sexta-feira, 20 de maio de 2011

Pecados Íntimos


Pecados Íntimos (Little Children, EUA, 2006) – Nota 7,5
Direção – Todd Field
Elenco – Kate Winslet, Patrick Wilson, Jennifer Connelly, Jackie Earle Haley, Noah Emmerich, Gregg Edelman, Phyllis Somerville, Jane Adams.

Num pacato bairro de subúrbio, alguns personagens escondem segredos, traumas e frustações. Tudo começa quando Sarah (Kate Winslet) leva sua pequena filha ao parquinho da cidade para brincar e se sente deslocada ao participar das conversas com outras mães, que são felizes em ser donas de casa. 

A situação se modifica quando um sujeito, Brad (Patrick Wilson) passa a visitar o local com seu filho e deixa as donas de casa babando, porém com um sentimento platônico. Curiosa, Sarah resolve se aproximar de Brad, dando início a um relacionamento de duas pessoas frustradas com seus casamentos e suas vidas. O marido de Sarah, Richard (Gregg Edelman) é um executivo que se masturba vendo fotos na internet e a esposa de Brad, Kathy (Jennifer Connelly) dá toda sua atenção ao trabalho e ao filho, deixando o marido de lado. Enquanto isso, o ex-policial Larry (Noah Emmerich) persegue pelo bairro o pedófilo Ronnie (Jackie Earle Haley), que voltou a morar com a mãe (Phyllis Somerville), sendo visto como ameaça pelos vizinhos. 

O ator Todd Field (coadjuvante em “De Olhos Bem Fechados” e “A Casa Amaldiçoada”) acerta nesta sua segunda incursão na direção de um longa (o anterior foi o drama “Entre Quatro Paredes”) ao seguir uma linha de trabalho semelhante a outros dois diretores chamados Todd: O Haynes de “Longe do Paraíso” e o Solondz de “Felicidade”. Estes dois filmes assim como “Pecados Íntimos”, mexem nos segredos que a classe média americana tenta jogar debaixo do tapete ao mostrar problemas reais como frustração nos relacionamentos, na carreira profissional, a dificuldade de lidar com crianças, além dos preconceitos contra tudo que é diferente do politicamente correto. 

Além disso, assim como em “Felicidade”, aqui temos um personagem pedófilo infiltrado neste mundo aparentemente perfeito do subúrbio, sendo muito bem interpretado por Jackie Earle Haley, que concorreu ao Oscar de Ator Coadjuvante, misturando momentos em que espectador sente repulsa pelas suas atitudes, com outros em que o sentimento é a compaixão por um sujeito doente que não consegue controlar seus impulsos. 

O filme concorreu ainda ao Oscar de Melhor Atriz com Kate Winslet e Roteiro Adaptado com Todd Field e Tom Perrotta. 

A narração fria passa a sensação de estarmos vendo um contos de fadas trágico, onde a realidade é muito mais forte que os sonhos.

6 comentários:

Alan Raspante disse...

Faz pouco tempo que vi esse filme, mas me lembro pouco dele. Lembro de ter gostado bastante... Bem, preciso rever.

Celo Silva disse...

bom filme e grande atuação de Kate Winslet e Jack Earle Harley que fez o Roscharch em Watchmen.
Vlw

Roberto Simões disse...

Com excelentes desempenhos (Kate Winslet, Patrick Wilson e Jackie Earle Haley), com uma magnífica e subtil banda sonora (Thomas Newman) e com uma sublime fotografia, iluminação e mise en scène (Antonio Calvache)... chega até nós um fascinante e portentoso concentrado de cinema, com um potencial imenso para revitalizar o género. Um filme assombroso.

Roberto Simões
CINEROAD

Sarah disse...

Sublime! É um filme fantástico marcado com interpretações magistrais. Também revi o filme recentemente... Nunca é demais!

Sarah
http://depoisdocinema.blogspot.com

Hugo disse...

Alan - É um ótimo drama.

Celo - Ainda não conferi "Watchmen".

Roberto - É uma grande realização.

Sarah - Valeu pela visita, em seguindo irei conhecer seu blog.

Abraço a todos

Edson Cacimiro disse...

Esse filme é muito bom, realmente mexe na ferida americana,ótimo elenco.