sábado, 24 de dezembro de 2016

O Vendedor de Passados

O Vendedor de Passados (Brasil, 2015) – Nota 6,5
Direção – Lula Buarque de Hollanda
Elenco – Lázaro Ramos, Alinne Moraes, Odilon Wagner, Mayana Neiva, Anderson Muller, Marcelo Escorel, Débora Olivieri, Ruth de Souza.

Vicente (Lázaro Ramos) é especialista em criar passados para pessoas que querem mudar as lembranças de sua vida. Utilizando fotos de desconhecidos e um programa de computador, Vicente modifica o passado do cliente de acordo com o desejo da pessoa, criando uma falsa retrospectiva de vida. 

Num certo dia, ele é procurado por uma jovem (Alinne Moraes) que deseja criar um passado totalmente novo, com apenas uma condição: Vicente deverá incluir um crime cometido por ela na história. Intrigado e atraído pela moça, Vicente aceita o trabalho sem imaginar as consequências. 

O roteiro, que é baseado em um livro, apresenta uma premissa extremamente interessante e aberta a diversas possibilidades. Na primeira parte do longa, o espectador fica curioso em saber sobre o passado verdadeiro da desconhecida e do próprio Vicente. Os problemas surgem na segunda metade, quando ocorre uma reviravolta na trama que insere também a questão da ditadura na Argentina. 

Não conheço o livro em que o filme se inspirou para saber se realmente o tema faz parte da história, mas mesmo assim, é incrível como muitos cineastas brasileiros tendem a explorar de uma forma ou de outra a questão da ditadura em seus filmes. Estes diretores parecem seguir uma agenda de esquerda para bater na cabeça do espectador a palavra ditadura, mesmo o Brasil vivendo uma democracia há pelo menos trinta anos. 

O ponto mais importante do filme é mostrar que o passado não é exato em nossas lembranças. Podemos alterar nossas lembranças para diminuir um sofrimento, aumentar uma alegria, falar que vivemos uma época perfeita no passado para confrontar com os problemas do presente, ou seja, a chamada “memória afetiva” muitas vezes é mais forte que a memória verdadeira. 

Vale destacar ainda a pequena participação da atriz Ruth Souza do alto dos seus noventa e quatro anos de idade. 

É uma pena que o longa tenha desperdiçado em parte a ótima premissa. 

7 comentários:

Pedrita disse...

eu adorei esse filme, é muito bom. eu gosto muito da tônica de podermos inventar o passado que quisermos. o q de uma certa forma sempre acontece. primeiro pq contamos só o q queremos q o outro ouça e tb pq contamos só a nossa versão dos fatos. esse filme vai além desses artifícios, mas mexe nessa questão tão complexa de sermos o q queremos q o outro ache q somos. ruth de souza maravilhosa. incrível tb esse artifício de ir buscar em lugares objetos para construirmos a história que queremos contar sobre nós mesmos. comentei sobre esse filme aqui http://mataharie007.blogspot.com.br/2016/04/o-vendedor-de-passados.html

Rodrigo Mendes disse...

Eis um filme que deixei passar...
quando lançou me pareceu uma premissa interessante e Lázaro Ramos ainda na sua boa fase da carreira trabalhando no cinema. Hoje infelizmente está na geladeira Globo. Lembro de ter visto Madame Satã e me impressionado com a garra do ator!

Feliz Natal, Hugo e um ótimo Ano Novo.

Postei uma lista com os Melhores e Piores Filmes do Ano. Li seu texto sobre Stranger Things também e aproveito para dizer aqui que foi uma das melhores séries do ano!

Abraço.

Liliane de Paula disse...

O tema parece interessante e individualmente gosto de Lázaro Ramos e Aline Moraes.
Mas filme nacional tem alguma coisa que raramente consigo gostar.

Verdade, essa reclamação constante do período de ditadura que para mim, que tento andar na linha foi ótimo, é aborrecido.
Até porque as pessoas não aceitam que eu tenha achado um bom período.
Mas eu achei e daí?

Scant Tales disse...

Excelente post!

Hugo disse...

Pedrita - As lembranças pessoais nem sempre correspondem ao que realmente aconteceu. O filme explora o fato de maneira razoável. Acredito que poderia ser melhor.

Rodrigo - Valeu pelo comentário. Visitarei seu blog para ver a lista. Um ótimo Natal para vc tb.

Liliane - Infelizmente muitas pessoas ainda utilizam a ditadura para propagar sua ideologia. Como vc citou, aquela época foi ruim para muitas pessoas que queriam uma revolução e boa para a maioria da população que desejava apenas ter uma vida normal.

Scant - Valeu pela visita ao blog.

Abraço

Amanda Aouad disse...

Acho uma premissa desperdiçada, também. Só vale por ir além do óbvio, mas deixa muitas pontas soltas.

bjs

Hugo disse...

Amanda - Isso mesmo, infelizmente faltou um roteio melhor.

Bjos