segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Kumiko, a Caçadora de Tesouros

Kumiko, a Caçadora de Tesouros (Kumiko, the Treasure Hunter, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – David Zellner
Elenco – Rinko Kikuchi, David Zellner, Shirley Venard, Nathan Zellner.

Kumiko (Rinko Kikuchi) é uma solitária japonesa que trabalha como uma espécie de office girl em uma empresa em Tóquio. 

Odiando seu trabalho e tendo uma enorme dificuldade em se relacionar, Kumiko acredita que pode mudar de vida ao encontrar uma velha fita vhs com o filme “Fargo” dos Irmãos Cohen. 

Ao ler que o filme é baseado em uma história real e assistir uma cena em que o personagem do ator Steve Buscemi esconde uma mala cheia de dinheiro debaixo da neve ao lado de uma cerca, Kumiko decide iniciar uma caçada ao tesouro imaginário. É o início de uma inusitada saga de Tóquio até Minnesota. 

Um dos produtores deste longa independente é o competente diretor Alexander Payne (“Sideways”, “Nebraska”). O estilo mostrado aqui pelo desconhecido diretor David Zellner lembra um pouco os filmes de Payne. Um ritmo lento, uma história que mescla momentos absurdos, engraçados e tristes, além de uma protagonista obcecada por seu objetivo, mesmo sendo parte de uma loucura. 

A personagem de Rinko Kikuchi (“Babel”, “Círculo de Fogo”) também demonstra uma apatia assustadora quando precisa interagir, situação que é explicada um pouco a cada vez que ela tenta conversar com a mãe pelo telefone. 

É um filme indicado para quem gosta de obras diferentes.

domingo, 30 de outubro de 2016

Filmes Policiais Anos 80 - Resenhas Rápidas

Por Trás de um Assassinato (Flashpoint, EUA, 1984) – Nota 6
Direção – William Tannen
Elenco – Kris Kristofferson, Treat Williams, Rip Torn, Kevin Conway, Kurtwood Smith, Miguel Ferrer, Jean Smart, Tess Harper, Roberts Blossom, Guy Boyd.

Logan (Kris Kristofferson) e Wyatt (Treat Williams) são policiais que trabalham na fronteira dos Estados Unidos com o México. Durante uma patrulha pelo deserto, Logan encontra um carro enterrado com um esqueleto e uma mala cheia de dinheiro. Ele vê no dinheiro a chance de mudar de vida. Mesmo com dúvida sobre o que fazer, Wyatt aceita se associar ao amigo, mas antes de utilizarem o dinheiro, decidem investigar sua procedência. Neste meio tempo, agentes do FBI aparecem na cidade para investigar um caso de tráfico de drogas. A trama prende a atenção e não ofende a inteligência do espectador, explorando bem os cenários naturais do deserto do Novo México, inclusive com algumas razoáveis cenas de ação.

O Prêmio do Assassino (Badge of the Assassin, EUA, 1985) – Nota 6,5
Direção – Mel Damski
Elenco – James Woods, Yaphet Kotto, Alex Rocco, David Harris, Steven Keats, Larry Riley, Pam Grier, Rae Dawn Chong, Richard Bradford, Akousa Busia, Richard Brooks, Kene Holliday.

Em Nova York, dois policiais (um branco e outro negro) são atraídos para uma chamada falsa e terminam assassinados por três militantes negros. A investigação fica a cargo de uma dupla de detetives (o negro Yaphett Kotto e o branco Alex Rocco), que terá apoio de um promotor (James Woods). Todos os envolvidos são pressionados para resolver o caso com rapidez, principalmente por envolver a questão racial. Produzido para tv, este longa é baseado numa história real que rendeu dois julgamentos. O ponto principal é a história que explora as consequências políticas do crime, a investigação e os julgamentos. 

Um Salto na Escuridão (Out of the Darkness, EUA, 1985) – Nota 6
Direção – Jud Taylor
Elenco – Martin Sheen, Hector Elizondo, Matt Clark, Jennifer Salt, Val Avery, Sam McMurray, Joe Spinell, Eriq LaSalle, D. B. Sweeney, Charlie Sheen. Robert Trebor.

Esta produção para tv acompanha a investigação da polícia na busca pelo assassino serial conhecido como “O Filho de Sam”, que apavorou a cidade de Nova York em meados dos anos setenta. O personagem principal é o detetive Eddie Zigo (Martin Sheen), figura real que participou da captura do criminoso. Mesmo tendo alguns bons momentos de investigação e suspense, a premissa é mais interessante do que o filme, que sofre pelas limitações de ser uma produção para tv e que ainda altera várias situações, inclusive a forma como o assassino foi preso. A história real merece um filme melhor ao estilo de “O Zodíaco”.

A Marca da Corrupção (Best Seller, EUA, 1987) – Nota 7
Direção – John Flynn
Elenco – James Woods, Brian Dennehy, Victoria Tennant, Paul Shenar, George Coe, Allison Balson.

Dennis Meechum (Brian Dennehy) é um ex-policial aposentado que ficou famoso ao escrever um livro sobre suas experiências no trabalho, inclusive uma tentativa de assassinato que sofreu. Cuidando da filha e com dificuldade para escrever um novo livro, Meechum é procurado pelo desconhecido Cleve (James Woods). O sujeito diz ser um assassino profissional que prestava serviços para um poderoso industrial. O desejo de Cleve é transformar sua história de vida em livro. Mesmo apreensivo, Meechum aceita a proposta, sem imaginar que se tornará alvo de pessoas que temem ser retratadas no livro. A curiosa premissa resulta em um interessante longa que tem como ponto principal a relação que se cria entre o ex-policial que precisa esquecer o antigo trabalho e o assassino que conta sua história com frieza. O longa praticamente não tem cenas de ação, é muito mais um drama do que uma obra policial.  

O Fio da Morte (The Case of the Hillside Stranglers, EUA, 1989) – Nota 7
Direção – Steven Gethers
Elenco – Richard Crenna, Dennis Farina, Tony Plana, Billy Zane, James Tolkan, Karen Austin.

No final dos anos setenta, várias prostitutas são estupradas e assassinadas na região de Hillside em Los Angeles. O sargento Bob Grogan (Richard Crenna) é um dos policiais que investiga o caso e que descobre pistas que levam a uma dupla de assassinos. Os primos Angelo Buono (Dennis Farina) e Kenneth Bianchi (Billy Zane) tinham mais de vintes anos de diferença de idade e a mesma índole violenta e assassina. É mais um filme baseado em história real que foi produzido para tv. Além da trama, vale destacar o clima de decadência criado pela narrativa, principalmente por mostrar o lado B de Los Angeles. 

sábado, 29 de outubro de 2016

O Mestre dos Gênios

O Mestre dos Gênios (Genius, Inglaterra / EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Michael Grandage
Elenco – Colin Firth, Jude Law, Nicole Kidman, Laura Linney, Guy Pearce, Dominic West.

Nova York, 1929. Em meio a crise econômica em que vive os Estados Unidos, Max Perkins (Colin Firth) é um famoso editor de livros responsável por descobrir talentos como Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald. 

Quando chega as suas mãos um livro escrito pelo desconhecido Thomas Wolfe (Jude Law) e que foi rejeitado por várias editoras, Max vê um talento nato na obra. Ao conhecer pessoalmente Wolfe, Max encontra um sujeito expansivo, sonhador e falador, com quem terá de lidar para fazer cortes no livro, pois o mesmo tem centenas de páginas. 

Baseado em uma história real descrita em livro, este longa parte de uma premissa indicada principalmente para os fãs de literatura. A história segue a relação de Max e Wolfe por alguns anos, detalhando a importância do editor em transformar o material bruto do escritor em um livro premiado. 

O roteiro explora ainda a conturbada relação de Wolfe com a produtora de teatro Aline Bernstein (Nicole Kidman), que era mais velha e que abandonou o marido para viver um romance com o jovem. Por outro lado, Max Perkins é descrito como um sujeito de caráter, que amava a esposa (Laura Linney) e as cinco filhas. Vale destacar ainda as pequenas participações de Guy Pearce como F. Scott Fitzgerald e de Dominic West como Ernest Hemingway. 

Não chega a ser um grande filme, por exemplo, as passagens de anos são mal explicadas e em alguns momentos os diálogos sobre trechos de livros cansam um pouco. Vale a sessão para quem quiser conhecer um pouco como funciona o trabalho de um editor de livros e sua complexa relação com o escritor, situação muito parecida com a relação entre diretor e produtor de cinema. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Operação Invasão 2

Operação Invasão 2 (Serbuan Maut 2 ou The Raid 2: Berandal, Indonésia / EUA, 2014) – Nota 8
Direção – Gareth Evans
Elenco – Iko Uwais, Arifin Putra, Tio Pakusadewo, Oka Antara, Alex Abbad.

Ainda ferido após ser um dos poucos sobreviventes da guerra dentro do edifício de traficantes no filme anterior, Rama (Iko Iwais) procura ajuda com um grupo de policiais que diz lutarem para acabar com a corrupção dentro da corporação. 

Ao invés de seguirem os caminhos legais, a proposta do grupo é assassinar os policiais corruptos. Em troca de proteção para sua família, Rama aceita se juntar ao grupo. Sua missão é cometer um crime, ser preso e dentro da cadeia se aproximar de Uco (Arifin Putra), filho de Bangun (Tio Pakusadewo), chefão do crime em Jacarta e assim se infiltrar na organização criminosa. 

O longa original tinha um fio de história e se passava todo dentro de um decadente edifício. As sensacionais e violentas cenas de ação eram o ponto principal. Nesta sequência, o diretor Gareth Evans consegue superar o original, principalmente por causa do roteiro mais bem elaborado que foca numa guerra entre em quadrilhas e na questão do jovem infiltrado, lembrando um pouco as tramas de “Conflitos Internos” e “Os Infiltrados”

A duração mais longa com duas horas e meia é recheada de cenas de ação extremamente violentas e criativas. As tradicionais lutas de Kung Fu são intercaladas com brigas onde todo o tipo de arma é utilizado, inclusive dois sinistros personagens. O sujeito com o bastão de beisebol e a garota dos martelos. Destaque para luta perto do final entre o protagonista e um inimigo dentro da cozinha de um hotel. 

É um filme que equivale as melhores produções do gênero, semelhante as obras de John Woo em Hong Kong nos anos oitenta e noventa.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

TV por Assinatura - O Modelo Precisa Mudar


Quando a TV por assinatura chegou ao Brasil no início dos anos noventa, o público ávido por novidades e principalmente os cinéfilos ficaram alvoroçados com a possibilidade de assistir filmes em casa sem precisar ir até uma locadora para alugar fitas ou dvds.

Vinte e cinco anos depois a situação mudou.  A TV por assinatura deixou de ser uma novidade e se tornou algo comum na casa de boa parte dos brasileiros, com um detalhe, a grande maioria assina os chamados “pacotes básicos”, aqueles em que as propagandas citam que contém uma centena de canais, mas na verdade noventa por cento do conteúdo é ignorado por estes assinantes. As pessoas focam em poucos canais, naqueles em que a programação lhe agrada.

Estes pacotes incluem os canais abertos, os canais em UHF, que são aqueles de vendas de produtos e programas religiosos, os canais de músicas e alguns básicos de notícias e variedades. Em um pacote um pouco acima, o assinante terá acesso a alguns canais de séries e filmes. Canais como TNT, AXN e Universal investem em muitas séries, mas tem um acervo pequeno de filmes que se repetem em sua programação.

Chegando ao ponto principal, os canais considerados o “filé” pelos cinéfilos são os Telecines e a HBO. O problema é que os pacotes oferecidos pelas operadoras obrigam o assinante a pagar pelos canais básicos que citei mais um valor alto pelos canais de filmes. O mesmo ocorre para quem deseja assinar canais de esportes. Isso encarece demais os pacotes e faz as pessoas procurarem formas alternativas de assistir filmes e futebol.

Mesmo perdendo milhares de assinantes nos últimos anos, as operadoras preferem manter este modelo caro e engessado. Toda previsão é complicada, mas ao analisar a situação financeira do país e por consequência da população, ao lado do crescimento do acesso a internet e dos serviços de streaming, além das formas alternativas, em algum momento as operadoras serão obrigadas a mudar o formato.

Na minha opinião, as operadoras deveriam oferecer ao assinante uma escolha “a la carte”, onde fosse possível o assinante montar seu pacote de acordo com seu interesse. Um pacote com canais básicos deveria continuar existindo com valor baixo. Os demais canais poderiam ser divididos em dois ou três níveis, onde o assinante pudesse escolher uma determinada quantidade de canais de cada nível. Por exemplo, não seria necessário a pessoa comprar um pacote completo HBO com dez canais ou Telecine com seis, ela poderia escolher apenas três ou quatro canais e pagar um valor acessível.

Finalizando, além da questão financeira, outro quesito que faz cinéfilos pensarem várias vezes antes de pagar caro pelos canais de filmes é a própria programação. O foco principal é o cinema americano atual e os blockbusters. Não que o cinema americano seja ruim, longe disso, o problema é que a quantidade de filmes antigos, independentes ou produções europeias, asiáticas e latino americanas é pequena. Se você quer assistir algo do gênero, precisará procurar outras formas.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Acorrentados

Acorrentados (The Defiant Ones, EUA, 1958) – Nota 8
Direção – Stanley Kramer
Elenco – Tony Curtis, Sidney Poitier, Theodore Bikel, Charles McGraw, Lon Chaney Jr, Claude Akins, Cara Williams.

No sul dos Estados Unidos, um caminhão transportando presos sofre um acidente. Dois condenados que estão acorrentados fogem. 

O branco Joker (Tony Curtis) e o negro Cullen (Sidney Poitier) não conseguem se desvencilhar da corrente e após algumas discussões, decidem tentar chegar até a estrada de ferro com o objetivo de pegar carona em um trem com destino ao norte do país. Para isso, precisarão ser mais rápidos que um grupo de policiais e civis que o estão caçando. 

A carreira do diretor Stanley Kramer é marcada por filmes com estilo hollywoodiano que ao mesmo tempo tinham uma visão crítica do mundo. Racismo, preconceito e ódio são colocados em discussão em longas como “Adivinhe Quem Vem Para Jantar”, “Julgamento em Nuremberg” e “O Vento Será Tua Herança”

Aqui, Kramer mostra o pior e o melhor do ser humano. Os dois fugitivos aparentemente bem diferentes entre si, ao poucos descobrem que suas vidas são parecidas, criando um laço de amizade considerado absurdo por muitos que viviam naquele local, o sul dos Estados Unidos. 

Além do sangue nos olhos dos perseguidores e dos moradores de uma pequena vila que surgem no decorrer do filme, Kramer também insere personagens humanistas, como xerife interpretado por Thedore Bikel e o líder da vila vivido por Lon Chaney Jr. Vale destacar também a química entre os astros Tony Curtis e Sidney Poitier. 

Apesar da curta duração e ter envelhecido um pouco analisando tecnicamente, a mensagem da história continua universal.   

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Jason Bourne

Jason Bourne (Jason Bourne, Inglaterra / China / EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Paul Greengrass
Elenco – Matt Damon, Tommy Lee Jones, Alicia Vikander, Vincent Cassel, Julia Stiles, Riz Ahmed, Ato Essandoh, Scott Shepherd, Bill Camp, Vinzenz Kiefer.

Em Reykjavík na Islândia, a ex-agente da CIA Nicky Parsons (Julia Stiles) consegue hackear o sistema da agência e baixar informações sobre todas as operações secretas. Ela foge para Atenas na Grécia com o objetivo de encontrar o desaparecido Jason Bourne (Matt Damon). 

O diretor da CIA Robert Dewey (Tommy Lee Jones) é rapidamente informado sobre a invasão e indica a jovem Heather Lee (Alicia Vikander) para coordenar a caçada oficial aos ex-agentes, além de utilizar um assassino (Vincent Cassel) como plano B. 

Nove anos depois do último filme de Damon com Jason Bourne, sem contar o interessante “O Legado Bourne” com Jeremy Renner, o astro e o diretor Paul Greengrass reativam a franquia de forma competente, porém sem a mesma qualidade da trilogia original. 

O roteiro escrito pelo diretor em parceria com Christopher Rouse tenta ir além da busca do personagem principal por informações sobre sua vida antes de se tornar agente e perder a memória. A história flerta com a questão da perda de privacidade através da vigilância cibernética utilizando citações do “Caso Snowden” e inserindo o personagem interpretado por Riz Ahmed, claramente inspirado em Mark Zuckerberg do Facebook. 

O filme perde alguns pontos pode deixar de lado em alguns momentos as cenas de ação realistas, que eram marcas da franquia, para dar espaço a destruição total, especificamente na sequência final. 

Mesmo sendo inferior aos três primeiros filmes, o longa ainda é melhor do que maioria das produções atuais do gênero, deixando também a trama em aberto para talvez mais uma sequência.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

ARQ

ARQ (ARQ, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Tony Elliott
Elenco – Robbie Amell, Rachael Taylor, Shaun Benson, Gray Powell, Jacon Neayem, Adam Butcher.

Em um futuro pós-apocalíptico, Renton (Robbie Amell) e Hannah (Rachael Taylor) são um casal que se reencontra após alguns meses e que ao acordarem são abordados por um grupo de ladrões.

Após discussões e uma tentativa de fuga, Renton é baleado, mas ao invés de morrer, ele acorda novamente na cama com Hannah e o dia recomeça repetindo as mesmas situações. 

Explorando a premissa da comédia “Feitiço do Tempo”, com a seriedade dos filmes de ficção sobre viagens no tempo, este longa de baixo orçamento é competente ao prender a atenção do espectador pelo ritmo ágil da narrativa e ao explorar as diversas consequências a partir do mesmo início de história. 

O roteiro brinca com a questão das escolhas que fazemos todos os dias, com a diferença de que aqui os personagens tentam escapar de um loop temporal criado pela máquina chamada ARQ, que foi desenvolvida pelo personagem principal. 

A trama se passa inteira dentro de um galpão, com apenas seis personagens e algumas traquitanas. 

É um filme que pode entrar em uma de lista de cults de ficção como “Cubo”, “Primer” e “Donnie Darko”.

domingo, 23 de outubro de 2016

A Força do Mal & Willie Boy


A Força do Mal (Force of Evil, EUA, 1948) – Nota 7,5
Direção – Abraham Polonsky
Elenco – John Garfield, Thomas Gomez, Marie Windsor, Beatrice Pearson, Howland Chamberlain, Roy Roberts, Paul Fix.

Joe Morse (John Garfield) é um ambicioso advogado que presta serviços para o empresário corrupto Ben Tucker (Roy Roberts). Para se tornar sócio do sujeito, Joe precisa executar um meticuloso plano. Fraudar o sorteio de uma loteria clandestina no Dia da Independência Americana e assim causar a quebra de bancos clandestinos que aceitam apostas. O problema maior é que um dos bancos pertence ao seu próprio irmão, Leo Morse (Thomas Gomez), que não aceita parceria. A ganância e a falta de caráter de Joe resultarão em consequências trágicas para os envolvidos. 

Este competente drama noir é muito mais lembrado por ser o primeiro trabalho do roteirista Abraham Polonsky como diretor. Logo em seguida, Polonsky foi perseguido acusado de ser comunista, entrando na lista negra de Hollywood. Durante vinte e um anos, ele escreveu roteiros sem assumir os créditos, voltando a dirigir um longa apenas em 1969 com o drama “Willie Boy” protagonizado por Robert Redford e Robert Blake. 

Willie Boy (Tell Them Willie Boy Is Here, EUA, 1969) – Nota 7
Direção – Abraham Polonski
Elenco – Robert Redford, Katharine Ross, Robert Blake, Susan Clark, Barry Sullivan, John Vernon, Charles McGraw.

Após alguns anos longe, o índio Willie Boy (Robert Blake) retorna a reserva onde nasceu. Vestido como homem branco, seu objetivo é reencontrar a bela Lola (Katharine Ross) e enfrentar o pai da jovem que o odeia. Após uma discussão, Willie mata o homem para se defender e passa a ser perseguido pelo xerife Cooper (Robert Redford), que por sua vez tem um caso com a dra. Elizabeth (Susan Clark), que é uma espécie de líder a favor dos índios da reserva. 

Abraham Polonsky escolheu uma história real ocorrida em 1909 para retornar à direção depois de vinte e um anos afastado. Mesmo bem diferente, nas entrelinhas o exílio e a posterior perseguição que Willie Boy sofre pode ser considerada uma parábola do sofrimento de Polonsky durante os anos em que foi boicotado por Hollywood. O ponto principal do filme é a história. Como western, o filme perde pontos por causa do ritmo lento. Hoje vale mais como uma curiosidade cinematográfica. 

sábado, 22 de outubro de 2016

Show Me a Hero

Show Me a Hero (Show Me a Hero, EUA, 2016) – Nota 8
Direção – Paul Haggis
Elenco – Oscar Isaac, Carla Quevedo, Catherine Keener, Alfred Molina, James Belushi, Jon Bernthal, Bob Balaban, Natalie Paul, Ilfenesh, Hadera, LaTanya Richardson Jackson, Peter Riegert, Terry Kinney, Clarke Peters, Saverio Guerra, Stephen Gevedon, Bruce Altman, Josh Salatin.

Em 1987, um juiz federal (Bob Balaban) dá ganho de causo a uma organização que obriga a cidade de Yonkers em Nova York a construir casas populares em bairros de classe média. A cidade ainda está dividida em bairros de brancos no subúrbio e regiões com apartamentos para negros, locais conhecidos como projetos. 

Com medo da violência e do tráfico de drogas migrar para seus bairros, parte da população pressiona o prefeito Martinelli (James Belushi) a recorrer da decisão ao Supremo Tribunal. Percebendo que a cidade está dividida, o vereador Nick Wasicsko (Oscar Isaac), que é ex-policial, decide concorrer ao cargo nas eleições. Ele vence Martinelli, sem imaginar o inferno que terá de enfrentar por causa da decisão a favor da construção das casas. 

Esta minissérie produzida pela HBO em seis capítulos é baseada em uma história real que detalha as consequências da decisão judicial para os políticos e para parte da população de Yonkers num período de seis anos. 

A narrativa tem como história principal a saga de Wasicsko, focando em sua carreira política e no seu casamento com Nay (Carla Quevedo). Wasicsko foi o prefeito mais novo da história dos Estados Unidos. Ele tinha apenas vinte e oito anos quando foi eleito e era considerado uma esperança de renovação política num meio em que os conchavos e a corrupção é algo comum. 

O roteiro segue outras pequenas histórias de pessoas negras e latinas que vivem nos projetos e que seriam as beneficiadas com as moradias populares. Outra personagem importante é interpretada por Catherine Keener, que a princípio se mostra contra o projeto, mas que aos poucos procura entender melhor a situação. 

Um ponto interessante é a proposta do arquiteto Oscar Newman interpretado por Petet Riegert. Seu plano de construção de moradias populares vai além da entrega das casas. Para ele, moradias populares devem ser casas com quintais, grama e espaço para os filhos, sendo construídas em uma quantidade pequena em cada região, fazendo com que os novos moradores sejam inseridos na comunidade como um pessoa igual aos que lá já viviam, com direitos e obrigações para cuidar do local. No seu pensamento, os apartamentos populares comuns em muitos lugares dos Estados Unidos são um erro, fato confirmando pelos altos índices de criminalidade nestes locais. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Comédias Sobre Troca de Corpos - Resenhas Rápidas

Quero Ser Grande (Big, EUA, 1988) – Nota 7,5
Direção – Penny Marshall
Elenco – Tom Hanks, Elizabeth Perkins, Robert Loggia, John Heard, Jared Rushton, Mercedes Ruehl, David Moscow, Jon Lovitz.

O garoto Josh (David Moscow) está insatisfeito em ter apenas treze anos e não poder fazer tudo o que os adultos fazem. Durante um passeio em um parque de diversões, Josh decide pedir para se tornar adulto numa estranha “máquina dos desejos”. Ao acordar no dia seguinte, ele descobre que se transformou em um homem de trinta anos (Tom Hanks), porém com a mente da criança de treze. A partir daí, Josh precisa procurar emprego e aprender a se relacionar no mundo dos adultos. Esta comédia despretensiosa foi uma das grandes surpresas daquele ano, tanto pela simpática história, como pelo bela atuação de Tom Hanks, que surpreendentemente foi indicado ao Oscar de Melhor Ator, fato que mudou o patamar de sua carreira. Destaque também para a mágica cena da dança sobre o teclado gigante.

Se Eu Fosse Minha Mãe ou Um Dia Muito Louco (Freaky Friday, EUA, 1976) – Nota 6,5
Direção – Gary Nelson
Elenco – Barbara Harris, Jodie Foster, John Astin, Patsy Kelly, Dick Van Patten.

Annabel (Jodie Foster) é uma adolescente rebelde que deseja crescer logo. Sua mãe Mrs. Andrews (Barbara Harris) é a típica dona de casa de subúrbio que vive para a família. Uma considera a vida da outra melhor que a sua. Numa sexta-feira, o desejo é realizado e de forma incrível elas trocam de corpos. Durante aquele dia, elas enfrentam problemas inesperados e percebem que todas as vidas são complicadas. Este longa praticamente deu início ao gênero de “troca de corpos”. Além da boa química entre mãe e filha, o ponto principal é ver como era diferente a vida das famílias nos anos setenta. Vale destacar a então adolescente Jodie Foster, que no mesmo ano ficaria famosa por sua participação em “Táxi Driver”.

De Repente 30 (13 Going on 30, EUA, 2004) – Nota 6,5
Direção – Gary Winick
Elenco – Jennifer Garner, Mark Ruffalo, Judy Greer, Andy Serkis, Kathy Baker, Phil Reeves, Christa B. Miller, Sean Marquette.

Na sua festa de treze anos, Jenna (Christa B. Miller) sofre por ser impopular e se esconde no porão de sua casa com um presente dado por seu amigo Matt (Sean Marquette). Ao tocar um pó que diz ser mágico no presente, ela pede para se tornar adulta. Ao acordar, Jenna (agora Jennifer Garner) descobre que está com trinta anos, mora em um pequeno apartamento e tem um namorado. Desesperada com o novo mundo, ele decide procurar Matt (Mark Ruffalo), que mesmo após ter ser distanciado dela por anos, aceita ajudar a antiga amiga a enfrentar a vida de adulto. Esta simpática comédia funciona pela espontaneidade da interpretação de Jennifer Garner e da química com Mark Ruffalo. Como curiosidade, este com certeza é um dos filmes que mais vezes foram reprisados nos canais de tv a cabo.

Vice Versa (Vice Versa, EUA, 1988) – Nota 6         
Direção – Brian Gilbert
Elenco – Judge Reinhold, Fred Savage, Corinne Bohrer, Swoosie Kurtz, David Proval, Jane Kaczmarek, William Prince, Richard Kind.

Em viagem pela Tailândia, Marshall (Judge Reinhold) e sua namorada Sam (Corinne Bohrer), acabam sem saber contrabandeando um estranho crânio que é colocado em sua bagagem por um ladrão (David Proval). De volta a Chicago, Marshall encontra o objeto e o deixa em sua sala. Ele precisa também tomar conta de seu filho Charlie (Fred Savage), enquanto sua ex-esposa sai em viagem. Pai e filho não se dão bem e após uma discussão, terminam por tocar o crânio mágico ao mesmo tempo desejando trocar de vida, o que acontece. A partir daí, um precisa se adaptar a vida do outro. Além disso, o ladrão reaparece em busca do artefato. Apesar das falhas e dos exageros, esta comédia arranca algumas risadas pelas trapalhadas do pateta interpretado por Judge Reinhold e pela sensibilidade do garotinho Fred Savage, que ficaria famoso pela série “Anos Incríveis (Wonder Days)”. 

Tal Pai, Tal Filho (Like Father Like Son, EUA, 1987) – Nota 5
Direção – Rod Daniel
Elenco – Dudley Moore, Kirk Cameron, Margareth Colin, Catherine Hicks, Patrick O’Neal, Sean Astin.

Jack Hammond (Dudley Moore) é um famoso cirurgião conhecido por sua seriedade. Uma noite em um bar, ao tomar um drinque, Jack não percebe que uma misteriosa poção indiana caiu em seu copo. No dia seguinte, Jack começa a agir como se fosse um adolescente, enquanto seu filho Chris (Kirk Cameron), que era um garoto irresponsável, muda de postura com atitudes de adulto. Apesar das semelhanças e ter sido lançado antes do sucesso de “Quero Ser Grande”, esta comédia foi um grande fracasso que empurrou ladeira abaixo as carreiras de Dudley Moore e Kirk Cameron. Moore vinha de fracassos como “Santa Claus” e “A Melhor Defesa é o Ataque”, fechando o ciclo no ano seguinte com a fraca sequência de “Arthur – O Milionário Sedutor”. Kirk Cameron era astro da série “Growing Pains” e sonhava migrar com sucesso para o cinema, o que não ocorreu. Os dois ainda tiveram chances em séries de tv que levavam seus próprios nomes, mas não passaram da primeira temporada. Moore faleceu em 2002, enquanto Cameron se converteu e direcionou sua carreira para filmes religiosos de baixo orçamento.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Fuga Para Atenas

Fuga Para Atenas (Escape to Athena, Inglaterra, 1979) – Nota 5,5
Direção – George Pan Cosmatos
Elenco – Roger Moore, Telly Savalas, Elliott Gould, David Niven, Stefanie Powers, Claudia Cardinale, Richard Roundtree, Sonny Bono.

Em 1944, pouco tempo antes do Dia D, alguns ingleses e americanos são prisioneiros dos nazistas em uma ilha grega. O comandante do local é o Major Otto Hecht (Roger Moore), sujeito culto e educado que está mais preocupado em roubar obras de valores dos gregos do que com a guerra. As circunstâncias farão o oficial se juntar aos prisioneiros, inclusive ao líder da resistência grega (Telly Savalas), para lucrar com o final da guerra. 

Das muitas grandes produções sobre a Segunda Guerra que foram lançadas entre os anos cinquenta e setenta, este longa é o provavelmente o mais equivocado. O elenco recheado de astros da época é desperdiçado em um roteiro que não se decide entre a seriedade e a comédia. Os cartazes engraçadinhos pendurados nas paredes da vila, a sucessão de piadas sem graça a cargo do personagem de Elliott Gould e as cenas de ação envelhecidas são alguns dos erros deste longa. 

O destaque fica para as belas paisagens da ilha grega, terra natal do diretor George Pan Cosmatos. O melhor filme da irregular carreira do falecido Cosmatos é o western “Tombstone – A Justiça Está Chegando”. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Pais e Filhos

Pais e Filhos (Soshite Chichi ni Naru, Japão, 2013) – Nota 8,5
Direção – Hirokazu Koreeda
Elenco – Masaharu Fukuyama, Machiko Ono, Yoko Maki, Lily Franky.

Ryota (Masaharu Fukuyama) é um arquiteto que coloca o trabalho em primeiro lugar. Sua esposa Midori (Machiko Ono) se dedica a criar o filho de seis anos. Um telefonema do hospital onde o garoto nasceu muda completamente a vida do casal. 

Eles são avisados que ocorreu um erro no hospital e o filho que estão criando provavelmente não seja deles. O fato é confirmado e eles descobrem que o filho biológico vive com outro casal.

Yudai (Lily Franky) é dono de um pequeno comércio e casado com Yukari (Yoko Maki). Além da criança trocada, eles tem um casal de filhos pequenos. A partir da descoberta, as duas famílias com vidas bem diferentes, tentarão encontrar uma solução para a situação. 

Poucas vezes o cinema lidou com um tema tão complicado de uma forma extremamente humana como neste longa japonês. A dificuldade em resolver a situação esbarra em varias questões. O apego das famílias com as crianças por causa dos seis anos de convivência, a diferença de vida financeira entre as duas famílias, a pergunta clássica sobre quem são os verdadeiros pais, os biológicos ou aqueles que estão criando e por fim, a própria vontade das crianças. Por mais dolorosa que seja a história, no final fica a mensagem de que a solução pode ser mais fácil do que se imagina.  

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Conexão Escobar & Profissão de Risco


Conexão Escobar (The Infiltrator, Inglaterra, 2016) – Nota 7,5
Direção – Brad Furman
Elenco – Bryan Cranston, Diane Kruger, John Leguizamo, Benjamin Bratt, Joseph Gilgun, Amy Ryan, Elena Anaya, Juliet Aubrey, Yul Vazquez, Jason Isaacs, Art Malik, Said Taghmaoui, Michael Paré, Olympia Dukakis.

Em 1985, Robert Mazur (Bryan Cranston) é um agente do governo especializado em trabalhar infiltrado em organizações criminosas. A dica de um informante passada para outro agente, Emir Abreu (John Leguizamo), leva Robert a montar uma operação com o objetivo de investigar um grupo de traficantes que age em Miami como prepostos de Pablo Escobar. Com apoio de Abreu, de uma agente novata (Dinae Kruger) e do ex-presidiário Dominic (Joseph Gilgun), Robert consegue se infiltrar no grupo disfarçado de operador financeiro.

Baseado em uma história real, este competente longa policial é o melhor filme da carreira do irregular diretor Brad Furman. O roteiro consegue amarrar  com firmeza a complexa trama que leva o protagonista a se envolver com diversos criminosos, inclusive criando um laço de amizade com alguns deles, principalmente com o personagem vivido por Benjamin Bratt. O lado humano do protagonista aflora também na relação com a esposa (Juliet Aubrey), que sofre ao imaginar os perigos que o marido enfrenta.

O filme é uma ótima opção para quem gosta de tramas policiais com personagens bem próximos da realidade.

Profissão de Risco (Blow, EUA, 2001) – Nota 7,5
Direção – Ted Demme
Elenco – Johnny Depp, Penelope Cruz, Ray Liotta, Franka Potente, Rachel Griffiths, Paul Reubens, Jordi Molla, Miguel Sandoval, Ethan Suplee, Max Perlich, Cliff Curtis.

Em meados dos anos setenta, o consumo de drogas crescia nos Estados Unidos. Neste contexto, o traficante de maconha George Jung (Johnny Depp) descobre na cadeia que a cocaína poderia ser um grande negócio. Ao conseguir a liberdade, George consegue criar uma “parceria” com o grupo de Pablo Escobar (Cliff Curtis) para importar cocaína. O negócio transforma George em milionário e no pioneiro em traficar drogas da América do Sul para os Estados Unidos. 

Baseado numa história real, este longa detalha a vida de George Jung, que ainda adolescente nos anos cinquenta, sofre ao ver o pai (Ray Liotta) ir a falência. O problema familiar é o combustível para George e seu amigo Tuna (Ethan Suplee) decidirem investir na venda de maconha. O roteiro mostra as várias vezes em que George foi preso, seu relacionamento com Mirtha (Penelope Cruz) e principalmente sua ascensão e queda no mundo do tráfico. 

Vale destacar a ótima reconstituição de época através de roupas, carros e penteados, a trilha sonora e a interpretação de Johnny Depp. A nota triste fica para a morte prematura do então promissor diretor Ted Demme no ano seguinte. Ted era sobrinho de Jonathan Demme (“O Silêncio dos Inocentes”) e deixou poucos trabalhos como “Brincando de Seduzir” e “Snitch – Monument Ave.”.