terça-feira, 31 de maio de 2011

Conspiração

Conspiração (Conspiracy, Inglaterra / EUA, 2001) – Nota 8
Direção – Frank Pierson
Elenco – Kenneth Branagh, Stanley Tucci, Colin Firth, Barnaby Kay, David Threfaul, Ben Daniels, Ian McNeice, Kevin McNally.

Está ótima produção da HBO é uma recriação da histórica e sinistra Conferência de Wannsee em 1942, em que os líderes nazistas se reuniram num subúrbio de Berlim para discutir a "Solução Final da Questão Judaica".

Na época estava iniciando a derrocada nazista em virtude da entrada dos EUA na guerra e da fracassada invasão das tropas alemãs em território soviético. Percebendo que perdiam terreno e com Hitler exigindo que os judeus fossem enviados para o leste europeu e executados, foi organizada esta conferência que seria liderada por Reinhard Heydrich (Kenneth Branagh) e organizada por seu braço direito, Adolf Eichmann (Stanley Tucci).

Foram chamados líderes de todos os segmentos do partido nazista, com o objetivo de aprovar o extermínio do judeus em segredo, uma espécie de pacto assassino aprovado por todos, mesmo por aqueles que dentro de si sabiam do absurdo que estavam participando.

Recomendo o filme para quem gosta de história principalmente e quer saber um pouco mais sobre as mentes perversas dos líderes nazistas, aqui interpretados com talento por Kenneth Branagh, Stanley Tucci e Colin Firth.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Na Trilha do Assassino & O Assassino do Alfabeto


Na Trilha do Assassino (Tenderness, EUA, 2009) – Nota 5
Direção – John Poulson
Elenco – Russell Crowe, Jon Foster, Sophie Traub, Laura Dern, Alexis Dziena, Arija Bareikis, Michael Kelly, Tanya Clark.

A história foca em três personagens: O veterano policial Cristofuoro (Russell Crowe), o assassino adolescente Eric Poole (Jon Foster) e a jovem Lori (Sophie Straub), todos ligados pelos crimes cometidos por Eric. O filme começa com Eric aguardando ser libertado do reformatório onde cumpre pena por ter assassinado os pais. Este crime era punível com prisão perpétua, porém como o jovem era medicado com antidepressivos acabou sendo julgado como menor e agora ao atingir a maioridade poderá ter uma vida nova sem ser considerado um ex-detento. O detetive Cristofuoro considera o jovem um psicopata, tendo a certeza que ele também é responsável por outros dois assassinatos. Prevendo que o jovem voltará a matar, ele resolve segui-lo. Para completar, a jovem Lori foge de casa para encontrar Eric, com quem inicia uma estranha relação, além de ter uma ligação com o passado do rapaz. 

O roteiro mistura drama psicológico com toques de road movie e poderia até ter rendido um bom filme, porém a direção de John Poulson é repleta de tempos mortos que cansa o espectador, além do fraco Jon Foster que não convence como assassino ou jovem atormentado. Apesar da importância na história, o personagem de Russell Crowe aparece pouco e tem um problema pessoal que o atormenta, com a esposa vivendo em um hospital, porém o roteiro não explica o que ocorreu. Para completar, a tradução do título deixa a impressão de ser um filme sobre investigação, o que engana no pior o espectador no pior sentido.

O Assassino do Alfabeto (The Alphabet Killer, EUA, 2008) – Nota 5
Direção – Rob Schmidt        
Elenco – Eliza Dushku, Cary Elwes, Timothy Hutton, Tom Malloy, Michael Ironside, Bill Moseley, Carl Lumbly, Brian Scannell, Melissa Leo, Martin Donovan, Tom Noonan, Jack McGee.

A detetive Megan Paige (Eliza Dushku) e seu parceiro e também noivo Kenneth Shine (Cary Elwes) são designados para investigar o assassinato de um garota chamada Carla Castillo, que foi também violentada. A dupla de detetives trabalha em Rochester, porém o corpo da criança foi encontrado numa cidade chamada Churchville e a coincidência da letra C no nome da menina e da cidade leva Megan a acreditar que a assassino seja um serial killer que utiliza as letras do alfabeto para cometer seus crimes. Desacreditada pelos outros policiais, ela fica obcecada pelo caso e começa a ter visões da garota morta, o que a leva a uma tentativa de suicídio e o afastamento da função. Dois anos depois Megan ainda trabalha na polícia com um serviço burocrático e tenta levar uma vida normal, porém quando outra garota é encontrada morta da mesma forma e com a coincidência das iniciais do nome e da cidade, ela faz de tudo para voltar a investigação mesmo com o problema mental que possui. 

O filme é baseado na história real do “Assassino do Alfabeto”, que cometeu crimes no início dos anos setenta na região de Nova Iorque, porém fica claro pelo roteiro que o longa é uma ficção que usa a história real apenas como pretexto. Fica muito difícil acreditar nos exageros de algumas sequências com a personagem de Eliza Dushku, que por sinal não convence como investigadora e abusa dos tiques quando precisa demonstrar os problemas psicológicos que a afetam. É uma pena, pois a premissa do assassino em série desconhecido foi bem melhor explorada em “Zodíaco” por exemplo.

domingo, 29 de maio de 2011

Waking Life


Waking Life (Waking Life, EUA, 2001) – Nota 7
Direção – Richard Linklater
Elenco – Wiley Wiggins, Ethan Hawke, Julie Delpy, Adam Goldberg, Nicky Katt, Steven Soderbergh.

O diretor Richard Linklater de “Antes do Amanhecer” e “Antes do Pôr-do-Sol”, cria aqui uma obra no mínimo curiosa. Usando a técnica da rotoscopia, ele filmou todas as sequências com atores reais e depois um equipe transformou as cenas em animação. 

Os traços nervosos da animação casam perfeitamente com a história de um jovem (Wiley Wiggins) que não consegue acordar de um sonho e durante todo o filme cruza com várias pessoas que falam sobre diversos assuntos como o sentido da vida, o significado dos sonhos, religião, filosofia, além de citar pensadores, escritores e filósofos. 

A quantidade de diálogos ou monólogos em várias cenas, já que o jovem muitas vezes é apenas o ouvinte, podem cansar o espectador comum, porém os temas discutidos instigam a curiosidade. O excesso de informações despejadas em pouco tempo não deixa quase espaço para analisar o que foi dito, já que uma nova discussão começa em seguida, mas este situação se torna normal ao analisarmos que aquilo é um sonho, onde todos os temas podem se misturar no mesmo contexto. 

É interessante ver a participação de figuras conhecidas como o também diretor Steven Soderbergh e o casal de personagens Jesse (Ethan Hawle) e Celine (Julie Delpy), protagonistas de “Antes do Amanhecer” e “Antes do Pôr-do-Sol”. 

Para quem curte uma viagem diferente pela mente humana, este filme é uma ótima pedida.

sábado, 28 de maio de 2011

A Lista de Adrian Messenger


A Lista de Adrian Messenger (The List of Adrian Messenger, EUA, 1963) – Nota 7
Direção – John Huston
Elenco – George C. Scott, Kirk Douglas, Tony Curtis, Burt Lancaster, Robert Mitchum, Frank Sinatra, Dana Wynter, Jacques Roux, Clive Brook, Herbert Marshall, Tony Huston, John Merivale.

Adrian Messenger (John Merivale) pertence a uma aristocrática família inglesa e antes de viajar para os EUA, deixa com seu amigo Anthony Gethryn (George C. Scott) uma lista com dez nomes para ele investigar o paradeiro de cada um. Messenger não explica o porquê, diz que ninguém acreditaria e como Anthony é um ex-policial, aceita o trabalho. A situação fica mais estranha quando o avião em que Messenger viaja explode no ar e o único sobrevivente é o francês Jacques Le Borg (Jacques Roux), que inclusive ouve a últimas palavaras de Messenger antes de morrer. Anthony se aprofunda na investigação e descobre que a maioria dos nomes da lista morreram em acidentes estranhos, dando início a caçada ao responsável pelos crimes, que ao parece é um sujeito especialista em disfarces. 

Não conhecia esta obra de John Huston e fiquei curioso ao ver uma chamada no canal TCM. Fui pesquisar a trama e achei extremamente interessante, porém a realização é um pouco irregular. O melhor é a primeira parte quando o personagem de George C. Scott investiga o passado de Messenger para tentar encontrar o assassino  e descobre uma trama quase perfeita. O ritmo cai na segunda parte, quando o assassino entra diretamente na trama sem os disfarces, culminando na sequência final da “caça à raposa”. 

Hoje os disfarces que o assassino utiliza são simples em comparação a perfeição técnica atual, mas na época devem ter feito algum sucesso. Por sinal, não se prendam aos nomes de famosos do elenco, vários deles aparecem usando máscaras como personagens diferentes e apenas no final do longa é revelado quem está por trás dos diversos personagens.   

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A Jornada de James para Jerusalém


A Jornada de James Para Jerusalém (Massa'ot James Be'eretz Hakodesh, Israel, 2003) – Nota 7,5
Direção – Ra'anan Alexandrowicz
Elenco – Siyabonga Melongisi Shiba, Salim Dau, Arieh Elias.

O jovem James (Siyabonga Melongisi Shiba) é o escolhido de um pequeno povoado na África da Sul para se tornar pastor e para isso terá de viajar a Israel e conhecer Jerusalém como peregrinação. Assim que o rapaz chega ao aeroporto em Tel Aviv, é preso e acusado de entrar no país para trabalhar ilegalmente. Sendo ingênuo, ele tenta argumentar que esta aí para conhecer Jerusalém, mas acaba não sendo ouvido. 

Na cadeia ele recebe uma proposta de Shimi (Salim Dau), que paga propina aos policiais para libertar imigrantes ilegais que aceitem trabalhar em sua empresa de limpeza. James aceita a proposta e diz claramente que seu intuito e viajar para Jerusalém, porém aos poucos ele vai conhecendo como funciona a sociedade israelense e caindo nas tentações de ganhar dinheiro e de aproveitar a vida. 

Este diferente longa toca em temas atuais como imigração, ganância e corrupção, mas não é pesado, a jornada do jovem James é contada de modo leve e até engraçada em alguns momentos, principalmente na relação que ele cria como o idoso Sallah (Arieh Elias), pai de seu patrão Shimi, a quem ele precisa acompanhar diariamente. O idoso é um sujeito ranzinza que mesmo se apegando ao jovem, sempre deixa claro que ele é o empregado, o que resulta em bons diálogos entre personagens de pensamentos e culturas tão diferentes. 

Como curiosidade, o filme passou na época pela Mostra de Cinema de SP e fez algum sucesso pelo mundo, porém o diretor israelense Alexandrowicz não seguiu carreira.   

quinta-feira, 26 de maio de 2011

007 Viva e Deixa Morrer


007 Viva e Deixe Morrer (Live and Let Die, Inglaterra, 1973) – Nota 7,5
Direção – Guy Hamilton
Elenco – Roger Moore, Yaphet Kotto, Jane Seymour, Clifton James, Julius Harris, David Hedison, Bernard Lee, Lois Maxwell, Desmond Llewellyn.

Num período de vinte e quatro horas, três agentes do serviço secreto inglês que vigiavam o Dr. Kananga (Yaphet Kotto), ditador de uma ilha do Caribe, são assassinados. Para tentar descobrir o que aconteceu, os ingleses enviam James Bond (Roger Moore) para os EUA onde o Dr. Kananga está para uma reunião nas Nações Unidas e por trás da fachada de político, se esconde um traficante de drogas que pretende inundar o solo americano de heroína, criando assm um monopólio. 

Este longa marca a estréia de Roger Moore como o agente 007, após Sean Connery declarar que não mais voltaria ao papel. O roteiro busca inspiração nos filmes da chamada “Black Exploitaiton”, como “Shaft” e “Cleópatra Jones”, que faziam sucesso na época com elenco quase todo de atores negros e tinham como temas principais violência e drogas. Aqui o vilão é o ator negro Yaphet Kotto e boa parte da trama se passa em New Orleans, um cidade onde a cultura negra é muito forte. 

O filme em si fica na média da aventuras de Bond, com a clássica cena de Roger Moore atravessando um pântano pisando em crocodilos, além da famosa música tema na voz de Paul McCartney.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Expresso para o Inferno


Expresso para o Inferno (Runaway Train, EUA, 1985) – Nota 7,5
Direção – Andrei Konchalovsky
Elenco – Jon Voight, Eric Roberts, Rebecca DeMornay, Kyle T. Heffner, John P. Ryan, T. K. Carter, Kenneth McMillan.

O detento Manny (Jon Voight) após três cumprindo pena na solitária numa penitenciária no Alasca, é liberado e volta para o convívio com os outro presos, que o consideram uma espécie de herói. Entre estes detentos está Buck (Eric Roberts), que cumpre pena por estupro e trabalha na lavanderia do presídio. Os dois logo armam um plano e conseguem fugir, chegando até uma estação onde pegam carona em um trem de carga. Sendo perseguidos pelo sádico e obstinado diretor do presídio (John P. Ryan), que é inimigo de Manny, a dupla percebe que algo de errado está acontencendo quando o trem atinge uma alta velocidade. O que eles ainda não sabem é que o maquinista morreu de ataque cardíaco e o trem desgovernado tem apenas uma moça (Rebecca De Mornay) como tripulante, responsável pela manutenção. 

Este ótimo suspense dirigido pelo russo Konchalovsky (“Gente Diferente”, “Tango e Cash”) é baseado num roteiro do grande Akira Kurosawa (“Ran”, “Os Sete Samurais”), que cria uma disputa pessoal entre o sádico diretor e o prisioneiro vivido por Jon Voight. O primeiro vê como ponto de honra recapturar os foragidos, o que seria como um troféu para mostrar na prisão, enquanto o personagem de Voight após tanto tempo preso faz de tudo pela liberdade, nem que para isso tenha que sacrificar a própria vida. 

As paisagens geladas do Alasca são outro ponto forte do filme, que tem ainda um trilha sonora que pode parecer estranha para os espectadores atuais, mas cumpre seu papel. Também como destaque, Voight concorreu ao Oscar de Melhor Ator e Eric Roberts de Ator Coadjuvante. 

Como curiosidade, Eric Roberts (irmão de Julia Roberts) era um promissor ator nos anos oitenta, tendo estrelado outros bons filmes como “Nos Calcanhares da Máfia” ao lado de Mickey Rourke, mas depois se transformou numa espécie de vilão de plantão e hoje após mais de duzentos trabalhos, ficou marcado como um canastrão que aceita qualquer papel. 

terça-feira, 24 de maio de 2011

Subterrâneos



Subterrâneos (Brasil, 2004) – Nota 6,5
Direção – José Eduardo Belmonte
Elenco – Murilo Grossi, Chico Sant’Anna, Nicola Siri, Cibele Amaral, João Paulo Oliveira, Roque Fritsch.

Esta diferente história é ambientada toda dentro do CONIC, um edifício comercial em Brasília que foi construído para abrigar um Shopping Center, mas se transformou num emaranhado de lojas, bares, inferninhos, sindicatos e salas numa infinidade de corredores em parte ainda inacabados. Para quem mora em São Paulo, o local é um misto do Edifício Copan com as Grandes Galerias (também conhecida com Galeria do Rock). 

O protagonista do filme é Breno (Murilo Grossi), um sindicalista em crise existencial que resolve abandonar o emprego para escrever um livro sobre o local, para isso começa a interpelar e questionar as pessoas que trabalham e passam por ali. O problema é que Breno está paranóico, situação que se agrava quando cruza com uma ex-namorada, a também confusa Angela (Cibele Amaral). Enquanto isso Miranda (Chico Sant’Anna), outro funcionário do sindicato, tenta resolver problemas profissionais, pessoais, financeiros e das pessoas que cruzam seu caminho. Finalizando temos Giovani (Nicola Siri), um italiano ingênuo que filma o local e entrevista as pessoas para um documentário. 

Este trabalho quase experimental é a estréia na direção de José Eduardo Belmonte, que faria em seguida “A Concepção” e aqui utiliza o confuso centro comercial CONIC quase como um personagem. Apenas o exagero com que os personagens de Breno e sua ex-namorada filosafam sobre a vida acabam atrapalhando um pouco, deixando a sensação do diretor querer se mostrar cult. 

Me deparei com duas curiosades, sendo a primeira a falta de um pôster do filme, pesquisei na internet e não localizei em site algum. A segunda é a inexistência de registro do filme no site IMDB, fato raro, sendo que neste site é possível encontrar até mesmo informações sobre novelas e filmes obscuros. 

O filme vale como uma diferente sessão de cinema.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Eternamente Lulu & Quero Dizer Que Te Amo



Procurando filmes na banca de dvds nas Lojas Americanas, encontrei um dvd duplo com longas estrelados por Melanie Griffith.

Quando jovem ela sempre interpretou o papel da gostosa sem muita inteligência, com a ajuda de um belo corpo e de uma voz irritante.

Gosto do trabalho dela em dois filmes,  a comédia "Totalmente Selvagem" de Jonathan Demme e o drama "Loucos do Alabama", dirigido por seu marido Antonio Banderas, onde ela interpreta uma personagem problemática, papel que repete neste razoável "Eternamente Lulu". Já "Quero Dizer Que Te Amo" é uma comédia de erros em vários sentidos, também no estilo, quando no fraco roteiro e nas situações sem graça.


Eternamente Lulu (Forever Lulu, EUA, 2005) – Nota 6
Direção – John Kaye
Elenco – Melanie Griffith, Patrick Swayze, Penelope Ann Miller, Steven Bauer, Joseph Gordon Levitt, Lee Garlington, Richard Schiff, Annie Corley, Michael J. Pollard, Ryan Bollman.

Num certo dia, Lulu (Melanie Griffith) resolve fugir da clínica psiquiátrica onde é paciente para procurar Ben (Patrick Swayze), seu antigo namorado de adolescência, com o objetivo de contar que ela teve um filho e deu para adoção, mas agora depois de muitos anos quer conhecê-lo. As lembranças do passado, misturadas com a história do filho e a crise em seu casamento com Claire (Penelope Ann Miller), levam Ben a acompanhar a ex-namorada numa viagem atravessando o país em busca do jovem. 

Drama razoável, com uma história triste e ao mesmo tempo de esperança, que tenta mostra as dificuldades que uma pessoa com problema de esquizofrenia tem em conseguir viver no mundo e em sociedade. Apesar de não ser grande atriz, Melanie Griffith dá conta do recado, fazendo o papel da mulher problemática que tenta se mostrar forte, mas que na realidade é extremamente sensível e insegura. 

Quero Dizer que te Amo (Two Much, EUA, 1995) – Nota 5,5
Direção – Fernando Trueba
Elenco – Antonio Banderas, Melanie Griffith, Daryl Hannah, Danny Aiello, Joan Cuscak, Eli Wallach, Gabino Diego, Austin Pendleton, Allan Rich, Vincent Schiavelli.

Art (Antonio Banderas) é o dono de uma galeria que está em dificuldades financeiras e vive armando pequenos golpes em viúvas para ganhar um troco, mas em uma das suas investidas acaba arrumando confusão com um mafioso (Danny Aiello). Art se envolve ao mesmo tempo com a ex-mulher do sujeito (Melanie Griffith) e com a irmã desta (Daryl Hannah), criando um falso irmão gêmeo para se relacionar com as duas, o que causa uma grande confusão. 

Veículo produzido especialmente para Banderas que estava à época na auge da fama, tendo feito no mesmo ano “A Balada do Pistoleiro”, “Grande Hotel” e “Assassinos”, mas com resultado insosso e sem graça, apesar de bons nomes entre os coadjuvantes como Danny Aiello, Joan Cusack e o veteraníssimo Eli Wallach. As presenças das belas Melanie Griffith e Daryl Hannah ajudam pouco, Griffith faz o papel que interpretou em praticamente toda a carreira, a loira fogosa e fútil. Foi durante as filmagens que Banderas e Griffith se conheceram e casaram logo em seguida. 

domingo, 22 de maio de 2011

Um Olhar do Paraíso


Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones, EUA / Inglaterra / Nova Zelândia, 2009) – Nota 7
Direção – Peter Jackson
Elenco – Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Susan Sarandon, Stanley Tucci, Michael Imperioli, Saoirse Ronan, Rose McIver, Christian Thomas Ashdale, Reece Ritchie, Carolyn Dando.

A história começa em 1973 quando a adolescente Susie Salmon (Saoirse Ronan) é assassinada pelo pedófilo George Harvey (Stanley Tucci) e seu espírito fica numa espécie de limbo e acompanhando o sofrimento da família. A própria garota assassinada narra sua história e vê sua família desmoronar. O pai Jack (Mark Wahlberg) fica obcecado em descobrir o assassino e sua mãe Abigail (Rachel Weisz) pensa em abandonar a casa, deixando inclusive seu dois outros filhos (Rose McIlver e Christian Thomas Ashdale). Durante anos Jack acompanha o detetive Len (Michael Imperioli) na tentativa de desvendar o caso e aos poucos começa a desconfiar de George, um vizinho estranho e solitário. 

Este é um daqueles filmes que promete mais do que cumpre, na primeira metade se dividindo em mostrar o sofrimento do casal e a angústia do espírito da filha que pouco pode ajudá-los e se nega a seguir seu caminho enquanto seu assassino não for preso. A parte final muda um pouco o foco, dando ênfase a tentativa do pai e da irmã em provar que o criminoso é o vizinho. 

Acredito que a maioria do público deve ter gostado das cenas do espírito da garota Susie no limbo, que é retratado em cores vivas ao estilo “Amor Além da Vida”, mas como conteúdo deixa a desejar, ficando a impressão de ser algo tirado de um livro de auto ajuda espiritual. No geral é um drama é apenas mediando, abaixo do que se poderia esperar de Peter Jackson.  

sábado, 21 de maio de 2011

Napoleão Dinamite


Napoleão Dinamite (Napoleon Dynamite, EUA, 2004) – Nota 7
Direção – Jared Hess
Elenco – Jon Heder, Jon Gries, Efren Ramirez, Tina Majorino, Aaron Ruell, Diedrich Bader, Sandy Martin, Haylie Duff.

O estranho garoto Napoleon Dynamite (Jon Heder) é um nerd que não tem amigos, vivendo completamente deslocado no colégio e na vida. As coisas mudam quando ele faz amizade com Pedro (Efren Ramirez), um estudante latino, estranho assim como ele. A amizade da dupla irá balançar com o aparecimento da jovem Deb (Tina Majorino). 

Fica difícil falar mais sobre a trama desta comédia que tem como protagonistas personagens exagerados como a dupla principal, que vivem quase num mundo paralelo, não se encaixando no chamado lugar comum. As estranhas situações e as interpretações caricatas são os pontos principais desta curiosa comédia que critica o preconceito com o diferente e que fez algum sucesso no circuito independente. 

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Pecados Íntimos


Pecados Íntimos (Little Children, EUA, 2006) – Nota 7,5
Direção – Todd Field
Elenco – Kate Winslet, Patrick Wilson, Jennifer Connelly, Jackie Earle Haley, Noah Emmerich, Gregg Edelman, Phyllis Somerville, Jane Adams.

Num pacato bairro de subúrbio, alguns personagens escondem segredos, traumas e frustações. Tudo começa quando Sarah (Kate Winslet) leva sua pequena filha ao parquinho da cidade para brincar e se sente deslocada ao participar das conversas com outras mães, que são felizes em ser donas de casa. 

A situação se modifica quando um sujeito, Brad (Patrick Wilson) passa a visitar o local com seu filho e deixa as donas de casa babando, porém com um sentimento platônico. Curiosa, Sarah resolve se aproximar de Brad, dando início a um relacionamento de duas pessoas frustradas com seus casamentos e suas vidas. O marido de Sarah, Richard (Gregg Edelman) é um executivo que se masturba vendo fotos na internet e a esposa de Brad, Kathy (Jennifer Connelly) dá toda sua atenção ao trabalho e ao filho, deixando o marido de lado. Enquanto isso, o ex-policial Larry (Noah Emmerich) persegue pelo bairro o pedófilo Ronnie (Jackie Earle Haley), que voltou a morar com a mãe (Phyllis Somerville), sendo visto como ameaça pelos vizinhos. 

O ator Todd Field (coadjuvante em “De Olhos Bem Fechados” e “A Casa Amaldiçoada”) acerta nesta sua segunda incursão na direção de um longa (o anterior foi o drama “Entre Quatro Paredes”) ao seguir uma linha de trabalho semelhante a outros dois diretores chamados Todd: O Haynes de “Longe do Paraíso” e o Solondz de “Felicidade”. Estes dois filmes assim como “Pecados Íntimos”, mexem nos segredos que a classe média americana tenta jogar debaixo do tapete ao mostrar problemas reais como frustração nos relacionamentos, na carreira profissional, a dificuldade de lidar com crianças, além dos preconceitos contra tudo que é diferente do politicamente correto. 

Além disso, assim como em “Felicidade”, aqui temos um personagem pedófilo infiltrado neste mundo aparentemente perfeito do subúrbio, sendo muito bem interpretado por Jackie Earle Haley, que concorreu ao Oscar de Ator Coadjuvante, misturando momentos em que espectador sente repulsa pelas suas atitudes, com outros em que o sentimento é a compaixão por um sujeito doente que não consegue controlar seus impulsos. 

O filme concorreu ainda ao Oscar de Melhor Atriz com Kate Winslet e Roteiro Adaptado com Todd Field e Tom Perrotta. 

A narração fria passa a sensação de estarmos vendo um contos de fadas trágico, onde a realidade é muito mais forte que os sonhos.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Daunbailó


Daunbailó (Down by Law, EUA, 1986) – Nota 7
Direção – Jim Jarmusch
Elenco – Tom Waits, John Lurie, Roberto Benigni, Ellen Barkin, Nicoletta Braschi.

Este foi o terceiro longa dirigido por Jim Jarmusch e aquele que marcou o seu nome como grande realizador do cinema independente. Com um estilo próprio de filmar, nesse caso todo em preto e branco com uma bela fotografia de Robbie Muller que destaca os pântanos da Lousiana e utilizando dois músicos nos papéis principais (Tom Waits e John Lurie), ele realizou uma obra diferente, onde seus personagens incomuns tem uma grande força. 

A trama tem o radialista Zack (Tom Waits), o cafetão Willy (John Lurie) e o italiano falador Roberto (Roberto Benigni) se encontrando presos em um cela de cadeia no Estado da Louisiana em virtude de terem cometido pequenos delitos e lá sem ter o que fazer planejam um fuga. 

Não é um filme para todos os gostos, mas é agradável para os fãs de Jarmusch, que irão se divertir com os diálogos muitas vezes improvisados e em alguns casos até ingênuos. 

A curiosidade é a participação de Benigni e de sua esposa Nicoletta Braschi bem antes do sucesso de “A Vida é Bela”, sendo que ele voltaria a trabalhar com Jarmusch em “Uma Noite Sobre a Terra” e “Sobre Café e Cigarros”. 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Os Idiotas


Os Idiotas (Idioterne, Espanha / Dinamarca / Suécia / França / Holanda / Itália, 1998) – Nota 7
Direção – Lars Von Trier
Elenco – Bodil Jorgensen, Jens Albinus, Anne Louise Hassing, Troels Lyby.

Acabei de ler uma reportagem sobre a entrevista que Lars Von Trier deu no festival de Cannes e citou que sua família era nazista e que entendia Hitler. Este tipo de declaração misturada com outras anteriores e com seus filmes, fica claro que Von Trier é um marqueteiro que gosta de causar polêmica usando a maior cara de pau possível. Quem assistiu “Anticristo” por exemplo, não pode negar que a única intenção dele era chocar o público, o que acabou conseguindo. 

Sua carreira não é ruim, pelo contrário, tem bons trabalhos como este “Os Idiotas” e dramas como “Europa” e “Dançando no Escuro” mas sua intenção de chamar a atenção começou com o Movimento Dogma em meados dos anos noventa. O movimento foi criado por ele e pelo diretor dinamarquês Thomas Vinterberg, que pregavam um cinema mais simples, onde o som e a iluminação deveriam ser captados na hora da filmagem, a câmera deveria ser digital e usada na mão do diretor e estes detalhes não deveriam ser alterados na sala de edição. A idéia era boa, mesmo que no fundo fosse marketing puro e gerou filmes interessantes como “Festa de Família” de Vinterberg e “Mifune” de Soren Kragh Jacobsen, além de “Os Idiotas”. 

Este longa tem como base um grupo de amigos intelectuais que resolve agir como idiotas em todos os lugares, restaurantes, lojas, no dia a dia, culminando com uma orgia filmada em ângulos inusitados, inclusive com uma cena verdadeira de penetração. Como em quase todas as obras de Von Trier, a obra é polêmica, com as cenas filmadas com câmera na mão tremendo a todo momento e com certeza não sendo diversão para o consumidor de cinema, mas sim uma obra para cinéfilos analisarem e discutirem. Mesmo não gostando dos exageros do diretor, tenho de reconhecer que aqui ele acerta na inusitada história e nas curiosas cenas que beiram a anarquia.

terça-feira, 17 de maio de 2011

O Espião


O Espião (Fifty Dead Men Walking, Inglaterra / Canadá, 2008) – Nota 7,5
Direção – Kari Skogland
Elenco – Jim Sturgess, Ben Kingsley, Kevin Zegers, Natalie Press, Rose McGowan, Tom Collins, William Houston.

Em 1988 a Irlanda do Norte sofria há vinte anos com o confrontos entre o exército inglês e o IRA (Exército Republicano Irlandês), um grupo protestante que deseja a todo custo a separação do país do Reino Unido através de atentados terroristas. 

Neste contexto, o jovem católico Martin (Jim Sturgess) trabalha vendendo produtos roubados e acaba se tornando alvo do serviço secreto inglês, por parte do agente Fergus (Ben Kingsley). Fergus arma a prisão de Martin e oferece a ele um trabalho como espião, já que o jovem tinha contato com pessoas ligadas ao IRA. A princípio Martin não aceita, porém um violento fato muda sua opinião e faz com que ele comece a espionar o grupo, que está repleto de sujeitos conhecidos de Martin, inclusive seu melhor amigo Sean (Kevin Zegers). 

O longa é baseado numa história real de um sujeito que ainda hoje vive escondido, mesmo após o acordo de paz entre protestantes e católicos assinado em 2007, com a criação de um governo de coalisão. 

A história é tensa em diversos momentos, não defendendo lado algum, com o roteiro mostrando que as autoridades inglesas não respeitavam os direitos dos irlandeses e por outro lado o IRA é apresentado como um grupo terrorista que atacava tanto ingleses, com os próprios irlandeses que fossem contra a causa. 

O relacionamento criado entre os personagens de Jim Sturgess e Ben Kingsley chega a ser quase de pai e filho, dando força a história. 

Apesar de algumas cenas que parecem terem sido criadas para aumentar a tensão, o filme vale uma conferida.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Brincando de Seduzir


Brincando de Seduzir (Beautiful Girls, EUA, 1996) – Nota 7,5
Direção – Ted Demme
Elenco – Timothy Hutton, Lauren Holly, Mira Sorvino, Uma Thurman, Matt Dillon, Michael Rapaport, Natalie Portman, Noah Emmerich, Max Perlich, Annabeth Gish, Rosie O’Donnell, Puitt Taylor Vince.

Existem filmes que começam devagar parecendo que nada vai acontecer, mas que aos poucos a simpatia dos personagens e as situações bem próximas da realidade levam o espectador a uma agradável surpresa. Este ótimo drama com pitadas de romance dirigido pelo sobrinho de Jonathan Demme ("O Silêncio dos Inocentes"), o precocemente falecido Ted Demme, é um exemplo de como se pode fazer cinema de qualidade com atores interpretando personagens comuns. 

O longa começa com o pianista Willie (Timothy Hutton) voltando para sua cidade natal após perceber que fracassou no sonho de ter sucesso na cidade grande. Mesmo namorando a bela advogada Tracy (Annabeth Gish), ele está em dúvida em casar e principalmente em que caminho seguir na vida, sua volta a pequena cidade é uma de tentar se reencontrar. 

No retorno, Willie encontra os velhos amigos e a cidade da mesma forma que no passado. Seu melhor amigo é Tommy (Matt Dillon), que trabalha com um caminhão limpando neve e está dividido entre a esposa (Mira Sorvino) e a amante (Lauren Holly). Os outros dois colegas são o eterno adolescente Paul (Michael Rapaport) e o certinho Michael (Noah Emmerich) que tenta se mostrar feliz, mas sofre com as dificuldades do casamento e da vida. A novidade que surge na vida de Willie é o flerte proibido com sua vizinha Marty (Natalie Portman), uma garota de treze anos. 

A história se desenvolve mostrando como estes amigos na faixa dos trinta anos ainda vivem e tem dúvidas como adolescentes, dando ênfase ainda a importância das mulheres na vida de cada um, sendo elas as lindas mulheres do título original. 

O simpático elenco tem vários destaques, com Timothy Hutton mostrando que é um bom ator quando escolhe bem o papel, a jovialidade de Natalie Portman e ainda Rosie O’Donnell como a amiga de todos que não tem papas na língua. 

Para finalizar, a deliciosa trilha sonora completa o filme, tendo como destaque a canção “Sweet Caroline” de Neil Diamond, que é cantada num dos grandes momentos do filme. 

domingo, 15 de maio de 2011

Os Trapalhões

Quem conhece Renato Aragão apenas como o protagonista do programa sem graça "A Turma do Didi" ou ainda como o Embaixador da Unicef, não sabe que ele, Dedé Santana, Mussum e Zacarias foram os grandes campeões de bilheteria do cinema brasileiro entre 1976 e 1986. Os filmes de "Os Trapalhões" eram sinônimo de sucesso e na época praticamente a única opção de cinema para as crianças.

O grupo começou nos anos sessenta na tv com uma formação completamente diferente, tendo apenas Renato Aragão da formação consagrada. Nesta prévia, os outros integrantes eram o cantor Wanderley Cardoso, o ator Ivon Cury e o astro de luta-livre Ted Boy Marino.

O programa durou pouco e logo Renato Aragão partiu para o cinema, primeiro em carreira solo, depois em parceria com Dedé Santana no início dos anos setenta. Mussum e Zacarias entrariam no grupo na metade dos anos setenta e o grupo ficaria completo até a morte de Zacarias em 1990 e depois de Mussum em 1994.

Na lista de filmes abaixo contarei um pouco da trajetória do grupo no cinema, inclusive da rápida separação entre 1982 e 1983.

Bonga, o Vagabundo (Brasil, 1971)
Direção – Victor Lima
Elenco – Renato Aragão, Maria Claudia, Neila Tavares, Jorge Dória, Ronaldo Canto e Melo.
Antes de iniciar a parceria com Dedé Santana (que começaria no ano seguinte com "Ali Babá e os Quarenta Ladrões"), Renato Aragão estrelou esta comédia com pitadas de drama tentando seguir o estilo de Chaplin, sem comparação, é claro. Renato é Bonga, um vagabundo que aplica golpes para conseguir dinheiro e comida, sempre em situações inofensivas. Num certo dia ele acaba fazendo amizade com Ricardo (Ronaldo Canto e Melo), um rapaz de dinheiro que está sendo pressionado pelo pai (Jorge Dória) para casar. Ao mesmo tempo Bonga é apaixonado por uma garota (Maria Cláudia). O que começa como comédia, se transformar numa história melosa que tenta emocionar o público. É um filme um pouco diferente na carreira de Renato Aragão.

Simbad, o Marujo Trapalhão (Brasil, 1976)
Direção – J. B. Tanko
Elenco – Renato Aragão, Dedé Santana, Jorge Cherques, Carlos Kurt, Lutero Luiz, Edson Rabello, Rosina Malbouisson.
Na parceria com Dedé Santana, Renato Aragão estrelou diversos filmes nos anos setenta que eram paródias de clássicos da literatura ou do cinema americano. Aqui o  protagonista é Kiko (Renato Aragão), funcionário de um circo que acaba sendo sequestrado por ter sido confundido com um trapezista Simbad (Edson Rabello). O vilão (Carlos Kurt eterno vilão nos filmes e no programa de tv) é uma espécie de califa que tem uma lâmpada mágica e precisa do verdadeiro Simbad para localizar a Pedra Filosofal e se tornar rico. Apesar da precariedade e do humor rasteiro, o longa fez sucesso.

O Trapalhão no Planeta dos Macacos (Brasil 1976)
Direção – J. B. Tanko
Elenco – Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Milton Carneiro, Carlos Kurt.
Este é o primeiro filme com Mussum, que faz um papel menor. Ele é um guarda que persegue Conde (Renato Aragão) e Alex (Dedé Santana) após confundi-los com ladrões de jóias. Na fuga a dupla entra em um balão e cai no Planeta dos Macacos. Esta paródia ao clássico americano tem cenas engraçadas, boas perseguições e o eterno vilão Carlos Kurt vestido de macaco. 

O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (Brasil, 1977)
Direção – J. B. Tanko
Elenco – Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Monique Lafond, Francisco Di Franco, Carlos Kurt, Wilson Grey.
Pilo (Renato Aragão) e Duka (Dedé Santana) simulam brigas de rua para ganhar uns trocados, enquanto Fumaça (Mussum) recolhe o dinheiro das apostilas. Vendo uma destas lutas, a jovem Glória (Monique Lafond) decide contratar o trio para tentar resgatar seu pai, um arqueólogo que foi preso tentando encontrar as lendárias Minas dos Rei Salomão. Este foi o filme com maior sucesso de público do grupo e abriu as portas na TV para o programa de sucesso que foi ao ar até meados dos anos noventa.

Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (Brasil, 1978)
Direção – Adriano Stuart
Elenco – Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Zacarias, Pedrinho Aguinaga, Wilma Dias, Carlos Kurt, Emil Rached.
Esta paródia ao sucesso de “Guerra nas Estrelas” é provavelmente o filme mais trash do grupo. Começa com o quarteto fugindo de uma confusão e pegando carona num disco voador do príncipe Flick (Pedrinho Aguinaga) que pede ajuda ao grupo para resgatar a princesa Loya (Wilma Dias) das mãos de um ditador (Carlos Kurt novamente o vilão) em outro planeta. É o primeiro filme com a participação de Zacarias e com o programa de tv tendo sucesso absoluto no horário.

Os Saltimbancos Trapalhões (Brasil, 1981)
Direção – J. B. Tanko
Elenco – Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Zacarias, Lucinha Lins, Eduardo Conde, Mario Cardoso, Mila Moreira, Ivan Lins, Carlos Kurt.
Quatro funcionários de um circo (Os Trapalhões) se tornam as grandes atrações do lugar pela capacidade de fazer rir, o que desperta a inveja dos demais integrantes do circo. O longa é baseado no contos do Irmãos Grimm e acabou sendo um dos mais bem trabalhados filmes do grupo, com uma história com pitadas de drama e uma na trilha sonora com canções de Chico Buarque interpretadas por Lucinha Lins, que também trabalha no longa.

O Cangaceiro Trapalhão (Brasil, 1983)
Direção – Daniel Filho
Elenco – Renato Aragão, Dedé Santana, Zacarias, Mussum, Regina Duarte, Nelson Xavier, Tânia Alves, José Dumont.
O pastor de cabras Severino de Quixadá (Renato Aragão) ajuda a salvar o cangaceiro Capitão (Nelson Xavier) e seu bando de uma emboscada do Tenente Bezerra (José Dumont). Severino acaba se juntando ao banco, que tem ainda os outros três trapalhões como cangaceiros. Este longa foi a volta do grupo ao cinema após a rápida separação ocorrida no ano anterior em virtude de um briga por dinheiro. Dedé, Mussum e Zacarias descobriram que recebiam menos que Renato Aragão, tanto no salário da TV quanto nas bilheterias dos filmes, pelo que se sabe a produção dos filmes estava nas mãos de Renato e seu filho. A separação demorou menos de um ano e mesmo assim que gerou dois filmes solos de Renato Aragão, “O Incrível Monstro Trapalhão” e “O Trapalhão na Arca de Noé”, além de um longa com os outros três trapalhões chamado “Atrapalhando a Suate”. Como os três filmes não fizeram sucesso, o grupo se reconciliou, porém dizem que nunca mais a relação entre eles foi a mesma.

Os Trapalhões e o Mágico de Oroz (Brasil, 1984)
Direção – Dedé Santana & Victor Lustosa
Elenco – Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Zacarias, José Dumont, Arnaud Rodrigues, Maurício do Valle, Jofre Soares, Tony Tornado.
Este é um dos filmes mais bem trabalhados do grupo, seguindo o estilo de paródias de história famosas, aqui o grupo brinca com o “Mágico de Oz” transportando a ação para a seca nordestina e depois ao Rio de Janeiro. Didi (Renato Aragão) sai da uma pequena cidade do nordeste em busca de uma vida melhor e pelo caminho encontra os três amigos trapalhões. cada um caracterizado como o Leão Covarde, o Homem de Lata e o Espantalho, sendo o grupo transportado pelo Mágico de Oroz para o Rio de Janeiro onde começam sua aventura. Além de ter uma história bem trabalhada, o filme conta com bons coadjuvantes com boa carreira no cinema nacional, como José Dumont, Mauricio do Valle e Jofre Soares .

Os Trapalhões no Reino da Fantasia (Brasil, 1985)
Direção – Dedé Santana
Elenco – Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Zacarias, Xuxa, Beto Carrero, Maurício do Valle.
Os Trapalhões montam um espetáculo no orfanato de Irmã Maria (Xuxa), com o intuito de arrecadar fundos. Quando a bilheteria é roubada, Didi e Dedé perseguem os bandidos e acabam no Mundo de Beto Carrero, onde enfrentam os bandidos no estilo do Velho Oeste Americano. Mesmo sendo infantil, tem boas cenas de ação, correria e pastelão que agradaram as fãs. O grupo aqui utiliza a fama de Xuxa que estava no auge com seu programa de TV para atrair o público infantil.

Os Trapalhões e o Rei do Futebol (Brasil, 1986)
Direção – Carlos Manga
Elenco – Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Zacarias, Pelé, José Lewgoy, Luiza Brunet, Maurício do Valle, Milton Moraes.
O roupeio do time do Independência chamado Cardeal (Renato Aragão) é escolhido para ser o novo técnico do time pelos dirigentes, que na realidade querem ver o time perder. Com métodos malucos de treinamento, o time começa a ganhar atrapalhando os planos dos dirigentes. A presença de Pelé que faz o papel do goleiro é a grande atração do filme. Este também foi o último trabalho no cinema do diretor Carlos Manga, famoso pelos chanchadas dos anos cinqüenta.



sábado, 14 de maio de 2011

O Silêncio de Lorna


O Silêncio de Lorna (Le Silence de Lorna, Bélgica / França / Itália / Alemanha, 2008) – Nota 7
Direção – Jean Pierre & Luc Dardenne
Elenco – Arta Dobroshi, Jeremie Renier, Fabrizio Rongione, Alban Ukaj, Morgan Marinne.

A jovem albanesa Lorna (Arta Dobroshi) está casada com o belga Claudy Moreau (Jeremie Renier) apenas para conseguir a cidadania belga. Ela faz parte do esquema armado pelo italiano Fabio (Fabrizio Rongione), que trabalha como taxista mas na verdade lucra com casamentos arranjados entre estrangeiros. Como Claudy é viciado em drogas e aceitou o acordo pelo dinheiro, o plano de Fabio é matar o sujeito através de uma ovedose, o que não despertaria suspeitas das autoridades, já que tem armado um novo casamento entre Lorna e um russo, que também renderá uma boa grana. O problema é que Lorna mesmo tendo um relacionamento com Sokol (Alban Ukaj) que trabalha viajando, se afeiçoa a Claudy e tenta mudar os planos de Fabio, o que causará um problema ainda maior. 

Os irmãos belgas Dardenne utilizam o atual tema da imigração de pessoas do leste europeu para países com melhor condição de vida para contar esta história bem próxima da realidade, mas que na minha opinião perde força na escolha do final em aberto. 

A albanesa nascida em Kosovo Arta Dobroshi, interpreta com perfeição a jovem que precisa ser fria e esconder seus sentimentos para conseguir seu objetivo, porém na única vez em que deixa aflorar o que sente, acaba sendo obrigada a arcar com as conseqüências.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A Mexicana


A Mexicana (The Mexican, EUA, 2001) – Nota 6,5
Direção – Gore Verbinski
Elenco – Brad Pitt, Julia Roberts, James Gandolfini, J. K. Simmons, Bob Balaban, Sherman Augustus, David Krumholtz, Gene Hackman.

Jerry Wellbach (Brad Pitt) trabalha para um grupo mafioso em que o líder está preso por sua causa. Para pagar a dívida com o chefão, Jerry recebe a missão de buscar no México uma arma especial (a mexicana do título) e trazer consigo o sujeito que está com a arma. O trabalho que parece fácil se complica quando o dono da arma é assassinado e esta é roubada. Jerry conta o que ocorreu e os bandidos enviam seu amigo Ted (J. K. Simmons) para recuperar a arma e também matá-lo. Ao mesmo tempo, Samantha (Julia Roberts) que é namorada de Jerry, acaba seqüestrada por um assassino profissional (James Gandolfini) para ser usada como chantagem, caso Jerry tente fugir. 

Esta história repleta de personagens suspeitos e complicados renderia um grande filme nas mãos dos irmãos Cohen por exemplo, mas infelizmente o diretor Gore Verbinski tem a mão pesada e despediça boa parte da história nas ridículas discussões entre os personagens de Julia Roberts e Brad Pitt, além das pitadas de drama no sofrimento do personagem de James Gandolfini em virtude de sua condição. Como pontos positivos temos a boa utilização dos cenários mexicanos e a história da maldição que carrega a arma.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

A Noite dos Mortos Vivos (1968 e 1990)




A Noite dos Mortos Vivos (Night of the Living Dead, EUA, 1968) – Nota 8,5
Direção: George A. Romero
Elenco: Duane Jones, Judith O'Dea, Karl Hardman, Marilyn Eastman, Keith Wayne.

Os filmes de terror começaram a mudar em 1968 quando um jovem chamado George A. Romero, junto com alguns amigos estudantes de cinema, resolveu filmar com pouquissímo dinheiro "A Noite dos Mortos Vivos". Aqui pela primeira vez a sugestão foi deixada de lado, dando espaço para muito sangue e violência. 

Filmado em preto-e-branco, a história começa com um casal visitando um cemitério e do nada mortos começam a se levantar das tumbas e atacar. O casal se esconde dentro de um casa onde encontram com outras pessoas e  tentam de tudo para não deixar os zumbis sedentos de sangue e carne invadir o local. 

Esta história simples e as cenas de violência explícitas são comuns nos filmes de terror de hoje em dia, mas na época foram um marco, dando ao diretor um grande sucesso público e início de uma nova era no gênero terror.

A Noite dos Mortos Vivos (Night of the Living Dead, EUA, 1990) – Nota 7,5
Direção – Tom Savini
Elenco – Tony Todd, Patricia Tallman, Tom Savini, Tom Towles, William Butler, Katie Finneran, Bill Moseley.

Após vinte e dois anos, o especialista em efeitos especiais Tom Savini, criador da maquiagem dos zumbis no filme original, resolveu refilmar o clássico de George Romero, que aqui assina a produção. A história é basicamente a mesma, começando com um casal de irmãos (Patricia Tallman e Bill Moseley) chegando a um cemitério para visitar a mãe e sendo atacados por um zumbi. A moça consegue escapar e pega carona com um sujeito (Tony Todd) fugindo numa caminhonete. Os dois chegam em uma fazenda onde outras cinco pesoas estão escondidas no porão. 

O interessante da trama, além das violentas cenas de ataques dos zumbis, são os conflitos que se criam entre as pessoas no porão, que desejam sobreviver a qualquer custo, sendo também uma crítica ao comportamento humano. O resultado é um bom filme B, que não faz feio perto do original e pode até agradar mais o público atual por ser em cores.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

72 Horas


72 Horas (The Next Three Days, EUA / França, 2010) – Nota 7,5
Direção – Paul Haggis
Elenco – Russell Crowe, Elizabeth Banks, Liam Neeson, Lenny James, Jason Beghe, Brian Dennehy, Helen Carey, Olivia Wilde, Michael Buie, Moran Atias, Aisha Hinds, Daniel Stern, Jonathan Tucker, RZA, James Ransone, Allan Steele.

O casal John Brennan (Russell Crowe) e Lara (Elizabeth Brennan) tem sua vida virada de ponta cabeça quando ela é presa acusada de ter assassinado sua chefe. Todas as provas apontam para Lara, que acaba condenada. Após três anos na cadeia, John é avisado pelo advogado que a apelação não se sustenta e Lara terá de cumprir toda a pena. Desesperado, John procura um ex-detento (Liam Neeson) especialista em fugas, que escreveu um livro contando toda sua experiência e consegue uma espécie de consultoria de como planejar uma fuga. É o início de um plano meticuloso que John colocará em prática para tentar resgatar a esposa da prisão e fugir. 

O diretor e roteirista Paul Haggis que fora premiado por “Crash”, acerta na adaptação de um livro francês que tem como um dos pontos principais, deixar o espectador na dúvida da inocência ou culpa da protagonista até as últimas cenas, além do bom desenrolar da história que cria momentos de intenso suspense, como na sequência da visita do personagem de Russell Crowe à prisão e principalmente na parte final, quando o plano de fuga é posto em prática. 

Mesmo não sendo um grande filme, prende a atenção com competência e vale uma conferida para quem gosta do gênero.

terça-feira, 10 de maio de 2011

A 20 Milhões de Milhas da Terra & Os Primeiros Homens na Lua


O diretor Nathan Juran começou a carreira na tv americana ainda nos anos cinquenta, tendo dirigido diversos episódios de séries clássicas dos anos sessenta como "Terra de Gigantes", "Viagem ao Fundo do Mar", "Perdidos no Espaço" e "O Túnel do Tempo", dividindo o tempo com produções de filmes B. 

Seus trabalhos mais conhecidos foram em parceria com o especialista em efeitos especiais Ray Harryhausen, com quem fez "15 de Metros de Mulher", "Jack, o Matador de Gigantes", "Simbad e a Princesa" e estes outros dois filmes que comento aqui. Juran faleceu em 2002 aos 95 anos.

A 20 Milhões de Milhas da Terra (20 Million Miles to Earth, EUA, 1957) – Nota 6
Direção – Nathan Juran
Elenco – William Hopper, Joan Taylor, Frank Puglia, John Zaremba, Thomas Browne Henry, Arthur Space.

Um foguete lançado para explorar Marte retorna à Terra e cai na costa italiana com apenas dois sobreviventes que são resgatados por pescadores, o Coronel Robert Calder (William Hopper) e Dr. Sharman (Arthur Space) que morre logo em seguida, trazendo ainda uma estranha criatura dentro de um tubo. O problema começa quando um garoto encontra o tubo e vende a criatura para um veterinário, que decide levar o estranho animal para Roma. A questão é que o bicho cresce rapidamente, se transformando numa espécie de dinossauro e destruindo tudo que vê pela frente. 

O maior destaque deste filme B é a criatura e os efeitos especiais obras do especialista Ray Harryhausen, o craque dos filmes de ficção de baixo orçamento, que com muito criatividade deu vida a dezenas de monstros no cinema, inclusive do original “Fúria Titãs”, seu último trabalho no cinema em 1981. 

A história é cheia de clichês, copiando filmes diversos como os Godzillas japoneses e o clássico “King Kong”, tendo a curiosidade de utilizar Roma como cenário, inclusive com uma sequência final dentro do Coliseu.

Os Primeiros Homens na Lua (First Men in the Moon, EUA, 1964) – Nota 7
Direção – Nathan Juran
Elenco – Edward Judd, Martha Hyer, Lionel Jeffries.

Quando as Nações Unidas planejam enviar um grupo de astronautas para lua, um homem extremamente idoso (Edward Judd) conta que sessenta e cinco anos antes, ele, sua noiva (Martha Hyer) e um cientista (Lionel Jeffreys) criaram um foguete e chegaram à lua, onde tiveram de enfrentar os terríveis Selenitas, criaturas com corpo humano e cabeça de formiga. 

O longa é baseado numa obra de H.G.Wells (“Guerra dos Mundos”) e tem também como destaque as criaturas e os efeitos especiais de Harry Harryhausen, além do bom roteiro que conta a história em flashback, através das memórias do velho homem. Nos anos oitenta este simpático filme passou diversas vezes na sessão da tarde.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Capitalismo: Uma História de Amor


Capitalismo: Uma História de Amor (Capitalism: A Love Story, EUA, 2009) – Nota 8
Direção – Michael Moore
Documentário

Desta vez o premiado e polêmico documentarista Michael Moore volta suas armas para o capitalismo e acerta em cheio ao mostrar como este sistema vendido pelos governantes como símbolo da democracia é na verdade um jogo de cartas marcadas, onde um número ínfimo de pessoas domina 99% da riqueza mundial. 

Moore volta pelo menos cinqüenta anos na história, quando o governo americano usava uma propaganda massificada para vender o capitalismo, dizendo que a livre iniciativa e a concorrência eram o melhor caminho para ganhar a vida e que todos poderiam usufruir de parte do bolo da riqueza. Como Moore explica, na época a Europa e o Japão estavam devastados após a Segunda Guerra e os EUA era a única potência inteira, com suas indústrias produzindo a todo vapor e exportando para o mundo inteiro. 

A situação se modifica quando o ex-ator e candidato republicano Ronald Reagan assume a presidência em 1980 e tem a seu lado como conselheiro um sujeito que era presidente da Merryl Lynch, uma das maiores corporações financeiras do mundo à época. Para a elite que chegava ao poder, os novos tempos deveriam priorizar o mercado financeiro, o que aos poucos se mostrou uma tragédia para a classe média trabalhadora.

Enquanto países como Alemanha e Japão se levantavam e suas indústrias cresciam, as corporações americanas perdiam força e como conseqüência milhares de trabalhadores eram demitidos, algumas quebraram e outras com o apoio de lobbistas (em sua maioria políticos) conseguiram aportes financeiros do próprio governo para se manter. 

O documentário mostra ainda as conseqüências da chamada “Bolha Imobiliária”, onde bancos e financeiras com a ajuda de nomes famosos do mercado financeiro, como o ex-presidente do Banco Federal Americano Alan Greenspan, fizeram a cabeça de grande parte da população, que para conseguir crédito hipotecou seus imóveis para pagamento em dez, vinte anos tendo de pagar um valor alto de juros. Quando a crise financeira estourou e o desemprego bateu a porta de muita gente, a inadimplência explodiu e os bancos começaram a retomar imóveis e colocar famílias inteiras na rua. 

Fica clara a triste semelhança com a realidade brasileira, que infelizmente nos anos sessenta quando os militares tomaram o poder (com apoio do governo americano), resolveram seguir o modelo econômico americano e hoje vemos que nos dois países a distância entre trabalhadores e a classe alta é imensa, com os mesmos problemas de corrupção nos governos, as empresas multinacionais agindo como fossem donas do país e o total descaso com população. 

Para finalizar, um detalhe terrível, numa das sequências Michael Moore mostra uma prática comum em diversas corporações, que fazem um seguro de vida sobre os funcionários e lucram no caso de morte, um absurdo sem comentários. 

domingo, 8 de maio de 2011

Manhattan


Manhattan (Manhattan, EUA, 1979) – Nota 8
Direção – Woody Allen
Elenco – Woody Allen, Diane Keaton, Michael Murphy, Mariel Hemingway, Mery Streep, Anne Byrne.

Isaac (Woody Allen) é um roteirista de tv que pretende ser escritor, tem quarenta e dois anos e namora a jovem Tracy (Mariel Hemingway) de dezessete. Enquanto a garota se apaixona por ele, Isaac faz de tudo para não criar um laço mais forte com a jovem, acentuando este pensamento quando conhece a jornalista intelectual Mary (Diane Keaton), que é amante de seu melhor amigo, Yale (Michael Murphy). Quando Yale desiste da amante com medo de perder a esposa (Anne Byrne), Isaac se envolve com Mary e deixa de lado a jovem Tracy. Isaac ainda precisa lidar com a ex-esposa (Meryl Streep), que assumiu ser lésbica e está escrevendo um livro sobre a separação deles. 

Esta ciranda de amores e traições é também uma homenagem a cidade de Nova York, com o personagem de Allen declarando seu amor ao local e também mostrando os problemas desde a narração inicial e depois pelas cenas que se passam em diversos pontos turísticos, como a Ponte do Brooklin, o Central Park e o Planetário. 

A direção de arte é ótima, com uma sensacional fotografia em preto e branco de Gordon Willis e finalizando com as ótimas interpretações do elenco, com destaque para Allen como sempre interpretando o sujeito falador cheio de manias, Diane Keaton como a intelectual, Meryl Streep com a seca ex-esposa e até a jovem Mariel Hemingway, que transborda inocência e jovialidade num papel delicado, por sinal sua melhor interpretação na carreira.   

quarta-feira, 4 de maio de 2011

No Calor da Noite


No Calor da Noite (In the Heat of the Night, EUA, 1967) – Nota 8,5
Direção – Norman Jewison
Elenco – Sidney Poitier, Rod Steiger, Warren Oates, Lee Grant, Scott Wilson, Larry Gates.

Na cidade de Sparta no Mississipi, um rico empresário que planejava construir uma fábrica no local é encontrado morto e a investigação fica por conta do xerife Bill Gillespie (Rod Steiger). Na manhã seguinte ao assassinato, o policial Sam (Warren Oates) desconfia de um negro desconhecido na estação de trem e o prende como suspeito. Na delegacia Sam e o xerife descobrem que o sujeito é Virgil Tibbs (Sidney Poitier), um detetive da Filadélfia. A complicado situação faz com que Gillespie peça ajuda Tibbs para solucionar o caso, o que acarretará mais problemas em virtude de parte da população ser racista. 

Este ótimo drama policial sobre preconceito e racismo é um dos grandes filmes dos anos sessenta, sendo vencedor de cinco Prêmios Oscar, entre eles de Melhor Filme e Melhor Ator para Rod Steiger. 

O sucesso do longa fez Sidney Poitier voltar ao papel de Tibbs outras duas vezes, em “Noite Sem Fim” de 1970 e “A Organização” de 1971, além de gerar uma série que foi ao ar entre 1988 e 1994 com o falecido Howard E. Rollins Jr (ator de "Na Época do Ragtime") no papel principal. 

Como curiosidade, Sidney Poitier foi um dos atores mais engajados na luta dos direitos dos negros nos EUA e no mesmo ano deste filme, estrelou também outro drama sobre preconceito, o simpático e bem mais leve “Adivinhe Quem Vem Para Jantar”, com Katherine Hepburn e Spencer Tracy, este em seu último trabalho. 

terça-feira, 3 de maio de 2011

Beleza Americana


Beleza Americana (American Beauty, EUA, 1999) – Nota 8,5
Direção – Sam Mendes
Elenco – Kevin Spacey, Annette Benning, Thora Birch, Wes Bentley, Mena Suvari, Peter Gallagher, Chris Cooper, Allison Janney, Scott Bakula, Sam Robards.

Lester Burnham (Kevin Spacey) é um sujeito na crise da meia-idade, preso a um emprego burocrático, ao casamento com a fútil Carolyn (Annette Bening), com quem o amor acabou há muito tempo e odiado pela filha adolescente (Thora Birch). 

Sua vida muda quando ele conhece a bela e safadinha Angela (Mena Suvari), com quem começa a flertar, a questão é que a garota é uma adolescente amiga de sua filha. Ao mesmo tempo, sua filha tenta manipular o namorado drogado Ricky Fitts (Wes Bentley) para matar seu pai, a quem ela considera um fracassado. Ricky é filho de um militar durão (Chris Cooper) que odeia o casal de vizinhos homossexual (Scott Bakula e Sam Robards). 

Finalizando os personagens, Carolyn tenta se mostrar a esposa perfeita e a profissional competente, mas acaba se envolvendo com um corretor de imóveis (Peter Gallagher). O próprio Lester após morrer é quem contará sua história em flashback, desde o momento em que decidiu mudar de vida até sua morte. 

Este ótimo drama é um crítica ácida ao estilo de vida americano nos subúrbios, onde tudo à vista parece perfeito, porém a realidade de cada um é cheia de frustrações, vícios, inveja e preconceito. 

O longa venceu cinco prêmios Oscar, de Melhor Filme, Direção para Sam Mendes que estreava no cinema, Ator para Kevin Spacey, Fotografia com Conrad Hall e pelo magnífico Roteiro de Alan Ball. Para quem não sabe, Alan Ball é o criador da ótima série “À Sete Palmos” (“Six Feet Under”) que seguia e muito a crítica a sociedade mostrada em “Beleza Americana” e do atual sucesso “True Blood”.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Manipulação e Mentiras

Novamente peço licença aos leitores do blog para mudar o assunto. Deixo hoje o cinema de lado com o intuito de utilizar este espaço para comentar três fatos que ocorreram entre ontem e hoje. São três situações bem diferentes, mas que pairam sobre elas nuvens escuras que tentam esconder mentiras através da manipulação, sendo um triste retrato do mundo atual.

O primeiro fato é o menos importante na questão geral, mas afetou pelos menos quinze milhões de torcedores do Palmeiras, onde eu estou incluído. Durante a semana um jornal de SP publicou que o árbitro da partida de ontem seria um sujeito a qual nem citarei o nome, o problema é que haveria um sorteio para escolha do árbitro e por uma premonição do jornalista (ou seria fonte?), entre os oito árbitros no sorteio a bolinha premiada foi a deste sujeito. O resultado vimos ontem, um jogo de cartas marcadas que terminou com o Palmeiras sendo prejudicado até a médula.

O currículo deste árbitro na história de jogos do Palmeiras é o seguinte, contando a partida de ontem: Em 27 partidas o Palmeiras venceu apenas 8, sendo que na quantidade geral de jogos da história do clube são 60% de vitórias, o que o normal seria em torno de 15 vitórias nesta caso, porém com este senhor apitando temos menos de 30%. Além disso, nestas 27 partidas ele expulsou 17 jogadores do clube e marcou 11 pênaltis. Para quem não se liga em futebol, estas expulsões são como se o mesmo guarda de trânsito ficasse na esquina da sua residência e cada duas vezes que você saísse com o carro ele anotasse uma multa pelos mais variados motivos.

O segundo fato foi a vergonhosa prova de Fórmula Indy aqui em SP. Há mais de um mês que a prefeitura e os organizadores atrapalham o trânsito na marginal ao lado do conhecido Anhembi, local da prova para montar o circuito. Para quem vive em SP sabe como é complicado transitar na marginal e a imensa quantidade de carros que passam a todo minuto por lá, mas para nosso prefeito isto é apenas um detalhe. Ontem por causa da chuva e de um acidente no início da prova, o evento acabou adiado e transferido para hoje, isso mesmo, para uma segunda-feira pela manhã num dos locais de maior trânsito da cidade.

Por si só esta prova num dia de trabalho é um absurdo gigantesco, junte-se as palavras do prefeito que disse algo como "o cidadão de SP tem de se acostumar com grandes eventos". Será que as empresas não irão descontar o horário de atraso de milhares de pessoas? Ou talvez até demitir algumas pessoas? As pessoas que perderam o horário para consulta em médicos ou outras situações de urgência serão reparadas?

Para completar esta loucura, ontem um grande executivo do canal que transmitia a prova disse que as pessoas que compraram ingresso e que não pudessem voltar ao local hoje para assistir, não seriam reembolsadas.

Não fui prejudicado com esta situação, mas o absurdo das atitudes são um tapa na cara do povo. Fica claro que o canal pensava apenas no lucro e não iria arcar com prejuízo algum, mas provavelmente algumas pessoas entrarão com ação para ressarcimento, o que não prejudicará em nada o montante arrecadado pelo canal.

Parte da mídia mostra que grandes eventos trazem lucros para cidade, o que é uma grande mentira, os lucros acabam nas mãos de poucos, alguns hotéis de luxo, as empresas organizadoras do evento e outros poucos envolvidos. Para a população sobram as contas das obras, apenas isso.

O último tema é a morte de Bin Laden. Navegando pela net nos deparamos com teorias de conspiração aos montes, das mais absurdas até aquelas que tem grande sentido. Mesmo sabendo que grande parte destas teorias são bobagens, hoje fica muito difícil acreditar na história da morte de Bin Laden. Nós, meros mortais nunca saberemos ao certo o que houve, mas duvido que tenham jogado o corpo do sujeito no mar, posso estar errado, mas vejo nisso uma da maiores mentiras que a mídia americana já lançou.

Sumir com o corpo de Bin Laden é o modo mais fácil de esconder o que realmente houve e a questão principal agora é saber o porquê desta história. Alguns citam que Obama começou a campanha para reeleição há poucos dias e isso pode ajudar na votação, outros que os EUA planejam alguma nova investida militar para reerguer a economia através da indústria bélica e a morte de Bin Laden seria o estopim para uma retaliação da Al Qaeda e o motivo para os americanos reafirmarem seu poder militar.

Nos três fatos citados o que me deixa mais preocupado e irritado é a participação da mídia. Peço desculpas as jornalistas sérios e os estudantes de jornalismo que passam por aqui, mas a cada dia fica mais difícil filtrar o que é realmente verdade ou manipulação da mídia. Os grandes veículos estão vinculados a políticos, dirigentes de futebol, grandes corporações e governos, desta forma noticiando o que é de interesse destes grupos, algo como julgar em causa própria e no caso do Brasil em que grande parte da população tem pouco acesso a informação e ao estudo, fica mais fácil manipular as notícias sem questionamente popular.

Para finalizar, poderia citar ainda as mentiras e os absurdos gastos que estão por vir com a Copa do Mundo e as Olímpiadas, quem viver verá.

domingo, 1 de maio de 2011

Assassinato na 10º Avenida


Assassinato na 10º Avenida (Slaughter on Tenth Avenue, EUA, 1957) – Nota 7,5
Direção – Arnold Laven
Elenco – Richard Egan, Jan Sterling, Dan Dureya, Julie Adams, Walter Matthau, Charles McGraw, Sam Levene, Mickey Shaughnessy.

O novato promotor Bill Keating (Richard Egan) é designado para acompanhar a investigação da tentativa de assassinato de um líder do sindicato dos estivadores de Nova Iorque e se vê no meio de uma guerra silenciosa entre estivadores e o chefão do porto (Walter Matthau curiosamente num papel de vilão) e ainda precisa enfrentar a falta de apoio de seu superior para conseguir montar o caso e levar os culpados a julgamento. 

O filme é uma adaptação do livro do verdadeiro Bill Keating, que conta uma história real e tem uma trama interessante que lembra um pouco “Sindicato de Ladrões”, porém sem a mesma qualidade. A história segue o formato dos filmes policiais de baixo orçamento feito nos anos quarenta e cinquenta, quase sempre em preto e branco e com foco em personagens fortes.