quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O Substituto

O Substituto (Detachment, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Tony Kaye
Elenco – Adrien Brody, Marcia Gay Harden, Sami Gayle, James Caan, Christina Hendricks, Lucy Liu, Blythe Danner, Tim Blake Nelson, William Petersen, Bryan Cranston, Betty Kaye, Louis Zorich, Isiah Whitlock Jr.

O diretor inglês Tony Kaye estreou no cinema com o ótimo “A Outra História Americana” e comprou uma briga gigantesca com os produtores quando se negou a montar o filme da forma como eles queriam. A disputa chegou até a justiça e Tony Kaye conseguiu que o filme fosse lançado pela sua versão. Por outro lado, a vitória na justiça fez com que o diretor fosse tratado como persona non grata em Hollywood, o que afastou do trabalho por onze anos, até conseguir lançar o longa independente “Black Water Transit” em 2009. 

A história aqui tem como protagonista o professor substituto Henry Barthes (Adrien Brody), que chega a uma nova escola para trabalhar durante trinta dias e que neste período tenta ajudar os alunos fazendo com que eles questionem suas atitudes e as consequências delas, ao mesmo tempo em que carrega traumas do passado. Sua mãe cometeu suicídio e ele cuida do avô (Louis Zorich) que vive em um asilo. Solitário e pensativo, Henry cruza ainda o caminho da prostituta adolescente Erica (Sami Gayle) e decide ajudá-la também. 

O roteiro escrito por Carl Lund foca na falência do sistema educacional, no despreparo dos pais em educar os filhos e por consequência no péssimo relacionamento entre alunos e professores, que causam traumas, frustrações e até violência. 

Os diversos personagens que passam pela tela carregam frustrações e angústias diárias. Entre os alunos, temos a gordinha depressiva, o garoto negro revoltado com os professores e os jovens rebeldes sem causa. 

Do outro lado, cada professor tenta sobreviver a sua maneira a mais um dia de trabalho. Um veterano (James Caan) utiliza a ironia e o deboche para se defender, outro professor (Tim Blake Nelson) está à beira de um colapso por ser ignorado pelos alunos e por sua família, temos a jovem (Christina Hendricks) que acreditava que conseguiria mudar a vida dos jovens, além da psicóloga (Lucy Liu) que é ofendida pelos pais cada vez que detecta um problema em algum aluno e por fim a diretora (Marcia Gay Harden) perdida entre fazer política para se manter no cargo e lidar com os professores insatisfeitos. 

Nos créditos iniciais, alguns professores verdadeiros dão depoimentos sobre porque escolheram a profissão e por incrível que pareça, nenhum deles cita que foi por vocação. Esta é uma das explicações para a falta de preparo de muitos destes profissionais. 

No restante do filme o personagem de Adrien Brody conversa com a câmera, como se estivesse em uma sessão de terapia ou um confessionário, abrindo seus sentimentos em relação a vida e a carreira de professor.

O filme é um retrato cruel do sistema educacional americano.

2 comentários:

Gustavo H. Razera disse...

Potentíssimo. Brody, fantástico. Pena que a personagem da gordinha seja tão clichê.

Hugo disse...

Gustavo - É um ótimo filme sobre os problemas do sistema educacional americano.

Abraço