segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Dicas de Filmes Cults para o Ano Novo

Fechando o ano de 2012, decidi postar uma lista com 50 filmes cults que comentei no blog durante estes quase cinco anos.

Clicando sobre o filme que tiver curiosidade em conhecer, você acessará a postagem original com a resenha.

Agradeço a todos que visitaram o blog durante 2012, desejo um Feliz Ano Novo repleto de saúde, paz e realizações.

Agora sairei de férias durante alguns dias, mas no próximo ano continuarei a escrever e comentar sobre cinema.

1 - O Agente da Estação

2 - Conflitos Internos

3 - O Hospedeiro

4 - Pi

5 - The Corporation & Roger e Eu

6 - O Tempo e a Maré

7 - Subway

8 - Raízes do Mal

9 - A Caverna

10 - A Fortuna de Ned 

11 - Domingo Sangrento

12 - Asas do Desejo

13 - O Silêncio do Lago

14 - Edifício Master

15 - A Onda

16 - Abismo do Medo

17 - Lunar

18 - Navigator - Uma Odisseia no Tempo

19 - Sinédoque, Nova York

20 - Paradise Now

21 - Matewan - A Luta Final

22 - O Banheiro do Papa

23 - Terra de Ninguém

24 - Segunda-Feira ao Sol

25 - Na Captura dos Friedmans

26 - I.D. - Fúria nas Arquibancadas

27 - O Caso Alzheimer

28 - Incêndios

29 - Monstros

30 - São Paulo S/A

31 - Once Brothers - A História de Vlad Divac & Drazen Petrovic

32 - Não Amarás & Não Matarás

33 - Katyn

34 - 13 - O Jogador

35 - Crimes Temporais

36 - Caminho da Liberdade

37 - A História Oficial

38 - Momentos Decisivos

39 - Síndromes e um Século

40 - Fora da Jogada

41 - Cela 211

42 - A Maldição do Lago

43 - Uma Noite Sobre a Terra

44 - Swingers - Curtindo a Vida

45 - O Portal do Paraíso

46 - Primer

47 - Líbano

48 - Aura

49 - Rio Congelado

50 - Histórias Mínimas

domingo, 30 de dezembro de 2012

Third Watch - Parceiros da Vida

Third Watch (Third Watch, EUA, 1999 a 2005)
Criadores - Edward Allen Bernero & John Wells
Elenco - Michael Beach, Kim Raver, Jason Wiles, Skipp Sudduth, Coby Bell, Anthony Ruivivar, Molly Price, Eddie Cibrian, Chris Bauer, Tia Texada, Amy Carlson, Nia Long, Bobby Cannavale.

O colega Léo do blog Bússola do Terror comentou em seu espaço sobre as carreiras de Anthony Ruivivar e Coby Bell. Estas postagens me deram a ideia de escrever sobre "Third Watch", série em que os dois atores participavam.

A série passou completa no canal Warner e parte dela nas madrugadas do SBT como o título de "Parceiros da Vida".

A série teve seis temporadas e mostrava o dia a dia de bombeiros, policiais e paramédicos que trabalhavam em Nova York. O roteiro inovou ao juntar os três tipos de profissionais na mesma série, desta forma tendo de trabalhar com um elenco grande e várias histórias em cada episódio.

O acerto dos roteiros era misturar a vida pessoal e profissional dos personagens, mostrando principalmente como as pressão das três profissões interferiam nos relacionamentos familiares e amorosos, além da saúde física e psicológica de cada um.

As duas primeiras temporadas fizeram sucesso, que duplicou na terceira temporada lançada após os atentados de 11 de Setembro. As consequências da tragédia foram exploradas pelos roteiristas e produtores, tanto nas tramas, como nos locais onde aconteciam a ação.

A quarta temporada seguiu ainda com bons roteiros que apresentavam histórias interessantes, porém a partir deste ponto "Third Watch" passou a sofrer com problemas comuns a muitas séries. Alguns personagens começaram a sair, o primeiro foi Bobby Cannavale que largou a série no final da segunda temporada. Depois  foi a vez de Amy Carlson que havia substituído o próprio Cannavale. Na penúltima temporada a coisa desandou, os roteiristas começaram a criar histórias fantasiosas, até mesmo alguns episódios sobre um grupo de jovens que se achavam vampiros. Os roteiristas também usaram o artifício de criar doenças e tragédias com personagens e seus familiares, o que transformou as duas últimas temporadas quase em dramalhão. Eddie Cibrian, Kim Raver e Michael Beach também abandonaram a série antes do final.

Os personagens principais eram divididos entre os paramédicos Monte Parker (Michael Beach) e seu parceiro canalha Carlos Nieto (Anthony Ruivivar), a bela Kim (Kim Raver) e Bobby (Bobby Cannavale) depois substituído por Alex (Amy Carlson). Os policiais eram Faith (Molly Price) e seu parceiro esquentado Bosco (Jason Wiles), o veterano John Sullivan (Skipp Sudduth) e o jovem Tyrone (Coby Bell). Já os bombeiros tinham o também canalha Jimmy (Eddie Cibrian), que vivia brigando com a ex-esposa, a paramédica Kim. O elenco era completado por bombeiros de verdade que participavam principalmente das cenas de ação.

Foi uma série inovadora que começou muito bem, teve seu auge com a ajuda da tragédia de 11 de Setembro, mas que não soube manter a qualidade das histórias e acabou de uma forma bem inferior ao início promissor.

sábado, 29 de dezembro de 2012

This is England '86

This is England ’86 (This is England ’86, Inglaterra, 2010) – Nota 8
Direção – Shane Meadows & Tom Harper
Elenco – Thomas Turgoose, Vicky McClure, Joe Gilgun, Andrew Shim, Rosamund Hanson, Stephen Graham, Jo Hartley, Andrew Ellis, Michael Socha, Chanel Cresswell, Danielle Watson, Johnny Harris.

Esta sequência do longa de 2006 foi produzida em formato de minissérie com quatro capítulos e se passa em 1986 durante a Copa do Mundo do México, três anos após os acontecimentos do longa original. 

O grupo de amigos skinheads continua unido, mas precisam enfrentar novos problemas que surgem com a vida adulta. O casal Woody (Joe Gilgun) e Lol (Vicky McClure) passam por uma crise, tanto pela imaturidade dele, quanto pela volta do pai de Lol, situação que deixa a jovem revoltada por ter sido abusada pelo sujeito. O garoto Shaun (Thomas Turgoose) que se afastou do grupo após um crime no final do longa anterior, hoje cresceu e sua mãe (Jo Hartley) deseja que ele consiga um emprego, porém o jovem acaba reencontrando os amigos e se reaproximando de Smell (Rosamund Hanson). 

Várias outras situações envolvendo problemas de relacionamento, sexo e violência ocorrem com os personagens do grupo, num roteiro que enfoca o drama destas pessoas que são filhos de trabalhadores pobres e que tentam ter uma vida diferente dos pais, mesmo que isso não seja nada fácil. 

O filme original cita a diferença entre os skinheads que cultuam a rebeldia ao sistema e aqueles que se transformaram em neonazistas, porém aqui o foco principal está no drama de cada personagem. 

É uma interessante visão de época, tendo como de pano fundo os jogos da seleção inglesa na Copa do Mundo. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Mutação & A Relíquia


Mutação (Mimic, EUA, 1997) – Nota 7
Direção – Guillermo Del Toro
Elenco – Mira Sorvino, Jeremy Northam, Josh Brolin, Giancarlo Gianinni, Alexander Goodwin, Charles S. Dutton, F. Murray Abraham, Norman Reedus.

Quando uma doença disseminada por baratas mata diversas crianças em Nova York, os cientistas Susan Tyler (Mira Sorvino) e Peter Mann (Jeremy Northam) após muitas experiências conseguem desenvolver um novo tipo de barata que colocada em contato com os insetos normais os matam. Após três anos, a doença está controlada, porém as baratas criadas em laboratorio continuam a se desenvolver sozinhas, gerando insetos mutantes gigantes que começam a devorar humanos. Susan e um grupo de pessoas resolvem descer nos subterrâneos da cidade para localizar e destruir a ameaça. 

Esta ficção com roteiro de filme B foi a estreia do mexicano Guillermo Del Toro em Hollywood e ele não decepciona. Mesmo sem grande preocupação com interpretações, o filme se sustenta pelas violentas cenas de ação e o clima de suspense criado pelos cenários sujos dos esgotos de Nova York, além das assustadoras criaturas. 

É o típico filme de terror sem pretensões, que diverte os fãs do gênero. 

A Relíquia (The Relic, EUA, 1997) – Nota 6
Direção – Peter Hyams
Elenco – Penelope Ann Miller, Tom Sizemore, Linda Hunt, James Whitmore, Clayton Rohner.

Uma peça antiga encontrada na selva é enviada para o Museu de Nova York, porém ela traz consigo um perigoso vírus. Quando ocorre uma misteriosa morte no local, o detetive Vincent D’Agosta (Tom Sizemore) se torna o responsável pela investigação e logo entra em conflito com a pesquisadora Margo Green (Penelope Ann Miller). Outras mortes ocorrem e mesmo assim os responsáveis pelo museu decidem manter uma festa de reinauguração no local, situação que poderá se transformar em tragédia. 

Com uma trama simples e uma dupla de protagonistas sem muito carisma, o veterano diretor Peter Hyams tenta prender a atenção do espectador utilizando o cenário do museu como suspense, tendo apoio de bons efeitos especiais criados pelo falecido mestre Stan Winston. 

O resultado é uma diversão apenas razoável.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Lanterna Verde

Lanterna Verde (Green Lantern, EUA, 2011) – Nota 5
Direção – Martin Campbell
Elenco – Ryan Reynolds, Blake Lively, Peter Sarsgaard, Mark Strong, Tim Robbins, Jay O. Sanders, Taika Waititi, Angela Bassett, Mike Doyle, Jon Tenney, Temuera Morrison.

No planeta Oa vivem os guardiões do espaço chamados de Lanterna Verde. Quando um inimigo conhecido como Parallax escapa e começa a matar os guardiões e destruir planetas, um dos seus alvos é Abin Sur (Temuera Morrison), que foge ferido e chega à Terra. Abin Sur usa um anel que deverá escolher um novo guardião quando da sua morte. O anel acaba escolhendo o piloto de caças Hal Jordan (Ryan Reynolds), um sujeito rebelde e ao mesmo tempo inseguro em virtude de não ter superado a morte do pai (Jon Tenney), que também era piloto. 

Meu conhecimento sobre o universo do personagem Lanterna Verde se resume a participação no antigo desenho “Super Amigos”, ou seja, não tenho como analisar se a adaptação foi fiel ou não aos quadrinhos, porém como cinema o filme é ruim, com certeza um dos piores bancados pela DC Comics. A impressão é que a única preocupação foi com a parte técnica, principalmente no quesito de mostrar o planeta Oa, deixando de lado história e personagens. 

O roteiro além de ser totalmente clichê tem furos absurdos. A família do personagem principal desaparece da trama após uma festa, o herói aparece numa determinado situação sem explicação alguma, como se adivinhasse o local da ação, além do péssimo desenvolvimento dos personagens. 

A princípio Ryan Reynolds parecia ser o cara certo para o herói rebelde e um pouco arrogante, papel comum em sua carreira, porém aqui sua apatia e falta de expressão são claras. A presença de Blake Lively é apenas um enfeite de beleza e até o bom ator Tim Robbins entra numa fria em um papel ruim. 

É estranha a direção preguiçosa de Martin Campbell, que fez ótimo “007 Cassino Royale” e aqui parece interessado apenas na grana que ganhou para comandar o longa. Para completar, ainda temos o inevitável gancho no final para quem sabe uma continuação. 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Como Água Para Chocolate

Como Água Para Chocolate (Como Agua Para Chocolate, México, 1992) – Nota 8
Direção – Alfonso Arau
Elenco – Lumi Cavazos, Marco Leonardi, Regina Torné, Mario Ivan Martinez, Ada Carrasco, Yareli Arizmendi, Claudette Maillé.

No início do século passado durante a Revolução Mexicana, a jovem Tita (Lumi Cavazos) é a mais nova de três irmãs, que por uma tradição familiar, sua mãe (Regina Torné) exige que a garota não se case para cuidar dela até morrer. Quando o jovem Pedro (Marco Leonardi) pede a mão de Tita em casamento, a mãe oferece sua outra filha, Rosaura (Yareli Arizmendi). Pedro aceita a proposta com o objetivo de ficar perto de Tita, mesmo que seja casado com a irmã. A tristeza de Tita pela situação faz com que ela direcione seu amor para os deliciosos pratos mexicanos que prepara para a família e assim tenta manter viva sua ligação com Pedro. 

Baseado no livro de Laura Esquivel, este drama romântico utiliza toques surrealistas para contar uma complicada de história de amor passada numa época e num local onde a sociedade obrigava a mulher a ser submissa. A localização da trama nesse contexto social é um dos pontos principais para se aceitar a história, que brinca ainda com o absurdo em algumas cenas, como na sequência inicial do choro no parto da mãe da Tita ou a emoção que consome os personagens após uma refeição preparada por Tita, principalmente sua irmã Gertrudis (Claudette Maillé). 

Quanto ao elenco, o destaque é a sensível interpretação de Lumi Cavazos, que acerta o tom nos momentos emotivos e principalmente no amadurecimento da personagem durante o filme. Por outro lado, seu parceiro, o italiano Marco Leonardi é o ponto fraco, tanto no personagem que se mostra apático no contexto da trama, como na interpretação sem emoção alguma do ator. 

O filme fez muito sucesso na época e deixou a impressão de que o ator mexicano Alfonso Arau tinha potencial para se tornar um grande diretor, porém seus trabalhos posteriores foram apenas razoáveis. 

Como curiosidades, na época Arau era casado com a escritora Laura Esquivel, o que facilitou a adaptação do livro e além disso, sua decisão de dirigir em muito foi por causa do estigma que carregou na carreira de ator durante os anos que dividiu seus trabalhos entre o México e Holywood. Nos filmes americanos Arau recebia convites apenas para papéis de bandido, ele teve participações em séries como “Gunsmoke”, “Bonanza” e “Miami Vice”, além de filmes como “Tudo Por Uma Esmeralda” e “Os Três Amigos”. Após este trabalho como diretor, Arau abandonou a carreira de ator em Hollywood.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Menino Maluquinho

Menino Maluquinho (Brasil, 2004) – Nota 6
Direção – Helvecio Ratton
Elenco – Samuel Costa, Patrícia Pillar, Roberto Bomtempo, Luiz Carlos Arutin, Hilda Rebello, Vera Holtz, Tonico Pereira, Othon Bastos.

No final dos anos sessenta, Maluquinho (Samuel Costa) é um garoto que vive com os pais (Patrícia Pillar e Roberto Bomtempo) e divide seu tempo entre a escola e as brincadeiras com os amigos de sua rua. Extremamente esperto, Maluquinho inventa brincadeiras e apronta traquinagens inofensivas com todos. Em contrapartida terá de lidar com problemas como a separação dos pais e a morte do avô (Luiz Carlos Arutin). 

Baseado no famoso personagem do cartunista Ziraldo, esta adaptação para o cinema rendeu um longa que tem como pontos positivos a alegria do menino Samuel Costa no papel título e principalmente a homenagem a uma época bem diferente da atual, quando as crianças brincavam nas ruas sem medo de violência, não existiam videogames ou computadores e brincadeiras como jogo de pião, taco e amarelinha divertiam a garotada. 

Ziraldo nasceu em Caratinga, interior de Minas e com certeza utilizou sua memórias infância para criar o personagem. 

O resultado é um longa simples voltado para as crianças. 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Os Fantasmas Contra Atacam & O Grinch


Os Fantasmas Contra Atacam (Scrooged, EUA, 1988) – Nota 7
Direção – Richard Donner
Elenco – Bill Murray, Karen Allen, Bobcat Goldwaith, John Glover, John Forsythe, Carol Kane, Robert Mitchum, David Johansen, Michael J. Pollard, Alfre Woodard.

O executivo de tv Frank Cross (Bill Murray) é um sujeito arrogante, ranzinza e que odeia o Natal. Ele trata pessimamente seus funcionários que preparam um especial de tv para a véspera do Natal. Para surpresa de Frank, o fantasma do seu falecido sócio Lew (John Forsythe) aparece e o avisa para mudar suas atitudes, caso contrário terá um final de vida extremamente infeliz. Lew diz ainda que na noite de Natal, Frank receberá a visita de três fantasmas, o do seu passado, do presente e do futuro. 

O diretor Richard Donner se baseou livremente no conto de Charles Dickens e transportou o personagem Scrooge para os dias atuais, onde o sujeito sofre nas mãos dos fantasmas que mostram toda sua vida. O fantasma do passado é representando por um maluco motorista de taxi (David Johansen), o do presente é uma fada (Carol Kane) e o do futuro uma espécie de monstro que encarna a morte. O resultado é divertido com uma boa mensagem no final. 

Como curiosidade, o sucesso de “Os Caça-Fantasmas” e a presença de Bill Murray nos dois filmes, fez com que a distribuidora brasileira traduzisse o título para confundir o público e muitos acabaram acreditando que o longa seria um continuação do filme citado.

O Grinch (How the Grinch Stole Christmas, EUA, 2000) – Nota 6,5
Direção – Ron Howard
Elenco – Jim Carrey, Taylor Momsen, Jeffrey Tambor, Christine Baranski, Bill Irwin, Molly Shannon, Clint Howard, Anthony Hopkins.

Num povoado onde todos adoram o Natal, o Grinch (Jim Carrey) é uma criatura que odeia a data e vive isolado nas montanhas em virtude de um trauma do passado. Quando a garotinha Cindy (Taylor Momsen) o encontra, ela que também não entende o porquê da agitação do Natal, acaba convidando a criatura para passar a data no povoado, porém a decisão causará um novo problema. 

Baseado no livro do Dr. Seuss, este longa narrado por Anthony Hopkins, tem a direção de Ron Howard que alterou alguns pontos da história para agradar também aos adultos, o que resultou num divertido passatempo todas as idades, principalmente pela direção de arte que lembra os filmes de Tim Burton e também pela presença carismática de Jim Carrey debaixo de uma maquiagem pesada. 

domingo, 23 de dezembro de 2012

Com Amor, Liza & Incrível Obsessão


Com Amor, Liza (Love Liza, Alemanha / EUA / França, 2002) – Nota 6,5
Direção – Todd Louiso
Elenco – Philip Seymour Hoffman, Kathy Bates, J. D. Walsh, Stephen Tobolowsky, Sarah Koskoff

O webdesigner Wilson Joel (Philip Seymour Hoffman) fica perdido após o suicídio da esposa. Sem entender o porquê, Joel não tem coragem de abrir a carta que a esposa deixou. Esta situação complicada faz com que Joel deixe de lado amigos e trabalho, além de começar um inusitado vício de cheirar gasolina, combustível que ele também utiliza no aeromodelismo, outra fato novo em sua vida. O único laço que Joel consegue manter é com a sogra (Kathy Bates), que faz de tudo para que ele abra a carta e descubra qual mensagem a esposa deixou. 

Este curioso drama independente foi a estreia na direção do ator Todd Louiso, figura conhecida por participações em seriados de tv e que teve como papel mais conhecido o de amigo de John Cusack e Jack Black em “Alta Fidelidade”. Aqui ele conta uma história extremamente triste, sobre como uma tragédia afeta a vida das pessoas, tendo como ponto principal a atuação de Hoffman como o sujeito que após perder a esposa parece vagar angustiado pelo mundo, como se estivesse totalmente dopado. 

Não é uma história fácil e a estranha narrativa também pode não agradar a todos, mas vale a sessão para quem gosta de personagens que sofrem pela perda de um amor. 

Incrível Obsessão (Owning Mahowny, Canadá, 2007) – Nota 7
Direção – Richard Kwietniowski
Elenco – Philip Seymour Hoffman, Minnie Driver, John Hurt, Maury Chaykin, Ian Tracey, K. C. Collins, Sonja Smits.

Dan Mahowny (Philip Seymour Hoffman) é um gerente de banco considerado funcionário de confiança pelos superiores. Aparentemente uma pessoa correta e reservada, na verdade Dan é viciado em apostas. Quando sua situação financeira afunda, a compulsão de Dan o faz desviar dinheiro do banco para apostar, o que a princípio não gera consequência alguma, mas aos poucos o faz entrar num buraco sem saída. 

Este pouco conhecido longa é baseado na história real de umas da maiores fraudes bancárias da história do Canadá e tem na interpretação de Hoffman o ponto principal. Ele cria um personagem que aparenta ser ingênuo e solitário, mas na verdade esconde sua compulsão por trás desta máscara. 

É um filme pequeno, simples e com uma solução triste, porém esperada.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Vida de Balconista

Vida de Balconista (Brasil, 2009) – Nota 7,5
Direção – Cavi Borges & Pedro Monteiro
Elenco – Mateus Solano, Gregório Duvivier, Paula Braum, Miguel Thiré, Alamo Facó, Renata Tobelem.

Cavi Borges é dono de uma conhecida locadora no Rio de Janeiro que começou a produzir curtas em meados da década passada. Com incentivo de uma operadora de celulares, ele dirigiu vários curtas com o personagem “Mateus – O Balconista”, um atendente de locadora que precisa ter jogo de cintura para tratar clientes de todos os tipos. O sucesso da série fez com que Cavi se juntasse a Pedro Monteiro e com uma pequena verba conseguisse transformar as histórias em um longa. 

O filme se passa durante um dia na locadora onde Mateus conversa direto com a câmera fazendo comentários irônicos sobre os estranhos frequentadores do local. Cavi se baseou em histórias e personagens que passaram por sua locadora durante mais de uma década. Mateus precisa ajudar um cinéfilo indeciso, tem de lidar com um cliente caloteiro, com outro que curte filmes de sacanagem, com um sujeito chato que reclama e não aluga filme algum, com uma jovem fã do Van Damme e até com um fiscal picareta. 

Os pontos altos são interpretação de Mateus Solano, que faz caras e bocas que resumem bem seus sentimentos ao lidar com personagens engraçados e até patéticos, além de alguns diálogos deliciosos sobre cinema, principalmente sobre Tarantino, uma das inspirações do filme que rende uma divertida cena de sonho do personagem principal. 

O longa foi todo filmado com câmera digital utilizando uma lente angular, que a princípio deixa uma sensação estranha, como se estivéssemos vendo imagens de uma câmera de segurança, mas se torna perfeita com o desenrolar do filme e aproveita bem o pequeno cenário da locadora. 

Divertido e sem pretensão, o filme é um exemplo de como a frase “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão” está mais atual do que nunca.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Bombas - Comédias Ruins - Parte I

Desta vez na sessão Bombas, destaco em críticas rápidas dez comédias que não cumprem seu papel de fazer o espectador rir.

São filmes repetidos a exaustão na tv aberta durante os anos noventa, geralmente nas sessões da tarde.


As Incríveis Perípecias do Ônibus Atômico (The Big Bus, EUA, 1976) – Nota 5
Direção – James Frawley
Elenco – Joseph Bologna, Stockard Channing, John Beck, Rene Auberjonois, Ned Beatty, Bob Dishy, José Ferrer, Ruth Gordon, Harold Gould, Larry Hagman, Sally Kellerman, Richard Mulligan, Lynn Redgrave, Stuart Margolin.

Um cientista (Joseph Bologna) constrói uma ônibus movido a energia nuclear e para provar que sua invenção funciona com segurança, parte para uma viagem sem paradas entre Nova York e Denver, porém uma série de sabotagens pelo caminho põe em risco o sucesso da viagem, inclusive uma bomba é colocada no veículo. O longa é uma sátira aos filmes catástrofe que faziam sucesso na época e aos road movies, com algumas sequências engraçadas e nada mais que isso. A curiosidade é o elenco recheado de rostos conhecidos da época.

A Incrível Mulher que Encolheu (The Incredible Shrinking Woman, EUA, 1981) – Nota 5,5
Direção – Joel Schumacher
Elenco – Lily Tomlin, Charles Grodin, Ned Beatty, Henry Gibson, Elizabeth Wilson, Pamela Bellwood, John Glover.

Uma dona de casa (Lily Tomlin) ao misturar vários produtos de limpeza começa a diminuir de tamanho até ficar minúscula. Seu marido (Charles Grodin) fica desesperado e tenta a todo custo descobrir como reverter o processo. Ele encontrará ajuda em um excêntrico cientista (Henry Gibson). Este foi o primeiro longa para o cinema de Joel Schumacher, que escolheu refilmar um clássico B dos anos cinquenta chamado “O Incrível Homem que Encolheu”. O resultado é apenas razoável, com efeitos especiais que envelheceram e algumas boas piadas a cargo de Lily Tomlin. 

Wacko – Uma Comédia Maluca (Wacko, EUA, 1982) – Nota 2
Direção – Greydon Clark
Elenco – Joe Don Baker, Stella Stevens, George Kennedy, Julia Duffy, Scott McGinnis.

O sucesso de “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu” gerou vários longas que seguiam o estilo de paródia e dos que assisti, este “Wacko” com certeza é um dos piores. A trama tem como protagonista um detetive (Joe Don Baker) que não dorme nunca e que tem como objetivo descobrir quem é o “Assassino do Cortador de Grama”. Este fio de história é o início de um filme bizarro, com cenas absurdas parodiando filmes de sucesso da época como “O Exorcista”, “A Profecia” e “Alien”, porém sem a mínima graça.

Loucademia de Combate (Combat High, EUA, 1986) – Nota 4
Direção – Neal Israel
Elenco – Keith Gordon, Wallace Langham, Robert Culp, Elya Baskin, George Clooney, Danny Nucci, Jamie Farr.

Dois jovens delinquentes (Keith Gordon e Wallace Langham) são condenados a cumprir pena de um ano numa academia militar. Esta comédia para tv que segue o estilo criado por “Loucademia de Polícia”, transfere a ação para o exército e consegue ser ainda mais fraca. O filme tem algumas curiosidades: O diretor Neil Israel no ano anterior comandou o engraçado “A Última Festa de Solteiro” com Tom Hanks e depois de vários filmes ruins, seguiu carreira na tv. O protagonista com cara de nerd Keith Gordon abandonou a carreira de ator e se tornou um bom diretor em filmes como “Noites Calmas” e “A Guerra do Chocolate” e até em episódios do seriado “Dexter”. Já Wallace Langham que hoje é figura carimbada em séries de tv, aqui assinava ainda como Wally Ward.    

Agente Zero Zero Nada (The Trouble with Spies, EUA, 1987) – Nota 4
Direção – Burt Kennedy
Elenco – Donald Sutherland, Ned Beatty, Ruth Gordon, Lucy Gutteridge, Michael Hordern, Robert Morley, Gregory Sierra.

Um espião inglês (Donald Sutherland) é enviado para Ibiza com o objetivo de investigar o desaparecimento de outro espião. Num hotel de luxo ele se envolverá com os estranhos clientes e sofrerá algumas tentativas de assassinato. Esta tentativa de parodiar os filmes de James Bond é um desperdício do talento de Sutherland e não provoca riso algum. O falecido diretor Burt Kennedy era especialista em westerns, o que mostra que sua escolha para dirigir uma paródia foi um grande equivoco. 

Elvira, a Rainha das Trevas (Elvira: Mistress of the Dark, EUA, 1988) – Nota 5
Direção – James Signorelli
Elenco – Cassandra Peterson, W. Morgan Sheppard, Daniel Green, Jeff Conaway.

Elvira (Cassandra Peterson) é a apresentadora de um programa de terror trash que recebe como herança de um tia distante uma mansão numa pequena cidade. O objetivo de Elvira é vender a mansão, porém um tio (W. Morgan Sheppard) também quer sua parte na herança. Além disso, sua figura exótica espanta os moradores do local. A personagem Elvira surgiu em um programa de tv e teve algum sucesso, principalmente pelos seios enormes, o que resultou nesta comédia totalmente trash, com piadas sobre terror e sexo. 

Deu a Louca nas Federais (Feds, EUA, 1988) – Nota 4,5
Direção – Dan Goldberg
Elenco – Rebecca DeMornay, Mary Gross, Ken Marshall, Fred Dalton Thompson, Tony Longo.

Uma advogada (Mary Gross) e uma ex-militar (Rebecca DeMornay) se inscrevem no curso para agente do FBI e precisam passar por um duro treinamento, além de enfrentar o machismo dos colegas de curso. O roteiro tem até uma premissa curiosa, utilizando personagens que são opostas, onde uma seria o cérebro e a outra os músculos, porém tudo vai por terra em virtude do roteiro cheio de clichês, os diálogos idiotas e as cenas de ação forçadas. Rebecca DeMornay ainda fez carreira, já Mary Gross não vingou, assim como o ator Ken Marshall que havia protagonizado a ficção cult “Krull” e depois desapareceu.

Um Detetive do Outro Mundo (Second Sight, EUA, 1989) – Nota 4
Direção – Joel Zwick
Elenco – John Larroquette, Bronson Pinchot, Bess Armstrong, Stuart Pankin, James Tolkan.

O detetive Wills (John Larroquette) é contratado por uma freira (Bess Armstrong) para localizar uma menina desaparecida, ao mesmo tempo terá de trabalhar com o excêntrico Bobby (Bronson Pinchot), um sujeito que recebe um espírito que ajuda em suas investigações. Esta comédia paranormal foi uma tentativa frustrada de utilizar a fama na época de John Larroquette (“Night Court”) e Bronson Pinchot (“Primo Cruzado”) que eram astros de seriados de tv.

A Casa Maluca (Madhouse, EUA, 1990) – Nota 4
Direção – Tom Ropelewski
Elenco – John Larroquette, Kirstie Alley, Alison La Placa, Jessica Lundy, Bradley Gregg, Dennis Miller, John Diehl, Robert Ginty.

O casal Bannister (John Larroquette e Kirstie Alley) precisa lidar com parentes que chegam para visitar sua casa e que decidem passar alguns dias no local, além de vizinhos complicados e problemas de trabalho. Outra comédia que utilizou atores de seriados de tv e fracassou merecidamente, tendo uma história que ao invés de fazer rir, chega a irritar o espectador em algumas sequências. 

Por Que Eu? (Why Me? EUA, 1990) – Nota 5,5
Direção – Gene Quintano
Elenco – Christopher Lambert, Christopher Lloyd, Kim Greist, J. T. Walsh, Michael J. Pollard, Tony Plana, John Hancock.

Dois ladrões (Christopher Lambert e Christopher Lloyd) roubam uma antiga joia do tesouro Bizantino e juntos com a namorada do primeiro (Kim Greist) acabam perseguidos pela polícia, a CIA, terroristas e até agentes turcos. O longa mistura perseguição, correria e comédia numa típica sessão da tarde. Por escolhas ruins como esta, a carreira do astro Christopher Lambert afundou.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Loucos de Amor & 28 Dias


Loucos de Amor (She’s So Lovely, EUA, 1997) – Nota 6
Direção – Nick Cassavetes
Elenco – Sean Penn, Robin Wright Penn, John Travolta, Harry Dean Stanton, Debi Mazar, James Gandolfini, Gena Rowlands, Talia Shire, Burt Young.

Eddie Quinn (Sean Penn) e sua esposa Maureen (Robin Wright Penn) vivem uma confusa relação regada a sexo, drogas e bebidas. Quando Eddie desaparece por alguns dias, Maureen que estava grávida pede ajuda a um vizinho (James Gandolfini), porém os dois começam a beber e o sujeito tenta estuprá-la. Quando Eddie retorna para casa e descobre o que houve, ele mata o vizinho e acaba preso. 

Dez anos depois, Maureen está casada com Joey (John Travolta) e tem três filhas, sendo a mais velha filha de Eddie. Maureen largou o vicio e vive feliz, porém sua vida vira de ponta cabeça quando Eddie sai da prisão e reaparece em sua vida. 

Este longa é um drama pesado sobre amor entre duas pessoas instáveis que acreditam terem nascido uma para outra, mesmo que juntas vivam um verdadeiro inferno. Mesmo com Sean Penn tendo boa interpretação novamente num papel de desajustado, infelizmente isso para segurar o filme, que em boa parte se torna exagerado, com sequências que se transformam em melodrama.

28 Dias (28 Days, EUA, 2000) – Nota 6
Direção – Betty Thomas
Elenco – Sandra Bullock, Viggo Mortensen, Dominique West, Elizabeth Perkins, Steve Buscemi, Azura Skye, Diane Ladd, Reni Santoni, Jean Marianne Baptiste.

A colunista de jornal Gwen Cummings (Sandra Bullock) leva uma vida louca. Adora festas e bebidas sem pensar nas consequências. Quando por diversão Gwen decide roubar uma limusine no casamento da irmã (Elizabeth Perkins) e se envolve num acidente, o fato faz com que ela aceite se internar numa clínica de reabilitação para um tratamento de vinte e oito dias onde terá de enfrentar seu problema e aprender a obedecer regras. 

Numa análise rápida o filme pode lembrar o clássico “Um Estranho no Nome”, em virtude dos excêntricos coadjuvantes internados na clínica, mas longe de ser um drama pesado, o longa tem uma história batida sobre mudança de comportamento que utiliza todos os clichês do gênero, inclusive inserindo um interesse romântico no personagem de Viggo Mortensen. 

Simples, correto e totalmente descartável, é o tipo de filme para assistir e esquecer rapidamente.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Tetro

Tetro (Tetro, EUA / Argentina, 2009) – Nota 7
Direção – Francis Ford Coppola
Elenco – Vincent Gallo, Alden Ehrenreich, Maribel Verdú, Klaus Maria Brandauer, Rodrigo De la Serna, Silvia Pérez, Leticia Brédice, Sofia Gala, Mike Amigorena, Carmen Maura.

O jovem Bennie (Alden Ehrenreich) chega de navio a Buenos Aires para reencontrar o irmão Angelo (Vincent Gallo) após muitos anos de separação. Bennie é bem recebido pela doce Miranda (Maribel Verdú), namorada de seu irmão, porém o instável Angelo, que agora quer ser chamado de Tetro (seu sobrenome é Tetrocini) parece não aceitar a presença do jovem. 

Angelo abandonou os Estados Unidos para viver um ano em outro local com o objetivo de escrever um livro, porém não mais retornou ao país e cortou laços com a família, principalmente com o pai, o famoso maestro Carlo Tetrocini (Klaus Maria Brandauer). 

Coppola se inspirou em sua própria vida familiar para escrever o roteiro, sendo que ele teve uma  convivência difícil com o irmão e foi testemunha da rivalidade entre seu pai e tio (aqui também interpretado por Brandauer) que eram músicos. 

Coppola não trabalhava com roteiro próprio desde “A Conversação” em 1976 e parece ter desanimado do trabalho de diretor após os fracos “Jack” e “O Homem que Fazia Chover”. Sua volta a direção foi no pequeno “Velha Juventude”, longa que eu ainda não conferi, mas este trabalho seguinte está muito mais para o cinema independente do que para as grandes produções que costumava comandar. 

A história é simples e tem até um pequena surpresa no final, além de ter como ponto positivo a bela fotografia em preto e branco (apenas as sequências em flashback são em cores) que mostra o bairro pobre da Boca na Argentina como um local de cultura. Mesmo sem indicar o ano em que se passa a trama, fica a sensação de estarmos nos anos cinquenta. 

Os destaques do elenco são Maribel Verdú (“E Sua Mãe Também”), Rodrigo De la Serna (“Diários de Motocicleta”) e Letícia Brédice (“Nove Rainhas”), os dois últimos como atores de uma pequena trupe teatral composta por amigos de Angelo. 

O jovem Alden Ehrenreich não atrapalha, mas por outro lado é difícil engolir o estilo Vincent Gallo de atuar. Procuro não ter preconceitos com atores ou atrizes, mas o sujeito é um mala que em todo filme exagera no estilo dramático, querendo se mostrar cool e rebelde. 

O interessante é mesmo ver o outrora grande Francis Ford Coppola, sujeito de um ego enorme, dirigindo um filme pequeno.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sal de Prata

Sal de Prata (Brasil, 2005) – Nota 6
Direção – Carlos Gerbase
Elenco – Maria Fernanda Cândido, Camila Pitanga, Marcos Breda, Bruno Garcia, Janaína Kremer, Júlio Andrade, Nelson Diniz, Maitê Proença.

Rudi Veronese (Marcos Breda) é um cineasta que tenta fazer carreira, mas tem grande dificuldade para conseguir filmar seus roteiros. Durante uma discussão sobre regras para um concurso de curta metragens, Rudi sofre um ataque do coração e morre. 

Sua namorada Cátia (Maria Fernanda Cândido) é uma executiva de finanças que nunca se interessou a fundo pelo trabalho de Rudi, porém após a morte do sujeito, ela encontra alguns roteiros no computador do namorado, fato que desperta a atenção de outros cineastas amigos de Rudy. Curiosa, Cátia começa a ler os roteiros e encontra situações que acreditam terem sido inspiradas na sua relação com Rudi, além de passar a desconfiar que ele tinha um caso com a atriz Cassandra (Camila Pitanga), ao mesmo tempo em que ela própria era amante de Valdo (Bruno Garcia), um cineasta famoso. Aos poucos, Cátia passa a confundir sua vida com os roteiros do namorado. 

A premissa do roteiro escrito pelo próprio Gerbase é quase uma homenagem aos candidatos a cineastas, que sofrem com a falta de dinheiro para transformar seus roteiros em filmes, além de discutir em algumas sequências a transformação do cinema em película para a era digital, fato que diminui os custos e facilita o caminho para jovens cineastas finalizarem seus trabalhos. 

É interessante também a situação da descoberta do roteiro do falecido, que é visto com entusiamos pelos amigos, mas que logo desistem do projeto. Um deles prefere fazer comerciais para ganhar a vida e o outro é um sujeito que não tem controle algum do dinheiro. 

O ponto falho é a tentativa de mostrar o filme dentro do filme, transformando as cenas do roteiro lido por Cátia em sequências na mente da personagem, misturando com a montagem de um longa capitaneado por Cátia através das cenas filmadas pelos cineastas amigos de Rudi , fatos que resultam numa parte final confusa e pretensiosa. Além disso é complicado aceitar a mudança de comportamento de Cátia, que a princípio não entende nada de cinema, mas no final se transforma em cineasta.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Tuff Turf - O Rebelde & Ódio Cego


Tuff Turf – O Rebelde (Tuff Turf, EUA, 1985) – Nota 6,5
Direção – Fritz Kiersch
Elenco – James Spader, Kim Richards, Paul Mones, Robert Downey Jr, Matt Clark, Claudette Nevis, Olivia Barasch, Panchito Gomez, Art Evans.

A família Hiller entra em falência e precisa se mudar do subúrbio de  Connecticut para um bairro popular em Los Angeles. O filho Morgan (James Spader) é obrigado a frequentar uma escola pública violenta, local dominado pela gangue de Nick (Paul Mones). Sendo rebelde, Morgan se envolve com a bela Frankie (Kim Richards) que é namorada de Nick. O fato dará início a uma guerra entre os jovens. 

Buscando inspiração no clássico “Juventude Transviada”, o diretor trash Fritz Kiersch (“A Colheita Maldita” original) até entrega um interessante e violento drama sobre o mundo dos jovens. O filme vale pelas presenças de James Spader e de Robert Downey Jr ainda bem jovens, sendo que o segundo num papel menor. 

Como curiosidade, este longa foi um dos primeiros lançados em VHS original no país.

Ódio Cego ou Jovens Assassinos (The Boys Next Door, EUA, 1985) – Nota 6,5
Direção – Penelope Spheeris
Elenco – Maxwell Caulfield, Charlie Sheen, Patti D’Arbanville, Christopher McDonald, Hank Garret.

Os jovens Roy (Maxwell Caufield) e Bo (Charlie Sheen) acabam de se formar no colégio, porém não tem perspectiva alguma de futuro. Para extravasar as frustrações, a dupla decide passar um final de semana em Los Angeles e logo se desentendem com um frentista que acaba assassinado por Ray. O fato é o estopim que dá início a uma série de crimes cometidos pelos jovens. 

A diretora Penelope Spheeris que nos anos noventa ficaria famosa com comédias bobas como “Quanto Mais Idiota Melhor” e “A Familia Buscapé”, aqui estava em início de carreira e vinha do sucesso cult chamado “Suburbia”, um filme sobre o mundo dos punks. Neste “Ódio Cego” ela buscou inspiração em filmes sobre jovens assassinos, como o clássico “Terra de Ninguém” de Terrence Malick.

O curioso hoje é ver que o psicopata da dupla era interpretado por Maxwell Caulfield, que não se firmou na carreira, enquanto Charlie Sheen era o elo fraco da dupla, o jovem submisso. 

O filme passou na tv aberta com vários títulos diferentes, os dois mais conhecidos são os citados na postagem. 

domingo, 16 de dezembro de 2012

Jovens, Loucos e Rebeldes

Jovens, Loucos e Rebeldes (Dazed and Confused, EUA, 1993) – Nota 8
Direção – Richard Linklater
Elenco – Jason London, Matthew McConaughey, Joey Lauren Adams, Cole Hauser, Milla Jovovich, Shawn Andrews, Sasha Jenson, Rory Cochrane, Ben Affleck, Adam Goldberg, Anthony Rapp, Marissa Ribisi, Wiley Wiggins, Michelle Burke, Deena Martin, Christine Harnos, Parkey Posey, Nicky Katt, Jason O. Smith.

No ultimo dia de aula numa escola do Texas em 1976, veteranos e novatos aproveitam para se divertir antes do início das férias, com direito a muito namoro, confusões, bebidas e drogas. Com este fio de história, o diretor e roteirista Richard Linklater cria um dos longas mais divertidos e ao mesmo tempo críticos sobre a juventude dos anos setenta. Ele que nasceu em 1960, era adolescente na época em que se passa a trama do filme e por ser testemunha daquele momento, além de ter talento para escrever e dirigir, Linklater conseguiu retratar com perfeição todo aquele contexto através de personagens que podem parecer clichês, mas que estão bem próximos da realidade. 

Não existe um protagonista, apesar de dois personagens terem uma maior participação. São eles, o astro do time de futebol do escola Randall “Pink” Floyd (Jason London), que está dividido entre a fama passageira que tem no colégio e a vontade de liberdade. O outro personagem é o novato Mitch Kramer (Wiley Wiggins), que a princípio se torna vítima de trote dos veteranos, mas que ao final da noite acaba aceito por todos, como se estivesse sido aprovado num rito de passagem. 

A fauna de personagens tem o veterano reprovado (Ben Affleck) que tenta descontar suas frustrações nos calouros, as garotas veteranas (Joey Lauren Adams e Parkey Posey) que tentam humilhar as mais jovens, os drogados (Rory Cochrane, Shawn Andrews e Milla Jovovich), os nerds (Marissa Ribisi, Anthony Rapp e Adam Godlberg), além de um ex-astro da escola (Matthew McConaughey) que reaparece para pegar garotas novas. 

Apesar de não ter feito grande sucesso na época, o filme se tornou cult com o passar do anos após elogios de Quentin Tarantino e por ter sido incluído merecidamente em algumas listas de melhores filmes já produzidos sobre jovens. 

Quase todo o elenco fez o carreira e alguns se tornaram nomes de ponta como Affleck, McConaughey, Cole Hauser e Milla Jovovich. Vale destacar ainda a ótima trilha sonora repleta de rock dos anos setenta. 

Na sequência final alguns dos jovens pegam a estrada para assistir a um show do Aerosmith, como uma metáfora com o objetivo de mostrar que a vida de verdade começa após o colégio e que o caminho está aberto a todos. 

O resultado é uma espécie de “American Griffith” chapado e mais divertido.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Elefante

Elefante (Elephant, EUA, 2003) – Nota 7,5
Direção – Gus Van Sant
Elenco – Alex Frost, Eric Deulen, John Robinson, Elias McConnell, Jordan Taylor, Alicia Miles, Timothy Bottoms, Matt Malloy.

A nova tragédia ocorrida ontem em uma escola em Connecticut, onde um desajustado matou vinte e seis pessoas, sendo vinte crianças, rapidamente trouxe a mente o documentário “Tiros em Columbine” e este “Elefante”. 

As duas produções são inspiradas no massacre de Columbine, sendo que o documentário tentava buscar respostas para a ação dos adolescentes assassinos, enquanto o longa de Gus Van Sant procurava mostrar um retrato da violência psicológica que as crianças e jovens sofrem nas escolas americanas, situações vistas como normais pela sociedade daquele país, que muitas vezes trata o bullyng como um rito de passagem, esquecendo que as marcas psicológicas podem doer ainda mais que as físicas, além de serem estopins para ação de desajustados. 

Van Sant não se preocupa em apresentar didaticamente os personagens ou uma trama, ele mostra pequenas situações num colégio do subúrbio de Portland no Oregon, onde dois garotos (Alex Frost e Eric Deulen) se preparam para atacar o local com armamento pesado. Entre as situações mostradas vemos o embate entre os atletas e os nerds, a panelinha das garotas que procuram segregar aquelas que não se encaixam no padrão e o pior, as vistas grossas de professores e da diretoria que se tornam coniventes com um verdadeiro caldeirão de conflitos. 

Os papéis são interpretados por jovens da região, muitos deles utilizando o próprio nome. Os poucos rostos conhecidos são os coadjuvantes vividos pelos veteranos Matt Malloy e Timothy Bottoms. 

O filme resulta numa crítica a sociedade americana, que parece ainda não ter percebido que além da facilidade em comprar armas no país, o problema também está na forma como os jovens são pressionados dentro dos colégios, situação que nem todos tem estrutura para suportar.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Revista Set

A revista Set foi publicada durante vinte e dois anos, de julho/1987 a setembro/2009 e marcou época como um grande veículo de informações para os cinéfilos brasileiros.

Lembro quando um colega de trabalho apareceu com a revista nº 1 (foto da capa ao lado) com Mickey Rourke na capa, ele que era o astro do momento após o grande sucesso de "Nove e Meia Semanas de Amor".

Numa época em que não existia internet, a tv por assinatura ainda não havia chegado ao país e o provavelmente o único programa sobre cinema e vídeo no Brasil foi o ótimo Cinemania apresentado por Wilson Cunha e que foi ao ar de 1988 a 2003 na extinta TV Manchete, a Set se transformou em revista obrigatória para os cinéfilos.

Tenho a coleção completa, inclusive com algumas edições especiais de Terror e Ficção e posso afirmar que muito do meu conhecimento sobre cinema vem desta revista. Hoje falta espaço para guardar a coleção, por isso ela está na casa de minha mãe. As vezes até penso em vendê-la, mas o lado sentimental é contrário.

Nos primeiros anos a revista trazia um encarte com cartazes originais de clássicos do cinema, com a ficha técnica completa na parte de trás do cartaz, material de primeira qualidade que muitas pessoas fizeram coleção.

Outro ponto positivo nos primeiros anos era o enfoque. Além de dar atenção aos grandes lançamentos, a revista também trazia comentários dos diversos lançamentos em vídeo (vhs), que explodiram na época com a popularização do videocassete e a chegada das grandes distribuidoras ao mercado. Lembro por exemplo que a MGM entrou no mercado do Brasil com um pouco de atraso, mas mesmo assim explodiu nas vendas lançando logo de cara toda a coleção 007.

A revista apresentava ótimas matérias também sobre clássicos do cinema, filmes de arte e longas brasileiros. Foi assim que conheci mais sobre as carreiras de Kurosawa, Fellini, John Ford, Hitchcock, entre outros. Aprendi também como funcionavam as produções da Boca do Lixo e as grandes diferenças entre Hollywood e o cinema europeu.

Uma ótima sessão era a coluna de Dulce Damasceno de Brito, que viveu em Hollywood nos anos cinquenta, fez amizade com vários astros e estrelas e escrevia textos sobre aquela época com extrema simplicidade, muitas informações de bastidores e com muito carinho pelos amigos.

Com o passar dos anos a revista teve várias mudanças, inclusive de editores e colaboradores. O foco também mudou durante o tempo, aos poucos a revista produzido para o cinéfilo foi se transformando numa publicação voltada para o consumidor de cinema, aquele que deseja apenas as novidades, os grandes lançamentos.

O que comentarei a seguir é uma opinião pessoal sobre o fim da revista. A partir do início dos anos 2000, a revista se voltou totalmente para o cinema comercial, principalmente após o sucesso do primeiro "O Senhor dos Anéis" e de "O Homem-Aranha" em 2002, o longa que alavancou a Marvel e deu início a uma série de filmes de super heróis. Nesta época, o editor (não citarei o nome) e seus colabores basicamente transformaram a revista num reino de nerds, onde edição após edição apresentavam capas com novos blockbusters e entrevistas exclusivas com jovens atores e diretores destas produções, quase sempre feitas em outros países, em sets de filmagens, pré-estreias ou hotéis de luxo.

Voltando aos primeiros anos, muitas coisa publicada eram entrevistas traduzidas feitas por jornalistas estrangeiros ou por correspondentes brasileiros que vivam nos Estados Unidos e na Europa, e por sinal com um conteúdo melhor que a bajulação da última década.

Um dos motivos do fim da revista foi a crise do mercado editorial, mas analisando como administrador, não deixa de ser um absurdo gastar com viagens frequentes ao exterior para fazer uma entrevista, quando hoje existem diversos meios mais baratos para isso. Ao meu ver a revista se tornou um reino onde um pequeno grupo aproveitava as benesses, não se importando com os custos. Acredito que a revista poderia continuar circulando até hoje com uma qualidade melhor sem a necessidade destes gastos, com um política de pé no chão.

Além do conteúdo dos últimos anos, o que me chateou foi a forma como a revista acabou e um fato que presenciei, ou melhor, li no Orkut em 2009. De uma hora pra outra a revista sumiu e os assinantes foram abandonados, sem explicação alguma. Do nada apareceu um sujeito do Jornal do Brasil afirmando que o jornal comprou a revista e eles seriam os responsáveis por uma reformulação, deixando claro que havia um descontentamento com o editor anterior.

Fui pesquisar para entender melhor a situação e procurei a comunidade da Set no Orkut. Existia uma tópico principal no fórum onde vários assinantes e cinéfilos perguntavam sobre a situação. O dono da comunidade era o antigo editor da revista, que para minha surpresa respondia com no mínimo indelicadeza aos questionamentos, como se fosse o dono da verdade. Ficou claro que ele não aceitava perder o trono, era uma briga de egos.

Esta mudança durou duas ou três edições e logo o editor antigo, o sujeito do Orkut, anunciou que ele voltaria para revista. Uma última edição foi às bancas em setembro de 2009 com Brad Pitt na capa caracterizado pelo papel em "Bastardos Inglórios".

Algumas boatos apareceram sobre o retorno da revista, mas nada aconteceu. É uma pena que uma revista que marcou época e que tinha público fiel tenha acabado desta maneira.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Compramos um Zoológico

Compramos um Zoológico (We Bought a Zoo, EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Cameron Crowe
Elenco – Matt Damon, Scarlett Johansson, Thomas Haden Church, Colin Ford, Maggie Elizabeth Jones, Angus Macfadyen, Elle Fanning, Patrick Fugit, John Michael Higgins, Carla Gallo, J. B.  Smoove.

Após perder a esposa que faleceu, o jornalista Benjamin Mee (Matt Damon) decide largar o emprego e mudar de casa com os dois filhos, a pequena Rosie (Maggie Elizabeth Jones) e o adolescente Dylan (Colin Ford). Ao procurar um novo lar, Benjamin chega ao uma antiga casa num local isolado, porém se assusta ao descobrir que na enorme propriedade existe um zoológico. A pequena Rosie se apaixona pelo local e Benjamim decide comprar a propriedade para assumir o decadente zoológico. Ele terá ainda de ficar com os funcionários, entre eles a bela cuidadora de animais Kelly (Scarlett Johansson).

Esta produção baseada numa história real é o típico filme família, que mesmo partindo de uma situação mais pesada (a morte da mãe), os demais problemas que aparecem durante a trama se resolvem após pequenas crises. 

Acredito que Matt Damon tenha escolhido o papel para dar uma pausa nos personagens de filmes de ação que se habituou a interpretar nos últimos anos e neste papel mais leve acaba não decepcionando. A presença de Scarlett Johansson vale pela beleza e o engraçado Thomas Haden Church acaba sendo pouco aproveitado no papel do irmão de Damon. 

Como previsão, acredito que o elenco juvenil tenha potencial para ter uma boa carreira. Elle Fanning (irmã da mais talentosa Dakota) e Colin Ford cumprem bem os papéis, mas o destaque maior vai para a pequenina Maggie Elizabeth Jones, extremamente simpática e esperta.   

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Atração Perigosa

Atração Perigosa (The Town, EUA, 2010) – Nota 8
Direção – Ben Affleck
Elenco – Ben Affleck, Rebecca Hall, Jon Hamm, Jeremy Renner, Blake Lively, Slaine, Owen Burke, Titus Welliver, Pete Postlethwaithe, Chris Cooper.

Os letreiros iniciais citam que o bairro de Charlestown em Boston é o local onde mais surgem assaltantes de banco nos Estados Unidos. No final, um letreiro semelhante cita que o roteiro não estava generalizando, porém ao mesmo tempo confirma a má fama do local. Esta curiosa informação é o ponto de partida para construção de um dos melhores filmes policiais dos últimos anos. 

Logo de início, quatro assaltantes utilizando máscaras de caveiras invadem um banco durante a chegada de um carro forte, roubam todo o dinheiro e ainda levam a gerente Claire (Rebecca Hall) como refém. A garota é abandonada intacta na beira do mar. 

O bando é liderado por Doug McRay (Ben Affeck), tendo como parceiros seu violento amigo James Coughlin (Jeremy Renner), o ladrão de carros Gloansy (Slaine) e o especialista em alarmes Desmond (Owen Burke). 

A situação fica complicada com a entrada do FBI na investigação e principalmente por que Doug se envolve com Claire, sem que ela saiba que ele liderou o assalto e a tomou como refém. 

O roteiro do próprio Ben Affleck em parceria com Peter Craig e Aaron Stockard não apresenta grandes surpresas, mas cria uma narrativa envolvente numa história que lembra uma caçada de gato e rato entre o personagem de Affleck e o agente do FBI interpretado por Jon Hamm. O roteiro ainda apresenta detalhes interessantes do passado do protagonista e enfoca como o ambiente influencia a escolha e o destino das pessoas. 

Além disso, vale destacar a forte atuação de Jeremy Renner e as pequenas mas importantes participações de Chris Cooper como o pai de Affleck e de Pete Postlethwaithe como um bandido conhecido como “o Florista”. Por sinal, o ator que faleceu pouco tempo depois já estava bastante abatido por causa da doença. 

O resultado é um ótimo longa que confirma o talento de Affleck na direção e no roteiro, sendo que neste segundo item ele já venceu o Oscar por “Gênio Indomável” em parceria com Matt Damon. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Navigator - Uma Odisseia no Tempo

Navigator – Uma Odisseia no Tempo (The Navigator: A Mediaeval Odyssey, Austrália / Nova Zelândia, 1988) – Nota 8
Direção – Vincent Ward
Elenco – Bruce Lyons, Chris Haywood, Hamish McFarlane.

No século XIV na região da Cumbria (onde hoje é a Inglaterra), um pequeno povoado de mineradores sofre com a provável chegada da Peste Negra que assola toda a Europa. Um dos mineradores é Connor (Bruce Lyons), que foi enviado para analisar o alcance da doença e voltou rapidamente dizendo que ela está próxima. 

O desespero das pessoas faz com que acreditem nas visões do garoto Griffin (Hamish McFarlane), o irmão mais novo de Connor, que diz que a única saída para salvar o povoado da doença é cavar um túnel numa caverna que levará até uma cidade do outro lado do mundo. Griffin diz ainda que será necessário fincar uma cruz no topo de uma determinada igreja. Os mineradores aceitam cavar o túnel e para surpresa eles chegam em Auckland na Nova Zelândia em pleno século XX. 

A grande sacada do roteiro do próprio diretor Vincent Ward é mostrar as reações dos homens medievais frente ao mundo atual, tendo de enfrentar automóveis, pessoas e até um submarino para chegar ao objetivo, em situações que misturam drama, ficção e comédia. 

A produção de baixo orçamento não atrapalha a criatividade do diretor, que provavelmente teve carta branca para criar as curiosas sequências e incluir ainda pitadas de religião, viagem no tempo e uma narrativa diferente, quase poética em algumas sequências. 

Vale destacar a interpretação de Hamish McFarlane como o estranho garoto profeta, ator que não fez carreira. 

O longa se transformou em sucesso cult na época e fez o diretor Ward ser contratado para dirigir “Alien³”, porém ele acabou substituído por David Fincher e os novos roteiristas apenas usaram sua história como base para desenvolver o roteiro. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Wall Street - Poder e Cobiça & Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme


Wall Street – Poder e Cobiça (Wall Street, EUA, 1987) – Nota 7,5
Direção – Oliver Stone
Elenco – Michael Douglas, Charlie Sheen, Daryl Hannah, Martin Sheen, Sean Young, John C. McGinley, Hal Holbrook, Terence Stamp, James Spader, Saul Rubinek, James Karen.

Bud Fox (Charlie Sheen) é um jovem corretor de Wall Street extremamente ambicioso, que coloca como objetivo se aproximar de Gordon Gekko (Michael Douglas), um sujeito que ficou milionário investindo na Bolsa de Valores. Fox consegue se aproximar de Gekko e aos poucos conquista uma certa confiança do sujeito, além de encher o bolso de dinheiro. Com o passar do tempo, Fox percebe que muitas das atitudes de Gekko são imorais e até ilegais, situação que faz o jovem colocar em dúvida se a vida que está levando é a correta. 

Mesmo com um roteiro que não foge do lugar comum ao mostrar a relação entre mestre e aprendiz até a revolta do segundo, este longa pode ser considerado um marco ao mostrar como os anos oitenta mudaram a mentalidade dos jovens americanos, situação que por consequência se espalhou para o resto do mundo. 

Se nos anos sessenta e setenta a ideologia dos jovens era ser rebelde e mudar o mundo, os anos oitenta apresentaram a geração que deixou de lado estes pensamentos e os trocaram pelos bens materiais, sucesso profissional e dinheiro. O yuppies de Wall Street foram o grande exemplo desta mudança e aqui muito bem representados pelo personagem de Charlie Sheen e principalmente pelo arrogante Gordon Gekko de Michael Douglas, personagem que criou a frase “a ganância é boa” e que merecidamente lhe rendeu o Oscar. Estas mudanças permanecem até os dias de hoje, onde a competição pelo sucesso perssoal supera qualquer outra ideologia. 

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street, Money Never Sleeps, EUA, 2010) – Nota 7
Direção – Oliver Stone
Elenco – Michael Douglas, Shia Labeouf, Josh Brolin, Carey Mulligan, Frank Langella, Eli Wallach, Susan Sarandon, John Bedford Lloyd, Austin Pendleton, Vanessa Ferlito, Charlie Sheen.

Esta sequência do longa de 1987 começa com Gordon Gekko (Michael Douglas) saindo da prisão em 2001 após cumprir pena por crimes financeiros. O longa pula para 2008, quando o jovem Jake Moore (Shia Labeouf) tem um alto cargo no banco de investimentos de Louis Zabel (Frank Langella) e ao mesmo tempo namora Winnie Gekko (Carey Mulligan), filha de Gordon que não fala com o pai há quase uma década. 

Esperto mas ainda inexperiente, Jake se surpreende quando o banco onde trabalha entra em colapso e Zabel comete suicídio. Enquanto isso, Gekko se transformou em escritor para contar sua experiência de vida e apresentar palestras onde tenta mostrar que quem comanda o mundo financeiro nos dias de hoje é muito pior do que ele. Jake procura se aproximar de Gekko e descobre que Zabel se matou por ter sido humilhado por outro banqueiro, o canalha Bretton James (Josh Brolin), fato que o faz pensar em vingança. 

Se o filme original focava basicamente na especulação financeira, numa época em Wall Street era o Olimpo da economia, esta sequência mostra as consequências da decisão de um país em deixar de lado a produção e acreditar que apenas o mercado financeiro sustentaria a economia. A trama aqui se passa no meio do colapso americano que entre 2007 e 2008 afundou a economia do país, tendo como gota d’água a chamada “bolha imobiliária”. 

O roteiro mostra como grandes banqueiros ainda conseguiram lucrar com a crise, espalhando o terror através de boatos e fazendo o governo americano liberar uma verba absurda para salvar a economia. O fato é representando pelo personagem de Josh Brolin e seu relacionamento como o cabeça do Banco Federal Americano interpretado por John Bedford Lloyd. 

Stone acerta ao mostrar como contexto atual os chamados “grandes jogadores” não estão preocupados apenas com o dinheiro, mas sim como o poder e a sensação de vencer uma disputa e humilhar o concorrente. 

No elenco vale destacar Michael Douglas novamente bem de volta ao papel de Gekko, Josh Brolin também acerta como inescrupuloso banqueiro, porém Shia Labeouf e Carey Mulligan estão apenas corretos. A pequena participação do personagem de Charlie Sheen é curiosa e não se pode deixar de citar o veteraníssimo Eli Wallach, que do alto dos seu noventa e cinco anos interpreta um banqueiro mentor do personagem de Brolin, que cria um interessante sinal para finalizar suas ideias. 

Destaco ainda a ótima trilha sonora recheada de canções de David Byrne, vocalista da banda Talking Heads, umas das grandes dos anos oitenta.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Paraísos Artificiais

Paraísos Artificiais (Brasil, 2012) – Nota 6
Direção – Marcos Prado
Elenco – Nathalia Dill, Luca Bianchi, Livia de Bueno, Bernardo Melo Barreto, César Cardadeiro, Divana Brandão, Emílio Orciollo Neto, Roney Villela, Cadu Fávero.

Dividindo a narrativa em três épocas diferentes, o produtor Marcos Prado que estreava na direção de um longa conseguiu irritar muita gente ao colocar no roteiro raso diversos temas como sexo, drogas, amor, punição, família, juventude perdida e as festas rave. 

A história começa com Nando (Luca Bianchi) saindo da prisão e voltando para a casa da mãe e do irmão mais novo. Quando ele encontra drogas no quarto do irmão, começa a recordar seu passado. A partir daí a trama se divide em duas narrativas, a primeira se passa no litoral de Pernambuco, onde Nando e seu amigo Patrick (Bernando Melo Barreto) se divertem numa festa rave em uma praia isolada, onde também estão as amigas Érika (Nathalia Dill) e Lara (Livia de Bueno). A segunda se passa dois anos depois, quando os dois amigos estão em Amsterdam na Holanda, ao mesmo tempo em que Érika trabalha como DJ em um casa noturna. Nando e Érika acabam se envolvendo e aos poucos o espectador é apresentado aos segredos do passado dos personagens. 

A produção é extremamente bem cuidada, com uma bela fotografia que aproveita as paisagens naturais do litoral do nordeste, as cenas de sexo são sensíveis e bem filmadas, mas o roteiro exagera nas coincidências e não se aprofunda em tema algum. Muitas situações são claramente referências a filmes famosos. As cenas da rave em câmera lenta lembram “Matrix Reloaded”, as drogas no aeroporto vem de “O Expresso da Meia-Noite”, a crise familiar de Nando copia “A Outra História Americana” e assim por diante. 

Estes clichês irritaram os críticos, as cenas da festa rave regada a drogas, bebidas e sexo irritaram os frequentadores do movimento que se sentiram ofendidos por serem tratados como inconsequentes e por final os moralistas ficaram indignados com as cenas de sexo. 

Concordo que os clichês atrapalharam o filme, assim como o inexpressivo elenco, com exceção da bela Nathalia Dill que cria a melhor personagem da trama, além de ser bonita e ter uma belo corpo, mas como citei anteriormente, as cenas de sexo são bem filmadas e não merecem críticas, já sobre a questão das drogas, não vi esta generalização que muitos citaram, entendo que bebidas, drogas e sexo fácil estão presentes em todo tipo de festa, sejam nas raves ou nas atuais e concorridas baladas com sertanejo e forró universitário ou o funk carioca. 

O filme tem como ponto positivo gerar uma discussão complexa, mesmo que no geral os temas sejam tratados de forma artificial, semelhante ao título do longa.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Zeitgeist: Moving Forward

Zeitgeist: Moving Forward (Zeitgeist: Moving Forward, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Peter Joseph
Documentário

Em 2007, o diretor Peter Joseph lançou diretamente na Internet o documentário “Zeitgeist” (leia postagem aqui), que trazia discussões interessantes sobre a origem e a influência das religiões no controle das massas e como o governo americano utilizava estes preceitos para justificar as novas guerras que tem como objetivo principal o lucro. 

O sucesso do documentário fez com que o Movimento Zeitgeist liderado pelo próprio Joseph chamasse a atenção e uma continuação fosse inevitável. Um ano depois ele lançou “Zeitgeist Addendum”, que na sua primeira parte focava principalmente nos malefícios do sistema econômico americano e por consequência mundial. A parte final apresentava o “Projeto Vênus”, uma proposta criada pelo quase centenário Jacque Fresco, um sujeito com conhecimento em arquitetura, designer e educação que sonha em criar uma sociedade com foco na cooperação social, na tecnologia e na ciência sem envolvimento do capital. Seria uma sociedade onde os bens de consumo estariam a disposição das pessoas sem custo, mas com responsabilidade. 

A utopia de Fresco e o movimento contra a economia de Joseph aparentemente se juntaram e renderam este terceiro documentário que com o depoimento de especialistas cita como a desigualdade existente no mundo capitalista leva a fome, a pobreza, a violência e também como os recursos naturais estão sendo explorados a exaustão, sem preocupação alguma com o meio ambiente. A primeira parte toca nestas questões de modo didático e esclarecedor, deixando a segunda parte para mostrar mais a fundo o mundo utópico de Fresco. 

A curiosidade está nas informações que encontrei pesquisando sobre o documentário. Assim que ele foi lançado no início de 2011, Fresco e sua esposa Roxanne Meadows reclamaram que Peter Joseph não deu os créditos devidos pelas suas ideias e teria se apoderado dos conceitos, como se eles tivessem sido criados pelo Movimento Zetgeist. O fato gerou uma ruptura entre os grupos e no meio disso surgiram diversos militantes reclamando dos dois lados, alguns afirmando que o ego de Fresco falou mais alto e que ele deseja ser lembrado como alguém que criou algo novo para a humanidade, enquanto outros alegam que Joseph não sabe como transformar seu movimento em algo real. 

Analisando como espectador, fica claro que por melhor que sejam as ideias apresentadas aqui, sendo muitas delas extremamente interessantes, uma sociedade voltada para a cooperação social sem capital não passa mesmo de uma utopia, já que os próprios defensores das ideias não se entendem e brigam por causa do ego e provavelmente de dinheiro.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Aeon Flux & Ultravioleta


Aeon Flux (Aeon Flux, EUA, 2005) – Nota 5,5
Direção – Karyn Kusama
Elenco – Charlize Theron, Marton Csokas, Jonny Lee Miller, Sophie Okonedo, Frances McDormand, Peter Postlethwaite, Amelia Warner.

Em 2011, um virus matou 99% da população. No século XXV, os sobreviventes vivem numa cidade chamada Bregna. Neste contexto, Aeon Flux (Charlize Theron) é uma assassina que pertence a um grupo liderado por Handler (Frances McDormand) e que recebe a missão de assassinar o governante da cidade, Trevor Goodchild (Marton Csokas), porém ela falha por acreditar ter uma ligação com o sujeito. 

Baseada numa animação da MTV, esta produção fracassou nas bilheterias em virtude do roteiro fraco, muito criticado por alterar os conceitos das animação, pelas interpretações ruins e pela fraca direção de Karyn Kusama. As cenas de luta até que são bem feitas, mostram a elasticidade de Charlize Theron e copiam o estilo “Matrix” sem exagerar. 

O filme se torna razoável para quem não conhece a série e que procura apenas uma diversão passageira exigindo pouco.   

Ultravioleta (Ultraviolet, EUA, 2006) – Nota 4
Direção – Kurt Wimmer
Elenco – Mila Jovovich, Cameron Bright, Nick Chinlund, William Fichtner, Sebastian Andrieu.

No final do século XXI, uma mutação genética transforma humanos em hematófagos, pessoas com características de vampiro, principalmente com força e reflexos maiores que os humanos normais. Com o aumento do número de pessoas com esta mutação, o governo liderado por Daxus (Nick Chinlund) “cria” um garoto (Cameron Bright) com o objetivo de usá-lo para exterminar os hematófagos,  porém a rebelede Violet (Mila Jovovich) seqüestra o menino acreditando que ele também possa a ser a cura da sua condição e por este motivo passa a ser perseguida por todos. 

A história não chega a ser absurda em razão do gênero, porém o desenrolar do roteiro é confuso e as cenas de ação são cópias descaradas de “Matrix”, inclusive abusando da câmera lenta. 

A presença de Mila Jovovich vale apenas para admirarmos as suas curvas e a barriguinha enxuta que ela deixa a mostra boa parte do filme, mas tirando isso sobra pouco para diversão.