quinta-feira, 2 de junho de 2011

Trabalho Interno


Trabalho Interno (Inside Job, EUA, 2010) – Nota 8,5
Direção – Charles Ferguson
Documentário – Narração de Matt Damon.

O vencedor do Oscar de Melhor Documentário deste ano segue o mesmo tema de “Capitalismo: Uma História de Amor” que o premiado Michael Moore dirigiu no ano anterior. A diferença está no estilo da narrativa, enquanto Moore utiliza a ironia e um enfoque mais popular para criticar o sistema e mostrar a crise econômica americana, o diretor Charles Ferguson prefere a sobriedade, com uma narração em tom sério do astro Matt Damon, ele disseca o sistema financeiro americano e explica didaticamente a situação atual. Assim como Moore, Ferguson mostra que a crise é uma conseqüência de quase trinta de política que privilegia a especulação e o lucro rápido, deixando a produção de bens e principalmente os interesses do povo em segundo plano. 

O início desse processo se deu quando o candidato republicando e ex- ator Ronald Reagan se tornou Presidente Americano em 1980 e nomeou como Secretário de Finanças o CEO da Merril Lynch, uma das maiores instituições financeiras do país e do mundo. A primeira atitude foi desregulamentar a ação destas instituições, que antes eram controladas por leis rígidas e a partir deste momento passaram a facilitar empréstimos para pagamento a longo prazo e com taxas de juros cada vez mais absurdas. 

Durante este tempo as instituições criaram um sistema em que os empréstimos concedidos para a população eram transformados em “Derivativos de Crédito”, uma espécie de promissórias repassadas a outras instituições. Estes “terceiros” criavam um seguro, onde parte destes papéis eram vendidos as outras financeiras como garantia. Traduzindo, as empresas usavam estes “Derivativos de Crédito” para aparentar ter um lucro enorme e pagar bônus milionários aos seus líderes, o que na realidade era um castelo de cartas que começou a ruir há poucos anos quando a inadimplência estourou e a chamada “Bolha Imobiliária” explodiu.

Um detalhe, grande parte dos empréstimos eram usados para financiamento de imóveis, sendo concedido crédito a pessoas que não tinham condição de pagar, o que gerava um lucro rápido para as instituições, mas a longo prazo se mostrou um grande golpe com conseqüências trágicas. 

Os depoimentos mostrados aqui se dividem entre aqueles que denunciaram os absurdos da stiuação mas não foram ouvidos pelo governo e os que participaram do golpe e tiveram a cara de pau de tentar explicar. Deste segundo grupo muitos se negaram a conceder entrevista para o documentário, entre estes temos políticos, altos executivos e até intelectuais formados em universidades de renome. O pior é que nem mesmo a entrada de Barack Obama na presidência mudou o cenário, vários dos seus principais assessores estão ligados ao governo anterior e as grandes instituições financeiras. 

4 comentários:

Luís Azevedo disse...

O final do filme foi o que achei mais chocante! Nem o Obama, que dá a cara pela regulação dos mercados consegue governar sem a ajuda dos responsáveis da crise...

Amanda Aouad disse...

Desde o Oscar fiquei muito curiosa por esse filme, mas ainda não tive oportunidade de ver.

bjs

Kahlil Affonso disse...

Parece interessante!

http://filme-do-dia.blogspot.com/

Hugo disse...

Luís - O filme praticamente não dá esperança de mudanças a curto prazo.

Amanda - Se você gosta de saber um pouco mais sobre política, não deixe de assistir.

Kahili - É um ótimo documentário.

Abraço a todos