domingo, 21 de outubro de 2018

Sicário: Dia do Soldado

Sicário: Dia do Soldado (Sicario: Day of the Soldado, EUA / México, 2018) – Nota 7,5
Direção – Stefano Sollima
Elenco – Benicio Del Toro, Josh Brolin, Isabela Moner, Jeffrey Donovan, Catherine Keener, Manuel Garcia Rulfo, Matthew Modine, Shea Whigham, Elijah Rodriguez, Bruno Bichir.

Um atentado suicida em um supermercado no Kansas está ligado a entrada de terroristas no país com ajuda de um cartel de traficantes mexicanos. Como retaliação, o governo americano convoca o agente da CIA Matt Graver (Josh Brolin) para iniciar uma guerra entre cartéis. 

Graver, seu parceiro Alejandro (Benicio Del Toro) e uma equipe de mercenários sequestram a filha adolescente (Isabela Moner) do chefão de um cartel, criando uma narrativa como se o crime tivesse sido cometido por um cartel rival. A situação sai do controle e os agentes precisam resolver o assunto sem envolver o governo americano. 

Nesta sequência do longa de 2015, o roteiro deixa de lado as aparências e vai direto ao serviço sujo que os agentes clandestinos da CIA se prestam a fazer. Enfrentar a violência sem limite dos cartéis que dominam as cidades na fronteira entre México e Estados Unidos levam os agentes a agirem da mesma forma. Não existem leis ou regras neste conflito. 

O diretor italiano Stefano Sollima, do ótimo “Suburra”, acerta no ritmo da narrativa, na forma como explora as várias sequências no deserto e na violência que permeia toda a história. A cena final ainda deixa um pequeno gancho para quem sabe uma nova sequência.

sábado, 20 de outubro de 2018

Batalha Incerta

Batalha Incerta (In Dubious Battle, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – James Franco
Elenco – James Franco, Nat Wolff, Vincent D’Onofrio, Selena Gomez, Ahna O’Reilly, Analeigh Tipton, Robert Duvall, Ed Harris, John Savage, Sam Shepard, Josh Hutcherson, Jack Kehler, Scott Haze.

Em meados dos anos trinta, durante a chamada Depressão Americana, os ativistas Mac (James Franco) e Jim (Nat Wolff) se infiltram entre trabalhadores que colhem maçãs com objetivo de agitar uma greve. 

Os trabalhadores, incluindo crianças e idosos, são explorados pelo dono da fazenda (Robert Duvall) que oferece um dólar por dia, descontando ainda o valor de alimentação e moradia. Não demora para a greve explodir, criando um violento cabo de guerra entre empregados e os capangas do patrão. 

Baseado em um livro de John Steinbeck, que por sinal se inspirou nas disputas reais que ocorreram no país na época, este longa detalha como as lideranças dos dois lados dos conflitos defendiam seus interesses, enquantos os trabalhadores eram apenas massa de manobra. 

O ativista veterano e manipulador vivido por James Franco usa de todos os artifícios para colocar os trabalhadores ao seu lado, enquanto o novato interpretado por Nat Wolff aos poucos é dominado pelo “vírus” da ideologia acima das pessoas. É interessante que a forma como os trabalhadores são manipulados continua a mesma nos dias atuais. 

O filme não apresenta surpresas e ainda perde alguns pontos pela decisão do personagem de James Franco no final.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Jogada de Rei & Mentes Perigosas


Jogada de Rei (Life of a King, EUA, 2013) – Nota 7
Direção – Jake Goldberger
Elenco – Cuba Gooding Jr, Malcolm M. Mays, Richard T. Jones, LisaGay Hamilton, Paula Jai Parker, Dennis Haysbert, Derrick L. McMillon.

Após cumprir uma pena de dezessete anos, Eugene Brown (Cuba Gooding Jr) ganha a liberdade. Mesmo com dificuldade em conseguir emprego por ser um ex-detento, Eugene tem o objetivo de mudar de vida. Ao ser contratado como faxineiro de um colégio em um bairro pobre, ele termina se envolvendo com uma classe de alunos rebeldes. Através de aulas de xadrez, jogo que aprendeu com um colega de cadeia (Dennis Haysbert), Eugene decide criar um clube para ajudar os garotos a pensarem num futuro melhor.

Seguindo a linha de filmes sobre personagens que procuram redenção, este longa se baseia numa história real. O protagonista pode ser considerado uma exceção por conseguir refazer sua vida após ficar muitos anos preso. Ao invés do ódio contra o mundo, Eugene Brown cultivou a vontade de ajudar o próximo e de se reconciliar com a família.

O filme tem algumas sequências dramáticas que passam um pouco do ponto, mas que não atrapalham o resultado e nem a proposta de mostrar uma história de superação.

Mentes Perigosas (Dangerous Minds, EUA, 1995) – Nota 7
Direção – John N. Smith
Elenco – Michelle Pfeiffer, George Dzundza, Courtney B. Vance, Robin Bartlett, John Neville, Lorraine Toussaint, Renoly Santiago, Beatrice Winde, Wade Dominguez.

Após deixar as forças armadas, Louanne Johnson (Michelle Pfeiffer), inicia uma nova carreira como professora em uma escola pública em um bairro pobre de Los Angeles. A princípio ela tenta conseguir disciplina dos alunos utilizando os métodos que aprendeu no serviço militar, mas logo percebe que precisaria ser criativa para chamar a atenção daqueles jovens. Através de atividades incomuns como aulas de karatê e músicas como rap e hip hop, Louanne aos poucos tenta ajudar os alunos a encontrarem um caminho na vida. 

Baseado na história real de Louanne Johnson, que descreveu sua experiência em livro, este longa segue o caminho de obras que apresentam um professor como agente transformador na vida de jovens carentes. Apesar de lembrar longas como “O Preço do Desafio” e “Meu Mestre, Minha Vida”, aqui o diferencial está na marcante trilha sonora, que fez um enorme sucesso na época com a música “Gangsta's Paradise” do rapper Coolio. Vale citar ainda a força da interpretação de Michelle Pfeiffer, em seu maior sucesso como protagonista solo.  

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Um Laço de Amor

Um Laço de Amor (Gifted, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Marc Webb
Elenco – Chris Evans, McKenna Grace, Lindasy Duncan, Octavia Spencer, Jenny Slate, Glenn Plummer, John Finn, Elizabeth Marvel, John M. Jackson.

Após o suicídio da irmã, que era superdotada em matemática, Frank Adler (Chris Evans) criou sozinho a sobrinha Mary (McKenna Grace), que ainda era bebê. Aos sete anos de idade, Mary demonstra o mesmo talento da mãe para matemática. 

O fato desperta a atenção da avó Evelyn (Lindsay Duncan), que vê na neta a chance da família alcançar a fama que sua filha não conseguiu. É o início de uma batalha judicial pela guarda da menina. 

O roteiro é esquemático, mesmo com um pequena surpresa no final, o desenrolar da trama segue o estilo comum a este tipo de drama. O que eleva a qualidade é colocar em pauta a discussão sobre até que ponto vale a pena pressionar crianças a se dedicaram totalmente aos estudos, deixando a infância de lado. É uma tema extremamente atual. 

Todos conhecem pelo menos algum casal, pai ou mãe que paga uma fortuna em colégio particular e monta uma agenda de tarefas, cursos e estudos para seus filhos preencherem a semana, como se isso fosse garantia de sucesso na vida, esquecendo que a felicidade também está nas coisas pequenas e nas brincadeiras. 

É um filme que emociona em alguns momentos, mas que principalmente faz pensar sobre como criar uma criança.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Marshall: Igualdade e Justiça

Marshall: Igualdade e Justiça (Marshall, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Reginald Hudlin
Elenco – Chadwick Boseman, Josh Gad, Kate Hudson, Sterling K. Brown, Dan Stevens, James Cromwell, Keesha Sharp, Roger Guenveur Smith, John Magaro, Ahna O’Reilly, Derrick Baskin, Barrett Doss.

Bridgeport, Connecticut, 1940. O motorista negro Joseph Spell (Sterling K. Brown) é acusado de estuprar e tentar matar a esposa de seu patrão, a bela Eleanor Strubing (Kate Hudson). 

Para defendê-lo, a associação dos direitos dos negros envia o advogado Thurgood Marshall (Chadwick Boseman), que por ser de outra cidade, é autorizado apenas a ser assistente de outro advogado, o judeu Sam Friedman (Josh Gad), que a princípio não quer aceitar o caso, mas aos poucos se envolve totalmente na defesa de Spell. 

Baseado numa história real, este longa foca no processo que fez o advogado Thurgood Marshall ficar famoso. Nos anos sessenta, Marshall se tornaria o primeiro juiz negro da Suprema Corte Americana. O ponto principal do roteiro é o racismo que na época dividia o país, anos antes de entrar em vigor os chamados Direitos Civis. 

Apesar de alguns momentos mais tensos e de discussões fortes sobre preconceito, o filme é didático. Mesmo para quem não conhece a história, não é difícil entender o que realmente ocorreu na noite do crime, fato que vem à tona na parte final do julgamento.

É um filme competente, porém longe de ser marcante.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Covil de Ladrões

Covil de Ladrões (Den of Thieves, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Christian Gudegast
Elenco – Gerard Butler, Pablo Schreiber, O’Shea Jackson Jr., Curtis “50 Cent” Jackson, Meadow Williams, Maurice Compte, Brian Van Holt, Evan Jones, Mo McRae, Kaiwi Lyman, Dawn Olivieri, Eric Braeden, Jordan Bridges, Cooper Andrews, Oleg Taktarov.

Big Nick O’Brien (Gerard Butler) é o policial responsável pela equipe de “Grandes Crimes” da polícia de Los Angeles. Ray Merrimen (Pablo Schreiber) é o líder de uma quadrilha especializada em assaltar bancos. 

Entre os dois está o motorista de fuga Donnie (O’Shea Jackson Jr.), que trabalha para Merrimen e está sendo pressionado por Big Nick para entregar qual seria o alvo do próximo assalto do bando. Enquanto Big Nick tenta descobrir o alvo, Merrimen prepara sua equipe para um ousado assalto ao banco da Reserva Federal. 

O clássico jogo de gato e rato entre policiais e bandidos é o ponto principal deste competente longa. Mesmo em lados opostos da lei, o modus operandi dos dois grupos é semelhante. Os policiais seguem suas próprias regras, não muito diferente dos bandidos. 

As sequências de suspense e ação são muito bem filmadas, repletas de tensão e violência, como manda o manual dos bons filmes policiais. O roteiro amarra bem a história e ainda guarda uma surpreendente reviravolta para o final. 

É uma ótima opção para quem gosta do gênero. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Depois Daquela Montanha

Depois Daquela Montanha (The Mountain Between Us, EUA, 2017) – Nota 6
Direção – Hany Abu Assad
Elenco – Idris Elba, Kate Winslet, Beau Bridges, Dermot Mulroney.

Alguns dias antes do ano novo. A jornalista Alex Martin (Kate Winslet) e o cirurgião Ben Bass (Idris Elba) ficam presos no aeroporto de Idaho por causa do mal tempo. Ela tem seu casamento marcado para o dia seguinte, enquanto ele precisa operar um garoto. 

A pressa faz com que a dupla alugue um monomotor pilotado por um veterano (Beau Bridges) que costuma levar seu cão nas viagens. Durante o voo sobre as montanhas, o sujeito tem um ataque e perde o controle do avião. Ele morre, enquanto Alex e Ben sobrevivem junto com  cachorro. É o início de uma luta pela sobrevivência. 

Baseado em um best seller, este longa sofre com o problema comum a muitas adaptações deste tipo de livro: exagerar na dose de melodrama ou romance para fisgar um determinado público. O ponto principal da luta do casal para se manter vivo, se alimentar e por final atravessar as montanhas geladas a pé tem um pouco de exagero, porém suportável, inclusive pela simpática presença do cachorro. 

Quando o romance se torna o ponto principal, o filme desanda. As pequenas discussões sobre relacionamento que ocorrem na primeira metade são um prévia para o romance “proibido” que leva o casal às lágrimas no final. É um daqueles filmes que parecem perfeitos, onde tudo se encaixa, mas que num olhar mais crítico se mostra vazio e esquemático.

domingo, 14 de outubro de 2018

Radius

Radius (Radius, Canadá, 2017) – Nota 7
Direção – Caroline Labreche & Steeve Leonard
Elenco – Diego Klatenhoff, Charlotte Sullivan, Brett Donahue.

Um sujeito (Diego Klatenhoff) acorda na beira de uma estrada sem lembrar o próprio nome. Ao mexer em seus documentos, ele descobre se chamar Liam e percebe que sofreu um acidente de automóvel. 

Ao voltar para o endereço que consta em seus documentos em busca de pistas, Liam encontra uma garota (Charlotte Sullivan) que também sofre de amnésia. 

Para deixar a situação ainda mais estranha, cada vez que Liam se afasta da garota e chega perto de outra pessoa, esta morre de forma instantânea. Os dois desconhecidos precisam descobrir o que aconteceu e o que fazer para resolver a situação. 

Esta produção canadense de baixo orçamento começa deixando a impressão de que seria mais um filme sobre apocalipse, porém o desenrolar da trama segue o caminho de uma ficção em que as respostas estão nos próprios protagonistas. 

O desespero do protagonista ao descobrir que se tornou uma ‘arma de matar” resulta em algumas boas cenas de suspense. O criativo roteiro leva ainda a história a uma sinistra reviravolta no final. 

É uma boa surpresa para quem gosta de ficção B. 

sábado, 13 de outubro de 2018

Os Fugitivos

Os Fugitivos (Lonely Hearts, Alemanha / EUA, 2006) – Nota 6,5
Direção – Todd Robinson
Elenco – John Travolta, James Gandolfini, Jared Leto, Salma Hayek, Scott Caan, Laura Dern, John Doman, Michael Gaston, Dan Byrd, Alice Krige, Dagmara Dominczyk.

Final dos anos quarenta. Ray Martin (Jared Leto) e Martha Beck (Salma Hayek) são golpistas que se apaixonam e passam a atuar juntos. 

Utilizando anúncios de mulheres solitárias em revistas, eles conseguem se aproximar das vítimas para tomar suas economias antes de matá-las. 

Os detetives Elmer Robinson (John Travolta), que sofre pelo suicídio da esposa e Charles Hilderbrandt (James Gandolfini) seguem as pistas deixadas pelo casal de assassinos. 

Baseado numa história real, este longa tem erros e acertos. Os pontos positivos estão na ótima reconstituição de época e nas sinistras interpretações de Jared Leto e Salma Hayek. O casal está assustador, alternando momentos de paixão e loucura. 

Por outro lado, a narrativa irregular deixa a desejar. O ritmo pausado passa a impressão de que a história nunca vai engatar. Praticamente não temos cenas de ação e nem de suspense. As de violência são rápidas e bizarras. 

É um filme que detalha uma história forte, mas que poderia ser desenvolvido de uma forma bem melhor.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Um Dia Para Viver

Um Dia Para Viver (24 Hours to Live, África do Sul / China / EUA, 2017) – Nota 6
Direção – Brian Smrz
Elenco – Ethan Hawke, Qing Xu, Paul Anderson, Rutger Hauer, Liam Cunningham, Tyrone Keone, Nathalie Bolt.

Travis Conrad (Ethan Hawke) é um assassino profissional que vive com o sogro (Rutger Hauer) e passa os dias enchendo a cara para esquecer a trágica morte da esposa e do filho. 

O antigo empregador oferece uma fortuna para Travis cumprir uma última missão. Eliminar um sujeito que está sob proteção da Interpol. O inevitável confronto com os policiais, principalmente com uma agente chinesa (Qinq Xu), termina com uma surpresa desagradável para Travis. A partir deste ponto, o roteiro apela para o exagero incluindo uma solução absurda com cara de ficção B. 

O diretor Brian Smrz é especialista em cenas de ação, sua escolha para a direção geral aqui deixa claro que o objetivo dos produtores era um filme com foco total na ação e para ser lançado direto no mercado de vídeo. 

O filme funciona nas cenas de ação e prende a atenção do espectador que deixar de lado qualquer tentativa de encontrar realidade na trama, além de não se importar com os clichês. A sequência final dentro da sede da empresa é totalmente inspirada nos filmes do gênero produzidos nos anos oitenta. 

É basicamente um filme de ação absurdo.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Desconhecida

Desconhecida (Complete Unknown, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Joshua Marston
Elenco – Rachel Weisz, Michael Shannon, Michael Chernus, Azita Ghanizada, Omar Metwally, Kathy Bates, Danny Glover, Frank de Julio, Condola Rashad, Chris Lowell.

Tom (Michael Shannon) precisa decidir entre participar de um projeto em seu trabalho ou uma mudança de cidade com a esposa Ramina (Azita Ghanizada) que iniciará um negócio. 

No dia de seu aniversário, Tom se surpreende ao ver seu parceiro de trabalho Clyde (Michael Chernus) chegar para a festa acompanhado da bela Alice (Rachel Weisz), que diz ser a pesquisadora que estará ajudando a dupla no projeto. Fica claro que Tom conhece Alice de algum lugar. Aos poucos, o espectador descobrirá qual a ligação entre eles. 

Os primeiros quarenta minutos do filme são instigantes ao explorar o incômodo enfrentado pelo personagem de Michael Shannon e suas reações perante ao inesperado problema. Conforme as perguntas vão sendo respondidas, a narrativa segue para um drama sobre relacionamentos, incluindo alguns diálogos filosofais sobre decisões de vida. 

Algumas situações do roteiro são um pouco exageradas, principalmente a forma de vida da personagem de Rachel Weisz, que fica sem explicação de como ela conseguiu fazer tantas coisas diferentes. A sequência na residência do casal de idosos vividos por Danny Glover e Kathy Bates é outra situação um pouco estranha. 

Apesar da crítica ter detonado o filme, considero uma obra mediana, com algumas ideias criativas e outras nem tanto.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Small Town Crime

Small Town Crime (Small Town Crime, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Eshom & Ian Nelms
Elenco – John Hawkes, Anthony Anderson, Octavia Spencer, Robert Forster, Cliffton Collins Jr, Michael Vartan, Jeremy Ratchford, James Lafferty, Don Harvey, Daniel Sunjata, Stephanie Scott, Caity Lotz, Dale Dickey.

Mike Kendall (John Hawkes) é um ex-policial alcoólatra que ainda sonha em voltar ao antigo posto. 

Ao encontrar uma garota atropelada na beira da estrada e levá-la para o hospital, Mike decide investigar o caso, mesmo sendo avisado por seus antigos colegas de polícia para se afastar. 

Se passando por detetive particular, Mike se aproxima de familiares da garota e descobre que ela estava envolvida em uma perigosa rede de prostituição. 

Este despretensioso longa policial explora elementos comuns aos filmes do gênero dos anos setenta, atualizando a roupagem. O protagonista é o anti-herói alcoólatra que carrega culpa por um enorme erro do passado e que tenta se redimir, mesmo que muitas vezes tomando decisões erradas que afetam as pessoas ao redor, como por exemplo seu cunhado vivido por Anthony Anderson. 

O sempre coadjuvante John Hawkes tem aqui um raro papel de protagonista e acaba se saindo muito bem. A escolha de entregar uma narrativa cínica em vários momentos também é outro ponto que lembra os policiais dos anos setenta. As cenas de violência com perseguições e tiroteios são bem filmadas e sem exageros. 

Considero o filme uma agradável surpresa, indicada para quem curte o gênero.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Soundtrack

Soundtrack (Soundtrack, Brasil, 2017) – Nota 7
Direção – Bernardo Dutra & Manitou Felipe
Elenco – Selton Mello, Ralph Ineson, Seu Jorge, Thomas Chaanhing, Lukas Loughran.

Cris (Selton Mello) é um artista que trabalha em um projeto que mistura música e fotografia. Ele consegue permissão para viajar para uma estação de pesquisa na gelada Islândia. 

Ao chegar na isolada região, Cris é recebido por quatro cientistas que trabalham em projetos individuais e que a princípio olham com desprezo para seu trabalho. 

O inglês Mark (Ralph Ineson) se torna uma espécie de padrinho que tenta explicar como funcionam as coisas no local. Além do difícil relacionamento com pessoas muito diferentes, Cris precisa enfrentar ainda seus problemas emocionais. 

Não é um filme simples para qualquer público, mas também a trama está longe de ser complexa. O diferencial está na narrativa que foca principalmente no desenvolvimento dos personagens excêntricos que desenvolvem trabalhos extremamente específicos, além de inserir pitadas de filosofia através de diálogos que tentam dar alguma profundidade ao porquê de alguém passar meses em uma região inóspita por causa de um projeto. 

O grande destaque é a parte técnica. Em momento algum é possível perceber que todas as cenas foram filmadas em um estúdio no Rio de Janeiro. De forma perfeita, o espectador se vê em meio ao gelo, a neve e ao frio. 

É um filme que vale a pena ser visto por quem gosta de obras que fogem do lugar comum.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Golden Exits

Golden Exits (Golden Exits, EUA, 2017) – Nota 6
Direção – Alex Ross Perry
Elenco – Emily Browning, Adam Horovitz, Mary Louise Parker, Lily Rabe, Jason Schwartzman, Chloe Sevigny, Analeigh Tipton, Craig Butta.

A jovem australiana Naomi (Emily Browning) consegue um emprego temporário em Nova York antes de voltar para casa. Ela começa a trabalhar como assistente de Nick (Adam Horovitz), que é um espécie de arquivista que está catalogando uma série de documentos deixados pelo sogro. 

Ao mesmo tempo, Naomi reencontra Buddy (Jason Schwartzman), que é um parente distante que ela conviveu quando tinha cinco anos de idade. A rápida passagem da garota pela vida dos sujeitos abala seus relacionamentos com as esposas (respectivamente Chloe Sevigny e Analeigh Tipton) e no caso de Nick, também com sua cunhada arrogante (Mary Louise Parker). 

O roteiro escrito pelo diretor Alex Ross Perry foca nas dificuldades dos relacionamentos atuais e nas consequentes frustrações dos envolvidos. Quando algo novo entra nas vidas destas pessoas, no caso do filme sendo a jovem australiana, as pessoas reagem de forma egoísta. Enquanto os homens são atraídos pela beleza da garota, as esposas se sentem ameaçadas ou com inveja da juventude da aparente rival.

É uma pena que está ciranda de emoções seja explorada através de uma narrativa fria e de um roteiro que parece não chegar a lugar algum. 

domingo, 7 de outubro de 2018

O Que Fazer? & Volta Por Cima


O Que Fazer? (The Angriest Man in Brooklyn, EUA, 2014) – Nota 6
Direção – Phil Alden Robinson
Elenco – Robin Williams, Mila Kunis, Peter Dinklage, Melissa Leo, Hamish Linklater, Sutton Foster, James Earl Jones, Richard Kind, Jerry Adler, Bob Dishy, Lee Garlington.

Henry Altman (Robin Williams) é um sujeito extremamente estressado que passa por uma crise familiar. A jovem médica Sharon Gill (Mila Kunis) também não suporta mais a pressão em seu trabalho. Uma simples consulta se transforma numa enorme discussão após Sharon informar que Henry tem um aneurisma cerebral.

Durante o bate boca, Sharon diz para Henry que ele tem apenas noventa minutos de vida. O insano sujeito sai do hospital com o objetivo de resolver as pendências familiares antes de morrer.

A bizarra história funciona durante dois terços do filme, enquanto o protagonista tenta se reconciliar com esposa (Melissa Leo), filho (Hamish Linklater) e tenta encontrar alguns amigos pela última vez. Em paralelo, a médica roda pela cidade procurando o paciente para tentar consertar seu erro.

A narrativa explora bem o lado maluco do protagonista em situações que variam entre engraçadas e patéticas. Infelizmente a parte final apela para o exagero na cena da ponte e segue para o melodrama na sequência final.

Este filme foi lançado praticamente na mesma época do suicídio de Robin Williams, que aqui interpreta um personagem totalmente perturbado, provavelmente com semelhanças com sua vida real.

Volta Por Cima (Living Out Loud, EUA, 1998) – Nota 6,5
Direção – Richard LaGravenese
Elenco – Holly Hunter, Danny DeVito, Queen Latifah, Martin Donovan, Elias Koteas, Richard Schiff, Eddie Cibrian.

Após dezesseis anos de casamento, a enfermeira Judith (Holly Hunter) é trocada pelo marido (Martin Donovan) por uma jovem médica. Antes de casar, Judith abandonou a universidade de medicina para apoiar o então noivo. 

Desiludida com a vida, Judith tenta se reerguer com ajuda de uma nova amiga, a cantora Liz (Queen Latifah). Aos poucos, Judith começa a mudar suas atitudes e de forma inesperada se sente atraída por Pat (Danny DeVito), que é o ascensorista do prédio de luxo onde ela mora. Pat também enfrenta diversos problemas. 

O ponto principal deste melancólico drama é o inusitado relacionamento entre personagens tão diferentes em vários aspectos que terminam descobrindo algo em comum. Holly Hunter e Danny DeVito defendem bem seus papéis, porém a história não chega a decolar. A narrativa fria acaba fazendo o espectador não se envolver com a trama. É um filme mediano e esquecível.

sábado, 6 de outubro de 2018

Ventos da Liberdade

Ventos da Liberdade (The Wind That Shakes the Barley, Irlanda / Inglaterra / Alemanha / Itália / França / Bélgica / Suíça / Holanda, 2006) – Nota 7,5
Direção – Ken Loach
Elenco – Cillian Murphy, Padraic Delaney, Liam Cunningham, Orla Fitzgerald.

Interior da Irlanda, 1920. Um grupo de irlandeses defensores da separação do país em relação a Inglaterra luta contra soldados ingleses que patrulham a região e humilham os moradores locais. 

Enquanto estes jovens morrem e também matam em busca da independência, os líderes do IRA (Exército Republicano Irlandês) negociam um acordo com o governo inglês. 

Por mais que o diretor inglês Ken Loach flerte com o socialismo em seus filmes, não se pode deixar de elogiar seu talento para contar histórias fortes sobre temas universais. 

A proposta aqui é mostrar como o que seria o final da guerra entre irlandeses e ingleses se tornou um conflito ainda maior quando o acordo assinado desagradou metade dos irlandeses, dando início a uma disputa entre separatistas e unionistas. 

É interessante citar que Loach mostra aqui os excessos e absurdos dos dois lados do conflito. O ódio dos ingleses que consideravam os irlandeses inferiores e também a forma como os separatistas respondiam com violência e até mesmo assassinavam amigos que de alguma forma fossem considerados traidores. 

É um filme forte sobre como o ódio transforma o ser humano em um animal irracional.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Bordertown

Bordertown (Sorjonen, Finlândia / França, 2016)
Direção – Jyri Kahonen, Miikko Oikkonen & Juuso Syrja
Elenco – Ville Virtanen, Matleena Kuusniemi, Anu Sinisalo, Lenita Susi, Kristiina Halttu, Olivia Ainali, Ilkka Villi, Janne Virtanen.

Kari Sorjonen (Ville Virtanen) é um policial finlandês que troca o trabalho na capital Helsinque para a pequena Lappeenranta que fica na divisa com a Rússia. 

Sorjonen deseja ter mais tempo para ficar com a esposa Pauliina (Matleena Kuusniemi) que se recupera de um tumor no cérebro e dar mais atenção para sua jovem filha Janina (Olivia Ainali). 

Não demora para ele perceber que encontrará os mesmos problemas da cidade grande. Assassinatos em série, tráfico de mulheres, prostituição e corrupção são os desafios a serem enfrentados. 

A série recicla os clichês do gênero de forma interessante. O protagonista é um policial especialista em resolver enigmas e totalmente incapaz de se relacionar socialmente, em certos momentos deixando a impressão de ter algum grau de autismo. O personagem funciona por causa da ótima interpretação de Ville Virtanen, por sinal o melhor do elenco. 

Outro ponto em que os roteiristas tentaram fugir do lugar comum foi a questão de criar pequenas histórias. Apesar dos problemas pessoais dos personagens se desenvolverem durante os onze episódios, as tramas policiais são fechadas em dois ou três. Esta escolha deixa a série mais dinâmica, não dando tempo para episódios aleatórios. 

A série tem falhas, principalmente nas fracas cenas de ação e também na solução de algumas tramas que parecem um pouco apressadas. Mesmo assim é uma série bem interessante para quem curte o gênero. Ela está na Netflix e a segunda temporada será lançada agora em outubro.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Em Busca da Justiça

Em Busca da Justiça (Jane Got a Gun, EUA, 2015) – Nota 6
Direção – Gavin O’Connor
Elenco – Natalie Portman, Joel Edgerton, Ewan McGregor, Noah Emmerich, Boyd Holbrook, Rodrigo Santoro.

Após tomar vários tiros nas costas e matar quatro bandidos que eram seus antigos parceiros de crime, Bill (Noah Emmerich) ainda consegue voltar para seu rancho. 

Sua esposa Jane (Natalie Portman) tenta cuidar do marido ferido, mas sabe que precisará de ajuda quando o resto do bando chegar no rancho em busca de Bill. 

Ela procura seu ex-noivo Dan Frost (Joel Edgerton), que a princípio não aceita ajudá-la, mas que logo é vencido pelo sentimento do passado. Juntos, eles precisam enfrentar o bando de Bishop (Ewan McGregor). 

Este western deixa a desejar em vários aspectos. Por mais que Natalie Portman seja ótima atriz, fica difícil vê-la como rancheira que utiliza uma espingarda para se defender. A narrativa é extremamente irregular nos arrastados flashbacks que explicam porque Dan e Jane se separaram. 

E na minha opinião o maior erro está em filmar o tiroteio do clímax durante a noite, com cenas muitas escuras que fogem completamente do que um western pede. Tiroteios em clássicos do gênero foram filmados durante o dia e quase sempre com o sol a pino. Gosto de westerns, mas este fica abaixo do esperado. 

O diretor Gavin O’Connor já entregou filmes bem melhores como “Guerreiro” e “O Contador”.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Te Peguei!

Te Peguei! (Tag, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Jeff Tomsic
Elenco – Ed Helms, Jon Hamm, Jeremy Renner, Jake Johnson, Isla Fisher, Annabelle Wallis, Hannibal Buress, Steve Berg, Leslie Bibb, Rashida Jones.

Quatro amigos de meia-idade (Ed Helms, Jon Hamm, Jake Johnson e Hannibal Buress) cultivam uma brincadeira infantil que os mantém em contato desde a infância. 

A brincadeira chamada “Tag” consiste em “marcar” o amigo com um tapa e este sendo obrigado a marcar outro amigo, passando adiante a responsabilidade. 

Quando eles descobrem que um quinto amigo que nunca foi marcado (Jeremy Renner) está para casar, o grupo atravessa o país para conseguir o feito que perseguem desde que eram crianças. 

Por incrível que pareça, este longa é inspirado numa história real que ficou conhecida por uma reportagem do New York Times. Na vida real, um grupo maior de amigos faz esta brincadeira há mais de vinte e cinco anos, com os participantes chegando a viajar e se disfarçar para marcar algum colega. 

O filme mudou um pouco o foco criando o personagem invencível de Jeremy Renner, quase um ninja que consegue escapar dos amigos sempre de alguma forma bizarra.

Algumas sequências de humor físico são engraçadas, assim como é marcante a esposa maluca de Ed Helms vivida por Isla Fischer, mas no geral é uma comédia ao estilo sessão da tarde apenas razoável. 

terça-feira, 2 de outubro de 2018

O Conto

O Conto (The Tale, EUA / Alemanha, 2018) – Nota 7,5
Direção – Jennifer Fox
Elenco – Laura Dern, Elizabeth Debicki, Jason Ritter, Ellen Burstyn, Isabelle Nélisse, Frances Conroy, John Heard, Common.

Com mais de quarenta anos de idade, a documentarista Jennifer (Laura Dern) recebe uma ligação de sua mãe Nettie (Ellen Burstyn) dizendo que encontrou uma carta escrita por ela quando tinha apenas treze anos. 

Ao ler a carta escrita por si mesma há mais de trinta anos, Jennifer reaviva memórias de um verão em que passou vários dias na fazenda de Mrs. G (Elizabeth Debicki), onde teve aulas de equitação com o hoje famoso treinador Bill (Jason Ritter). Aos poucos, Jennifer percebe que suas lembranças não batem com a realidade e que ela pode ter sido vítima de abuso na época. 

A documentarista Jennifer Fox levou às telas sua própria história de vida na pré-adolescência que ficou enterrada no fundo da memória por décadas. Ela consegue mostrar sensibilidade para expor seus traumas, ao mesmo tempo em que cria cenas de uma crueldade disfarçada de carinho que somente a mente perversa de um ser humano doente é capaz de praticar. 

A interpretação da garota Isabelle Nélisse como a Jennifer pré-adolescente é tão forte e marcante quanto a da Laura Dern na vida adulta. Enquanto a primeira tenta mostrar maturidade para enfrentar uma terrível situação, a segunda sofre com a insegurança que é consequência de suas lembranças reprimidas. 

É um filme bom e corajoso, que incomoda e até revolta o espectador em algumas sequências.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Northfork

Northfork (Northfork, EUA, 2003) – Nota 6,5
Direção – Michael Polish
Elenco – James Woods, Nick Nolte, Duel Farnes, Daryl Hannah, Mark Polish, Graham Beckel, Peter Coyote, Jon Gries, Rick Overton, Ben Foster, Anthony Edwards, Robin Sachs, Marshall Bell, Kyle MacLachlan, Michelle Hicks, Claire Forlani, Clark Gregg.

Northfork, Montana, 1955. A pequena e isolada cidade está prestes a ser inundada em consequência da construção de uma barragem. 

Uma equipe de agentes contratados pela construtora trabalham para convencer os moradores a deixarem suas casas. Estes agentes precisam atingir uma meta para receberem como prêmio um lote de terras. 

Em paralelo, um padre (Nick Nolte) que administra o orfanato local, recebe de volta um garoto (Duel Farnes) que está doente e que foi renegado por seus pais adotivos. Uma terceira trama foca no sonhos do garoto doente, que imagina ser uma criança especial que é esperada por um estranho grupo de pessoas. 

O roteiro escrito pelos irmãos gêmeos Michael e Mark Polish lembra um pouco o estilo maluco de David Lynch. Muitas situações são estranhas, principalmente as sequências dos sonhos e a da casa que lembra a Arca de Noé, enquanto outras não tem uma explicação, ficando a cargo do espectador refletir sobre o que acabou de ver. 

Em momento algum vemos o sol, a fotografia explora o tempo nublado quase sem vida, semelhante a cidade que está prestes a morrer. 

O filme foi premiado no festival de Sundance na época, porém a carreira dos irmãos Polish jamais decolou. Eles continuam produzindo longas até hoje sem grande sucesso.

domingo, 30 de setembro de 2018

A Morte Te Dá Parabéns!

A Morte Te Dá Parabéns! (Happy Death Day, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Christopher Landon
Elenco – Jessica Rothe, Israel Broussard, Ruby Modine, Charles Aitken, Laura Clifton, Phi Vu.

No dia de seu aniversário, a arrogante universitária Tree (Jessica Rothe) acorda no quarto do estudante Carter (Israel Broussard) após uma noite de bebedeira. Ela ignora o rapaz e segue sua vida, sem saber que será assassinada no final do dia. 

Para seu desespero, no dia seguinte ela acorda no mesmo quarto de Carter e reinicia o mesmo dia, até ser assassinada a noite. Enquanto o fatídico dia se repete, Tree tenta descobrir uma forma de mudar seu destino e descobrir quem é seu assassino. 

Este divertido longa de suspense mistura as premissas do clássico cult “Feitiço do Tempo” com a franquia “Pânico” de Wes Craven, inclusive inserindo pitadas de comédia na narrativa.

 A protagonista passa por algumas fases. Começa com o desespero de perceber que o dia está se repetindo, na sequência ela cria formas para tentar não ser assassinada, depois se conforma com seu destino, até descobrir uma forma que pode acabar com o pesadelo. 

A história inusitada e o razoável sucesso devem render uma sequência programada para 2019.

sábado, 29 de setembro de 2018

O Invisível

O Invisível (The Invisible, EUA / Canadá, 2007) – Nota 6,5
Direção – David S. Goyer
Elenco – Justin Chatwin, Margarita Levieva, Marcia Gay Harden, Chris Marquette, Alex O’Loughlin, Callum Keith Rennie, Michelle Harrison.

Nick (Justin Chatwin) é um estudante que está prestes a ir para a universidade. Annie (Margarita Levieva) é seu oposto. Garota rebelde de uma família desajustada que está envolvida em pequenos crimes. 

Uma sucessão de mentiras e ameaças resulta em Nick sendo espancado e seu corpo jogado no bosque. Enquanto a polícia o procura, algo como o “espírito” de Nick vaga entre em os vivos sem ser notado e tentando fazer com que encontrem seu corpo. 

O filme tem alguns pontos positivos, como a história que mistura policial, drama e ficção, além da dúvida que paira em boa parte da trama se o personagem de Nick está mesmo morto.

A narrativa segue razoavelmente por dois terços do filme, até que os furos no roteiro ficam mais evidentes chegando até um final que deixa a desejar.

É um filme com cara de produção para tv, que prende a atenção, mas está longe de ser marcante.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Círculo de Fogo

Círculo de Fogo (Enemy at the Gates, Inglaterra / Alemanha / Rússia, 2001) – Nota 7,5
Direção – Jean Jacques Annaud
Elenco – Jude Law, Joseph Fiennes, Rachel Weisz, Ed Harris, Bob Hoskins, Ron Perlman, Eva Mattes, Gabriel Thomson, Matthias Habbich, Sophie Ross, Ivan Shvedoff.

Stalingrado, 1942. A cidade está cercada pelos nazistas e o exército soviético tenta a todo custo impedir a entrada dos inimigos.

Durante uma batalha, o soldado Vassili Zaitsev (Jude Law) demonstra uma incrível habilidade como atirador, chamando a atenção do oficial Danilov (Joseph Fiennes), responsável por um jornal do governo. 

Danilov vê em Vassili a chance de criar um herói e assim motivar suas tropas. As várias mortes creditadas a Vassili chamam a atenção dos nazistas, que enviam seu melhor atirador para tentar matar o inimigo. É o início de um jogo de gato e rato entre o major alemão Konig (Ed Harris) e o atirador soviético. 

Inspirado numa história real, este longa do diretor francês Jean Jacques Annaud (“O Nome da Rosa” e “Sete Anos no Tibet”) tem vários destaques. O embate entre os atiradores em meio aos destroços da cidade é extremamente criativo, com muito suspense e violência. 

A reconstituição dos cenários de guerra é assustadora. A cidade destruída, os soldados se movendo em meio a lama e a ótima sequência de ação inicial dentro dos barcos, culminando com o massacre nas ruas são de uma qualidade absurda. 

O filme peca apenas por alguns deslizes no roteiro, como o envolvimento amoroso entre os personagens de Jude Law e Rachel Weisz e o ciúme de Joseph Fiennes, situação que parece ter sido inserida na trama apenas para criar uma tensão a mais na história. 

Para quem gosta de filmes de guerra, este é uma ótima opção.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Missão Impossível: Efeito Fallout

Missão Impossível: Efeito Fallout (Mission: Impossible – Fallout, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Christopher McQuarrie
Elenco – Tom Cruise, Henry Cavill, Ving Rhames, Simon Pegg, Rebecca Ferguson, Sean Harris, Angela Bassett, Alec Baldwin, Vanessa Kirby, Michelle Monaghan, Wes Bentley, Frederick Schmidt.

O agente Ethan Hunt (Tom Cruise) e sua equipe falham ao tentar reaver um carregamento de plutônio que fora roubado.

Hunt tem uma nova chance quando pistas levam a crer que o plutônio está em Paris nas mãos de uma empresária conhecida como “Viúva Branca” (Vanessa Kirby). É o início de uma aventura que passará ainda por Londres e terminará na região da Caxemira. 

Por mais que eu goste de filmes de ação, fica difícil encarar com naturalidade sequências que parecem saídas de aventuras de super heróis. Este sexto filme da franquia “Missão Impossível” é com certeza aquele que tem as cenas mais absurdas de ação, produzidas especialmente para a geração atual que adora games e adrenalina. 

É possível fazer um ótimo filme de ação sem apelar para estes exageros. A franquia Bourne é um exemplo. Até mesmo o longa anterior “Nação Secreta” era eletrizante e tinha sequências bem menos malucas do que as deste novo longa. 

O ponto positivo aqui é a história é complexa, repleta de traições, reviravoltas e mentiras. 

Pelo sucesso de público, muito provavelmente uma nova sequência será produzida.   

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

O Filho de Rambow

O Filho de Rambow (Son of Rambow, Inglaterra / França  / Alemanha / EUA, 2007) – Nota 7
Direção – Garth Jennings
Elenco – Bill Milner, Will Poulter, Jessica Hynes, Neil Dudgeon, Jules Sitruk.

Inglaterra, anos oitenta. Will (Bill Milner) é um garoto solitário filho de uma viúva religiosa. Uma situação na escola faz Will cruzar o caminho do garoto rebelde Lee (Will Poulter), que a princípio tenta se aproveitar da ingenuidade do novo amigo. 

Por não ter televisão em casa, Will fica deslumbrado ao assistir na casa de Lee o filme “Rambo: Programado Para Matar”. Como Lee tem uma câmera, eles decidem filmar uma versão caseira de “Rambo”. 

O título lembra uma paródia ou besteirol, mas na verdade é um filme que mistura aventura, comédia e até pitadas de drama para contar uma história sobre amizade e família. 

As filmagens dos garotos são criativas, assim como as gravuras do livro de desenhos do personagem de Will, que são utilizadas como inspiração para o filme caseiro. 

Os dois atores conseguiram seguir carreira, porém Bill Milner com menos sucesso, hoje relegado a pequenos papéis. Por outro lado, Will Poulter teve destaque em filmes famosos como a trilogia “Maze Runner”, “O Regresso” e “Detroit em Rebelião”.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Estranha Fascinação & Do Lodo Brotou uma Flor


Estranha Fascinação (I Walk Alone, EUA, 1947) – Nota 6,5
Direção – Byron Haskin
Elenco – Burt Lancaster, Lizabeth Scott, Kirk Douglas, Wendell Corey, Kristine Miller, George Rigaud, Marc Lawrence.

Após cumprir uma pena de catorze anos por transportar bebidas durante a Lei Seca, Frankie Madison (Burt Lancaster) deseja reativar a sociedade com seu parceiro Noll “Dink” Turner (Kirk Douglas). 

Recebido por seu irmão Dave (Wendel Corey), Frankie descobre que tudo mudou. Seu ex-amigo Dink hoje é dono de uma famosa casa noturna e Dave cuida da contabilidade do local. Dink utiliza a bela Kay (Lizabeth Scott) para entender o que fazer com Frankie, que por seu lado não se conforma ao perceber que fora deixado de lado nos negócios. 

A premissa é interessante e até atual ao detalhar como uma pessoa que se afasta por alguns anos de algo, ao retornar sofre para entender e aceitar que as coisas mudaram bastante. O personagem de Burt Lancaster não entende o novo mundo, mas sabe que foi enganado pelo parceiro, que por seu lado se mostra arrogante e ganancioso. 

Infelizmente a forma como o roteiro desenvolve a trama envelheceu bastante, principalmente no quesito do romance e também na reviravolta final. É um filme que vale apenas pela presença dos astros Burt Lancaster e Kirk Douglas.  

Do Lodo Brotou uma Flor (Ride the Pink Horse, EUA, 1947) – Nota 7
Direção – Robert Montgomery
Elenco – Robert Montgomery, Thomas Gomez, Wanda Hendrix, Rita Conde, Fred Clark, Art Smith, Iris Flores, Richard Gaines.

Gagin (Robert Montgomery) chega na pequena cidade de San Pablo na divisa dos Estados Unidos com o México à procura do gângster Frank Hugo (Fred Clark) para cobrar uma dívida. Um agente do FBI (Art Smith) segue seu rastro também com o objetivo de encontrar Hugo. A cidade está na véspera de comemorar a “Fiesta Mexicana”. 

Ao cobrar o gângster, Gagin se torna alvo de seus capangas e recebe a inusitada ajuda de dois moradores locais. O bonachão Pancho (Thomas Gomez), que comanda uma carrossel para crianças e a jovem Pila (Wanda Hendrix). 

O ator e diretor Robert Montgomery foi um dos pioneiros da tv americana ao abandonar o cinema no início dos anos cinquenta para se dedicar ao programa “Robert Montgomery Presents” em que ele era o apresentador dos episódios que contavam pequenas histórias sobre a vida real. Ele também é conhecido por ser pai da atriz Elizabeth Montgomery, famosa pela série “A Feiticeira”. 

Neste longa, Montgomery mistura uma trama ao estilo noir com uma ambientação próxima a um western. Seu personagem é o estranho que chega a cidade para incomodar o chefão local, ao mesmo tempo em que cria amizade com pessoas simples. 

O filme tem algumas boas cenas de suspense e violência, levando em conta a época em que foi produzido. 

Vale citar que Thomas Gomez, que era americano, foi indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante por este filme, sendo o primeiro latino a disputar o prêmio.  

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Longe dos Homens

Longe dos Homens (Loin des Hommes, França, 2014) – Nota 7
Direção – David Oelhoffen
Elenco – Viggo Mortensen, Reda Kateb, Nicolas Giraud, Djemel Barek, Vincent Martin.

Argélia, 1954. Daru (Viggo Mortensen) é um professor que ministra aulas para crianças em uma pequena escola no meio do deserto argelino. O país passa por uma guerra entre os locais que desejam a independência e o exército francês colonizador. 

Em um certo dia um policial francês surge na escola e entrega para Daru um simplório morador da região chamado Mohamed (Reda Kateb) que deve ser levado a uma cidade próxima para ser julgado por assassinato. 

Daru acolhe o homem e ao invés de levá-lo como prisioneiro, decide ajudá-lo. Os dois atravessam o deserto em meio a guerra e aos poucos criam um laço de amizade. 

Baseado num conto de Albert Camus, este longa utiliza a Guerra da Argélia como pano de fundo de uma história sobre amizade e lealdade. Os dois protagonistas com experiências de vida opostas descobrem que tem muito mais em comum do que aparentam. 

O roteiro foca também nos costumes árabes da região, inclusive a questão da vingança familiar no caso de um parente ser assassinado. 

As áridas paisagens do deserto é um dos destaques, assim como as boas atuações de Viggo Mortensen e Reda Kateb. Por sinal, Mortensen está desenvolto nos diálogos que em sua maioria são em francês. 

É um filme com uma tema interessante desenvolvido com sensibilidade.

domingo, 23 de setembro de 2018

Maze Runner: A Cura Mortal

Maze Runner: A Cura Mortal (Maze Runner: The Death Cure, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Wes Ball
Elenco – Dylan O’Brien, Kaya Scodelario, Thomas Brodie Sangster, Ki Hong Lee, Will Poulter, Dexter Darden, Jacob Lofland, Rosa Salazar, Giancarlo Esposito, Barry Pepper, Patricia Clarkson, Aidan Gillen, Walton Goggins.

Thomas (Dylan O’Brien) e os jovens que conseguiram escapar da empresa que os tratavam como cobaias pretendem seguir para um local isolado usando um velho navio. 

Antes disso, eles conseguem salvar o que seria o último grupo de adolescentes que estava sendo transportado em um trem. Mesmo assim, alguns garotos não conseguem sair do trem e são levados pelos mercenários, entre eles está Minho (Ki Hong Lee). Inconformado, Thomas e mais quatro jovens seguem o rastro de Minho que está preso na última cidade que ainda não foi destruída pelos infectados. 

Este fechamento da trilogia baseada em livros adolescentes deixa bastante a desejar. O original foi uma ótima surpresa ao explorar uma trama instigante e muita ação dentro do labirinto. A sequência perdeu um pouco da qualidade ao levar a trama para um base militar, mas manteve a qualidade nas cenas de ação. 

Infelizmente este terceiro longa se rende aos clichês, as soluções fáceis e até ao sentimentalismo. O roteiro termina a história da forma mais previsível possível. Redenção de personagem, clímax com luta entre herói e vilão, salvação no último instante e até um coadjuvante que foi ressuscitado na trama. Fica a clara impressão de que faltou criatividade para encerrar a trilogia.

sábado, 22 de setembro de 2018

Beirute

Beirute (Beirut, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Brad Anderson
Elenco – Jon Hamm, Rosamund Pike, Dean Norris, Shea Whigham, Mark Pellegrino, Larry Pine, Johnny Coyne, Idir Chender, Kate Fleetwood.

Beirute, Líbano, 1972. Mason Skiles (Jon Hamm) trabalha para o governo americano como negociador. Durante uma festa, um grupo terrorista sequestra o garoto Karim e mata sua esposa. O menino estava para ser adotado pelo casal, que não sabia que ele tinha um irmão terrorista. 

Dez anos depois, Skiles trabalha nos Estados Unidos, vive sozinho e abusa da bebida. Ele recebe uma proposta de uma agência do governo para voltar ao Líbano. Mesmo relutante, ele aceita a missão de participar da negociação para resgatar um antigo amigo feito refém pelo mesmo grupo terrorista que assassinou sua esposa. 

O roteiro escrito por Tony Gilroy (diretor de “Duplicidade” e “O Legado Bourne”) não apresenta surpresas, o cinéfilo que acompanha o gênero vai encontrar rapidamente as respostas de boa parte da história. 

O que faz o filme ser interessante são a narrativa ágil que prende a atenção, as poucas e boas cenas de ação, além dos cenários de uma Beirute destruída, bem parecida com o que ocorreu na cidade durante a guerra civil dos anos setenta e oitenta. 

Jon Hamm defende bem o papel do sujeito frustrado com a vida, enquanto a curiosidade fica para a peruca de Dean Norris. 

É uma diversão passageira com uma trama política que agradará os fãs do gênero.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Vida Passada

Vida Passada (Past Life, Israel / Polônia, 2016) – Nota 7,5
Direção – Avi Nesher
Elenco – Nelly Tagar, Joy Rieger, Doron Tavory, Evgenia Dodina, Tom Avni, Rafael Stachowiak, Katarzyna Gniewkowska.

Berlim Ocidental, 1977. A israelense Sephi (Joy Rieger) é uma jovem cantora de um coral que está se apresentando na cidade. 

Após o evento, uma senhora polonesa (Katarzyna Gniewkowska) ofende a assustada Sephi acusando a jovem de ser filha de um assassino. A mulher é mãe de um famoso compositor (Rafael Stachowiak) que estava assistindo ao concerto. 

Ao voltar para Israel, Sephi conta o ocorrido para sua irmã Nana (Nelly Tagar), que é jornalista independente. A dúvida faz com que as irmãs decidam investigar o passado do pai (Doron Tavory), que viveu na Polônia durante a Segunda Guerra. 

O grande acerto deste longa é detalhar aos poucos a verdadeira história que ocorreu com o pai das jovens e principalmente fugir do lugar comum em relação a crimes de guerra ou algo do gênero.

É uma história triste de sobrevivência que marcou o passado de algumas pessoas e que é desenterrada afetando a nova geração de duas famílias. 

O longa também explora a música através das apresentações do coral. 

É um bom filme indicado para quem gosta de drama sobre traumas familiares.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Traffik

Traffik (Traffik, EUA, 2018) – Nota 6
Direção – Deon Taylor
Elenco – Paula Patton, Omar Epps, Laz Alonso, William Fichtner, Dawn Olivieri, Luke Goss, Roselyn Sanchez, Missy Pyle, Scott Anthony Leet.

Brea (Paula Patton) é uma repórter que está prestes a perder o emprego por não seguir as ordens de seu chefe (William Fichtner) que deseja que ela escreva matérias simples e diretas. 

Enquanto pensa em como superar o problema profissional, Brea e seu namorado John (Omar Epps) viajam pelo interior para passar uns dias na casa de um empresário que é amigo do casal. 

Uma parada em um posto de gasolina resulta em um enorme problema. Um grupo de motoqueiros discute com John e uma mulher (Dawn Olivieri) parece querer pedir ajuda, mas não consegue se expressar. É o início de uma noite de terror. 

Os letreiros iniciais citam que o filme é inspirado em uma história real. O ponto principal da trama foca em um tipo de crime cruel que envolve bandidos da pior espécie e muito dinheiro, o que por si só é uma ótima premissa para um filme de suspense. 

Infelizmente a forma como o roteiro desenvolve a ideia deixa a desejar, falhando inclusive nas duas sequências de ação que solucionam a situação fácil demais.  

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Luther

Luther (Luther, Inglaterra, 2010 a 2018)
Criador – Neil Cross
Elenco – Idris Elba, Warren Brown, Ruth Wilson, Dermot Crowley, Michael Smiley, Indira Varma, Paul McGann, Nikki Amuka Bird, Steven Mackintosh, Sienna Guillory, David O’Hara.

O explosivo inspetor John Luther (Idris Elba) se torna alvo da corregedoria após um pedófilo cair de um edifício abandonado. Ao mesmo tempo, ele sofre com a separação da esposa (Indira Varma) e precisa investigar um duplo assassinato de um casal. Luther suspeita da filha do casal, a extremamente fria e inteligente Alice Morgan (Ruth Wilson). 

Até agora esta série tem dezesseis episódios divididos em quatro temporadas. Além das investigações comuns ao gênero, a série foca na personalidade complexa do protagonista, que alterna momentos de fúria com outros em que utiliza sua perspicácia para resolver os casos, muitas vezes beirando a marginalidade. 

Entre os coadjuvantes o destaque fica para a psicopata vivida por Ruth Wilson, que se torna uma espécie de amiga e cúmplice do protagonista, criando uma estranha relação. 

Vale citar que a série tem muitas cenas de violência e os crimes investigados fogem do lugar comum. 

É uma ótima opção para quem gosta de tramas policiais.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Chappaquiddick & Jackie


Chappaquiddick (Chappaquiddick, Suécia / EUA, 2017) – Nota 7
Direção – John Curran         
Elenco – Jason Clarke, Kate Mara, Ed Helms, Bruce Dern, Jim Gaffigan, Olivia Thirlby, Clancy Brown, Tayor Nichols, John Fiore.

Junho de 1969. Enquanto o povo americano aguardava a descida do homem na lua, o então senador Ted Kennedy (Jason Clarke) se envolve num acidente de carro que termina na morte da secretária Mary Jo Kopechne (Kate Mara), que trabalhara para seu irmão Bob que havia falecido um ano antes. Tentando manter sua carreira política e diminuir o tamanho do escândalo, Ted toma atitudes polêmicas e algumas até inconsequentes.

Este acidente é uma das várias tragédias envolvendo a família Kennedy, considerada por muitos como um clã amaldiçoado. São dois pontos principais neste longa. O primeiro foca no acidente, desde a festa que acontecia na casa de praia dos Kennedys e de onde saíram Ted e Mary Jo, até a forma como o político e um grupo de poderosos agiram para abafar o escândalo.

O segundo ponto é detalhar o caráter da figura de Ted Kennedy. Filho mais novo da família, Ted é mostrado como um inconsequente que sofria por não ter o mesmo talento e charme dos irmãos e por este motivo ser ignorado pelo pai (Bruce Dern).

O filme é uma versão do que teria acontecido, já que até hoje existem dúvidas se Ted estava embriagado, se ele tinha um caso com Mary Jo ou ainda se o acidente foi consequência de uma briga dentro do automóvel.

Vale citar a curiosidade de ter os comediantes Ed Helms e Jim Gaffigan em papéis sérios. Helms interpreta o primo de Ted, que era uma espécie de “faz tudo” da família, enquanto Gaffigan vive o Promotor Chefe de Massachusetts.

É um filme indicado para quem gosta de história e tem curiosidade com as tragédias da família Kennedy. 

Jackie (Jackie, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Pablo Larrain
Elenco – Natalie Portman, Peter Sarsgaard, Billy Crudup, Greta Gerwig, John Hurt, Richard E. Grant, John Carroll Lynch, Beth Grant, Caspar Phillipson, Max Casella, Corey Johnson.

Uma semana após o funeral do presidente John Kennedy, sua esposa Jackie (Natalie Portman) chama um jornalista (Billy Crudup) para uma entrevista exclusiva em que pretende dar sua versão da vida do marido. Enquanto ela conversa com o jornalista, vemos em flashback o assassinato de Kennedy e as consequências na vida Jackie até o final do funeral. 

Mesmo numa época em que a imprensa de fofocas não era tão forte como nos dias atuais, a personagem de Jackie Kennedy foi um dos grandes alvos deste tipo de jornalismo. Este longa dirigido pelo chileno Pablo Larrain (dos superiores “No” e “O Clube”) mostra uma Jackie cheia de contradições em suas atitudes. 

O tom esnobe de se dirigir ao jornalista contradiz suas palavras sobre a preocupação com o povo, assim como sua ingenuidade em alguns momentos desaparece quando ela exige que organizem uma procissão para marcar o funeral do marido. 

Em alguns diálogos fica claro também que ela tinha temor em ficar pobre, citando que viúvas de outros presidentes terminaram a vida de forma simples. Muito provavelmente este medo e também a ambição fez com que ela se casasse cinco anos depois com o milionário grego Aristóteles Onassis, fato que não é mostrado neste filme. 

É uma personagem interessante que ficou marcada na história pela tragédia, aqui retratada em um longa apenas razoável.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Olive Kitteridge

Olive Kitteridge (Olive Kitteridge, EUA, 2014) – Nota 9
Direção – Lisa Cholodenko
Elenco – Frances McDormand, Richard Jenkins, Bill Murray, John Gallagher Jr. Peter Mullan, Zoe Kazan, Jesse Plemons, Rosemarie DeWitt, Brady Corbett, Ann Dowd, Ken Cheeseman, Devin Druid.

Esta belíssima e triste minissérie produzida pela HBO em quatro episódios retrata vinte e cinco anos na vida da professora de matemática Olive Kitteridge (Frances McDormand), que vive numa pequena cidade do Maine. 

Dura e sem papas na língua, Olive esconde uma forte depressão causada pelo suicídio do pai. Seu marido é o farmacêutico Henry (Richard Jenkins), um sujeito educado, gentil e otimista, exatamente o oposto da esposa. 

Mesmo sem receber em troca o mínimo de carinho por parte da esposa, Henry tenta enfrentar a vida da melhor forma possível. As atitudes de Olive também tornam um inferno a vida do filho Christopher (Devin Druid na adolescência e John Gallagher Jr na vida adulta), que não suporta conviver com a mãe. 

Nestes vinte e cinco anos, diversas pessoas cruzam o caminho do casal Kitteridge e de uma forma ou outra tem suas vidas influenciadas por esta relação. O professor alcoólatra (Peter Mullan), o jovem entregador (Jesse Plemons), a ingênua atendente da farmácia (Zoe Kazan), a mãe bipolar (Rosemarie DeWitt), entre outros. 

São basicamente acontecimentos da vida real. Mortes, doença, casamento, divórcio, conflitos, amor e até suicídio são os ingredientes. Tudo isso ganha pontos pelas ótimas interpretações de Frances McDormand e Richard Jenkins, que criam um casal extremamente real, daqueles que mesmo frustrados levam o casamento até o final. A pequena participação de Bill Murray também é outro destaque. 

Vale citar que a minissérie venceu oito prêmios Emmy. 

domingo, 16 de setembro de 2018

The Strange Ones

The Strange Ones (The Strange Ones, EUA, 2017) – Nota 5
Direção – Christopher Radcliff & Lauren Wolkstein
Elenco – Alex Pettyfer, James Freedson Jackson, Emily Althaus, Gene Jones.

Nick (Alex Pettyfer) e seu irmão adolescente Sam (James Freedson Jones) viajam de carro com o objetivo de chegar a uma cabana em um local isolado.

A estranha relação entre os dois e a forma como Nick reage ao ver dois policiais em uma lanchonete deixam claro que existe algo de errado naquela viagem. 

É um filme sombrio, arrastado e com uma trama confusa. O roteiro escrito pela dupla de diretores utiliza flashbacks para explicar a relação dos personagens principais de uma forma sinistra. 

Pouco depois da metade do filme, o roteiro insere sem muita explicação um sujeito (Gene Davis) que é uma espécie de tutor de um grupo de crianças de adolescentes. 

O final simbólico e com um toque de sobrenatural fecha o filme de uma forma mais estranha ainda.

sábado, 15 de setembro de 2018

7 Dias em Entebbe

7 Dias em Entebbe (Entebbe, Inglaterra / EUA, 2018) – Nota 6
Direção – José Padilha
Elenco – Daniel Bruhl, Rosamund Pike, Eddie Marsan, Lior Ashkenazi, Denis Ménochet, Ben Schnetzer, Nonso Anozie, Mark Ivanir, Juan Pablo Raba, Amir Khoury, Ala Dakka.

Junho de 1976. Dois terroristas alemães (Daniel Bruhl e Rosamund Pike) e dois palestinos (Amir Khoury e Ala Dakka) sequestram um avião da Air France que transportava vários judeus que viajavam de Tel Aviv para Paris. 

O avião é desviado para reabastecer na Líbia e depois segue para Uganda, país comandado pelo ditador Idi Amin Dada (Nonso Anozie), que oferece apoio do seu exército para manter os passageiros e a tripulação como reféns. 

Enquanto os palestinos exigem a libertação de companheiros presos em Israel, o primeiro ministro israelense Yitzhak Rabin (Lior Ashkenazi) e o ministro da defesa Shimon Peres (Eddie Marsan) divergem quanto a negociar com os terroristas ou enviar um comando para tentar resgatar os reféns. 

Baseado numa história real que já rendeu outros quatro filmes famosos, com destaque para “Operação Thunderbolt” e “Comando Delta”, por sinal duas versões diferentes dirigidas pelo mesmo Menahem Golan, este longa do brasileiro José Padilha deixa a desejar. Sua estreia americana com o remake de “Robocop” não teve surpresa alguma, mas foi pelo menos uma versão correta. 

Neste novo trabalho, Padilha mostra algumas escolhas equivocadas. Ele tenta humanizar o terrorista alemão vivido por Daniel Bruhl de uma forma ingênua, assim como falha ao descrever a motivação do mesmo a da jovem vivida por Rosamund Pike. 

A fraca cena de ação no clímax também deixa o espectador desapontado. Outra escolha inexplicável é a utilização de uma sequência de dança de uma coadjuvante em Israel em paralelo com a ação do clímax. 

O melhor do filme é a disputa política que gera discussões entre os personagens de Eddie Marsan e Lior Ashkenazi. Esta questão de bastidor entre os políticos israelenses foi praticamente ignorada nas versões anteriores. 

O resultado é um bola fora na carreira internacional de José Padilha.