segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Dramas Sobre Doenças - Parte Final

Na primeira parte desta postagem (clique aqui para ler) comentei cinco filmes onde o tema principal é a luta de um personagem contra alguma doença.

Aqui comento outro seis filmes, alguns são melodramas exagerados, mas pelo menos os dois primeiros apresentam emoção na medida certa, sem apelar para forçar o choro fácil do espectador.

Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper, EUA, 2009) – Nota 7,5
Direção – Nick Cassavetes
Elenco – Cameron Diaz, Abigail Breslin, Jason Patric, Sofia Vassilieva, Evan Ellingson, Alec Baldwin, Joan Cusack, Heather Wahlquist, Thomas Dekker, David Thornton, Emily Deschanel.

Aos onze anos, Anna Fitzgerald (Abigail Breslin) decide contratar um advogado (Alec Baldwin) para conseguir e emancipação do seu corpo. Traduzindo, ela deseja ter o poder de decidir sobre doar ou não um rim para sua irmã Kate (Sofia Vassielieva). O problema é que Kate é uma adolescente que sofre com a leucemia desde criança e seus pais (Cameron Diaz e Jason Patric) decidiram ter Anna para que ela fosse utilizada como doadora de medula, sangue e outras situações que pudessem salvar Kate, já que eles e o irmão Jesse (Evan Ellingson) não eram compatíveis. 

O roteiro do próprio diretor Nick Cassavetes em parceria com Jeremy Leven tem a seu favor não apelar para o melodrama, colocando ainda como discussão a pergunta “até onde se pode chegar para tentar salvar uma vida?”. Não existem heróis ou vilões entre os personagens, mas sim uma situação crítica onde a mãe deseja lutar pela vida da filha a todo custo, mesmo que acabe usando a outra filha como cobaia e deixe o filho de lado. O pai interpretado por Jason Patric é quase um espectador, que mesmo apoiando a esposa sabe que seu casamento está em segundo plano e assim tenta apenas viver dia após dia. 

Mesmo com os coadjuvante vividos por Alec Baldwin e Joan Cusack (a juíza) sendo interessantes e cada um tendo uma história pessoal, o julgamento se torna menor e até desnecessária em relação a questão principal da doença e das relações familiares. 

Finalizando, vale destacar a atuação de Abigail Breslin, que trabalhou em “Sinais” e brilhou no ótimo “Pequena Miss Sunshine”. Ela novamente mostra que tem potencial para se tornar uma ótima atriz. 

Tempo de Recomeçar (Lie as a House, EUA, 2001) – Nota 7,5
Direção – Irwin Winkler 
Elenco – Kevin Kline, Kristin Scott Thomas, Hayden Christensen, Jena Malone, Jamey Sheridan, Scott Bakula, Sam Robards, John Pankow, Mary Steenburgen, Ian Somerhalder, Mike Weinberg, Scotty Leavenworth. 

O arquiteto George Monroe (Kevin Kline) descobre que está doente e que tem pouco tempo de vida. O fato faz com que ele mude suas prioridades. Ele que sempre colocou o trabalhou à frente de sua vida pessoal, decide tentar construir algo antes de partir. Ele procura se aproximar do filho (Hayden Christensen) com quem tem um relacionamento ruim e com a ex-esposa (Kristin Scott Thomas). Numa espécie de metáfora de vida, George decide ainda construir uma casa à beira mar, sonho que sempre teve, mas alegava não ter tempo para realizar. 

O roteiro é sem surpresas, mas o filme tem a seu favor o carisma de Kevin Kline para criar um personagem que agrada ao público ao tentar reparar erros do passado antes de partir. Kristin Scott Thomas e Jena Malone tem bons desempenhos como sempre, já Hayden Christensen tem uma atuação apagada, como sempre também. 

Doce Novembro (Sweet November, EUA, 2001) – Nota 6
Direção – Pat O’Connor
Elenco – Keanu Reeves, Charlize Theron, Jason Isaacs, Greg Germann, Liam Aiken, Robert Joy, Lauren Graham, Frannk Langella, Ray Baker.

O executivo Nelson Moss (Keanu Reeves) é um sujeito que pensa apenas em trabalho. Quando precisa renovar a carteira de habilitação, acaba conhecendo de modo confuso a bela Sara (Charlize Theron), por quem sente-se atraído. A garota é o oposto de Nelson, não se liga em bens materiais e deseja apenas viver. Para surpresa de Nelson, Sara o convida a passar um mês com ela, o novembro do título, sem saber que a garota guarda um triste segredo. 

Apesar de ser uma refilmagem de “Por Toda a Minha Vida” de 1968, este longa lembra muito “Outono em Nova York” produzido um ano antes. A história é esquemática e ainda tem o quase sempre inexpressivo Keanu Reeves no papel principal. Os pontos altos são a beleza e a interpretação sensível de Charlize Theron e nada mais que isso. 

Outono em Nova York (Autumn in New York, EUA, 2000) – Nota 5
Direção – Joan Chen
Elenco – Richard Gere, Winona Ryder, Anthony LaPaglia, Vera Farmiga, Elaine Stritch, Sherry Stringfield, Jill Hennessy, J. K. Simmons, Sam Trammell, Mary Beth Hurt.

O solteirão Will Kane (Richard Gere) está na casa dos cinquenta anos e não pensa em relacionamento sério. Homem de várias mulheres, acaba conhecendo a jovem Charlotte (Winona Ryder) que tem a metade de sua idade. O que prometia ser mais um caso passageiro, se torna algo mais. Após pouco tempo a situação fica ainda mais séria, pois Will descobre que Charlotte tem um doença terminal. 

A bela fotografia que abusa das imagens de Nova York no outono não são suficientes para suprir as falhas de um longa feito especificamente para a plateia chorar, principalmente a ala feminina. Não demora para o melodrama dar as caras em meio a jantares em restaurantes caros, juras de amor e a total falta de química entre Gere e Ryder. Esta aventura da atriz Joan Chen na direção falha ao exagerar no drama.

Coração Indomável (Untamed Heart, EUA, 1993) – Nota 6,5
Direção – Tony Bill
Elenco – Christian Slater, Marisa Tomei, Rosie Perez, Kyle Secor, Willie Garson.

A garçonete Caroline (Marisa Tomei) é uma jovem que não deseja mais se apaixonar depois de sofrer várias desilusões. Para piorar, ela sofre uma tentativa de estupro, mas acaba salva por um colega de trabalho, o tímido Adam (Christian Slater). Aos poucos os dois iniciam uma relação, mas Adam não tem coragem de contar que sofre de um doença no coração. 

Drama romântico feito especialmente para emocionar casais apaixonados e principalmente mulheres, o longa foi uma tentativa fracassada de transformar a bela Marisa Tomei em estrela após ela vencer o Oscar de Atriz Coadjuvante pelo papel em “Meu Primo Vinnie” no ano anterior. Após ter feito muitos papéis ruins durante uma década, nos últimos anos Marisa Tomei escolheu trabalhos melhores provou ser uma boa atriz. Já Christian Slater não se firmou na carreira. 

Tudo Por Amor (Dying Young, EUA, 1991) – Nota 5
Direção – Joel Schumacher
Elenco – Julia Roberts, Campbell Scott, Vincent D’Onofrio, Colleen Dewhurst, Ellen Burstyn, David Selby.

Victor Geddes (Campbell Scott) é um jovem de família rica que sofre de leucemia. A família contrata a jovem extrovertida Hillary (Julia Roberts) como enfermeira. O relacionamento profissional aproxima os dois que logo se envolvem, mesmo com o jovem tendo pouco tempo de vida e sua família sendo contra a relação. 

Julia Roberts ficou famosa após o sucesso de “Uma Linda Mulher”, porém em seguida fez algumas escolhas ruins como drama com suspense “Dormindo com o Inimigo” e este “Tudo Por Amor”. O filme fez muitas adolescentes apaixonadas chorarem e até algum sucesso no cinema, mas analisando com cinema, o resultado é um filme totalmente esquemático que abusa do melodrama.


3 comentários:

Gilberto Carlos disse...

Filmes ideais para chorar! Dos citados só não assisti, Tempo de recomeçar. Os outros vi e gostei muito. Mas quando se fala em filme sobre doença todo mundo lembra de O óleo de Lorenzo. Abraço.

Hugo disse...

Gilberto - Ainda não assisti "O Óleo de Lorenzo", por isso ele não está na lista.

Abraço

Amanda Aouad disse...

Já eu só vi Doce Novembro da lista, hehe, e tem seus momentos, mas é um filme mais fraquinho no contexto geral. E Keanu Reeves precisaria ser um pouco mais sensível mesmo para a gente chorar...

bjs