terça-feira, 30 de setembro de 2014

Taras Bulba

Taras Bulba (Taras Bulba, EUA / Iugoslávia, 1962) – Nota 6
Direção – J. Lee Thompson
Elenco – Yul Brynner, Tony Curtis, Christine Kaufmann, Sam Wanamaker, Brad Dexter, Guy Rolfe, Perry Lopez, George Macready.

No século XVI, a região da Ucrânia era dominada pelos poloneses, que quando se viram atacados pelos turcos, pediram ajuda aos cossacos, um povo guerreiro que vivia na região. Os turcos foram derrotados, porém os poloneses aproveitaram para dominar também os cossacos, que eram considerados inferiores. O líder dos cossacos era Taras Bulba (Yul Brynner), que aceita a situação a princípio, mas deixa claro que na primeira oportunidade tentará retomar suas terras. 

Anos depois, Taras envia seus filhos Andrei (Tony Curtis) e Ostap (Perry Lopez) para estudarem em Kiev, local também sob o domínio dos poloneses. Para sua surpresa, Andrei se apaixona pela bela Natalia (Christine Kaufmann) filha do governador, ao mesmo tempo em que Taras planeja reunificar seu povo para enfrentar os poloneses. 

Baseado num famoso romance russo de Nikolas Gogol, esta aventura comandada pelo inglês J. Lee Thompson (“Os Canhões de Navarone” e “Círculo do Medo”) resulta num filme irregular. O roteiro falha na passagem do tempo e deixa a impressão de que a história foi picotada. O filme também falha na escolha do diretor em criar algumas sequências com músicas e danças para mostrar que o povo cossaco era beberrão e festeiro. 

As cenas de ação são razoáveis, mas passam longe da qualidade de outros filmes da época que também apresentavam batalhas com vários figurantes. Vale destacar a agilidade de Tony Curtis, que pula muros, sobe em telhados e corre por todos os lados em algumas sequências. 

Algumas curiosidades marcam o filme. O astro Tony Curtis e a bela Christine Kaufman se conheceram durante as filmagens e se casaram pouco tempo depois, com o detalhe de que a garota tinha apenas dezesseis anos. O casal ainda trabalhou junto na divertida comédia “Monsieur Cognac”, antes de se separar em 1967. 

Tony Curtis, que faleceu em 2010, teve seis casamentos e vários filhos, entre eles a atriz Jamie Lee Curtis. 

Outra informação curiosa é que Yul Brynner era apenas cinco anos mais velho que Tony Curtis, mesmo assim foi escolhido para interpretar seu pai neste filme.

Finalizando, as filmagens ocorreram na Califórnia, na Iugoslávia e na Argentina.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Deus e o Diabo na Terra do Sol

Deus e o Diabo na Terra do Sol (Brasil, 1964) – Nota 7
Direção – Glauber Rocha
Elenco – Geraldo Del Rey, Yoná Magalhães, Othon Bastos, Maurício do Valle, Lídio Silva, Sonia dos Humildes.

No sertão nordestino, o vaqueiro Manuel (Geraldo Del Rey) se revolta ao ser enganado por um fazendeiro e termina por matar o sujeito. Para fugir da perseguição da polícia e dos capangas do fazendeiro, Manuel e sua esposa Rosa (Yoná Magalhães) se juntam a um grupo de religiosos liderado por Sebastião (Lídio Silva) e posteriormente ao bando de cangaceiros comandado por Corisco (Othon Bastos), onde serão obrigados a enfrentar o assassino Antônio das Mortes (Maurício do Valle), que fora enviado para matá-los. 

Considerado pelos críticos como a obra prima de Glauber Rocha, este trabalho me parece superestimado, não que seja ruim, mas está longe de ser tão sensacional como muitos comentam. 

O ponto principal é o roteiro que não poupa críticas a religião, a vida dura do povo do sertão utilizado como massa de manobra e aos fazendeiros conhecidos como coronéis. 

É interessante também enfatizar a dualidade da trama, onde Deus e o Diabo se confundem, temos o religioso que domina o povo, ao mesmo em que o violento cangaceiro protege seus homens. 

O que me desagradou foi o estilo teatral das interpretações, que se mostram discursivas e exageradas, a narrativa lenta cheia de maneirismos, além das cenas de violência quase amadoras. 

É o primeiro filme de Glauber Rocha que assisto, não tenho ainda como comparar com seus outros trabalhos, mas a princípio fiquei com a impressão de que seu talento era muito melhor como roteirista do que diretor.

domingo, 28 de setembro de 2014

Skyline - A Invasão

Skyline – A Invasão (Skyline, EUA, 2010) – Nota 4,5
Direção – Colin & Greg Strause
Elenco – Eric Balfour, Scottie Thompson, Donald Faison, Brittany Daniel, David Zayas, Crystal Reed, Neil Hopkins.

Jarrod (Eric Balfour) e Elaine (Scottie Thompson) viajam a passeio para Los Angeles para visitar Terry (Donald Faison), um amigo de infância de Jarrod que ficou rico. O casal é levado para a cobertura de Terry que fica em um belíssimo edifício, onde participa de uma festa. 

De madrugada são surpreendidos por uma intensa luz, que logo se mostra um foco de energia que puxa as pessoas para uma espécie de nave estacionada no horizonte. O trio junto com duas outras mulheres, tentam se esconder da invasão alienígena e posteriormente buscar uma saída para fugir da cidade. 

Os irmãos Strause são especialistas em efeitos especiais que tentaram migrar para carreira de diretor e cometeram o péssimo “Aliens vs Predador II” e este fraquíssimo “Skyline”. O roteiro primário repleto de clichês é uma piada, assim como as péssimas atuações e o final absurdo. Até mesmo os efeitos especiais tem falhas, principalmente na primeira metade quando surge a estranha luz. 

O longa ganha alguns pontos pelos efeitos especiais a partir do momento em que aparecem as naves com o dia claro e quando as criaturas começam a atacar, mas é pouco para salvar o filme.

sábado, 27 de setembro de 2014

9.79*

9.79* (9.79*, EUA, 2012) – Nota 8
Direção – Daniel Gordon
Documentário

Quando o corredor jamaicano naturalizado canadense Ben Johnson venceu a prova dos cem metros rasos na Olimpíada de Seul em 1988 batendo o recorde mundial, o grande púbico jamais imaginaria que dois dias depois seria divulgado que o atleta fora pego no exame antidoping e assim perderia a medalha. O que era para ser o grande recorde da história do atletismo, se transformou no escândalo do século. 

Este ótimo documentário faz parte da fantástica série “30 for 30” produzida pela ESPN, que conta grandes histórias do esporte mundial. 

O diretor Daniel Gordon colheu depoimentos dos oitos corredores que disputaram aquela final do cem metros, incluindo de Ben Johnson e Carl Lewis, que eram os grandes rivais e favoritos para vitória. 

O grande acerto do documentário é ir fundo na questão do doping, com o diretor conseguindo um depoimento do chefe da equipe que realizou os exames antidoping na Olimpíada de Los Angeles em 1984 e que conta que uma quantidade enorme de atletas usava anabolizantes, o problema é que os exames da época não tinham como detectar o produto. Anos depois, ele mesmo testou as amostras colhidas pelos atletas e decidiu deixar de lado, pois se fosse fundo neste trabalho resultaria num gigantesco escândalo. 

Outros fatos chamam a atenção, como o depoimento de Ben Johnson, que confirma ter utilizado anabolizantes, porém alega que havia parado pelo menos um mês antes da disputa e que acredita ter sido sabotado por outro corredor chamado Andre Jackson a mando de Carl Lewis, denúncia que tem até algum sentido face aos fatos mostrados no doc. Outro ponto é que o próprio Carl Lewis foi pego no antidoping antes de Los Angeles 1984 e seu caso foi abafado pelas autoridades americanas. 

Para deixar o espectador ainda mais estarrecido, no final descobrimos que dois oito finalistas daquela disputa, seis foram pegos no antidoping pelo menos uma vez, apenas o brasileiro Robson Caetano e o americano Calvin Smith terminaram a carreira limpos. 

Por sinal, Calvin Smith que era o recordista dos cem metros, deixa claro sua mágoa em saber que enquanto corria com base apenas nos treinos, a maioria de seus oponentes utilizava drogas para melhorar o desempenho.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Grande Demais Para Quebrar

Grande Demais Para Quebrar (To Big To Fail, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Curtis Hanson
Elenco – William Hurt, Billyu Crudup, James Woods, Paul Giamatti, Topher Grace, Bill Pullman, Cynthia Nixon, Ayad Akhtar, Tony Shalhoub, Evan Handler, Edward Asner, John Heard, Kathy Baker, Amy Carlson, Michael O’Keefe, Joey Slotnick, Ajay Metha, Matthew Modine, Dan Hedaya, Peter Hermann.

Sei que economia é um tema que passa longe do gosto do grande público, principalmente pelo complexo mecanismo de funcionamento e os termos utilizados pelos profissionais da área que ajudam a afastar o interesse das pessoas, mas mesmo assim é necessário tentarmos entender um pouco, pois o que ocorre no mercado financeiro influencia direta e indiretamente nossa vida. 

Este longa de Curtis Hanson, junto com “Margin Call – O Dia Antes do Fim” e os documentários “Trabalho Interno” e “Capitalismo – Uma História de Amor”, são obras que se completam ao mostrar as causas da séria crise financeira que os Estados Unidos enfrentam desde 2008. Todas as situações mostradas nestas obras servem como exemplo para qualquer país capitalista, incluindo o Brasil, é claro. 

Este “Grande Demais Para Quebrar” foca a explosão da crise financeira americana em meados de 2008, quando o banco Lehman Brothers está à beira da falência e seu CEO (James Woods) ainda tenta lucrar com uma possível venda, mas falha nas negociações. 

O Secretário do Tesouro Americano, Henry Paulson (William Hurt), é acionado para tentar encontrar uma solução, pois a falência do Lehman Brothers causaria um efeito dominó e levaria para o buraco outros grandes bancos. 

Durante as reuniões com seus assessores, Paulson é informado por um consultor independente (Michael O’Keefe), que a empresa AIG, a maior seguradora do mundo, também passa por dificuldade e que com certeza iria a falência junto com os bancos, destruindo o sistema financeiro americano, pois todos os bancos utilizavam esta empresa para fazer seguro de seus empréstimos. 

Para tentar salvar a economia do país, Paulson reúne em um final de semana os CEOs dos maiores bancos americanos para tentar costurar uma solução antes do desastre. 

O roteiro baseado no livro do jornalista Andrew Ross Sorkin detalha todo o processo de negociações entres as autoridades dos governo e os chefões dos grandes bancos, com um detalhe, estes personagens são mostrados de uma forma imparcial, sem entrar em juízo de valores ou caráter, mesmo que a culpa pela crise e o quase colapso do país fossem de responsabilidade deles. 

Os quatro filmes que citei são recheados de diálogos, com uma infinidade de informações e personagens, mas são extremamente didáticos para quem deseja saber um pouco sobre o tema.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O Homem da Máfia

O Homem da Máfia (Killing Them Softly, EUA, 2012) – Nota 6
Direção – Andrew Dominik
Elenco – Brad Pitt, Scoot McNairy, Ben Mendelsohn, James Gandolfini, Richard Jenkins, Ray Liotta, Vincent Curatola, Trevor Long, Max Casella, Sam Shepard, Slaine.

O ladrão Frankie (Scoot McNairy) e o viciado Russell (Ben Mendelsohn) são contratados pelo picareta Johnny “Esquilo” Amato (Vincent Curatola) para assaltarem um clube de jogatina da Máfia. Como o local já fora assaltado anos atrás, Esquilo acredita que os chefões colocarão a culpa no gerente Mark (Ray Liotta), que foi o responsável por aquele assalto e acabou perdoado. A dupla de vagabundos comete o assalto e consegue fugir com o dinheiro. A organização criminosa contrata o assassino profissional Jackie (Brad Pitt) para descobrir quem são os assaltantes e assim eliminá-los. 

O diretor Andrew Dominik comandou o interessante “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”, longa também protagonizado por Brad Pitt e deixou boa impressão, porém neste trabalho a parceria não deu bom resultado. Como uma trama totalmente clichê, o diretor tentou chamar atenção através de diálogos engraçadinhos e de personagens excêntricos, mas infelizmente falhou. O filme ficou no meio do caminho entre uma trama policial séria e uma comédia de humor negro involuntária. 

Os destaques ficam para Brad Pitt como o cínico assassino que leva a sério a profissão e a participação do falecido James Gandolfini como outro assassino, este um sujeito depressivo, mulherengo e beberrão. 

Como curiosidade, James Gandolfini, Vincent Curatola e Max Casella trabalharam juntos na série “The Sopranos”. 

Finalizando, o título brasileiro é sacana ao utilizar o mesmo nome do antigo seriado policial dos anos oitenta, sem que o filme tenha ligação alguma. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Munique 1972: Um Dia em Setembro

Munique 1972: Um Dia em Setembro (One Day in September, Suiça / Alemanha / Inglaterra, 1999) – Nota 8
Direção – Kevin Macdonald
Documentário

Este documentário narrado pelo ator Michael Douglas, mostra com detalhes a terrível tragédia ocorrida na Olimpíada de Munique na Alemanha em 1972, quando terroristas palestinos invadiram o parque olímpico e tomaram vários atletas israelenses como reféns, exigindo em troca a soltura de duzentos presos políticos ligados a causa palestina. 

Mais de quarenta anos depois, o tema continua atual, com o conflito entre palestinos e israelenses ainda causando sofrimento e morte aos dois povos. 

O doc não tem a pretensão de buscar as causas ou colocar em discussão o conflito, o diretor Kevin Macdonald foca somente no acontecimento utilizando depoimentos de personagens que participaram da ação, além das imagens da época, já que muitas câmeras estavam no local mostrando ao vivo as negociações entre terroristas e as autoridades alemãs. 

A narrativa disseca os diversos erros nas negociações e a falta de preparo dos alemães que resultaram na tragédia, além da total falta de sensibilidade do Comitê Olímpico Internacional. 

O diretor também ganha pontos ao ter conseguido localizar e convencer o único terrorista palestino vivo que participou da ação a dar seu depoimento sobre o fato. O sujeito conta sua vida e diz que não se arrepende do que fez, pois considera que a ação fez o mundo prestar atenção na causa palestina. 

Como informação, esta interessante obra venceu o “Oscar de Melhor Documentário” e após comandar outros docs, Kevin Mcdonald decidiu seguir carreira no cinema comercial, com destaque para bons filmes como “O Último Rei da Escócia” e “Intrigas do Estado”.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A Separação

A Separação (Jodaeiye Nader az Simin, Irã, 2011) – Nota 9
Direção – Asghar Farhadi
Elenco – Peyman Moaadi, Leila Hatami, Sareh Bayat, Shahab Hosseini, Sarina Farhadi, Babak Karimi, Kimia Hosseini, Ali Asghar Shahbazi.

Em Teerã, a professora Simin (Leila Hatami) e o bancário Nader (Peymar Moaadi) formam um casal à beira do divórcio. Enquanto ela deseja ir para o exterior, ele não quer abandonar o pai (Ali Asghar Shahbazi) que sofre do Mal de Alzheimer. O impasse aumenta com a posição da filha (Sarina Farhadi) que não quer sair do país e também não deseja a separação dos pais. 

Simin decide se mudar para a casa dos pais enquanto não resolve a situação, fato que obriga Nader a contratar uma cuidadora para seu pai. Nader escolhe Razieh (Sareh Bayat), mulher religiosa de família pobre que leva para o trabalho a filha pequena (Kimia Hosseini) e que não conta para o marido (Shahab Hosseini) que está trabalhando. Um determinado fato, somado a algumas pequenas mentiras, cria um conflito que mudará a vida das duas famílias. 

Este belíssimo longa vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro confirmou o talento do diretor Asghar Farhadi (do também ótimo “Procurando Elly”) em expor os problemas e preconceitos da sociedade iraniana na atualidade, onde a modernidade da classe média é o oposto do fundamentalismo religioso forte entre os pobres. 

A separação do casal é o gatilho de uma série de acontecimentos que misturam mentiras, hipocrisia, religião, família e diferenças sociais, numa espécie de variação da teoria do caos. 

O resultado é um ótimo drama sobre pessoas comuns que colocam o orgulho acima da razão.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Pelé Eterno & Isto É Pelé


Pelé Eterno (Brasil, 2004) – Nota 6,5
Direção – Anibal Massaini Neto
Documentário
Narração – Fulvio Stefanini

Isto é Pelé (Brasil, 1974) – Nota 6,5
Direção – Luiz Carlos Barreto
Documentário
Narração – Sergio Chapelin

Realizados com trinta anos de diferença, este dois documentários sobre a vida e carreira de Pelé são ao mesmo tempo interessantes para quem gosta de ver gols de todos os tipos, especialidade do atleta do século e enfadonhos quando mostram sua vida fora dos campos. São registros que se encaixam perfeitamente com a figura de Pelé, que se foi fantástico dentro do campo, fora dele sempre passou uma imagem de político, se alinhando aos poderosos e colocando o marketing pessoal a frente da espontaneidade. 

O doc de Luiz Carlos Barreto é mais curto, com boa parte mostrando as cenas de jogos e os gols do Pelé, sem entrar em polêmicas ou problemas da vida pessoa, tendo sido produzido como uma espécie de propaganda para o atleta que encerrou sua carreira no Brasil em 1974. 

A obra de Anibal Massaini Neto tem uma produção mais caprichada e teve uma enorme divulgação, mas mesmo assim o resultado da bilheteria não foi o esperado. Por seguir um tempo muito mais longo na vida de Pelé, o doc se mostra mais completo, porém falha em alguns pontos chaves. A narração de Fulvio Stefanini parece trabalho de vídeo institucional, com um tom extremamente formal, assim como os depoimentos de Pelé e de sua família soam falsos e forçados, tudo ensaiado para evitar erros. 

O roteiro toca rapidamente em assuntos quase tabus na vida de Pelé, como os negócios que teve com o sócio conhecido como Pepe Gordo que foram a falência e também na questão da paternidade da falecida Silvia Regina, fato que Pelé foi obrigado a assumir perante a justiça depois de se negar a reconhecer a filha. 

Outro fato complicado é o depoimento de Pelé no início do doc, quando ele cita que tem orgulho da família e de ser negro, para em seguida passar pela tela as fotos das diversas mulheres de sua vida, com o detalhe de todas serem brancas, nem mesmo uma mulata ou morena Pelé assumiu como namorada ou esposa. 

Novamente o ponto positivo são as belas jogadas e os gols de Pelé. 

Resumindo, são docs indicados para os fãs de futebol, que podem utilizar o fast forward nas cenas da vida pessoal do atleta.

domingo, 21 de setembro de 2014

Gallipoli

Gallipoli (Gallipoli, Austrália, 1981) – Nota 8
Direção – Peter Weir
Elenco – Mel Gibson, Mark Lee, Bill Kerr, Bill Hunter, Harold Hopkins.

Na Austrália durante a Primeira Guerra Mundial, Archy Hamilton (Mark Lee) e Frank Dunne (Mel Gibson) são dois corredores que criam amizade durante uma competição e empolgados pela propaganda do exército que promete uma vida melhor para aqueles que aceitarem lutar na guerra, decidem se alistar como voluntários sem imaginar o inferno que os espera. 

Este ótimo drama sobre a sangrenta Batalha de Gallipoli em que australianos e neozelandeses enfrentaram os turcos, foi o primeiro filme que chamou a atenção da crítica internacional para o trabalho do diretor Peter Weir, que mesmo sem ser tão reconhecido como merece, fez uma belíssima carreira Hollywood. Trabalhos como “A Sociedade dos Poetas Mortos”, “O Show de Truman”, “A Testemunha” e “Caminho da Liberdade” são obras marcantes do diretor. 

Além das boas cenas de batalha e da triste história, “Gallipoli” tem como destaque a química entre a dupla principal, que tinha Mel Gibson antes de se tornar um grande astro, interpretando o sujeito mais racional e o australiano Mark Lee como o garoto sempre otimista. 

A trama é uma ficção, porém a batalha foi verdadeira e a forma como os ingleses usaram os soldados australianos e neozelandeses como bucha de canhão, além do dramático final, transformaram este longa em uma das grandes obras que mostram como a guerra é algo totalmente absurdo.   

sábado, 20 de setembro de 2014

Os Anos JK - Uma Trajetória Política

Os Anos JK – Uma Trajetória Política (Brasil, 1980) – Nota 7,5
Direção – Silvio Tendler
Documentário

Neste documentário produzido em 1980, época em que o Brasil vivia o período final da ditadura, quando o governo militar já havia assinado a lei da anistia e as liberdades começavam a ser restauradas, o diretor Silvio Tendler traçou o perfil do país desde o final do Estado Novo com a queda de Getúlio Vargas em 1945, até o final dos anos sessenta quando foi assinado o famigerado Ato Institucional nº 5, o AI-5. 

O foco principal do doc é a carreira política de Juscelino Kubitschek, que nasceu em Diamantina no interior de Minas Gerais em 1902 e com sua inteligência e habilidade política chegou à presidência do país em 1955. Entre erros e acertos, como opinião pessoal, a construção de Brasília foi seu grande erro, Juscelino alavancou a industrialização e por conseqüência o crescimento do país. 

O espectador interessado por história, tem aqui a oportunidade de conhecer os bastidores da política da época, com o diretor detalhando as disputas, as alianças, as tentativas de golpe, além da reação da população naqueles anos, fato que por sinal não era tão diferente do que ocorre nos dias de hoje. 

Os depoimentos de diversas pessoas envolvidas nos acontecimentos enriquecem o doc e dão uma visão diferente de cada fato e personagem. Entre os personagens citados e mostrados em imagens da época vemos Jânio Quadros, Carlos Lacerda, João Goulart, General Henrique Lott, Getúlio Vargas, Tancredo Neves, entre vários outros. 

Vale destacar também a sóbria narração do ator Othon Bastos.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Bates Motel - 2º Temporada

Bates Motel (Bates Motel, EUA, 2013-2014)
Criador - Anthony Cipriano
Elenco - Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nestor Carbonell.

O grande clássico "Psicose" de Alfred Hitchcock rendeu sequências fracas, algumas versões e serviu de referência para vários outros filmes, deixando a impressão de que qualquer novo projeto sobre o tema estaria fadado ao fracasso, porém o roteirista Anthony Cipriano teve a ótima sacada de criar uma história mostrando a vida de Norman Bates adolescente, quando os primeiros sintomas de loucura começaram a aparecer.

A primeira temporada foi uma espécie de apresentação dos personagens, dando ênfase aos problemas de Norman (Freddie Highmore) no colégio, com as garotas e a relação edipiana com Norma (Vera Farmiga), sua mãe superprotetora. A trama ainda focava na volta para casa do irmão mais velho de Norman, o rebelde Dylan (Max Thieriot) e a dificuldade da família em se estabelecer na pequena White Pine Bay, local onde compraram um velho motel, sem contar nos conflitos com alguns moradores da cidade.

Depois de algumas mortes na primeira temporada e na descoberta de que a cidade é uma grande produtora de maconha, fato que o xerife Alex Romero (Nestor Carbonell) precisa aceitar e administrar para evitar conflitos, esta segunda temporada mantém o nível de qualidade e avança ao abordar os problemas atuais da família Bates e os segredos do passado que vem à tona causando sérias consequências.

Não vou me aprofundar nos detalhes da trama, a surpresa é sempre o melhor caminho, mas cito como ponto principal a evolução da loucura da Norman, que com suas atitudes intempestivas causa uma série de incidentes que por consequência resultam em conflitos e mortes na pequena cidade.

O elenco é outro ponto positivo, com a bela Vera Farmiga muito bem como a mãe que carrega vários traumas e que tenta a todo custo proteger o filho, que ela saber ser problemático. O jovem Freddie Highmore deixa de lado os papéis infantis de filmes como "O Som do Coração" e "A Fantástica Fábrica de Chocolates" para criar um Norman Bates assustador nas cenas em que entra em parafuso e que mostra um olhar vazio, sem contar sua estranha voz que ajuda a dar um ar de maluco ao personagem.

O irmão vivido por Max Thierot tem uma atuação apenas aceitável, entre os coadjuvantes os destaques ficam para Olivia Cooke que vive Emma, uma garota que sofre de uma séria doença respiratória e que se torna amiga da filha e o xerife de Nestor Carbonell, personagem duro e justo interpretado pelo ator que ficou conhecido por seu trabalho em "Lost".

Para quem gosta de uma boa história com drama, suspense e violência, a série "Bates Motel" é uma ótima pedida.

Como informação, cada temporada tem apenas dez episódios.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Talk Radio - Verdades Que Matam

Talk Radio – Verdades Que Matam (Talk Radio, EUA, 1988) – Nota 7,5
Direção – Oliver Stone
Elenco – Eric Bogosian, Ellen Greene, Alec Baldwin, John C. McGinley, Leslie Hope, John Pankow. Michael Wincott, Zach Grenier.

Analisando a filmografia dos grandes diretores, quase sempre encontramos algum longa pouco reconhecido, mas de ótima qualidade. É o caso deste “Talk Radio”, uma crítica feroz aos podres dos Estados Unidos nos anos oitenta e que ainda continua extremamente atual. 

O filme é baseado em uma peça de teatro escrita pelo ator Eric Bogosian, que na época era um desconhecido que conseguiu chamar a atenção de Oliver Stone e ainda foi escolhido como protagonista. 

O personagem principal é o radialista judeu Barry (Eric Bogosian), que vive em Dallas no Texas e apresenta um programa nas madrugadas onde recebe ligações de todos os tipos de ouvintes, sempre ávidos por questioná-lo sobre algum assunto polêmico, proferir ofensas ou até ameaçá-lo. Para cada ligação recebida, Barry provoca o ouvinte com opiniões contrárias, sempre com críticas pesadas aos políticos, as religiões, ao homossexualismo, as drogas, ou seja, todos temas que despertam ódio nas pessoas. 

Quando seu programa é comprado por uma grande estação que pretende transmiti-lo para o país inteiro, seu chefe Dan (Alec Baldwin) tenta persuadi-lo a diminuir o tom das críticas, fato que desperta ainda mais ódio em Barry, que ainda cria conflitos com sua equipe de trabalho (Leslie Hope e John C. McGinley) e precisa lidar com os sentimentos pela ex-esposa Ellen (Ellen Greene), que volta a rondar sua vida. 

É um filme que se sustenta nos inúmeros diálogos, que em várias sequências se transformam em discussões e no atormentado protagonista que não desperta simpatia alguma, seu papel é questionar os valores de uma sociedade hipócrita, mesmo que termine pagando caro por isso.  

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Segredos Mortais

Segredos Mortais (Down the Shore, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Harold Guskin
Elenco – James Gandolfini, Famke Janssen, Joe Pope, Edoardo Costa, John Magaro, Maria Dizzia.

Susan (Maria Dizzia) está em Paris quando conhece Jacques (Edoardo Costa), sujeito que trabalha em um parque cuidando de um carrossel. Algum tempo depois, Jacques chega a uma comunidade à beira da praia em New Jersey para encontrar Bailey (James Gandolfini), o irmão de Susan que comanda um decadente parque de diversões. 

Jacques avisa Bailey que sua irmã faleceu e que ela deixou um testamento doando metade da casa para ele, a mesma casa onde Bailey mora. Mesmo a contragosto, Bailey é obrigado a aceitar o sujeito em casa e o contrata para trabalhar no parque. Ao mesmo tempo, ele sofre por Mary (Famke Janssen), sua ex-namorada que o deixou para casar com seu amigo Wiley (Joe Pope), com quem teve um filho (John Magaro), hoje adolescente com deficiência mental e que também é dono do parque de diversões alugado para Bailey. A morte de Susan e a chegada de Jacques despertam naquelas pessoas sentimentos adormecidos e faz vir à tona um segredo que mudou a vida de todos. 

O título nacional passa a equivocada impressão do filme ser um suspense, quando na realidade é um drama sobre pessoas frustradas. 

A primeira parte é até interessante, enquanto o espectador fica na expectativa de entender porque o francês viajou para os Estados Unidos e decidiu morar com o cunhado desconhecido e também a explicação sobre a separação de Bailey e Mary, porém quando as respostas surgem, elas não convencem. O final então é vazio quase sem sentido. 

É uma pena que as boas interpretações do falecido James Gandolfini, da bela Famke Janssen e de Edoardo Costa não sejam suficientes para salvar o filme.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A Ilha da Garganta Cortada & Despertar de um Pesadelo


A Ilha da Garganta Cortada (Cutthroat Island, EUA / França / Itália / Alemanha, 1995) – Nota 7
Direção – Renny Harlin
Elenco – Geena Davis, Matthew Modine, Frank Langella, Stan Shaw, Maury Chaykin, Rex Linn, Patrick Malahide, Harris Yulin.

No século XVII, quando um velho sujeito está morrendo, decide contar para sua filha Morgan (Geena Davis) sobre uma valioso tesouro escondido por seu pai. O problema é que o homem tem apenas um pedaço do mapa desenhado no couro cabeludo e escrito em latim, enquanto as outras duas partes estão em poder de seus irmãos. 

Para decifrar o mapa, Morgan compra o escravo Shaw (Matthew Modine), que sabe latim e que a ajudará na busca pelo tesouro. Para complicar, um dos tios que tem parte do mapa é o ganancioso Dawg (Frank Langella), que não deseja dividir o tesouro. A outra parte do mapa está com o outro tio, Reed (Maury Chaykin). 

Mesmo sendo um dos grandes fracassos da década de noventa, este longa é uma divertida aventura de ação ao estilo capa e espada, que infelizmente naufragou nas bilheterias sem ter uma aparente causa específica. 

Na época, o diretor Renny Harlin e a estrela Geena Davis estavam casados e no auge das carreiras. Harlin vinha de sucessos como “Duro de Matar 2” e “Risco Total”, enquanto Geena Davis ganhou fama por “Thelma & Louise” e “Uma Equipe Muito Especial” e até o hoje em baixa Matthew Modine tinha uma carreira respeitável. 

O fracasso praticamente enterrou o gênero de filmes com piratas, que já estava em baixa desde anos oitenta após o caro e fraco “Piratas” de Roman Polanski. O gênero teria um novo respiro quase uma década depois com a série “Piratas do Caribe”.

Despertar de um Pesadelo (The Long Kiss Goodnight, EUA, 1996) – Nota 7
Direção – Renny Harlin
Elenco – Geena Davis, Samuel L. Jackson, Craig Bierko, Brian Cox, David Morse, Yvonne Zima, Tom Amandes, Patrick Malahide, G. D. Spradlin, Melina Kanakaredes, Rex Linn.

Samantha (Geena Davis) trabalha como professora e cuida da filha Caitlin (Yvonne Zima), porém não se lembra do seu passado. Anos atrás, ela foi encontrada desmaiada em uma praia quando estava grávida e com ferimentos. Tentando seguir uma vida normal, Samantha sofre um acidente de carro e uma violenta pancada na cabeça a faz lembrar de algumas situações do passado, quando ela era uma agente secreta do governo. 

Para tentar descobrir sobre sua vida passada, Samantha contrata um detetive picareta (Samuel L. Jackson), ao mesmo tempo em que a notícia do acidente chega a seus antigos parceiros de trabalho, que ficam preocupados com seu reaparecimento e assim decidem matá-la, para que ela não revele segredos. 

Após o fracasso de “A Ilha da Garganta Cortada”, o casal Renny Harlin e Geena Davis tentou novamente emplacar um filme de ação, desta vez com uma trama policial, porém o resultado foi semelhante ao trabalho anterior. O dinheiro investido foi bem menor, mas o filme também fracassou nas bilheterias, apesar de ter uma trama interessante e recheada de cenas de ação, mesmo que algumas um pouco exageradas. Estes dois fracassos marcaram o início do declínio da carreira do casal, que se separariam dois anos depois e jamais voltariam a ter um grande sucesso. 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

The Rover - A Caçada

The Rover – A Caçada (The Rover, Austrália / EUA, 2014) – Nota 7,5
Direção – David Michod
Elenco – Guy Pearce, Robert Pattinson, Scoot McNairy, Tawanda Manyimo, David Field.

Deserto australiano, dez anos após o mundo sofrer um colapso econômico e social, as pessoas lutam para conseguir dinheiro e comida para sobreviver. 

Neste cenário, um sujeito (Guy Pearce) deixa seu carro na beira de uma estrada e entra em um decadente estabelecimento para beber algo. Poucos minutos depois, uma caminhonete com três homens que estão fugindo (Scoot McNairy, Tawanda Manyimo e David Field) sofre um acidente no mesmo local. Para continuar a fuga, eles roubam o carro do viajante solitário. O sujeito não se conforma, consegue fazer a caminhonete acidentada funcionar e parte na busca de seu carro. Pelo caminho, ele cruza com o irmão de um dos ladrões, o jovem Rey (Robert Pattinson) que está ferido e que aparentemente tem algum atraso mental. Os dois se juntam e seguem o rastro dos foragidos. 

Com clara referência ao clássico “Mad Max”, o diretor David Michod criou um longa pós-apocalíptico cru, violento e com um ritmo lento, que se casa perfeitamente com os personagens castigados pela vida e pelo sol australiano. 

Diferente do que o subtítulo nacional sugere, a trama está longe de ser um filme de ação, o que provavelmente decepcionou o espectador que esperava uma aventura eletrizante. As sequências de ação existem, porém a história é muito mais sobre dor e desesperança, onde cada personagem tenta se agarrar a alguma coisa para continuar sobrevivendo. 

O destaque é a sóbria interpretação de Guy Pearce, que deixa o espectador curioso sobre o porque da obsessão em recuperar o carro, situação esclarecida apenas na triste sequência final. 

Vale destacar ainda a ótima fotografia que explora as belezas naturais e rústicas do deserto australiano. 

É um filme indicado para o cinéfilo que gosta de tramas que misturam drama e violência.  

domingo, 14 de setembro de 2014

Alta Tensão & O Santuário


Alta Tensão (Haute Tension, França / Itália / Romênia, 2003) – Nota 6,5
Direção – Alexandre Aja
Elenco – Cécile de France, Maiwenn, Philippe Nahon, Franck Khalfoun.

Marie (Cécile de France) e Alexia (Maiwenn) são amigas de universidade que viajam para o interior da França com destino a fazenda onde vivem os pais de Alexia. A fazenda fica num local isolado próximo a um sinistro milharal. As amigas chegam na fazenda a noite e assim que começam a dormir, surge um velho caminhão guiado por um psicopata (Philippe Nahon) que tem o objetivo de assassinar todas as pessoas da casa. 

Com um estilo cru e algumas cenas violentas quase insanas que lembram o superior “Wolf Creek”, este longa fez grande sucesso na França e abriu caminho para o diretor Alexandre Aja fazer carreira em Hollywood, tendo estreado com o interessante “Viagem Maldita”, boa refilmagem do clássico B “Quadrilha de Sádicos, obra de Wes Craven. 

Este “Alta Tensão” tem como pontos positivos o clima aterrador, com uma tensão constante e o vilão assustador, que usa um boné fazendo com que o espectador não consiga ver seus olhos. A atriz Cécile de France, que ficaria conhecida mundialmente em “O Impossível”, também dá conta do recado como a jovem que enfrenta o psicopata. 

Tudo isso poderia render um ótimo filme de terror, porém o problema surge com a surpresa final, que ao invés de qualificar a trama, acaba criando diversos furos no roteiro assinado pelo próprio diretor. O espectador que analisar com calma, perceberá que algumas situações não se encaixam por causa desta reviravolta. 

O resultado é um filme que incomoda por causa do sangue e do clima de terror, mas que infelizmente sente falta de um roteiro melhor.

O Santuário (The Shrine, Canadá, 2010) – Nota 5,5
Direção – Jon Knautz
Elenco – Aaron Ashmore, Cindy Sampson, Meghan Heffern, Trevor Matthews, Vieslav Krystyan.

A jornalista Carmen (Cindy Sampson) fica intrigada com a notícia do desaparecimento de um jovem mochileiro em uma pequena vila no interior da Polônia. A situação é ainda mais estranha, pois a bagagem do rapaz foi enviada de volta para casa. Carmen descobre que nos últimos anos vários jovens sumiram naquela região. Seu editor considera que a notícia não é interessante, mesmo assim, Carmen decide viajar para Polônia e investigar por conta própria. Para este trabalho, ela leva o namorado e fotógrafo Marcus (Aaron Ashmore) e a estagiária Sara (Meghan Heffern). 

Chegando na remota vila, eles percebem uma estranha fumaça no meio da floresta, ao mesmo tempo em que são recebidos pessimamente pelos moradores, que os expulsam do local. Lógico que eles não desistem e decidem descobrir o que existe na floresta, dando início a uma jornada de terror. 

Na última década se tornou comum ambientar filmes de terror e suspense no leste europeu, temos exemplos como “O Albergue” e “A Caverna”. Este “O Santuário” segue o estilo, porém a Polônia filmada aqui fica na verdade em Ontario no Canadá. Este fato não seria problema se o filme fosse bom. 

Os erros começam com o péssimo elenco, onde apenas o conhecido Aaron Ashmore tem uma atuação razoável e seguem pelo fraco roteiro que cria uma motivação simplista para os jovens viajarem por conta para investigar o caso. Como ponto positivo, temos o clima sinistro nas sequências no vilarejo e a interessante reviravolta no final. 

Em alguns momentos o filme lembra “A Vila” de M. Night Shyamalan, porém bem menos complexo e inferior na qualidade.

sábado, 13 de setembro de 2014

Blue Jasmine

Blue Jasmine (Blue Jasmine, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Woody Allen
Elenco – Cate Blanchett, Sally Hawkins, Alec Baldwin, Andrew Dice Clay, Bobby Cannavale, Max Casella, Michael Stuhlbarg, Louis C. K., Peter Sarsgaard.

Jasmine (Cate Blanchett) é uma madame que vê seu mundo desabar quando o marido (Alec Baldwin) é preso por dar um golpe em seus investidores. Após perder a casa, Jasmine teve um colapso nervoso e foi obrigada a morar com a irmã Ginger (Sally Hawkins) em um pequeno apartamento em New Jersey. 

Acostumada com uma vida luxuosa, Jasmine sofrerá por ter de trabalhar, sem contar que não suporta os filhos da irmã e nem o namorado desta (Bobby Cannavale). Jasmine ainda é acusada pelo ex-marido de Ginger, Augie (Andrew Dice Clay), de ser a culpada pelo fim de seu casamento, por ela ter insistido para que ele investisse seu dinheiro com o cunhado picareta. 

Todos os habituais conflitos dos filmes de Woody Allen estão presentes aqui, como a protagonista neurótica, as discussões familiares, as mentiras, o adultério, com o toque a mais da cutucada na crise financeira que os Estados Unidos sofre desde 2008, muito por culpa dos especuladores. 

O personagem de Alec Baldwin é a representação do sujeito ganancioso, mentiroso e picareta, daqueles que ostentam com o dinheiro alheio, enquanto a protagonista de Cate Blanchett é a esposa cúmplice, que fecha os olhos para as falcatruas do marido em troca das benesses compradas pelo dinheiro. Ela é ao mesmo tempo vítima e culpada pela situação em que se encontra, não dá para o espectador sentir pena de que alguém que considerava a irmã simples uma estorvo e que no momento de desespero à procura por ajuda. 

Este caráter duvidoso da personagem resulta numa belíssima interpretação de Cate Blanchett, reforçada pela narrativa imposta por Allen, que mostra em paralelo a vida luxuosa e mentirosa com o marido rico e a dificuldade em lidar com os dias atuais.

Para quem é fã do estilo de Allen, este é mais um bom trabalho do diretor.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Cinema, Aspirinas e Urubus

Cinema, Aspirinas e Urubus (Brasil, 2005) – Nota 8
Direção – Marcelo Gomes
Elenco – Peter Ketnath, João Miguel, Hermila Guedes, Osvaldo Mil, Irandhir Santos.

Em 1942, em meio a Segunda Guerra Mundial, o alemão Johann (Peter Ketnath) viaja pelas cidades do sertão nordestino em um pequeno caminhão vendendo a novidade da medicina na época, aspirinas. Para vender o produto, a cada nova cidade que visita, Johann monta uma tela de cinema ao ar livre onde passa cenas da cidade de São Paulo para impressionar os humildes moradores e também propagandas do produto. 

Acostumado a dar caronas para diversas pessoas pelas estradas isoladas, Johann acaba contratando como ajudante o falante Ranulpho (João Miguel), um morador da região que deseja ir para Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor. A convivência entre os dois sujeitos de personalidades e culturas completamente diferentes, resulta em um inusitado laço de amizade. 

Este road movie no agreste brasileiro foi uma agradável surpresa, principalmente pela química entre a dupla de protagonistas e pelo triste retrato de uma região abandonada pelos governantes, fato que infelizmente mudou pouco setenta anos depois. 

O bom roteiro pontua a trama com as notícias da guerra através do rádio, o grande meio de comunicação da época. 

Outro ponto positivo são os personagens que surgem na tela, como o “coronel” vivido pos Oswaldo Mil e a jovem Jovelina interpretada com frescor pela ótima Hermila Guedes. 

É interessante notar a forma como são desenvolvidos os dois personagens principais. O alemão de Peter Ketnath trata todos com igualdade, sem preconceitos com os mais humildes, enquanto o personagem de João Miguel é crítico em relação as pessoas da sua região, de uma forma como se ele não fizesse parte daquilo. 

O resultado é um belíssimo filme. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Profissão de Risco

Profissão de Risco (The Bag Man, EUA / Bahamas, 2014) – Nota 5,5
Direção – David Grovic
Elenco – John Cusack, Robert De Niro, Rebecca da Costa, Crispin Glover, Dominic Purcell, Sticky Fingaz, Martin Klebba.

O assassino profissional Jack (John Cusack) é contratado pelo chefão milionário Dragna (Robert De Niro) para buscar uma mala que deverá ser entregue sem que ele veja o conteúdo. Com a mala em mãos, Jack vai para o local de encontro com Dragna, um motel vagabundo de beira de estrada. O problema é que além de um capanga de Dragna que tentou matá-lo, Jack percebe que o motel está sendo vigiado por dois agentes do FBI, sem contar que terá de lidar ainda com o estranho recepcionista (Crispin Glover), com uma dupla de cafetões (Sticky Fingaz e Martin Klebba) e uma prostituta (Rebecca da Costa). 

Alguns diretores acreditam que podem fazer um filme cult por encomenda, o que é um grande erro, um longa se torna cult por diversos fatores, menos pela pretensão. O diretor estreante David Grovic cai nesta armadilha e acaba entregando um filme pretensioso, vazio e previsível. Provavelmente ele acreditou que colocando dois grandes atores como Cusack e De Niro em uma história com toques de noir com personagens coadjuvantes excêntricos seria o suficiente, porém esqueceu que uma trama bem trabalhada é ponto primordial para qualquer filme. Outra situação que irrita é a fotografia escura, resultando em várias sequências visualmente confusas. 

A dupla de astros trabalha no piloto automático, com De Niro usando ainda um estranho topete grisalho. A modelo brasileira Rebecca da Costa serve apenas para mostrar o belo corpo em algumas sequências e nada mais que isso. O único destaque do elenco é o esquisito Crispin Glover como o sinistro recepcionista do motel.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Mel Brooks - Parte Final

Alta Ansiedade (High Anxiety, EUA, 1977) - Nota 7
Direção – Mel Brooks
Elenco – Mel Brooks, Madeline Kahn, Cloris Leachman, Harvey Korman, Dick Van Patten, Ron Carey, Barry Levinson.

O Dr. Richard H. Thorndyke (Mel Brooks) é escolhido para ser o novo administrador de um sanatório após a misteriosa morte do anterior. Ao começar seu trabalho, Thorndyke, que também sofre de ansiedade, precisa lidar com a assustadora enfermeira Diesel (Cloris Leachman) e o Dr. Montague (Harvey Korman) que deseja ser o administrador do local. Quando Thorndyke participa de um congresso sobre psiquiatria, ele é procurado por Victoria (Madeline Kahn), filha de um rico industrial que está preso no sanatório como parte de um plano de Diesel e Montague, que mantém pessoas normais internadas para receber os pagamentos pelo tratamento fajuto. 

O foco da paródia de Brooks neste longa são os filmes de Alfred Hitchcock, começando pelo cartaz que lembra “Um Corpo que Cai” e passando por sequências que são homenagens a diversos trabalhos do mestre do suspense. Mesmo sendo um pouco irregular, o resultado diverte o espectador, principalmente aquele que reconhecer nas cenas as homenagens aos filmes de Hitchcock.

A História do Mundo – Parte I (History of the World: Part I, EUA, 1980) – Nota 7
Direção – Mel Brooks
Elenco – Mel Brooks, Dom DeLuise, Madeline Kahn, Gregory Hines, Harvey Korman, Cloris Leachman, Ron Carey, Pamela Stephenson, Syd Caesar.

Dividindo o filme em segmentos para contar a primeira parte da história do mundo a sua maneira, Mel Brooks criou uma divertida e quase insana comédia que apresenta vários personagens históricos. São pequenas histórias, como a primeira que mostra uma importante descoberta do homem, o segmento da Idade da Pedra narrado por Orson Welles, a confusão de Moisés com Os Dez Mandamentos, a gozação em cima do Império Romano com a participação de Jesus Cristo, seguido da Inquisição Espanhola e da Revolução Francesa. 

Como sempre o elenco está recheado dos amigos de Brooks, que interpreta cinco personagens. Os destaques ficam para Dom De Luise como Nero e Gregory Hines como um escravo malandro na época do Império Romano. 

Sou ou Não Sou (To Be or Not To Be, EUA, 1983) – Nota 7
Direção – Alan Johnson
Elenco – Mel Brooks, Anne Bancroft, Charles Durning, Tim Matheson, José Ferrer, Christopher Lloyd, George Wyner,

Em Varsóvia, durante a invasão nazista na Segunda Guerra, Dr. Frederick Bronski (Mel Brooks) é um ator que vive interpretando “Hamlet” no teatro ao lado da esposa Anna (Anne Bancroft) e de uma trupe de atores. Durante o momento em que Bronski recita o monólogo da peça, sua esposa encontra o jovem tenente Sobinski (Tim Matheson) às escondidas. Quanto o cerco nazista aos judeus aumenta, Sobinski revela ser da Resistência e decide ajudar o casal Bronski e a trupe de atores a fugir do país. 

Refilmagem de um comédia de Ernest Lubitsch de 1942, este longa mesmo não tendo Brooks como diretor oficial, fica clara sua influência no estilo da piadas. As trapalhadas que o grupo de atores enfrenta para fugir do país e as diversas cenas da peça de teatro com Brooks interpretando um ator canastrão são típicas de sua carreira. 

Como curiosidade, este foi o único filme em que Brooks contracenou com sua esposa Anne Bancroft. Além disso, também foi o primeiro filme de Brooks sem pelo menos um de seus colaboradores habituais como Dom DeLuise, Madeline Kahn, Harvey Korman e Cloris Leachman.

S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço (Spaceballs, EUA, 1987) – Nota 7,5
Direção – Mel Brooks
Elenco – Mel Brooks, Bill Pullman, Daphne Zuniga, John Candy, Rick Moranis, George Winner, Michael Winslow, John Hurt, Dick Van Patten.

Mesmo tendo sido produzido dez anos depois do sucesso do original “Guerra nas Estrelas”, esta paródia é um dos filmes mais divertidos de Mel Brooks e com certeza seu último trabalho de qualidade. 

O planeta Spaceball sofre com problemas na atmosfera e para salvá-lo, o Presidente Skroob (Mel Brooks) ordena que seu oficial Dark Helmet (Rick Moranis) sequestre a Princesa Vespa (Daphne Zuniga) do vizinho planeta Druidia, para exigir em troca todo o ar do local. O Rei Roland (Dick Van Patten) contrata a dupla de mercenários espaciais Lone Starr (Bill Pullman) e Barf (John Candy) para resgatar sua filha. 

A história absurda é apenas um pretexto para as piadas. Algumas sequências são muito engraçadas, como a entrada em cena de Dark Helmet, que revela ser o pequeno Rick Moranis, as sequências em que Mel Brooks aparece como Mestre Yogurt, a participação de John Hurt tirando um sarro de seu papel em “Alien” e ainda as piadas sonoras do sumido Michael Winslow de “Loucademia de Polícia”.  

A Louca! Louca História de Robin Hood (Robin Hood: Men in Tights, EUA, 1993) – Nota 5,5
Direção – Mel Brooks
Elenco – Cary Elwes, Richard Lewis, Roger Rees, Amy Yasbeck, Dave Chappelle, Isaac Hayes, Mel Brooks, Dom DeLuise, Tracey Ullman, Patric Stewart

Após lutar nas Cruzadas, Robin Hood (Cary Elwes) é preso em Jerusalém, mas consegue escapar com a ajuda de outro prisioneiro (o cantor Isaac Hayes). Em troca da ajuda, o sujeito pede que Robin ajude seu filho (Dave Chappelle) que vive na Inglaterra. Após voltar a Inglaterra, Robin encontra o sujeito e se alia a outros homens para lutar contra o Príncipe John (Richard Lewis) e o malvado Xerife de Rottingham (Roger Rees). 

O estilo de Mel Brooks aqui já se mostrava desgastado, as piadas com a história clássica de Robin Hood não funcionam, sendo mais bobas que engraçadas. O elenco também não ajuda, com exceção das pequenas participações de Isaac Hayes e Dom DeLuise, o restante dos personagens não tem carisma algum.  

Drácula – Morto Mas Feliz (Dracula: Dead and Loving It, EUA / França, 1995) – Nota 6
Direção – Mel Brooks
Elenco – Leslie Nielsen, Peter McNicol, Mel Brooks, Amy Yasbeck, Steven Weber, Lysette Anthony, Harvey Korman.

O último trabalho de Mel Brooks na direção foi esta sátira ao clássico Drácula, resultando num filme um pouco melhor que o fraco “A Louca! Louca História de Robin Hood”, mas mesmo assim longe dos melhores longas de sua carreira. 

As piadas são apenas razoáveis, o que salva o filme é o elenco que se entrega a brincadeira. Mel Brooks como Val Helsing, Peter McNicol com o maluco Renfield e principalmente Leslie Nielsen como um Drácula paspalhão, conseguem tirar algumas risadas do espectador. 

Brooks tinha quase setenta anos na época e provavelmente juntando a idade com o desgaste do seu estilo, ele encerrou a carreira como diretor e continuou apenas com participações especiais em seriados e como dublador em algumas animações.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Mel Brooks - Parte I

Mel Brooks começou sua carreira como roteirista em seriados de tv na década de cinquenta, chegando ao sucesso em 1965 quando junto com Buck Henry, criou a marcante série "Agente 86".

O sucesso da série abriu as portas para o cinema, onde estreou em 1968 comandando o clássico "Primavera Para Hitler", que lhe rendeu o Oscar de Roteiro Original.

A partir daí, Brooks seguiu carreira como um dos mais criativos comediantes da história do cinema, sendo o pai dos "filmes paródia", estilo hoje totalmente desgastado, mas que nos anos setenta e oitenta rendeu divertidas comédias.

Brooks dirigiu apenas onze filmes, além de um que não chegou a assinar como diretor, mas foi o mentor intelectual. Dividirei as resenhas em duas postagens, sendo que não assisti apenas "Que Droga de Vida!", um dos últimos trabalhos do diretor.

Primavera Para Hitler (The Producers, EUA, 1968) – Nota 8
Direção – Mel Brooks
Elenco – Zero Mostel, Gene Wilder, Kenneth Mars, Dick Shawn, Estelle Winwood, Lee Meredith.

O produtor Max Bialystock (Zero Mostel) seduz mulheres idosas ricas para bancar suas peças de teatro, que invariavelmente resultam em fracassos. Quando Max conhece o contador Leo Bloom (Gene Wilder), este diz que um fracasso pode ser mais lucrativo que o sucesso, desde que seja vendido um percentual da peça para um grande números de pessoas. A dupla decide aplicar o golpe, vendendo mais de mil por cento em cotas de um musical onde o personagem principal é um Hitler cantor (Kenneth Mars). O que seria a certeza de um fracasso, se torna uma comédia de sucesso que deixa a dupla de golpistas em apuros. Além da ótima dupla principal, o falecido Kenneth Mars está impagável como o imitador de Hitler.

Banzé na Rússia (The Twelve Chairs, EUA, 1970) – Nota 6,5
Direção – Mel Brooks
Elenco – Ron Moody, Frank Langella, Dom DeLuise, Mel Brooks, Andréas Voutsinas, Diana Coupland.

Em 1920 na União Soviética, um aristocrata (Ron Moody) que ficou pobre em consequência da Revolução Russa, descobre que sua sogra deixou uma fortuna em joias escondida dentro de uma cadeira. O problema é que a mulher tinha doze cadeiras idênticas e cada uma delas ficou com uma pessoa diferente. Para piorar a situação, um padre (Dom DeLuise), seu antigo criado (Mel Brooks) e um ladrão (Frank Langella) também ficam sabendo do segredo e partem em busca da fortuna. 

Baseada numa peça de teatro russa que satirizava a revolução ocorrida no país, este filme lembra de longe o clássico “Deu a Louca no Mundo”, onde vários personagens procuravam um tesouro escondido, porém o resultado é irregular, principalmente porque algumas piadas com contexto histórico não funcionam.

Banzé no Oeste (Blazing Saddles, EUA, 1974) - Nota 8
Direção – Mel Brooks
Elenco – Gene Wilder, Cleavon Little, Mel Brooks, Madeline Kahn, Dom DeLuise, Harvey Korman, Slim Pickens, Alex Karras, David Huddleston, John Hillerman.

Numa pequena cidade do velho oeste, onde quase todos os moradores tem o sobrenome Johnson, quando o xerife é assassinado pelos capangas do vilão Hedley Lamar (Harvey Korman), o governador (Mel Brooks) decide dar o cargo para Bart (Cleavon Little), que se torna o primeiro xerife negro do velho oeste. Para tentar colocar ordem na cidade, Bart recebe ajuda de um pistoleiro bêbado (Gene Wilder) e ainda precisa enfrentar os brancos racistas. 

Esta sátira aos clichês do western é um dos trabalhos mais divertidos de Mel Brooks. Sobram farpas para todos os lados. O nome do vilão é uma gozação com a atriz Hedy Lamarr, o personagem de Wilder é o esteriótipo do pistoleiro bêbado comum em vários filmes do gênero, além de Madeline Kahn interpretando uma mulher sedutora ao estilo Marlene Dietrich. Não se pode deixar de destacar o trabalho do falecido Cleavon Little como o protagonista e a absurda sequência final.

O Jovem Frankenstein (The Young Frankenstein, EUA, 1974) – Nota 8
Direção – Mel Brooks
Elenco – Gene Wilder, Peter Boyle, Marty Feldman, Teri Garr, Cloris Leachman, Madeline Kahn, Kenneth Mars, Gene Hackman.

O Dr. Frankenstein (Gene Wilder) é um neurocirurgião que viaja para Transilvânia após receber a notícia da morte do avô. O velho tinha fama de maluco por fazer experiências estranhas. Chegando ao castelo do avô, ele encontra a bela Inga (Teri Garr), que era assistente do velho, o sinistro mordomo Igor (Marty Feldman) e a estranha governanta Frau Blucher (Cloris Leachman). Após encontrar um livro em que seu avô descrevia suas experiências, o jovem médico acredita ter descoberto a fórmula de dar vida aos mortos. Para colocar a experiência em prática, o médico e seus novos amigos desenterram o corpo de um assassino (Peter Boyle), porém o resultado é inesperado. 

Desta vez a sátira de Brooks tinha como alvo os filmes de terror da Universal dos anos trinta e quarenta, utilizando a clássica história do monstro de Frankenstein como ponto de partida para muitas piadas. Vários diálogos são trocadilhos e jogos de palavras intraduzíveis, mesmo assim é impossíveç não rir das situações absurdas. Uma das sequências mais engraçadas é o encontro do monstro com o cego barbudo interpretado por Gene Hackman.

A Última Loucura de Mel Brooks (Silent Movie, EUA, 1976) – Nota 7,5
Direção – Mel Brooks
Elenco – Mel Brooks, Marty Feldman, Dom DeLuise, Bernadette Peters, Sid Caesar, Burt Reynolds, James Caan, Liza Minelli, Paul Newman, Anne Bancroft, Marcel Marceau, Barry Levinson, Howard Hesseman, Harold Gould, Valerie Curtin.

Nesta hilariante comédia, Mel Brooks faz o papel de um diretor de cinema que tem a brilhante ideia de fazer um filme mudo nos dias atuais para tentar salvar o estúdio da falência. Contando com a ajuda dos amigos (o estranho e engraçado Marty Feldman e o gorducho Dom DeLuise), ele sai à caça de astros para participarem de seu filme e assim conseguir financiamento, porém arruma muita confusão ao encontrar figuras como Burt Reynolds, James Caan e Paul Newman, com um detalhe, o filme é sonoro mas tem não tem diálogo algum. 

Esta ótima homenagem ao cinema mudo está recheada de gags e fica ainda mais engraçada com os astros convidados interpretando eles mesmos, não falando uma palavra sequer e ainda sendo alvos das desastradas sequências. 

sábado, 6 de setembro de 2014

Sem Novidade no Front

Sem Novidade no Front (All Quieto on the Western Front, EUA, 1930) – Nota 8
Direção – Lewis Milestone
Elenco – Lew Ayres, Louis Wolheim, John Wray, Ben Alexander, William Bakewell, Slim Summerville.

Início da Primeira Guerra Mundial, uma pequena cidade da Alemanha faz festa para os soldados que seguirão para o campo de batalha. Com uma euforia de patriotismo tomando conta do lugar, um professor faz um belo discurso sobre honra para seus alunos, incentivando os jovens a se alistarem. Vários deles seguem o conselho do professor sem saber que enfrentarão um verdadeiro inferno na linha de frente da guerra. 

Baseado num livro do alemão Erich Maria Remarque, este longa que venceu os Oscars de Melhor Filme e Direção, é uma belíssima obra pacifista, que mostra de forma cru o sofrimento dos jovens que sequer sabiam porque lutavam. Diferente dos filmes sobre a Segunda Guerra, que em sua maioria focavam no heroísmo dos combatentes, esta obra tem como ponto principal o lado humano do soldado. 

Assim que os jovens se apresentam para o treinamento, são surpreendidos ao encontrar o carteiro da cidade como sargento, que os trata como estranhos, inclusive com humilhações. Quando são enviados aos front, descobrem que falta comida, precisam se esconder em trincheiras e chegam ao desespero durante o primeiro bombardeio que enfrentam. No local, eles são “adotados” pelo veterano Kat (Louis Wolheim), que se torna uma espécie de pai para o grupo de jovens, principalmente para Paul (Lew Ayres), o protagonista que terá sua vida transformada pelos horrores da guerra. 

Mesmo sendo impossível comparar, tanto pela diferença de quase sessenta anos entre as produções, quanto pelos estilos dos diretores, este ótimo filme com certeza foi uma das inspirações de Stanley Kubrick para comandar “Nascido Para Matar”.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O Crime do Padre Amaro

O Crime do Padre Amaro (El Crimen del Padre Amaro, México / Espanha / França / Argentina / França, 2002) – Nota 6,5
Direção – Carlos Carrera
Elenco – Gael Garcia Bernal, Ana Claudia Talancon, Sancho Gracia, Damian Alcazar, Angélica Aragón, Luisa Huertas, Andrés Montiel, Pedro Armendariz Jr, Gaston Melo.

Amaro (Gael Garcia Bernal) é um jovem padre protegido pelo Bispo que tem o objetivo de enviá-lo para Roma, mas antes disso, o rapaz precisará passar um período na paróquia do povoado de Los Reyes para ganhar experiência. Acostumado com a vida no seminário, Amaro enfrentará os problemas da dura realidade do local.

Não demora para descobrir que o Padre Benito (Sancho Gracia) fecha os olhos para o tráfico de drogas em troca de benesses para igreja, sem contar que ele ainda tem um caso com uma fiel (Angélica Aragón). Benito também vive em conflito com Padre Natalio (Damian Alcazar), este ligado a Teologia da Libertação. A situação de Amaro fica ainda mais difícil quando começa a sentir atração e é correspondido pela jovem Amelia (Ana Claudia Talancon).

Baseado no livro clássico de Eça de Queiroz, esta versão mexicana modernizou a história e chegou a concorrer ao Oscar de Filme Estrangeiro, porém diferente de outros longas produzidos no país na época como “Amores Brutos” e “E Sua Mãe Também”, que eram dramas fortes, aqui alguns momentos beiram o dramalhão.

É interessante incluir na trama elementos atuais como o tráfico de drogas e a Teologia da Libertação, além da questão do celibato, uma discussão eterna do catolicismo. O problema está nos momentos dramáticos, as cenas do astro Gael Garcia Bernal com a garota Ana Claudia Talancon são novelescas e não convencem. 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Plano de Fuga

Plano de Fuga (Get the Gringo, EUA, 2012) – Nota 7
Direção – Adrian Grunberg
Elenco – Mel Gibson, Kevin Hernandez, Daniel Gimenez Cacho, Jesus Ochoa, Dolores Heredia, Peter Gerety, Roberto Sosa Martinez, Peter Stormare, Bob Gunton, Dean Norris, Scott Cohen.

Dois sujeitos disfarçados de palhaços são perseguidos pela polícia americana na divisa com o México. Um dos fugitivos que estava ferido morre, enquanto o motorista (Mel Gibson) para tentar escapar decide derrubar a barreira de metal que divide os dois países. Ele consegue o intento, porém acaba preso por policiais mexicanos corruptos, que ficam com uma mala cheia de dinheiro que ele roubou e o levam para cumprir pena na prisão conhecida como “El Pueblito”, uma verdadeira cidade onde muitas famílias moram com os detentos. O local é sujo, superpovoado e dominado por uma família de traficantes. Logo, ele fica conhecido como “Gringo” e passa a estudar como fugir do local, contando com a ajuda de um garoto (Kevin Hernandez) que vive com a mãe (Dolores Heredia) e que guarda um perigoso segredo.

Depois de oito anos trabalhando apenas como diretor e tendo enfrentando diversas polêmicas como um divórcio e acusações de antissemitismo, Mel Gibson retornou como protagonista no interessante “Um Novo Despertar” e deu sequência neste divertido “Plano de Fuga", longa de ação no mesmo estilo que o consagrou como astro nos oitenta e noventa.

A grande sacada do filme é criar uma boa trama de ação onde todos os personagens são corruptos, os diálogos são divertidos e politicamente incorretos, além do carisma de Mel Gibson, perfeito no papel do sujeito malandro e um pouco maluco.

A narração de Gibson em off é outro ponto alto, cheia de ironias, como quando ele cita que a cidade/prisão parece ser o “pior shopping center do mundo”.

Como Gibson ainda sofre rejeição dos grandes estúdios por causa dos problemas pessoais, este longa é quase uma produção independente que foi rodada toda no México.

Mesmo falhando na parte final que se mostra totalmente exagerada, o resultado é um divertido passatempo, principalmente para os fãs do ator que esperavam seu retorno aos filmes de ação. 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Os Dois Escobares

Os Dois Escobares (The Two Escobars, Colômbia, 2010) – Nota 8,5
Direção – Jeff Zimbalist & Michael Zimbalist
Documentário

Apesar do mesmo sobrenome e do destino que fez com que seus caminhos se cruzassem, o chefão do tráfico colombiano Pablo Escobar e o jogador de futebol da seleção colombiana Andres Escobar não eram parentes, mas viveram o auge na mesma época e foram assassinados com uma diferença de poucos meses. O documentário conta com detalhes a história de vida destes dois personagens. 

Pablo Escobar nasceu em Medellin e nos anos setenta se tornou o maior traficante do país ao conseguir exportar cocaína para os Estados Unidos e vários outros países da América Latina. Nos anos oitenta, Pablo foi considerado um dos homens mais ricos do mundo, sendo adorado pela população pobre de Medellin, local onde construiu moradias, bancou a iluminação de bairros e incentivou o esporte mantendo campos de futebol, ou seja, usou seu dinheiro sujo para fazer o que governo colombiano ignorava. 

Apaixonado por futebol, Pablo se transformou em dono do Atlético Nacional da Medellin, investindo muito dinheiro, inclusive fazendo com que a equipe se tornasse o primeiro clube colombiano a ser campeão da Taça Libertadores em 1989. O sucesso de Pablo com o futebol fez com que outros grandes traficantes investissem em clubes como Milionarios de Bogotá e América de Cali, resultando na época de ouro do futebol colombiano. 

Enquanto isso, Andres Escobar se tornaria um jogador importante do Atlético Nacional em meados dos anos oitenta, chegando a seleção colombiana como capitão de um fantástica geração que tinha Valderrama, Rincon, Higuita, Asprilla, Leonel Alvarez e vários outros jogadores que massacraram a Argentina em, Buenos Aires vencendo por 5 x 0 e chegaram na Copa do Mundo dos Estados Unidos em 1994 como favoritos ao título. 

O fracasso na Copa é explicado em detalhes, com depoimentos comoventes de jogadores, do treinador Francisco Maturana e até do ex-presidente do país Cesar Gaviria, culminando com o assassinato de Andres. 

O grande acerto do documentário é mostrar com clareza a violência que tomava conta da Colômbia na época, a influência dos traficantes no futebol e no poder público e como a seleção era a esperança de mudar a desgastada imagem do país. 

Este documentário faz parte da fantástica série “30 for 30” produzida pela ESPN.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Roubo a Máfia

Roubo a Máfia (Rob the Mob, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Raymond De Felitta
Elenco – Michael Pitt, Nina Arianda, Andy Garcia, Ray Romano, Griffin Dunne, Michael Rispoli, Yul Vazquez, Frank Whaley, Brian Tarantina, Ainda Turturro, Burt Young, Cathy Moriarty, Adam Trese.

No início de 1991, os namorados Tommy (Michael Pitt) e Rosie (Nina Arianda) são presos após assaltarem uma floricultura com o objetivo de conseguir dinheiro para comprar drogas. No ano seguinte, Tommy sai de cadeia e com ajuda de Rosie começa a trabalhar em uma empresa de cobranças, onde o dono (Griffin Dunne) é um ex-presidiário que acredita em segunda chance, porém seu verdadeiro intuito é contratar pessoas para pagar um baixo salário. 

O casal tenta levar uma vida normal, mas sofre com a falta de dinheiro. Esta dificuldade, somada ao ódio de Tommy pela Máfia que extorquia seu pai, um pequeno comerciante dono de uma floricultura, faz nascer uma ideia maluca no sujeito. Ao acompanhar o julgamento do chefão mafioso John Gotti, que fora entregue aos federais por um de seus capangas, Tommy anota os endereços dos clubes que eles frequentam e descobre que mafioso algum usa arma nestes locais. Tommy e Rosie decidem assaltar os clubes, acreditando que bandidos jamais dariam queixa na polícia, porém não imaginavam que estariam se envolvendo em algo maior que um simples roubo. 

Esta inacreditável história sobre um casal de jovens malucos e ao mesmo tempo ingênuos é baseada em um fato real que influenciou decisivamente no julgamento de vários mafiosos. 

A trama por si só tinha tudo para render um grande filme, o problema está no roteiro frouxo que aproveita mal vários personagens e na direção que não se decide entre fazer uma comédia ou um drama policial, resultando numa narrativa irregular. A tentativa de criar uma história de amor ao estilo “Bonnie & Clyde” também não funciona. 

Mesmo com personagens mal aproveitados, vale destacar Andy Garcia como outro chefão mafioso, o comediante Ray Romano como um jornalista especializado na Máfia e a pequena e importante participação do veteraníssimo Burt Young, o Paulie da série “Rocky”. 

No final, fica a sensação de uma boa história desperdiçada.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Religulous

Religulous (Religulous, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Larry Charles
Documentário com Bill Maher

O comediante e apresentador Bill Maher entrevistou diversas pessoas ligadas a várias religiões com o objetivo de desmistificar os dogmas que elas tanto acreditam, sempre utilizando de argumentos racionais, ironias e até debochando dos entrevistados em algumas situações. 

Mesmo não assumindo ser ateu, Maher deixa claro que não acredita em religião alguma, além de enfatizar que elas são nocivas por disseminarem separação, ódio e até guerras. Por mais ofensivo que pareça aos olhos de uma pessoa religiosa, os argumentos de Maher se sustentam frente ao abstrato defendido pelos entrevistados, principalmente quando alguns deles tentam disseminar ideias absurdas, daquelas que brincam com a inteligência das pessoas. 

Entre as figuras que passam pela tela temos o ex-cantor que se transformou em pastor picareta e que se veste com ternos e sapatos caros, ostentando um relógio de ouro e que tem a cara de pau de dizer que Cristo deseja que ele se vista bem. Outro pastor diz ser descendente de Cristo, um rabino maluco nega o Holocausto, um ex-gay que se tornou pastor “ajuda” homossexuais a se tornarem héteros e um muçulmano questionado sobre como sua religião considera a mulher inferior, se defende mostrando uma jovem rezando em um minúsculo canto na enorme Mesquita, com todo o restante do espaço reservado para os homens. 

Como citei anteriormente, o documentário com certeza será considerado ofensivo para uma pessoa religiosa, enquanto o sujeito mais racional dará boas risadas com o embate de pensamentos entre Maher e os entrevistados, principalmente pelas cenas inseridas entre os diálogos que na maioria das vezes contradiz a afirmação do religioso.