segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Nos Bastidores da Notícia

Nos Bastidores da Notícia (Broadcast News, EUA, 1987) – Nota 7
Direção – James L. Brooks
Elenco – William Hurt, Albert Brooks, Holly Hunter, Jack Nicholson, Robert Prosky, Lois Chiles, Joan Cusack, Christian Clemenson.

Jane (Holly Hunter) é uma produtora de tv que trabalha em um programa de notícias. Aaron (Albert Brooks) é o repórter investigativo. Os dois são muito amigos e acreditam no jornalismo com seriedade. 

Quando o canal contrata Tom (William Hurt) para ser o âncora do jornal local em Washington, tudo muda na relação entre os dois. Apesar de ter experiência como apresentador de tv, Tom sequer é jornalista. Ele mesmo confessa que conseguiu o emprego e a carreira por causa da apresentação pessoal. A atração que Jane passa a sentir por Tom, se transforma em uma batalha entre seus princípios e seu coração. 

Este longa foi lançado na época com grande expectativa, pois seria o primeiro trabalho de James L. Brooks após o grande sucesso de “Laços de Ternura”, que marcou sua estreia como diretor. O resultado acaba ficando no meio do caminho entre um drama romântico e uma crítica as mudanças que o jornalismo começava a enfrentar na época. 

O diferencial no triângulo entre os protagonistas são as neuroses que cada personagem carrega, valorizadas pelas boas interpretações. Na minha opinião, o ponto mais interessante é a forma como o jornalismo estava se transformando em entretenimento, colocando a notícia como detalhe e focando nos dramas rasos e nas aparências. O personagem de William Hurt personificava uma nova era que transformaria o jornalista puro em algo coadjuvante. 

Na parte final, o roteiro ainda faz uma crítica sobre como o ser humano é descartável no mercado de trabalho, outro fato que começava a virar rotina nos anos oitenta e que hoje infelizmente é algo comum. 

É um filme mais interessante pelas entrelinhas do roteiro do que como cinema.

domingo, 13 de novembro de 2016

Entrevista com o Vampiro & Um Drink no Inferno


Entrevista Com o Vampiro (Interview With the Vampire: The Vampire Chronicles, EUA, 1994) – Nota 7,5
Direção – Neil Jordan
Elenco – Tom Cruise, Brad Pitt, Kirsten Dunst, Antonio Banderas, Stephen Rea, Christian Slater, Thandie Newton.

New Orleans, 1994. Um repórter (Christian Slater) consegue uma entrevista com um enigmático sujeito chamado Louis (Brad Pitt), que diz ter mais de duzentos anos e ser um vampiro. A princípio ouvindo a história com incredulidade, aos poucos o jornalista percebe que tudo pode ser verdade.

A trama volta para a mesma New Orleans no século XVIII, quanto o então jovem Louis é atacado pelo vampiro Lestat (Brad Pitt). A vida eterna de um vampiro que Lestat acredita ser um presente, Louis vê como uma maldição.

A relação dos dois fica mais complicada quando Lestat transforma a garotinha Claudia (Kirsten Dunst). Com o passar do tempo, Louis e Claudia se unem contra Lestat e chegam a fugir para Paris, onde encontram Armand (Antonio Banderas), que seria o vampiro mais velho do mundo.

O livro de Anne Rice que deu origem ao filme era um best seller que os fãs clamavam pela adaptação ao cinema. Os produtores claramente visaram o público feminino ao escalar o trio Cruise/Pitt/Banderas, o que resultou em um grande sucesso de bilheteria.

Apesar de ser um belíssimo filme na questão técnica, principalmente cenários, figurino e reconstituição de época, além do clima soturno pontuado pelo trilha sonora de Elliot Goldenthal, a história não me agrada totalmente. Eu prefiro filmes de vampiros voltados para o terror puro, diferente deste que é praticamente um drama. Como citei anteriormente, vejo como um longa produzido para os fãs da obra literária e para o público feminino da época.

Um Drink no Inferno (From Dusk Till Dawn, EUA, 1996) – Nota 7,5
Direção – Robert Rodriguez
Elenco – George Clooney, Quentin Tarantino, Harvey Keitel, Juliette Lewis, Cheech Marin, Salma Hayek, Fred Williamson, Tom Savini, Danny Trejo, Ernest Liu, Michael Parks, John Saxon


Os irmãos Seth (George Clooney) e Richard Gecko (Quentin Tarantino) assaltam um banco em Abilene, deixam um rastro de mortes e fogem em direção ao México. No meio do caminho, sequestram um ex-pastor (Harvey Keitel) e seu casal de filhos (Juliette Lewis e Ernest Liu). A noite, decidem fazer uma nova parada em um bar de beira de estrada onde a dupla encontraria um outro parceiro (Cheech Marin). O que eles não imaginam é que o bar está repleto de vampiros que precisam se alimentar a noite. 

Este divertido e escrachado filme de terror é uma parceria maluca entre Robert Rodriguez e Quentin Tarantino. Os exageros visuais de Rodriguez se unem ao talento de Tarantino para criar personagens e escrever diálogos. É basicamente um filme de terror B elevado a última potência de violência. 

Apesar dos diretores terem deixado de lado o projeto em seguida, o sucesso do longa gerou duas sequências lançadas diretamente em dvd. Rodriguez retomou a historia numa recente série de tv que já está na terceira temporada. 

sábado, 12 de novembro de 2016

Cem Anos de Perdão

Cem Anos de Perdão (Cien Años de Perdón, Espanha / Argentina / França, 2016) – Nota 8
Direção – Daniel Calparsoro
Elenco – Luis Tosar, Rodrigo De la Serna, Raul Arévalo, José Coronado, Patricia Vico, Joaquin Furriel, Luciana Caceres, Marian Alvarez, Luis Callejo.

Uma quadrilha invade um banco no centro de Valência na Espanha. Liderados por Uruguaio (o argentino Rodrigo De la Serna) e Gallego (o espanhol Luis Tosar), o grupo parece não ter pressa para fugir do local. 

Eles obrigam a gerente (Patricia Vico) a abrir o cofre e em seguida violam uma a uma as caixas de valores dos clientes. Não demora para a polícia cercar o prédio e o espectador descobrir que os ladrões tem um plano especial para escapar. 

O grande acerto deste longa é o competente roteiro que explora a clássica trama de roubo a banco de uma forma inteligente, apresentando surpresas e criando reviravoltas que envolvem segredos entre os ladrões, a gerente do banco e várias autoridades que temem por provas de corrupção que estão escondidas na agência. Até mesmo a forte chuva que é mostrada no inicio do filme e que castiga a cidade no dia do assalto, acaba por ter vital importância na história. 

Para quem gosta do gênero, o longa é uma ótima opção. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Sala Verde

Sala Verde (Green Room, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Jeremy Saulnier
Elenco – Anton Yelchin, Imogen Poots, Joe Cole, Patrick Stewart, Alia Shawkat, Callum Turner, David W. Thompson, Mark Webber, Macon Blair.

Um banda de punk rock (Anton Yelchin, Joe Cole, Alia Shawkat e Callum Turner) é entrevistada por um jovem punk para uma rádio universitária. Precisando de dinheiro, a banda aceita o convite do rapaz para tocarem em uma região rural de Portland, para um público de skinheads. 

Após o final do show, um dos integrantes se torna testemunha de um crime. Eles terminam barrados pelos seguranças e presos em uma sala enquanto o dono do estabelecimento (Patrick Stewart) e a polícia não chegarem ao local. É o início de uma noite de terror. 

Misturando trama policial, suspense e até sequências que beiram o gore, este violento longa é uma surpresa insana concebida pelo desconhecido diretor e roteirista Jeremy Saulnier. O estilo e o formato é de filme B, com cenas escuras dentro do decadente bar e algumas na floresta ao redor. 

O filme perde alguns pontos pelo roteiro confuso, que não explica direito o porquê do crime inicial e também toda a preparação dos vilões para atacar e culpar os jovens. 

Vale destacar o falecido Anton Yelchin em um dos seus últimos trabalhos e o “Dr. Xavier” Patrick Stewart como o chefão dos skinheads. 

É um longa indicado para quem gosta de obras violentas.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Operações Especiais

Operações Especiais (Brasil, 2015) – Nota 6,5
Direção – Tomás Portella
Elenco – Cleo Pires, Marcos Caruso, Fabricio Boliveira, Thiago Martins, Fabiula Nascimento, Fábio Lago, Antonio Tabet.

Após presenciar um assalto no hotel onde trabalha, a bela Francis (Cleo Pires) decide prestar concurso para a polícia civil. Ela é aprovada e inicia no cargo em um serviço administrativo. 

Para sua surpresa, ela é convocada para participar de um grupo especial que terá a missão de capturar criminosos foragidos que estão aterrorizando uma pequena cidade no interior do Rio de Janeiro. 

Sem experiência alguma em campo e tendo de enfrentar o preconceito dos policiais que não acreditam que ela possa aguentar o trabalho, Francis precisará provar o contrário. 

Apesar do roteiro ser um pouco confuso em relação a trama de corrupção, não apresentar surpresas e explorar o clichê da questão da superação de obstáculos pela protagonista, o filme ganha pontos pelas tensas cenas de ação. 

A sequência da perseguição de carros na beira do córrego ao lado da favela, a invasão do apartamento e o tiroteio na parte final são bem filmados e passam toda a sensação de medo da protagonista. 

Mesmo não sendo fácil acreditar na belíssima Cleo Pires como policial, ela dá conta do recado. Destaque ainda para o ótimo Marcos Caruso como o delegado experiente e honesto e Fabricio Boliveira no papel do policial que se torna amigo da protagonista. 

É um filme razoável, nada mais do que isso.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Independence Day (1996 & 2016)


Independence Day (Independence Day, EUA, 1996) – Nota 7
Direção – Roland Emmerich
Elenco – Bill Pullman, Will Smith, Jeff Goldblum, Mary MacDonnell, Robert Loggia, Margaret Colin, Judd Hirsch, Adam Baldwin, Randy Quaid, Harvey Fierstein, James Rebhorn, Brent Spiner , James Duval, Harry Connick Jr, Lisa Jakub.

Um gigantesco objeto entra na órbita da Terra. Os sinais de tv sofrem uma grande interferência e o operador de um canal, David Levinson (Jeff Goldblum), capta um estranho sinal vindo do espaço. Ele tenta avisar o governo sem sucesso. Ao mesmo tempo, o presidente americano (Bill Pullman) está em reunião com a alta cúpula para analisar o que seria o objeto não identificado. A força aérea fica de prontidão, com destaque para o Capitão Hiller (Will Smith). As respostas não demoram a aparecer. Logo, naves alienígenas iniciam um ataque. 

Com uma enorme campanha de marketing e ótimas cenas de ação, este blockbuster se tornou um sucesso mundial utilizando o melhor que os efeitos especiais podiam oferecer na época. As grandiosas cenas de destruição de monumentos mundiais e as batalhas aéreas eram os grandes destaques, sendo o primeiro filme em que o diretor alemão Roland Emmerich mostrou seu gosto pelo exagero. 

O roteiro escrito por ele também exagera no patriotismo, incluindo o clichê das salva de palmas dos coadjuvantes e um discurso inflamado do presidente. Algumas piadas idiotas são inseridas nos diálogos, principalmente a cargo de Will Smith e do veterano Judd Hirsch, que interpreta o pai do personagem de Jeff Goldblum, mas ainda em um nível menor dos que os trabalhos posteriores do diretor. 

O resultado é um competente blockbuster.

Independence Day: O Ressurgimento (Independence Day: Resurgence, EUA, 2016) – Nota 5
Direção – Roland Emmerich
Elenco – Liam Hemsworth, Jeff Goldblum, Bill Pullman, Jessie T. Usher, Maika Monroe, Judd Hirsch, Sela Word, William Fichtner, Brent Spiner, Patrick St. Espirit, Vivica A. Fox, Angelababy, Charlotte Gainsbourg, Deobia Oparei, Nicolas Wright, Travis Topem, Chin Han, Robert Loggia.

Vinte anos após o mundo vencer a batalha contra os invasores alienígenas, os governos construíram uma base avançada na lua. Mesmo com esta precaução, uma nave alienígena ainda maior que a antiga chega à Terra causando destruição. A única chance de salvar o planeta é descobrir o ponto fraco para destruir a nave. Um grupo de pilotos é encarregado de enfrentar a ameaça. 

Nos vinte anos que separam o original desta sequência, Roland Emmerich deixou de ser visto como um diretor criativo, vide “Stargate” e o pouco conhecido “Estação 44”, para se transformar em um operário criador de blockbusters vazios. 

Chega a ser inacreditável a ruindade dos diálogos nesta sequência. Os jovens personagens soltam piadas idiotas em vários momentos. Jeff Goldblum tenta dar alguma dignidade a seu personagem, enquanto o ex-presidente de Bill Pullman se transforma de um idoso confuso em herói, como se fosse um milagre.

No máximo, a geração que curte games poderá achar legal as cenas de ação. Ao resto do público, resta fugir desta bomba. 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

American Crime Story - The People v. O. J. Simpson

American Crime Story – The People v. O. J. Simpson (American Crime Story – The People v. O. J. Simpson, EUA, 2016) – Nota 9
Direção – Ryan Murphy, Anthony Hemingway & John Singleton
Elenco – Sarah Paulson, John Travolta, Cuba Gooding Jr, Sterling K. Brown, Courtney B. Vance, David Schwimmer, Kenneth Choi, Bruce Greenwood, Nathan Lane, Rob Morrow, Dale Godboldo, Jordana Brewster, Chris Bauer, Michael McGrady, Steven Pasquale, Christian Clemenson.

Los Angeles, 12 de Junho de 1994. Um vizinho encontra um rastro de sangue que leva a um casal que foi brutalmente assassinado a facadas. Os detetives são chamados e identificam as vítimas como Nicole Brown Simpson e Ron Goldman. Nicole é ex-esposa do aposentado astro de futebol americano e ator de cinema O. J. Simpson (Cuba Gooding Jr). 

Ao seguirem para casa de Simpson, que fica a poucos metros do local, os detetives descobrem que na mesma noite ele viajou rapidamente para Chicago. As pistas colhidas pelos detetives apontam para Simpson. A partir daí, a mídia transforma o caso em um verdadeiro circo. 

Esta famosa história real contada em formato de minissérie com dez episódios detalha todos os acontecimentos desde o crime até o veredito. Para quem não conhece a história ou sabe pouco sobre ela, O. J. Simpson era um sujeito pobre que se tornou ícone do esporte e posteriormente uma celebridade. Quando ocorreu o crime em 1994, apesar da repercussão ser grande também por aqui, a internet ainda estava em seus primórdios, assim a fonte principal das notícias era a tv, que pouco detalhava a situação. 

Além de dissecar a história, esta minissérie apresenta um ótimo desenvolvimento de personagens, mostrando em detalhes as motivações, ambições e fraquezas de cada um, principalmente a verdadeira batalha travada entre os advogados, que incluem acusações de racismo, preconceito, segredos informados para imprensa e todo tipo de jogada para vencer o julgamento. 

De um lado a promotoria comandada pela ambiciosa Marcia Clark (Sarah Paulson), que sofre por estar passando por um processo de disputa de filhos com o ex-marido e que não se sente à vontade ao ser “julgada” pela mídia. Seu braço direito é Chris Darden (Sterling K. Brown), um negro que fica pressionado por estar processando outro negro. 

Do outro lado, para defender Simpson, um grupo de advogados egocêntricos não mede esforços para inocentar o cliente, mesmo usando subterfúgios e táticas sujas. Robert Shapiro (John Travolta), Johnny Cochran (Courtney B. Vance), F. Lee Bailey (Nathan Lane), Alan Dershowitz (Evan Handler) e Robert Kardashian (David Schwimmer), este último o único amigo de Simpson que fica a seu lado durante o processo. 

Uma informação curiosa que descobri ao assistir a minissérie é sobre Robert Kardashian. Hoje falecido, ele era um empresário de origem armênia e pai das irmãs Kardashian, que hoje são celebridades polêmicas. Aqui, elas eram ainda crianças e se mostravam empolgadas com o pai aparecendo na tv, que por seu lado tentava em vão durante uma sequência na lanchonete explicar que o importante é o caráter e não a fama. 

É uma história tão sensacional e repleta de reviravoltas que parece ficção assinada por um roteirista criativo, deixando ainda claro que a justiça americana está longe de ser “justa”, muitas vezes o que vale é o talento e os recursos que os advogados possuem para contar sua história e criar a chamada “Dúvida Razoável (Reasonable Doubt)” no juri.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Regresso do Mal

Regresso do Mal (Pay the Ghost, Canadá, 2015) – Nota 5,5
Direção – Uli Edel
Elenco – Nicolas Cage, Sarah Wayne Callies, Veronica Ferres, Lyriq Bent, Jack Fulton.

Nova York, noite de Halloween. O professor Mike Lawford (Nicolas Cage) chega em casa atrasado após um dia corrido de trabalho e encontra a esposa Kristen (Sarah Wayne Callies) voltando após levar o filho do casal, o garoto Charlie (Jack Fulton), para pegar doces. 

A pedido do filho, Mike aceita passear mais um pouco em uma espécie de carnaval que ocorre em uma rua próxima. No local, o garoto começa a ter visões de uma estranha figura e acaba desaparecendo sem deixar vestígios. A situação destroça o casamento e cria em Mike uma obsessão em localizar o filho. 

É inacreditável a capacidade de Nicolas Cage em escolher roteiros ruins. Nos últimos anos, para dois bons trabalhos como “Joe” e “Kick-Ass”, existem pelo menos outros dez filmes fracos. Este que comento aqui é um amontoado de clichês. Temos a lenda sobre um espírito que quer vingança, o garotinho alvo do espírito, as aparições em flashes no escuro, o policial perdido na trama e até uma vidente que surge em uma breve sequência. O resultado é um verdadeiro desperdício de tempo do espectador.

domingo, 6 de novembro de 2016

Desencanto

Desencanto (Brief Encounter, Inglaterra, 1945) – Nota 8
Direção – David Lean
Elenco – Celia Johnson, Trevor Howard, Stanley Holloway, Joyce Carey, Cyril Raymond.

Laura (Celia Johnson) é uma mulher casada que vive numa bela casa em uma pequena cidade da Inglaterra. Todas as quintas-feiras ela segue de trem até uma cidade maior para fazer compras e ir ao cinema. 

Em um destes passeios, no momento de voltar, ela cruza o caminho do médico Alec (Trevor Howard) enquanto aguarda o trem no café da estação. O encontro casual se repete na semana seguinte, despertando um inesperado amor proibido, já que Alec também é casado. 

O grande diretor inglês David Lean ("A Ponte do Rio Kwai" e "Passagem Para a Índia") consegue criar um grande filme de forma extremamente simples. É uma história de amor aparentemente comum, mas que o diretor transforma numa relação de culpa e remorso que corrói os dois personagens, principalmente a mulher. 

Por sinal, um dos acertos de Lean é detalhar a relação pelos olhos da mulher, que narra seus sentimentos e angústias para o espectador, pois como ela mesma diz, não tem amigas confiáveis com quem possa compartilhar seu segredo e muito menos contar para o marido. 

A atuação de Celia Johnson é o destaque. Ela foi uma atriz que dedicou praticamente toda carreira para filmes e séries na tv inglesa. 

sábado, 5 de novembro de 2016

Capitão Fantástico

Capitão Fantástico (Captain Fantastic, EUA, 2016) – Nota 8
Direção – Matt Ross
Elenco – Viggo Mortensen, George MacKay, Samantha Isler, Annalise Basso, Nicholas Hamilton, Shree Crooks, Charlie Shotwell, Frank Langella, Ann Dowd, Kathryn Hann, Steve Zahn, Missi Pyle, Erin Moriarty.

Ben (Viggo Mortensen) cria seis filhos em uma casa no meio da floresta. Sendo ao mesmo tempo pai, professor e treinador dos filhos, Ben os ensina a viver com o que a natureza lhes oferece. 

Este estilo de vida sofre uma reviravolta quando ele recebe a notícia de que sua esposa cometeu suicídio. Ela estava internada em um hospital psiquiátrico para tratamento por ser bipolar. 

O sogro (Frank Langella) culpa Ben pelo problema da filha e o proíbe de ir ao funeral. Mesmo assim, a pressão dos filhos que desejam ser despedir da mãe é mais forte e Ben decide levá-los para participarem da cerimônia. 

O roteiro escrito pelo diretor Matt Ross faz o espectador pensar sobre os dois lados da mesma moeda. O que é melhor, levar uma vida comum preso as obrigações do sistema ou abandonar tudo e abraçar a natureza como forma de viver melhor? 

Este conflito é delineado em vários momentos, como quando a família de Ben encontra um casal de tios (Kathryn Hann e Steve Zahn) e seus filhos adolescentes que apresentam o videogame para as crianças, a rápida sequência na lanchonete e o encontro do filho mais velho (George MacKay) com uma garota (Erin Moriarthy). 

A relação entre pais e filhos também faz pensar. Por mais que os pais acreditem que estejam procurando o melhor para os filhos, nem sempre eles desejam a mesma coisa. 

Esta sensível história é valorizada pelas interpretações de todo o elenco, inclusive das crianças, com destaque para Viggo Mortensen, ator mais conhecido por seu trabalho na trilogia “Senhor dos Anéis”, mas que a cada ano se arrisca em filmes que fogem do lugar comum, inclusive produções rodadas fora dos Estados Unidos.

Finalizando, fica a expectativa da sequência da carreira de Matt Ross como diretor, que aqui se mostra extremamente promissora.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Um Sábado Violento

Um Sábado Violento (Violent Saturday, EUA, 1955) – Nota 7,5
Direção – Richard Fleischer
Elenco – Victor Mature, Richard Egan, Stephen McNally. Virginia Leith, Tommy Noonan, Lee Marvin, J. Carrol Naish, Margareth Hayes, Silvia Sidney, Ernest Borgnine, Brad Dexter.

Três sujeitos (Stephen McNally, Lee Marvin e J. Carrol Naish) chegam a uma cidade do Arizona com o objetivo de assaltar o banco local. 

Durante dois dias, eles planejam o assalto analisando detalhes como o horário em que o cofre é aberto pelo gerente e o local que poderão utilizar como esconderijo para trocar de automóvel e fugir. Em paralelo, o roteiro segue a rotina de vários moradores da cidade e os problemas que eles enfrentam, sem imaginar que o assalto mudará a vida de alguns deles. 

O diretor Richard Fleischer era um competente artesão hollywoodiano que comandou filmes marcantes como “20.000 Léguas Submarinas” e “Rumo ao Inferno”. Aqui, ele mostra talento ao amarrar o destino de vários personagens com o assalto.

Temos o sujeito mais rico da cidade (Richard Egan) que sofre com um casamento falido, a jovem enfermeira (Virginia Leith) que desperta paixões, inclusive no inseguro gerente do banco (Tommy Noonan), a religiosa família amish que mora em uma fazenda (o patriarca é Ernest Borgnine) e por fim o supervisor de obras que ama a família (Victor Mature). Aparentemente é uma história simples sobre um assalto, mas que ganha pontos pelo desenvolvimento dos personagens.

Vale destacar ainda a agitada meia-hora final após o crime ser consumado. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

American Buffalo

American Buffalo (American Buffalo, EUA, 1996) – Nota 5,5
Direção – Michael Corrente
Elenco – Dustin Hoffman, Dennis Franz, Sean Nelson.

Em um bairro pobre, Don (Dennis Franz) é dono de uma decadente loja de penhores. O adolescente Bob (Sean Nelson) é uma espécie de protegido que faz pequenos serviços para Don. Teach (Dustin Hoffman) é um desocupado com passado criminoso que gasta o tempo jogando conversa fora na loja. 

Quando Don descobre que vendeu uma moeda rara por um valor baixo sem saber de sua importância, ele arma um plano para invadir a casa do comprador e retomar a moeda para revendê-la a um colecionador. 

Baseado numa peça de David Mamet, que também assina o roteiro, este longa sofre pela história excessivamente teatral, resultando em uma hora e meia de falatório contínuo que parece não chegar a lugar algum. Até mesmo a “surpresa” final passa longe de empolgar. Mamet escreveu roteiros melhores que ele mesmo dirigiu como “O Jogo de Emoções” e “As Coisas Mudam”. 

Mesmo na época do lançamento, com Dustin Hoffman ainda estando em um grande fase da carreira e Dennis Franz no auge da fama ao protagonizar o seriado “Nova York Contra o Crime – NYPD Blue”, o longa foi um merecido fracasso. 

Como curiosidade, após o final da série em 2005, Dennis Franz encerrou a carreira. Na época ele tinha apenas sessenta e um anos. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Um Momento Pode Mudar Tudo

Um Momento Pode Mudar Tudo (You’re Not You, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – George C. Wolfe
Elenco – Hilary Swank, Emmy Rossum, Josh Duhamel, Jason Ritter, Stephanie Beatriz, Julian McMahon, Ali Larter, Andrea Savage, Mike Doyle, Gerald Downey, Loretta Devine, Ermie Hudson, Marcia Gay Harden, Frances Fisher. Ed Begley Jr.

A pianista Kate (Hilary Swank) e o executivo Evan (Josh Duhamel) formam o casal perfeito e apaixonado. Quando Kate descobre que sofre de uma doença degenerativa, tudo muda. 

Mesmo com Evan se dedicando a cuidar da esposa, torna-se necessário contratar uma cuidadora. Kate escolhe a jovem Bec (Emmy Rossum), que não tem experiência no assunto. A espontaneidade da garota chama a atenção de Kate, que aos poucos cria um inusitado laço de amizade. 

O filme é baseado em um best seller e tem muitas semelhanças com o superior drama francês “Intocáveis”. 

Por mais que as atuações de Hilary Swank e Emmy Rossum sejam convincentes, a história explora os clichês do gênero dos filmes sobre doenças. Praticamente tudo que acontece na trama é esperado pelo cinéfilo acostumado com o gênero. 

É um filme correto que com certeza fez e fará muitas pessoas se emocionarem, mas particularmente não consegui criar empatia pelos personagens ou pela história.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi

13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi (13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi, EUA, 2016) – Nota 8
Direção – Michael Bay
Elenco – John Krasinski, James Badge Dale, Pablo Schreiber, David Denman, Dominic Fumusa, Max Martini, David Costabile, Alexia Barlier, Peyman Moaadi, Matt Letscher, Tony Stephens, Demetrius Grosse, David Giuntoli.

Em 2012, após a queda do ditador Muammar Kadafi, o governo americano criou uma base secreta da CIA em Benghazi e outra em Tripoli na Líbia. 

A aliança com um dos grupos paramilitares que lutam no país é utilizada como segurança da base em Benghazi, com o apoio de uma equipe de ex-soldados que trabalha de forma clandestina no país. 

Alguns dias antes do aniversário de 11 de Setembro, a casa do embaixador americano que fica próxima da base é atacada por um grupo rebelde, que em seguida prepara também um ataque ao esconderijo da CIA. 

A história real deste conflito veio à tona junto com a disputa eleitoral americana, pois na época do ataque a Secretária de Defesa era Hilary Clinton, que aparentemente se omitiu da situação, deixando a bomba explodir no colo dos soldados que defendiam a base. 

Deixando de lado a questão política e analisando como cinema de entretenimento, o filme é um dos grandes acertos da carreira do contestado Michael Bay. Muitos críticos viram a cara só de ver o nome do diretor, o que eu não concordo. Bay errou a mão em exageros como “Pearl Harbor” e “Os Bad Boys II”, mas por outro lado, trabalhos como “A Rocha” e o primeiro “Os Bad Boys” são sensacionais como filmes de ação. 

Neste novo trabalho, Bay consegue equilibrar as cenas de ação grandiosas com a trama política, lógico que sem se aprofundar, pois o foco do diretor é o divertimento. Faço uma comparação com o sensacional “Falcão Negro em Perigo”, que por acaso é citado em um diálogo no longa e que por ter sido dirigido por Ridley Scott é considerado um filmaço de ação. 

É um filme indicado para quem não tem preconceitos com nome de diretor e quer apenas duas horas e meia de ação quase ininterrupta.