quarta-feira, 23 de maio de 2018

A Travessia de Cassandra

A Travessia de Cassandra (The Cassandra Crossing, Inglaterra / Itália / Alemanha Ocidental, 1976) – Nota 6
Direção – George Pan Cosmatos
Elenco – Sophia Loren, Richard Harris, Burt Lancaster, Martin Sheen, O. J. Simpson, Lionel Stander, Ann Turkel, Ingrid Thulin, Lee Strasberg, Ava Gardner, Lou Castel, John Phillip Law, Alida Valli.

Três terroristas invadem um laboratório do governo em Genebra, mas falham ao tentar detonar uma bomba. Eles são expostos a um terrível vírus. Um deles consegue fugir e entra em um trem que atravessará a Europa. Enquanto um Coronel (Burt Lancaster) envia uma equipe para localizar o terrorista infectado, diversas pessoas viajam no trem sem saber do perigo. 

Não sei como algum produtor ainda não tentou fazer um remake deste longa, que precisa ser analisado de duas formas. A história é ao mesmo tempo simples e também perfeita para render um ótimo filme de ação e suspense. Por outro lado, a realização deixa bastante a desejar. O elenco recheado de astros entrega atuações no piloto automática. 

O diretor italiano George Pan Cosmatos claramente seguiu a cartilha dos filmes catástrofes da época, apresentando aos poucos os vários personagens que se cruzam no trem em meio a tragédia. Cosmatos era um diretor de filmes divertidos e ruins que se tornaram quase cults, como “Stallone Cobra” e “Rambo II – A Missão”. Na minha opinião, seu melhor trabalho é o western “Tombstone – A Justiça Está Chegando”. 

Este “A Travessia de Cassandra” é um exemplo de cinema dos anos setenta que envelheceu no formato e que se mostra pior ainda do que era na época.  

terça-feira, 22 de maio de 2018

A Descoberta & Linha Mortal


A Descoberta (The Discovery, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Charlie McDowell
Elenco – Robert Redford, Jason Segel, Rooney Mara, Jesse Plemons, Ron Canada, Riley Keough, Mary Steenburgen.

Thomas (Robert Redford) é um cientista que alega ter provas da existência de vida após a morte. Sua descoberta detona uma terrível onda de suicídios, com pessoas desejando “chegar do outro lado”.

Algum tempo depois, seu filho Will (Jason Segel) tenta se reaproximar do pai que montou uma espécie de laboratório em um antigo hotel isolado em uma ilha, local onde vivem diversas pessoas que seguem o cientista, além do próprio irmão de Will, Toby (Jesse Plemons).

A chegada de Will ao laboratório coincide com o teste de uma máquina criada por Thomas para gravar imagens da vida após a morte, sendo necessário utilizar um cadáver como cobaia.

A premissa extremamente interessante se perde em meio a uma narrativa irregular e um roteiro confuso, principalmente nas respostas que surgem na sequência final. As sequências em que a máquina revela a consciência das pessoas são instigantes, mas pouco para transformar em um grande filme.

O destaque do elenco fica para Jason Segel em um papel sério. Ele consegue passar as angústias de seu personagem de forma convincente.

No final fica a clara sensação de uma ótima ideia que foi desperdiçada.

Linha Mortal (Flatliners, EUA, 1990) – Nota 7
Direção – Joel Schumacher
Elenco – Kiefer Sutherland, Julia Roberts, Kevin Bacon, William Baldwin, Oliver Platt.

O estudante de medicina Nelson (Kiefer Sutherland) convence quatro colegas de curso (Julia Roberts, Kevin Bacon, William Baldwin e Oliver Platt) a participarem de um projeto clandestino. A proposta é forçar a morte clínica de cada um deles e manter a pessoa neste estado o maior tempo possível, para em seguida ressuscitá-la e assim tentar decifrar o que existe na tênue linha entre a vida e a morte. 

O aparente sucesso do projeto após os primeiros testes escondem efeitos colaterais que logo surgem. Visões, paranoia e mudança de personalidade estão entre as anomalias que passam a acometer as cobaias. 

Além da intrigante curiosidade em saber o que acontece no momento da morte, o filme tem como destaque o clima de suspense, principalmente pelas diversas sequências noturnas. O elenco de jovens astros em ascensão é outro destaque. 

A história perde um pouco a força pela repetição de situações. Todos os personagens passam pela morte clínica e pelo suspense de voltar ou não a vida. 

Mesmo com algumas falhas, é um filme marcante que vale ser conhecido por quem tem curiosidade pelo tema. 

A história foi refilmada em 2017 tendo o título nacional de “Além da Vida”, porém com muitas críticas negativas. 

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Nossa Irmã Mais Nova

Nossa Irmã Mais Nova (Unimachi Diary, Japão, 2015) – Nota 8
Direção – Hirokazu Koreeda
Elenco – Haruka Ayase, Masami Nagasawa, Kaho, Suzu Hirose, Ryo Kase, Ryohei Suzuki.

Três irmãs que vivem na mesma casa são avisadas que seu pai faleceu. O homem abandonou a família quando as filhas ainda eram crianças para viver com outra mulher. 

Ao chegarem na pequena cidade para participarem do funeral, as irmãs descobrem que o pai estava vivendo com uma terceira esposa e que deixou outra filha de seu casamento anterior, a adolescente Suzu (Suzu Hirose). 

Percebendo o sofrimento da garota que não é bem tratada pela madrasta, a irmã mais velha Sachi (Haruka Ayasa) decide convidar a nova irmã para viver com elas. Suzu aceita o convite e dá início a um sensível relacionamento com as meia-irmãs, incluindo alegrias, tristezas e descobertas. 

Hirokazu Koreeda é com certeza o melhor diretor japonês da atualidade, especialista em abordar dramas familiares de forma sóbria e com muita sensibilidade. Para quem gostar deste longa, indico também os ótimos “Depois da Tempestade” e “Pais e Filhos”

Koreeda consegue explorar os dramas do estilo de vida oriental sem apelar para exageros ou discussões. Seus personagens demonstram suas emoções de forma contida, mesmo aqueles aparentemente mais agitados. 

Vale destacar as sequências que detalham hábitos japoneses, como a oração em casa, a reverência aos mortos e o sentimento de humanidade em relação ao tratamento com os doentes. 

O resultado é um belíssimo drama que foca em pessoas e em uma cultura muito mais civilizada do que a nossa.

domingo, 20 de maio de 2018

Terra Fria

Terra Fria (North Country, EUA, 2005) – Nota 7,5
Direção – Niki Caro
Elenco – Charlize Theron, Frances McDormand, Woody Harrelson, Sean Bean, Jeremy Renner, Richard Jenkins, Sissy Spacek, Michelle Monaghan, Rusty Schwimmer, Thomas Curtis, Elle Peterson, Brad William Henke, Linda Emond, Amber Heard, John Aylward, Xander Berkeley, Corey Stoll, Chris Mulkey.

Em 1989, Josey Aimes (Charlize Theron) abandona o marido violento e volta para a casa dos pais (Richard Jenkins e Sissy Spacek) em uma pequena cidade de Minnesota. 

O relacionamento complicado com o pai que não se conforma com a filha estar sozinha e ter um casal de filhos de pais diferentes, faz com que Josey aceite trabalhar em uma mina para conseguir seu próprio dinheiro. A mina é o local de trabalho das maioria dos moradores da cidade. 

Logo no primeiro dia ela percebe que terá de enfrentar algo que vai além do preconceito dos mineiros com as mulheres que trabalham no local. As piadas ofensivas, as brincadeiras exageradas, a falta de respeito e até o assédio sexual são práticas comuns na empresa. Quando Josey decide enfrentar o problema, a situação fica ainda pior. 

O roteiro cria uma obra de ficção utilizando como base um livro que conta a história real do primeiro processo de assédio sexual coletivo julgado nos Estados Unidos. Os personagens são fictícios e representam parte do que realmente ocorreu dentro da empresa. 

A diretora Niki Caro, dos recentes “McFarland dos EUA” e “O Zoológico de Varsóvia”, escolheu contar a história de uma forma até cruel. O sofrimento pessoal da protagonista é potencializado pelos abusos enfrentados dentro da mina, inclusive com algumas sequências revoltantes. 

É um filme feito para chocar o espectador.

sábado, 19 de maio de 2018

Intermediário.com

Intermediário.com (Middle Men, EUA, 2009) – Nota 7
Direção – George Gallo
Elenco – Luke Wilson, Giovanni Ribisi, Gabriel Macht, James Caan, Jacinda Barrett, Kevin Pollak, Laura Ramsey, Rade Sherbedgia, Terry Crews, Kelsey Grammer, Robert Forster, John Ashton.

Houston, 1997. Jack Harris (Luke Wilson) recebe a proposta para comandar uma casa noturna em Los Angeles após um amigo ficar doente. Não demora para Jack transformar o local em sucesso. 

Em paralelo, o ex-engenheiro da Nasa Buck Dolby (Gabriel Macht) e seu amigo Wayne Beering (Giovanni Ribisi), descobrem por acaso uma forma de ganhar dinheiro pela internet. Ele digitalizam fotos de revistas de mulheres nuas, postam no site e passam a cobrar assinaturas direto pelo cartão de crédito. O que hoje é comum para qualquer compra on line, na época não existia. 

Rapidamente eles ganham muito dinheiro, porém sendo malucos e drogados, terminam por se envolver com um mafioso russo (Rade Sherbedgia) e um advogado picareta (James Caan), que pensando em colocar ordem na "empresa" chama Jack para intermediar o problema. Visualizando a chance de ficar milionário, Jack se torna sócio dos dois malucos. 

Baseando numa absurda história real, este divertido longa lembra obras posteriores como o superior “O Lobo de WallStreet” e o semelhante “Cães de Guerra”. Nos três filmes temos um protagonista que narra em off sua aventura de modo cínico, que deixa a ética a até a honestidade de lado para lucrar e que principalmente aproveita as benesses da riqueza antes da queda. 

O que deixa este longa mais interessante é a questão histórica. Por mais absurda que seja a narrativa, a forma de vender produtos pela internet criada pelos protagonistas se tornou modelo mundial. 

O elenco abraça com competência a ideia de fazer rir com os absurdos. Além do personagem de Luke Wilson, a dupla de drogados vividos por Giovanni Ribisi e Gabriel Macht é impagável. 

É mais um bom filme pouco conhecido pelo público.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

O Motorista de Táxi

O Motorista de Táxi (Taeksi Woonjusa, Coreia do Sul, 2017) – Nota 8,5
Direção – Hun Jang
Elenco – Kang Ho Song, Thomas Kretschmann, Hae Jin Yoo, Jun Yeol Ryu.

Maio de 1980. Em Seul na Coreia do Sul, o taxista viúvo Kim (Kang Ho Song) luta para ganhar a vida e cuidar da filha de onze anos. 

No Japão, o jornalista alemão Peter (Thomas Kretschmann) decide viajar para Coreia quando surgem notícias não oficiais de que está ocorrendo uma revolta popular na cidade de Gwangju. 

Ao chegar em Seul, o acaso faz com que Peter contrate o táxi de Kim para ir até Gwangju. O taxista não acredita que possa estar ocorrendo violência naquela cidade. Chegando em Gwangju, Peter e Kim encontram o local isolado e uma terrível batalha nas ruas entre estudantes e o exército. 

O cartaz com o sorridente protagonista na porta do táxi passa a impressão de que o longa é uma comédia bobinha, quando na verdade a história é um forte drama baseado em uma triste história real. 

Hoje conhecido como "O Massacre de Gwangju", na época a ditadura que governava a Coreia do Sul fez de tudo para impedir que fosse noticiada a verdade. Os jornais do país citavam que o governo enfrentava uma ameaça comunista, quando na realidade eram pessoas que protestavam contra o toque de recolher imposto pelas autoridades. 

A inusitada relação que surge entre o simplório taxista e o jornalista é uma consequência da violência que eles se tornam testemunhas. As cenas de batalha entre jovens e soldados são extremamente realistas e filmadas de forma emocionante. 

É também ótima e emocionante a atuação de Kan Ho Song, que pode ser considerado o melhor ator sul-coreano do momento ao lado de Byung Hun Lee. 

Vale citar ainda o emocionado depoimento do verdadeiro jornalista alemão nos créditos finais.  

O filme é uma verdadeira pérola que poucos cinéfilos descobriram. 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Doce Virginia

Doce Virginia (Sweet Virginia, Canadá / EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Jamie M. Dagg
Elenco – Jon Bernthal, Christopher Abbott, Imogen Poots, Rosemarie DeWitt, Odessa Young, Joseph Lyle Taylor, Jonathan Tucker, Garry Chalk.

Um estranho (Christopher Abbott) entra em um bar numa pequena cidade e mata três homens sem motivo aparente. 

O crime mexe com várias pessoas da cidade, inclusive com o ex-peão de rodeio Sam Rossi (Jon Bernthal), que é amante de Bernadette (Rosemarie De Witt), casada com uma das vítimas. O assassino fica hospedado no motel em que Sam é gerente, esperando algo que é revelado aos poucos. 

O clima de decadência e solidão das cidades pequenas americanas sempre é um interessante palco para dramas e histórias policiais. Este clima de depressão é um dos pontos principais deste longa.

A atuação de Christopher Abbott como o psicopata é outro destaque. Com exceção do assassino, todos os outros personagens são pessoas comuns que tem suas vidas viradas de ponta de cabeça por causa dos assassinatos. 

É basicamente um filme independente que resulta em um violento drama policial.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Encontro Sangrento em Rancher Town


Meu amigo Darci Fonseca é o maior especialista em westerns no Brasil. 

Seu blog http://westerncinemania.blogspot.com.br/ é uma verdadeira bíblia do gênero.

Faça a uma visita ao blog para conhecer este belíssimo trabalho.

A paixão pelo western levou Darci a se reunir com outros amantes do gênero para produzir três filmes caseiros que são homenagens a clássicos do faroeste.

Estes filmes estão disponíveis no Youtube pelos links abaixo:




terça-feira, 15 de maio de 2018

Assassinato no Expresso do Oriente (1974 & 2017)


Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, Inglaterra, 1974) – Nota 7,5
Direção – Sidney Lumet
Elenco – Albert Finney, Lauren Bacall, Martin Balsam, Jacqueline Bisset, Ingrid Bergman, Sean Connery, Michael York, John Gielgud, Jean Pierre Cassel, Vanessa Redgrave, Richard Widmark, Rachel Roberts, Colin Blakely, Wendy Hiller.

Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, Malta / EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Kenneth Branagh
Elenco – Kenneth Branagh, Michelle Pfeiffer, Johnny Depp, Judi Dench, Olivia Colman, Willem Dafoe, Josh Gad, Leslie Odom Jr, Daisy Ridley, Derek Jacobi, Manuel Garcia Rulfo, Penélope Cruz, Lucy Boynton, Marwan Kenzari.

As duas versões não apresentam surpresas, a história é a mesma.

Em Istambul na Turquia, antes de entrar em férias, o inspetor Poirot (Albert Finney no original, Kenneth Branagh no remake) recebe a missão de voltar para Londres para investigar um caso. Utilizando o trem conhecido como Expresso do Oriente, que no meio do caminho fica preso em uma nevasca, Poirot é obrigado a investigar o assassinato de um bandido (Richard Widmark original, Johnny Depp remake) que pode ter ligações com várias pessoas que estão na mesma viagem.

As diferenças entre os dois filmes estão na parte técnica e nos altos e baixos das atuações. O original de Sidney Lumet tem um elenco melhor, tanto na questão de nomes, como nas atuações. É um filme que tem mais os pés no chão, focando em bons diálogos e no carisma de Albert Finney como o inspetor Poirot.

O remake explora inclusive efeitos especiais na sequência inicial e no descarrilamento do trem. Como opinião pessoal, está tentativa de modernizar o formato desvia o foco da previsibilidade da trama e também das atuações. Vários personagens são mal explorados. Para quem viu o original, esta refilmagem se mostra desnecessária.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Classe Operária

Classe Operária (Moonlighting, Inglaterra, 1982) – Nota 7,5
Direção – Jerzy Skolimowski
Elenco – Jeremy Irons, Eugene Lipinski, Jiri Stansilav, Eugenius Haczkiewciz.

Dezembro de 1981. O empreiteiro polonês Nowak (Jeremy Irons) viaja para Inglaterra com três ajudantes para reformarem a casa que seu chefe tem em Londres. 

O trabalho renderá aos quatro homens o equivalente a um ano de salário na Polônia. Nowak é o único que fala inglês e por isso é o responsável pela compra de materiais, ferramentas e mantimentos. 

Após alguns dias, Nowak descobre pela tv que o governo polonês decretou uma lei marcial no país, fechando as fronteiras e desligando as linhas telefônicas. Preocupado em terminar o serviço, ele decide esconder o fato dos ajudantes, além de precisar economizar o dinheiro para conseguir voltar para casa. 

O roteiro escrito pelo diretor polonês Jerzy Skolimowski cria uma trama de ficção em meio ao acontecimento real da lei marcial que vigorou na Polônia do final de 1981 até 1983. 

A narração do protagonista vivido por Jeremy Irons e as reações de seus ajudantes frente a situações comuns demonstram como a vida no países comunistas eram precárias e atrasadas. Fatos simples como assistir televisão em cores ou comprar um relógio de pulso se transformavam em eventos para os pobres poloneses. 

A sequência logo no início em que eles entram no mercado e ficam de boca aberta ao ver a variedade de produtos diz muito sobre o terrível comunismo. É curiosa e também desonesta a artimanha utilizada pelo protagonista para levar produtos de um mercado sem pagar. 

É uma história semelhante ao que ocorre com a população de países como Cuba e Venezuela no dias de hoje.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Law & Order True Crime: The Menendez Murders

Law & Order True Crime: The Menendez Murders (Law & Order True Crime: The Menendez Murders, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Fred Berner, Holly Dale, Lesli Linka Glatter & Michael Pressman
Elenco – Edie Falco, Gus Halper, Miles Gaston Villanueva, Chris Bauer, Sam Jaeger, Anthony Edwards, Julianne Nicholson, Josh Charles, Heather Graham, Dominic Flores, Constance Marie, Elizabeth Reaser, Molly Hagan, Lolita Davidovich, Carlos Gomez, Mark Moses.

Los Angeles, vinte de agosto de 1989. O casal Jose (Carlos Gomez) e Kitty Menendez (Lolita Davidovich) é assassinado com vários tiros de grosso calibre dentro de sua mansão em Beverly Hills. 

A princípio a polícia acredita que o crime seja obra de alguma gangue. Com o passar do tempo, novas pistas apontam para os filhos do casal. Os irmãos Lyle (Miles Gaston Villanueva) e Erik (Gus Halper) são acusados dos assassinatos. Para defendê-los a família contrata a polêmica advogada Leslie Abramson (Edie  Falco). É o inicio de uma maratona judicial que durará sete anos. 

Seguindo o sucesso de “American Crime Story – The People v. O. J. Simpson”, o roteirista e produtor Rene Balcer, criador das franquias “Law & Order”, investiu em uma nova versão da série focando em uma história fechada contada em oito episódios com a primeira temporada detalhando o famoso crime dos irmãos Menendez. 

Os assassinatos foram explorados pela imprensa durante três anos, até o final do primeiro julgamento. Um verdadeiro circo foi armado, com câmeras transmitindo ao vivo o julgamento, pessoas envolvidas no caso tentando lucrar ou conseguir alguma fama, além dos depoimentos sobre o inferno que ocorria na casa da família Menendez. 

Enquanto a promotoria e os investigadores tinham certeza que a motivação dos crimes era o dinheiro, a advogada Leslie Abramson acreditava na história dos irmãos que alegavam terem sido vítimas de abuso, inclusive sexual por parte do pai com a conivência da mãe. 

A série fica claramente ao lado dos acusados, fornecendo detalhes que aparentemente comprovam os abusos sofridos pelos irmãos. 

Como é uma história ocorrida há quase trinta anos, para os mais novos o ideal é conferir a série sem ler os detalhes do caso real, deixando para comparar após o episódio final.  

quinta-feira, 10 de maio de 2018

O Desaparecimento de Alice Creed


O Desaparecimento de Alice Creed (The Disappearance of Alice Creed, Inglaterra, 2009) – Nota 7
Direção – J Blakeson
Elenco – Gemma Arterton, Eddie Marsan, Martin Compston.

Sem diálogo algum nos dez minutos iniciais, acompanhamos uma dupla (Eddie Marsan e Martin Compston) comprando materiais e preparando um local para ser o cativeiro de um sequestro. A vítima (Gemma Arterton) é levada dentro de um furgão e posteriormente amarrada em uma cama. 

Quando se iniciam os diálogos, a primeira impressão é de um sequestro normal, em que o violento líder (Eddie Marsan) se mostra preparado para tudo e obriga o submisso parceiro (Martin Compston) a acatar sua ordens. Com o desenrolar da trama, surpresas vem à tona.

A grande sacada do roteiro escrito pelo diretor J Blakeson é oferecer duas reviravoltas inesperadas até a metade do longa, explorando a ganância, a desconfiança e as mentiras entre os três personagens. Estas situações levam o cinéfilo mais curioso a ver algumas semelhanças com o superior “Cova Rasa” de Danny Boyle. 

Por mais que J Blakeson tenha mostrado potencial aqui, seu trabalho posterior como diretor foi o fracasso “A 5º Onda”. 

Finalizando, vale destacar as atuações do elenco, inclusive por algumas cenas que fogem do lugar comum.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Em Busca da Fé

Em Busca da Fé (Higher Ground, EUA, 2011) – Nota 7
Direção – Vera Farmiga
Elenco – Vera Farmiga, Joshua Leonard, Norbert Leo Butz, Dagmara Dominczyk, Nina Arianda, Taissa Farmiga, Boyd Holbrook, John Hawkes, Donna Murphy, Michael Chernus, Bill Irwin.

Ainda adolescente, Corinne (Taissa Farmiga) engravida do músico Ethan (Boyd Holbrook) e os dois terminam se casando. Um incidente com a filha faz o casal buscar uma vida diferente. 

Anos depois, com duas filhas e um terceiro a caminho, Corinne e Ethan (agora interpretados por Vera Farmiga e Joshua Leonard) são batizados nas águas e passam a frequentar uma igreja protestante. 

Ao testemunhar várias situações durante algum tempo, Corinne começa a questionar sua própria fé e reavaliar seu relacionamento com o marido. 

Este interessante projeto marcou a estreia na direção da atriz Vera Farmiga, que mesmo não entregando um filme brilhante, pelo menos cria uma obra em que faz o espectador pensar sobre até que ponto vale viver uma vida de acordo com a religião. 

Não é um filme que demoniza a religião, mesmo com o ponto principal do roteiro sendo o de questionar a fé cega das pessoas e inserir pequenas críticas em relação aos dogmas religiosos, tudo é descrito com muito respeito. 

Vale destacar a sensível atuação de Vera Farmiga, dividida entre a fé, os dogmas religiosos e a vida real. 

Como informação, apesar de uma diferença de idade de vinte e um anos, as atrizes Vera e Taissa Farmiga são irmãs.

terça-feira, 8 de maio de 2018

A Espinha do Diabo

A Espinha do Diabo (El Espinazo Del Diablo, Espanha / México / França / Argentina, 2001) – Nota 7
Direção – Guillermo Del Toro
Elenco – Federico Luppi, Eduardo Noriega, Marisa Paredes, Fernando Tielve, Irene Visedo.

Guerra Civil Espanhola, 1939. No interior do país, Dr. Casares (Federico Luppi) e sua esposa Carmen (Marisa Paredes) comandam um orfanato. 

O menino Carlos (Fernando Tielve) é enviado para o local após perder os país. Além da dor pela perda, Carlos se assusta ao encontrar o fantasma de um garoto que vaga pelo orfanato. 

Para deixar a situação ainda mais assustadora, Carlos e outros garotos sofrem com as atitudes de um cruel funcionário (Eduardo Noriega), que acredita que o casal tenha barras de ouro escondidas em algum lugar do orfanato. 

O longa apresenta elementos comuns aos filmes de Del Toro. Uma história que mistura drama, fantasia e violência, com um protagonista que precisa vencer sua fragilidade ao enfrentar um vilão detestável. 

A questão da Guerra Civil Espanhola é apenas um pano de fundo no roteiro. 

O filme funciona razoavelmente, mas com uma qualidade abaixo dos trabalhos posteriores do diretor.  

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Sem Identidade

Sem Identidade (Sin Nombre, México / EUA, 2009) – Nota 8
Direção – Cary Joji Fukunaga
Elenco – Edgar Flores, Paulina Gaitan, Kristyan Ferrer, Tenoch Huerta Mejia, Luis Fernando Peña, Diana Garcia.

Numa cidade no Estado de Chiapas no México, o jovem Casper (Edgar Flores) pertence a violenta gangue dos “Maras”, que tem como um dos “passatempos” perseguir e assaltar imigrantes ilegais que passam pela região em direção a fronteira com os EUA. 

Em Tegucigalpa, capital de Honduras, Sayra (Paulina Gaitan) é convencida pelo tio e pelo pai que ela não via há anos, para atravessar o país até o México e assim entrar clandestinamente nos EUA. O destino faz com que os caminhos dos dois jovens se cruzem. 

Dirigido pelo competente Cary Joji Fukunaga, responsável pela ótima série “True Detective”, este é um dos longas mais realistas sobre a imigração ilegal na América Central. Violência, preconceito, exploração e um mínimo de solidariedade são os ingredientes desta verdadeira saga dos imigrantes em busca de uma vida melhor. 

Outro ponto importante do roteiro é a força que as gangues de bairro tem no México, conseguindo atrair jovens pobres sem perspectivas, que vêem na vida de bandido a única chance de serem respeitados, mesmo de que uma forma totalmente equivocada. 

É um ótimo filme sobre uma problema atual e extremamente complexo.

domingo, 6 de maio de 2018

O Assassinato de um Presidente

O Assassinato de um Presidente (The Assassination of Richard Nixon, EUA / México, 2004) – Nota 6,5
Direção – Niels Mueller
Elenco – Sean Penn, Naomi Watts, Don Cheadle, Jack Thompson, Brad William Henke, Nick Searcy, Michael Wincott, Mykelti Williamson, April Grace.

Meados de 1973. Samuel Bicke (Sean Penn) consegue emprego como vendedor em uma loja de móveis de escritório e sonha em reatar o casamento com Marie (Naomi Watts). 

Sua tentativa de levar uma vida normal é abortada por sua própria insegurança e sua forma de ver o mundo. Samuel sofre com as cobranças feitas por seu chefe (Jack Thompson), pelo desprezo dos filhos e por sua esposa estar saindo com outro homem. 

O desespero chega forte quando ele planeja abrir um negócio em parceria com um mecânico que é seu amigo (Don Cheadle), mas não consegue o sonhado empréstimo bancário para iniciar o projeto. 

Baseado numa maluca história real, este longa tem como protagonista um sujeito que é o vitimismo em pessoa. Sua insegurança gigante se transforma em paranoia. Ele passa a gravar seus pensamentos em fitas onde imagina estar conversando com o famoso música Leonard Cohen e aos poucos direciona seu ódio para o então presidente Richard Nixon. 

Por mais que a atuação de Sean Penn seja competente, em momento algum a história decola. O resultado é um filme estranho, com um protagonista patético e um doloroso clímax.

sábado, 5 de maio de 2018

Setembro em Shiraz

Setembro em Shiraz (Septembers of Shiraz, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Wayne Blair
Elenco – Adrien Brody, Salma Hayek, Shohreh Aghdashloo, Alon Aboutboul, Anthony Azizi, Gabriella Wright.

Teerã, capital do Irã, 1979. Isaac (Adrien Brody) é um judeu que fez fortuna com a venda de pedras preciosas. Quando ocorre a Revolução Islâmica, Isaac é preso por não ser muçulmano e ter negociado joias com pessoas ligadas ao antigo governo. 

Enquanto ele é torturado na cadeia, sua esposa Farnez (Salma Hayek) sofre para descobrir o paradeiro do marido, além de enfrentar os agentes do governo que roubam todas os objetos de valor que estavam na residência do casal. 

Inspirado em fatos reais, este longa mostra um pouco das terríveis consequências da Revolução Islâmica no Irã, que derrubou o governo do ditador Mohammad Reza Pahlavi e levou ao poder o famigerado Aiatolá Khomeini que transformou o país em uma ditadura islâmica fundamentalista. 

Se no governo de Pahlavi existiam perseguições a oposição, com Khomeini a situação ficou ainda pior, pois todos que não eram muçulmanos ou que deixavam de seguir alguma lei islâmica como tomar bebida alcoólica ou a mulher que não usasse um véu na cabeça se transformavam em alvos.

Neste contexto, o roteiro do longa explora a utopia de que a revolução traria igualdade entre pobres e ricos. O resultado foi o contrário. As discussões entre a empregada vivida por Shohreh Aghdashloo e a personagem de Salma Hayer deixam claro o terrível clima que se criou com a situação. 

O roteiro também mostra que na verdade as proibições visavam pobres e inimigos, quem tinha um pouco de poder aproveitava para lucrar. A religião era apenas uma desculpa para a violência e a corrupção. 

A narrativa é bem interessante durante dois terços do longa, deixando a desejar um pouco no final apressado que tenta criar um pouco mais de tensão. 

É um filme que vale a sessão para quem tem interesse em história e política.    

sexta-feira, 4 de maio de 2018

A Arte da Extorsão, A Coletora de Impostos & A Volta da Coletora de Impostos


A Arte da Extorsão (Minbo No Onna, Japão, 1992) - Nota 9
Direção – Juzo Itami
Elenco – Nobuko Miyamoto, Akira Takarada, Yasuo Daichi, Takehiro Murata.

O dono de um hotel em Tóquio que está sendo extorquido pela Yakuza contrata uma advogada (Nobuko Miyamoto) especializada em lutar contra a organização. Ela treina os funcionários e os donos para como agir contra os bandidos

Este ótimo drama policial com toques de comédia foi a forma encontrada pelo diretor Juzo Itami para ridicularizar a Yakuza, semelhante a proposta dos divertidos e posteriores "A Coletora de Impostos” e “A Volta da Coletora de Impostos”, sempre com sua esposa Nobuko Miyamoto no papel principal.

Por causa destes filmes Itami teve vários problemas com a Máfia Japonesa, inclusive uma tentativa de assassinato. Oficialmente ele cometeu suicídio em 1997 após ser acusado de trair a esposa com uma adolescente, porém corre uma lenda que sua morte pode ser tido consequência de um segundo atentado da Yakuza.

A Coletora de Impostos (Marusa no Onna, Japão, 1987) – Nota 8
Direção – Juzo Itami
Elenco – Nobuko Miamoto, Tsutomu Yamazaki.

Ryoko Itakura (Nobuko Miyamoto) é uma funcionária do governo que consegue uma promoção para fiscalizar e cobrar impostos de grandes devedores. Detalhista e obcecada, Ryoko elege como alvo um grande empresário sonegador (Tsutomu Yamazaki). Destemida, ela enfrenta a burocracia governamental, a corrupção e os entraves criados pelo empresário.

A Volta da Coletora de Impostos (Marusa no Onna 2, Japão, 1988) – Nota 7,5
Direção – Juzo Itami
Elenco – Nobuko Miamoto, Masahiko Tsugawa, Tetsuro Tanba.

Nesta sequência, a intrépida fiscal Ryoko (Nobuko Miamoto) investiga um caso de lavagem de dinheiro por parte de uma organização que utiliza uma religião fundamentalista como fachada. Novamente ela precisa enfrentar uma poderosa organização com tentáculos dentro do governo. O foco principal do roteiro escrito pelo diretor é fazer uma crítica as falsas religiões que visam apenas o dinheiro do fiéis.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Melanie - A Última Esperança

Melanie – A Última Esperança (The Girl With All the Gifts. Inglaterra / EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Colm McCarthy
Elenco – Sennia Nanua, Gemma Arterton, Paddy Considine, Glenn Close, Anamaria Marinca, Fisayo Akinade, Anthony Welsh.

Em um futuro próximo, crianças são mantidas como prisioneiras em uma instalação militar. Aos poucos, descobrimos que grande parte da população foi infectada por um vírus que transforma as pessoas em zumbis canibais. Estas crianças estão sendo utilizadas como cobaias por uma cientista (Glenn Close) que deseja criar uma vacina contra a infecção. 

Quando os zumbis invadem o local, um pequeno grupo consegue escapar, incluindo uma professora (Gemma Arterton), um sargento (Paddy Considine) e a garota Melanie (Sennia Nanua), que era uma das cobaias. 

A premissa de um mundo apocalíptico dominado por zumbis é comum no cinema atual, o que muda um pouco o foco nesta adaptação de um best seller é a questão da mutação do vírus que atinge as crianças, ou como citam no longa, a transformação da “segunda geração de zumbis”. 

A narrativa começa deixando o espectador em dúvida sobre o porquê das crianças aprisionadas, para em um segundo momento focar na ação durante a fuga dos sobreviventes do complexo militar, chegando até o estranho final quando a história já perdeu um pouco a força. 

O destaque do elenco fica para garota Sennia Nanua, que interpreta com segurança e muito vigor a protagonista. 

É um filme em que a premissa é mais interessante do que a realização.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Manhunt: Unabomber

Manhunt: Unabomber (Manhunt: Unabomber, EUA, 2017) – Nota 8
Direção – Greg Yaitanes
Elenco – Sam Worthington, Paul Bettany, Jeremy Bobb, Chris Noth, Ben Weber, Lynn Collins, Brian F. O’Byrne, Keisha Castle Hughes, Mark Duplass, Elizabeth Reaser, Diesel Madkins, Jane Lynch.

Entre 1978 e 1995, um terrorista batizado como Unabomber foi o responsável por dezesseis atentados nos EUA, sempre utilizando cartas-bombas enviadas pelo correio. Esta minissérie em oito episódios foca em duas narrativas intercaladas. 

A primeira se passa em 1995, quando o novato agente do FBI James “Fitz” Fitzgerald (Sam Worthington) é enviado para participar de uma força-tarefa que investiga os atentados. Especialista em analisar padrões, Fitz fica obcecado em descobrir a identidade do Unabomber quando este envia um manifesto explicando sua ideologia e pressionando o FBI a publicá-lo em algum jornal. 

A segunda narrativa pula para 1997, quando o Unabomber Ted Kaczynski (Paul Bettany) está preso e diz que aceita conversar apenas com Fitz. O agente que estava afastado do FBI, retorna para tentar fazer o terrorista confessar seus crimes. 

O grande acerto desta minissérie é o roteiro que revela detalhes pouco conhecidos sobre o passado de Ted Kaczynski, humanizando o sujeito e mostrando os gatilhos que o levaram a cometer os atentados. 

A obsessão do agente Fitz que deixa de lado inclusive sua vida pessoal é outro acerto, desenvolvendo um personagem que por incrível que pareça tem muitas semelhanças com o terrorista. 

É curioso citar que por mais que Kaczynski demonstre sérios problemas psicológicos, seu manifesto contra “a sociedade industrial” tem pontos interessantes sobre pressão social, solidão e falta de liberdade das pessoas. 

Para quem gosta deste tipo de história, esta é um minissérie que prende a atenção do início ao fim e que faz pensar muito sobre o mundo em que vivemos.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Os Brutos Também Amam

Os Brutos Também Amam (Shane, EUA, 1953) – Nota 7,5
Direção – George Stevens
Elenco – Alan Ladd, Jean Arthur, Van Heflin, Brandon De Wilde, Jack Palance, Ben Johnson, Elisha Cook Jr, Edgar Buchanan, Emile Meyer.

O forasteiro Shane (Alan Ladd) chega a uma região onde pequenos fazendeiros são pressionados por uma quadrilha liderada por Ryker (Emile Meyer), que se considera o dono das terras. 

Shane é acolhido pelo fazendeiro Joe (Van Hefiln) e termina por despertar uma paixão platônica na esposa do sujeito (Jean Arthur) e um sentimento de paternidade no filho Joey (Brandon De Wilde). Mesmo assim, Shane mantém o respeito e se une a Joe e a outros fazendeiros para enfrentar Ryker. 

Considerado um dos grandes clássicos do western, confesso que esperava mais deste longa. A história do desconhecido que se une aos oprimidos é uma tema repetido a exaustão no gênero, mesmo que este tenha sido um dos primeiros longas a retratar o tema. 

O ponto que chama a atenção dos fãs é a forma quase poética como é desenvolvida a relação de amizade entre Shane e o garotinho Joey. A belíssima fotografia e a sequência da briga no bar são outros pontos altos, mesmo vendo o baixinho Alan Ladd detonado um bando de marmanjos. 

Por outro lado, algumas sequências como as que mostram a vida na pequena fazenda e a da festa quebram um pouco o ritmo. 

Vale citar que a interpretação do garotinho Brandon De Wilde lhe valeu uma indicação ao Oscar de Coadjuvante, assim como a de Jack Palance como o pistoleiro contratado para enfrentar os fazendeiros. 

É um ótimo filme, mas ainda colocaria outros westerns na frente em questão de qualidade.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Deixe Ir

Deixe Ir (Lasciate Andare, Itália, 2017) – Nota 6
Direção – Francisco Amato
Elenco – Toni Servillo, Verónica Echegui, Carla Signoris, Luca Marinelli, Pietro Sermonti.

Elia (Toni Servillo) é um psicanalista egoísta que ao ser pressionado por seu médico a fazer exercícios físicos após alguns exames com resultados alterados, se vê obrigado a mudar seus hábitos. 

Sedentário e extremamente crítico em relação a academias, Elia termina contratando a personal trainer Claudia (Verónica Echegui), uma espanhola que se veste como perua e que fala demais. 

Ao mesmo tempo em que cria uma estranha amizade com Claudia, ele também tenta se reaproximar da ex-esposa (Carla Signoris) que mora no apartamento ao lado do seu e que está saindo com um novo namorado. 

Esta comédia começa até de forma interessante, explorando as diferenças entre o contido psicanalista e a expansiva personal trainer. O filme vai bem até pouco depois da metade, quando muda o foco de uma comédia de costumes para um besteirol que envolve um roubo de joias e dois ladrões idiotas. 

Ao ler a sinopse fiquei com um pé atrás, mas mantive a curiosidade pela presença do ótimo Toni Servillo, ator que ficou famoso fora da Itália por causa da parceria com o diretor Paolo Sorrentino em filmes como “Il Divo” e “A Grande Beleza”. 

Resumindo, esta comédia vale apenas pelas atuações de Servillo e da espanhola Verónica Echegui.

domingo, 29 de abril de 2018

Jones, o Faixa Preta

Jones, o Faixa Preta (Black Belt Jones, EUA, 1974) – Nota 6,5
Direção – Robert Clouse
Elenco – Jim Kelly, Gloria Hendry, Scatman Crothers, Eric Laneuville, Alan Weeks, Malik Carter.

No Harlem, a Máfia tem interesse em adquirir um imóvel onde funciona a escola de karatê para negros de Pop Byrd (Scatman Crothers) e para isso utiliza a gangue de Pinky (Malik Carter) para forçar o sujeito a entregar o local. Eles terminam assassinando Pop. 

A filha de Pop, Sydney (Gloria Hendry), se une a Black Belt Jones (Jim Kelly), ex-aluno da escola e que também auxilia a polícia na investigação contra os mafiosos. Jones e Sydney são especialistas em karatê e buscarão vingança. 

Este longa pertence ao gênero conhecido como “Blackexploitation”, uma espécie de movimento nos anos setenta onde atores e diretores negros produziam longas policiais e de ação estrelados por eles mesmos, gerando obras interessantes como o clássico “Shaft” e o próprio “Jones, o Faixa Preta”. 

A ideia do longa provavelmente nasceu um ano antes, quando o diretor Robert Clouse ficou famoso com o sucesso de “Operação Dragão” estrelado por Bruce Lee e que tinha Jim Kelly como coadjuvante. Como Jim Kelly também era lutador, surgiu a oportunidade de explorar o gênero policial com lutas de karatê e ainda pitadas de comédia para lucrar com o público de “Operação Dragão”, além de inserir a bela Gloria Hendry como interesse romântico e parceira nas cenas de luta. 

O curioso é ver até o veterano ator negro Scatman Crothers tentando dar golpes de karatê numa das primeiras cenas do longa.

sábado, 28 de abril de 2018

Sunshine - Alerta Solar

Sunshine – Alerta Solar (Sunshine, Inglaterra / EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Danny Boyle
Elenco – Cillian Murphy, Chris Evans, Rose Byrne, Cliff Curtis, Michelle Yeoh, Hiroyuki Sanada, Benedict Wong, Troy Garity, Mark Strong.

Em 2057, o sol está morrendo e a Terra cada vez mais gelada. Uma missão foi enviada anteriormente e a nave desapareceu no espaço.

Uma segunda missão denominada “Icarus II” carrega uma bomba potente a ser despejada no sol, sendo a última chance de salvar o planeta. Com uma tripulação internacional de oito especialistas, a nave se aproxima de seu destino aparentemente de forma perfeita.

Quando uma surpreendente mensagem da Icarus I é recebida, fica a dúvida entre manter a rota ou desviar o caminho para tentar descobrir o que ocorreu com a missão anterior. 

O diretor inglês Danny Boyle consegue manter a atenção do espectador durante dois terços da história, que se não apresentam surpresas, pelo menos criam um certo suspense em relação ao encontro com a nave perdida. No terço final o roteiro desanda ao colocar em cena um novo personagem e transformar o filme numa espécie de terror B. 

O roteiro tenta explorar a questão filosófica do fascínio do ser humano pelo “Deus Sol”, mas erra feio na forma como o tema é abordado na narrativa. 

A escolha de utilizar a imagem desfocada nas sequências perto do final é de um virtuosismo desnecessário. 

Gosto dos filmes de Danny Boyle, mas infelizmente este deixa a desejar.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Matador em Conflito, O Anjo Assassino & Um Matador em Apuros



Matador em Conflito (Grosse Pointe Blank, EUA, 1997) – Nota 7,5
Direção – George Armitage
Elenco – John Cusack, Minnie Driver, Alan Arkin, Dan Aykroyd, Joan Cusack, Hank Azaria, K. Todd Freeman, Jeremy Piven, Mitchell Ryan, Barbara Harris, Michael Cudlitz.

Martin Blank (John Cusack) é um ex-agente da CIA que se tornou matador profissional. Para lidar com o stress do trabalho, Martin tem sessões com um psiquiatra (Alan Arkin) que o atende com medo de ser assassinado. Quando recebe a proposta para assassinar um sujeito em sua cidade natal chamada Grosse Pointe em Detroit, Martin aproveita para reencontrar a ex-namorada (Minnie Driver) numa reunião de ex-alunos que se formaram há dez anos. Além do serviço, ele terá ainda de enfrentar outro matador (Dan Aykroyd) que deseja fundar um sindicato de assassinos, além de uma dupla de agentes do FBI.

Esta divertida comédia acerta em cheio na dose do humor negro. Os absurdos do roteiro (assassino em crise, sindicato de matadores e muita violência) são retratados de forma engraçada, muito por causa dos ótimos diálogos e do carisma de John Cusack no papel principal. O título original também faz piada. É um trocadilho que misturando o nome da cidade e do protagonista se transforma em “Point Blank”, ou seja, em “À Queima Roupa”. 

É quase um clássico cult dos anos noventa.

O Anjo Assassino (Miami Blues, EUA, 1990) – Nota 6,5
Direção – George Armitage
Elenco – Fred Ward, Alec Baldwin, Jennifer Jason Leigh, Nora Dunn, Charles Napier, Obba Babatunde, Paul Gleason.

Fred (Alec Baldwin) é um ladrão e assassino que ao sair da prisão segue para Miami com o objetivo de continuar sua vida de crimes. Ele rouba o distintivo de um detetive (Fred Ward) que o persegue e utiliza o objeto para se passar por policial, enquanto procura sua ex-namorada que era prostituta (Jennifer Jason Leigh). 

Com cenas violentas e recheado de humor negro, este longa de baixo orçamento se tornou uma espécie de cult no início dos anos noventa. As interpretações bizarras de Alec Baldwin como o assassino psicopata e de Fred Ward como o policial se casam perfeitamente com as cenas de violência. O personagem de Alec Baldwin chega a perder um dedo e roubar a dentadura do policial de Fred Ward. 

É um filme indicado para quem curte obras que beiram o exagero.

Um Matador em Apuros (You Kill Me, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – John Dahl
Elenco – Ben Kingsley, Téa Leoni, Luke Wilson, Dennis Farina, Philip Baker Hall, Bill Pullman, Marcus Thomas.

Frank (Ben Kingsley) é um assassino alcoólatra que trabalha para mafiosos poloneses na cidade de Buffalo. Seu problema com a bebida está atrapalhando sua vida profissional, por isso seu chefe (Philip Baker Hall) o obriga a morar em San Francisco, arrumar um emprego e participar de reuniões do AA. Frank começa a trabalhar em uma funerária e logo se envolve com a bela Laurel (Téa Leoni), que aos poucos se torna a motivação dele mudar de vida. Ao mesmo tempo, seu chefe enfrenta uma guerra contra uma gangue de irlandeses. 

Temos aqui um boa premissa que não foi explorada em todo seu potencial. A história do matador em crise rende algumas boas sequências por causa da interpretação de Ben Kingsley, principalmente sua sinceridade nas reuniões do AA. Por outro lado, personagens como o do padrinho no AA vivido por Luke Wilson e do corretor mafioso de Bill Pullman são pouco explorados. 

É um daqueles filmes que você ri um pouco, mas esquece rapidamente.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

A Melhor Escolha

A Melhor Escolha (Last Flag Flying, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Richard Linklater
Elenco – Steve Carell, Bryan Cranston, Laurence Fishburne, Yul Vazquez, J. Quinton Johnson, Deanna Reed Foster, Cicely Tyson.

Estamos em 2003. Trinta anos após lutar na Guerra do Vietnã, Larry “Doc” Shepherd (Steve Carell) procura e encontra dois ex-companheiros de exército. O debochado Sal Nealon (Bryan Cranston) é dono de um bar. Richard Mueller (Laurence Fishburne) se tornou padre. 

Logo, Doc abre o jogo sobre o motivo de procurar os amigos tantos anos depois. Seu filho morreu na Guerra do Iraque e ele deseja que Sal e Mueller o acompanhem ao enterro do jovem. É o início de uma viagem ao passado. 

Richard Linklater tem um talento nato para escrever diálogos sobre os fatos da vida de uma forma simples e realista. Vários de seus filmes são verdadeiras sessões de terapia. Neste trabalho, Linklater consegue colocar em discussão vários temas sem tomar partido por lado algum, ou melhor, apenas a atitude dos governos em relação a guerra é criticada fortemente. 

Os personagens discutem sobre religião, sexo, relacionamentos, patriotismo e envelhecimento de uma forma que o espectador se identifique com muito do que é falado. Tudo isso ganha pontos pelo ótimo trio principal. 

Steve Carell é o contido protagonista, Bryan Cranston dá um show como o exagerado veterano que sonha em reviver a juventude e Laurence Fishburne encarna o sujeito que encontrou a paz na religião. 

Vale citar a emocionante sequência com a veteraníssima Cicely Tyson, ainda na ativa aos noventa e três anos de idade. 

É um filme sobre as emoções da vida indicado para quem gosta de diálogos bem escritos.    

quarta-feira, 25 de abril de 2018

The Field of Blood

The Field of Blood (The Field of Blood, Inglaterra, 2011 & 2013) – Nota 7,5
Direção – David Kane
Elenco – Jayd Johnson, David Morrissey, Jonas Armstrong, Peter Capaldi, Ford Kiernan, Bronagh Gallagher, Matt Costello.

Glasgow, Escócia, 1982. Paddy Meehan (Jayd Johnson) é uma jovem que trabalha na redação de um jornal local, porém é tratada pelos jornalistas como uma espécie de empregada. 

Sonhando em seguir a carreira de jornalista, Paddy entra em uma encruzilhada quando um garoto de dez anos que é filho de seu primo, termina preso acusado de assassinar outra criança. Paddy acredita que o garoto seja inocente e com a ajuda de outro jornalista (Jonas Armstrong), decide investigar o caso. 

Dois anos depois, em 1994, Paddy conseguiu se tornar jornalista, mas precisa enfrentar uma crise familiar com o desemprego de seu pai e o péssimo relacionamento com a mãe. Para piorar, o jornal em que ela trabalha foi vendido e uma nova diretora ameaça os jornalistas com demissões e os pressiona a escreverem matérias sensacionalistas. 

Esta série dividida em quatro episódios é baseado em livros de Denise Mina, roteirista e escritora de tramas policiais. O ponto principal é focar em como na época era extremamente difícil para uma mulher conseguir se impor em um ambiente hostil como o jornalismo, além de mostrar os profissionais da área como idealistas que se tornam cínicos após acompanharem tragédias e corrupção por anos a fio. 

O roteiro tenta detalhar as complexas relações entre jornalistas, policiais e pessoas que se tornavam alvos de reportagens, além de passar por outros temas como greves, desemprego e relações familiares.

 Os dois episódios da primeira temporada são melhores, com uma trama trágica, porém mais simples. A trama da segunda temporada é mais complicada e ainda entrega um final que deixa alguns ganchos, talvez pensando numa possível terceira temporada que não saiu do papel. 

É uma série para quem tem interesse em saber como funcionava os bastidores de um jornal impresso nos anos oitenta.

terça-feira, 24 de abril de 2018

O Mecanismo

O Mecanismo (Brasil, 2018)
Criador – José Padilha
Elenco – Selton Mello, Caroline Abras, Enrique Diaz, Jonathan Haagensen, Otto Jr, Lee Taylor, Antonio Saboia, Leonardo Medeiros, Giulio Lopes, Sura Berditchevsky, Arhur Kohl.

A Operação Lava Jato escancarou a verdadeira face do Brasil. O maior escândalo de corrupção da história deste país é detalhado com maestria nesta série criada por José Padilha. 

Com os nomes dos personagens alterados, mas facilmente identificados com as pessoas reais, o roteiro de Padilha mostra ponto a ponto como a operação desmantelou (e ainda está desmantelando) um esquema de corrupção bilionário que levou o país a uma crise econômica e criou um verdadeiro clima de guerra entre a população. 

Um dos grandes acertos de Padilha foi imprimir uma narrativa típica de filme policial, explorando a chamada “liberdade artística” para colocar como “heróis” dois policiais obcecados vividos pelo ótimo Selton Mello e pela surpreendente Caroline Abras. 

O personagem de Selton Mello é a alma da série. Sua narração em off descreve a desesperança de um policial que deseja combater a corrupção, mas que precisa enfrentar obstáculos até mesmo entre seus superiores. Sua descrição da corrupção no país como sendo um câncer é perfeita. Os braços da corrupção se estendem do mais alto posto do país, chegando até o funcionário da prefeitura que precisa tapar um buraco na rua. 

É uma série que chegou para registrar este momento histórico, que pode ser o início de um país melhor, mesmo que isso ainda demore muitos anos ou talvez algumas gerações. 

Agora é esperar pela segunda temporada.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Trailers ou Resumos de Filmes?

Quando comecei a frequentar cinema em meados dos anos oitenta, os trailers eram praticamente o único caminho para os cinéfilos descobrirem quais filmes chegariam ao país nas próximas semanas ou nos próximos meses. Não existiam revistas de cinema ou programas sobre o tema.

A situação mudou somente em 1987 quando a revista Set foi lançada, bem no meio da explosão do VHS, que por seu lado traziam diversos trailers de filmes novos e também antigos que por vários motivos nunca haviam chegado ao país de forma oficial. A revista e os trailers das fitas se tornaram uma nova fonte de informação para o cinéfilo.

Com o passar dos anos, os trailers foram sendo produzidos de uma forma muito mais elaborada, inclusive criando cenas promocionais que não estão no filme e vários outros tipos de jogadas de marketing para chamar a atenção do público. O problema é que muitos trailers se transformaram em resumos de filmes, o que me irrita profundamente.

Entendo que existe um público enorme que adora trailers. Os fãs das grandes franquias aguardam ansiosamente qualquer nova cena que é divulgada e parecem não se preocupar em saber a história inteira antes de assistir ao filme. Fui ao cinema neste final de semana e durante os trailers vi praticamente inteiro o filme brasileiro “Teu Mundo Não Cabe Nos Meus Olhos” em que Edson Celulari interpreta um deficiente visual. Qual a motivação para ver um filme após conferir um trailer que conta toda a história de forma linear? Na minha opinião é Zero.

Isso é muito semelhante ao que ocorre com as novelas. As pessoas compram revistas de fofoca e procuram em sites todas as informações do próximo capítulo. Eu pergunto, onde fica o fator surpresa? Por mais que eu veja uma quantidade grande de filmes e muitas vezes histórias semelhantes, o prazer está em se surpreender a cada cena ou pelo menos com o final, mesmo que ele não seja satisfatório.

Esta questão dos trailers contando um filme inteiro explica um pouco o desejo do grande público em ver continuações e remakes. Muitos preferem ver o que já conhecem do que experimentar o novo. Isso se aplica a diversas situações também na TV. Por isso que programas de auditório, novelas e debates de futebol continuam tendo audiência, apesar do formato jurássico de cada um deles.

domingo, 22 de abril de 2018

Vírus & Pontypool


Vírus (Carriers, EUA, 2009) – Nota 6
Direção – David & Alex Pastor
Elenco – Lou Taylor Pucci, Chris Pine, Piper Perabo, Emily VanCamp, Christopher Meloni, Kiernan Shipka, Mark Moses.

Um vírus desconhecido transmitido pelo sangue e pela saliva está dizimando a população. Os irmãos Danny (Lou Taylor Pucci) e Brian (Chris Pine) fogem de carro com Bobby (Piper Perabo) e Kate (Emily VanCamp) em direção a uma praia isolada onde eles passavam férias quando crianças. Na estrada, ao cruzar o caminho de um pai (Christopher Meloni) que tenta salvar a filha doente (Kiernan Shipka), a situação fica ainda mais complicada. 

O roteiro escrito pelos irmãos espanhóis David e Alex Pastor explora um fio de história. Tudo se resume a um road movie em que os protagonistas tentam chegar ao destino antes de serem contaminados. Conflitos, decisões erradas e tragédias são os ingredientes. A curta duração atrapalha um melhor desenvolvimento da trama e dos personagens, mesmo entendendo que as cenas de suspense são bem construídas. 

É basicamente um filme independente sobre o apocalipse que não consegue explorar todo o potencial da premissa.

Pontypool (Pontypool, Canadá, 2008) – Nota 5
Direção – Bruce McDonald
Elenco – Stephen McHattie, Lisa Houle, Georgina Reilly, Hrant Alianak.

Pontypool, Canadá. Grant Mazzy (Stephen McHattie) é um radialista cansado da rotina da pequena cidade que procura algo diferente para esquentar o programa. Quando um repórter entra ao vivo informando que algumas pessoas estão agindo de forma violenta, Mazzy vê a chance de mudar o patamar do programa, enquanto sua produtora (Lisa Houle) acredita que seja um caso isolado. Novos focos de violência estouram pela região e aos poucos radialista, produtora e assistente (Georgina Reilly) descobrem que estão sitiados na rádio. 

A premissa de explorar o apocalipse através de uma infecção desconhecida é um dos temas mais batidos dos últimos anos. Mesmo assim, um pouco de criatividade sempre pode render um bom filme. Nesta caso a história começa interessante, principalmente pelo carisma do protagonista vivido pelo estranho Stephen McHattie, porém aos poucos o filme vai perdendo força, mesmo com algumas cenas violentas. A explicação que surge para enfrentar a infecção é uma das mais idiotas da história do cinema. 

O resultado é uma perda de tempo para o espectador.

sábado, 21 de abril de 2018

Mar de Fogo

Mar de Fogo (Hidalgo, EUA / Marrocos, 2004) – Nota 7
Direção – Joe Johnston
Elenco – Viggo Mortensen, Omar Sharif, Zuleikha Robinson, Louise Lombard, Said Taghmaoui, Adam Alexi Malle, Silas Carson, J. K. Simmons, Peter Mensah, Floyd Red Crow Westerman.

Em 1890, Frank Hopkins (Viggo Mortensen) trabalha no famoso circo de Buffalo Bill Cody (J. K. Simmons). Frank é conhecido por ter vencido longas corridas no deserto com seu cavalo Hidalgo. Ele também sofre por não poder ajudar a tribo de índios a qual pertencia sua mãe. 

Sua fama e a de seu cavalo chamam a atenção de um sheik (Omar Sharif), que o convida para participar de uma corrida de cinco mil quilômetros pelo deserto do Saara. Em busca do dinheiro para ajudar a tribo, Frank aceita o desafio que pode inclusive lhe custar a vida. 

Baseado numa história real, este longa produzido pela Touchstone, o braço de filmes adultos da Disney, segue o estilo das aventuras dos anos oitenta, misturando ideias de “O Corcel Negro”, “A Joia do Nilo” e os filmes de Indiana Jones. 

O nível é um pouco inferior aos longas citados, principalmente por se alongar demais na história e pelos efeitos especiais ruins. As cenas da tempestade de areia e do ataque dos gafanhotos deixam a desejar. 

Vale destacar Viggo Mortensen à vontade como o protagonista aventureiro e o veterano Omar Sharif relembrando seus tempos de astro. 

O resultado é uma divertida sessão da tarde.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

O Zoológico de Varsóvia

O Zoológico de Varsóvia (The Zookeeper’s Wife, República Tcheca / Inglaterra / EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Niki Caro
Elenco – Jessica Chastain, Johan Heldenberg, Daniel Bruhl, Timothy Radford, Efrat Dor, Iddo Goldberg, Shira Haas, Michael McElhatton.

Varsóvia, Polônia, 1939. Jan (Johan Heldenberg) e Antonina Zabinska (Jessica Chastain) são os proprietários do zoológico local. Mesmo preocupados com a provável invasão do nazistas, eles decidem ficar na cidade. A invasão ocorre e os nazistas tomam conta do zoológico, utilizando o local como posto do exército. 

O zoólogo alemão Lutz Heck (Daniel Bruhl), que antes da guerra era amigo dos Zabinski, retorna para cidade como oficial nazista e leva a maioria dos animais para a Alemanha. Acuados e vendo seus amigos judeus sendo perseguidos, Jan e Antonina decidem utilizar o zoológico como refúgio para ajudá-los, mesmo colocando as próprias vidas em risco. 

Baseado em mais uma história real sobre resistência ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial, este longa tem como destaques a interpretação do trio principal e a própria inusitada história da utilização do zoológico como esconderijo. 

As sequências no gueto dos judeus de Varsóvia também são bem produzidas. Mesmo com algumas cenas emotivas, inclusive com os animais e outras de suspense, o filme não chega a empolgar como outras obras do gênero. 

É interessante citar a pequena participação de um famoso personagem histórico. Em algumas sequências no gueto o personagem de Jan encontra o Dr. Korczak, que dedicou sua vida a cuidar de órfãos e que morreu no campo de concentração de Treblinka. Para quem tiver interesse em saber mais sobre esta história, procure no Youtube o documentário “As 200 Crianças do Dr. Korczak”.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Supremacia

Supremacia (Supremacy, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Deon Taylor
Elenco – Joe Anderson, Danny Glover, Dawn Olivieri, Derek Luke, Evan Ross, Lela Rochon, Mahershala Ali, Julie Benz, Nick Chinlund, Robin Bobeau, Anson Mount.

Após cumprir uma pena de quinze anos, Garrett Tully (Joe Anderson) é libertado. Ele faz parte de uma irmandade racista que prega a supremacia branca. O líder do grupo enviou a viciada Doreen (Dawn Olivieri) para buscar Tully. 

No trajeto de volta para casa, o carro é parado por um policial negro (Mahershala Ali). Tully mata o policial e os dois fogem. Perseguidos pela polícia, Tully e Doreen invadem uma casa e tomam como refém uma família de negros. O dono da casa, Mr. Walker (Danny Glover), é também um ex-presidiário que tenta acalmar a situação. 

Baseado numa história real, este longa é um daqueles exemplos de como desperdiçar uma premissa forte. O filme não chega a ser ruim, mas peca em alguns aspectos. O elenco é fraco, apenas o veterano Danny Glover consegue entregar uma boa atuação. Algumas situações também parecem exageradas, como por exemplo a forma com que os policiais são avisados. 

O ponto positivo é o clima de desespero dentro da casa e as sequências em flashback que mostram um pouco de como pensam os dois bandidos. 

É um material que renderia um filme explosivo nas mãos de um cineasta mais talentoso e um elenco melhor.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

A Corte

A Corte (L’Hermine, França, 2015) – Nota 6,5
Direção – Christian Vincent
Elenco – Fabrice Luchini, Sidse Babett Knudsen, Eva Lallier, Victor Pontecorvo.

Michel Racine (Fabrice Luchini) é um juiz criminal visto como chato pelos colegas de trabalho. Tratado com respeito pela frente e desprezado pelas costas, Michel enfrenta ainda a separação da esposa e uma terrível gripe que o atinge no dia em que começa o complicado julgamento de um sujeito (Victor Pontecorvo) acusado de assassinar a filha que ainda era bebê. 

Durante a escolha dos jurados, Michel se surpreende ao sortear Ditte (Sidse Babbet Knudsen), uma bela mulher que ele demonstra conhecer de alguma forma. Aos poucos, o espectador descobre qual a relação entre Michel e Ditte, além de tentar entender se realmente o acusado cometeu o crime. 

No início do julgamento fica a impressão de que a história seguiria a linha clássica de filmes do gênero, como o sensacional “Doze Homens e uma Sentença”, porém logo a narrativa se divide entre as sequências no tribunal e a complexa relação entre juiz e jurada. 

Infelizmente o filme perde um pouco o foco quando descobrimos a ligação entre os protagonistas. A partir daí, a história não vai para lugar algum, terminando ainda de forma fria. 

É um filme que pode interessar apenas quem tiver a curiosidade de conhecer como funciona um julgamento criminal na França.