sábado, 31 de março de 2012

Fuga Alucinada

Fuga Alucinada (Dirty Mary Crazy Larry, EUA, 1974) – Nota 7
Direção – John Hough
Elenco – Peter Fonda, Susan George, Adam Roarke, Vic Morrow, Kenneth Tobey, Roddy McDowall.

O piloto Larry (Peter Fonda) e o mecânico Deke (Adam Roarke) sequestram a família de um gerente de supermercado (Roddy McDowall que não aparece nos créditos) para que este facilite o roubo de uma quantia que será usada para a dupla montar um carro para participar das corridas de Nascar. 

O plano começa a mudar durante a fuga, quando Mary (Susan George) que passou a noite com Larry, resolve se juntar a dupla. É o início de uma caçada pelas rodovias americanas, liderada pelo policial durão Everett Franklin (Vic Morrow). 

Famoso pelo sucesso de “Sem Destino”, Peter Fonda seguiu por boa parte da carreira interpretando papéis de personagens rebeldes, aqui num filme com estilo semelhante aos road movies clássicos da contracultura, como o original “60 Segundos” e o ótimo “Corrida Contra o Destino”. As cenas de perseguição são bem filmadas, longe dos exageros atuais, inclusive com uma sequência em que um helicóptero da polícia persegue o automóvel dos protagonistas. 

A curiosidade mórbida é que o ator Vic Morrow (pai da atriz Jennifer Jason Leigh) que participa desta sequência de perseguição, faleceu em 1983 num acidente de helicóptero durante as filmagens de “No Limite da Realidade”.

sexta-feira, 30 de março de 2012

O Segredo da Cosa Nostra

O Segredo da Cosa Nostra (The Valachi Papers, França / Itália, 1972) – Nota 7
Direção – Terence Young
Elenco – Charles Bronson, Lino Ventura, Jill Ireland, Joseph Wiseman, Walter Chiari, Amedeo Nazzari.

Este longa baseado numa história real, conta a vida de Joseph Valachi (Charles Bronson), um sujeito que entra para Máfia como motorista e se torna um assassino. Quando ele se apaixona e casa com Maria (Jill Ireland, esposa de Bronson na vida real), filha de um de chefão, começam seu problemas. Joseph acaba sendo preso e resolve delatar os comparsas para o FBI, causando a ira em Dom Vito Genovese (Lino Ventura), que coloca a cabeça de Joseph a prêmio. 

O produtor italiano Dino de Laurentiis pegou carona no sucesso de “O Poderoso Chefão” e levou as telas esta interessante história, que foi copiada diversas vezes nos anos seguintes. O personagem de Bronson narra a história em flashback, contando sua ascensão dentro da Máfia e seus crimes, de uma forma seca, diferente do estilo grandioso que Coppola criou em seu clássico. 

Dos vários filmes que Charles Bronson estrelou na Europa entre 1968 e 1973, este é um dos melhores, lógico que bem longe do grande clássico “Era Uma Vez no Oeste”. 

Como curiosidade, o diretor inglês Terence Young dirigiu três filmes da série James Bond com Sean Connery, inclusive “O Satânico Dr. No” que foi a primeira aparição do agente britânico no cinema. 

quinta-feira, 29 de março de 2012

A Confissão

A Confissão (The Statement, EUA, 2003) – Nota 7,5
Direção – Norman Jewison
Elenco – Michael Caine, Tilda Swinton, Jeremy Northam, Alan Bates, Charlotte Rampling, John Neville, Ciaran Hinds, Frank Finlay, Matt Craven, Colin Salmon. 

Durante a Segunda Guerra Mundial o jovem oficial francês Pierre Brossard ajudou os nazistas na execução de sete franceses. 

Quase cinqüenta anos depois, já idoso, Pierre (Michael Caine) passa a ser perseguido por misteriosos assassinos e ao mesmo tempo por uma juíza (Tilda Swinton) e um coronel (Jeremy Northam) que querem denunciá-lo por crimes de guerra. Na tentativa de fugir, Brossard pede ajuda a integrantes do alto escalão da Igreja Católica, que por motivos não bem explicados, o protegeram todos estes anos. 

O veterano diretor Norman Jewison parte de uma premissa interessante, a caçada a criminosos de guerra envolvidos com a Igreja Católica, mas acaba entregando um trabalho apenas correto, que tem como ponto principal o bom elenco liderado pela boa atuação de Michael Caine.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Rocky III - O Desafio Supremo

Rocky III – O Desafio Supremo (Rocky III, EUA, 1982) – Nota 7
Direção – Sylvester Stallone
Elenco – Sylvester Stallone, Talia Shire, Burt Young, Carl Weathers, Burgess Meredith, Mr. T, Tony Burton, Hulk Hogan.

Após derrotar Apollo “O Doutrinador” Creed (Carl Weathers) e se tornar Campeão Mundial, Rocky Balboa (Stallone) curte seu reinado morando em uma mansão com a esposa Adrian (Talia Shire) e seu filho, além de enfrentar lutadores fracos para manter seu título. 

Quando Rocky anuncia sua aposentadoria, é acusado por Clubber Lang (Mr. T) de ter medo de enfrentá-lo, já que ele seria o próximo desafiante. Acreditando que seria mais um vitória certa, Rocky aceita enfrentar o sujeito e acaba perdendo o título. Além disso acontece uma tragédia e Rocky entra em depressão, porém será ajudado por quem menos se podia esperar, seu antigo rival Apollo. 

Este terceiro filme da série continua a história de Rocky de uma forma esperada, mostrando que quando se chega ao topo e a pessoa começa a aproveitar as vantagens, acaba deixando de lado a determinação que o fez chegar lá. Isso fica claro no roteiro que mostra Rocky já como um astro, protagonizando comerciais e eventos de caridade, inclusive uma bizarra luta de exibição com um astro de luta-livre interpretado por Hulk Hogan. Lógico que o filme perde um pouco a força na utilização dos clichês de superação, que tentam igualar o impacto dos filmes anteriores sem o mesmo sucesso. Apesar deste detalhe, o filme fez grande sucesso nos cinemas.

terça-feira, 27 de março de 2012

Papillon

Papillon (Papillon, EUA / França, 1973) – Nota 8,5
Direção – Franklin J. Schaffner
Elenco – Steven McQueen, Dustin Hoffman, Victor Jory, Don Gordon, Anthony Zerbe.

Na década de trinta, o francês Henri “Papillon” Charriere (Steve McQueen) é condenado a prisão perpétua por um crime que alega não ter cometido. A justiça francesa envia Papillon para cumprir pena na temível “Ilha do Diabo”, uma prisão no meio da floresta da Guiana Francesa, local considerado à prova de fugas. 

Não se conformando com a situação, Papillon tem como único objetivo fugir do local a qualquer preço. Logo ele faz amizade com o falsário Louis Dega (Dustin Hoffman), que com sua habilidade para negociar, consegue produtos e favores dentro prisão. Os dois se completam, enquanto Papillon pensa em fugir, Dega o ajuda nos planos em troca de proteção, o problema é que várias das tentativas de fuga durante muitos anos falham, cada vez mais causando sofrimento e dor para a dupla. 

Este ótimo drama é baseado num livro do próprio Henri Charriere, que conta sua história de vida, porém existem várias dúvidas do que realmente ocorreu e até uma versão defendida por um historiador brasileiro de que Charriere fugiu e viveu seus últimos anos de vida em Roraima, utilizando outro nome, mas nada ficou provado. 

Além do ótimo roteiro do escritor Dalton Trumbo em parceria com Lorenzo Semple Jr., as interpretações de McQueen e Hoffman são fantásticas, enquanto o primeiro cria um personagem obcecado pela liberdade, o segundo é o apoio, mesmo que no fundo não acredite que possa fugir daquele inferno. 

Mudando o foco, é interessante analisar a carreira do falecido diretor Franklin J. Schaffner. Ele começou na tv nos anos cinqüenta e depois teve seu auge em quatro filmes produzidos em seis anos. De 1968 a 1973 ele dirigiu “O Planeta dos Macacos”, “Patton – Rebelde ou Herói?”, “Nicholas e Alexandra” e este “Papillon”. Após este quatro longas, seu único filme com algum destaque foi o drama “Os Meninos do Brasil” de 1978. 

segunda-feira, 26 de março de 2012

Homens de Honra

Homens de Honra (Men of Honor, EUA, 2000) – Nota 6,5
Direção – George Tillman Jr
Elenco – Robert De Niro, Cuba Gooding Jr, Charlize Theron, Aunjanue Ellis, Hal Holbrook, Michael Rapaport, Powers Boothe, David Keith, Holt McCallany, Carl Lumbly, Lonette McKee.

Este filme conta a vida de Carl Brashear (Cuba Gooding Jr), o primeiro negro a se tornar mergulhador mestre na marinha americana, mas para chegar lá precisou enfrentar desafios e até uma tragédia. 

Carl nasceu nos anos trinta numa pequena fazenda no interior dos Estados Unidos e com seu jeito decidido ingressou na marinha e se apaixonou pelo mergulho. Após ser o aceito na escola de mergulho da marinha, também sendo o primeiro negro a conseguir o feito, ele rapidamente tem de enfrentar os outros alunos e seu instrutor, o temperamental Billy Sunday (Robert De Niro). A história se desenrola por vinte anos, até que uma tragédia colocará novamente à prova a força interior de Carl. 

O roteiro segue a linha das biografias filmadas em Hollywood, começando ao mostrar a infância difícil, passando pelos desafios da vida e da carreira, os altos e baixos com o superior que acaba se tornando seu amigo e por final a realização do sonho. 

Apesar de esquemático o filme é agradável ao mostrar uma história de força de vontade que ao mesmo tempo se torna quase uma obsessão. 

Cuba Gooding Jr não compromente no papel principal e Robert De Niro novamente interpreta um sujeito durão. 

domingo, 25 de março de 2012

Bombas - John Travolta Antes de Pulp Fiction

A história de John Travolta no cinema é um verdadeiro filme. Após pequenas participações na tv, Travolta teve algum sucesso no telefilme "O Menino da Bolha de Plástico" e como coadjuvante em "Carrie, a Estranha". A sua carreira explodiu com os sucessos de “Os Embalos de Sábado a Noite” e “Grease – Nos Tempos da Brilhantina”, porém em seguida ele fez péssimas escolhas e afundou sua carreira, que renasceu apenas em 1994 graças a Quentin Tarantino.

Nesta postagem cito alguns filmes que antecederam sua volta por cima em "Pulp Fiction".

Cowboy do Asfalto (Urban Cowboy, EUA, 1980) – Nota 6
Direção – James Bridges
Elenco – John Travolta, Debra Winger, Scott Glenn, Madolyn Smith, Barry Corbin, Cooper Huckabee, James Gammon.

Após os dois sucessos citados no início da postagem, Travolta estrelou o fracassado drama “A Cada Momento” e tentou voltar aos trilhos com este longa sobre um operário de uma refinaria de petróleo no Texas, que a noite se veste de cowboy para conquistar garotas num bar. No local, ele se envolve com um bela dançarina (Debra Winger no auge da beleza) e também com um perigoso vigarista (Scott Glenn). O roteiro explora ainda o talento de Travolta com a dança em cenas ao estilo country. Não chega a ser um filme ruim, mas é apenas razoável, nada mais que isso. 

Embalos a Dois (Two of a Kind, EUA, 1983) – Nota 4
Direção – John Herzfeld
Elenco – John Travolta, Olivia Newton John, Charles Durning, Beatrice Straight, Scatman Crothers, Castulo Guerra, Oliver Reed, Ernie Hudson.

A carreira de Travolta parecia que poderia voltar ao eixos após o ótimo “Um Tiro na Noite” de Brian DePalma e o razoável “Os Embalos de Sábado Continuam”, porém este tentativa de reviver a parceira de “Grease” com a cantora australiana Olivia Newton John foi um grande fracasso de crítica. A trama mostra Deus ou uma entidade superior pretendendo criar um novo dilúvio por não acreditar na humanidade. Os anjos conseguem um acordo, terão de encontrar duas pessoas que provem que a humanidade pode ser melhor. Eles escolhem um fracassado inventor (John Travolta) que planeja assaltar um banco para resolver seus problemas financeiros e a caixa do próprio banco (Olivia Newton John). Repleto de clichês, o filme foi mais um passo em falso de Travolta. 

Perfeição (Perfect, EUA, 1985) – Nota 4
Direção – James Bridges
Elenco – John Travolta, Jamie Lee Curtis, Kenneth Welsh, Anne DeSavlo, Jann Wenner, Marilu Henner, Chelsea Field.

Com a carreira em declínio, Travolta apostou novamente numa parceria com o diretor James Brigdes, com que fez “Cowboy do Asfalto”, porém o enorme fracasso deste novo filme o afastou das telas por quatro anos. Travolta interpreta um repórter da revista Rollin Stone que vai para Los Angeles entrevistar um empresário que foi preso (Kenneth Welsh) e acaba se interessando pela febre das acadêmias de ginástica na época. Ele decide entrevistar uma famosa professora de ginástica (Jamie Lee Curtis), com quem se envolve, porém um problema no passado da moça cria uma situação de conflito. O filme foi detonado pela crítica, não rendeu sequer o que foi gasto com a produção e sumiu rapidamente das telas. 

Os Espertinhos (The Experts, EUA / Canadá, 1989) – Nota 2
Direção – Dave Thomas
Elenco – John Travolta, Arye Gross, Kelly Preston, Deborah Foreman, James Keach, Charles Martin Smith, Jan Rubes, Brian Doyle Murray.

Após quatro anos longe das telas, Travolta voltou no que pode ser considerado o fundo do poço de sua carreira. Este “Os Espertinhos” é uma comédia idiota sobre dois amigos (Travolta e Arye Gross) que são contratados para gerenciar uma casa noturna numa pequena cidade americana, porém na verdade o local é um esconderijo dos soviéticos que treinam seus agentes para conhecerem os costumes americanos. O filma não vale comentário algum, o único detalhe é que no set de filmagens Travolta conheceu a atriz Kelly Preston, com quem se casou e vive até hoje. 

Olha Quem Está Falando (Look Who’s Talking, EUA, 1989) – Nota 6
Direção – Amy Heckerling
Elenco – John Travolta, Kirstie Alley, Olympia Dukakis, George Segal, Abe Vigoda, Bruce Willis.

Acima do peso e com a carreira praticamente acabada, Travolta aceitou participar desta comédia em que interpreta um motorista de taxi que se envolve com uma jovem grávida (Kirstie Alley) que ele ajudou a socorrer no momento do parto. O pai da criança (George Segal) é casado é não quer assumir o filho. O detalhe é que o bebê participa da trama com comentários irônicos (voz de Bruce Willis) sobre tudo o que acontece a sua volta. A simples história fez sucesso e gerou duas continuações, dando uma sobrevida a carreira de Travolta.

Dois Corações, uma só Batida (Shout, EUA, 1991) – Nota 5,5
Direção – Jeffrey Hornaday
Elenco – John Travolta, Jamie Walters, Heather Graham, Richard Jordan, Linda Fiorentino, Scott Coffey.

Entre os três filmes da série “Olha Quem Está Falando” e a reviravolta na carreira em “Pulp Fiction”, Travolta trabalhou em filmes pequenos, como este drama ambientado numa pequena cidade do Texas nos anos cinqüenta, onde ele interpreta um professor de música contratado para dar aulas aos jovens de um reformatório. Percebendo o pouco talento da turma, ele resolve ensinar um novo ritmo, o rock’n roll, que desagrada o homem que o contratou (Richard Jordan). O sujeito fica ainda mais revoltado quando descobre que sua filha (Heather Graham) está envolvida com um jovem infrator (Jamie Walters). Apesar o nome de Travolta ser o chamariz, o roteiro foca na história de amor proibido do casal e se mostra até razoável, apesar de Jamie Walters ser muito fraco como ator. 

sábado, 24 de março de 2012

Os Descendentes

Os Descendentes (The Descendants, EUA, 2011) – Nota 8
Direção – Alexander Payne
Elenco – George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller, Nick Krause, Robert Forster, Beau Bridges, Matthew Lillard, Judy Greer, Patricia Hastie.

Rodado no Havaí, este filme quase independente dirigido por Alexander Payne, segue o estilo de seus outros trabalhos como “Sydeaways” e “As Confissões de Schmidt”. Payne é especialista em criar situações muitas próximas da realidade, que fazem o espectador pensar em sua própria vida e atitudes. 

A história tem como protagonista o advogado Matt King (George Clooney), sujeito de família rica, responsável por decidir o que fazer com uma valiosa área à beira da praia que é cobiçada por vários grupos que oferecem milhões pelo local. O que pode parecer um sonho para muitos, na verdade é um situação complicada, pois são vários os herdeiros que tem direito a parte do local e a maioria vive da renda do espólio da família, ao contrário de Matt que tem a herança deixada pelos pais guardada. Além disso, a esposa de Matt, Elizabeth (Patricia Hastie) sofreu um acidente e está à beira da morte, fazendo com que ele tenha de lidar com suas filhas (Shailene Woodley e Amara Miller), uma jovem e outra pré-adolescente. 

Um dos acertos de Payne é mostrar situações como o relacionamento entre pais e filhos, dinheiro e traição de uma forma simples, sem forçar a barra para cenas pesadas ou exageros cinematográficos. Esta simplicidade unida a interpretação contida e até melancólica em alguns momentos de Clooney, criam um longa simpático, sensível e verdadeiro. 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Hardware - O Destruidor do Futuro & O Colecionador de Almas


Hardware – O Destruidor do Futuro (Hardware, EUA / Inglaterra, 1990) – Nota 5,5
Direção – Richard Stanley
Elenco – Dylan McDermot, Stacey Travis, John Lynch, Iggy Pop, Lemmy.

Num mundo pós-apocalíptico, as pessoas vivem trancadas em suas casas no escuro para tentar se proteger da radiação que matou grande parte da população. Uma destas pessoas é a escritora Jill (Stacey Travis) que utiliza a cabeça de um robô encontrada por um nômade para criar uma obra de arte, sem saber que este robô fora desenvolvido pelos militares para aniquilar o restante da população. 

Esta ficção B com status de cult, foi elogiada por parte da crítica na época, que via o diretor sul-africano Richard Stanley como promissor, porém sua carreira não decolou, inclusive ele foi dispensado da refilmagem de “A Ilha do Dr. Moreau” ainda nos anos noventa. 

O sucesso com a crítica tem como uma das explicações o filme copiar parte idéia de “O Exterminador do Futuro II” lançado na mesma época, porém ao contrário do longa de James Cameron, este filme é lento e tem um roteiro confuso. Até mesmo a fotografia que foi elogiada por alguns não é grande coisa, já que várias cenas são escuras e mal filmadas. Para quem gosta de rock pesado, a trilha sonora é de primeira, além das participações de Iggy Pop e de Lemmy, o vocalista do Motorhead. 


O Colecionador de Almas (Dust Devil, África do Sul / Inglaterra, 1992) – Nota 5
Direção – Richard Stanley
Elenco – Robert Burke, Chelsea Field, Zakes Mokae, John Matshikiza, Marianne Sagebrecht

Após as críticas positivas de seu filme anterior, Richard Stanley conseguiu um contrato com a Miramax para outro filme chamado “O Colecionador de Almas’, porém um briga com os produtores que não aceitaram a montagem do diretor, fizeram o longa ser lançado em poucos cinemas e depois em vídeo numa versão cortada pelo estúdio. O resultado foi um longa lento e ainda mais confuso que “Hardware”. 

A história foi filmada no deserto da Namíbia, onde um viajante (Robert Burke) vaga pelo local cometendo assassinatos violentos de pessoas problemáticas. Um dos alvos é Wendy (Chelsea Field) que pensa no suicídio em virtude de sofrer com um marido violento. Ao mesmo tempo, um policial (John Matshikiza­) e um feiticeiro (Zakes Mokae­) investigam os crimes, acreditando ser obra de um “Dust Devil”, uma espécie de espírito maligno. 

A interessante premissa novamente se perde na lentidão da direção de Stanley, que ainda escolhe tons alaranjados para filmar o deserto, opção que cansa o espectador. Ficou claro que o potencial de Stanley alardeado por muitos críticos, era apenas fogo de palha.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Jogada de Risco

Jogada de Risco (Hard Eight, EUA, 1996) – Nota 8
Direção – Paul Thomas Anderson
Elenco – Philip Baker Hall, John C. Reilly, Gwyneth Paltrow, Samuel L. Jackson, Phillip Seymour Hoffman.

O veterano jogador Sydney (Philip Baker Hall) percebe a ingenuidade de John (John C. Reilly), um fracassado que tenta ganhar algum dinheiro num cassino em Las Vegas e se aproxima do sujeito. Logo os dois começam uma amizade que lembra uma relação de pai e filho, com Sydney ensinado ao jovem como jogar, despertando admiração e respeito em John, porém duas pessoas interferem na situação. Clementine (Gwyneth Paltrow) uma garçonete que nas horas vagas trabalha também como prostituta, por quem John se sente atraído e o malandro Jimmy (Samuel L. Jackson) um amigo de John em quem não se pode confiar. 

Este trabalho foi a estréia na direção de Paul Thomas Anderson em um longa, que as vinte e seis anos já mostrava segurança em dirigir atores de porte numa história sobre personagens perdedores. Anderson que durante um trabalho anterior fez amizade com Philip Baker Hall, teve do veterano ator um grande apoio para realizar este filme e como forma de agradecimento o escalou em seus dois próximos trabalhos, os ótimos “Boogie Nights” e “Magnólia”.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Testemunha de Acusação

Testemunha de Acusação (Witness for the Prosecution, EUA, 1957) – Nota 9
Direção – Billy Wilder
Elenco – Tyrone Power, Marlene Dietrich, Charles Laughton, Elsa Lanchester, John Williams, Henry Daniell, Ian Wolfe.

Leonard Vole (Tyrone Power) é o principal suspeito de assassinar uma viúva rica. Sorridente e confiante, Leonard não acredita correr perigo, mas mesmo assim contrata o veterano advogado Wilfrid (Charles Laughton), especialista em causas perdidas para defendê-lo. A situação se complica ainda mais quando Christine (Marlene Dietrich), esposa de Leonard, resolve testemunhar a favor da acusação, podendo ser a responsável pela condenação do marido. 

Este elogiado longa é um dos melhores dramas de tribunal de todos os tempos, principalmente pelo engenhoso roteiro que cria uma ótima surpresa final, está recheado de diálogos afiados, com destaque ainda para os papéis da diva Marlene Dietrich e do célebre ator inglês Charles Laughton. 

Por sinal, apesar do nome do galã Tyrone Power (em seu último filme) ser o primeiro na tela, o personagem de Laughton é o grande destaque. O veterano, doente e turrão advogado que gosta de beber e fumar, tem respostas irônicas para tudo e uma inteligência acima da média, roubando completamente o filme. 

O longa foi indicado a seis prêmios Oscar, entre eles Laughton para Melhor Ator, Elsa Lanchester para Atriz Coadjuvante e Billy Wilder para direção, mas não venceu sequer uma categoria. 

Como curiosidade, o ator Laughton dirigiu apenas um filme em sua carreira, outro grande clássico, o suspense “O Mensageiro do Diabo” com Robert Mitchum. 

terça-feira, 20 de março de 2012

Todo Poderoso & A Volta do Todo Poderoso


Todo Poderoso (Bruce Almighty, EUA, 2003) – Nota 6,5
Direção – Tom Shadyac
Elenco – Jim Carrey, Morgan Freeman, Jennifer Aniston, Philip Baker Hall, Catherine Bell, Lisa Ann Walter, Steve Carell, Nora Dunn, Sally Kirkland.

Após um dia terrível, o repórter de TV Bruce Nolan (Jim Carrey) começa a questionar Deus de todas as formas, o que faz com o que o próprio Todo Poderoso apareça (Morgan Freeman). Deus resolve emprestar seus poderes para Bruce para que este sinta como é difícil entender os que pessoas desejam. A príncipio Bruce aproveita os poderes, porém aos poucos percebe que a responsabilidade é grande demais, além de não ser possível conseguir tudo o que se deseja, principalmente reconquistar sua amada (Jennifer Aniston). 

Este filme sofre do mesmo problema da maioria das comédias dos últimos vinte anos, onde todas cenas engraçadas são colocadas no trailer para atrair o púbico, porém o filme no geral faz rir bem menos do que promete. Infelizmente várias comédias com Jim Carrey são desta forma, sua habilidade em fazer caretas e a elasticidade corporal mal aproveitadas em cenas exageradas. Algumas piadas funcionam, assim como a participação de Steve Carell  no papel de um jornalista rival de Carrey, mas é ainda pouco para ser bom filme.  

A Volta do Todo Poderoso (Evan Almighty, EUA, 2007) – Nota 6
Direção – Tom Shadyac
Elenco – Steve Carell, Morgan Freeman, Lauren Graham, John Goodman, Wanda Sykes, John Michael Higgins, Jonah Hill, Molly Shannon.

Nesta continuação quem assume o papel principal é o engraçado Steve Carell, que repete seu personagem do filme original. Aqui ele abandona o emprego no canal de tv após ser eleito congressista e vai para Washington com o lema “Vamos Mudar o Mundo”. Assim que toma posse ele é chamado por Deus (Morgan Freeman) para construir uma arca, assim como Moises fez e desta forma  “mudar o mundo”, como prometia em sua campanha. 

Apesar da empatia de Carell, o filme tem poucos momentos engraçados e na maioria politicamente corretos, sendo inferior ao original, que por sinal já não era dos melhores, com a principal diferença que antes Jim Carrey questionava Deus e aqui Steve Carell faz o papel de um cara certinho, que tem de ser mais correto ainda com a missão passada por Deus, o que acaba eliminando muito da graça que o filme poderia proporcionar.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Um Conto Chinês

Um Conto Chinês (Um Cuento Chino, Argentina / Espanha, 2011) – Nota 7,5
Direção – Sebastian Borensztein
Elenco – Ricardo Darin, Ignacio Huang, Muriel Santa Ana.

Roberto (Ricardo Darin) é um frustrado solteirão de meia-idade, dono de uma pequena loja de ferragens na periferia de Buenos Aires. Sempre mal humorado, Roberto não consegue nem mesmo aceitar o amor de Mari (Muriel Santa Ana), que tenta a todo custo se aproximar do sujeito. 

A vida de Roberto começa a mudar quando por um acaso ele vê um chinês (Ignacio Huang) sendo jogado de um taxi. O jovem chinês não fala uma palavra em espanhol e tem apenas tatuado no braço um endereço. Roberto resolve tentar ajudar o jovem, mas uma série de imprevistos faz com que os dois tenham de conviver por algum tempo, virando de cabeça para baixo o mundo do metódico Roberto. 

Esta sensível história escrita pelo próprio diretor Sebastian Borensztein, utilizou como ponto de partida uma notícia verdadeira e completamente maluca, que explica a cena inicial e que é mostrada nos créditos finais através de uma reportagem onde o próprio apresentador do jornal fica incrédulo com o que acabou de noticiar. 

O gancho da notícia resultou numa trama em que dois personagens sofredores se cruzam e acabam se ajudando, mesmo que não entendam palavra alguma do que outro está falando. O ótimo Ricardo Darin novamente tem uma bela interpretação, muito bem coadjuvado pelo desconhecido Ignacio Huang. 

No geral é um filme simples que mistura muito bem humor com drama, para contar uma história que toca em temas como diferenças culturais, mudanças inesperadas e traumas que precisam ser superados.

domingo, 18 de março de 2012

Aniversário Macabro

Aniversário Macabro (The Last House on the Left, EUA, 1972) – Nota 5
Direção – Wes Craven
Elenco – Sandra Cassell, Lucy Grantham, David A. Hess, Fred Lincoln, Jeramie Rain, Marc Sheffler.

Vários filmes ganham status de cult por causa da violência ou alguma ousadia que na época em que foram produzidos eram tabu, porém assistindo nos dias de hoje perdem a força pelo amadorismo da produção e do elenco. 

Este longa ganhou fama por ter sido o primeiro dirigido pelo mestre do terror Wes Craven, tendo ainda a produção de Sean S. Cunningham, o criador de “Sexta-Feira 13” e como assistente de direção Steve Miner, que nos anos oitenta comandaria “Sexta-Feira II e III”, além de “A Casa do Espanto”, porém o filme não é dos melhores. 

O roteiro que diz se baseado numa história real, começa mostrando a jovem Mary (Sandra Cassell) discutindo com os pais para sair a noite com a amiga Phyllis (Lucy Grantham). Phyllis resolve comprar maconha, porém cai numa armadilha junto com Mary. As duas acabam presas num quarto de hotel vagabundo por um bando de psicopatas que acabou de fugir da cadeia, sendo três homens e uma mulher. É o começo de um jogo de violência física e emocional. 

Um dos problemas do longa é o roteiro, que faz com que os psicopatas ainda cheguem na casa da jovem Mary por um acaso absurdo. O elenco é uma piada, as interpretações são muito ruins e a filmagem amadora que funcionou em “O Massacre da Serra Elétrica” produzido na mesma época, aqui deixa o longa com cara de trash. 

A história foi refilmada em 2009 como “A Última Casa”, mas ainda não tive oportunidade de conferir.

sábado, 17 de março de 2012

A Estranha Perfeita & A Cor da Noite


A Estranha Perfeita (Perfect Stranger, EUA, 2007) – Nota 6
Direção – James Foley
Elenco – Halle Berry, Bruce Willis, Giovanni Ribisi, Richard Portnow, Gary Dourdan, Nicki Aycox, Patti D’Arbanville.

A jornalista Rowena Price (Halle Berry) entra em atrito com o jornal onde trabalha quando sua reportagem sobre um senador envolvido em um escândalo é cortada. Na mesma noite ela é procurada por um conhecida (Nicki Aycox), que parece ter algo pendente com Rowena e pede para que a jornalista investigue o publicitário milionário Harrison Hill (Bruce Willis), com quem ela teria tido um caso. Quando sua amiga é assassinada, Rowena com a ajuda de um amigo (Giovanni Ribisi) especialista em informática, irá se aproximar de Harrison para tentar provar que ele é o assassino. 

O diretor James Foley que já bons filmes como“O Sucesso a Qualquer Preço”, “Caminhos Violentos” e “Quem é Essa Garota?”, se aventura aqui pelo suspense com toques de erotismo, tendo como ponto principal a sensualidade de Halle Berry, que é explorada pela câmera em vestidos ousados mais interessantes do que a trama. 

A trama por sinal é confusa, com vários personagens suspeitos do crime que se perdem pelo caminho e uma reviravolta final que força um pouco a barra e precisa ser contada por um personagem, já que algumas situações sequer são mostradas em detalhes durante o filme. 

A Cor da Noite (Color of the Night, EUA, 1994) – Nota 5,5
Direção – Richard Rush
Elenco – Bruce Willis, Jane March, Ruben Blades, Lesley Ann Warren, Brad Dourif, Lance Henriksen, Scott Bakula, Kevin J. O'Connor, Eriq LaSalle, Jeff Corey, Kathleen Wilhoite, Shirley Knight.

O psiquiatra Bill Capa (Bruce Willis) abandonou a profissão após um paciente cometer suicídio. Quando um amigo que também é psiquiatra acaba assassinado, Bill aceita trabalhar com um grupo de pacientes que eram atendidos por ela. Todos os integrantes do grupo tem problemas complicados, mas isso não impede que Bill se envolva com a jovem Rose (Jane March), ao mesmo tempo que desconfia que o assassino possa ser um dos pacientes. 

Este suspense foi massacrado pela crítica na época, que com razão detonou o fraco roteiro e os personagens que são puro clichê. A clara intenção do diretor e provavelmente dos produtores era explolar a beleza da inglesinha Jane March, que ficara conhecida pelo ousado papel no drama “O Amante” feito dois anos antes e aqui tem cenas quentes com Bruce Willis. Apesar da beleza, Jane March era fraquinha como atriz e sua carreira não decolou. 

O interessante são pacientes problemáticos interpretados por atores especialistas em personagens estranhos, como Lance Henriksen, Brad Dourif e Kevin J.O’Connor.     

sexta-feira, 16 de março de 2012

A Coisa

A Coisa (The Thing, EUA / Canadá, 2011) – Nota 7
Direção – Matthijs van Heijningen Jr.
Elenco – Mary Elizabeth Winstead, Joel Edgerton, Ulrich Thomsen, Eric Christian Olsen, Adewale Akinnuoye Agbaje, Paul Braunstein, Trond Espen Seim, Kim Bubbs, Jergen Langhelle.

Numa estação de pesquisa na Antártida em 1982, um grupo de noruegueses descobre uma gigantesca nave enterrada no gelo e dentro dela uma criatura congelada. O cientista responsável (o canastrão Ulrich Thomsen) chama uma especialista (Mary Elizabeth Winstead) para auxiliar na análise da criatura, porém eles acabam despertando a fera que tem a habilidade de infectar os humanos e usá-los como hospedeiros. 

O filme pode ser considerado até competente, mesmo que o elenco seja fraco e a protagonista Mary Elizabeth Winstead não leve jeito algum para heroína. O problema é que o longa foi vendido como sendo uma refilmagem do clássico “O Enigma do Outro Mundo” de John Carpenter, inclusive utilizando o mesmo título original, mas na realidade a história é um prequel que se passa na estação norueguesa e mostra como a infecção se espalhou e chegou até a base americana. 

O elenco do filme de Carpenter era composto totalmente por homens duros que viviam num ambiente hostil, diferente desta versão, que em alguns momentos parece se passar num laboratório moderno, tudo muito certinho. Se não houvesse a ligação com o clássico de Carpenter, este filme seria bem melhor aceito pelo público. O público jovem que não conhece o original, gostará mais do filme.   

quinta-feira, 15 de março de 2012

O Poder e a Lei

O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Brad Furman
Elenco – Matthew McConaughey, Marisa Tomei, Ryan Phillippe, William H. Macy, Josh Lucas, John Leguizamo, Michael Peña, Bob Gunton, Frances Fisher, Bryan Cranston, Laurence Mason, Margarita Levieva, Michael Paré, Pell James, Shea Whigham, Trace Adkins.

Mick Haller (Matthew McConaughey) é um advogado bem sucedido especialista em defender criminosos. Num certo dia ele é procurado por um conhecido agiota (John Leguizamo) que indica um caso. 

O jovem milionário Louis Roulet (Ryan Philippe) é acusado de violentar e espancar uma prostituta, mas se diz inocente. Mick parece ser o sujeito certo para defender o rapaz, porém aos poucos o caso vai se tornando complicado, quando as evidências fazem Mick acreditar que Louis pode estar ligado a um outro crime, que levou a prisão um antigo cliente (Michael Peña) que se dizia inocente. 

Não demora muito para o espectador entender a trama, porém o pulo do gato do roteiro é criar uma complexa teia em que o advogado se enrola completamente, deixando todos à espera de uma saída que parece não existir. 

McConaughey está tranquilo no papel do advogado confiante, temos ainda a bela Marisa Tomei como sua ex-esposa que é promotora e o ótimo William H. Macy como um investigador particular desleixado. O elo fraco do elenco é Ryan Phillippe, que há muito deixou de ser uma promessa e se tornou um conhecido canastrão. Até que para um papel de vilão, sua falta de expressão funciona em parte, mas um ator talentoso seria o ideal. 

No geral é um bom drama policial de tribunal.  

quarta-feira, 14 de março de 2012

K-Pax - O Caminho da Luz

K-Pax – O Caminho da Lux (K-Pax, EUA / Alemanha, 2001) – Nota 8
Direção – Iain Softley
Elenco – Kevin Spacey, Jeff Bridges, Mary McCormack, Alfre Woodard, David Patrick Kelly, Saul Williams, Peter Gerety, Celia Weston, Ajay Naidu, Conchata Ferrell, Brian Howie, William Lucking, Aaron Paul, Clarke Peters.

O dr. Mark Powell (Jeff Bridges) é um psiquiatra que trabalha num instituto público em Manhattan, local que recebe um estranho paciente. O homem que foi encontrado pela policia numa estação de trem, diz se chamar Prot (Kevin Spacey) e alega ter vindo de um planeta chamado K-Pax, tendo atravessado o universo viajando através da luz. 

Tratado como um louco comum, Prot se mostra inofensivo e aos poucos surpreende a todos com suas idéias, principalmente ao provar para um grupo de astrônomos como viajou pelo espaço. Intrigado, o dr. Powell fica obcecado em descobrir a verdade por trás da história de Prot. 

Este intrigante drama faz o espectador pensar sobre os mais variados temas, como astronomia, sobre os tratamentos convencionais para as pessoas com problemas mentais, que na maioria das vezes não dão resultado algum e até mesmo sobre violência e vingança, além de uma interessante citação sobre Jesus Cristo e Buda e a importância da família. 

O final deixa margem para interpretações e um sentimento de que podemos ser melhores do que somos.

terça-feira, 13 de março de 2012

São Paulo: Elitização, Relações Humanas e Qualidade de Vida

Pensava em escrever sobre estes temas em três postagens, porém são questões interligadas que estão cada vez mais transformando a cidade de São Paulo num local extremamente complicado para viver.

A elitização da cidade é algo que vinha ocorrendo silenciosamente há anos e após a terrível escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo, explodiu da pior forma possível. Logo após o anúncio da Fifa, a prefeitura e o governo de SP anunciaram planos para ampliação do aeroporto de Cumbica, a extensão do metrô para diversos bairros que aguardavam há anos a notícia e até o trem-bala que ligaria São Paulo ao Rio de Janeiro. Lógico eu era apenas jogos de fumaça e pouco ou quase nada saiu do papel até agora.

Rapidamente as construtoras, incorporadores e imobiliárias deram início a uma nova "corrida do ouro", primeiro duplicando o preço dos imóveis e depois caçando espaços em bairros que eram estritamente residenciais com casas e sobrados para construção de condomínios. Em pouco mais de quatro anos, bairros como Vila Madalena, Pinheiros, Tatuapé, Água Branca, Lapa, Pompéia, entre outros, foram tomados por construções de novos condomínios, com a benevolência da prefeitura na liberação de alvarás. Estas novas moradias estão sendo construídas onde existiam quatro ou cinco casas e sendo vendidos por valores absurdos.

A consequência é o aumento populacional exagerado nestes bairros. Onde moravam vinte pessoas em quatro casas, passam a viver de duzentas a trezentas pessoas em um edifício, sem contar funcionários, prestadores de serviços e comércios que se estabelecem próximos ao local, aumentando ainda o fluxo de veículos que já é um absurdo por aqui.

O objetivo social desta situação é o afastamento da classe média e baixa destes bairros, que acabam sendo obrigadas a mudar para a periferia ou se tiver possibilidade, para outra cidade. Com este ritmo maluco de mudanças, em dez anos estes bairros e alguns outros se transformaram em moradia para a elite.

O problema da elitização atinge em cheio também o lazer. Teatro sempre foi caro e hoje está mais ainda, a maioria dos shows tem preços voltados para a elite e o cinema que era uma diversão popular, hoje cobra preços caríssimos nas salas de shopping, sem contar o assalto que é o valor da pipoca, refrigerante, salgadinhos, além de gasto com transporte, o que inviabiliza o passeio para grande parte da população.

Finalizando o tema, este mal alcançou até o futebol. O chamado "esporte do povo" cobra R$ 30,00 para os ingressos mais baratos (não considerando meia-entrada) e nos clássicos ou jogos maiores, este valor mínimo pula para R$ 50,00. Ainda mais com a construção da Arena do Palmeiras e o estádio da prefeitura que está sendo pago por nós e será doado para um certo time, com certeza estes valores ficarão ainda mais altos daqui há dois anos.

Como o dinheiro é grande mola propulsora do mundo, principalmente numa cidade com SP, a disputa por bons empregos, negócios e prestação de serviços se tornou algo selvagem. Quem já participou de uma dinâmica de seleção para emprego, sabe bem como as pessoas se atacam para tentar serem notadas e contratadas. Quando precisamos contratar algum serviço, é necessário pesquisar muito e analisar antes de fechar o negócio, já que a propaganda é sempre maravilhosa, mas a o serviço em si na maioria das vezes não cumpre o que promete. Depois de pago, qualquer reclamação é o início de uma briga, o vendedor ou prestador de serviços sorridente se torna arredio e mal educado, quando não se transforma  num pitbull raivoso.

Esta disputa por "ganhar mais dinheiro" transformou as pessoas por aqui em animais acuados, que tentam defender seu lado a qualquer custo. Junte-se a isso o trânsito absurdamente maluco, os meios de transporte público que não comportam uma população em crescimento, os empregos que pagam pessimamente os trabalhadores e os cobram exageradamente, temos uma bomba-relógio que explode nas conturbadas relações humanas. Eu citei basicamente as relações profissionais e casuais, porém o problema extrapola ainda para as famílias, que em grande parte estão desestruturadas e afetam os filhos. Vejam a violência que atinge adolescentes e jovens nas escolas e principalmente nas baladas durante os finais de semana. Esta situação é o extravasar das frustrações dos jovens com a vida e a família, seja ela de classe baixa ou alta.

A complexidade destes fatos, misturados a outras situações do dia a dia, jogam a qualidade de vida de paulistano na lata do lixo. Por mais que a pessoa tente não se envolver com estes problemas, alguns chegarão a ela de qualquer maneira, até mesmo se ficar dentro de casa o dia inteiro. A insatisfação da população fica clara nos finais de semana e principalmente nos feriados, quando quem tem alguma possibilidade foge da cidade para tentar relaxar ou se divertir com melhor qualidade. Quem pode ir para o interior do Estado tem uma melhor chance de aproveitar, a questão é que muitos preferem ir para os praias, onde nas temporadas de férias a vida chega a ser mais confusa que em São Paulo.

Finalizando, escrevi este texto com tristeza, pois nasci em SP e conheço muito da cidade, gostaria que as coisas estivessem melhores por aqui, mas infelizmente não estão. Agradeço por conseguir driblar estes problemas e tentar manter uma certa qualidade de vida, mas no futuro não tenho certeza se terei paciência para continuar por aqui, quem sabe procurarei um local mais calmo em outra cidade, mas aí é outra história.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Steve Martin & Carl Reiner

Entre 1979 e 1984, o ator Steve Martin e o diretor Carl Reiner fizeram em parceria quatro comédias que transformaram Martin em astro do gênero, mesmo não sendo grandes filmes.

Steve Martin era conhecido por sua participação no programa "Saturday Night Live", onde não era personagem fixo, mas participou de dezenas de programas nos anos setenta, no auge do show, quando dividia a cena com Eddie Murphy, Chevy Chase e John Belushi, entre outros craques da comédia.

Percebendo o potencial do comediante, o veterano (já na época) Carl Reiner o escalou para o papel principal da comédia "O Panaca", bancando a estréia do ator no cinema e dando início a parceira de sucesso.

Após estes filmes, Steve Martin se firmou numa carreira de sucesso, variando papéis entre comédias e dramas, demonstrando ser também um bom ator dramático. Enquanto isso, Reiner ainda dirigiu algumas simpáticas comédias como "Temporada de Verão" e "Curso de Férias" e hoje aos noventa anos ainda faz pequenas participações como ator, sendo a mais famosa na trilogia "Onze Homens e um Segredo".

Como curiosidade, Carl Reiner é pai do diretor Rob Reiner, responsável por grandes filmes como "Conta Comigo" e "Questão de Honra".

O Panaca (The Jerk, EUA, 1979) – Nota 5,5
Direção – Carl Reiner
Elenco – Steve Martin, Bernadette Peters, Catlin Adams, Mabel King, Richard Ward, Dick Anthony Wiliams, M. Emmett Walsh, Bill Macy, Dick O’Neill.

Navin (Steve Martin) é um sujeito completamente idiota, que as trinta e cinco anos descobre ter sido adotado por sua família, com um detalhe, o branquelo Navin vivia em uma família de negros no Mississipi. Empurrado pela família, Navin decide conhecer o mundo e se envolve em várias confusões até conseguir ficar milionário com uma invenção tão idiota quanto ele. 

Este trabalho foi a estréia de Steve Martin no cinema, porém o filme não é lá grande coisa, tirando uma ou outra piada engraçada, o restante é lento e até irritante. O longa pode ser considerado um precursor de filmes como “Débi & Lóide” e “Quanto Mais Idiota Melhor”.

Cliente Morto Não Paga (Dead Men Don’t Wear Plaid, EUA, 1982) – Nota 7,5
Direção – Carl Reiner
Elenco – Steve Martin, Rachel Ward, Reni Santoni, Carl Reiner, George Gaynes.

O detetive Rigby Reardon (Steve Martin) é contratado pela bela Juliet Forrest (Rachel Ward), uma jovem que faz o estilo mulher fatal e deseja que Reardon descubra a verdade sobre um suspeito acidente de automóvel que matou seu pai, um famoso cientista. Durante a investigação, Reardon cruzará com personagens famosos saídos diretamente de clássicos do cinema noir. 

Utilizando imagens de arquivo, Steve Martin contracena com Ava Gardner, Barbara Stanwyck, Burt Lancaster, Alan Ladd, Cary Grant, Bette Davis e diversos outros astros, num belíssimo trabalho de montagem de Bud Molin, que se casa perfeitamente com o inteligente roteiro do diretor Carl Reiner.

É o melhor filme da parceria entre Reiner e Martin.

O Homem Com Dois Cérebros (The Man With Two Brains, EUA, 1983) – Nota 6,5
Direção – Carl Reiner
Elenco – Steve Martin, Kathleen Turner, David Warner, Paul Benedict, James Cromwell, Richard Brestroff.

O dr. Michael Hfurhruhurr (Steve Martin) é um cientista que procura o amor após perder a esposa. Por um acaso ele salva a bela Dolores (Kathleen Turner), se apaixona e casa-se rapidamente, descobrindo depois que a bela mulher é na verdade fria e cruel. 

Tentando agradar a moça, Michael a leva para Europa em uma segunda lua-de-mel. Em Viena, Michael encontra outro cientista, o Dr. Alfred Necessiter (David Warner), que mostra sua coleção de cérebros. A história fica ainda mais maluca quando Michael começa a conversar com um dos cérebros por telepatia e se apaixona. Para consumar o amor, Michael precisará encontrar um corpo para o cérebro.

Esta história amalucada tem momentos engraçados a cargo de Martin, além de Kathleen Turner no auge da beleza. Na época, o filme foi lançado por aqui com o horrível título de “O Médico Erótico”.

Um Espírito Baixou em Mim (All of Me, EUA, 1984) – Nota 7
Direção – Carl Reiner
Elenco – Steve Martin, Lily Tomlin, Victoria Tennant, Madolyn Smith, Richard Libertini, Dana Elcar, Gailard Sartain.

O último filme da parceira entre Martin e Reiner foi o de maior sucesso e realmente tem sequências engraçadas, principalmente de comédia física quando Martin precisa dividir seu corpo com gestos de homem por um lado e de mulher pelo outro. 

O longa começa com a milionária Edwina (Lily Tomlin) em seu leito de morte recebendo um guru indiano (Richard Libertini) que promete manter o espírito dela na Terra e incorporar na bela Terry (Victoria Tennant) que é sua herdeira. Algo acontece de errado na sessão e o espírito de Edwina incorpora no lado direito de seu advogado Roger Cobb (Steve Martin), que fica apenas com seu lado esquerdo normal. 

A sucessão de gags físicas com Martin abusando dos trejeitos é impagável, mesmo que o filme não seja tão bom quanto promete. A curiosidade é a presença de duas atrizes que tiveram algum sucesso nos anos oitenta e hoje estão sumidas. A inglesa Victoria Tennant foi casada com Steve Martin com quem protagonizou a simpática comédia “L. A. Story” e hoje trabalha apenas em seriados ingleses. Já a bela Madolyn Smith que trabalhou em “2010 – O Ano em que Faremos Contatos” e na minissérie “Sadat”, se aposentou nos anos noventa.

sábado, 10 de março de 2012

A Passagem

A Passagem (Stay, EUA, 2005) – Nota 6,5
Direção – Marc Foster
Elenco – Ewan McGregor, Ryan Gosling, Naomi Watts, Bob Hoskins, Janeane Garofalo, Elizabeth Reaser, B. D. Wong, Kate Burton.

O psiquiatra Sam Foster (Ewan McGregor) substitui uma doutora que ficou doente para atender o jovem Henry Letham (Ryan Gosling), que promete se matar em três dias e marca até o horário. Intrigado e vendo o paciente como um desafio, Sam tenta entender o porquê daquele atitude e resolve investigar a vida do rapaz com o objetivo de descobrir como salvá-lo. Um dos fatores que motivam Sam é que sua atual namorada Lila (Naomi Watts) também foi sua paciente após tentar o suicídio.

A idéia é interessante, deixando claro que o misterioso roteiro trará uma revelação no final, que até certo ponto é verossímil, mas não eleva a qualidade do longa, que se mostra confuso em grande parte, principalmente pela escolha do diretor Marc Foster e do roteirista David Beniof em fragmentar a história através de imagens que misturam sonho com realidade.

O grande pecado do filme é tentar copiar o clima de “O Sexto Sentido”,  não que a história ou a revelação final sejam iguais, mas com um desenrolar da trama bem inferior e sem a mesma qualidade do roteiro.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Um Assassino à Solta & O Crime Perfeito


Um Assassino à Solta (Switchback, EUA, 1997) – Nota 7
Direção – Jeb Stuart
Elenco – Dennis Quaid, Danny Glover, Jared Leto, R. Lee Ermey, Ted Levine, William Fichtner, Walton Goggins, Julio Oscar Mechoso.

Um assassinato numa pequena cidade se torna ponto de disputa na eleição para a delegado, entre o atual e veterano Buck (R. Lee Ermey) e o ambicioso Jack (William Fichtner) que almeja o cargo. O crime chama a atenção do agente do FBI Frank LaCrosse (Dennis Quaid), que aparece na cidade e acredita que é o assassinato é obra de um serial killer que ele persegue há dois anos. Em paralelo, um jovem mochileiro (Jared Leto) pega carona com um estranho viajante (Danny Glover), deixando no ar que um deles deve ser o assassino. 

A interessante premissa da caçada ao assassino, da motivação do agente e a dúvida sobre quem realmente é o criminoso, se perde principalmente na parte final, que apela para o clímax do confronto brutal. Posso destacar a simples e bonita fotografia das montanhas geladas onde parte das sequências de ação foram filmadas. 

O Crime Perfeito (Slow Burn, EUA, 2005) – Nota 6
Direção – Wayne Beach
Elenco – Ray Liotta, LL Cool J, Mekhi Phifer, Jolene Blalock, Chiwetel Ejiofor, Taye Diggs, Guy Torry, Bruce McGill, Joe Grifasi, Fisher Stevens.

A assistente de promotoria Nora Timmer (Jolene Blalock) mata em sua cama o atendente de loja Isaac Duperde (Mekhi Phifer) alegando legitima defesa em virtude de ter sido estuprada pelo sujeito. Nora trabalha diretamente com o promotor Ford Cole (Ray Liotta), que é candidato a prefeito da cidade e tem total confiança em sua funcionária, também por ser amante dela. Porém as pistas deixadas no local do crime não confirmam a história da moça e as coisas se complicam quando Luther Pinks (LL Cool J) se apresenta ao promotor, se diz amigo de Isaac e conta uma história totalmente diferente do que Nora alega ter ocorrido. Como o caso está nas mãos do chefe de polícia (Bruce McGill) que é inimigo de Ford, este terá de descobrir a verdade numa única noite e muita sujeira aparecerá debaixo do tapete. 

A premissa prende a atenção e a primeira parte do longa é muito boa, com a investigação que deixa o promotor Ford cheio de dúvidas, porém as reviravoltas no final que tinham o objetivo de pegar o espectador de surpresa, acabam deixando a história confusa e com vários furos, inclusive com uma patética cena de explosão. É uma pena, acredito que com um diretor competente e um roteirista melhor, poderia render um bom filme. 

quinta-feira, 8 de março de 2012

O Terceiro Homem

O Terceiro Homem (The Third Man, Inglaterra, 1949) – Nota 8,5
Direção – Carol Reed
Elenco – Joseph Cotten, Alida Valli, Orson Welles, Trevor Howard, Bernard Lee, Paul Horbiger, Ernst Deutsch, Siegfried Breuer, Erich Ponto, Wilfrid Hyde White.

No pós-guerra em Viena na Áustria, o escritor americano Holly Martins (Joseph Cotten) é convidado por um amigo para trabalhar na cidade, porém chegando ao local, Holly descobre que o amigo morreu em um suspeito atropelamento. 

Logo, o escritor entra em conflito com o oficial inglês Major Calloway (Trevor Howard) que acredita que o amigo de Holly estava envolvido em um esquema de corrupção na cidade. Não acreditando na teoria de Calloway, Holly resolve investigar e encontra a bela Anna (Alida Valli) que era amante de seu amigo, além de cruzar com estranhas figuras que contam histórias contraditórias sobre o acidente. 

Este ótimo suspense dirigido pelo inglês Carol Reed (“Trapézio”, “Nosso Homem em Havana”), acerta na utilização da cidade de Viena como cenário, ela que ainda estava em parte destruída após a guerra e também dividida por americanos, ingleses, russos e franceses, que discriminavam os austríacos e transformavam a cidade num local apropriado para a corrupção. 

O roteiro do escritor Graham Greene cria com perfeição uma trama de mentiras e interesses, repleta de personagens falsos, inclusive com um dupla de homossexuais enrustidos, fato curioso em relação à época em que o filme foi produzido. 

A melhor sequência é a perseguição final dentro dos esgotos de Viena, muito bem filmada num local bem diferente, que revela uma sensacional fotografia. 

O elenco é indiscutível, Joseph Cotten e Orson Welles que trabalharam juntos em nada menos que “Cidadão Kane”, novamente interpretam grandes papéis, tendo ainda bela italiana Alida Valli como interesse romântico e figura importantíssima na trama. 

A única coisa que parece envelhecida é a trilha sonora do maestro Anton Karas, que utiliza apenas uma cítara para pontuar o filme, que na minha opinião se torna um pouco repetitiva e até irritante, mas isso não tira a qualidade deste grande filme.

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Pacto

O Pacto (Seeking Justice, EUA, 2011) – Nota 7
Direção – Roger Donaldson
Elenco – Nicolas Cage, January Jones, Guy Pearce, Harold Perrineau, Xander Berkeley, IronE Singleton, Jennifer Carpenter.

O professor Will Gerard (Nicolas Cage) é procurado por um estranho chamado Simon (Guy Pearce) na emergência de um hospital, quando sua esposa Laura Gerard (January Jones) está sendo atendida após ser violentada. Simon faz uma proposta para o desesperado Will. Ele diz fazer parte de uma organização que faz justiça por conta própria, em virtude de não acreditarem na justiça formal. Simon diz saber quem é o estuprador e que se Will aceitar, a justiça será feita, porém no futuro ele precisará fazer algo simples para pagar o favor. Mesmo indo contra seus princípios, Will aceita a proposta sem saber que em breve terá de pagar um preço alto pelo acordo. 

Em comparação com vários trabalhos ruins que Cage protagonizou nos últimos, estes filme é uma escolha melhor do ator, mesmo que o roteiro esteja recheado de clichês. 

A trama de vingança com as próprias mãos já foi abordada diversas vezes no cinema, tendo aqui como diferencial a boa direção do australiano Roger Donaldson, que apesar de uma carreira irregular, já fez bons filmes do gênero, como “Sem Saída” com Kevin Costner e Gene Hackman e “Treze Dias que Abalaram o Mundo”, sobre a “Crise do Misseís em Cuba”. 

Na minha opinião a falha é a reviravolta final no meio do clímax, mostrando no mínimo ingenuidade dos personagens de Cage e de Harold Perrineau. Este tipo de reviravolta é comum ao gênero, mas precisa ser bem pensada para não tirar a credibilidade de toda a trama.

terça-feira, 6 de março de 2012

A Queda! As Últimas Horas de Hitler

A Queda! As Últimas Horas de Hitler (Der Untergang, Alemanha / Itália / Áustria, 2004) – Nota 10
Direção – Oliver Hirschbiegel
Elenco – Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, Corinna Harfouch, Ulrich Matthes, Juliane Kohler, Heino Ferch, Christian Berkel, Matthias Habich, Thomas Kretschmann.

Filmes sobre a 2º Guerra Mundial estão entre meus gêneros preferidos e este é sem dúvida o melhor longa de ficção já feito sobre um dos mais odiados personagens da história da humanidade, Adolf Hitler.

A trama se passa no bunker de Hitler durante os últimos dias de abril de 1945, pouco antes do suicídio do ditador, sendo narrado por sua secretaria Traudl Junge (a romena Alexandra Maria Lara), personagem principal do documentário "Eu Fui a Secretária de Hitler". Traudl conta sua vida desde quando tinha vinte e dois anos, fez um teste e foi contratada diretamente pelo Fuhrer, por quem ela tinha admiração e dizia não saber sobre o extermínio comandado pelo ditador.

O roteiro mostra que Hitler era ao mesmo tempo doce com sua amante Eva Braun (Juliane Kohler), com a secretaria Traudl, com Goebbels (Ulrich Matthes) e sua família, porém tinha ataques de raiva totalmente descontrolados contra seus generais, fúria que aumentava a cada notícia ruim sobre a guerra. Esta situação caótica fazia com que os generais fizessem um jogo de cena, aceitavam suas idéias absurdas, mas não colocavam nada em prática, já que sabiam que a guerra estava perdida e era uma questão de tempo os aliados chegarem em Berlim.

Um dos pontos altos do filme é o elenco encabeçado por Bruno Ganz, ele que quase vinte anos antes havia protagonizado a obra-prima “Asas do Desejo”, dirigida por Wim Wenders, aqui tem sua maior interpretação da carreira. Ganz cria um Hitler que mostra defeitos e até virtudes, o que muitos na época criticaram, mas vejo como algo próximo da realidade, já que mesmo sendo um monstro, Hitler era um ser humano. A interpretação de Ganz ainda deve ser valorizada pelos detalhes, como a aparência cansada, os ataques de fúria, a obsessão por esconder a mão esquerda que tremia provavelmente pelo Mal de Parkinson e o egocentrismo gigantesco, que o fazia acreditar que venceria a guerra de qualquer maneira.

Para completar o elenco, temos ainda como coadjuvantes atores alemães de primeira linha, como Thomas Kretschmann (hoje trabalhando em Hollywood), Matthias Habbich e Christian Berkel que trabalhou em outro grande filme de Hirschbiegel chamado “A Experiência”.

O resultado é uma obra-prima do cinema alemão.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Bravura Indômita - 1969 & 2010



Bravura Indômita – (True Grit, EUA, 1969) - Nota 7
Direção – Henry Hathaway
Elenco John Wayne, Glenn Campbell, Kim Darby, Dennis Hopper, Jeremy Slate, Robert Duvall, Strother Martin, Jeff Corey.

O veterano xerife caolho Rooster Cogburn (John Wayne) é contratado por uma garota (Kim Darby) para matar os homens que assassinaram seu pai. Porém ela quer participar da caçada.

Faroeste mediano mas competente feito já no final da era de ouro do gênero, dirigido pelo veterano e grande diretor Henry Hathaway que ainda gerou uma continuação em 1975 chamada "Justiceiro Implacável", com John Wayne repetindo o papel.

A curiosidade são as participações de Robert Duvall em início de carreira e Dennis Hopper vindo do clássico “Sem Destino”.

Bravura Indômita (True Grit, EUA, 2010) – Nota 7,5
Direção – Joel & Ethan Cohen
Elenco – Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon, Josh Brolin, Barry Pepper, Paul Rae, Domhnall, Gleeson.

No velho oeste, a adolescente Mattie Ross (Hailee Steinfeld) busca vingança após o assassinato do pai. Para caçar o assassino, a esperta Mattie contrata o veterano xerife federal Rooster Cogburn (Jeff Bridges), um sujeito ranzinza e beberrão que aceita o trabalho. O problema é que Mattie deseja seguir junto na caçada, o que desegrada Rooster e principalmente o policial texano LaBouef (Matt Damon), que também persegue o mesmo criminoso. 

Esta incursão dos irmãos Cohen ao western é uma refilmagem de um longa estrelado por John Wayne em 1969, que acaba sendo até melhor que o original. A bonita fotografia e as interpretação de Jeff Bridges e da garota Hailee Steinfeld são os pontos altos do filme.

domingo, 4 de março de 2012

John Rabe - O Negociador

John Rabe – O Negociador (John Rabe, França / China / Alemanha, 2009) – Nota 7,5
Direção – Florian Gallenberger
Elenco – Ulrich Tukur, Daniel Bruhl, Steve Buscemi, Anne Consigny, Dagmar Manzel, Jingchu Zang, Teruyuki Kagawa, Mathias Herrmann.

Em 1937, John Rabe (Ulrich Tukur) trabalha para empresa alemã Siemens, sendo encarregado da construção de uma represa em Nanquim na China. Após viver vinte e sete anos no país, Rabe recebe a notícia de que a empresa enviou seu substituto não para continuar o trabalho, mas sim para fechar a fábrica e parar a construção da represa. Isso ocorre no mesmo momento em que o exército japonês está invadindo a China com o objetivo de matar a maior quantidade de chineses possíveis. 

Escolhido pelo destino, Rabe se torna um líder ao dar refúgio a população chinesa na fábrica e tentar negociar a vida destes com os japoneses, tendo a ajuda de um diplomata alemão (Daniel Bruhl), um médico (Steve Buscemi) e uma diretoria de colégio (Anne Consigny). 

Este drama de guerra é baseado na história real de John Rabe, que pertencia ao Partido Nazista, mas não tinha idéia do que Hitler pretendia fazer, principalmente porque vivia longe da Alemanha há muitos anos. Rabe tentou salvar o máximo de chineses possíveis no que ficou conhecido como “O Massacre de Nanquim”, quando mais de trezentas mil pessoas morreram nas mãos dos japoneses. 

O filme é falado em alemão com um bom elenco internacional, tendo uma produção bem cuidada e a boa interpretação de Ulrich Tukur como Rabe. A curiosidade é ver o americano Steve Buscemi e os diálogos dos oficiais japoneses todos dublados em alemão, pelo menos na versão que eu assisti.

sábado, 3 de março de 2012

Os Cowboys de Leningrado Vão à América & Os Cowboys de Leningrado Encontram Moisés


Os Cowboys de Leningrado Vão à América (Leningrad Cowboys Go America, Finlândia / Suécia, 1989) – Nota 7
Direção – Aki Kaurismaki
Elenco – Matti Pellonpaa, Kari Vaananen, Jim Jarmusch.

Vladimir (Matti Pellonpaa) é um empresário picareta de uma banda que vive numa pequena aldeia na Sibéria. Rejeitados por um produtor russo, Vladimir resolve levar o grupo para os Estados Unidos. Em Nova York, utilizando o nome de “Cowboys de Leningrado”, com todos os integrantes usando um exagerado penteado estilo “rockabilly”, o grupo tenta a sorte num clube vagabundo, mas acabam sendo despedidos. Mesmo assim, eles recebem uma proposta para tocar num casamento no México. 

Este é o início de um road movie onde o grupo de músicos russos atravessará os Estados Unidos cruzando com figuras estranhas, tocando em lugares simples e sempre tentando adaptar as músicas ao estilo do local em que estão. Além disso, um sujeito mudo (Kari Vaananen) persegue os músicos querendo fazer parte do grupo. 

Esta simpática comédia fez sucesso no circuito alternativo na época, em virtude do estilo diferente do diretor finlandês Aki Kaurismaki, dos engraçados números musicais e da mistura de nacionalidades. O filme é dirigido e estrelado por finlandenses, que interpretam personagens russos, viajam pelos Estados Unidos e terminam no México. 

A curiosidade é a pequena participação do diretor Jim Jarmusch como um vendedor de carros. Dois anos depois, Jarmusch trabalharia com os atores Matti Pellonpaa e Kari Vaananen no episódio do taxi em Helsinque, no seu longa “Uma Noite Sobre a Terra”. 

Os Cowboys de Leningrado Encontram Moisés (Leningrad Cowboys Meet Moses, Finlândia / Alemanha / França, 1994) – Nota 6
Direção – Aki Kaurismaki
Elenco – Matti Pellonpaa, Kari Vaananen, André Wilms.

Esta sequência se passa cinco anos após o original, quando os “Cowboys de Leningrado” estão vivendo no México quase como mariachis. Eles recebem um convite para encontrar um sujeito que deseja contratá-los para um show, sem saber que o homem é o antigo empresário Vladimir (Matti Pellonpaa), que diz ter renascido e agora se chama Moisés. Manipulando os que sobraram do grupo, ele diz que está preparado para levá-los de volta à Terra Prometida, ou seja, de volta para Sibéria. 

Desta vez o road movie fará o sentido contrário, eles voltam pela Europa e atravessam países como França, Polônia e Alemanha antes de chegar a Rússia, sempre tentando tocar as músicas típicas de cada país com seu estilo inconfundível. 

O roteiro ainda mostra o maluco Vladimir, ou melhor, Moisés, roubando o nariz da Estátua da Liberdade, fazendo com que um agente do FBI (André Wilms) persiga o grupo. 

Mesmo sem a originalidade do primeiro filme, a sessão vale novamente pelos estranhos números musicais em quantidade maior e as curiosas paisagens do interior dos países que eles atravessam. 

O roteiro ainda brinca com a questão da religião, tirando um sarro da história de Moisés e a Terra Prometida.  

sexta-feira, 2 de março de 2012

Barton Fink - Delírios de Hollywood

Barton Fink – Delírios de Hollywood (Barton Fink, EUA, 1991) – Nota 7
Direção – Joel & Ethan Cohen
Elenco – John Turturro, John Goodman, Judy Davis, Michael Lerner, John Mahoney, Tony Shalhoub, Jon Polito, Steve Buscemi, David Warrilow, Richard Portnow.

Em 1941, o escritor Barton Fink (John Turturro) escreve uma peça teatral de sucesso em Nova York e recebe um convite para trabalhar como roteirista em Hollywood. Mesmo indeciso, ele acaba aceitando o convite, porém ao chegar em Los Angeles se depara com um mundo totalmente diferente. 

Ele que tinha o objetivo de escrever histórias sobre personagens comuns, recebe a missão de preparar o roteiro para um filme de luta livre, recebendo ordens do chefão do estúdio (Michael Lerner) para seguir todos os clichês possíveis. Angustiado e hospedado num hotel vagabundo, Barton acaba fazendo amizade com um vizinho de quarto, o amigável e estranho Charlie Meadows (John Goodman). 

Este filme dos irmãos Cohen é sem dúvida um dos seus trabalhos mais irregulares. Mesmo tendo personagens peculiares, como todas as obras da dupla e uma interessante idéia principal de fazer uma crítica a Hollywood do anos quarenta, quando os chefões dos grandes estúdios mantinham atores, atrizes, diretores e roteiristas sobre contrato e os obrigavam a seguir uma fórmula específica, a história perde um pouco o foco quando envereda para o gênero policial, com a investigação de dois assassinatos.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Assalto ao Trem Blindado & 1990 - Os Guerreiros do Bronx


Quentin Tarantino é provavelmente o fã mais famoso do diretor italiano Enzo Castellari, inclusive dando a ele um pequeno papel em "Bastardos Inglórias". Castellari iniciou sua carreira nos anos sessenta e foi reconhecido somente nos anos setenta quando comandou dois filmes como Franco Nero. O longa policial “Vingador Anônimo” e o faroeste “Keoma”. Trabalhando sempre com baixo orçamento, ele seguiu a carreira dirigindo filmes de ação que copiavam o estilo americano, geralmente contratando um ou dois atores americanos de filmes B para estrelar estes longas. Neste postagem cito dois filmes de Castellari que podem ser considerados cults nos dias de hoje. O filme de guerra “Assalto ao Trem Blindado”, que inspirou “Bastardos Inglórios” de Tarantino, mesmo que a trama seja completamente diferente e “1990 – Os Guerreiros do Bronx”, que copiava o sucesso “Warriors – Os Selvagens da Noite” de Walter Hill.

Assalto ao Trem Blindado (Quel Maledetto Treno Blindato, Itália, 1978) – Nota 6,5
Direção – Enzo G. Castellari
Elenco – Bo Svenson, Fred Williamson, Peter Hooten, Ian Bannen.Michael Pergolani, Jackie Basehart.

A trama deste filme lembra um pouco o clássico “Os Doze Condenados” de Robert Aldrich, começando com um grupo de soldados prisioneiros sendo transferidos num comboio que é atacado pelos nazistas. Apenas cinco prisioneiros conseguem sobreviver e estes fogem tentando chegar à Suiça, que era um país neutro no conflito, porém eles precisam escapar dos aliados que querem prendê-los novamente e dos nazistas que são os inimigos. 

Apesar do baixo orçamento, o filme é recheado de cenas de ação, até a sequência final no trem que dá título ao filme. Com já citei, em virtude do baixo orçamento, Castellari escalou Bo Svenson e Fred Williamson nos papéis principais, dois atores americanos de filmes B e conseguiu ainda o escocês Ian Bannen em um papel coadjuvante, ele que venceu o Oscar de Coadjuvante em 1965 por “O Vôo da Fenix”. Longe de se comparar com o filme de Tarantino e deixando os absurdos de lado, este é um divertido filme de ação. 

1990 – Os Guerreiros do Bronx (1990: I Guerrieri del Bronx, Itália, 1982) – Nota 5,5
Direção – Enzo G. Castellari
Elenco – Vic Morrow, Christopher Connelly, Fred Williamson, Mark Gregory, Stefania Girolami, Enio Girolami, George Eastman.

A trama se passa em 1990 (vejam que o filme é de 1982) quando o bairro do Bronx se tornou terra sem lei. A polícia a as autoridades abandonaram o local que está dominado por gangues. Quando a jovem Ann (Stefania Girolami, filha do diretor Castellari) foge de Nova York para o Bronx e se apaixona por Trash (Mark Gregory, o italiano Marco de Gregório) líder de uma gangue de motoqueiros, seu pai que é presidente de uma grande corporação envia o assassino Hammer (Vic Morrow em seu último papel antes de falecer num acidente em “No Limite da Realidade”) para resgatar a jovem e destruir as gangues, dando início a uma guerra no Bronx. 

Inspirado em “Warriors – Os Selvagens da Noite” e utilizando cenários parecidos com “Fuga de Nova York” de John Carpenter, Castellari cria cenas violentas de brigas entre gangues usando bastões e tacos de baseball e ainda contra as armas dos policiais de Hammer. Desta vez ele conseguiu contratar três atores americanos, o sempre vilão Vic Morrow, o também já falecido Christopher Connelly e Fred Williamson para contracenar com o péssimo Mark Gregory, que conseguiria alguma fama pela trilogia trash “Thunder – Um Homem Chamado Trovão”.