide entrar na justiça para pedir a custódia da menina, dando início a uma disputa com Elliott. 

O filme cita no início ser inspirado em fatos reais, porém a forma como a situação é resolvida está mais para o politicamente correto de uma produção para a tv, do que para a vida real. Mas o filme não chega a ser ruim, alguns pontos são bem interessantes. 

O roteiro tenta explorar os conflitos raciais e sociais entre o rico personagem de Kevin Costner, com a família negra que vive num bairro pobre liderada por Octavia Spencer. Não temos heróis ou vilões, o roteiro procura ser imparcial nas virtudes e defeitos dos dois lados, porém sem se aprofundar no tema, assim fugindo de qualquer polêmica. 

O diretor, ator e roteirista Mike Binder comandou dramas melhores como “Reine Sobre Mim” com Adam Sandler e “A Outra Face da Raiva” que também tinha Kevin Costner como protagonista.  

domingo, 12 de agosto de 2018

O Caçador

O Caçador (Chugyeogja, Coreia do Sul, 2008) – Nota 8
Direção – Hong Jin Na
Elenco – Yoon Seok Kim, Jung Woo Ha, Yeong Hie Seo, Yoo Jeong Kim, In Gi Jeong.

Joong (Yoon Seok Kim) é um ex-policial que agora trabalha como agenciador de garotas de programa. Numa determinada noite, ele envia uma de suas garotas (Yeong Hie Seo) para um cliente (Jung Woo Ha) que sempre utiliza o mesmo celular para contato.

Pouco minutos depois, ele descobre que outras garotas desapareceram após fazer um programa com o sujeito. A princípio Joong procura uma amigo na polícia, para em seguida investigar por conta própria. É o início de uma violenta noite de loucuras em busca da garota e do possível psicopata. 

Elogiar o cinema sul-coreano se tornou hábito. Os filmes policiais e de suspense produzidos naquele país mesclam boas histórias, ótimas sequências de ação e muita violência, inclusive por parte da polícia nos interrogatórios.

A crueldade dos vilões também é outro ponto alto. Aqui o vilão é um jovem psicopata extremamente cruel.

A saga do protagonista em busca da garota desaparecida é repleta de perseguições e brigas.

O roteiro é bem amarrado, criando pistas para o protagonista seguir e inserindo ainda uma trama paralela com a filha da prostituta desaparecida. 

Para quem curte filmes policiais e também o cinema sul-coreano, este é mais uma ótima opção.

sábado, 11 de agosto de 2018

O Resgate de um Campeão

O Resgate de um Campeão (Resurrecting the Champ, EUA, 2007) – Nota 7
Direção – Rod Lurie
Elenco – Josh Hartnett, Samuel L. Jackson, Kathryn Morris, Dakota Goyo, Alan Alda, Rachel Nichols, Teri Hatcher, David Paymer, Harry Lennix, Peter Coyote, Kristen Shaw.

Eric Kernan Jr (Josh Hartnett) é um jornalista especializado em esportes que está em busca de uma história marcante para subir na carreira. 

O destino faz Eric cruzar o caminho de um morador de rua (Samuel L. Jackson) que estava lutando boxe e apanhando de três jovens em um beco. Eric ajuda o desconhecido que diz se chamar Bob Satterfield e que afirma ter sido um famoso boxeador nos anos cinquenta. 

Instigado com a história, ele encontra poucas informações sobre o lutador, mas mesmo assim decide escrever uma matéria sobre o sujeito, além de criar um laço de amizade com o falante Bob. 

O filme foi vendido como inspirado em uma história real, assim como o lutador Bob Satterfield realmente existiu, mas na verdade o que ocorreu é bem diferente do que é detalhado aqui. 

Mesmo assim, o filme ganha pontos pela química entre a dupla de protagonistas, principalmente pela caracterização de Samuel L. Jackson. Seu personagem é uma figura extremamente carismática. 

O roteiro é previsível, não é difícil descobrir o que vai ocorrer, mas isso não chega a atrapalhar. É basicamente um simpático filme sobre solidão, ambição e frustrações.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Fúria & O Homem que Quis Matar Hitler


Fúria (Fury, EUA, 1936) – Nota 7,5
Direção – Fritz Lang
Elenco – Spencer Tracy, Sylvia Sidney, Walter Abel, Bruce Cabot, Edward Ellis, Walter Brennan, Frank Albertson, George Walcott.

Joe Wilson (Spencer Tracy) precisa de dinheiro para casar com a jovem Katherine (Sylvia Sidney). Enquanto ela volta para sua cidade natal, Joe fica em Chicago e ao lado dos irmãos compra um pequeno posto de gasolina. Um anos depois, Joe consegue comprar um carro e viaja para encontrar Katherine. Ao chegar em uma cidade próxima da casa da namorada, ele é abordado por policiais e detido como suspeito de ter cometido um sequestro. Mesmo antes da polícia terminar a investigação, a notícia de sua prisão vaza e a população local se une para fazer “justiça” com as próprias mãos.

O polêmico tema do linchamento foi abordado várias vezes no cinema, geralmente em westerns como o clássico “Consciências Mortas”. Aqui o roteiro divide a história em duas partes. A primeira foca na prisão do inocente e na ação da população raivosa. Uma reviravolta transforma a parte final em um drama de tribunal, com a história perdendo um pouco da força.

Por ser uma produção extremamente antiga, algumas coisas incomodam um pouco, como as atuações teatrais. Por outro lado, as sequências da população tentando invadir a delegacia são assustadoras por causa do ódio. Eu tive aula com um professor que dizia que “a massa é canalha”, ou seja, quando várias pessoas se unem para lutar por algo, elas geralmente deixam de lado a razão e acreditam não serem culpadas pelas consequências de forma individual.

O Homem Que Quis Matar Hitler (Man Hunt, EUA, 1941) – Nota 6
Direção – Fritz Lang
Elenco – Walter Pidgeon, Joan Bennett, George Sanders, John Carradine, Roddy McDowall.

Meados de 1939, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. O caçador inglês Alan Thorndike (Walter Pidgeon), que também é capitão do exército, termina preso pelos nazistas por portar um rifle próximo a residência de Hitler. Mesmo torturado pelos nazistas, Thorndike se recusa a assinar um documento afirmando que tentaria matar Hitler a pedido do governo britânico. Ele consegue fugir, mas ao voltar para Londres é perseguido por agentes alemães.

Apesar da direção do grande Fritz Lang e da informação de que o longa foi baseado em uma reportagem da época, esta obra me decepcionou. Eu imaginava algo como um plano para assassinar Hitler, quando na verdade a trama é basicamente uma propaganda americana no estilo “esforço de guerra” para mostrar como os nazistas eram malvados. Fica difícil acreditar na motivação do protagonista que alegava não ter intenção de matar o Fuhrer.

As poucas cenas de perseguição nas ruas são fracas, assim como romance com a bela Joan Bennett não convence. A curiosidade é a participação de Roddy McDowall interpretando um esperto garoto alemão que ajuda o protagonista.

É um filme que envelheceu mal. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Sabor da Vida

Sabor da Vida (An, Japão / França / Alemanha, 2017) – Nota 8
Direção – Naomi Kawase
Elenco – Kirin Kiki, Masatoshi Nagase, Kyara Uchida.

Sentaro (Masatoshi Nagase) toma conta de uma pequena loja especializada em vender um doce chamado Dorayaki. O doce é uma pequena panqueca recheada com um creme de feijão vermelho. 

Num determinado dia, uma senhora chamada Tokue (Kirin Kiki) aparece na loja pedindo emprego. Educadamente Sentaro dispensa a mulher por causa da idade. 

No dia seguinte ela volta e entrega um pote com o recheio do creme de feijão. Sentaro experimenta o creme e decide contratar a mulher. Não demora para a novidade fazer sucesso, porém os problemas do passado de Tokue e do próprio Sentaro mudam o rumo das coisas. 

Com extrema sensibilidade, a diretora Naomi Kawase entrega uma história sobre dois personagens que enxergam a vida de modo completamente oposto. Enquanto a veterana Tokue encara o mundo com felicidade e alegria, deixando para trás os sofrimentos da juventude, Sentaro não consegue superar um trauma. 

No meio da relação que nasce entre os dois surge uma terceira personagem. A solitária adolescente Wakana (Kyara Uchida) também cria um laço com Tokue. 

É um filme que faz pensar sobre como devemos ser mais humanos e encarar a vida com felicidade.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Roger, o Conquistador

Roger, o Conquistador (Roger Dodger, EUA, 2002) – Nota 7,5
Direção – Dylan Kidd
Elenco – Campbell Scott, Jesse Eisenberg, Isabella Rossellini, Elizabeth Berkley, Jennifer Beals, Mina Badie, Ben Schenkman, Chris Stack, Morena Bacarin.

Em Manhattan, Roger (Campbell Scott) é um publicitário mulherengo e canalha que tem um caso com sua chefe (Isabella Rossellini). 

No dia em que sua amante decide acabar com o affair, Roger recebe a inesperada visita de seu sobrinho Nick (Jesse Eisenberg), que veio conhecer a Universidade de Columbia. 

Assim que começam a conversar, Nick diz que precisa de ajuda para conquistar garotas e perder a virgindade. Roger decide levar Nick para uma jornada noite adentro em busca de mulheres. 

Esqueça os filmes românticos, a proposta aqui é mostrar como funciona o mundo do sexo casual através da “aula” ministrada de tio para sobrinho. 

São vários pontos interessantes no longa. O contraponto entre o tio canalha que vê as mulheres como objeto e o sobrinho que deseja algo mais do que sexo resulta em ótimos diálogos, situações realistas e alguma melancolia. 

A conversa dos protagonistas com as personagens liberais vividas por Elizabeth Berkley e Jennifer Beals detalham como pensam as pessoas que curtem o sexo casual, mas que ao mesmo tempo sonham com uma relação estável. 

Com apenas um olhar de um personagem, a cena final deixa claro como a vida pode ser vazia.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

À Queima Roupa

À Queima Roupa (À Bout Portant, França, 2010) – Nota 7
Direção – Fred Cavayé
Elenco – Gilles Lellouche, Roschdy Zem, Gerard Lanvin, Elena Anaya, Mireille Perrier, Claire Perot.

Dois ladrões são perseguidos pela polícia, sendo que um deles (Roschdy Zem) é baleado, enquanto o outro consegue fugir. O sujeito chamado Hugo sobrevive ao tiro, mas fica detido no quarto do hospital. Logo, um desconhecido tenta matar o bandido, mas termina impedido pelo enfermeiro Samuel (Gilles Lellouche) que salva o paciente. 

No dia seguinte, a esposa de Samuel (Elena Anaya) é sequestrada e um bandido exige que o enfermeiro tire Hugo do hospital antes que a polícia o leve para a cadeia. É o início de uma corrida desesperada de Samuel para salvar a esposa. 

Nos últimos anos o cinema francês se especializou em filmes de ação e suspense que copiam o modelo hollywoodiano. Este longa é um exemplo que prende a atenção do início ao fim. O roteiro tem alguns furos e vários exageros que são compensados pelo ritmo ágil e pelas boas cenas de ação. 

O astro Gilles Lellouche e o diretor Fred Cavayé repetiram a dose no um pouco inferior “Mea Culpa”, que tem ainda Vincent Lindon no elenco. 

Para quem gosta de uma diversão agitada e passageira, este filme é uma boa opção.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O Estrangeiro

O Estrangeiro (The Foreigner, Inglaterra / China / EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Martin Campbell
Elenco – Jackie Chan, Pierce Brosnan, Michael McElhatton, Charlie Murphy, Orla Brady.

Um atentado terrorista em Londres cometido por uma dissidência do IRA (Exército Republicano Irlandês) deixa como uma das vítimas a filha do imigrante chinês Quan (Jackie Chan). 

Após perceber que a polícia não tem pistas sobre os autores do atentado, Quan entra em contato com o Primeiro Ministro Irlandês Liam Hennessy (Pierce Brosnan), que é um ex-combatente do IRA que costurou a paz com os ingleses. 

Sem conseguir a ajuda do Ministro pelo telefone, Quan decide ir até Belfast, capital da Irlanda do Norte, para pressionar o sujeito pessoalmente e assim buscar vingança pela morte da filha. 

Mesmo com algumas boas cenas de brigas, esqueça os filmes de lutas acrobáticas de Jackie Chan, o foco principal aqui é um drama sobre terrorismo e vingança. 

O diretor neozelandês Martin Campbell utiliza sua experiências em filmes de James Bond (“007 Contra Goldeneye” e “007 Cassino Royale”) para criar boas cenas de ação e suspense, além de uma narrativa ágil que explora uma complexa trama política por trás do atentado. 

Aos sessenta e três anos, o astro Jackie Chan ainda dá conta do recado em algumas criativas cenas de brigas, lógico que sem as loucuras que costumava inventar anos atrás. Sua interpretação também é correta como o sujeito de poucas palavras que carrega um passado trágico. 

O longa é uma agradável surpresa.

domingo, 5 de agosto de 2018

O Lenço Amarelo

O Lenço Amarelo (The Yellow Handkerchief, EUA, 2008) – Nota 7
Direção – Udayan Prasad
Elenco – William Hurt, Maria Bello, Kristen Stewart, Eddie Redmayne.

Numa pequena cidade da Louisiana, Brett (William Hurt) é libertado após cumprir cinco anos de prisão. 

Ao parar em uma lanchonete, ele faz amizade com a jovem Martine (Kristen Stewart), que por seu lado deseja chegar até New Orleans e para isso aceita carona do falante Gordy (Eddie Redmayne). 

Como Brett deseja reencontrar sua ex-esposa (Maria Bello), o trio se junta para seguir viagem. O desconhecidos aos poucos revelam suas alegrias, tristezas, frustrações e sonhos. 

Este simpático road movie tem como ponto alto o desenvolvimento dos personagens. O trio de viajantes tenta seguir a vida da melhor forma possível, mesmo carregando traumas. 

A narrativa ainda explora flashbacks para detalhar a vida do personagem de William Hurt antes da prisão através de sua relação com a ex-mulher. 

É basicamente um drama independente sobre pessoas comuns enfrentando as dificuldades da vida.

sábado, 4 de agosto de 2018

Bomb City

Bomb City (Bomb City, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Jameson Brooks
Elenco – Dave Davis, Glenn Morshower, Logan Huffman, Lorelei Linklater, Eddie Hassell, Henry Knotts, Luke Shelton.

Amarillo, Texas, 1997. Após viver algum tempo em Nova York, o jovem Brian (Dave Davis) volta para a cidade e reencontra seus amigos que curtem o movimento punk. 

Vistos como inimigos pelos jovens de classe média, principalmente os jogadores de futebol colegial da cidade, aos poucos a tensão entre os grupos aumenta, chegando até um inevitável e violento confronto. 

Baseado numa história real, este longa segue duas narrativas. A principal mostra a escalada da tensão entre os jovens e a secundária foca em um julgamento que é consequência do conflito. 

É interessante conferir o filme sem saber toda a história, pois os detalhes do julgamento não deixam claro quem são o réu e a vítima até próximo do final. 

O roteiro explora a questão do preconceito em relação a quem não se encaixa nas “regras do sistema”. 

É um filme simples, violento em alguns momentos e que vai direto ao tema sem rodeios.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Terra de Paixões & Segredos Imperdoáveis


Terra de Paixões (The Hi-Lo Country, EUA, 1998) – Nota 6
Direção – Stephen Frears
Elenco – Woody Harrelson, Billy Crudup, Patricia Arquette, Cole Hauser, Penelope Cruz, Sam Elliott, John Diehl, Darren Burrows, Jacob Vargas, Enrique Castillo, James Gammon, Katy Jurado, Lane Smith.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os amigos Pete (Billy Crudup) e Big Boy (Woody Harrelson) voltam para a pequena cidade de Hi-Lo no Texas. Grande parte das terras da região pertencem ao fazendeiro Jim Ed Love (Sam Elliott). Mesmo assim, os amigos preferem trabalhar em suas terras, sem prestar conta a Jim Ed. 

A forte amizade fica abalada quando Big Boy se envolve com a bela Mona (Patricia Arquette), por quem Pete é apaixonado. Para complicar ainda mais a situação, Mona é casada com o violento capataz de Jim Ed, Les (John Diehl). 

Esta escolha do diretor inglês Stephen Frears em levar às telas uma obra tipicamente americana com os pés nos antigos westerns resulta num longa arrastado que lembra uma novela. Os conflitos causados pelo triângulo amoroso e também pela questão das terras em momento algum empolgam. O filme ganha pontos pela bela fotografia e as atuações de Woody Harrelson e Sam Elliott. 

É um filme no máximo razoável.

Segredos Imperdoáveis (The Locusts, EUA, 1997) – Nota 6
Direção – John Patrick Kelley
Elenco – Vince Vaughn, Jeremy Davies, Kate Capshaw, Ashley Judd, Paul Rudd, Daniel Meyer, Jessica Capshaw.

Anos cinquenta, interior do Kansas. O jovem Clay (Vince Vaughn) é um andarilho que viaja de carona com o objetivo de chegar na Califórnia. Precisando de dinheiro, ele consegue emprego na fazenda da viúva Mrs. Potts (Jessica Capshaw). 

Enquanto aprende o serviço, Clay faz amizade com o filho da mulher, o garoto Flyboy (Jeremy Davies), que ficou internado por anos em uma instituição psiquiátrica após a morte do pai e que hoje vive sob a sombra da mãe. Clay se envolve com a jovem Kitty (Ashley Judd) e ainda precisa administrar as investidas da manipuladora Mrs. Potts. 

A premissa deste drama lembra os westerns em que um estranho chega a uma pequena cidade e muda a vida dos moradores. O personagem de Vince Vaughn é o catalisador das mudanças e principalmente o responsável por desenterrar segredos que criam um conflito familiar. 

O filme perde pontos pelas interpretações ruins de Jeremy Davies e Kate Capshaw. O ator exagera no tom da timidez e insegurança do personagem, enquanto a atriz não convence ao tentar mostrar força e sensualidade. 

É um drama irregular, que pode agradar o cinéfilo menos exigente.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Juventudes Roubadas

Juventudes Roubadas (Testament of Youth, Inglaterra / Dinamarca, 2014) – Nota 6
Direção – James Kent
Elenco – Alicia Vikander, Taron Egerton, Colin Morgan, Kit Harington, Dominic West, Emily Watson, Joana Scanlan, Miranda Richardson, Nicholas Farrell.

Inglaterra, 1914. A jovem Vera Brittain (Alicia Vikander) deseja estudar na Universidade de Oxford, mas precisa convencer seu pai (Dominic Weston). Com a ajuda do irmão Edward (Taron Egerton), Vera consegue dobrar o pai e assim fazer a prova para entrar na Universidade. 

Mesmo sabendo que um amigo de sua família chamado Victor (Colin Morgan) está apaixonado por ela, Vera abre seu coração para Roland (Kit Harington), que também estuda em Oxford. Assim que explode a Primeira Guerra Mundial, os jovens são enviados para o front, enquanto Vera decide trabalhar como enfermeira para ajudar os feridos. 

Baseado em um livro autobiográfico de Vera Brittain, este longa é um exemplo de uma história muito melhor do que o filme. A complexa história de vida da protagonista é contada através de uma narrativa arrastada. O foco principal do roteiro é o romance que toma praticamente toda primeira parte do longa. 

Quando começa a guerra, o longa se torna uma drama que explora o sofrimento da protagonista ajudando os feridos e na distância do amado e do irmão. Não existem sequências de ação, a guerra é mostrada em rápidas cenas com os soldados apenas nas trincheiras. O grande destaque fica para a caprichada reconstituição de época. 

É um filme que pode agradar quem curte histórias sobre sofrimento por amor. O cinéfilo que deseja algo mais consistente vai se decepcionar.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

O Sentido do Fim

O Sentido do Fim (The Sense of an Ending, Inglaterra, 2017) – Nota 7
Direção – Ritesh Batra
Elenco – Jim Broadbent, Charlotte Rampling, Harriet Walker, Michelle Dockery, Matthew Goode, Emily Mortimer, James Wilby, Edward Holcroft, Billy Howle, Freya Mavor, Joe Alwyn.

Tony Webster (Jim Broadbent) é surpreendido ao receber uma correspondência informando que um antigo amigo que acabou de falecer deixou para ele um diário. 

O problema é que a irmã do amigo chamada Veronica (Charlotte Rampling) se nega a entregar o diário. Extremamente curioso em saber o porquê da “herança”, Tony tenta se reaproximar de Veronica, com quem teve um breve relacionamento na juventude. 

A busca pelo objeto faz com que ele relembre fatos importantes da juventude, amizades e até mesmo o relacionamento com sua ex-esposa (Harriet Walker) e com sua filha que está grávida (Michelle Dockery). 

O roteiro que é baseado em um livro, tem como ponto principal a forma como manipulamos nossas lembranças. O protagonista conta sua história de acordo com seu interesse ou da forma que acredita ser verdadeira, ou seja, sua versão dos fatos vai se modificando com o passar do anos. É uma mistura de realidade com memória afetiva. O roteiro aos poucos confronta a versão do protagonista com a verdade do passado através de flashbacks. 

A simpática atuação do veterano Jim Broadbent ajuda bastante. Ele constrói um personagem que em determinado momento precisa aceitar que cometeu erros que mudaram sua vida e a de pessoas ao seu redor. 

É um bom drama apresentado de forma sóbria.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Trama Internacional

Trama Internacional (The International, EUA / Alemanha / Inglaterra / França, 2009) – Nota 7
Direção – Tom Tykwer
Elenco – Clive Owen, Naomi Watts, Armin Mueller Stahl, Ulrich Thomsen, Brian F. O’Byrne, Patrick Baladi, Alessandro Fabrizi, Jack McGee, Felix Solis, Luca Barbareschi, Haluk Bilginer, Nilaja Sun.

Em Berlim, um investigador da promotoria de Nova York é assassinado após se encontrar com o diretor de um grande banco que desejava divulgar segredos sobre uma negociação que envolve uma empresa de armamentos. O diretor do banco também morre em seguida em um misterioso acidente. 

O agente da Interpol Louis Salinger (Clive Owen) e a assistente de promotoria americana Eleanor Whitman (Naomi Watts) tentam levar a frente a investigação, porém são pressionados de todas as formas para abandonar o caso. O obcecado Salinger não desiste e termina por se envolver numa complexa trama de corrupção internacional.

A trama de espionagem lembra os filmes de James Bond na questão das várias cidades por onde se desenrola. A jornada começa em Berlim, passa por Lyon na França, Milão, Nova York e Istambul, com o protagonista vivido por Clive Owen tentando desembaraçar uma história envolvendo diversos personagens do alto escalão. 

O longa tem poucas, porém boas cenas de ação, com destaque para a sequência de tiroteio dentro do Museu Guggenheim em Nova York. 

No final, a mensagem que fica é que por mais que se enfrente a corrupção das grandes corporações, ela sempre vai existir, apenas com a mudança de nomes dos envolvidos.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

O Homem dos Olhos Frios

O Homem dos Olhos Frios (The Tin Star, EUA, 1957) – Nota 8
Direção – Anthony Mann
Elenco – Henry Fonda, Anthony Perkins, Betsy Palmer, Michel Ray, Neville Brand, John McIntire, Lee Van Cleef, Peter Baldwin, Mary Webster.

Morgan Hickman (Henry Fonda) é um caçador de recompensas que chega em uma pequena cidade para entregar o corpo de um bandido e assim receber o dinheiro pelo serviço. 

Visto com desprezo pelas pessoas da cidade, Morgan consegue um local para dormir na casa de uma viúva (Betsy Palmer) que tem uma filho mestiço (Michel Ray). 

Enquanto espera o dinheiro, Morgan se torna uma espécie de professor do inexperiente xerife (Anthony Perkins), que não sabe como lidar com um valentão (Neville Brand) que deseja tomar seu cargo. 

O diretor Anthony Mann era um especialista em westerns que comandou vários filmes do gênero tendo o astro James Stewart como protagonista. Aqui o papel principal ficou com outro monstro sagrado do cinema, o grande Henry Fonda interpreta o herói relutante que é praticamente obrigado a ensinar o ofício de xerife para um então novato Anthony Perkins. 

O roteiro explora com competência os temas habituais do gênero O protagonista é o desconhecido rápido no gatilho, temos o vilão que incita a população a fazer justiça com as próprias mãos, o ódio aos mestiços, além das clássicas sequências de cavalgadas e tiroteios. 

É uma ótima opção para quem curte westerns.

domingo, 29 de julho de 2018

À Beira do Abismo

À Beira do Abismo (The Big Sleep, EUA, 1946) – Nota 8
Direção – Howard Hawks
Elenco – Humphrey Bogart, Lauren Bacall, John Ridgely, Martha Vickers, Dorothy Malone, Peggy Knudsen, Charles Waldron, Bob Steele, Elisha Cook Jr.

O detetive particular Philip Marlowe (Humphrey Bogart) é contratado por um milionário (Charles Waldron) que está sendo extorquido por causa de uma dívida de sua filha (Martha Vickers). 

Antes de sair da casa do sujeito, Marlowe é chamado pela outra filha (Lauren Bacall), que deseja que ele procure um amigo do pai que desapareceu. 

É quase impossível explicar um pouco mais desta que é uma das tramas mais complexas da história do cinema. A investigação do protagonista cruzará o caminho de chantagistas, policiais, gângsteres e várias mulheres fatais. 

Adaptado de uma obra de Raymond Chandler, o roteiro do famoso escritor William Faulkner imprime uma incrível velocidade nos diálogos que deixam o espectador perdido em alguns momentos. A rapidez com que o personagem de Marlowe responde os questionamentos e se esquiva das armadilhas criadas pelos oponentes é sensacional. 

É muito difícil captar todos os detalhes em apenas uma sessão. É um filme para ser visto mais de uma vez. 

sábado, 28 de julho de 2018

Atômica

Atômica (Atomic Blondie, Alemanha / Suécia / EUA, 2017) – Nota 7
Direção – David Leitch
Elenco – Charlize Theron, James McAvoy, Eddie Marsan, John Goodman, Toby Jones, James Faulkner, Roland Moller, Sofia Boutella, Bill Skarsgard, Sam Hargrave, Johannes Haukur Johannesson, Til Schweiger, Barbara Sukowa.

Alemanha, 1989. Poucos dias antes da queda do Muro de Berlim, a agente do serviço secreto inglês Lorraine Broughton (Charlize Theron) é enviada para a cidade com a missão de descobrir a identidade do assassino de outro agente. 

Além disso, Lorraine precisa se encontrar com o agente David Percival (James McAvoy), que negocia com um oficial da polícia secreta da Alemanha Oriental (Eddie Marsan) que deseja fugir para o ocidente utilizando como moeda de troca uma lista de espiões que trabalham para o seu governo. 

A história repleta de mentiras e traições se mostra confusa na forma como é contada, ao mesmo tempo que esconde uma simplicidade repleta de clichês. Por ser baseado em uma graphic novel, o visual do filme em alguns momentos lembra uma ficção científica nos exageros das cores e dos cenários. 

Por outro lado, as cenas de ação repletas de porrada são extremamente bem filmadas, com a atriz Charlize Theron mandando ver nas lutas corporais. A trilha sonora com clássicos pop dos anos oitenta é outro ponto alto. 

O resultado é um bom filme de ação indicado para os fãs do gênero. Para quem procura uma história melhor desenvolvida e mais realista, o ideal é passar longe.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Comédias Antigas de Verão


Curso de Verão (Summer School, EUA, 1987) – Nota 7,5
Direção – Carl Reiner
Elenco – Mark Harmon, Kirstie Alley, Courtney Thorne Smith, Dean Cameron, Robin Thomas, Patrick Labyorteaux, Gary Riley, Kelly Jo Minter, Ken Olandt, Shawnee Smith.

No último dia de aula em um colégio, o diretor praticamente obriga o professor de educação física Freddy Shoop (Mark Harmon) a assumir uma classe de alunos problemáticos que precisa ter aulas durante as férias de verão. O professor não tem a mínima ideia do que fazer com os alunos, que logicamente também não queriam estar ali. Aos poucos, Freddy percebe que aqueles jovens precisam de ajuda pessoal muito mais do que aula com papel e caneta. 

Este simpático longa é um cult dos anos oitenta que infelizmente não tem a mesma fama de outros semelhantes. O roteiro explora alguns clichês de forma inteligente, principalmente quanto ao elenco. Temos a aluna bonita, surfista e totalmente dispersa (Courtney Thorne Smith), o jovem que trabalha como stripper e dorme durante a aula (Ken Olandt) e a impagável dupla de alunos fãs do terror “O Massacre da Serra Elétrica” (Dean Cameron e Gary  Riley). O professor que descobre uma motivação que acreditava não ter é com certeza um dos melhores papéis de Mark Harmon, hoje famoso pela série “NCIS”. 

É um filme simples, divertido e até sensível em alguns momentos.

As Grandes Férias (The Great Outdoors, EUA, 1988) – Nota 6
Direção – Howard Deutch
Elenco – Dan Aykroyd, John Candy, Stephanie Faracy, Annette Bening, Robert Prosky.

Chet (John Candy), sua esposa (Stephanie Faracy) e seus dois filhos viajam para aproveitar as férias em um hotel na beira de um lago. O que seria apenas diversão se transforma em conflito quando o cunhado de Chet, o folgado Roman (Dan Aykroyd), decide se hospedar no mesmo hotel com a esposa (Annette Bening) e o casal de filhos. É o início de uma verdadeira disputa entre famílias. 

Mais um típica comédia inofensiva dos anos oitenta, em que dois astros do gênero criam confusões que beiram o humor pastelão. Como curiosidade, este foi o primeiro trabalho da atriz Annette Bening no cinema.

Temporada de Verão (Summer Rental, EUA, 1985) – Nota 5,5
Direção – Carl Reiner
Elenco – John Candy, Karen Austin, Richard Crenna, Kerri Green, Joey Lawrence, Rip Torn, John Larroquette, Richard Herd.

Jack (John Candy) é um controlador de voo que consegue tirar férias e levar a família para se divertir nas praias da Flórida. A esposa (Karen Austin) e o casal de filhos (Kerri Green e Joey Lawrence) querem aproveitar o local, enquanto o atrapalhado pai se envolve em confusões e cria uma conflito com um sujeito arrogante (Richard Crenna). 

É uma típica sessão da tarde que ganha pontos pela simpatia do falecido John Candy e por algumas piadas divertidas.

Sonhos de Verão (California Dreaming, EUA, 1979) – Nota 5,5
Direção – John Hancock
Elenco – Seymour Cassel, Glynnis O’Connor, Dennis Christopher, Dorothy Tristan, Tanya Roberts.

O jovem T. T. (Dennis Christopher) muda de uma pequena cidade do interior dos EUA para a Califórnia querendo curtir a vida com sol, praia e garotas, porém seu jeito tímido e atrapalhado não irá ajudar. Sua vida melhora quando um veterano surfista (Seymour Cassel) o ajuda a conquistar a garota dos sonhos (Glynnis O’Connor).

Com um protagonista fraco e um roteiro previsível, o longa tem como destaque apenas as lindas paisagens das praias da California, além do belo elenco feminino.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

12 Heróis

12 Heróis (12 Strong, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Nicolai Fuglsig
Elenco – Chris Hemsworth, Michael Shannon, Michael Peña, Navid Negahban, Trevante Rhodes, Geoff Stults, Thad Luckinbill, Jack Kesy, Austin Hébert, William Fichtner, Elsa Pataky.

Logo após os ataques de 11 de Setembro, o governo americano envia um tropa com doze soldados de elite para auxiliar o general afegão Dostum (Navid Negahban) a retomar a cidade de Mazar-I-Sharif que está dominada pelo grupo Talibã. 

Liderados pelo capitão Mitch Nelson (Chris Hemsworth), o grupo precisa ganhar a confiança do general e se preparar para um violento conflito no deserto. 

Apesar de baseado em uma história real, o roteiro é extremamente conciso. No início temos uma pequena apresentação dos personagens de Chris Hemsworth, Michael Shannon e Michael Peña para criar uma empatia com o público, para em seguida levar o grupo de soldados até as montanhas do Afeganistão e assim começar a ação. 

O ponto principal sem dúvida são as cenas de ação, com destaque para a longa sequência na parte final. O diretor dinamarquês Nicolai Fuglsig imprime um certo tom patriótico e alguns cortes rápidos que lembram os filmes de Michael Bay, inclusive com um dos produtores sendo Jerry Bruckheimer, parceiro habitual de Bay. 

É basicamente um filme pipoca repleto de ação e violência.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

The Narrows

The Narrows (The Narrows, EUA, 2008) – Nota 7
Direção – François Velle
Elenco – Kevin Zegers, Vincent D’Onofrio, Sophia Bush, Eddie Cahill, Titus Welliver, Monica Keena, Roger Rees, Tony Cucci, Michael Kelly, Anthony Fazio, Louis Mustillo.

Mike Manadoro (Kevin Zegers) é um jovem que vive no Brooklyn dividido entre o curso de fotografia na universidade e os pequenos serviços de motorista que presta para um pequeno mafioso local (Titus Welliver).

Mike utiliza o dinheiro ganho com os serviços para pagar seu curso. Seu pai (Vincent D’Onofrio) também trabalha para o mafioso fazendo cobranças. Ao se envolver com uma jovem estudante (Sophia Bush) e ao mesmo tempo ver um amigo (Eddie Cahill) entrar em conflito com o criminoso, Mike precisa decidir qual caminho seguir na vida. 

O grande acerto deste longa de baixo orçamento é retratar de forma sóbria a vida de um jovem dividido entre as tentações do mundo do crime e o sonho em ter uma carreira normal. 

O formato lembra os filmes de Martin Scorsese no início de carreira como “Caminhos Perigosos”, além também das semelhanças com a vida nas periferias do Brasil. No ambiente em que o protagonista cresceu existe a lei implícita da lealdade distorcida dos marginais e o pensamento de que pequenos crimes são coisas normais. Escapar desta armadilha é o desafio. 

É um filme simples e direto. 

terça-feira, 24 de julho de 2018

Wild Wild Country

Wild Wild Country (Wild Wild Country, EUA, 2018) – Nota 8,5
Direção – Chapman & Maclain Way
Documentário

Produzido pelos irmãos Jay e Mark Duplass, que são atores conhecidos, este documentário detalha a absurda história do guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh, hoje conhecido como Osho e de seus seguidores que praticamente criaram uma pequena cidade no Oregon no início dos anos setenta. 

Nos anos sessenta, a Índia se transformou numa espécie de local místico para o Movimento Hippie por causa dos vários gurus que proliferavam no país. Bhagwan foi um destes gurus que surgiu na região de Pune. 

Com uma legião de seguidores, incluindo europeus e americanos ricos que bancavam a seita, Bhagwan ficou na Índia até 1970, quando problemas com o governo fez com que ele e os líderes de sua seita tivessem a ideia de mudar para os Estados Unidos. 

Nessa época, o braço-direito do guru era sua secretária Ma Anand Sheela, então uma jovem de vinte anos. Sheela e um grupo de seguidores compraram um rancho nos arredores da pequena cidade de Antelope no Oregon. Em pouco tempo uma nova cidade foi construída. 

Quando Bhagwan chegou ao Oregon, o local abrigava centenas de pessoas, além de visitantes. Aos poucos, a presença do grupo causa uma crise com os moradores de Antelope, criando um conflito que resulta em briga política, tentativa de fraudar eleições, de envenenamento em massa e de homicídio. 

O doc tem seis episódios de uma hora cada, tempo suficiente para detalhar esta loucura. Seria difícil para um roteirista criar uma trama de ficção com tantos elementos igual a história real. 

É interessante citar que enquanto Bhagwan era a figura espiritual que aparecia pouco em público, Ma Anand Sheela era uma verdadeira tirana ambiciosa e manipuladora. O depoimento de Sheela nos dias atuais mostra uma senhora sem empatia alguma, que não se arrepende de absolutamente nada. 

Depoimentos de pessoas ligadas a Sheela e ao guru deixam claro como a manipulação de massas transforma as pessoas em verdadeiros fantoches. O desejo de fazer parte de algo e se sentir importante muitas vezes levam as pessoas a abdicar até mesmo de sua liberdade. 

É um doc que pode cansar que não tem interesse no tema. Por outro lado é um verdadeiro estudo de como a psique de muitas pessoas é frágil.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Rudy & Temporada de Furacão


Rudy (Rudy, EUA, 1993) – Nota 7,5
Direção – David Anspaugh
Elenco – Sean Astin, Ned Beatty, Charles S. Dutton, Jon Favreau, Scott Benjaminson, Lili Taylor, Robert Prosky, Jason Miller, John Beasley, Ron Dean, Vince Vaughn.

Final dos anos sessenta. O jovem Rudy Ruettiger (Sean Astin) está no último ano do colégio e sonha em se tornar jogador de futebol da universidade de Notre Dame. Suas notas apenas razoáveis, seu tamanho e a pouca habilidade para o esporte são muros praticamente intransponíveis. Rudy é obrigado a trabalhar em uma usina ao lado do pai (Ned Beatty) e dos irmãos. Quatro anos depois, uma determinada situação faz com que Rudy abandone o emprego e a noiva (Lili Taylor) e decida tentar ser aceito na universidade, mesmo sendo tratado como maluco pela família. 

Este sensível longa é baseado numa história real de superação em busca de um sonho. É interessante citar que a obsessão em realizar um sonho ou chegar a um objetivo pode ocorrer de uma forma diferente do imaginado. O roteiro aqui foca na busca do protagonista pelo objetivo, detalhando as barreiras enfrentadas e sua força de vontade em enfrentar algo que parecia além do seu limite. 

Muito da emoção na narrativa vem da direção de David Anspaugh. Apesar de ser pouco conhecido e ter quase toda a carreira voltada para TV, Anspaugh é o responsável por um dos filmes sobre esporte mais emocionantes da história do cinema. O drama sobre uma equipe de basquete colegial chamado “Momentos Decisivos” é uma verdadeira pérola protagonizada por Gene Hackman. Os dois filmes são belos exemplos de superação no esporte.

Temporada de Furacão (Hurricane Season, EUA, 2009) – Nota 6,5
Direção – Tim Story
Elenco – Forest Whitaker, Taraji P. Henson, Isaiah Washington, Courtney B. Vance, China Anne McClain, Bonnie Hunt, Robbie Jones, Khleo Thomas, Shad Moss, Michael Gaston, J.B. Smoove.

Um ano após o Furacão Katrina destruir New Orleans, o professor de basquete Al Collins (Forest Whitaker) tenta remontar a equipe de seu colégio. Como várias escolas foram destruídas e muitas pessoas fugiram da cidade, Al consegue reunir alguns alunos que eram destaques em outros colégios. Mesmo com uma estrutura mínima e muitos problemas pessoais entre os garotos, o treinador luta para transformar o grupo em um time vencedor. 

Este longa foca em mais uma história real de superação no esporte, tema explorado em diversos filmes. O roteiro segue os clichês das dificuldades pessoais influenciando as relações entre os garotos e treinador, que por sinal é teimoso e obstinado, além de pai de família exemplar. O pano de fundo da cidade devastada tentando se reerguer também é explorado sem muita profundidade. Fica a sensação de que há já vimos este filme. Falta algo até mesmo nas cenas que seriam para emocionar, tanto nos conflitos, como nas sequências dos jogos. O resultado é um drama esportivo genérico.

domingo, 22 de julho de 2018

O Passageiro

O Passageiro (The Commuter, Inglaterra / França / EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Jaume Collet Serra
Elenco – Liam Neeson, Vera Farmiga, Patrick Wilson, Jonathan Banks, Sam Neill, Elizabeth McGovern, Killian Scott, Shazad Latif, Andy Nyman, Roland Moller, Florence Pugh, Colin McFarlane, Adam Nagaitis.

Após dez anos trabalhando em uma grande empresa de seguros, Michael MacCauley (Liam Neeson) é dispensado do emprego. Ao voltar para casa de trem, Michael é abordado por uma estranha (Vera Farmiga), que sabe que ele é ex-policial e por isso oferece cem mil dólares para uma pequena missão. 

Ele precisa encontrar uma pessoa que está dentro do trem e que é testemunha chave em um caso de corrupção e assassinato. Mesmo relutante, Michael se vê obrigado a agir quando recebe uma mensagem de que sua esposa e filho serão assassinados caso ele não cumpra a missão. É início de uma alucinante corrida dentro do trem. 

O diretor catalão Jaume Collet Serra e o astro Liam Neeson repetem pela quarta vez a parceria em um agitado filme de ação. Assim como nos filmes anteriores (“Desconhecido”, “Sem Escalas” e “Noite Sem Fim”), o protagonista vivido por Liam Neeson precisa salvar sua vida, provar sua inocência e desvendar uma complexa trama. 

A forma criativa como ele investiga a identidade da pessoa desconhecida coloca vários coadjuvantes em primeiro plano durante algumas sequências. As cenas de brigas e tiroteios dentro do trem são bem violentas, com o grande deslize sendo a exagerada sequência com o protagonista pendurado no trem. Liam Neeson novamente comprova que nasceu para este tipo de personagem. 

Para quem curte o gênero, este e os outros três filmes citados são diversão garantida.

sábado, 21 de julho de 2018

Desejo de Matar

Desejo de Matar (Death Wish, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Eli Roth
Elenco – Bruce Willis, Vincent D’Onofrio, Elisabeth Shue, Camila Morrone, Dean Norris, Kimberly Elise, Beau Knapp, Len Cariou, Jack Kesy, Ronny Gene Blevins.

O cirurgião Paul Kersey (Bruce Willis) tem uma vida perfeita ao lado da esposa (Elisabeth Shue) e da filha que está prestes a entrar na universidade (Camila Morrone). 

Quando uma quadrilha invade sua casa, mata a esposa e deixa a filha em coma profundo, Paul a princípio tenta acreditar que a polícia resolverá o caso. Ao perceber que os bandidos podem não ser encontrados, Paul decide ir para as ruas armado e assim buscar justiça com as próprias mãos. 

Entre os tantos remakes fracos dos últimos anos, este longa de Eli Roth consegue manter um bom nível em comparação com o original protagonizado por Charles Bronson nos anos setenta. O filme com Bronson ganha na originalidade e também ao mostrar uma Nova York suja e ameaçadora. Nesta nova versão, Roth transforma o protagonista em cirurgião ao invés do arquiteto no original, muda a trama para Chicago e ainda insere um irmão (Vincent D’Onofrio). 

Apesar de previsível, o desenvolvimento da trama é competente, principalmente ao detalhar a mudança de atitude do protagonista. As cenas de violência são criativas e algumas bem violentas, por sinal marca registrada de Eli Roth, especialista em filmes de terror gore. 

Uma sessão dupla para comparar as versões é uma ótima opção.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Dark Crimes

Dark Crimes (Dark Crimes, Inglaterra / Polônia / EUA, 2016) – Nota 4
Elenco – Alexandro Avranas
Elenco – Jim Carrey, Marton Csokas, Charlotte Gainsbourg, Kati Outinen, Vlad Ivanov, Agata Kulesza, Robert Wieckiewicz, Piort Glowacki.

Polônia. Após o fim do regime comunista, o policial Tadek (Jim Carrey) está relegado a serviços burocráticos por ser inimigo do atual chefe de polícia. 

O assassinato de um sujeito ligado a um rede de prostituição faz Tadek voltar ao campo de investigação. As pistas o levam até um escritor (Marton Csokas) que descreve com detalhes o crime em um de seus livros. Aos poucos, Tadek percebe que sua investigação pode levar a algo mais profundo. 

Este longa é baseado numa história real que veio a público através de uma reportagem nos Estados Unidos. É inacreditável como o diretor grego Alexandro Avranas conseguiu estragar esta complexa história repleta de detalhes sinistros. 

O primeiro erro é a narrativa arrastada, com um lentidão irritante, seguido pelas interpretações teatrais. Um dos motivos que me fez ver o filme foi ter Jim Carrey como policial em um papel sério, porém a decepção foi enorme. Totalmente canastrão e balbuciando as palavras, a cada cena fica a impressão de que ele fará alguma careta para rir do espectador. 

O roteiro também explora muito mal a questão do sinistro bordel, que tinha tudo para ser um dos pontos altos da trama. 

O resultado é um filme para passar longe.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Jogos Mortais: Jigsaw

Jogos Mortais: Jigsaw (Jigsaw, EUA / Canadá, 2017) – Nota 5,5
Direção – Michael & Peter Spierig
Elenco – Tobin Bell, Matt Passmore, Callum Keith Rennie, Hannah Emily Anderson, Clé Bennett, Laura Vandervoort.

Cinco estranhos acordam acorrentados em um velho galpão. Uma voz ordena que eles confessem seus pecados para sobreviver. Em paralelo, a polícia encontra corpos com marcas de tortura semelhantes as causadas por Jigsaw (Tobin Bell), que faleceu há dez anos. 

Uma dupla de policiais (Callum Keith Rennie e Clé Bennett) acredita que alguém esteja copiando os crimes de Jigsaw. Eles passam a suspeitar do legista Logan (Matt Passmore) e de sua assistente Eleanor (Hannah Emily Anderson). 

A franquia “Jogos Mortais” começou em 2003 com um sensacional longa que deu novo gás ao cinema de terror e suspense. A criatividade macabra do original foi perdendo a força nos filmes seguintes, chegando até o péssimo “Jogos Mortais: O  Final” em 2010. 

Sete anos depois, os irmãos Spierig ressuscitaram a franquia de forma pouca animadora. O roteiro recicla ideias dos filmes antigos e tenta dar uma explicação razoável para o reaparecimento de Jigsaw. Isso não chega a atrapalhar, o pior fica mesmo para a falta de criatividade dos “jogos” e para o péssimo elenco, com exceção de Tobin Bell, que aparece pouco por sinal. 

Infelizmente é uma série que já se esgotou e este filme nem deveria ter sido produzido. 

Finalizando, os irmãos Spierig tem dois outros filmes de ficção bem melhores. Procurem “O Predestinado” e “2049 –O Ano da Extinção”, ambos protagonizados por Ethan Hawke.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Filmes Dublados Dominaram os Cinemas

Em 2012 fiz um postagem sobre como os filmes dublados estavam crescendo na tv por assinatura e nos cinemas.

O texto é um pouco longo e bem pessoal. Nele eu explico a evolução dos filmes dublados para legendados nos anos noventa através do crescimento da tv por assinatura e o retorno aos dublados nos últimos anos.

Quem tiver interesse em ler clique neste link: Filmes Legendados, Sempre!

Seis anos depois, o que era uma espécie de divisão de mercado, principalmente nas salas de cinemas, hoje se tornou quase opção única.

A maior rede de cinemas do país, que domina a maioria das salas de shopping, chega a lançar apenas filmes dublados em determinados locais. Em outros, apenas as sessões noturnas oferecem a versão legendada com som original.

Aqui em SP apenas os cinemas localizados na região da Paulista e no bairro dos Jardins oferecem um maior número de filmes legendados, no restante da cidade os dublados dominaram completamente as salas.

Como eu citei no texto de 2012, vejo isso como um enorme retrocesso que cada vez mais se torna comum. O gosto pela leitura já é algo raro no país e esta escolha de dublar praticamente todos os filmes ajuda a piorar ainda mais este cenário.

Hoje eu vejo praticamente todos os filmes em casa, vou pouco ao cinema, tanto pela falta de opções legendadas nas salas e também pela facilidade de acesso através de streaming e tv por assinatura, esta última que pelo menos oferece a opção de som original e legendas na maioria dos canais.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Gângster Sem Nome

Gângster Sem Nome (Bumchoiwaui Junjaeng: Nabbeunnomdeul Jeonsungshidae, Coreia do Sul, 2012) – Nota 7
Direção – Jong Bin Yoon
Elenco – Min Sik Choi, Jung Woo Ha, Jin Woong Cho, Dong Seok Ma.

Busan, Coreia do Sul, 1990. Com a eleição de um novo presidente, o governo deflagra uma ofensiva contra o crime organizado no país. O empresário Choi Ik Hyun (Min Sik Choi) é preso suspeito de ser o líder de uma organização em Busan. 

Em seguida, a narrativa volta para 1982 quando Choi era um fiscal alfandegário que recebia pequenos subornos no porto da cidade. Seu parentesco com um mafioso (Jung Woo Ha) e seus contatos dentro dos órgãos públicos abrem o caminho para seu crescimento no mundo do crime, utilizando hotéis para lavagem de dinheiro. 

Este longa sul-coreano bebe na fonte de filmes de Martin Scorsese como “Os Bons Companheiros” e “Cassino” para contar a saga de crescimento de um personagem dentro de uma organização criminosa. As cenas de violência com bastões de beisebol e outras de tortura e humilhações seguem o estilo do cinema daquele país, assim com as interpretações que parecem exageradas para o público ocidental, mas que funcionam muito bem no geral. 

Infelizmente este filme perde pontos pela total falta de empatia do protagonista. Por mais que o personagem tenha importância e seja um parceiro do chefão, o sujeito jamais é respeitado. As várias cenas em que ele é humilhado chegam a irritar. 

Não é um filme ruim, mas está um pouco abaixo da maioria dos longa sul-coreanos dos últimos anos.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Mac

Mac (Mac, EUA, 1992) – Nota 6,5
Direção – John Turturro
Elenco – John Turturro, Michael Badalucco, Carl Capotorto, Katherine Borowitz, Olek Krupa, Ellen Barkin, John Amos, Dennis Farina, Nicholas Turturro, Aida Turturro.

Nova York, anos cinquenta. Após a morte do pai, os irmãos Vitelli montam uma pequena empresa de construção. Eles tentam sobreviver em meio a um concorrente desonesto, além de precisarem lidar com seu próprios problemas de relacionamento. 

O mais velho e líder da empresa é Mac (John Turturro), sujeito de sangue quente igual ao pai imigrante italiano, que muitas vezes se deixa levar pela emoção. Vico (Michael Badalucco) é o irmão um pouco irresponsável, enquanto o caçula Bruno (Carl Capotorto) fica dividido entre a empresa dos irmãos e os estudos. 

Este drama marcou a estreia na direção do ator John Turturro e chegou a ter algum destaque quando foi lançado em Cannes. Visto hoje, a história tem pontos interessante, porém a narrativa é bastante irregular. 

A ideia de mostrar as mudanças que estavam ocorrendo nas relações de trabalho é talvez o maior destaque. A cena final deixa claro que a importância na época das pessoas que faziam o serviço pesado estava sendo deixada de lado em prol dos pensadores e teóricos. O talento do personagem de John Turturro em construir casas era inversamente proporcional a sua dificuldade em interagir com a pessoas. 

Apesar de retratar uma típica família italiana, as crises entre os irmãos são mostradas de modo exagerado, com gritarias e discussões, inclusive com o personagem de mãe jamais aparecendo em cena. Apenas ouvimos a senhora gritando para falar com os filhos. 

Vale citar que Turturro escalou quase toda sua família no longa. Ele é casado com Katherine Borowitz, que interpreta sua esposa, seu filho Amedeo aparece ainda bebê, além do irmão Nicholas e da irmã Aida em papéis menores.

domingo, 15 de julho de 2018

Quero Matar Meu Chefe & Mulher Infernal


Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Seth Gordon
Elenco – Jason Bateman, Charlie Day, Jason Sudeikis, Kevin Spacey, Jennifer Aniston, Colin Farrell, Jamie Foxx, Donald Sutherland, John Francis Daley, P.J. Byrne, Ioan Gruffudd, Julie Bowen, Wendell Pierce, Ron White, Bob Newhart.

Três amigos desesperados que são tratados pessimamente por seus chefes, decidem armar um plano para matá-los. Nick (Jason Bateman) espera há oito anos por uma promoção no emprego, sendo obrigado a aguentar o arrogante executivo Dave (Kevin Spacey). Kurt (Jason Sudeikis) é contador de uma empresa química que precisa enfrentar o drogado Bobby (Colin Farrell), após o pai do sujeito falecer (Donald Sutherland). O terceiro amigo é Dale (Charlie Day), que trabalha como assistente da dentista Julia (Jennifer Aniston), que o trata como um brinquedo sexual e ameaça contar tudo para sua noiva.

A premissa é semelhante a comédia “Como Eliminar Seu Chefe” de 1980, com a diferença de que naquele filme eram três mulheres que planejavam matar o mesmo chefe. Aqui a trama brinca com o clássico “Pacto Sinistro”,  em que dois homens decidiam assassinar a pessoa que atrapalhava a vida da outra.

Infelizmente poucos momentos engraçados se salvam. São muitos diálogos comuns, algumas cenas exageradas e poucas risadas. Os destaques ficam para o agitado Charlie Day, para o assassino picareta vivido por James Foxx e pelas sequências com a voz do GPS do carro.

O filme fez um razoável sucesso e gerou uma sequência, mas que com certeza passarei longe.

Mulher Infernal (Saving Silverman, EUA, 2001) – Nota 5,5
Direção – Dennis Dugan
Elenco – Jason Biggs, Steve Zahn, Jack Black, Amanda Peet, R. Lee Ermey, Amanda Detmer, Neil Diamond.

Wayne (Steve Zahn), J.D. (Jack Black) e Darren Silverman (Jason Biggs) são amigos desde a infância e tocam juntos em uma banda cover do cantor Neil Diamond. Quando Silverman começa a namorar Judith (Amanda Peet), tudo muda. A jovem possessiva e manipuladora domina a vida do pobre Silverman, o afastando dos amigos. 

Desesperados em manter a amizade, Wayne e J.D. armam um plano maluco. Tentam reaproximar Silverman de Sandy (Amanda Detmer), que foi seu amor adolescente e que hoje está prestes a se tornar freira. Em paralelo, eles também pretendem sequestrar e forjar a morte de Judith. 

A premissa absurda é mais engraçada do que a realização. O diretor Dennis Dugan, parceiro habitual de Adam Sandler, explora a comédia pastelão e as piadas politicamente incorretas. Algumas acertam o alvo e outras passam longe de fazer rir. 

O filme fez algum sucesso na época, muito pelo trio principal de comediantes que estavam no auge da carreira. É basicamente uma comédia adolescente. 

sábado, 14 de julho de 2018

O Outro Irmão

O Outro Irmão (El Otro Hermano, Argentina / Uruguai / Espanha / França, 2017) – Nota 7,5
Direção – Israel Adrian Caetano
Elenco – Leonardo Sbaraglia, Daniel Hendler, Angela Molina, Alian Devetac, Pablo Cedron, Alejandra Flechner.

Cetarti (Daniel Hendler) viaja de Buenos Aires para a pequena vila de Lapachito no interior do país para cuidar do funeral da mãe e do irmão que foram assassinados pelo padrasto. 

Ao chegar no local, Cetarti é recebido por Duarte (Leonardo Sbaraglia), que diz ser o responsável por cobrar o seguro que foi deixado pela falecida. O simplório Cetarti aceita a ajuda do esperto Duarte. Enquanto espera receber sua parte do dinheiro, ele fica na antiga casa do irmão e aos poucos se envolve nos negócios escusos de Duarte. 

O decadente e melancólico interior da Argentina é quase um personagem neste drama policial filmado em um ritmo lento e de forma crua. As estradas empoeiradas, casas caindo aos pedaços, ruas vazias e pobreza são os ingredientes desta parte do mundo. O personagem de Leonardo Sbaraglia é o malandro que explora o local isolado para suas contravenções e crimes. 

Por mais que o filme praticamente não tenha cenas de ação, algumas sequências chamam a atenção pela crueldade, incluindo o violento clímax.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Alta Fidelidade

Alta Fidelidade (High Fidelity, Inglaterra / EUA, 2000) – Nota 8
Direção – Stephen Frears
Elenco – John Cusack, Iben Hjejle, Todd Louiso, Jack Black, Lisa Bonet, Joan Cusack, Catherine Zeta Jones, Tim Robbins, Lili Taylor, Natasha Gregson Wagner.

Como homenagem ao Dia do Rock, comento este divertido longa em que a música faz toda a diferença. 

Rob Gordon (John Cusack) é dono de uma loja de vinil em Chicago. Após ser dispensado pela namorada (a dinamarquesa Iben Hjejle), Rob se mostra triste, amargurado e quase depressivo. Conversando direto com a câmera, ele conta os detalhes de seus cinco relacionamentos que terminaram em desilusão. 

Por sinal, Rob é um fanático por música e cultura pop, sempre criando listas dos “cinco melhores” sobre algum tema. Seu conhecimento é dividido com os dois funcionários da loja. O tímido e sensível Dick (Todd Louiso) e o falastrão Barry (Jack Black), este último que praticamente expulsa da loja os clientes que procuram discos que ele odeia. 

O filme é baseado numa obra do inglês Nick Hornby, autor de outros dois livros que resultaram em divertidos longas (“O Grande Garoto” e Febre de Bola”). Os livros de Hornby são baseados na obsessão do escritor por música (rock), cultura pop (cinema, quadrinhos) e pelo futebol (torcedor fanático do Arsenal). O protagonista vivido por John Cusack é uma espécie de alter ego do escritor transportado de Londres para Chicago. 

Um dos grandes acertos do escritor e também do diretor Stephen Frears foi mostrar o protagonista como um sujeito comum, com virtudes e defeitos e que mesmo sofrendo pelos relacionamentos que não deram certo, deixa claro em sua narração que muitas vezes ele também errou. 

Tudo isso é detalhado com muito bom humor, ótimos diálogos sobre relacionamentos e cultura pop, além de uma sensacional trilha sonora com clássicos do rock e do pop, inclusive com a performance maluca de Jack Black em uma sequência. Por sinal, este papel de coadjuvante alavancou a carreira de Black. 

Vale citar que na época as lojas de discos já eram uma raridade, as poucas que ainda existiam sobreviviam pela teimosia de alguns apaixonados pelo vinil, igual ao protagonista. 

Apesar da aparente simplicidade da história, este longa se tornou merecidamente um clássico cult, principalmente para quem gosta de música e foi jovem nos anos oitenta e noventa.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

O Estado das Coisas

O Estado das Coisas (Brad's Status, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Mike White
Elenco – Ben Stiller, Austin Abrams, Jenna Fischer, Michael Sheen, Jemaine Clement, Luke Wilson, Shazi Raja, Luisa Lee, Mike White.

Ao quarenta e sete anos, Brad Sloan (Ben Stiller) passa por uma crise existencial. Ele sente que fracassou na vida, mesmo tendo uma ONG sem fins lucrativos e um bom casamento com Melanie (Jenna Fischer). 

Brad se compara a seus colegas de universidade que ganharam muito dinheiro e conseguiram sucesso em suas carreiras. Ao acompanhar seu filho Troy (Austin Abrams) para conhecer algumas universidades, Brad relembra seu passado e sofre com os problemas que acredita que irá enfrentar no futuro. 

O roteiro escrito pelo ator e diretor Mike White acerta em cheio ao descrever a chamada crise da meia-idade de uma forma sensível e racional, sem apelar para os exageros comuns deste tipo de filme, que geralmente resvala para a comédia rasgada. 

A narração melancólica do personagem de Ben Stiller descreve com perfeição as frustrações do homem comum, que em algum momento da vida passa a questionar o sentido de suas conquistas comparando com os sonhos que tinha na juventude, além é claro de sofrer ao perceber que talvez a melhor parte de sua vida tenha ficado para trás. 

O roteiro também deixa claro que comparar a vida das pessoas é algo sem sentido. Cada um percorre seu caminho e enfrenta seus desafios e problemas, sendo que a imagem pública muitas vezes esconde as frustrações, os erros e o sofrimento.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Trapped

Trapped (Ofaerd, Islândia, 2015) – Nota 8,5
Criação -  Baltasar Kormakur
Elenco – Olafur Darri Olafsson, Ilmur Kristjansdottir, Ingvar Eggert Sigurdsson, Nina Dogg Filippusdottir, Baltasar Breki Samper, Porsteinn Bachmann, Palmi Gestsson, Steinunm Olina Porsteindottir.

Um corpo sem braços, pernas e cabeça é encontrado por pescadores na baía de uma pequena cidade costeira na Islândia. No mesmo dia, um navio de cruzeiro atraca no porto da cidade. O chefe de polícia Andri (Olafur Darri Olafsson) acredita que a vítima tenha sido jogada do navio e que o criminoso ainda esteja no local. 

Uma forte nevasca que cobre a região impede que a polícia da capital Reykjavic viaje para investigar o caso. Com ajuda apenas de dois assistentes, a séria Hinrika (Ilmur Kristjansdottir) e o veterano Asgeir (Ingvar Eggert Sigurdsson), Andri também precisa lidar com novos crimes que ocorrem como consequência de sua investigação, além de enfrentar problemas pessoais com a ex-esposa (Nina Dogg Filippusdottir). 

Esta ótima série é a produção mais cara da história da pequena Islândia, resultando numa complexa trama que envolve traições, segredos, exploração imobiliária e até tráfico humano. O roteiro amarra de forma correta vários crimes que vem à tona com a investigação. Mesmo com algumas cenas violentas, a série é muito mais um drama investigativo. 

O desenvolvimento dos personagens é outro ponto de destaque, principalmente o protagonista vivido pelo grandalhão Olafur Darri Olafsson. Ele interpreta um policial que aparenta tristeza em várias sequências, que carrega um peso de um caso antigo, que por sinal pode ser o plot da segunda temporada que deve ser lançada em breve, sofre pela separação da esposa e ainda precisa resolver os novos crimes com pouca ajuda. Ele está longe de ser o herói comum aos dramas policiais. 

Finalizando, as belíssimas locações em meio a neve são outro destaque e ajudam a elevar o grau de isolamento da região.