terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

À Espera de Turistas

À Espera de Turistas (Am Ende Kommen Touristen, Alemanha, 2007) – Nota 7
Direção – Robert Thalheim
Elenco – Alexander Fehling, Ryszard Ronczewski, Barbara Wysocka, Piotr Rogucki, Rainer Sellien.

O jovem alemão Sven (Alexander Fehling) troca a obrigatoriedade do serviço militar, por um trabalho voluntário no memorial de Auschwitz  na Polônia. 

A principal obrigação de Sven é cuidar de Krzeminski (Ryszard Ronczewski), um senhor de oitenta anos que foi detido pelos nazistas no campo de concentração durante a Segunda Guerra e que até hoje continua vivendo no local, sendo uma espécie de memória viva do Holocausto. 

Não demora para Sven perceber a dificuldade de um alemão ser aceito na Polônia. Por mais que ele tente ajudar aos pessoas ao seu redor e até crie um laço com uma jovem guia (Barbara Wysocka), ele é sempre visto como um intruso, alguém que não deveria estar naquele local. 

O foco principal do roteiro é mostrar que as feridas da Segunda Guerra talvez nunca cicatrizem. Por mais que as gerações atuais não tenham ligação alguma com o que ocorreu, a relação entre povos que se enfrentaram jamais será plena. 

É interessante e também triste, ver que a geração atual olha para um sobrevivente como o veterano Krzeminsnki como se fosse uma peça de museu, sem imaginar o sofrimento que ele passou ou entender porque ele continua contando sua história de vida. 

É um filme curto e que não chega a se aprofundar no tema, mas que vale pela sensibilidade de mostrar com delicadeza talvez o lugar mais triste do mundo, o campo de Auschwitz.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A Longa Noite de Loucuras

A Longa Noite de Loucuras (La Notte Brava, Itália / França, 1959) – Nota 7
Direção – Mauro Bolognini
Elenco – Jean Claude Brialy, Laurent Terzieff, Franco Interlenghi, Rosana Schiaffino, Elsa Martinelli, Tomas Milian, Mylene Demongeot, Antonella Lualdi.

Em Roma, dois jovens ladrões (Jean Claude Brialy e Laurent Terzieff) contratam duas prostitutas (Mylene Demongeot e Antonella Lualdi) para acompanhá-los enquanto tentam vender armas roubadas. 

Entre o final da tarde e a manhã do dia seguinte, a dupla se envolverá com outros vigaristas, com outras mulheres, entrará em brigas e aproveitará a noite. 

Considerado um clássico do cinema italiano, visto hoje, este interessante longa perde um pouco da força e da originalidade que demonstrava na época do lançamento. Talvez por eu já ter assistido muitos filmes com temas semelhantes, a saga dos jovens vigaristas não parece tão forte quanto o título original. Com exceção das armas roubadas, as outras confusões que os protagonistas amorais e gananciosos se envolvem não são muito diferentes do que faz a juventude atual. 

Vale destacar a beleza do elenco feminino e a interpretação de Antonella Lualdi como a jovem prostituta que sonha em se apaixonar. 

Como curiosidade, o clássico brasileiro “OsCafajestes” tem semelhanças com este longa.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Moonlight: Sob a Luz do Luar

Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Barry Jenkins
Elenco – Mahershala Ali, Naomi Harris, Alex R. Hibbert, Ashton Sanders, Trevante Rhodes, Janelle Monae, André Holland.

Em um bairro negro de Miami, o roteiro acompanha Chiron em três etapas de sua vida. 

A primeira fase foca em Chiron ainda criança (Alex R. Hibbert), quando foi apelidado de Little (Pequeno) pelos garotos da escola que o perseguiam. Sofrendo também em casa com a mãe drogada (Naomi Harris), Little termina por se apegar ao traficante Juan (Mahershala Ali) e sua namorada Teresa (Janelle Monae). 

A segunda parte segue Chiron adolescente (Ashton Sanders). Ainda mostrando timidez e sendo intimidado pelos jovens da escola, Chiron enfrenta uma fase decisiva na vida, onde precisará se impor. Internamente ele sofre com a dúvida sobre sua sexualidade. A fase final apresenta Chiron adulto (Trevante Sanders), que ganha a vida com o tráfico de drogas, mas que não consegue se desamarrar do passado. 

Com um elenco totalmente negro, o diretor e roteirista Barry Jenkins explora a difícil vida das pessoas que vivem em bairros pobres onde o tráfico de drogas e a violência predominam. O personagem principal é tudo o que uma pessoa não pode ser naquele local. Tímido e com bom coração, Chiron é empurrado para decidir entre aceitar ser uma vítima da sociedade ao seu redor ou enfrentar de peito aberto os inimigos e aceitar as consequências. 

Por mais que o longa seja sensível e ao mesmo tempo doloroso, algumas situações não convencem, como a transformação física do protagonista no terceiro ato a o reencontro que começa na lanchonete na parte final. 

Por tocar em temas polêmicos e atuais, com certeza a crítica especializada irá adorar. Como opinião pessoal, considero um bom filme, mas que poderia ser melhor caso tivesse se aprofundado na vida adulta do protagonista sem enfocar apenas na dúvida sexual da parte final.                                                         

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O Salário do Pecado

O Salário do Pecado (The Naked Street, EUA, 1955) – Nota 6,5
Direção – Maxwell Shane
Elenco – Anthony Quinn, Farley Granger, Anne Bancroft, Peter Graves, Else Neft, Jerry Paris.

Nicky Bradna (Farley Granger) é um vigarista que termina condenado a morte após assassinar um comerciante durante um roubo frustrado. Sua sorte muda quando Phil Regal (Anthony Quinn), um notório líder criminoso, descobre que sua irmã Rosalie (Anne Bancroft) está grávida de Nicky. 

Phil pressiona as testemunhas do crime a mudarem seus depoimentos e consegue a reversão da pena. Nicky se casa Rosalie, porém longe do cunhado continua levando uma vida marginal, saindo com outras mulheres e participando de golpes. A relação entre os cunhados não demora para se transformar em conflito. 

Típico filme policial B doa anos cinquenta, este longa utiliza personagens comuns aos gênero, como o gângster, a jovem apaixonada e os pequenos vigaristas, além de um jornalista (Peter Graves) que narra a história e tem participação importante na trama. 

O destaque maior fica para o elenco. Peter Graves ficaria famoso com a série “Missão Impossível” nos anos sessenta, a então jovem Anne Bancroft se tornaria grande atriz e casaria com o diretor Mel Brooks, enquanto Anthony Quinn está perfeito como o gângster que é ao mesmo tempo violento e sentimental. O elo fraco do elenco fica com Farley Granger, ator do clássico “Pacto Sinistro” de Hitchcock, que não convence como o jovem vigarista. 

É um longa mediano, filmado em preto e branco e indicado para quem gosta do gênero,

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Ressurreição

Ressurreição (Risen, EUA, 2016) – Nota 6
Direção – Kevin Reynolds
Elenco – Joseph Fiennes, Tom Felton, Peter Firth, Cliff Curtis, Maria Botto, Luis Callejo, Antonio Gil, Stewart Scudamore, Richard Atwill.

Após participar de uma batalha contra rebeldes, Clavius (Joseph Fiennes) volta par Jerusalém no mesmo dia em que Jesus Cristo (Cliff Curtis) é crucificado. Com medo do corpo ser resgatado pelos discípulos que acreditam na ressurreição de Jesus após três dias, Pôncio Pilatos (Peter Firth) encarrega Clavius de selar o túmulo. 

Mesmo assim, no terceiro dia o corpo desaparece e alguns fiéis dizem ter visto Jesus vivo. Desta vez, Pilatos ordena que Clavius encontre o corpo antes da notícia se espalhar. Conforme se aprofunda na busca e nos interrogatórios com os discípulos, Clavius fica cada vez mais curioso em saber qual a verdade sobre Jesus. 

Apesar de ter ficado marcado negativamente pela parceria com Kevin Costner no fracassado “Waterworld”,  o diretor Kevin Reynolds tem um competente carreira com bons filmes como “A Fera da Guerra”, “Robin Hood – O Príncipe dos Ladrões” e a minissérie “Hattfields & McCoys”. 

Nesta versão sobre a ressurreição de Jesus, Reynolds explora a história clássica do soldado romano que é convertido, o colocando como testemunha de alguns milagres. É uma escolha que os fiéis mais radicais não irão gostar, pois os milagres e alguns fatos são mostrados de forma diferente ao que está descrito na Bíblia. 

Analisando como cinema, o longa tem um ritmo irregular, principalmente na segunda metade quando testemunhamos a conversão do protagonista, que lembra muito o estilo dos filmes antigos do gênero como “O Rei dos Reis”. 

O elenco também não é dos melhores. Joseph Fiennes parece ter a mesma expressão durante todo o filme. 

A sessão vale apenas como curiosidade. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

The Bay

The Bay (The Bay, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direção – Barry Levinson
Elenco – Kether Donohue, Stephen Kunken, Christopher Denham, Frank Deal, Kristen Connolly, Will Rogers.

Em 2009, no dia da comemoração da Independência Americana, a cidade litorânea de Claridge em Maryland vê sua festa se transformar em horror quando muitas pessoas começam a passar mal. 

O que a princípio parecia uma intoxicação alimentar, não demora para se espalhar pela cidade causando bolhas e terríveis feridas pelo corpo das pessoas, que desesperadas tentam atendimento no único hospital da cidade. 

Por mais que o diretor Barry Levinson tenha comandado alguns filmes sérios como “Sleeppers – A Vingança Adormecida” e “Bugsy”, além de ser um dos produtores da violenta série “Oz – A Vida é uma Prisão”, este “The Bay” é um ponto fora da curva em sua carreira. Na verdade, o longa é muito mais parecido com o estilo de Oren Peli, um dos produtores deste filme e que dirigiu “Atividade Paranormal”. Provavelmente a influência de Oren Peli foi grande no trabalho de Levinson. 

O filme recebeu críticas ruins e acredito que sequer tenha sido lançado nos cinemas no Brasil, porém ao assistir tive uma ótima surpresa. O longa segue o estilo dos falsos documentários utilizando imagens de câmeras de segurança, celulares e skype, entre outros aparatos, para corroborar a denúncia de uma jovem repórter (Kether Donohue) que foi testemunha do ocorrido e que alguns anos depois decidiu contar sua versão da história. 

O roteiro faz uma forte crítica a degradação do meio ambiente através dos resíduos que são descartados de forma criminosa e as consequências que podem ocorrer por causa do fato, lógico que mostrado de uma forma extrema e assustadora, em alguns momentos lembrando o estilo gore. 

O desenvolvimento da trama segue várias personagens. Além da repórter, temos a dupla de cientistas que descobre algo de errado na água, o casal que está viajando para cidade em um barco, o prefeito corrupto, o médico que tenta salvar as pessoas sem saber o que está enfrentando, entre outros. 

É um filme competente na proposta de assustar o espectador, tanto pelas imagens fortes, como pelo terror psicológico de se imaginar que alguma ameaça para saúde pode estar presente em coisas simples do dia a dia que aparentemente são inofensivas.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Dias de Glória

Dias de Glória (Indigenes, Argélia / França / Marrocos / Bélgica, 2006) – Nota 8
Direção – Rachid Bouchareb
Elenco – Jamel Debbouze, Sami Bouajila, Samy Naceri, Roschdy Zem, Bernard Blancan, Mathieu Simonet, Assaad Bouab, Benoit Giros, Mélanie Laurent.

Segunda Guerra Mundial, 1943. Para combater os nazistas, o governo francês recruta soldados nas suas colônias na África. Argelinos e marroquinos se juntam ao exército francês com a promessa de que terão uma vida melhor após vencer a guerra. 

Como promessas geralmente são palavras ao vento, a cada nova missão os soldados africanos percebem que são apenas peões no jogo da guerra. Enquanto os soldados franceses conseguem folgas e promoções, os africanos enfrentam batalhas sem descanso. 

A participação dos soldados africanos na Segunda Guerra é fato pouco explorado no cinema. Mesmo em filmes que mostram batalhas na África, estes personagens eram apenas coadjuvantes. Neste longa, o roteiro segue sete personagens, com destaque para três deles. 

Said (Jamel Debbouze) é um jovem rude que saiu de uma vila isolada, não sabe ler e que se torna uma espécie de secretário do Sargento Martines (Bernard Blancan), que por seu lado esconde suas raízes árabes para manter viva sua ambição de ser promovido. O terceiro e mais importante personagem é o Cabo Abdelkader (Sami Bouajila). Homem estudado, educado e inteligente, luta sempre por um tratamento igualitário entre os soldados franceses e africanos e sonha em fazer carreira no exército. 

É um filme que apresenta ótimas cenas de ação realistas, ao estilo dos anos setenta, tem um roteiro que vai além da guerra e enfoca pessoas comuns que aceitaram lutar acreditando que teriam uma vida melhor após o conflito, muitos sem imaginar que a diferença entre sonho e realidade é enorme. 

Vale destacar a melancólica sequência final, que começa no cemitério e termina em um pequeno apartamento nos dias atuais.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

30 Dias de Noite

30 Dias de Noite (30 Days of Night, EUA / Nova Zelândia, 2007) – Nota 6,5
Direção – David Slade
Elenco – Josh Hartnett, Melissa George, Danny Huston, Ben Foster, Mark Boone Junior, Mark Rendall, Amber Sainsbury, Manu Bennett.

Numa pequena e isolada cidade do Alasca, um dia antes da região ser tomada pela escuridão que dura trinta dias seguidos, um grupo de vampiros chega ao local com o objetivo de se alimentar. 

O xerife Eben (Josh Hartnett), sua esposa Stella (Melissa George) e alguns moradores se abrigam no sótão de uma casa para tentar sobreviver até a volta da luz natural. 

Esta adaptação de uma história em quadrinhos apresenta uma premissa promissora ao criar uma caçada entre vampiros e humanos no meio de uma região isolada coberta de neve. 

Por mais que a parte técnica seja competente, principalmente a cidade montada em estúdio e as cenas de ataque dos vampiros, o longa perde pontos na narrativa irregular e no roteiro que deixa várias pontas. 

Os pulos no tempo e a falta de ação dos vampiros neste período incomodam, assim como alguns personagens que desaparecem e ressurgem na trama sem muita explicação. O personagem mais interessante é o estranho vivido por Ben Foster, que termina por ser pouco explorado. 

O resultado é um filme de terror mediano, daqueles que tendem a cair no esquecimento.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Shade - Nos Bastidores do Jogo

Shade – Nos Bastidores do Jogo (Shade, EUA, 2003) – Nota 6,5
Direção – Damian Nieman
Elenco – Stuart Townsend, Gabriel Byrne, Thandie Newton, Sylvester Stallone, Jamie Foxx, Melanie Griffith, Hal Holbrook, Bo Hopkins, Dina Merrill, Mark Boone Junior, Tony Amendola, Roger Guenveur Smith, Tony Burton.

Miller (Gabriel Byrne) e sua parceira Tiffany (Thandie Newton) são golpistas que agem em Las Vegas. Eles planejam ganhar uma bolada em uma jogatina clandestina. Para isso, eles se unem ao especialista em manipular cartas Vernon (Stuart Townsend) e ao jogador Jennings (Jamie Foxx). Este primeiro golpe é apenas um passo para o objetivo maior, que seria enfrentar Stevens (Sylvester Stallone), considerado uma lenda entre os jogadores de pôquer.  

Cassinos e mesas de jogos são elementos clássicos de filmes sobre golpes. Aqui, o filme explora este contexto e se apoia em personagens marginais que tentam enriquecer na base da esperteza e do talento com as cartas, além de duas reviravoltas não tão surpreendentes assim. 

Apesar da narrativa segurar a curiosidade do espectador, o roteiro falha ao inserir uma participação boba da Máfia. Além disso, as cenas nas mesas de jogos também são mornas. 

Como curiosidade, em um dos diálogos durante uma partida, um personagem é chamado de “Cincinnati”, que seria uma referência ao clássico sobre pôquer “A Mesa do Diabo (The Cincinnati Kid”), longa de Norman Jewison que trazia um sensacional duelo de jogadores entre o então novato Steve McQueen e o veterano Edward G. Robinson.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Duro de Prender

Duro de Prender (Prison, EUA, 1987) – Nota 4
Direção – Renny Harlin
Elenco – Viggo Mortensen, Lane Smith, Chelsea Field, Lincoln Kilpatrick, Tom Everett, Tommy “Tiny” Lister.

Após presenciar uma execução em uma cadeira elétrica na prisão, o guarda Sharpe (Lane Smith) passa a ter sonhos assustadores. Vinte e cinco anos depois, a mesma prisão onde ocorreu execução e que estava abandonada, é reativada através de um projeto e Sharpe é indicado para ser o diretor.

Um novo grupo de detentos é enviado para o local. Assim que é aberta a antiga sala de execuções, descargas elétricas começam a ocorrer, ferindo pessoas e destruindo aparelhos. 

Este filme B somente chegou ao Brasil em vhs no início dos anos noventa, após o diretor finlandês Renny Harlin ficar famoso com “Duro de Matar 2”. A distribuidora brasileira traduziu o título original para “Duro de Prender”, numa tentativa de fazer um paralelo entre os dois filmes. Este tipo de artimanha era comum na época e muitas vezes enganava parte do público.

É um filme ruim, com interpretações caricatas, uma história sem pé nem cabeça e efeitos especiais pra lá de vagabundos. Não vale nem como curiosidade trash. O único fato digno de nota é a presença de Viggo Mortensen antes de ficar famoso. 

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O Duelo & A Caminho do Oeste



O Duelo (The Duel, EUA, 2016) – Nota 6
Direção – Kieran Darcy Smith
Elenco – Woody Harrelson, Liam Hemsworth, Alice Braga, Emory Cohen, Felicity Price, William Sadler, Christopher James Baker, Christopher Berry.

Vinte e dois anos após testemunhar o pai morrer em um duelo de facas, David (Liam Hemsworth) se tornou um Texas Ranger. Ele recebe a missão de investigar o assassinato de mexicanos próximo a uma pequena vila isolada. A missão se torna mais perigosa porque o líder do local é Abraham (Woody Harrelson), o pistoleiro que matou seu pai e que agora diz ter sido tocado por Deus e ganhado a capacidade de curar pessoas. David segue com sua esposa Marisol (Alice Braga) para o local, com o objetivo de descobrir se o sujeito é o responsável pelas mortes dos mexicanos. 

É muito complicado produzir um western que foge dos padrões do gênero. Quase sempre estes experimentos falham. Aqui ocorre exatamente isso. O roteiro tenta transformar o personagem de Woody Harrelson ao mesmo tempo em um líder espiritual de uma seita e um bandido cruel do velho oeste. A narrativa irregular e a “disputa” pela personagem de Alice Braga beiram mais um suspense B do que um western, mesmo que na parte final o diretor explore o clichê do duelo entre os rivais e da violência dos tiroteios. 

O resultado é um filme estranho e irregular.

A Caminho do Oeste (Slow West, Inglaterra / Nova Zelândia, 2015) – Nota 6,5
Direção – John Maclean         
Elenco – Kodi Smit McPhee, Michael Fassbender, Ben Mendelsohn, Caren Pistorius, Andrew Robertt.

Jay (Kodi Smit McPhee) é um jovem escocês que saiu de seu pais natal para encontrar a garota por quem é apaixonado. A garota e o pai fugiram da Escócia e se refugiaram em uma região isolada do oeste americano. Sozinho, um pouco ingênuo e sem entender a brutalidade do local, Jay termina por contratar o pistoleiro Silas (Michael Fassbender) para levá-lo até seu destino. O que Jay não sabe, é que sua amada e o pai são procurados e que Silas pretende receber a recompensa. 

Este western filmado na Nova Zelândia explora a clássica premissa de unir dois personagens completamente diferentes entre si, criando um inusitado laço de amizade. Durante a viagem pela região selvagem, os protagonistas enfrentam índios e bandidos, além de uma dolorosa sequência com um casal desesperado. 

Por mais curioso que pareça por se tratar de um western, o roteiro enfoca também o romance, principalmente em algumas cenas em flashback, além de explorar a busca obstinada do garoto apaixonado interpretado por Kodi Smit McPhee. 

É um faroeste incomum, mesmo com direito a um violento tiroteio na sequência final.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O Grande Desafio

O Grande Desafio (The Great Debaters, EUA, 2007) – Nota 7,5
Direção – Denzel Washington
Elenco – Denzel Washington, Forest Whitaker, Nate Parker, Jurnee Smollett Bell, Denzel Whitaker, Jermaine Williams, John Heard, Kimberly Elise, Gina Ravera, Devyn A. Tyler.

Universidade de Wiley, Texas, 1935. Específica para alunos negros e localizada numa região onde o racismo era muito forte, o aprendizado teria de ir além da sala de aula.

Neste contexto, o professor Melvin Tolson (Denzel Washington) monta uma equipe de alunos para disputar debates com outros colégios. O rebelde Henry (Nate Parker), Hamilton (Jermaine Williams), a novata Samantha (Jurnee Smollett Bell) e o garoto James Farmer Jr (Denzel Whitaker), que é filho do pastor da cidade (Forest Whitaker), são os escolhidos pelo professor. 

Baseado em uma história real, este competente longa dirigido pelo astro Denzel Washington vai além da luta contra o preconceito racial. A proposta do personagem principal era que qualquer pessoa poderia mudar sua vida através da educação e por consequência com o conhecimento de seus direitos e deveres, mesmo vivendo em uma sociedade extremamente injusta. 

O roteiro não se aprofunda em alguns pontos, como a simpatia do personagem principal pelo comunismo e a sua vida como uma espécie de líder comunitário que tentava unir brancos e negros. 

No elenco, além das presenças sempre marcantes de Denzel Washington e Forest Whitaker, vale destacar a espontânea interpretação do garoto Denzel Whitaker, que não tem parentesco algum com os atores, mas que por coincidência carrega seus nomes. O garoto é o protagonista de algumas sequências importantes, principalmente seu discurso no debate final. 

É um filme sem surpresas, mas que cumpre o que promete.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Quase um Segredo

Quase um Segredo ou Pacto Maldito (Mean Creek, EUA, 2004) – Nota 7,5
Direção – Jacob Aaron Estes
Elenco – Rory Culkin, Ryan Kelley, Scott Mechlowicz, Trevor Morgan, Josh Peck, Carly Schroeder.

Sam (Rory Culkin) é agredido por um garoto maior e gordinho chamado George (Josh Peck). O irmão de Sam, Rocky (Trevor Morgan), convence dois colegas (Scott Mechlowicz e Ryan Kelly), além do próprio irmão para aplicarem um trote em George. 

Eles fingem que são amigos de George e o convidam para passear de barco em um rio nos arredores da cidade, como se fosse para comemorar o aniversário de Sam. Junto com os garotos segue a menina Millie (Carly Schroeder). Lógico que a brincadeira não acabará bem. 

Apesar de ficar claro desde início o que ocorrerá no passeio, o diretor Jacob Aaron Estes consegue cativar o espectador através do desenvolvimento dos personagens e do clima de tristeza e melancolia que permeia a vida dos mesmos. 

Os seis personagens em algum momento do filme demonstram o lado bom e também o lado ruim. O problema é que quando o lado ruim surge, os conflitos são potencializados pelo furor da adolescência e pelas frustrações pessoais que cada um carrega. 

É um filme triste, que faz pensar sobre as crises da adolescência e a dificuldade em se colocar no lugar do próximo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Animais Noturnos

Animais Noturnos (Nocturnal Animals, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Tom Ford
Elenco – Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon, Aaron Taylor Johnson, Isla Fisher, Ellie Bamber, Armie Hammer, Karl Glusman, Robert Aramayo, Laura Linney, Andrea Riseborough, Michael Sheen.

Três narrativas em períodos diferentes amarram este interessante longa sobre vingança.

Nos dias atuais, Susan (Amy Adams), que é dona de uma galeria de arte, passa por uma crise no casamento com Hutton (Armie Hammer). Ao receber uma cópia do livro que o ex-marido Edward (Jake Gyllenhaal) terminou de escrever, Susan mergulha na assustadora trama literária e relembra o antigo relacionamento.

Estas duas narrativas são mostradas em flashback. A relação do ex-casal não chega a empolgar. Vemos o encontro que deu inicio ao namoro e as diferenças que levaram a separação. A crise de Susan com o marido também é desenvolvida friamente.  

A narrativa mais forte é com certeza a terceira, que foca na trama do livro. Nele, um pai de família chamado Tony Hastings (Jake Gyllenhaal novamente), sua esposa (Isla Fisher) e sua filha adolescente (Ellie Bambier) são perseguidos em uma estrada deserta do Texas por um carro com três sujeitos perigosos, situação que resulta em consequências trágicas.

É um filme que dividiu a crítica. A ótima parte técnica e a narrativa estilosa chamam a atenção, por outro lado, a diferença de qualidade das tramas atrapalha um pouco. Os dramas dos casamentos da personagem de Amy Adams perdem muito em relação a trama do livro, que por si só carrega o filme. Mesmo que a cena final entregue a verdade, é legal a pequena dúvida que fica durante o filme, se realmente a história do livro ocorreu ou não com o escritor. 

Por mais que Amy Adams e Jake Gyllenhall tenham atuações corretas, os destaques do elenco ficam para dois coadjuvantes. O sempre marcante Michael Shannon rouba a cena como o policial texano clássico e um irreconhecível Aaron Taylor Johnson se mostra assustador como um dos delinquentes da estrada. 

Apesar da irregularidade, o resultado é bom filme.