domingo, 12 de junho de 2011

Uma Noite Sobre a Terra


Uma Noite Sobre a Terra (Night on Earth, França / Inglaterra / EUA / Japão, 1991) – Nota 8
Direção – Jim Jarmusch
Elenco – Winona Ryder, Gena Rowlands, Armin Mueller Stahl, Giancarlo Esposito, Rosie Perez, Beatrice Dalle, Isaach de Bankolé, Roberto Benigni, Paolo Bonacelli, Matti Pellonpaa.

O diretor e roteirista Jim Jarmusch (“Flores Partidas” e “Daunbailó”) apresenta cinco histórias que se passam dentro de um taxi em cinco cidades pelo mundo na mesma noite. 

Em Los Angeles, uma senhora rica (Gena Rowlands) tenta entender a simplicidade da motorista (Winona Ryder) que tem como objetivo de vida fazer um curso de mecânica. 

Em Nova York, um jovem negro (Giancarlo Esposito) não consegue fazer com que taxi algum o aceite como passageiro e acaba recebendo a oferta de carona de um velho imigrante (Armin Mueller Stahl) com quem trocará experiências, apesar da diferença cultural e a dificuldade do idoso com a língua inglesa. 

Em Paris, um taxista camaronês (Isaach de Bankolé, figura carimbada nos filmes Jarmusch) discute com dois outros passageiros africanos que fazem piada com sua nacionalidade e depois acaba pegando como passageiro uma moça cega (Beatrice Dalle) extremamente inteligente. 

Em Roma, um taxista falastrão (Roberto Benigni, outro colaborador habitual de Jarmusch) ao pegar um padre (Paolo Bonacelli) como passageiro, resolve contar todos os seu pecados, terminando o episódio de forma trágica e engraçada ao mesmo tempo. 

Para finalizar temos o episódio em Helsinque na Finlândia, onde um taxista (Maati Pellonpaa) pega três passageiros que reclamam de tudo entre si, até que ele resolve contar sua triste vida calando os sujeitos. 

O ótimo roteiro de Jarmusch mistura comédia e drama com uma sutileza comum ao diretor, todos os episódios tem os dois lados, como o de Nova York que mostra o preconceito dos taxistas com os negros, sendo que a maioria dos taxistas são imigrantes. No episódio de Paris também fica claro que o preconceito existe entre os iguais, no caso eram imigrantes africanos que discutiam entre si, mesmo que parte dos diálogos acabassem sendo engraçados. O único episódio que pende para tristeza é o último sobre o taxista finlandês. 

Outros destaques, são elenco internacional que dá realismo as sequências e a bela trilha sonora do sempre competente Tom Waits, outro colaborador habitual de Jarmusch, muitas vezes até na frente da câmeras.

5 comentários:

Amanda Aouad disse...

Muito interessante, Hugo, gosto da forma como você resgata filmes quase esquecidos. Esse não vi e me pareceu bastante interessante mesmo.

bjs

bruno knott disse...

Tom Waits, é? O cara é foda.

Sem dúvida me chamou a atenção... não conhecia esse tb...

Hugo disse...

Amanda - Eu assisto de tudo, por isso escrevo sobre os mais variados filmes, não importa de qual época.

Bruno - Tom Waits é sensacional como músico e sempre estranho como ator.

Abraço

O Projeccionista disse...

Adorei ver este filme e fiquei com uma enorme curiosidade de ver as primeiras obras do Jarmusch. Todos os episódios, incluindo o último, que para mim é uma homenagem ao cinema de Aki Kaurismaki, são excelentes.

Abraço

Hugo disse...

Projeccionista - Todos os filmes de Jarmusch são originais e tem uma ótica diferente sobre o mundo.

Todos valem a sessão.

Abraço