quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O Nevoeiro

O Nevoeiro (The Mist, EUA, 2007) – Nota 8,5
Direção – Frank Darabont
Elenco – Thomas Jane, Márcia Gay Harden, Laurie Holden, Andre Braugher, Toby Jones, William Sadler, Jeffrey DeMunn, Frances Sternhagen, Nathan Gamble, Alexa Davalos, Chris Owen, Sam Witwer, David Jensen.

Numa pequena cidade americana ocorre uma forte tempestade durante a noite e no dia seguinte percebe-se que várias árvores caíram e algumas casas foram destruídas. Nessa situação o pintor David Drayton (Thomas Jane) resolve ir até o supermercado comprar alimentos e algum material para consertar suas janelas que foram destruídas e leva seu filho Billy (Nathan Gamble) e além dar uma carona para vizinho advogado Norton (Andre Braugher) com quem tem uma rixa, mas tenta fazer as pazes. Chegando ao mercado eles percebem que muita gente da cidade resolveu estocar alimentos e o local está cheio, até quem um homem (Jeffrey DeMunn) entra sangrando e desesperado sendo perseguido por um estranho nevoeiro. Este é um início de uma tensa história de suspense e terror que brinca com os limites do ser humano no momento de desespero.

O filme é competente como obra de terror e ótimo como suspense, mas o ponto forte sem dúvida é a análise do comportamento humano em momentos de tensão e do que uma pessoa pode ser capaz nessa hora. No início do processo as pessoas tendem a ficar juntas para se proteger, mas com o passar do tempo e o aumento da tensão, muitas ficam sugestionáveis as idéias dos líderes naturais, sejam eles para o bem ou para o mal. No longa as pessoas escondidas no mercado se dividem em três grupos, a dos mais sensatos liderados pelo pintor Drayton, o grupo dos que não acreditam que haja perigo na situação e são liderados pelo advogado Norton e o mais complexo, o grupo que vai se formando de acordo com o desespero da situação e vêem na fanática religiosa Sra. Carmody (Márcia Gay Harden em grande atuação) uma espécie de profeta do apocalipse que acredita ser o fim dos tempos o que está ocorrendo e que a culpa é dos pecadores, ou melhor, de todos aqueles que não acreditam em suas palavras.

O ótimo diretor Frank Darabont (“A Espera de um Milagre” e “Um Sonho de Liberdade”) acerta em cheio na adaptação de um conto de Stephen King e joga no mesmo caldeirão críticas a religião, aos militares, advogados, a convivência em grupo e principalmente as fraquezas dos homens, que mesmo num momento de tensão mostram arrogância, orgulho, preconceito e não conseguem enxergar o próximo.

O final aterrador mostra dois lados, aquele em que até mesmo as melhores pessoas são capazes de cometer loucuras quando não vêem saída para um problema, mas por outro lado deixa a mensagem de que devemos acreditar sempre e não desistir até o último segundo.

6 comentários:

Red Dust disse...

Um forte filme de suspense. A tensão é constante e todos nós somos, afinal, brindados com dois infernos. Qual deles o pior...

O final é simplesmente... cruel...

8/10.

Abraço.

Kau Oliveira disse...

Hugo, não sei se vc leu meu texto quando eu ainda fazia parte do Cinefilando. Acho este filme maravilhoso e muito mais que uma fita de terror, é uma análise sobre a nossa sociedade. E aquela cena final é IMPRESSIONANTE!

Abraços.

Hugo disse...

Red - Falou tudo, são dois infernos no mesmo local.

Kau - Sim eu havia lido seu texto.
Realmente o filme está além de um simples longa de terror e a história diz muito sobre nossa sociedade como você escreveu.

Abraço

Pedro Henrique disse...

É um filmaço, sem dúvida. O melhor terror em anos!

Roberto F. A. Simões disse...

Subscrevo o Pedro Henrique. Mas relembro também "EL ORFANATO". Brilhante.

Roberto F. A. Simões
cineroad.blogspot.com

Hugo disse...

Pedro - Sem dúvida um grande filme.

Roberto - Estou com para assistir "O Orfanato" tb.

Abraço