segunda-feira, 13 de junho de 2011

Livro - Como a Geração Sexo, Drogas e Rock'n'Roll Salvou Hollywood

Como a Geração Sexo, Drogas e Rock'n'Roll Salvou Hollywood (Easy Riders, Raging Bulls, EUA, 1998)
Autor - Peter Biskind

Demorou mais de dez anos para este delicioso livro sobre a revolução ocorrida no cinema americano nos anos setenta chegar ao Brasil. O autor Peter Biskind desmistifica os grandes diretores, atores, produtores e roteiristas da época, mostrando como os bastidores de clássicos como "O Poderoso Chefão", "Taxi Driver" e "Apocalipse Now" eram recheados de sexo, drogas, intrigas e traições, além de mostrar o sucesso e a queda de diversos personagens deste período.

O livro mostra o que de mais importante ocorreu no cinema americano entre 1967 com o sucesso de "Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas" dirigido por Arthur Penn, até o fim de uma era com o fracasso colossal de "O Portal do Paraíso" de Michael Cimino em 1980. O autor cita com razão que em meados dos anos sessenta o cinema americano não produzia filmes que estavam de acordo com a época, enquanto os jovens protestavam contra a Guerra do Vietnã e o consumo de drogas crescia, os grandes estúdios ainda produziam filmes politicamente corretos, onde nem mesmo os roteiros podiam ter palavrões. Além disso os atores e diretores ainda trabalhavam sob contrato e muitos vezes os filmes eram montados sem a presença do diretor.

Esta situação começou a mudar quando o ator Warren Beatty lutou e conseguiu produzir "Bonnie & Clyde" que foi um grande sucesso. Em seguida a dupla Dennis Hopper e Peter Fonda emplacaram o hoje clássico "Sem Destino" e a porta estava aberta para novos diretores como Francis Ford Coppola, William Friedkin, Peter Bogadnovich, Bob Rafelson, Martin Scorsese e um pouco depois George Lucas e Steven Spielberg fazerem seus filmes da forma que desejavam.

Esta turma de jovens realizadores transformaram a indústria no início dos anos setenta com clássicos como "O Poderoso Chefão", "Operação França", "A Última Sessão de Cinema" e "Caminhos Perigosos", que fizeram sucesso e deram liberdade para tocarem projetos mais ousados. Os problemas começaram a partir daí, com muito dinheiro, fama e rodeado de mulheres e drogas, essa turma se afundou nos prazeres da vida e mesmo criando outros grandes filmes como "Touro Indomável" e "Apocalipse Now", acabaram perdendo todo o poder que tinham sobre os estúdios em virtude dos excessos, principalmente os estouro dos orçamentos e o fracasso destes filmes nas bilheterias.

O tiro de misericórdia veio com "O Portal do Paraíso", um misto de drama e western que uma megalomaníaco Michael Cimino dirigiu com carta branca sobre o orçamento e fez a United Artists quebrar. Cimino dois anos antes havia sido o grande vencedor do Oscar com "O Franco Atirador" e conforme o autor do livro se achava quase um deus. Seu filme tinha mais de três horas e meia de duração e após o fracasso no lançamento foi remontado com uma hora a menos, mas nem isso salvou o longa da tragédia.

No meio desta história os grandes vitoriosos foram George Lucas que criou "Star Wars" em 1977 e Spielberg com "Tubarão" de 1975, filmes que renderam milhões e criaram os chamados Blockbusters. Era a vitória do cinema pipoca sobre os filmes autorais. Toda aquela geração que reinventou o cinema era fã dos filmes europeus e num primeiro momento transportaram o gênero com sucesso para os EUA, mas no final da década foram atropelados pelos filmes-pipoca.

Lucas e Spielberg conseguiram construir uma carreira milionária repleta de sucessos, Lucas mais como produtor e a turma dos autores nunca mais teve a mesma força daquela época. Apenas Scorsese conseguiu se reerguer e hoje ainda é um dos diretores mais festejados.

O autor mostra os diretores e produtores como personagens com egos gigantescos, que a princípio queriam apenas fazer filmes e depois do primeiro sucesso se tornaram insuportáveis. Coppola é descrito como o próprio Poderoso Chefão, culminando com a loucura das filmagens de "Apocalipse Now", que demoraram pelo menos dois anos nas selvas das Filipinas. Scorsese era o sujeito introvertido que despejava todos os seus rancores nos personagens. Peter Bogdanovich é citado como um sujeito que se considerava um intelectual e talvez tenha sido o que teve a maior queda. Dennis Hopper então era o hippie maluco viciado em drogas. Até mesmo George Lucas e Steve Spielberg são citados como manipuladores que não aceitam a opinião de terceiros.

O único ponto que considero um pouco enfadonho são as descrições que o autor faz de roupas, ambientes e discussões entre os personagens, um excesso de detalhes em alguns momentos que deixam a impressão de ser algo para enfeitar um pouco, mas no geral é um livro obrigatório para os fãs de cinema que conhecem e gostam dos clássicos dos anos setenta.

5 comentários:

Celo Silva disse...

Comprei esse livro, mas ainda não li....to com falta de tempo, tantos filmes para assistir. Muito bom texto. Vlw.

Amanda Aouad disse...

Estou com ele aqui em casa, só que com capa laranja, hehe. Lerei em breve.

bjs

kuki bertolini disse...

gostei muito de suas postagens e estou te seguindo.se você curte cinema,vai gostar desse blog tambem,eu recomendo:
http://thecinefileblog.blogspot.com/
nesse blog vc pode trocar uma ideia bacana sobre clássicos e tambem sobre lançamentos.grande abraço,sempre que possível,virei visitá-lo!! =D

Hugo disse...

Celo - Eu tb demorei um bom tempo para ler por completo, mas valeu a pena.

Amanda - O meu é da capa azul. Leia, tenho certeza que irá gostar.

Kuki - Valeu pela visite, estou linkando seu endereço aqui tb.

Abraço a todos

Pedro Tavares disse...

Interessantes observações. Gostaria de ler algo com a mesma temática, mas sobre os filmes dos anos 90.