terça-feira, 31 de julho de 2012

Elizabeth

Elizabeth (Elizabeth, Inglaterra / EUA, 1998) – Nota 7,5
Direção – Shekhar Kapur
Elenco – Cate Blanchett, Geoffrey Rush, Christopher Eccleston, Joseph Fiennes, Richard Attenborough, James Frain, Fanny Ardant, Eric Cantona, Vincent Cassel, Kathy Burke, Edward Hardwicke, Emily Mortimer, Kelly Macdonald, John Gielgud.

Em 1554, após a morte de Henrique VIII, a Inglaterra vive uma crise religiosa sob o comando da Rainha Mary, que tenta impor o catolicismo ao povo. Quando Mary fica doente, a crise aumenta pois a herdeira do trono é sua meia-irmã Elizabeth (Cate Blanchett), que é protestante e considerada herege pelos bispos do país. 

A morte de Mary abre o caminho para Elizabeth, que se torna rainha rodeada por uma corte cheia de pessoas que desejam sua morte, principalmente o Duque de Norfolk (Christopher Eccleston) que tem o apoio do bispos católicos para tomar o poder na primeira oportunidade. A rainha tem apenas o apoio de Sir Francis Walsingham (Geoffrey Rush), um sujeito odiado pelos bispos e o veterano Sir William Cecil (Richard Attenborough) que acredita que a única saída para paz seria Elizabeth se casar, seja com o rei da  Espanha ou com o sobrinho da rainha da França, mas como ela ama Robert Dudley (Joseph Fiennes), a situação é mais complicada do que se imagina. 

O roteiro de Michael Hirst cobre um pequeno e atribulado período da históra da Inglaterra, quando o país estava enfraquecido pelas disputas religiosas internas e a chegada de Elizabeth ao trono era vista com total desconfiança, porém seu reinado durou quarenta e quatro anos e transformou o país na maior potência da época, sendo considerada a “Era de Ouro” da Inglaterra. 

Como todo filme histórico, muitos críticos apontam erros em relação ao que realmente houve, além disso o roteiro tem uma pequena falha em relação ao personagem de Joseph Fiennes, que apresenta uma estranha mudança de comportamento, além de uma determinada situação muito mal explicada sobre a vida do personagem. Estes deslizes não tiram a força da trama, que foca principalmente nas intrigas políticas pelo poder, tendo ainda como destaque a bela atuação de Cate Blanchett, que teve neste papel seu primeiro grande destaque no cinema 

O filme teve uma sequência em 2007 chamada “Elizabeth – A Era de Ouro”, trabalho que eu ainda preciso conferir. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Divulgação ou Extorsão?

Vazou na internet um vídeo onde o ator Caio Blat ("Carandiru", "Cama de Gato") conversa com alunos de teatro, ao que parece de um curso da Prefeitura de Suzano, comentando o absurdo da situação que os filmes brasileiros independentes são obrigados a enfrentar, principalmente a atuação predatória da Globo Filmes no mercado.

Blat cita que nos seus últimos trabalhos no cinema, além de ator foi também produtor e sentiu na pele a pressão da Globo Filmes para divulgação destes longas de uma forma nada agradável, para dizer o mínimo da absurda situação.

Esta denúncia vai além da polêmica, na realidade é um exemplo de como funciona nosso país, onde as grandes corporações e também os políticos agem como se fossem donos do mundo.

Sou cético, acredito que infelizmente nada mudará a forma como os filmes brasileiros são divulgados, ou pior, a denúncia mudará apenas a situação de Caio Blat, que com certeza por um bom tempo (ou o resto da vida talvez) será boicotado pela Gobo.

Não vou detalhar o depoimento, para quem tiver interesse em saber o conteúdo, assista ao vídeo abaixo, principalmente a partir dos doze minutos de exibição.


domingo, 29 de julho de 2012

Inimigo Meu

Inimigo Meu (Enemy Mine, EUA, 1985) – Nota 7,5
Direção – Wolfgang Petersen
Elenco – Dennis Quaid, Louis Gossett Jr.

No futuro, a Terra está em guerra com o Planeta Dracon e durante uma batalha a nave de Willis Davidge (Dennis Quaid) é abatida e caí num planeta selvagem. Ao mesmo tempo, a nave de um draconiano (Louis Gossett Jr) também cai no local. A princípio, os dois continuam a batalha, quase num jogo de gato e rato, mas logo percebem que para sobreviverem aos perigos naturais daquele planeta, precisarão se unir. 

Esta interessante ficção do diretor Petersen (“A História Sem Fim”, “O Barco – Inferno no Mar”) bebe diretamente na fonte do clássico “Inferno no Pacífico” de John Boorman, onde o americano Lee Marvin e o japonês Toshiro Mifune travavam uma guerra particular numa ilha do Pacífico. 

Aqui a premissa é levada a outro planeta, misturando na primeira parte cenas de ação com a participação de estranhas criaturas e no final dando espaço ao lado dramático, com uma crítica as guerras e uma curiosa surpresa com um dos personagens. 

Dennis Quaid dá conta do recado, mas quem brilha é o esquecido Louis Gossett Jr debaixo de uma maquiagem pesada. Gossett sofreu com a maldição do Oscar de Ator Coadjuvante. Ele venceu pelo filme “A Força do Destino” no início dos anos oitenta, mas depois teve poucos papéis de destaque. Como curiosidade, Gossett foi a terceira pessoa negra a vencer o Oscar, antes dele apenas Hattie McDaniel por “E O Vento Levou” e Sidney Poitier por “Uma Voz nas Sombras” haviam levado o prêmio para casa.

sábado, 28 de julho de 2012

Deus da Carnificina

Deus da Carnificina (Carnage, França / Alemanha / Polônia / Espanha, 2011) – Nota 7,5
Direção – Roman Polanski
Elenco – Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz, John C. Reilly.

Dois garotos brigam num parque e um deles perde dois dentes. Em seguida, a história pula para o apartamento dos pais do garoto ferido, onde eles e os pais do garoto que bateu se encontram para resolver a situação. Os pais do garoto que foi a vítima são de classe média, a mãe Penelope (Jodie Foster) tem interesse por livros, artes e principalmente nos problemas da África, enquanto o pai Michael (John C. Reilly) é um vendedor de utilidades domésticas que aprecia whisky e charutos. O outro casal representa a elite, a mãe Nancy (Kate Winslet) é uma dondoca corretora de imóveis e o pai Alan (Christoph Waltz) é um executivo de uma empresa farmacêutica. 

A princípio todos procuram mostrar seu lado educado, com os casais chegando a um acordo sobre o incidente, porém com o desenrolar da conversa as diferenças pessoais afloram e o encontro se transforma numa lavagem de roupa suja, onde cada personagem mostra sua verdadeira face. Preconceitos, rancores, valores e diferenças sociais são discutidas sem pudor, numa espécie de terapia coletiva, sempre entrecortada pelo celular do personagem de Christoph Waltz, que toca pelo menos umas vintes vezes durante o filme. 

Polanski acerta ao criar o apartamento onde se passa a trama como um local perfeito, onde tudo parece estar no lugar correto, assim como o início da relação entre os casais, até que a cena do vômito transforma o cenário num caos, em todos os sentidos. 

O roteiro é baseado numa peça teatral de Yasmina Reza, que é perfeita ao retratar o comportamento humano, que tende a mostrar suas virtudes num primeiro momento, mas se transforma completamente quando precisa defender seus interesses. Mesmo que algumas discussões sejam um pouco exageradas, na vida real com certeza os casais teriam terminado a conversa antes do último terço de filme, vale pelos temas abordados e o ótimo elenco, que cria personagens com temperamentos, virtudes e defeitos bem diferentes entre si.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Relax, Um Visto Para o Céu & A Musa


O comediante, ator, diretor e roteirista Albert Brooks é mais conhecido por dublar vozes de personagens coadjuvantes em "Os Simpsons", porém em seus trabalhos como diretor já foi comparado a Woody Allen, principalmente pelo diálogos recheados de humor crítico e personagens atormentados e engraçados. Diferente de Allen que adora Nova York, Brooks utiliza Los Angeles como cenário em seus trabalhos. Aqui comento três simpáticos filmes dirigidos, roteirizados e protagonistas pelo sujeito.

Relax (Lost in America, EUA, 1985) – Nota 7,5
Direção – Albert Brooks
Elenco – Albert Brooks, Julie Hagerty, Garry Marshall, Donald Gibb, Art Frankel.

O publicitário David (Albert Brooks) espera há anos ser promovido a vice-presidente da agência onde trabalha em Los Angeles. Quando a oportunidade parece chegar, ele é preterido. Desgostoso com a situação, David pede demissão, vende suas ações da empresa e compra um trailer para viajar pelos EUA sem destino, levando a esposa Linda (Julie Hagerty) na aventura. O que a princípio parece ser uma vida de liberdade, se transforma em problema quando o casal faz uma parada em Las Vegas e resolve jogar em um cassino. 

A premissa é interessante ao satirizar o sonho de muitas pessoas em largar tudo para viver viajando, brincar com o clássico “Sem Destino” e até mexer na relação entre marido e mulher, interpretados pelo falador Brooks e pela tímida Julie Hagerty. É um humor sutil baseado em diálogos irônicos que lembra Woody Allen, porém inferior no resultado. 

Um Visto Para o Céu (Defending Your Life, EUA, 1991) – Nota 7,5
Direção – Albert Brooks
Elenco – Albert Brooks, Meryl Streep, Rip Torn, Lee Grant, Buck Henry, Shirley MacLaine.

No dia de seu aniversário, Daniel Miller (Albert Brooks) imagina ainda ter muitos anos de vida pela frente, porém um acidente de automóvel é fatal. Daniel acorda pensando estar no céu, mas na verdade está na”Cidade do Julgamento”, uma espécie de purgatório onde o recém falecido deverá provar que fez seu melhor durante a vida para poder entrar no céu, caso contrário ele terá de voltar para Terra  começar tudo novamente. A questão é que Daniel encontra no local a bela Julia (Meryl Streep) e se apaixona, não desejando assim voltar a Terra e deixá-la. 

O roteiro do próprio Albert Brooks brinca com os medos do ser humano, ao criar um julgamento para analisar se ele realmente teve uma vida completa ou se viveu com medo deixando de fazer o que desejava. Os ótimos diálogos e o questionamento sobre a vida são os pontos altos do filme. 

A Musa (The Muse, EUA, 1999) – Nota 7
Direção – Albert Brooks
Elenco – Albert Brooks, Sharon Stone, Andie MacDowell, Jeff Bridges, Mark Feuerstein, Bradley Whitford, Steven Wright, Rob Reiner, James Cameron, Martin Scorsese.

O roteirista Steven Philips (Albert Brooks) ganha um prêmio humanitário, porém no dia seguinte perde o emprego m Hollywood, sendo acusado de ter perdido a inspiração. Com a confiança totalmente abalada, Steven procura uma amigo (Jeff Bridges) que é um escritor de sucesso, para descobrir como ele mantém a inspiração. O escritor acaba confidenciando a Steven, que sua inspiração vem de uma musa (Sharon Stone). Logo, Steven procura a mulher para ser sua musa também. Ela aceita, mas em troca exige presentes, jantares em restaurantes caros e hospedagem num hotal de luxo, o que a princípio irrita a esposa (Andie MacDowell) de Steven. 

Desta vez o roteiro de Brooks é uma sátira a Holywood, diferente da forma cínica do ótimo “O Jogador” de Robert Altman, aqui ele faz piadas sutis sobre os exageros do mundo do cinema, com destaque para a crítica em cima dos gurus, aqui representados pela bela Sharon Stone. Algumas situações são bem engraçadas para os cinéfilos, principalmente as cenas em que diretores famosos como Scorsese, Rob Reiner e James Cameron pedem a opinião da musa. A cena de Cameron é a mais engraçada, quando ele pergunta se deve fazer uma sequência para “Titanic”. Longe de ser um grande filme, vale a sessão para quem gosta do estilo.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O Marido da Cabeleireira

O Marido da Cabeleireira (Le Mari de la Coiffeuse, França, 1990) – Nota 8
Direção – Patrice Leconte
Elenco – Jean Rochefort, Anna Galiena, Roland Bertin, Maurice Chevit.

Antoine (Jean Rochefort) é uma homem de meia-idade que quando garoto era apaixonada por uma cabeleireira. O fato marcou sua vida profundamente, até ele conhecer outra cabeleireira, a jovem, bela e sensual Mathilde (a italiana Ana Galiena), por quem ele se apaixona e decide dedicar toda sua vida. Mesmo com a diferença de idade, Mathilde aos poucos se entrega aos encantos de Antoine e se apaixona pela forma com que ele a admira. 

Este simpático filme francês, conta uma sensível história de amor, com cenas sensuais de extremo bom gosto e toca ainda em temas como envelhecimento, medo da morte e perdas. O roteiro do diretor Leconte em parceria com Claude Kotz é sutil e extremamente conciso, resultando num belo filme de apenas setenta e oito minutos.Vale ainda destacar a química entre o veterano Jean Rochefort e a sensual Ana Galiena.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Shame

Shame (Shame, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Steve McQueen
Elenco – Michael Fassbender, Carey Mulligan, James Badge Dale, Nicole Beharie, Alex Manette, Lucy Walters.

Brandon (Michael Fassbender) vive em Nova York onde tem um ótimo emprego e mora num belíssimo apartamento, porém por trás do sujeito bem sucedido, existe um homem viciado em sexo que persegue desconhecidas no metrô, se masturba no banheiro do trabalho, sai com prostitutas e tem seu computador repleto de pornografia. 

Brandon consegue separar suas duas vidas, mas quando sua irmã Sissy (Carey Mulligan) resolve passar uns dias com ele, seu mundo vira de ponta cabeça. A jovem é extremamente carente e para piorar ainda se envolve com o chefe de Brandon, David (James Badge Dale), que é casado mas tem por hábito sair com o amigo para caçar garotas. 

O roteiro do próprio diretor Steve McQueen em parceria com Abi Morgan, não mostra as causas específicas do distúrbio dos irmãos, porém deixa claro o sofrimento em que eles vivem. Sissy mostra talento ao cantar “New York, New York” numa delicada sequência, porém sua insegurança não a deixa alçar voos maiores. 

Já Brandon é incapaz de manter qualquer relacionamento afetivo, como vemos em duas ótimas sequências com a colega de trabalho vivida por Nicole Beharie. A primeira sequência tem ótimos diálogos no restaurante e a segunda é o constrangedor encontro do casal no apartamento de Brandon. 

Não é um filme para todos, pode chocar principalmente na parte final durante a noite da loucura de Brandon, que parece querer testar seus limites ao se entregar ao vício.

terça-feira, 24 de julho de 2012

O Pentelho & Zoolander


O Pentelho (The Cable Guy, EUA, 1996) – Nota 5,5
Direção – Ben Stiller
Elenco – Jim Carrey, Matthew Broderick, Leslie Mann, Jack Black, George Segal, Ben Stiller, Eric Roberts, Janeane Garofalo, Diane Parker, Andy Dick, David Cross, Amy Stiller, Own Wilson.

Steven (Matthew Broderick) contrata um serviço de tv a cabo e recebe a visita do técnico (Jim Carrey) para fazer a instalação. O sujeito todo prestativo, oferece para Steven a instalação de um pacote completo ilegal, uma espécie de “gatonet” que ele acaba aceitando, porém não imaginava que em troca o técnico quisesse ser seu amigo a qualquer custo. A princípio Steven tenta contornar a situação, depois procura acabar com a amizade sutilmente, mas chega um momento em que tenta afastar o sujeito de sua vida de qualquer forma, que por seu lado se torna perigoso e passa assediar o pobre Steven, transformando sua vida num inferno. 

O comediante Ben Stiller estava longe da fama que tem atualmente e havia dirigido apenas o simpático drama “Caindo na Real”, quando decidiu filmar este controvertido longa que mistura comédia de humor negro, suspense e até cenas surrealistas. O filme é confuso e irritante em alguns momentos, principalmente pelo caricato Jim Carrey, que estava no auge da fama e exagerando nas caretas, tendo ainda recebido uma fortuna pelo papel. 

O estilo de humor de Ben Stiller como diretor teve seu melhor momento em “Trovão Tropical”, que assume completamente ser uma sátira aos filmes de ação e a Hollywood, tendo personagens engraçados bem interpretados principalmente por Robert Downey Jr e Tom Cruise. 

Zoolander (Zoolander, EUA, 2001) – Nota 3 
Direção – Ben Stiller 
Elenco – Ben Stiller, Owen Wilson, Will Ferrell, Christine Taylor, Milla Jovovich, Jerry Stiller, David Duchovny, Jon Voight, Steve Kmetko, David Bowie, Lenny Kravitz, Justin Theroux, Vince Vaughn, Alexander Skarsgard. 

O famoso modelo Derek Zoolander (Ben Stiller) está em crise após ser superado por seu rival Hansel (Owen Wilson). Zoolander vai procurar apoio em seu conselheiro, o estilista Mugatu (Will Ferrell), que percebendo a crise do rapaz e com a ajuda de uma falsa agente da CIA (Milla Jovovich), faz uma lavagem cerebral em Zoolander para que ele mate o presidente da Malásia, em virtude deste lutar contra o trabalho infantil no país, sendo que Mugatu utiliza este tipo de produção para baratear seus custos. 

O filme é uma sátira escrachada ao mundo da moda, mostrando todos os envolvidos como idiotas completas. A premissa até parece interessante, porém a realização é extremamente sem graça, os personagens são caricatos ao extremo, fazendo com que ao invés do espectador rir das situações, fique irritado com a idiotice dos personagens. Sei que os filmes tem seus fãs, mas eu considero um dos mais chatos que já assisti. 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Precisamos Falar Sobre o Kevin

Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin, EUA / Inglaterra, 2011) – Nota 8
Direção – Lynne Ramsay
Elenco – Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller, Ashley Gerasimovich, Jasper Newell, Siobhan Fallon, Alex Manette.

A diretora escocesa Lynne Ramsay adaptou o livro de Lionel Shriver para contar esta triste e assustadora história, que com certeza choca mais do que qualquer filme de terror.  

O longa tem uma espécie de prólogo com Eva Katchadourian (Tilda Swinton) com o corpo todo vermelho participando do Festival do Tomate na Espanha, como se estivesse limpando sua alma. Em seguida, o filme se divide em duas narrativas: Nos dias atuais, Eva é uma pessoa abatida que está desempregada e ao voltar para os EUA consegue um humilde serviço em uma agência de viagens numa típica cidade de subúrbio. Além disso, ela que mora sozinha tem sua casa toda pichada com a cor vermelha e é maltratada por pessoas que cruzam com ela pela rua. 

A segunda narrativa volta ao passado quando Eva vivia em Nova York e conheceu Franklin (John C. Reilly), com quem se casou e teve o filho Kevin (interpretado por três atores, sendo os mais importantes Jasper Newell aos cinco anos e Ezra Miller na adolescência) e logo em seguida mudaram-se para o subúrbio. 

O ponto principal do roteiro é o doloroso relacionamento entre mãe e filho, que desde bebê rejeita a mãe e ela que claramente estava em dúvida quanto a ter um filho, fica angustiada, sentindo-se numa situação sem saída, que piora com a permissividade do pai em relação ao filho frio e manipulador e chega a níveis insustentáveis com o nascimento da segunda filha, Celia (Ashley Gerasimovich). 

Está longe de ser um filme fácil, algumas sequências são angustiantes e até cruéis, como a cena da lichia e as palavras de um colega de trabalho para Eva durante a confraternização de Natal. Mesmo sendo doloroso, vale a sessão, também pelas ótimas atuações do trio principal, com Tilda Swinton injustiçada por não ter sido indicada ao Oscar, o sempre competente John C. Reilly como o pai alienado e Ezra Miller como o assustador Kevin.  

domingo, 22 de julho de 2012

Rock'n'Rolla - A Grande Roubada

Rock’n’Rolla – A Grande Roubada (RocknRolla, Inglaterra, 2008) – Nota 7,5
Direção – Guy Ritchie
Elenco – Gerard Butler, Tom Wilkinson, Thandie Newton, Mark Strong, Idris Elba, Tom Hardy, Karel Roden, Toby Kebbell, Jeremy Piven, Chris “Ludacris” Bridges, Jimi Mistry, Matt King, Geoff Bell, Dragan Micanovic.

One Two (Gerard Butler) e Mumbles (Idris Elba) são enganados na negociação de um imóvel pelo gângster Lenny Cole (TomWilkinson) e ainda ficam devendo dois milhões para o sujeito. Em paralelo, Lenny negocia uma milionária obra no local com um mafioso russo (Karel Roden), porém os dois chefões precisam pagar uma propina de sete milhões a um político corrupto (Jimi Mistry). O pagamento do suborno fica por conta do russo, que não imagina que sua contadora, a sensual Stella (Thandie Newton) decida enganá-lo planejando o roubo da quantia. 

Para colocar o plano em prática, Stella contrata One Two e Mumbles, que poderão usar a grana para pagar a dívida e ainda sair com lucro. No meio desta confusão, o mafioso russo emprestou a Lenny um valioso quadro que ele considera de sorte como garantia do negócio, sem imaginar que o enteado de Lenny, o rock star drogado Johnny Quid (Toby Kebbell) iria roubá-lo. 

Após o casamento com Madonna, o fracasso de “Destino Insólito” estrelado pela cantora e o confuso “Revolver”, Guy Ritchie tentou retomar o rumo da carreira voltando ao estilo de seus melhores filmes, o sensacional “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” e o divertido “Snatch – Porcos e Diamantes”. 

Mesmo sendo inferior a estes dois trabalhos, principalmente os diálogos que não são muito afiados, “Rock’n’Rolla” diverte pelos curiosos personagens do submundo inglês e a trama rocambolesca. 

Ao invés de Jason Statham, desta vez o papel principal ficou para Gerad Butler que dá conta do recado. Vale destacar ainda Tom Wilkinson se divertindo como vilão da velha guarda. É curioso também o papel de Karel Roden como o mafioso russo ligado ao futebol, personagem claramente inspirado em Roman Abramovich, milionário russo dono do Chelsea. 

sábado, 21 de julho de 2012

End Game: O Plano para a Escravidão Global

End Game: O Plano para a Escravidão Global (End Game: Blueprint for Global Enslavement, EUA, 2007) – Nota 7,5
Direção – Alex Jones
Documentário

Navegando pela net encontrei este no mínimo curioso documentário realizado por Alex Jones que tem o foco principal no chamado “Grupo Bilderberg”. Jones é um jornalista americano que realizou diversos documentários mostrando sua visão de assuntos polêmicos como terrorismo, ditadura e globalização. Aqui ele mostra o “Grupo Bilderberg”, desconhecido para o público em geral, este grupo é nada menos que a reunião anual de 120 pessoas escolhidas entre as mais influentes do mundo na época. 

Consta que tudo começou em 1954 quando as milionárias famílias Rockfeller e Rothschild (influentes na política americana desde o século XIX) reuniram diversas personalidades poderosas na Holanda, num hotel de nome Bilderberg e a partir daí a reunião passou a ser realizada a cada ano em um local diferente do mundo, sempre em um hotel cinco estrelas cercado de seguranças (CIA, MI6, Mossad e empresas privadas), sem divulgação alguma pelos grandes veículos de imprensa. 

Todo este aparato criou teorias conspiratórias, principalmente porque o teor destas reuniões jamais é divulgado e a lista de convidados que geralmente vaza para jornalistas independentes não é confiável, já que muitas vezes presidentes e primeiros-ministros de países do primeiro mundo participam secretamente. 

O documentário mostra a reunião ocorrida em Ottawa no Canadá em 2006, lógico que os poucos jornalistas que foram ao local ficaram a metros de distância do hotel registrando em fotos e filmagens poucos participantes, já que muitos chegavam em limusines com vidros negros blindados. 

Jones explica como começou o grupo e seu objetivo principal que seria a diminuição da população em 80% para facilitar a criação de um governo mundial. Na teoria de Jones, esta ideia começou antes da Primeira Guerra, que teria sido causada para diminuir a população, passando pela criação da Liga das Nações que foi destruída quando Hitler deu a início a Segunda Guerra, porém com a vitória de americanos e ingleses, o plano de um governo mundial voltou à tona com a criação da ONU, que tem sua sede em Nova York num terreno que foi doado pela família Rockfeller. 

Os passos atuais são a criação dos grandes blocos de países, o NAFTA na América do Norte e Central, a União Européia e a APEC na Ásia, que para o povo são mostrados como tratados de livre comércio, mas na visão de Jones é um passo a mais para a criação de um governo mundial. 

A diminuição da população proposta pelos poderosos se baseia na Eugenia, que teria começado com Darwin e fora adaptada por cientistas no mundo inteiro antes da Segunda Guerra, porém quando os cientistas nazistas fizeram barbaridades usando a Eugenia, ela foi transformada em uma ciência maldita. Porém na visão de Jones, mesmo sem a utilização do termo, as políticas de controle de natalidade atuais, como as obrigatórias na China e as outras propagadas pelo mundo visam diminuir a população para facilitar o domínio das elites, muitas vezes usando a questão de preservar os recursos do meio ambiente como desculpa. A diminuição da população passa ainda pelas guerras e fome nos países de Terceiro Mundo, além de vírus e bactérias como a Gripe Suína, Gripe do Frango e Ebola, sempre situações manipuladas pela elite. 

Pretendo assistir outros documentários de Alex Jones para ter uma opinião melhor, mas a princípio veja o sujeito como uma espécie de Michael Moore sem ironias ou humor, seu estilo é direto, fica claro na narração em tom sério e no discurso que beira o ódio em alguns momentos. 

Acredito que toda informação deve ser divulgada, mesmo com seus exageros, tendo o público a obrigação de analisar e pesquisar outras opiniões par formar a sua. Vejo neste documentário alguns fatos que parecem exagerados em virtude de incomodar muito quem assiste, mas infelizmente estes mesmos fatos tem no mínimo uma ponta de verdade.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dramas Sobre Doenças - Parte I

Os dramas sobre doenças são praticamente um subgênero que já rendeu centenas de filmes.

Nesta postagem comento cinco longas com esta temática.



O Amor Pode Dar Certo (Griffin & Phoenix, EUA, 2006) – Nota 6,5
Direção – Ed Stone
Elenco – Amanda Peet, Dermot Mulroney, Sarah Paulson, Blair Brown, Lois Smith.

Griffin (Dermot Mulroney) descobre que tem câncer em estado terminal e resolve procurar ajuda assistindo a uma aula na Universidade de Nova York sobre como lidar com a morte. No local, ele conhece Phoenix (Amanda Peet), que a princípio não fala nada, mas conforme os dois se envolvem, Griffin descobre que Phoenix também está à beira da morte. A situação é a última chance para os dois amarem antes de partir. A trama é uma trágica e ao mesmo tempo sensível história de amor, tendo como destaque a química quase natural entre o casal.

Minha Vida Sem Mim (My Life Without Me, Espanha / Canadá, 2003) – Nota 7,5
Direção – Isabel Coixet
Elenco – Sarah Polley, Scott Speedman, Deborah Harry, Mark Ruffalo, Leonor Watling, Amanda Plummer, Maria de Medeiros, Alfred Molina, Julia Richings.

Ann (Sarah Polley) é um jovem que trabalha como faxineira numa universidade para sustentar os dois filhos pequenos e o marido (Scott Speedman) que está desempregado. A família vive num trailer no quintal da casa da mãe de Ann, uma senhora amargurada (Deborah Harry). Num certo dia, Ann sofre um desmaio e após consultar um médico descobre que tenho uma doença em estágio avançado e uma previsão de apenas dois meses de vida. Ann não conta para a família e decide fazer pequenas coisas no pouco tempo que lhe resta, resolvendo colocar suas vontades em primeiro plano, algo que ela nunca fez, pois sempre pensava na família. Este drama produzido por Pedro Almodovar tem na direção de Isabel Coixet (“Fatal”) um dos pontos altos, principalmente por contar a triste história de forma sóbria, mesmo que o drama pesado seja inevitável. 

Minha Vida (My Life, EUA, 1993) – Nota 6,5
Direção – Bruce Joel Rubin
Elenco – Michael Keaton, Nicole Kidman, Haing S. Ngor, Bradley Whitford, Queen Latifah, Rebecca Schull, Michael Constantine, Lee Garlington.

Bob Jones (Michael Keaton) vive feliz com a esposa Gail (Nicole Kidman). Sua felicidade poderia ser ainda maior quando descobre que será pai, porém ao mesmo tempo recebe a noticia de que tem uma doença terminal e provavelmente não conhecerá a criança. Após assimilar a noticia, Bob decide gravar em vídeo diversas situações que considera importante que seu filho saiba, como se fosse uma conversa de pai para filho. A primeira metade deste longa é interessante, com Bob tentando deixar um legado para o filho, criando até situações divertidas, porém a parte final se transforma num inevitável drama pesado. 

Amor Fatal (Something to Live for: The Alison Gertz Story, EUA, 1992) – Nota 6
Direção – Tom McLoughlin
Elenco – Molly Ringwald, Lee Grant, Perry King, Roxana Zal, George Coe, Christopher Meloni, Kim Myers, Martin Landau.

Alison (Molly Ringwald) é uma jovem adolescente que se apaixona por um sujeito mais velho (Perry King), passa a ter relações com ele e acaba contraindo o vírus HIV. O longa é baseado na história real da jovem Alison Gertz, que após descobrir ser portadora do vírus, passa por vários estágios de sofrimento junto com sua família. O pai (Martin Landau) sofre muito e a mãe (Lee Grant) sente-se culpada por ter sido liberal. Após a aceitação da doença, Alison resolve enfrentar a situação e passa a fazer palestras em escolas para aconselhar jovens a se proteger. É um sensível drama e ao mesmo tempo uma triste história de luta produzida numa época em que esta doença assustava muito mais que nos dias de hoje. A curiosidade é ver a eterna”Garota de Rosa Shocking” Molly Ringwald num papel dramático, mesmo que em seguida sua carreira não tenha decolado. 

Falcões (Hawks, Inglaterra, 1988) – Nota 6
Direção – Robert Ellis Miller
Elenco – Timothy Dalton, Antonhy Edwards, Janet McTeer, Camille Coduri.

O jovem Deckermensky (Anthony Edwards) é internado num hospital de Londres em virtude de uma doença grave e acaba dividindo o quarto com Bancroft (Timothy Dalton), um sujeito rebelde que não aceita sua condição. Os dois sujeitos com personalidades diferentes, decidem sair do hospital e passar o tempo que resta aproveitando a vida pela cidade. Esta drama lembra um pouco o posterior e melhor “Antes de Partir”, porém é mais voltado para o drama pesado, tanto pelas crises que a dupla passa em razão da saúde, quanto pelo personagem de Timothy Dalton, que não passa empatia alguma ao espectador.  

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Tentáculos & Vírus


Tentáculos (Deep Rising, EUA, 1998) – Nota 6,5
Direção – Stephen Sommers
Elenco – Treat Williams, Famke Janssen, Kevin J. O’Connor, Anthony Heald, Wes Studi, Derrick O’Connor, Jason Flemyng, Cliff Curtis, Clifton Powell, Trevor Goddard, Djimon Hounsou, Una Damon, Clint Curtis.

Um transatlântico luxuoso em sua viagem inaugural é atacado por uma estranha criatura e fica a deriva. Ao mesmo tempo, um grupo de mercenários liderados por Hanover (Wes Studi) segue em outro barco com o intuito de saquear o transatlântico. O barco dos mercenários pertence a Finnegan (Treat Williams), que desconhece o objetivo de Hanover. Quando o pequeno barco chega no local e os bandidos entram no navio, descobrem que todos sumiram e logo começam a ser perseguidos pela criatura. 

O diretor Stephen Sommers um ano antes de ficar famoso com “A Múmia”, criou este longa de ação e terror repleto de clichês, porém que diverte o espectador fâ do gênero. Temos diversos bandidos que vão morrendo um a um, o herói solitário que solta frases engraçadinhas, a parceira do herói não tão honesta (Famke Janssen) e um poderoso sem caráter (Anthony Heald). As cenas de ação são bem feitas e as criaturas que lembram um polvo são assustadoras.  

Vírus (Virus, EUA / Inglaterra / Alemanha / Japão / França, 1999) – Nota 5,5
Direção – John Bruno
Elenco – Jamie Lee Curtis, William Baldwin, Donald Sutherland, Joanna Pacula, Marshall Bell, Sherman Augustus, Cliff Curtis, Júlio Oscar Mechoso.

Um navio perde toda sua carga durante uma tempestade e para não afundar, segue para dentro do furação. Antes de começar a reparação do navio, os tripulantes localizam outro navio completamente abandonado. Ao explorar a embarcação abandonada, descobrem que ele é russa e parece intacta. O capitão Everton (Donald Sutherland) decide resgatar o navio que deve valer uma fortuna, porém dois surbordinados (Jamie Lee Curtis e William Baldwin) desconfiam da situação e temem que aconteçam com eles o mesmo que ocorreu com os russos. 

Este longa de ficção e terror foi lançado diretamente em vídeo na época e se apoia basicamente nas sangrentas cenas de ação, já que o roteiro é uma verdadeira colcha de retalhos costurada com ideias de diversos filmes do gênero e os personagens são os mais rasos possíveis. Como curiosidade, este é o único filme dirigido por John Bruno, que tem currículo vários trabalhos com efeitos visuais, principalmente em filmes de James Cameron, mas ao que parece aprendeu pouco com o mestre.  

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Plano Perfeito

O Plano Perfeito (Inside Man, EUA, 2006) – Nota 8
Direção – Spike Lee
Elenco – Denzel Washington, Clive Owen, Jodie Foster, Christopher Plummer, Willem Dafoe, Chiwetel Ejiofor, Carlos Andrés Gomez, Kim Director, James Ransone, Bernard Rachelle, Peter Gerety, Daryl Chill Mitchell, Peter Frechette, Ken Leung.

O assaltante Dalton Russell (Clive Owen) invade um banco com alguns comparsas e toma funcionários e clientes como reféns. Do lado de fora do banco, o detetive Keith Frazier (Denzel Washington) é o encarregado de negociar com o bandido. Ao mesmo tempo, o dono do banco (Christopher Plummer) convoca Madeleine White (Jodie Foster) uma especialista em “solucionar problemas” para intervir na situação, já que o banqueiro esconde um segredo no cofre daquela agência. Como o título já diz, o plano perfeito vai além de um simples roubo, com pequenos detalhes e reviravoltas mostradas aos poucos para o espectador. 

Muitos estranharam ver Spike Lee aceitar comandar um longa tipicamente hollywoodiano, porém isso se explica através do roteiro que transforma o banco em um microcosmo da cosmopolita Nova York, misturando pessoas de diversas etnias que aparentemente teriam os mesmos direitos num país democrático, mas que no momento de crise (como um assalto ao banco) deixa vir a tona todo o preconceito das pessoas. O grande exemplo é a cena em que os reféns são libertados e um deles é tratado como terrorista árabe pela polícia, em virtude de estar usando um turbante e barba, porém o sujeito é um indiano de origem sikh que na verdade é funcionário do banco. 

Outras pílulas de preconceito surgem em diálogos e situações durante o filme, sem forçar a barra, apenas como pequenos detalhes. 

Apesar de astros como Washington e Jodie Foster, o destaque do elenco é o personagem cínico e de inteligência acima da média interpretado por Clive Owen.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Margin Call - O Dia Antes do Fim

Margin Call – O Dia Antes do Fim (Margin Call, EUA, 2011) – Nota 8
Direção – J. C. Chandor
Elenco – Kevin Spacey, Paul Bettany, Jeremy Irons, Zachary Quinto, Penn Badgley, Demi Moore, Simon Baker, Stanley Tucci, Mary McDonnell, Aasif Mandvi.

O jovem diretor e roteirista J. C. Chandor estreia no comando de um longa com este drama com pitadas de thriller, que cria uma trama fictícia sobre o início de um acontecimento real, a crise financeira que explodiu nos EUA em 2008 e se espalhou pela Europa com consequências até hoje. 

A trama se passa durante um dia e uma noite em um banco de investimentos no coração de Manhattan, que mesmo não sendo identificado, fica claro para quem acompanhou a situação real que ele é baseado no Lehmann Brothers, um dos causadores da crise financeira. 

Num certo dia, o escritório luxuoso é invadido por um pelotão de executivos que tem o obejtivo de demitir 80% dos funcionários, entre eles Eric Dale (Stanley Tucci) o veterano chefe da área de risco, que impiedosamente é dispensado e praticamente expulso do edifício em seguida, sem antes entregar para Peter Sullivan (Zachary Quinto), seu funcionário de confiança, um pen drive com informações sigilosas. 

Peter resolve continuar o trabalho do ex-chefe e descobre que o banco está trabalhando com a margem de risco acima do limite há pelo menos duas semanas, o que poderia causar a falência a qualquer momento. Peter mostra a situação para um colega (Penn Badgley) e para seu supervisor (Paul Bettany), que verificando o tamanho do problema, passa a informação ao chefe acima dele (Kevin Spacey), que aciona o diretor (Simon Baker) e uma diretora (Demi Moore), até chegar ao CEO do banco, John Tuld (Jeremy Irons), que tentará solucionar a questão com uma medida extrema, gananciosa e totalmente irresponsável. 

Mesmo não explicando a fundo o funcionamento do mercado financeiro (para quem tem interesse, procure assistir os documentários “Trabalho Interno” e “Capitalismo – Uma História de Amor”), o roteiro de Chandor acerta ao mostrar o pior do capitalismo, desde a demissão de pessoas sem o menor sentimento por parte da empresa, passando por tipos comuns nos vários escalões das corporações, como o diretor narcisista de Simon Baker e o CEO manipulador de Jeremy Irons, finalizando com aqueles que mesmo sabendo que estão agindo de forma errada, aceitam porque precisam do dinheiro, caso dos personagens de Kevin Spacey e Stanley Tucci. 

O longa mostra uma situação extrema com personagens do alto escalão, porém a ganância pelo dinheiro rápido, a disputa de egos entre colegas de trabalho e o tratamento frio dado pelas empresas aos funcionários são algo comum nos dias atuais, onde o lado humano não existe, vale apenas o lucro. Esta situação fica bem clara no filme, onde o único sentimento demonstrado é de um dos personagens por um cachorro, culminando com uma cena final que pode ser analisada como uma metáfora da economia americana que estava indo para o buraco.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Sommersby - O Retorno de um Estranho & Intersection - Uma Escolha, uma Renúncia


Sommersby – O Retorno de um Estranho (Sommersby, EUA, 1993) – Nota 7,5
Direção – Jon Amiel
Elenco – Richard Gere, Jodie Foster, James Earl Jones, Bill Pullman, Lanny Flaherty, R. Lee Ermey, Maury Chaykin, Frankie Faison.

Após a Guerra da Secessão, Laurel Sommersby (Jodie Foster) vive sozinha com seu filho pequeno em uma fazenda no sul dos Estados Unidos acreditando que seu marido tenha morrido na guerra. Mesmo assim, ela não aceitas as investidas de um vizinho (Bill Pullman) que a deseja. 

Para surpresa de todos, Jack Sommersby (Richard Gere) reaparece e com um personalidada totalmente diferente. Antes da guerra ele era um sujeito rude e violento que batia na esposa, porém agora se mostra um homem gentil e trabalhador que tenta levantar a fazenda para saldar as dívidas. Logo as pessoas do local passam a desconfiar se ele é mesmo Jack, até que um fato levará o homem a julgamento. 

Este interessante drama é uma refilmagem do longa francês “O Retorno de Martin Guerre” e tem na dúvida quanto a identidade do protagonista seu foco de principal. Vale destacar também a sensível interpretação de Jodie Foster, que a princípio receosa com a volta do marido, logo percebe que sendo ele ou não, o que interessa é que o sujeito que voltou é o homem que ela sempre sonhou para amar.  

Intersection – Uma Escolha, uma Renúncia (Intersection, EUA, 1994) – Nota 6,5
Direção – Mark Rydell
Elenco – Richard Gere, Sharon Stone, Lolita Davidovich, Martin Landau, David Selby, Jennifer Morrison.

O arquiteto Vincent Eastman (Richard Gere) passa por um grande conflito interno após se separar da esposa Sally (Sharon Stone) para morar com Olivia (Lolita Davidovich). A decisão o deixou dividido entre seguir em frente e levar a sério a nova relação ou tentar se reconciliar com a ex-esposa para ficar mais próximo da filha (Jennifer Morrison). Trabalhando junto com a ex-esposa que é sua sócia, as coisas se complicam ainda mais quando descobre que ela está namorando outra pessoa. 

A situação que vive o personagem de Gere é o clichê do homem de meia-idade que troca a esposa pela amante, o que deixa o filme próximo da realidade. 

Uma escolha simples do diretor Mark Rydell que funciona, é mostrar em flashbacks fatos importantes da vida de Vincent com a família, situações que o levaram até a encruzilhada onde se encontra. 

Como ponto negativo temos a lentidão da história, que em alguns momento passa a impressão de falta emoção, sensação aumentada pelos personagens atormentados de Richard Gere e Sharon Stone.

domingo, 15 de julho de 2012

O Ladrão de Bagdá & As Aventuras de Hajji Baba


O Ladrão de Bagdá (The Thief of Bagdad, Inglaterra, 1940) – Nota 7
Direção – Michael Powell, Ludwig Berger & Tim Whelan
Elenco – Conrad Veidt, Sabu, John Justin, June Duprez.

Em Bagdá, o Príncipe Ahmad (John Justin) é enganado por seu tutor Jaffar (Conrad Veidt) e acaba preso condenado à morte. Na prisão, ele conhece o jovem ladrão Abu (Sabu), que o ajuda a fugir. Na cidade, misturado ao povo, Ahmad percebe como era odiado por se deixar levar por Jaffar. O ingênuo Ahmad quando vê a Princesa (a linda June Duprez) sendo escoltada por soldados e prometida a Jaffar, logo se apaixona e decide lutar para conseguir retomar o trono e conquistar a princesa. 

Este simpático longa dirigido a seis mãos, sem contar com a colaboração do também diretor William Cameron Menzies, na verdade é um trabalho dos irmãos Korda. Alexander, Zoltan e Vincent nasceram no final do século XIX ainda no Império Austro-Hungaro e produziram vários filmes neste estilo, como o clássico “Mogli – O Menino Lobo”, também estrelado pelo indiano Sabu. Sabu também voltaria a trabalhar com o diretor Michael Powell em outro clássico do anos quarenta chamado “Narciso Negro”. 

Este “Ladrão de Bagdá” é uma diversão ao estilo sessão da tarde, um tanto quanto ingênua e com cenas de ação que incluem gênios, tapetes voadores e efeitos especiais bem feitos para a época. 

As Aventuras de Hajji Baba (The Adventures of Hajji Baba, EUA, 1954) – Nota 6,5
Direção – Don Weis
Elenco – John Derek, Elaine Stewart, Thomas Gomez, Rosemarie Bowe, Amanda Blake, Paul Piceni.

A princesa Fakzia (Elaine Stewart) está prometida para o califa Nurel Din (Paul Picerni), porém não aceita seu destino e decide fugir disfarçada de homem. Na fuga ela cruza o caminho de Hajji Baba (John Derek), que mesmo sem saber que é a princesa, ele a ajuda em se desvencilhar da perseguição dos soldados de seu pai. Hajji Baba ao descobrir sobre a princesa, aceita ajudá-la a se esconder na caravana de Osman (Thomas Gomez), mas na realidade tem o objetivo de conquistá-la. 

Este longa é um dos clássicos da sessão da tarde dos anos oitenta, que diverte pelas boas cenas de luta, tendo ainda uma clima de erotismo que não era comum aos filmes da época. O personagem Hajji Baba além de conquistar a princesa, ainda seduz uma dançarina (Rosemari Bowe), sem contar a participação de um grupo de amazonas sensuais e guerreiras. 

O astro John Derek protagonizou outros filmes do gênero na década de cinquenta e teve uma participação como coadjuvante no clássico “Os Dez Mandamentos”, porém nos anos sessenta se tornou diretor sem obter sucesso e se afastou do cinema, retornado apenas nos anos oitenta. Ele foi casado com atrizes conhecidas como Ursula Andress e Linda Evans, mas nos anos oitenta após se casar com a atriz Bo Derek (“Mulher Nota Mil”), decideu voltar a dirigir e afundou de vez sua carreira e da esposa com bombas como “Tarzan – O Filho das Selvas” e “Bolero – Uma Aventura em Êxtase”.  

sábado, 14 de julho de 2012

Os Homens Que Encaravam Cabras

Os Homens Que Encaravam Cabras (The Men Who Stare at Goats, EUA, 2009) – Nota 7
Direção – Grant Heslov
Elenco – George Clooney, Ewan McGregor, Jeff Bridges, Kevin Spacey, Stephen Lang, Stephen Root, Robert Patrick, Waleed Zuaiter, Glenn Morshower, Rebecca Mader.

Em 2003, Bob Wilton (Ewan McGregor) é um acomodado jornalista de uma pequena cidade, que após ser abandonado pela esposa (Rebecca Mader de “Lost”) resolve mudar o foco da carreira e para mostrar que pode ser durão, segue para cobrir a Guerra do Iraque. 

Em um hotel de luxo no Kuwait, ele encontra o estranho Lyn Cassidy (George Clooney), nome que havia ouvido quando entrevistou um sujeito (Stephen Root) que dizia ter feito parte de uma unidade do exército de soldados paranormais. Bob pensava que o sujeito fosse maluco, porém ao encontrar Lynn e confirmar a história, ele decide se juntar ao homem para atravessar o deserto com destino ao Iraque, onde Lynn diz ter uma missão a cumprir. 

Em paralelo, o espectador conhecerá a história do pelotão paranormal em flashback, quando nos anos oitenta um oficial hippie (Jeff Bridges impagável) tentou criar o Exército da Nova Terra, que pregava a paz ao invés da guerra e ainda acreditava poder ensinar soldados a ler mentes, atravessar paredes, ficar invisíveis e até matar cabras com um olhar. 

A absurda premissa é baseada num livro de Jon Ronson e logo no início um aviso diz que "você ficaria surpreso com a quantidade de coisas neste filme que são verídicas". Esta verdade se torna ainda mais absurda quando ouvimos o diálogo entre dois oficiais, o bobalhão General Hopgood (Stephen Lang) explicando para seu superior (Glenn Morshower) porque foi criado o pelotão de paranormais. 

O ator Grant Heslov que é sócio de George Clooney na produtora Smoke House, dirige aqui seu segundo longa seguindo o estilo dos Irmãos Cohen, misturando história absurda com personagens estranhos, porém falta algo mais para alcançar o nível dos mestres. 

O elenco também é destaque, com Clooney usando um estranho bigode, Ewan McGregor como o jornalista covarde, Jeff Bridges com um papel que lembra o Dude de “O Grande Lebowski” e Kevin Spacey como o vilão invejoso e ganancioso. 

O resultado é uma comédia diferente que tira um sarro da guerra e do exército, em especial da arrogância americana.  

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Miami Vice - Série & Filme


Miami Vice (Miami Vice, EUA, 1984 a 1990) – Nota 8
Criador – Anthony Yerkovich
Produtor – Michael Mann
Elenco – Don Johnson, Phillip Michael Thomas, Edward James Olmos, Saundra Santiago, Olivia Brown, Michael Talbot, John Diehl, Gregory Sierra.

Esta série criada por Anthony Yerkovich e produzida por Michael Mann, se tornou um dos grandes ícones dos anos oitenta tendo com protagonista a dupla de policiais Sonny Crocket (Don Johnson) e Ricardo Tubbs (Philip Michael Thomas), que trabalhavam na polícia de Miami enfrentando traficantes. Crocket morava num barco e tinha um crocodilo como animal de estimação, equanto Tubbs era um policial de Nova York que chegava a Miami atrás de um traficante e acabava se unindo a Crocket. Em vários episódios eles trabalhavam disfarçados como traficantes para se infiltrar nas quadrilhas. As tramas pouco tinham de especial, o que chamava a atenção era o visual da dupla. Crocket ditou moda no mundo inteiro ao utilizar blazers sobre camisetas, enquanto Tubbs usava ternos impecáveis, sempre com cores ao estilo new wave.

Outro ponto alto era a trilha sonora com sucessos da época e a música tema de Jan Hammer, que pontuava os créditos de abertura enquanto uma câmera sobrevoava o mar em Miami intercalando com outras imagens da cidade. Além da dupla principal, outro destaque do elenco era Edward James Olmos como o Tenente Castillo. Olmos era conhecido por seu papel em “Blade Runner” e entrou na série apenas no sexto epísódio para substituir o chefe anterior da dupla que fora assassinado (interpretado por Gregory Sierra). Ele criou um personagem sério, que falava pouco e dificilmente olhava para o rosto de Don Johnson durante as cenas em que atuavam juntos, o que posteriormente foi explicado o porquê. Olmos e Johnson não se davam bem, mas como a série era um sucesso e Olmos tinha contrato, decidiu continuar até o final, mas em represália procurava ignorar Johnson. 

A curiosidade é que a carreira de Olmos hoje é mais bem sucedida do que da dupla principal. Ele dirigiu alguns longas e ainda estrelou a série “Battlestar Galactica”, enquanto o astro Don Johnson tentou o cinema em filmes medianos como “Na Trilha dos Assassinos”e “Hot Spot – Um Local Muito Quente”, mas não conseguiur se firmar e voltar a telinha na série com cara de filme B chamada “Nash Bridges”. Enquanto isso, Philip Michael Thomas ficou marcado apenas por este papel. Após a série ele fez alguns trabalhos insignificantes, sendo o único com algum destaque, o papel do parceiro de Bud Spencer em quatro filmes da série policial cômica “Extralarge”.

Miami Vice (Miami Vice, EUA, 2006) – Nota 6,5
Direção – Michael Mann
Elenco – Colin Farrell, Jamie Foxx, Gong Li, Luis Tosar, Naomi Harris, Elizabeth Rodriguez, Justin Theroux, Ciaran Hinds, Barry Shabaka Henley, Domenick Lombardozzi, Isaach De Bankolé, John Ortiz, John Hawkes, Eddie Marsan, Ana Cristina de Oliveira.

Os detetives Sonny Crockett (Colin Farrell) e Ricardo Tubbs (Jamie Foxx) decidem trabalhar disfarçados para desbaratar uma quadrilha que assassinou um informante. A princípio eles acreditam que o chefe da quadrilha é Jose Yero (John Ortiz), mas logo descobrem que Yero é apenas um intermediário do chefão Montoya (o espanhol Luis Tosar). Ao se aproximar da organização, Sonny se envolve com a perigosa Isabella (Gong Li), responsável pelos negócios financeiros do grupo. A trama que começa em Miami, passará por vários locais da América Latina, inclusive por Foz do Iguaçu. 

A esperada adaptação da famosa série dos anos oitenta para o cinema resultou num filme tecnicamente ótimo, como todos os trabalhos de Michal Mann, com bela fotografia e algumas cenas de ação interessantes, porém o roteiro deixa a desejar, pois além de começar a história sem explicação alguma sobre os personagens, se perde numa trama até certo ponto convencional, que pode ser comparada a uma episódio estendido da série. 

A composição dos personagens de Colin Farrell e Jamie Foxx também beira o caricato, enquanto Farrell parece um galã latino de novela, Foxx cria um sujeito carrancudo sem carisma. É uma pena que uma série tão legal quanto “Miami Vice” tenha tido uma adaptação abaixo do potencial, mesmo que fora o elenco, todos os demais envolvidos estivessem ligados a série, inclusive o diretor Michael Mann que era o produtor executivo.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Palmeiras Campeão


Os canais de tv nos desprezam
Os jornalistas nos menosprezam
Os árbitros não nos respeitam
Os cartolas nos atrapalham

Mas ontem o time medíocre mostrou sua força
O técnico ultrapassado renasceu
O gigante adormecido despertou
E a massa que tanto sofreu sorriu

O DIA É NOSSO
PALMEIRAS CAMPEÃO!!!!!!!!!!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Casamento de Rachel

O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Jonathan Demme
Elenco – Ann Hathaway, Rosemarie Dewitt, Bill Irwin, Debra Winger, Mather Zickel, Tunde Adebimpe, Anisa George, Anna Deavere Smith.

Kim (Ann Hathaway) está internada há nove meses numa clínica de reabilitação por causa do seu vício em drogas e de um acidente fatal causado por ela quando estava drogada. Ela é liberada durante um final de semana para acompanhar o casamento da irmã Rachel (Rosemarie Dewitt) com Sidney (Tunde Adebimpe). 

O reencontro com a família reabrirá feridas mal curadas, já que os pais se separaram em virtude da tragédia e agora estão casados com novos parceiros. Além disso, a dificuldade de Kim em conviver com pessoas que sabem de seus problemas do passado é clara, deixando a impressão de que todos esperam que algum novo vexame seja causado pela jovem. 

Kim precisa lidar com a mágoa da irmã que deseja ser o centro das atenções naquele final de semana, com a superproteção do pai (Bill Irwin) e a frieza da mãe (Debra Winger) que faz o espectador se sentir na pele da filha rejeitada. 

Este longa é um trabalho diferente do diretor Jonathan Demme (“O Silêncio dos Inocentes” e “Filadélfia”), que utiliza desta vez o estilo câmera na mão para mostrar todos os passos de Kim na sua difícil volta a convivência com a família, com closes que explicam mais do que muitas palavras. 

O papel foi um grande presente para Anne Hathaway, que criou uma personagem que mesmo angustiada assume seus erros e que não deseja ser perdoada, mas sim ser vista apenas como uma pessoa normal. Pela ótima interpretação ela concorreu ao Oscar de Melhor Atriz. 

O resultado é um drama familiar com um roteiro que não se preocupa com a redenção dos personagens, mas sim em mostrar como é duro voltar a vida normal após uma tragédia.   

terça-feira, 10 de julho de 2012

Homem-Aranha 3

Homem-Aranha 3 (Spider Man 3, EUA, 2007) – Nota 7
Direção – Sam Raimi
Elenco – Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Thomas Haden Church, Topher Grace, Bryce Dallas Howard, Rosemary Harris, J. K. Simmons, James Cromwell, Theresa Russell, Dylan Baker, Bill Nunn, Bruce Campbell, Ted Raimi, Elizabetk Banks, Willem Dafoe, Cliff Robertson, Elya Baskin, Mageina Tovah, Stan Lee.

Após todos os problemas que teve de enfrentar no filme anterior, Peter Parker (Tobey Maguire) parece estar tranquilo. Reatou seu namoro com Mary Jane (Kirsten Dunst) e seu personagem Homem-Aranha é considerado um herói na cidade. Como tudo pode mudar rapidamente, Peter é atingido por um líquido alienígena que chegou a Terra num meteorito e isso muda suas atitudes, sentindo-se seguro e arrogante. 

O mesmo líquido atinge Eddie Brock (Topher Grace), que disputa com Peter seu emprego no jornal e que acaba o transformando no vilão Venom. Seu amigo Harry Osborn (James Franco) assume a identidade do Duende Verde, seguindo os passos do pai e Flint Marko (Thomas Haden Church), que tem ligação com o assassinato do tio de Peter, se transforma no Homem de Areia. Para completar, Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard) aparece na vida de Peter para atrapalhar seu romance com Mary Jane. 

Os vários vilões e os diversos personagens coadjuvantes são mal desenvolvidos, com o roteiro tentando amarrar todas as pontas, mas deixando algumas falhas por causa desta quantidade de personagens que poderia render outro filme. Para compensar, as cenas de ação continuam empolgantes, inclusive com a ótima transformação do Homem de Areia e Tobey Maguire novamente mostrando que era o sujeito certo para o papel. 

Mesmo inferior aos anteriores e desagradando principalmente os fãs, eu considero o filme uma diversão razoável.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Identidade Paranormal & O Esconderijo


Identidade Paranormal (Shelter, EUA, 2010) – Nota 6
Direção – Mans Marlind & Bjorn Stein
Elenco – Julianne Moore, Jonathan Rhys Meyers, Jeffrey DeMunn, Frances Conroy, Nathan Corddry, Brooklynn Proulx.

A psiquiatra Cara Harding (Julianne Moore) é convidada por seu pai também psquiatra (Jeffrey DeMunn) para analisar um paciente (Jonathan Rhys Meyers) que foi encontrado desacordado na rua e que mostra sofrer de dupla personalidade. Ele se divide entre o educado David, um sujeito que vive numa cadeira de rodas e o agressivo Adam. 

Cara não acredita em dupla personalidade como doença, para ela o paciente uiliza personalidades diferentes para mascarar algum trauma, porém conforme vai analisando o rapaz e investigando o passado das pessoas que ele diz ser, Cara descobrirá algo terrível e praticamente inexplicável. 

A estreia da dupla de diretores suecos Marlind & Stein em Hollywood tem uma boa premissa, mostrando o dilema em que a personagem totalmente racional de Julianne Moore precisa enfrentar numa situação onde não se encontra uma resposta normal, porém o roteiro confuso deixa várias pontas em aberto até o clímax que é clichê puro, utilizando ainda a famosa cena final impactante, mesmo que absurda. 

Infelizmente o bom elenco é desperdiçado num filme que promete mais do que cumpre.

O Esconderijo (Hideaway, EUA, 1995) – Nota 5,5
Direção - Brett Leonard
Elenco – Jeff Goldblum, Christine Lahti, Alfred Molina, Jeremy Sisto, Alicia Silverstone, Rae Dawn Chong, Kenneth Welsh.

O casal Hatch (Jeff Goldblum) e Lindsey (Christine Lahti) volta para casa após uma viagem as montanhas junto com a filha Regina (Alicia Silverstone). O casal que passa por um momento difícil em razão da perda da filha mais nova, viaja em silêncio no carro, até que uma derrapagem faz com que o veículo caia num rio gelado. Regina consegue escapar e Lindsey tenta salvar o marido, que acaba sendo levado a um hospital e declarado morto, porém um médico (Alfred Molina) consegue ressuscitá-lo.

Hatch volta à vida, mas durante sua ”morte”, sonhou com a filha falecida que diz estar bem, além disso Hatch passa a ter visões de terríveis assassinatos. Intrigado, ele descobre estar tendo visões de crimes cometidos por um psicopata (Jeremy Sisto), situação que muda seu comportamente, assustando sua família. 

Mais um exemplo de suspense que tem uma boa premissa e se perde no roteiro clichê e na falta de talento do diretor Brett Leonard (“O Passageiro do Futuro”). A sequência do acidente é cheia de tensão e o elenco também faz o que pode, com exceção da fraquinha Alicia Silverstone, porém o desenrolar da trama segue a linha dos longas de suspense comum, daqueles em que o espectador mais atento descobre rapidamente o final.

domingo, 8 de julho de 2012

Prenda-me Se For Capaz

Prenda-me Se For Capaz (Catch Me If You Can, EUA, 2002) – Nota 8
Direção – Steven Spielberg
Elenco – Leonardo DiCaprio, Tom Hanks, Christopher Walken, Martin Sheen, Nathalye Baye, Amy Adams, James Brolin, Brian Howe, Frank John Hughes, John Finn, Jennifer Garner, Ellen Pompeo, Elizabeth Banks.

Na década de sessenta, Frank Abagnale Jr (Leonardo DiCaprio) vê sua família desmoronar quando o pai (Christopher Walken) vai a falência. Mesmo assim, Frank Jr continua ao lado do pai e o ajuda em dois pequenos trambiques, dando início a sua carreira de golpista. 

Baseado na história real de Frank Abagnale Jr, que hoje trabalha auxiliando empresas em se proteger contra fraudes, o longa segue o sujeito durante sua juventude, quando ele aplicou diversos golpes, entre eles se fazendo passar por piloto de avião da extinta empresa Pan Am, além de conseguir empregos como médico e advogado sem nunca ter estudado para isso. Em contra partida, um agente do FBI (Tom Hanks) segue incansável o rastro de golpes de Frank. O personagem de Hanks na verdade é um junção de várias autoridades que perseguiram o golpista. 

A incrível história já era perfeita para resultar num bom filme e as presenças de grandes atores como DiCaprio, Hanks e Walken sob a direção de Spielberg confirmaram as expectativas. O longa tem ainda um bom roteiro e sequências que divertem o espectador de forma leve e agradável.

sábado, 7 de julho de 2012

Cinema Paradiso

Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, Itália, 1988) – Nota 10
Direção – Giuseppe Tornatore
Elenco – Philippe Noiret, Salvatore Cascio, Jacques Perrin, Marco Leonardi, Antonella Attili, Agnese Nano.

Salvatore Di Vitta (Jacques Perrin) recebe um recado de sua mãe informando que Alfredo (Philippe Noiret) faleceu e que o funeral será no dia seguinte. A notícia faz com que Salvatore passe a noite em claro relembrando sua vida. A partir daí o espectador voltará algumas décadas no tempo para conhecer a Itália do pós-guerra na pequena cidade de Giancaldo na Sicília e conhecer também Salvatore ainda criança, quando era conhecido como Totó (vivido pelo ótimo Salvatore Cascio). 

O sensível roteiro mostra o pequeno Totó como um garoto inteligente que vive com a mãe (Antonella Attili) e uma irmã ainda bebê, porém sem o pai que faleceu na guerra. Como Totó é apaixonado pelo cinema, logo faz amizade com Alfredo, o projecionista do Cinema Paradiso, com quem cria um laço que começa como amizade e praticamente se transforma numa relação de pai e filho. 

Esta primeira parte é finalizada com uma tragédia para dar início ao renascimento da sala de cinema e para mostrar Totó na juventude (interpretado por Marco Leonardi), que se apaixona pela bela Elena (Agnese Nano) e depois precisa escolher qual caminho seguir. 

Um dos filmes mais sensíveis já produzidos, este drama mostra a vida simples no interior da Itália nos anos posteriores a guerra, através de pequenos acontecimentos que marcaram a vida das pessoas do local e as mudanças ocorridas com o passar do tempo, sempre tendo a sala de Cinema Paradiso como local de encontro da população. 

Além disso, as cenas dos filmes exibidos dentro do filme são uma grande homenagem ao cinema, mostrando produções clássicas com atores como Kirk Douglas, Alberto Sordi, Errol Flynn, Marcello Mastroianni, Charles Chaplin e o comediante italiano Totó, figura extremamente famosa na Itália nos anos cinquenta e sessenta. 

Para completar, o elenco é excepcional, se o francês Jacques Perrin e o jovem Marco Leonardi tem interpretações corretas, o falecido Philippe Noiret (“O Carteiro e o Poeta”) e o garoto Salvatore Cascio são a alma do filme, seus papéis estão entre os mais marcantes da história do cinema.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Bombas - Filmes de Terror - Ano 2000

Desta vez destaco cinco filmes de terror produzidos na década passada. São produções com um certo investimento, porém com resultados péssimos em relação a roteiro e interpretações.

Medo em Cherry Falls (Chrry Falls, EUA, 2000) – Nota 4,5
Direção – Geoffrey Wright
Elenco – Brittany Murphy, Michael Biehn, Jay Mohr, Gabriel Mann, Jesse Bradford, Candy Clark.

Na pacata cidade de Cherry Falls, um psicopata começa a matar jovens virgens, assustando toda população. A investigação fica a cargo do xerife Brent Marken (Michael Biehn), porém sua filha Jody (Brittany Murphy) que é virgem, resolve investigar por conta própria. Ao mesmo tempo, os jovens da cidade preparam uma festa para as garotas perderem a virgindade e com isso deixarem de ser alvos do assassino. Este suspense misturado com terror tem um péssimo roteiro e interpretações risíveis de tão ruins, onde nem mesmo as cenas de assassinatos se salvam.

O Dia do Terror (Valentine, EUA, 2001) – Nota 3,5
Direção – Jamie Blanks
Elenco – Denise Richards, David Boreanaz, Marley Shelton, Jessica Capshaw, Jessica Cauffiel, Katherine Heigl.

No colégio, quatro garotas humilham um estranho garoto no dia dos namorados. Anos depois, elas começam a receber cartas ameaçadoras próximo ao dia dos namorados, dando início a uma série de assassinatos brutais. Este é um dos piores filmes da leva de slasher produzidos após o sucesso de “Pânico”. Mesmo com rostos conhecidos, o roteiro é praticamente uma cópia de “Dia dos Namorados Macabro”, mas sem suspense e nem mesmo mortes bem elaboradas. Para complementar, o assassino utiliza uma ridícula máscara de cupido.

Terror em Silent Hill (Silent Hill, Canadá / França / Japão / EUA, 2006) – Nota 5
Direção – Christophe Gans
Elenco – Radha Mitchell, Sean Bean, Laurie Holden, Debora Kara Unger, Kim Coates, Tanya Allen, Alice Krige, Jodelle Ferland.

O casal Rose (Radha Mitchell) e Christopher (Sean Bean) vivem preocupados com a filha Sharon (Jodelle Ferland), que é sonâmbula. Após um quase acidente, Rose resolve visitar a cidade de Silent Hill, local onde o casal adotou a filha, para pesquisar o passado da menina. Na estrada, Rose sofre um acidente e ao acordar percebe que sua filha desapareceu. Desesperada, ela chega até Silent Hill, hoje uma cidade fantasma que outrora vivia da exploração das minas de carvão. Logo, Rose se defrontará com situações assustadoras em busca da filha. Esta adaptação do famoso game tem um roteiro repleto de clichês, numa verdadeira salada russa que tenta assustar o público apenas através dos efeitos especiais. 

A Praga (The Plague, EUA, 2006) – Nota 5,5
Direção – Hal Masonberg
Elenco – James Van Der Beek, Ivana Milicevic, Brad Hunt, Joshua Close, John Connolly, Dee Wallace, Brittany Scobie.

Num certo dia, todas as crianças do mundo entra numa espécie de coma profundo, sem que os médicos descubram a causa. Após dez anos, sem motivo aparente as crianças acordam, porém começam a atacar todos os adultos. O filme segue o estilo dos longas com zumbis, onde um grupo de sobreviventes irá lutar contra o mal, entre eles o ex-presidiário Tom (James Van Der Beek), sua ex-esposa Jean (Ivana Milicevic) e o cunhado (Brad Hunt). Esta produção foi feita para a tv e utilizou como chamativo o nome do escritor de terror Clive Barker, porém ele é apenas um dos produtores. A história tem potencial, mas o roteiro simplista e a fraca direção, além das limitações deste tipo de produção para TV, resultam num filme fraco e previsível.

Rise: A Ressurreição (Rise, EUA, 2007) – Nota 5,5
Direção – Sebastian Gutierrez
Elenco – Lucy Liu, Michael Chiklis, James D’Arcy, Carla Gugino, Mako, Robert Forster, Holt McCallany, Paul Cassell, Allan Rich, Julio Oscar Mechoso.

Este filme sobre vampiros modernos se perde entre a ação e o drama e acaba não convencendo. Luci Liu é uma jornalista que investiga jovens participantes de um culto e assim que termina a reportagem é perseguida por uma gangue de vampiros liderados por James D’Arcy. No meio disso está o policial interpretado por Michael Chiklis (“The Shield”) que teve a filha assassinada pela gangue e quer vingança. Apesar das caras conhecidos do elenco, o filme é previsível e o roteiro cheio de furos.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sem Reservas & E Agora, Meu Amor?


Sem Reservas (No Reservations, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Scott Hicks
Elenco – Catherine Zeta Jones, Aaron Eckhart, Abigai Breslin, Patricia Clarkson, Bob Balaban, Jenny Wade, Brian F. O’Byrne.

Kate (Catherine Zeta Jones) é a chef de cozinha de um refinado restaurante, que após um acidente que resulta na morte da irmã, se vê obrigada a cuidar de Zoe (Abigail Breslin), sua sobrinha pré-adolescente. Kate é um pessoa que gosta de seguir regras, porém a entrada da sobrinha em sua vida bagunça seu mundinho. 

Para piorar, enquanto ela se afasta do trabalho por alguns dias, a dona do restaurante (Patricia Clarkson) contrata outro chefe para auxiliar Kate na cozinha. Nick (Aaron Eckhart) é o contrário de Kate, um sujeito expansivo que cozinha por prazer e rapidamente faz amizade com todos no restaurante, para desconfiança de Kate. 

O diretor Scott Hicks que apareceu para o público com ótimo “Shine – Brilhante”, entrega aqui mais um exemplar de comédia romântica quadrada, especialidade de Hollywood. O roteiro esquemático mostra dois personagens opostos que logo se atraem, misturando drama, comédia e o inevitável final feliz. O único diferencial são os chamativos pratos preparados pelos protagonistas, que mesmo pela tela dão água na boca. É uma comédia despretensiosa, correta e totalmente descartável. 

E Agora, Meu Amor? (Fools Rush In, EUA, 1997) – Nota 6
Direção – Andy Tennant 
Elenco – Matthew Perry, Salma Hayek, Jon Tenney, Tomas Milian, Jill Clayburgh, John Bennett Perry, Carlos Gomez, Siobhan Fallon. 

O engenheiro Alex Whitman (Matthew Perry) conhece em Las Vegas a bela fotógrafa mexicana Isabel Fuentes (Salma Hayek) e após uma noite de sexo, cada um segue seu caminho. Após três meses, Isabel reaparece e diz estar grávida. Alex num gesto impulsivo, a pede em casamento. Isabel aceita, porém como nada sabem um do outro, a relação será complicada, principalmente pelo choque cultural. Enquanto Isabel apresenta uma enorme família tipicamente mexicana, Alex vem de uma família de classe média alta que o criou em um subúrbio americano. 

A premissa é até interessante, lembra o posterior e melhor “Ligeiramente Grávidos”, porém as piadas em cima das diferenças culturais são em parte caricaturais e o desenrolar da trama é sem surpresas. 

O filme foi um veículo para tentar emplacar Matthew Perry como astro de cinema, aproveitando seu sucesso na série “Friends”, porém sua carreira não decolou e hoje ele continua apenas com papéis na tv. Já Salma Hayek ainda estava em início de carreira, tendo destaque apenas em filmes de Robert Rodriguez e posteriormente se tornou uma estrela, principalmente após a indicação ao Oscar por “Frida” em 2002.