sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Profissão: Ladrão

Profissão: Ladrão (Thief, EUA, 1981) – Nota 7,5
Direção – Michael Mann
Elenco – James Caan, Tuesday Weld, James Belushi, Robert Prosky, Willie Nelson, Tom Signorelli, Dennis Farina.

Por trás da fachada de vendedor de carros usados, o ex-presidiário Frank (James Caan) é especialista em arrombar cofres. 

Após um trabalho bem sucedido ao lado do parceiro (James Belushi), ocorre um problema com o receptador e Frank termina por se envolver com um mafioso (Robert Prosky), que o procura para um novo trabalho. 

Frank aceita o acordo com a esperança de receber uma bolada e se aposentar do crime para viver com sua nova namorada (Tuesday Weld). Como em todo filme sobre roubos, surpresas acontecerão. 

Este longa foi o primeiro trabalho do diretor Michael Mann para o cinema. O estilo que ele aprimoraria em filmes posteriores já aparece aqui. Uma grande quantidade de cenas noturnas transformando a cidade quase em um personagem, a obsessão pelos detalhes, como exemplo a cena do arrombamento do cofre e por fim a violência que explode na parte final. 

O estilo e a forma de filmar são sempre os pontos principais da filmografia do Mann, superando inclusive a trama, que neste caso não apresenta surpresas. 

Vale destacar a atuação de James Caan, que interpreta um sujeito duro e ignorante, mas que sonha em mudar de vida, situação que fica clara na sequência em que conta seus segredos para a personagem de Tuesday Weld na lanchonete, além do sempre marcante Robert Prosky, que na época atuava no ótimo seriado “Hill Street Blues”. 

Um ponto que hoje se mostra estranho é a trilha sonora eletrônica do grupo alemão Tangerine Dream, que nos anos oitenta musicou vários filmes como “Negócio Arriscado” e “Quando Chega a Escuridão”.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O Visitante

O Visitante (The Visitor, EUA, 2007) – Nota 7,5
Direção – Tom McCarthy
Elenco – Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Danai Gurira, Hiam Abbass, Marian Selds, Richard Kind.

Walter Vale (Richard Jenkins) é um professor universitário  e viúvo que está totalmente desmotivado com o trabalho. Morando no subúrbio de Connecticut, ele resiste até ser obrigado pela universidade a participar de um congresso em Nova York. 

Ao chegar na cidade, onde ele tem um antigo apartamento, Walter se surpreende ao encontrar um casal de imigrantes (Haaz Sleiman e Danai Gurira) morando no local. 

Passado o susto, o lado generoso de Walter deixa que o casal fique no apartamento por mais alguns dias até encontrar um novo local para morar. Nestes poucos dias, ele cria um inusitado laço de amizade com os imigrantes e acaba se envolvendo nos problemas que eles enfrentam. 

Este interessante drama é um dos bons trabalhos que o ator Tom McCarthy realizou como diretor antes de ficar famoso com “Spotlight”. O ritmo lento da narrativa e a apatia do personagem principal são propositais. A ideia do diretor é passar todo o marasmo da vida de Walter, que renasce aos poucos através da paixão pela música que ele divide com o jovem imigrante. 

Na segunda parte, o roteiro transforma a história em um drama crítico sobre a forma como o governo americano passou a tratar os imigrantes após 11 de Setembro. 

É um filme pequeno e aparentemente despretensioso, mas que no fundo se mostra triste e atual.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O Final da Turnê

O Final da Turnê (The End of the Tour, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – James Ponsoldt
Elenco – Jesse Eisenberg, Jason Segel, Joan Cusack, Anna Chlumsky, Mamie Gummer, Mickey Sumner, Ron Livingston, Becky Ann Baker.

Em 2008, o escritor e jornalista David Lispky (Jesse Eisenberg) recebe a notícia de que o escritor David Foster Wallace (Jason Segel) cometeu suicídio. A trama volta para 1996, quando Lispky havia terminado de escrever um livro e trabalhava para a revista Rolling Stone. 

Após conhecer a obra mais famosa de Wallace, Lispky convence seu editor a autorizar uma entrevista com o autor, que estava no final da turnê de lançamento de seu livro. Os cinco dias em que Lipsky acompanhou Wallace marcaram para sempre sua vida e renderam um livro que é a base deste longa. 

A primeira impressão é estranha. O excesso de diálogos com certeza não agradará a maioria das pessoas. Os protagonistas discutem sobre fama, relacionamentos e vícios, além de criarem uma curiosa relação. 

Lispky se divide entre o jornalista que precisa tirar do entrevistado algum conteúdo que seja interessante para o revista, com o escritor novato que vê em Wallace o exemplo de fama que ele gostaria de ter. Por outro lado, Wallace desconstrói o mito do escritor a frente do seu tempo, mostrando que na vida real seus desejos são iguais aos de uma pessoa comum. 

Os dois personagens são valorizados pelos atores, principalmente um surpreendente Jason Segel. Especialista em comédias e personagens desajeitados, Segel utiliza esta sua experiência para criar um David Foster Wallace excêntrico e humano, com destaque para as discussões na meia-hora final. 

É um filme indicado para quem gosta de histórias focadas em diálogos e personagens. 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

The Night Manager

The Night Manager (The Night Manager, Inglaterra / EUA, 2016) – Nota 8
Direção – Susanne Bier
Elenco – Tom Hiddleston, Hugh Laurie, Olivia Colman, Elizabeth Debicki, Tom Hollander, David Harewood, Alistair Petrie, Douglas Hodge, Tobias Menzies.

O ex-soldado inglês Jonathan Pine (Tom Hiddleston) é o gerente noturno de um hotel cinco estrelas na cidade do Cairo no Egito. Num determinado dia, ele é procurado por uma prostituta de luxo que é amante do filho de um milionário da cidade. 

A mulher entrega para Jonathan documentos secretos que incriminam seu amante e um famoso negociante de armas chamado Richard Roper (Hugh Laurie). Ela pede que Jonathan envie os documentos para Londres, o que ele faz. A agente inglesa Angela Burr (Olivia Colman) recebe os documentos e vê neles a chance de pegar Roper, seu velho inimigo. Algumas circunstâncias farão Jonathan se unir a Angela para tentar derrubar a organização de Roper. 

Com uma produção impecável, que além do Cairo passa por Zermatt na Suiça, Mallorca na Espanha e Marrakech no Marrocos, esta competente minissérie em seis episódios baseada num livro de John Le Carré, prende a atenção do início ao fim através de uma complexa trama recheada de mentiras e traições. 

A diretora dinamarquesa Susanne Bier (“Depois do Casamento”), explora muito bem os belíssimos cenários naturais das locações e a vida luxuosa que leva o vilão interpretado por Hugh Laurie, o eterno Dr. House. 

O roteiro critica a alta corrupção internacional que envolve milionários e autoridades, muitas vezes com os próprios governos fechando os olhos para estas negociações. 

Vale destacar a disputa entre os protagonistas, inclusive pela bela Jed, interpretada por Elizabeth Debicki. Os dois sujeitos são frios e meticulosos, criando um verdadeiro jogo de aparências em sua relação. 

Para quem curte o gênero, esta minissérie é uma ótima opção.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Eu Estava Justamente Pensando em Você

Eu Estava Justamente Pensando em Você (Comet, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Sam Esmail
Elenco – Justin Long, Emmy Rossum.

Vários jovens se reúnem em um cemitério esperando para ver uma chuva de cometas que ocorrerá naquela noite. Entre eles estão Dell (Justin Long) e Kim (Emmy Rossum), que não se conhecem. Dell se apaixona por Kim assim que a vê e mesmo a garota estando com outro sujeito, ele faz de tudo para se aproximar. É o início de uma relação de seis anos, entre idas e vindas. 

O diretor e roteirista Sam Esmail já dava sinais neste filme do estilo que o faria famoso na atual série “Mr. Robot”, com certeza a mais criativa dos últimos anos. Nos dois casos temos um protagonista excêntrico. 

O personagem de Justin Long é um cientista cheio de neuroses, que fala o que vem a cabeça e tem enorme dificuldade em se relacionar com as pessoas. A garota interpretada por Emmy Rossum também é a típica mulher de fases, que demonstra insegurança em vários momentos. 

No início do filme, um letreiro informa que algumas situações mostradas durante o filme podem ser apenas um sonho do protagonista. Como a narrativa é entrecortada por diversos momentos da relação, o espectador precisa decifrar o que é real. Acompanhamos o dia em que se conheceram, as discussões, uma reconciliação e por fim um reencontro que pode marcar a última conversa entre em eles. 

Esta dúvida sobre o que é verdade ou imaginação do protagonista é uma boa sacada, assim como os vários diálogos que desnudam a relação. O filme lembra uma terapia de casal, que tenta decifrar o que deu errado numa relação de duas pessoas aparentemente apaixonadas. 

domingo, 9 de outubro de 2016

Mundo Cão

Mundo Cão (Brasil, 2016) – Nota 7,5
Direção – Marcos Jorge
Elenco – Babu Santana, Lázaro Ramos, Adriana Esteves, Milhem Cortaz, Thainá Duarte, Vini Carvalho, Paulinho Serra, Tony Ravan.

Um cão rottweiler é resgatado pelos homens da carrocinha dentro de um colégio. Três dias depois, como o dono não apareceu no centro de zoonoses, o animal foi sacrificado. Pouco tempo depois, chega ao local o proprietário do cão. 

Nenê (Lázaro Ramos) é um violento bandido que comanda os caça-niqueis ilegais na região. Revoltado com o ocorrido, ele entra numa forte discussão com Santana (Babu Santana), o sujeito que resgatou o animal no colégio e que trabalha no canil. O bate boca é o início de um conflito que resultará em consequências trágicas. 

O diretor Marcos Jorge, do surpreendente “Estômago”, explora aqui a clássica história do “olho por olho, dente por dente” e principalmente as consequências deste tipo de atitude. Por mais que os protagonistas sejam opostos em caráter, o sangue quente é o ponto em comum. 

O interessante é que enquanto o personagem de Babu Santana é um bom marido e pai de um casal de filhos, o vilão interpretado por Lázaro Ramos também tem sua “família”, que são seus cães da raça rottweiller que ele trata como filhos. 

A narrativa tem um bom ritmo, um elenco competente, inclusive as crianças Thainá Duarte e Vini Carvalho e uma violenta história atual, mesmo com o roteiro apresentando algumas falhas. 

Infelizmente vivemos dias em que muitas vezes o que vale é a lei do mais forte ou do mais esperto. 

É um bom filme, que foge do lugar comum da maioria das produções nacionais.

sábado, 8 de outubro de 2016

Em Nome da Lei

Em Nome da Lei (Brasil, 2016) – Nota 5,5
Direção – Sergio Rezende
Elenco – Mateus Solano, Paolla Oliveira, Chico Diaz, Eduardo Galvão, Emilio Dantas, Roberto Berindelli, Silvia Guindane, Gustavo Nader, Paulo Reis, Roney Villela.

Vitor (Mateus Solano) é um juiz novato designado para trabalhar em uma cidade na fronteira do Brasil com o Paraguai. 

Extremamente motivado e com o objetivo de prender Gomez (Chico Diaz), o chefão do tráfico e do contrabando na região, Vitor demora para perceber que a lei vale pouco naquele local e que sua própria vida corre perigo. Contando com o apoio de uma promotora (Paolla Oliveira) e do chefe de polícia (Eduardo Galvão), Vitor irá até o fim na luta contra Gomez. 

O roteiro escrito pelo diretor Sergio Rezende é livremente baseado na vida do juiz Odilon de Oliveira, que desde o início dos anos 2000 vive sob proteção da polícia federal após ter condenado grandes traficantes e tomado milhões de reais em dinheiro sujo. 

O que seria uma ótima premissa, resulta em um filme ruim. O primeiro problema é o elenco. Em momento algum Mateus Solano e Paolla Oliveira convencem como juiz e promotora, assim como o romance entre eles é previsível. 

Outras situações do roteiro também são falhas, como um outro romance entre a filha de Gomez e seu capanga, que também é seu filho bastardo. 

Sergio Rezende é especialista em filmes biográficos, tendo conseguido melhores resultados em trabalhos como “O Homem da Capa Preta” e “Mauá – O Imperador e o Rei”. 

A narrativa aqui pende para o novelesco, finalizando com um sequência que beira o inverossímil. 

É uma pena, a verdadeira história do juiz merecia um filme bem melhor.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Filmes Sobre Esportes - Resenhas Rápidas


O Round Final (Poor Boy’s Game, Canadá, 2007) – Nota 7
Direção – Clement Virgo
Elenco – Danny Glover, Rossif Sutherland, Flex Alexander, Greg Bryk, Laura Regan, Tonya Lee Williams, Stephen McHattie, K. C. Collins.

Donnie Rose (Rossif Sutherland) sai da prisão após cumprir dez anos por te espancado um jovem negro e o deixado com sequelas. Voltando para casa, precisa enfrentar o passado ao viver com seu violento irmão Keith (Greh Bryk) e trabalhar para seu tio (Stephen McHattie) dono de uma boate, além de ser desafiado para uma luta de boxe por Ossie Paris (Flex Alexander), que deseja vingar o amigo que foi espancado e mostrar isso para toda comunidade. Ossie é um campeão que foi treinado pelo pai da vítima, George (Danny Glover), que por alguns motivos acabará treinando Donnie. O roteiro explora com competência o tema clássico do acerto de contas com o passado. O destaque do elenco é o veterano Danny Glover.

O Round Final (Price of Glory, EUA, 2000) – Nota 7
Direção – Carlos Avila
Elenco – Jimmy Smits, Jon Seda, Clifton Collins Jr, Maria Del Mar, Ernesto Hernandez, Ron Perlman, Sal Lopez, Louis Mandylor, Paul Rodriguez.

Arturo Ortega (Jimmy Smits) é um boxeador frustrado que foi enganado por seu agente. Após abandonar a carreira, Arturo se dedica a treinar seus três filhos, sonhando em transformá-los em lutadores profissionais. Ao chegar na vida adulta, os jovens (Jon Seda, Clifton Collins Jr e Ernesto Hernandez) são assediados para assinar contrato com o empresário Nick Everson (Ron Pearlman), o que desagrada Arturo, que em determinado momento é obrigado a aceitar que a decisão dos filhos de como seguir carreira será individual. 

A proposta do roteiro é explorar o lado sujo dos bastidores do boxe, aquele em empresários tratam seus lutadores como mercadoria. O personagem de Jimmy Smits é o típico pai que mistura razão e emoção para tentar colocar a vida dos filhos no caminho correto. É um drama simples, com um bom roteiro e um elenco recheado de atores latinos.

O Último Duelo (By the Sword, EUA, 1991) – Nota 6,5
Direção – Jeremy Paul Kagan                                                
Elenco – F. Murray Abraham, Eric Roberts, Mia Sara, Christopher Rydell, Brett Cullen, Elaine Kagan.

Suba (F. Murray Abraham) é um desconhecido que procura emprego como instrutor de esgrima em uma famosa academia. Ele consegue o emprego ao demonstrar habilidade no esporte, apesar da idade. A academia pertence ao arrogante Alexander Villard (Eric Roberts), que a princípio vê o velho homem como um perdedor, sem saber que Suba guarda um segredo que liga a vida do dois. 

Este é o único filme que conheço em que a esgrima é um dos pontos principais da trama, lógico que não levando em conta os antigos filmes de capa e espada, que eram aventuras. Os temas aqui são o acerto de contas com o passado e a soberba que muitos esportistas demonstram, desprezando seus oponentes e acreditando que sempre serão os vencedores. O geralmente mal aproveitado F. Murray Abraham e até mesmo o canastrão Eric Roberts apresentam boas interpretações neste interessante drama. 

Glória Brutal (Brutal Glory, África do Sul, 1989) – Nota 3
Direção – Koos Roets
Elenco – Robert Vaughn, Timothy Brantley, Leah King Pinsent, James Ryan.

Após uma infância dura em que era espancado pelo pai, o jovem Charles “Kid” McCoy (Timothy Brantley) se torna um famoso lutador de boxe, porém sua vida sofre nova reviravolta que o faz fugir para África. O filme se diz baseado na história real do lutador Kid McCoy, famoso nos anos 1920, mas na verdade a trama é completamente diferente. O protagonista Timothy Brantley é péssimo ator, assim como é nítida a falta de talento do diretor. O único rosto conhecido é do veterano Robert Vaughn, que na época já estava em uma fase descendente na carreira. Assisti esta bomba no antigo Cinema em Casa do SBT. 

Fogo, Gelo e Dinamite (Feuer, Eis & Dynamit, Alemanha, 1990) – Nota 3
Direção – Willy Bogner
Elenco – Roger Moore, Shari Belafonte, Simon Shepherd, Marjoe Gortner, Uwe Ochsenkencht.

O milionário inglês Sir George (Roger Moore) forja a própria a morte, para assim obrigar seus três enteados a disputarem algumas provas numa espécie Olimpíada de Inverno, com o vencedor herdando sua fortuna. Esta fraquíssima produção alemã tentou alcançar o mercado internacional ao colocar o veterano astro Roger Moore como chamariz. Moore, que pouco aparece, estava há cinco anos afastado das telas desde seu último filme como James Bond em “007 - Na Mira dos Assassinos” e provavelmente aceitou o papel para ganhar um troco fácil.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O Último Brilho do Crepúsculo

O Último Brilho do Crepúsculo (Twilight’s Last Gleaming, EUA, 1977) – Nota 6,5
Direção – Robert Aldrich
Elenco – Burt Lancaster, Richard Widmark, Charles Durning, Melvyn Douglas, Paul Winfield, Burt Young, Gerald S. O’Loughlin, Richard Jaeckel, Joseph Cotten, Roscoe Lee Browne, Charles McGraw.

Quatro homens armados matam alguns oficiais da aeronáutica, tomam suas identidades e conseguem entrar em uma base secreta. Eles chegam até a sala de comando para lançamento de mísseis com ogivas nucleares. 

Em seguida, descobrimos que o líder do grupo é o General Dell (Burt Lancaster), que estava cumprindo pena e fugiu da prisão. Seu objetivo é obrigar o Presidente (Charles Durning) a admitir publicamente a culpa do governo pela participação na Guerra do Vietnã. 

Este longa foi uma das primeiras produções de Hollywood a criticar abertamente o governo americano em relação a absurda Guerra do Vietnã.  O roteiro explora ainda a questão da Guerra Fria e o perigo nuclear, temas que eram comuns na época e que assustavam o mundo.

Por mais que os temas fossem fortes, o filme é arrastado em alguns momentos, como nas várias discussões entre o presidente e a alta cúpula tentando encontrar uma saída para o problema. 

Um ponto interessante e acredito que inédito na época, foi a escolha do diretor Robert Aldrich em dividir a tela em duas, três ou até quatro imagens para destacar ações paralelas. 

Infelizmente é um filme que envelheceu mal, apesar do elenco recheado de bons atores, principalmente os astros Burt Lancaster e Richard Widmark, este último interpretando um General linha dura. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Nosso Fiel Traidor

Nosso Fiel Traidor (Our Kind of Traitor, Inglaterra / França, 2016) – Nota 7
Direção – Susanna White
Elenco – Ewan McGregor, Stellan Skarsgard, Damian Lewis, Naomi Harris, Khalid Abdalla, Jeremy Northam, Saskia Reeves, Mark Gatiss, Marak Stanley.

O professor universitário Perry (Ewan McGregor) e sua esposa advogada Gail (Naomi Harris) enfrentam uma crise no casamento enquanto passam alguns dias em Marrakech, local onde a mulher está a trabalho. 

Um dia antes de voltar para Inglaterra, Perry cruza no hotel com um russo falastrão chamado Dima (Stellan Skarsgard), que convida o casal para uma festa. Antes de partir, Dima confessa para Perry que ele é um operador financeiro da Máfia Russa e que provavelmente será assassinado pela organização. 

Dima pede para Perry entregar um pen drive com informações sobre as transações ilícitas para o Serviço Secreto Inglês e assim quem sabe conseguir asilo para ele e sua família. 

Baseado em um livro de John Le Carré, especialista em obras de espionagem, este longa tem como ponto principal a interessante trama que explora a dificuldade em combater a relação de corrupção entre milionários e autoridades do alto escalão. 

O filme peca um pouco pelo ritmo irregular em alguns momentos, mas por outro lado ganha pontos nas cenas de violência, nas locações em vários países da Europa e nas interpretações de Stellan Skarsgard e Damian Lewis, o primeiro perfeito como o mafioso russo que tenta salvar sua família e o segundo como um agente inglês. 

É um filme indicado para quem gosta de tramas de espionagem e traição.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Herança de Sangue

Herança de Sangue (Blood Father, França, 2016) – Nota 6,5
Direção – Jean François Richet
Elenco – Mel Gibson, Erin Moriarty, Diego Luna, Michael Parks, William H. Macy, Miguel Sandoval, Dale Dickey, Daniel Moncada.

Na sequência inicial, a adolescente Lydia (Erin Moriarty) está em um carro com o namorado (Diego Luna) e outros três sujeitos que fazem parte de uma gangue mexicana. Um aparente assalto dá errado e Lydia consegue fugir. Sem ter para onde ir, ele procura o pai John Link (Mel Gibson). 

Link é um ex-presidiário que está tentando mudar de vida e que procurava a filha desde que saiu da cadeia. A volta da garota ao invés de trazer paz, na verdade transforma a vida de John em um inferno. Pai e filha se tornam alvos da violenta gangue e precisam fugir para tentar sobreviver. 

Por mais que este longa do francês Jean François Richet tenha um roteiro fraquinho, é bom ver novamente o astro Mel Gibson em um filme de ação. Desde meados do anos 2000, quando entrou num espiral de problemas pessoais, declarações desastradas e escândalos, a carreira de Mel Gibson entrou em parafuso e o ator se tornou uma espécie de persona non grata em Hollywood. São poucos filmes na última década, uma pena para quem gosta dos trabalhos do ator. 

Os pontos principais aqui são o carisma do personagem durão interpretado por Gibson e as boas cenas de ação. Infelizmente isso é pouco para render um grande filme.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A Conexão Francesa

A Conexão Francesa (La French, França / Bélgica, 2014) – Nota 7,5
Direção – Cedric Jimenez
Elenco – Jean Dujardin, Gilles Lellouche, Celine Salette, Melanie Doutey, Benoit Magimel.

Marselha, 1975. O juiz da vara de adolescentes Pierre Michel (Jean Dujardin) é transferido para ser o responsável pelo combate ao crime organizado na cidade. 

Michel se une a polícia para criar uma força-tarefa com o objetivo de derrubar a organização criminosa conhecida com “La French” e comandada com mão de ferro por Gaetan “Tany” Zampa (Gilles Lellouche). A disputa entre Michel e Tany se estenderá por alguns anos, resultando em violência e perdas de vidas dos dois lados. 

Baseado livremente numa história real, este competente longa foca o outro lado da história do clássico “Operação França” de William Friedkin. O longa americano mostrava a investigação de dois policiais que tentavam desbaratar a ramificação da quadrilha francesa em Nova York. 

Aqui, a trama mostra como o lado francês tentou enfrentar a mesma organização criminosa que tinha como principal ocupação a produção e o tráfico de heroína para os Estados Unidos nos anos setenta. 

Hoje é curioso saber que a cidade de Marselha era a grande produtora de drogas que abastecia os Estados Unidos antes da América Latina tomar este posto nos anos oitenta. 

O filme tem uma narrativa que prende a atenção, mesmo com alguns pulos no tempo. As cenas de ação e violência são bem filmadas, assim como as traições e pequenas reviravoltas comuns ao gênero. 

O destaque do elenco fica para o obcecado juiz interpretado por Jean Dujardin, que passa toda a angústia nos momentos de crise no casamento por causa de seu trabalho e em outras situações a dureza necessária para enfrentar um inimigo cruel.

domingo, 2 de outubro de 2016

Gigante

Gigante (Gigante, Uruguai / Argentina / Alemanha / Espanha / Holanda, 2009) – Nota 6,5
Direção – Adrian Biniez
Elenco – Horacio Camandule, Leonor Svarcas.

Jara (Horacio Camandule) trabalha como segurança noturno em um hipermercado em Montevidéu no Uruguai. Ao mesmo tempo em que é alto e corpulento, Jara se mostra um sujeito solitário e de poucas palavras. 

Numa certa noite, vigiando o estabelecimento através de câmeras de segurança, ele presta atenção em uma moça que trabalha na limpeza (Leonor Svarcas). Sem saber como chegar para conversar com a mulher, Jara passa a espioná-la pelas câmeras e a segui-la pelas ruas depois do trabalho. 

Esta simpática produção uruguaia explora com sensibilidade a vida de duas pessoas simples e solitárias, que são aparentemente bem diferentes entre si, mas que durante o desenvolvimento da história o espectador e também o protagonista descobrem que os personagens tem muitas coisas em comum. 

O personagem principal é como um detetive tentando descobrir a verdade, sendo por quase todo o filme um espectador da vida alheia. 

É interessante também as locações em Montevidéu, neste caso em bairros tranquilos com casas e construções antigas, uma cidade bem diferente do que estamos acostumados no Brasil. 

É um filme simples sobre pessoas comuns que procuram a felicidade.

sábado, 1 de outubro de 2016

Terceira Pessoa

Terceira Pessoa (Third Person, Bélgica / Estados Unidos / França / Inglaterra / Alemanha, 2013) – Nota 7
Direção – Paul Haggis
Elenco – Liam Neeson, Adrien Brody, Mila Kunis, Olivia Wilde, Moran Atias, James Franco, Loan Chabanol, Maria Bello, Kim Basinger, Riccardo Scamarcio, Vinicio Marchioni, David Harewood.

O roteiro se divide em três histórias sobre relacionamentos em crise.

Em Paris, o escritor Michael (Liam Neeson) tenta escrever um novo livro ao mesmo tempo em que se entrega a um jogo de sedução com a bela e instável Anna (Olivia Wilde), enquanto sua deprimida esposa (Kim Basinger) está nos Estados Unidos. 

Uma segunda narrativa ocorre em Paris, onde o negociante Scott (Adrien Brody) se sente atraído por uma prostituta romena (Moran Atias) que precisa de dinheiro para resgatar seu filho que foi sequestrado por uma gangue de compatriotas. 

A terceira história tem Nova York como cenário e a jovem Julia (Mila Kunis) como protagonista. Ela sofre por ter perdido a guarda do filho para o ex-marido (James Franco) e tenta recomeçar a vida em um novo trabalho como camareira. 

Semelhante ao roteiro que escreveu para o premiado “Crash”, aqui o diretor Paul Haggis cruza no final as três histórias, porém de uma forma inusitada, que a primeira vista pode deixar o espectador perdido. Analisando com calma, dá para entender o que realmente ocorreu, o que por sinal se mostra uma sacada interessante do diretor. 

Quanto ao filme no geral, Haggis peca ao alongar demais a história. As mais de duas horas de duração deixam a narrativa arrastada em alguns momentos. Os pontos positivos são as as boas atuações do elenco, a bela fotografia que aproveita as locações nas três cidades, além da nudez total da belíssima Olivia Wilde. 

Esta longe de ser um grande filme, mesmo assim é um interessante drama para que curte o gênero.