quinta-feira, 9 de abril de 2015

Brazil, o Filme & 1984


Brazil, o Filme (Brazil, Inglaterra, 1985) – Nota 7.5
Direção – Terry Gilliam
Elenco – Jonathan Pryce, Kim Greist, Robert De Niro, Ian Holm, Michael Palin, Bob Hoskins, Peter Vaughan, Ian Richardson, Katherine Helmond, Jim Broadbent.

Visto nos dias de hoje, “Brazil, o Filme” pode ser considerado uma obra profética, que misturava os problemas que o mundo enfrentava na época, com outros que surgiriam nas décadas seguintes. A história se passa num futuro cinzento, em uma sociedade opressora onde o papel do Estado é basicamente dominar a população na base da burocracia exagerada e do medo. A escolha do “Brazil” como título pode ser uma alusão ao final da ditadura pelo qual o país passava no início dos anos oitenta e também pela sociedade anacrônica da época, onde a burocracia era tão grande que existia até mesmo o Ministério da Desburocratização. 

No filme, o governo totalitário utiliza computadores enormes e máquinas estranhas para catalogar as pessoas, tudo criado pela mente do ótimo Terry Gilliam. O personagem principal é o funcionário público Sam Lowry (Jonathan Pryce) sujeito politicamente alienado, que passa seu tempo livre sonhando em voar, com o mar e também com uma garota (Kim Greist). Quando Sam descobre que a garota realmente existe, o sujeito apaixonado se envolve com a jovem que luta contra o governo. A decisão amalucada de Sam o coloca como um terrorista procurado pelo governo. 

A profecia que citei no início do texto, pode ser comprovada por situações mostradas no filme, como o hábito das personagens mais velhas em se submeterem a cirurgias plásticos absurdas, a importância dos computadores em “organizar” e “ vigiar” a sociedade e até o terrorismo, perigo comum na atualidade. 

Vale destacar ainda a participação de Robert De Niro como um encanador que também luta contra o governo e os vários bons coadjuvantes com Ian Holm, Bob Hoskins e Michael Palin. Por sinal, Palin e o diretor Terry Gilliam foram companheiros de “Monty Python” e o estilo de comédia visual anárquica do grupo é um dos pontos principais deste filme. 

Alguns críticos citam que “Brazil, o Filme” pode ser considerado uma mistura de “1984” de Orwell, com “O Processo” de Kafka e o humor do Monty Python. 

Não é uma obra para todos os gostos, mas não deixa ter uma grande importância cinematográfica, sendo um verdadeiro cult.

1984 (Nineteen Eighty-Four, Inglaterra, 1984) – Nota 7
Direção – Michael Radford
Elenco – John Hurt, Richard Burton, Susanna Hamilton, Cyril Cusack, Gregor Fisher.

Após a guerra atômica, em uma sociedade futurista totalitária, Winston Smith (John Hurt) é um funcionário do Ministério da Verdade que não se importa em se submeter as vontades do governo, entre elas, a obrigação de diariamente adorar a figura do “Grande Irmão”, uma espécie de Deus. 

Winston praticamente não lembra de seu passado e trabalha publicando novas versões de notícias antigas, sempre de acordo com os interesses do governo. Sua vida passa a correr perigo, quando ele começa a sentir-se atraído por uma colega de trabalho (Susanna Hamilton), lembrando que o sexo é autorizado apenas para procriação. Ao mesmo tempo, um burocrata do partido do governo (Richard Burton) se aproxima de Winston, a princípio como um amigo, mas tendo como verdadeira intenção utilizar o sujeito como um instrumento político. 

O clássico livro de George Orwell escrito em 1949 se baseou no poder que líderes mundiais demonstraram naquela época. Carniceiros como Hitler e Stalin foram exemplos de figuras que controlavam as massas com apoio de uma elite repressora. Neste contexto, o controle do Estado sobre a população seria o ponto principal, situação que por mais de quarenta anos foi comum nos países comunistas e em outras ditaduras espalhadas pelo mundo. 

O filme é frio, o futuro mostrado é cinza e as pessoas parecem zumbis obedecendo cegamente as leis, sem questionamento algum. 

Vale destacar a atuação de um assustado e sofrido John Hurt e citar que este foi o último trabalho do grande Richard Burton, que faleceria no mesmo ano.  

4 comentários:

Gustavo H. Razera disse...

Concordo com os dois textos. Não tinha percebido a presciência de BRAZIL. É um filme que definitivamente não está datado.

Mas acho que o texto de Orwell se beneficiaria de uma versão um pouquinho menos apática que a de Radford, a despeito de seu bom elenco e da produção.

Cumps.

Hugo disse...

Gustavo - "Brazil" é um filme que não envelheceu.

Também acho o filme de Radford apenas razoável.

Abraço

Amanda Aouad disse...

Não vi Brazil, mas, interessante essa comparação. Já 1984, enquanto filme deixa a desejar mesmo.

bjs

Hugo disse...

Amanda - Brazil é uma verdadeira viagem maluca.

Bjos